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quarta-feira, agosto 16, 2006

Os moralistas contra os fumadores

Senti hoje em Badajoz pela primeira vez os efeitos da proibição de fumar em locais públicos, como um centro comercial.
Era também feriado em Espanha e acabei por ter de me refugiar com a família num centro comercial à entrada de Badajoz, onde também estava tudo fechado à excepção de um Burguer King horrendo. Mas no centro nem um cigarro se podia fumar depois de um café.
É uma medida ridícula, cínica, típica destes governos da moda, politicamente correctos que têm em Zapatero e em Sócrates os arautos máximos da moralidade de esquerda que depois os liberais – lembrem-se do governo de Durão- imitam com receio de perderem votos no centro-esquerda.
A medida é irritante e atentatória da liberdade individual.
Estou à vontade: sou na redacção do Expresso o que mais contesta os fumadores, cheguei a quase bater num tipo que num restaurante atirava fumo para cima do meu bebé, mas isso nada tem a ver com medidas extremas.
Pode e deve haver zonas para fumadores, que não sejam guetos, e cada um tem de ser educado para perceber que não está a incomodar ninguém nem atentar contra a saúde de terceiros.
Parece-me simplex !
Estes socialistas de agora que acham muito bem legalizar os casamentos gay ( uma aberração por natureza) são os mesmos que não me deixam fumar um puro num corredor amplo, de ar renovado como na rua, em nome da saúde. Depois até podem atirar os gazes da co-incineração para cima de populações indefesas…apesar de euser a favor da co-incineração desde que haja um controle efectivo da qualidade do ar e da saúde pública.
Lá para o Outono vamos ser nós a não podermos fumar em público.
É o que faz termos um Primeiro saudável que gosta de correr nas marginais.

terça-feira, agosto 15, 2006

Patos bravos trazem gripe urbanistica ao Alentejo



Aldeia da Igrejinha, Arraiolos, junto à Barragem do Divor. Os patos bravos chegaram.

Devagar, devagarinho, a paisagem alentejana, não a do litoral, a do alto, vai-se transformando. Para pior, claro.
Há 3 anos quando comprei uma pequena casa perto de Arraiolos, numa aldeia tradicional, poucos eram os sinais de novas construções. Um fim de semana chego e reparo que uma casa de dois andares tinha sido construída na minha rua, onde só havia casas de há dezenas de anos, rasteiras, de arquitectura tradicional.
Depois a Câmara de Arraiolos disponibilizou uma zona da aldeia para novas casas e assim poder atrair gente nova. As casas até são simpáticas, rasteiras, brancas, debruadas a azul e amarelo.
Agora a minha rua já tem outra casa igual à primeira, também de dois andares, sem nenhuma ligação formal, volumétrica, com a aldeia antiga. Da estrada nacional 4 já se vislumbra um perfil diferente da aldeia.

Ontem ao passar pela Igrejinha, uma aldeia junto à barragem do Divor, lá estava à entrada este mastodonte, legal com autorização da câmara e que já anuncia a continuação de mais aberrações ao lado.

É evidente que as terras não são museus e que se devem desenvolver com equipamentos que tenham a ver com as exigências dos dias de hoje. Mas o que sucede é que estas novas casas estão mal implantadas nas aldeias, não se integram e não estão pensadas para uma vida harmoniosa num local destes. Não são projectadas para uma relação com o Sol, a rua, o campo, o ar livre. São imitações do pior que há nas cidades e seus subúrbios.
Não entender que a mais valia destas terras está no seu potencial para serem diferentes e permitirem uma vida alternativa à das cidades é uma burrice total.
A Câmara de Arraiolos preocupa-se com aquelas idiotices de ruas cortadas ao trânsito, dificultando a ida à vila, sem bom estacionamento. Depois autoriza a construção de mamarrachos condenando o futuro.
Sempre pensei que o Alentejo ainda não tinha sido condenado e mantinha a sua tradição arquitectónica por ser uma zona sem investimento.
Infelizmente tinha razão. Basta haver um bocadinho de dinheiro que logo começa a ganância e o mau gosto.
Confesso que estou traumatizado: até a minha vizinha que deve ter descoberto daquelas ares condicionados em saldo, me queria pôr as máquinas por cima do meu telhado!

Não vai ser fácil fugir ao mau gosto, mesmo com a crise (!) a refrear o consumismo bacoco.

Os patos bravos chegaram ao Alentejo.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Domingo ao fim da tarde

fotos de Luiz Carvalho feitas hoje entre as 20 e 21 horas perto de Arraiolos

Ao fim da tarde, perdido entre o Carrascal e a estação abandonada de comboios de Arraiolos, num caminho rural sem saber se seria de algum agrário que me poderia correr a tiro em qualquer momento, toca o telemóvel. Do outro lado o meu amigo João Mateus, arquitecto, companheiro dos meus tempos de adolescente no Café Biarritz, no lisboeta bairro de Alvalade, lembrou-se de mim. Estava no Ribatejo perto dos Avieiros, onde fizéramos um documentário sobre esses pescadores em 1970.

Um dos entrevistados, com voz de timbre cigano, dizia então para o gravador Uher:” Chamam-na gente os ciganos do mar porque trabalhamos de noite. Os ciganos róbam, nós trabalhamos, por isso é que somos ciganos do mar !!” – tudo em voz cantada e ainda acrescentava:” Querem então saber da vida artística dos avieiros ? Então aí vai…”- e eram mais 30 minutos de depoimentos num português incrível.

Éramos jovens e de esquerda. Eu acreditava que com a fotografia e o cinema podia mudar o Mundo, mais: gostava sinceramente daquela gente, muito semelhante aos meus familiares de uma recôndita aldeia da Beira-Alta , Sarzeda, onde adorava, e ainda gosto, de passar férias.

O Sol já desaparecia e eu ali perdido a falar com o meu amigo de imagens a preto e branco, de tempos que não voltam.
Mudámos muito e as nossas vidas também.
Mas não deixámos de nos emocionar com a luz e o tempo.

domingo, agosto 13, 2006

Viver com o inimigo

O que ia acontecendo em Londres esta semana deixa-nos de novo perplexos. Pela minha parte, pessimista nato, não pude deixar de pensar em como tudo isto deixa ainda mais frágil e vulnerável a democracia, a nossa civilização ocidental.
Nós que andámos a bradar pela liberdade, pela sociedade justa, pelas regalias sociais, a nossa geração que pôs como objectivo de vida a tolerância, o respeito pelos povos de outras culturas, temos no coração da nossa sociedade, os traidores a quem demos guarida.
Os putos que foram presos tinham entre 17 e 24 anos. Alguns tinham sido reconhecidos cidadãos de sua majestade há pouco tempo.
Não são uns pobres rejeitados pela democracia, uns desgraçados explorados pelos imperialistas e colonialistas. São cidadãos a quem o Reino Unido recebeu de braços abertos.
São da mesma geração que em França fizeram o que sabemos há meses atrás. É o mesmo fanatismo que está a contaminar a juventude suburbana das grandes cidades europeias, os filhos dos imigrantes que viram na Europa a tolerância que não tinham na sua terra, as oportunidades de trabalho que nunca teriam se tivessem continuado a viver na pátria do medievalismo religioso e político.

Quando ontem vi um excelente documentário na RTPn sobre a emigração portuguesa dos anos 60, reparei como os nossos compatriotas se portaram com dignidade e saber, como souberam integrar-se nos países que os acolheram. Aceitaram a resignação e o trabalho. Não fizeram greves políticas, não contestaram o regime, embora tivessem todas as razões e mais uma para o fazerem.

O sofrimento português deu lugar à competência, ao trabalho.
Esta gente merece tudo, até as casas que por cá fizeram, a música pimba que cultivaram, a doce forma de se ser português.

Londres hoje queixa-se do terrorismo, mas foi Londres que semeou as sementes da violência que agora todos estamos a sofrer e que não parará tão cedo.

sábado, agosto 12, 2006

Coscuvilhice de investigação

Estar de férias perdido no Alentejo seco e escaldante no meu Carrascal dá-me tempo para tudo, até para ver a imprensa rosa choque.
Entre o Le Courrier, o Público, a Sábado ( cada vez mais light e magazinesca), a Visão ( sempre com o fantasma magazinesco da Sábado) ainda me resta pachorra, e dinheiro, para me fazer de voyeur e passar os olhos pela Caras ( já tentada pelos paparazzis) a TV 7 Dias, a Lux e outra que agora não me recordo. Amanhã logo de manhã lá estarei em Arraiolos a comprar o meu Expresso, antes que esgote.
Mas da leitura (?) à beira da piscina pelas rosas ficou-me no final, tudo bem mixado, uma ideia tremenda: o país pareceu-me um pátio das cantigas com um lavar de roupa suja inacreditável.
Tal como dizia numa postagem recente, desta semana, políticos, artistas e mulheres libertinas foram fotografados por uns energúmenos a troco de uns cobres, já que isto a vida está mal para todos.
Não foi só o solitário Sócrates a besuntar as costas do irmão a vítima.
Soares aparece magoado e a legenda diz que ele anda a cambalear, Maria Barroso põe o segurança a andar em estilo Pepe Rápido durante 3 horas matinais, Cavaco já tem alcatrão até à porta da Gaivota ( e sabemos como o alcatrão é para ele um elixir de progresso) e Sampaio vê escarrapachada a foto da sua casa algarvia.
Depois vêm as vedetas da tv e seus dramas.
Merche Romero avisa que Ronaldo sabe que ela se dá com o antigo namorado, Rizo namora na praia, Rita anda com um play boy, a pivot da SIC dança com o ex da que já tem novo boy, o infeliz actor traído foge para o Brasil e a enganadora continua com o matulão do Porsche que dá surfadas, chora na varanda mas prossegue a sua doce vida amorosa.
Isto para quem leu de relance.. não está mal !!!

Se a imprensa portuguesa de referência (isto é que é ser politicamente correcto) fizesse jornalismo de investigação com esta competência como a dita imprensa cor de rosa faz as suas investigações, o jornalismo digno deste nome estava de certeza com mais audiência do que está.

Agora meus amigos: esta doença da imprensa que é a coscuvilhice vai pagar-se cara. Não me parece viável que toda a revisteca se possa dar ao luxo de invadir a privacidade de quem quer que seja, em nome da má língua e da venda de papel. É um péssimo caminho.

E que não haja dúvidas: a seguir vão atacar as televisões populistas.
Não me admirarei que daqui a pouco a TVI não venha a ter um programa de paparazzi roubando mercado às revistas que agora foram por este caminho.
Vai ser um sucesso sem vergonha.

sexta-feira, agosto 11, 2006

A solidão de Sócrates

A fotografia é canalha.
É mais um acto destas hienas do jornalismo que são os paparazzis. Ainda por cima, em Portugal, esta gente nem fotógrafos são. Não passam de uns marginais que usam uma máquina fotográfica para ganharem dinheiro à custa da coscuvilhice.

Isto vai acabar mal: esta falta de auto - regulação vai fazer com que um destes dias haja uma lei que acabe por limitar o normal exercício do jornalismo. Depois queixem-se !

Voltando à fotografia canalha: Sócrates besunta as costas de um homem na praia, que no momento seguinte percebemos que é o irmão.

O que intriga nesta foto é a solidão do primeiro-ministro.
Está de férias num resort algarvio mas nem os filhos nem a namorada estão com ele mas o irmão foi lá ter.
Isto nas democracias avançadas era um escândalo. Nem sei mesmo se Sócrates teria alguma vez sido eleito sem ter uma família tradicional por detrás. Imaginamos Blair sem família ? Ou Bush, ou Zapatero ? ( este imagina-se um pouco !).

Há dias na cimeira do G8 a mulher de Bush confidenciava a uma das mulheres de um dos lideres presentes ( não posso dizer quem) que Condollecca Rice nunca poderia ser a próxima Presidente dos Estados Unidos por uma simples razão: não tinha uma família a ancorá-la. Impossível eleger um Presidente solitário americano !
Sócrates até nisto consegue alguma originalidade e coragem, diga-se a seu favor.
Veremos até quando.

quinta-feira, agosto 10, 2006

O luto ridiculo de Mirandela

Mirandela é um dos exemplos mais tristes do que aconteceu à província portuguesa: a antiga vila de características muito próprias deu lugar a um subúrbio caótico, de prédios horrendos distribuídos anarquicamente como uma Brandoa transmontana.
Ali a qualidade de vida do passado, numa vida harmoniosa com uma moldura urbana coerente, é agora uma cidade, acho que até já é cidade, ainda mais provinciana com uma automotora laranja promovida a metro de superfície.

Se o ridículo e o novo - riquismo matassem Mirandela já tinha sido irradiada do mapa.
Quem já lá esteve e entrou naquelas rotundas patéticas, mas muito caras e pagas com o nosso dinheiro de contribuintes cumpridores, só pode ter-se rebolado no chão a rir ou a chorar por ver como em Portugal esta cambada de autarcas se comporta como sinhôzinhos Malta e triunfam à custa da ignorância popular e deste regime que pactua com uma pseudo democracia que dá muito jeito ao poder central aguentar, para depois facturar em votos na altura certa. Esta é a verdade.

Quando hoje a autarquia decidiu decretar luto por causa do governo ter decidido tirar de lá uma maternidade obsoleta, cara e pouco útil, porventura perigosa, caiu mais uma vez numa grosseria ridícula, demagógica, populista, digna de um país do quinto mundo.

O presidente da câmara decidiu armar-se em herói, defensor do povo, transformando a terra num cenário de circo triste e pobre, engalanado com bandeiras negras, explorando o primarismo da população, aliás o mesmo primarismo que o elegeu, pois se assim não fosse como explicar o voto em semelhante criatura ?

Este governo até pode ter muitos defeitos. Eu próprio detesto muito do marketing de Sócrates, mas se há coisas que têm sido feitas em concreto é na Saúde.

Numa altura em que todo o bicho- careta tem carro e telemóvel que diferença faz ir ter um filho a 5 quilómetros ou a 20 de casa ? Mais: porque há-de o país pagar o capricho de algumas populações que querem ter uma maternidade ao virar da esquina, mesmo que haja meia dúzia de partos por ano ? Mais: vale a pena ter maternidades que de tão pouco usadas fazem correr riscos para as mães ?

Haja decoro meus senhores e pensem grande em vez de em grande.
Façam menos rotundas, menos festas de verão e menos obras públicas!
Deixem-se de demagogia e trabalhem, em vez de sugarem o dinheiro aos cidadãos.
E deixem de contribuir da forma alarve como o estão fazendo para o aumento do deficit.

O David e o golias TVI

Hoje o meu filho David, quatro anos e meio, deu-me um pequeno desgosto compensado pelo encanto que é vermos os nossos filhos crescerem e saberem do mundo que os rodeia. O desgosto é passageiro mas não deixa de marcar uma data: o dia em que o David apontou para a televisão e disse que queria ver a TVI. Depois confirmou com o dedinho a sigla ao canto do écran. Quando lhe falei da Floribela, que ele já canta o tema, e lhe perguntei se passava na TVI disse-me que não e confirmou-me que era na SIC.
Eu que andava todo orgulhoso pelo facto do David preferir “Os Incríveis”, o “Shrek”, o “Wallace”, enfim: cinema de qualidade, ele dispara com a TVI como se usasse a pistola horrenda que quase fui obrigado a comprar-lhe numa das já milhentas visitas a lojas de chinocas no eixo Estoril - Arraiolos.
Afinal a política controleira do pai, ainda com resquícios de intelectual de esquerda (!), não funciona e mais cedo ou mais tarde a tentação dos enlatados acaba por prevalecer nas escolhas das crianças.
Já tinha acontecido com o Mac Donalds, o que me leva contra mim e contra o meu médico a ter de comer um Happy Meal todas as semanas.
Um destes dias vou suplicar para que o David retome o gosto pelo Canal Panda que pode já ser considerado o segundo canal da criançada esclarecida, falta mesmo só o Carlos Pinto Coelho vestido de bibe a fazer de pivot ( Fusga-se !!!).

Lembro-me que ficava fulo há 20 anos quando o meu outro filho era um fã do Stallone, depois de ter devorado o Dartacão e a Heidi a preto e branco (versão cinemateca!). Hoje o André é uma pessoa culta e de bom gosto. Portanto: estes desvios fazem parte do crescimento e que seríamos nós sem uns desvios de vez em quando?

A Ponte que foi Salazar

Há muito tempo que não via na televisão portuguesa um documentário com a qualidade do que passou hoje na RTPn sobre os 40 anos da Ponte.
Do ponto de vista da realização é de um bom gosto e aprumo de estilo que não é regra nas televisões portuguesas, como guião é notável. Anabela Saint-Maurice, a jornalista da RTP que o realizou consegui uma ligação e fio condutor perfeitos entre as imagens do passado ( também de grande qualidade) e o presente dado através de testemunhos que acabam por dar um forte cunho personalizado à obra de engenharia.
Afinal por detrás daquela ponte há heróis ( os operários que aparecem a falar e os engenheiros) e vitimas ( o puto que há 12 anos foi atingido a tiro pela GNR durante a manifestação do buzinão) e felizes contemplados: os cidadãos que adoram atravessar a ponte de comboio e de carro e que falam dela como uma bela arte de viver.
Há também uma história que se confunde com a história do Portugal contemporâneo: a ponte serviu de passagem do antigo regime para o actual, ela própria protagonizou alguns dos momentos mais pungentes do passado ( Salazar, Arantes e Oliveira a fazer a primeira travessia no passeio do gato de capacete, ministro das Obras Públicas à séria) e a ingratidão e oportunismo dos novos políticos tentando fazer da obra pública uma obra política.
Acho que isto é mesmo serviço público, mais: é desta televisão e deste jornalismo que precisamos como pão para a alma.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Sócrates irá correr no calçadão ?

Sócrates está de visita ao Brasil.
António Costa, que o substitui, vai hoje fazer aprovar a nova lei sobre imigração.
É uma coincidência? Não. É uma manobra engraxatória bem ao nosso estilo portuga. Duvido que o contrário pudesse acontecer.

Portugal tem permitido a imigração brasileira com uma tolerância desmedida ao ponto de a segurança do espaço Shenger já ter sido questionada pelos parceiros europeus.
Se com a lei que temos a invasão de brasileiros já era o que era o que fará agora!...

Nada tenho contra os irmãos brasileiros. Adoro o Brasil, a cultura, o país, tudo. Aliás o meu sonho é poder-me reformar e ir viver para debaixo de um coqueiro, apesar de já ter achado isso mais provável.

Assisti há 20 anos à chegada dos primeiros brasileiros a Portugal, nesta fase de grande redescoberta, e fiquei muito surpreendido com a qualidade das pessoas que então conheci.

Uma delas criou por cá uma empresa de marketing e cheguei a trabalhar com ela.
A Sílvia Lakeland era de uma competência notável e eu não estava habituado a trabalhar com aquele rigor profissional.
Aprendi muito, assim como com outros brasileiros, e algumas brasileiras ligadas à moda também me marcaram positivamente.
Aliás, o meu Director de Arte, o Marco, é um carioca com sotaque do Norte (!) o que só reforça o prazer que é trabalhar com ele.
A vinda de gente boa de outras culturas só pode contribuir para o nosso desenvolvimento e para o refrescar da sociedade portuguesa, infelizmente ainda demasiado cinzenta e fechada sobre si própria.
Ainda gostava de referir o contributo de Paula Lee para o entrusamento Brasil-Portugal.

O que irrita é que José Sócrates quando agora vai em visita de Estado a um país "irmão"dá sempre um ar de graxa. Já o fez em Angola, agora no Brasil repete.
Esperemos que ao menos nos poupe a mais uma sessão de correria no calçadão do Rio.
Mas já nada me admira. Quando está em jogo o marketing Sócrates parece que aprendeu com os brasileiros, o que só mostra inteligência.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Kate Moss, bendita cocaína !

Kate Moss é agora a modelo mais bem paga do Mundo.
As fotos a snifar cocaína deram-lhe publicidade redobrada e uma cotação mais milionária no mercado da moda.
Calvin Klein teve de desembolsar 2,2 milhões de euros por uma sesssão fotográfica com ela.
Os lucros anuais da modelo estimam-se em 29, 6 milhões de euros.
Segundo Alan Strutt, fotógrafo que a fotografou no início da carreira, diz dela:" é a top model mais versátil e transformável de todos os tempos".

Fernando Seara: a Serra de Sintra não é o Estádio da Luz

Fernando Seara, o da Câmara de Sintra e não aquele tontasso dos comentários futeboleiros, pode sacudir a água do capote e vir dizer através de uma assessora, que o eucalipto que ontem caiu em cima de uma família, que fazia um piquenique, não estava em terreno da câmara. Mais: que nem sequer sabe ainda de quem é o proprietário.
De uma coisa não se livra: da evidente má gestão e conservação de tudo o que envolve o Parque da Serra de Sintra e que muito lhe cabe em responsabilidade. Acho que aqui a Direcção Geral das florestas, ou algo similar, terá ainda mais responsabilidade no abandono a que está devotada a Serra de Sintra.

Há meses, numa noite de luar, decidi ir passear sozinho no meu jeep pela Serra de Sintra. Juro que pensei: e se uma destas árvores me cair agora em cima quem me vai socorrer ? Estava muito vento e havia ramos a abanar por todo o lado.
A mata está ao abandono, cheia de mato e lixo, os ramos das árvores invadem as estreitas estradas. Há gente que continua a fazer fogo para piqueniques, não se vê guarda, nem o acesso é controlado a partir de certas horas.
A balda é total, o desleixo total mas Seara diz-se inocente.
É confortável arranjar desculpas burocráticas mas mais difícil de justificar a demissão política em casos como estes de evidente má gestão.

domingo, agosto 06, 2006

Recruta para jornalistas de guerra

Nem de propósito. Depois de ter escrito a última crónica ácida, sobre enviados de guerra, passou na SIC uma reportagem sobre um curso para jornalistas em cenários de guerra, feito pela Impresa com a colaboração do exército português.
De certa maneira participei nesta iniciativa na fase inicial, como coordenador editorial do Expresso, encarregue de estabelecer sinergias entre títulos do grupo.
Este curso já tinha acontecido no ano passado. É uma iniciativa muito boa.
Os jornalistas não podem ser uns engravatados que debitam opiniões da varanda de um hotel para uma câmera em directo em vez de reportarem histórias próprias, de forma a fazer toda a diferença dos envios dos canais de agência. Há que arriscar e ser genuíno.
Gostei muito do que vi e deixou-me até uma lição: há sempre um reverso nas opiniões que muitas vezes expressamos.
Ainda há quem queira fazer jornalismo puro e duro.
Bem hajam.

Fotojornalista em fuga para Oeste

Já tenho o link para o blog do Luis Filipe Catarino, fotojornalista emprestado ao Presidente Cavaco, e que decidiu fazer uma viagem alone pela Austrália tendo uma auto-caravana como tecto e carril.
Confesso que não deixo de o invejar pela coragem e também pela disponibilidade. Aproveita Luis a independência não dura sempre.

Boa viagem !

Enviados de guerra a hóteis de 5 estrelas

Há uma coisa que as televisões em Portugal não compreendem, ou não podem compreender: pôr um enviado a um cenário de guerra a falar em directo, a um preço exorbitante de satélite, para fazer comentários e dizer banalidades, é caro, ridículo e pior: não presta nenhum serviço aos espectadores.
É jornalismo espectáculo com a agravante de ter menos recursos do que as séries juvenis da moda.
As televisões sentem necessidade, por uma questão de audiência, em mostrar que estão na frente da guerra, mas na realidade estão muitas vezes a falar de um confortável e seguro hotel de 5 estrelas, longe dos acontecimentos dramáticos. Fazem-no porque não o sabem fazer de outro modo e mesmo que o quisessem, diga-se em abono da verdade, não teriam os meios das grandes televisões mundiais.

Lembro-me de na primeira Guerra do Golfo, estava eu com o Paulo Camacho, então no Expresso, e vários jornalistas portugueses e estrangeiros num hotel de Amã, à espera de poder chegar à fronteira com o Iraque, quando reparo no José Manuel barata Feyo, então enviado da RTP, a falar junto a uma parede branca ( como se compreenderá um fundo interessantíssimo para o tema !) com voz excitada como se estivesse na frente de batalha. Este tom exaltado
daria naquela degenerência chamada Aldraban.
Mais tarde, ao ver uma reportagem sua feita na mesma estrada que eu e o Paulo fizéramos ao Iraque, embora com controles onde bastava mostrar a credencial de jornalista para passar, o Barata Feyo transformara essa viagem relativamente tranquila, numa grande aventura televisiva.
Estas encenações resultam em televisão e os espectadores sentem que estão a sintonizar um canal de heróis. Gostam. O Orelhas conseguiu muito do seu sucesso à custa destes exageros para não dizer verdadeiras palhaçadas.

Ver os envios de cadeias como a Sky, BBC ou CNN, num estilo sóbrio e rigoroso, e ver depois estas reportagens já imbuídas de tiques narrativos à la Morangos Com Açúcar é de fugir e pôr a mão na carteira. É que no caso da RTP quem paga a factura do satélite somos nós e ainda por cima no recibo da EDP, uma subtileza política e jurídica inventada há anos por Almeida Santos, outro espertalhão mas da pantalha política.

Fidel Castro por Luiz Carvalho

Fidel Castro na Cimeira Ibero-Americana, Venezuela. 1998
Um retrato meu recuperado há pouco da gaveta.

sábado, agosto 05, 2006

Festival do Sudoeste, 10 anos já cantam

O Festival do Sudoeste faz dez anos.
Confesso que ando há dez anos para lá ir, o que não me admira: ando há muitos anos para ir a muitos lados, infelizmente repito demasiadas idas a lugares que preferiria não ir!...

O meu filho mais velho, André, 30 anos, esse sim não falha nenhum ano. Ele que adora surf, o Alentejo e as praias que o contêm, tem no Sudoeste um excelente pretexto para mais uma surfada e umas noites calientes. Este ano, lá está repetente. Um beijo filho.

O fenómeno dos festivais em Potugal vem dos anos 70.
Um dia estava de cama com um febrão. A minha mãe chamou um médico vizinho, bairro de Alvalade em Lisboa. Era 1970. Entrou pelo quarto um médico meio esgroviado que em vez de me auscultar e me medicamentar me começou a perguntar se preferiria ver Os Beatles em Vilar de Mouros ou o Elton John. Era o Dr. Barges o fundador do que seria o festival.
Eu achei que ele era megalómano, mas era um melómano, um homem com uma alma infinita.
Passos dois anos aparecia em todo o lado a falar do festival, até no Zip-Zip, o célebre talk-show da RTP.

Tirando o fenómeno lateral da droga e das bebedeiras excessivas, estes encontros são a prova de uma vitalidade fantástica da nossa juventude.
Não direi o mesmo da pimpineira do Rock in Rio: um festival novo-rico para levar para fora de portas mais algum dinheiro português.

Zambujeira é fixe. O In Rio que se lixe !.

Sócrates, a personal trainer, e outras aventuras

Não pode ser mais verão.
O calor voltou, as notícias secaram nos jornais, Lisboa ficou mais deserta, não tanto como em anos de mais desafogo económico.
Até eu retomo as férias, depois de uma semana de grande experiência profissional com Juan Ignacio um guru do jornalismo que me acompanhou no melhoramento da editoria de fotografia do Expresso.
Agora vou regressar ao Sol ( salvo seja !!!).
Começei a ler alguma imprensa em atraso e logo deparei com duas aventuras quentes de verão: Sócrates tem uma personal treiner e corre que se farta no Algarve, não foi só em Luanda...
Elsa Raposo beija o seu treiner de surf na Praia de Carcavelos, enquanto a foto deixa ver a tatuagem com o nome do ex-sortudo (?) Goncalo, o namorado da novela da vida real.
Entretanto Alexandra Lencastre emagrece e lamenta-se de solidão.
Cavaco perde popularidade pela primeira vez.

Bem fez o meu amigo Luis Filipe Catarino:marimbou-se neste beco lusitano, apanhou o avião para a Australia, alugou uma autocaravana e está a percorrer sózinho o continente. Mais logo darei aqui o link para o seu blog relatando esta aventura.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Centro de Lisboa entregue à prostituição

Há 10 anos que vivo na linha do Estoril, depois de ter morado no centro de Lisboa durante 40 anos. Hoje, há pouco, em trabalho percorri as ruas lisboetas, onde a prostituição está escancarada. Estranhei a forma como a prostituição tem aumentado nas ruas de Lisboa.
São mulheres jovens, algumas muito atraentes, outras muito velhas. O mais chocante: rapazes de aluguer, e crianças, se considerarmos que nos 13- 14 anos ainda se é criança.
No passado fim de semana foi o escândalo, a vergonha das barracas na zona de Sintra onde crianças de tenra idade ali estavam na prostituição com o patrocínio dos pais.
O que mais choca é a impunidade em que tudo isto contiunua a acontecer. Param carros topo de gama, há centenas de clientes e ao lado passa a GNR a cavalo. Nada poderão fazer, mas nem sequer conseguem dissuadir este repugnante comércio de carne humana que está a fazer de Lisboa não um lugar de libertinagem mas um reduto sórdido de vergonha humana.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Mel Gibson e a foto da noite ardente

No melhor pano cai a nódoa, Mel Gibson pode dizê-lo: para um conservador, republicano, mas nada socialista, depois do filme sobre a vida de Cristo assumindo-se num bastiãoanti-semita aí está ele a 160 quilómetros por hora em flagrante num estradão de Los Angeles, às quinhentas da madrugada.
Antes terá havido farra com alcóol e amigas.
Não havia foto mas a In Touch descobriu uma e aí está: o escândalo. Consequências imediatas: escândalo e a cadeia ABC a tirar o tapete ao actor/realizador para uma série sobre o holocausto.

Ainda vamos ter saudades de Fidel Castro

Fidel Castro por Elliott Erwitt/ Magnum

Estranho mas verdadeiro: tanto detestámos o comunismo ( falo por mim claro) que quando caiu o Muro de Berlim, passado pouco tempo, logo pressentimos que aquela odiosa cortina era afinal um reposteiro confortável para dar ao Mundo o equilíbrio, perverso é certo, mas um equilíbrio.
Mesmo as vitimas do comunismo, aqueles que viviam sitiados nos seus próprios países, muitos acabaram por se revoltar contra os ventos da liberdade, já que trazia por acréscimo responsabilidade, trabalho e jogo de concorrência.

Não é por acaso que Gorbatchov é dos homens mais odiados, por todos, na Rússia. Antes havia trabalho, segurança, velhice assegurada. Hoje há alguma liberdade de expressão, livre economia, mas isso paga-se com desemprego, incerteza, corrupção e uma nova ordem política, afinal também repressiva.

Agora com a agonia de Fidel o Mundo democrático começa a rezar para que o ditador não parta já. Ele é o garante do equilíbrio na zona. Fidel é, no fundo, um bom bode expiatório, um alvo para exorcizar os fantasmas do comunismo, que dão muito jeito à direita, um pretexto permanente para acções americanas que sem Fidel não poderiam ter o rótulo do bem anti-castrista.

Disse-o há 15 anos num almoço com um amigo direitista: " ainda havemos de ter saudades do comunismo !" - penso o mesmo hoje falando da crise cubana.

Veja aqui o excelente trabalho multimédia do sempre admirável EL MUNDO.

Um quarto de século MTV

25 anos de MTV. A foto mais polémica durante a entrega do galardão em 2003 a Madonna e Britney Spears. Voltarei ao tema.

terça-feira, agosto 01, 2006

Socrates e a sua lista de Schindler

Afinal a montanha pariu um rato: a lista de Sócrates denunciando os prevaricadores do fisco, anunciada como se tratasse de um filme de acção em versão online, e que teria pelos menos um casting de dez mil malandros, tem apenas umas duas centenas de figurantes.

Entrada de Leão, saída de sendeiro.

A notícia soube-a através de um alerta SIC no meu telemóvel, estava eu a tentar comprar online os selos para os carros.

Como já nos vem habituando, o engenheiro Sócrates governa para o espectáculo, para a imagem e não para a política concreta de acções concretas.

A ideia que se fez querer, e que vingou de uma forma admirável, de que em Portugal ninguém pagava impostos, que as profissões liberais eram uma cambada de caloteiros em fuga, e que o Estado estava a ser prejudicado, tudo isto para se poder criar um clima de impunidade e perseguição fiscal, para que a pesada máquina estatal pudesse ainda sugar mais dinheiro aos cidadãos, aí está.

A coisa pegou desde o tempo de Durão Barroso, a imprensa apadrinhou, principalmente em muitos sectores da esquerda que vêm na sobrecarga de impostos da classe média uma nova forma de fazer socialismo, e agora aí temos um Estado cada vez mais endinheirado, mais gastador, mais parasita, numa economia que cada vez tem menos margem de manobra, de lucro, para poder investir e criar riqueza, desenvolvimento.
Os neo-liberais associaram-se à esquerda. Os primeiros dá-lhes muito jeito mais dinheiro para manterem privilégios, os segundos afogam as mágoas da injustiça social, os ricos que paguem a crise.
Só quem não trabalha por conta de outrem e vê 40 por cento do seu salário ficar reduzido para descontos directos para o Estado é que pode dizer que em Portugal a classe média não paga impostos. E quando se soube há pouco tempo que 1 milhão e tal de trabalhadores não declara sequer IRS porque não é abrangido por nenhum escalão, havendo portugueses que nem sabem o que é ser contribuinte, logo também não fazem exigências à sua qualidade de cidadão, por aqui vemos o panorama português nesta confusão e injustiça social.

Não é por acaso que há cada vez mais economistas a defenderem a taxa única de IRS com agravamentos no IVA, o imposto que pode taxar quem na verdade mais consome porque mias poder de compra tem.

Mas por cá ninguém, ou quase ninguém, tem ainda esta ousadia que mais do que uma revolução fiscal é um novo conceito para uma sociedade mais moderna e competitiva.

domingo, julho 30, 2006

Bimbo do Rio

Já havia o Bimbo da Costa cliquem aqui e vejam o Bimbo do Rio. Inacreditável !

O monte e o guardador de sonhos


fotos de Luiz Carvalho

Fim de tarde alentejano. Hoje, sábado, às 20,35 horas.

O monte parece uma imagem a côr de Ansel Adams.

Antes duas vacas e o seu dono montado numa Famel periquito caminhavam calmamente na estrada ao meu encontro. Tive ainda tempo para parar, puxar da câmara, disparar e saudar guardador de sonhos e seus animais.

Há momentos que valem eternidades.

sábado, julho 29, 2006

Mónica e o desejo

Ainda o Bilhete de Identidade da Maria Filomena Mónica.
Hoje voltei a ficar muito entusiasmado com duas das suas confissões. A cena na Universidade de Oxford quando vestia o casaco de Leopardo, “quase sem nada ou mesmo nada por baixo” para ir ter com o vizinho de cima é deslumbrante e a compra de um Porsche usado para ir de férias com os filhos para o Algarve, para se encontrar com um grupo de amigos meio hippies, não deixa de ser delicioso.
Se pensarmos que isto é no final dos anos 60, são cenas preto e branco dignas de um Antonioni. Lindo.

A pianista, o comendador e o idiota

A birra de Maria João Pires em abandonar Portugal e ir viver para o Brasil veio revelar uma realidade bem diferente daquela que a artista tinha evocado para se divorciar da pátria. Afinal, segundo o Público de hoje, a artista tinha recebido desde 2000 para a sua obra cultural na Beira Baixa 500 mil contos, em moeda antiga. Sem contabilizar outras doações vindas nomeadamente da PT a título de mecenato.
Ficámos a saber, eu não sabia, que aquela verba era basicamente para subsidiar o trabalho de um grupo de crianças, cerca de 60. Ainda fiquei a saber que a verba dada pelo Estado e autarquia nunca foi justificada nos seus gastos.
É espantoso como a cultura pode absorver verbas deste montante sem controle das entidades que entram com o dinheiro.
Maria João Pires é uma artista acima de qualquer suspeita, mas não pode ter impunidade, nem imunidade, quando estão em causa dinheiros de todos nós.
Se aquelas crianças, adoráveis como todas as crianças do Mundo, recebem verbas de tal forma extraordinárias, porque tenho eu de pagar um balúrdio, mesmo para os meus rendimentos, para que o meu filho possa ter um ensino normal, numa escola normal, mas que tem de ser privada porque não há pública na minha zona, e moro no Estoril ?
Eu também quero um subsídio e o Papião, o colégio do David, também deve ter direito porque não é uma escola pior do que a da pianista Maria João Pires. E tem mais de 60 crianças.
Haja decoro, e já agora que a artista ensaie junto de Lula e do seu ministro ambulante da cultura um subsídiozinho para a sua casa junto ao mar na Bahia.

Outro caso cultural revelado em primeira mão pelo Presidente Cavaco Silva é o do contrato leonino entre o Estado, representado pelo governo de Sócrates e o comendador Joe Berardo. Pela primeira vez estou de alma e coração com o PR. Como é possível aceitar tais condições? Quer dizer: vamos pagar uma barbaridade por uma colecção de arte contemporânea que ainda não está segura no seu valor real de mercado e nem sequer o Estado, nós pagantes, podemos ter possibilidade de gerir os monos?
Berardo sabe-a toda, não fosse madeirense e rico como é. Por mim tiro-lhe o chapéu, mas Sócrates é que fica mal, muito mal no retrato pós-moderno.

Terceiro caso cultural: a venda do Rivoli no Porto. Se Sócrates tem medo da cultura, já Rui Rio adora exorcizar os seus fantasmas de grunho e dispara sobre tudo o que lhe cheira a cultura.
A frase célebre, “ quando me falam de cultura puxo logo da pistola! ”, não pode assentar melhor ao autarca invicto e convicto da sua barbárie. É uma vergonha para o Porto o que está a ser feito à cidade que na última década soube crescer em prestígio cultural.
Rio é o género de pessoas arrogantes que quando não gosta ou não percebe uma coisa, destrói-a.
Para ele cultura é bandas em coretos,
A alarvidade destes autarcas que nos sugam os impostos ( lá vão eles mamar mais 5 por cento do nosso IRS) está bem exemplificada neste cromo da caderneta PSD ( mas podia ser PS ou CDS) que ainda por cima se gaba com aquele riso idiota das suas tropelias de cabouqueiro.

Placa 3G é mentira

Ao contrário do Paulo Querido, que escreve hoje sobre o tema no seu blog, eu não estou nada contente com a placa 3G da Vodafone. Aqui no Alentejo não consigo ligar-me a mais de 57,6 kbps, estou um horror de tempo para actualizar o blog e não consigo meter fotografias dada a lentidão da ligação.
No telemóvel tenho 3G na placa GPRS. Isto começa a ser insuportável. É um serviço que está longe de ser barato e nunca funciona em pleno. Tive problemas de rooming em Espanha, França, Bélgica e na Rússia. E estou a trabalhar com um PC pois para o MAC a vodafone em Portugal ignora pura e simplesmente o sistema.
Este serviço parece ser encarado como um gadjet para quadros superiores que só o têm para armar e não para profissionais. Mesmo na sede do Expresso, em Paço d`Arcos não tenho acesso 3G. Não preciso mas se precisar sou despachado a GPRS.
Vou ter de esclarecer este péssimo serviço com a operadora quando chegar.

sexta-feira, julho 28, 2006

Políticamente Incorrecto

Há uma brisa fina, persistente, no sudoeste alentejano. A recôndita praia do Carvalhal não foge ao vento e a trazer uma certa sensação de desconforto a banhistas friorentos como eu. Abrigo-me junto às rochas e o meu pequeno David brinca com a água que corre por um fio da ribeira que vai desaguar logo ali à frente naquele mar revolto e frio que o meu filho André costuma frequentar nas suas surfadas.

Ainda não acabei o Bilhete de Identidade da Filomena Mónica. Achei ao princípio o livro um pouco maçudo mas ao saltar uns capítulos descobri-lhe interesse, talvez por falar de gente que conheço e de que sou amigo, caso da Sofia. Ri-me a valer com a descrição do António Pedro de Vasconcelos a pedir vinte paus emprestados à Filomena enquanto o táxi que o esperava na rua continuava a contar.
O debate teórico de Vasco Pulido Valente seguido de uma sessão fracassada de sexo, enquadrando intelectualmente o não feito também não deixa de ser divertido. É um livro escrito com rara coragem e com uma sensibilidade de mulher à flor da pele.
Estive só uma vez, em 1985, com a Filomena Mónica a fotografá-la para uma crónica na Grande Reportagem ( 1ª série), que aliás tinha ao lado de Vasco Pulido Valente e António Pedro de Vasconcelos.

Percebi que muitas daquelas histórias se passavam entre a Avenida do Brasil em Alvalade, Lisboa, e o café Vavá na Avenida de Roma, a minha zona de adolescente e que eu frequentava.

O Alentejo está pouco frequentado. Hoje vi o meu amigo Jorge Palma na Zambujeira entre uns caracóis e uns percebes e algumas imperiais para mal do meu colesterol. Amanhã vai ser o último dia, domingo regresso a Lisboa, segunda ao Expresso. São umas férias muito curtas, agora que estava a começar a habituar-me à ideia…

No final do noticiário da RTP (hoje liguei a tv pela primeira vez para ver notícias) fiquei parvo com o comunicado da autoridade para a comunicação social, não fixei o nome exacto. Dizia o comunicado que aquela reportagem que a RTP apresentou há tempos sobre a violência nas escolas não era eticamente aceitável por ter usado câmaras ocultas e que a raça negra era descriminada.

O politicamente correcto tem limites e a estupidez também. Primeiro: os alunos não eram nunca identificáveis, segundo: aquele trabalho mostrou mais sobre a realidade escolar do que não sei quantos relatórios, palestras ou livros brancos ou negros ( para não haver descriminações!), terceiro: se assim é porque não retira o governo as câmaras escondidas nas auto-estradas do país? Não está a violar também a intimidade dos automobilistas? Santa paciência!!!...

quinta-feira, julho 27, 2006

Três notáveis: Miguel Veiga, Eduardo P. Coelho, Ruy Athouguia

Gostei muito da entrevista de vida dada à Visão por Miguel Veiga, com um belo retrato do meu amigo Pedro Letria feito com a sua mágica Hasselblad.
Miguel Veiga é uma personalidade ímpar na forma de estar na vida. Invejo a sua classe, o seu sentido de humor, a capacidade de se rir dele próprio, o amor e devoção às mulheres e até as referências passageiras a carros de sonho. Identifico-me imenso com a sua filosofia de vida mas quem sou eu para me atrever sequer a dizer isto?

Ainda nas minhas deambulações pela imprensa em férias tocou-me muito a crónica de Eduardo Prado Coelho sobre o seu bairro lisboeta do Conde Redondo. Eduardo está com um prazer de escrever exacerbado, passando do humor à mais sensível observação. Oxalá o seu estado de saúde melhore e o possamos continuar a ler por muito tempo.

Soube da morte do arquitecto Ruy Athouguia pelo meu pai há dois dias.
Este arquitecto pouco referido foi dos mais importantes da arquitectura portuguesa moderna. Projectou o Museu da Gulbenkian e o Liceu Padre António Vieira que eu vi nascer e onde fiz todo o meu curso até ao 7º ano, ao lado do António Pedro Ferreira, meu colega no Expresso, do Francisco Louça, do Pedro Santana Lopes e outros.

O arquitecto Ruy Athouguia, que nunca conheci pessoalmente, teve uma influência determinante na minha escolha académica ao ter decidido ser arquitecto. Eu tinha dez anos, o meu pai era o fiscal que controlava a obra de construção do Padre António Vieira, o arquitecto era o autor do projecto que aparecia por lá uma vez por mês num Alfa Romeu Giulieta ( igual ao de Michel Picolli em Les Choses de la Vie, onde fazia também o papel de um arquitecto). Trazia consigo uma loira, muito elegante, magra, que fumava cigarros extra-longos. Eu achava aquilo um charme, um quadro de muito bom gosto, sensual, numa altura em que o Salazarismo só dava a ver monos e tipos de chapéu preto.

O meu pai falava do arquitecto como alguém muito evoluído que estava a introduzir um tipo de arquitectura de rotura: cimento armado à vista, caixilharia de ferro preto, janelas de correr, vidros entalados nas vigas sem remate, rampas em vez de escadas, tectos baixos em que se tocava levantando um braço, superfícies lisas, chão de tábua, telhados sem telha em canaletes escondidos por muretes, um lago ao longo da fachada principal, vidros até ao chão, negação de muro exterior, arvores de modo a não ultrapassarem nunca a altura do corpo mais baixo do edifício, enfim: uma nova arquitectura que eu nos meus inocentes dez anos percebi que era uma nova ideologia, uma forma diferente de encarar a sociedade.

Fiquei sempre com a figura do arquitecto Ruy Athouguia na minha cabeça. Um dia jantei ao seu lado numa tasca do Bairro Alto e há 3 ou 4 anos conheci o seu filho por mero acaso numa festa de uma amiga comum.

Depois de escrever isto quase que me apetece voltar à arquitectura. É na verdade uma disciplina
apaixonante, um grande acto criativo.

Era justo que se fizesse uma história sobre esta figura ímpar da nossa arquitectura.
O nosso Le Corbusier.

quarta-feira, julho 26, 2006

A reforma de Alegre, as pedradas de Herman

Para se estar mesmo de férias não há melhor que desligar o telemóvel, não comprar jornais e não ver televisão. Eu quase consigo este pleno mas acabo por ceder. O telemóvel fica apenas em silêncio, acabo por comprar dois diários, uma revista da treta, e vou até à televisão para ver As Donas de Casa Desesperadas, como ontem.
Claro que acabo por me arrepender. Fico incomodado com mensagens no telefone que preferia não ouvir, e os jornais por muito inócuos que eu ache que são nesta altura do ano acabam por me irritar, ou melhor, indignar com algumas notícias.

O disparate sobre a reforma de Manuel Alegre, noticiada e comentada por políticos e jornalistas, foi um dos casos. Quer dizer: um cidadão aos 70 anos já não pode ter direito a reforma? A uma miserável reforma de 3000 euros, o equivalente a um ordenado de varredor de rua no Luxemburgo? Em que país vivemos ou que país afinal queremos? A demagogia e o populismo já chegaram a este ponto? Lamentável.

Depois onde está a indignação pela lei do governo que prevê que 5 por cento das receitas do IRS vão para as autarquias? Quer dizer, Sócrates cede desta forma aos interesses de caciques encartados como Fernando Ruas? Vamos continuar a pagar dos nossos impostos as vaidades e as obras estúpidas destes autarcas que se entretêm a fazer rotundas, passeios de mármore e mijómetros modernistas?
Vamos pagar ainda mais os assessores do professor Carmona e os disparates de obras abusivas como o condomínio da Infante Santo, em Lisboa?
Não há afinal vergonha, nem rigor, nem bom senso no governo.
Este fim - de -semana lá vai o engenheiro Sócrates a Portalegre inaugurar ao lado de Mata Cáceres mais umas quantas obras que já estão a funcionar há meses. Obras lançadas quando ele era ministro do ambiente. Sócrates faz a festa, deita os foguetes e nós pagamos. Está certo, afinal o povo votou nele !!!...

Portalegre, onde estive há semanas, está cheia de obras camarárias absurdas. Passeios onde os carros batem por serem altos e mal desenhados, ruas sem sinalética, estacionamento nulo. Como cidade é um bidé, mas dinheiro dos contribuintes não falta.

Mesmo a imprensa rosa é deprimente em férias.
Numa revista de televisão as histórias canalhas sobre figuras conhecidas davam para fazer um filme de arrasar corações.
É o futebolista tal que tem de sustentar a ex-mulher que vive em Rio Tinto com a filha de seis anos que não pôde ir ao seu casamento e tem de andar 300 quilómetros todas as semanas para ver a petiz, é a vedeta da novela que tem o pai preso, o marido metido na droga e deu com os pés ao namorado, e que se marimba na filha de dois anos, é o Herman José vestido à Nelo que diz que só sai da SIC à pedrada ( todos nós já tínhamos percebido isso!), enfim: são todos famosos, vivem longe, são dos subúrbios e atrás da fama está uma infelicidade latente.
Para rematar acabei a almoçar num restaurante numa aldeia alentejana de pescadores que tinha música de elevador como ambiente. Moderníces...

terça-feira, julho 25, 2006

Gratuitos e net, o desafio continua

Um artigo de ontem do Público referia que o Le Monde ia entrar num projecto para editar um diário gratuito em França. A iniciativa pretende responder a uma outra do Le Fígaro que vai lançar em breve também um jornal só pago pela publicidade.
O fenómeno dos gratuitos está a mexer com o conceito tradicional de jornalismo. Este dado com a outra realidade que é jornalismo online está a mudar o jogo da imprensa.
É verdade que em Portugal o fenómeno dos gratuitos ainda não está a fazer muita mossa na imprensa tradicional. Por exemplo, o Jornal da Região tem sido um fracasso comercial e os outros gratuitos, apesar de irritarem títulos como o Correio da Manhã, ainda não estão a conseguir tirar publicidade de qualidade aos jornais de referência.
O mesmo se pode aplicar à Internet. As empresas ainda vêem na net não uma alternativa, não uma nova área de negócio, mas sim um engodo em que é preciso ir apostando mas só em função do que for estritamente necessário.
Oxalá não acordemos um destes dias tarde de mais quando estes dois vectores, gratuitos e net, já estiverem com uma embalagem difícil de alcançar.

Claro que são temas pouco adequados para quem está no remanso alentejano a ouvir as cigarras, mas é nestas alturas que me apetece reflectir e pensar no futuro

Alentejo desencantado

Zanbujeira: uma espécie de feira popular à beira-mar

A costa alentejana permanece intacta quando o desenvolvimento não chegou. E aí ela está abandonada, pobre, à espera que a ganância chegue.
Em Vila Nova de Mil Fontes é o que se sabe: um subúrbio estúpido, uma Caparica repetida. Não faz sentido estragar daquela forma a natureza, condenar gerações futuras a um modo de viver aberrante, sem gosto nem qualidade.
O que está em causa é o planeamento, dar um sentido à ocupação, mais do que o bom ou mau gosto, que é no entanto uma consequência disto.
Se estacionamos mal o carro, rebocam-no e somos multados severamente. Se construirmos uma casa clandestina nada acontece. Esta é uma verdade escandalosa num pais onde há um primeiro - ministro que tem a mania de se armar em durão.
Olhar este Alentejo abandonado ou ocupado por talhões de especulação como está a acontecer na Arrifana, ou de construções abarracadas como Monte Clérigo... é triste.
Precisamos de turismo como pão para a boca mas é o modelo da Zambujeira que exibimos: um subúrbio de guardas republicanos a multarem carros parados à beira de uma estrada obsoleta para o trânsito que tem, restaurantes da treta com preços exorbitantes, famílias rurais transformadas em negociantes, uma estrada nacional que vai para o Algarve com um traçado do tempo do Duarte Pacheco.
Para um país que passa a vida a falar em turismo e em preservação do ambiente não está mal, está péssimo.
Resta, ainda restam as praias desertas de sonho.
E o mel de uma senhora de Vale d`Alhos que o vende em dois tamanhos: em boião Nescafé ou em boião Mokambo.
Por aqui fico.

segunda-feira, julho 24, 2006

Alentejo encantado


domingo, julho 23, 2006

Socialite portuguesa no seu melhor

Esta semana o Tal & Qual trazia uma peça sobre os famosos que se fazem pagar a peso de ouro, ou em géneros tipo viagens, para darem uma entrevista mais intima.
O meio da socialite portuguesa é na verdade patético, não fosse mais uma das cenas de Portugal no seu melhor.
Percebemos que quem frequenta as colunas sociais gosta de armar ao finório.

Aparecer numa festarola à borla e posar para os fotógrafos é sempre um alto momento de culto do ego, principalmente em quem vive para tentar demonstrar o que não é mas gostava de ser.

O curioso de tudo isto é que já não são só os cabeleireiros que se querem fazer passar por gente da alta, são os intelectuais que agora querem ser conotados com a gente da baixa.

E não deixou de ser divertido ver na LUX desta semana uma escritora light a armar ao sério falando e mostrando o filho, e uma decoradora qualquer a posar como se fosse uma estrela do firmamento. A minha mulher é que me chamou a atenção: " estas tipas estão todas vestidas com roupa da Zara !". Eheheheh!!!

sábado, julho 22, 2006

30 anos de Profissão Repórter

A reposição de Profissão Repórter de Antonioni em cópia nova passados trinta anos da estreia desta fita das mais emblemáticas do cineasta italiano não pode deixar de me entusiasmar.
É um dos filmes da minha vida, sem esquecer Blow-up, O Eclipse, Deserto Vermelho, O Grito... na verdade não seria o que sou se não tivesse visto estas fitas de Antonioni.
Em Profissão Repórter está muito do que é a minha rotina, a prática da minha profissão. Jack Nicholson faz ali o papel de um repórter perdido no Sara com o seu Land Rover e que chegado a um pequeno hotel decide mudar de identidade quando descobre um homem assassinado e que podia muito bem ser ele.
Muitas vezes apetece mudar de identidade, retomar nova vida, reencontrar paixões, seguir novos rumos. Não que os actuais não sejam bons, mas porque mudar é sempre uma aventura estimulante.
O encontro com a personagem desempenhada por Maria Schneider, um ícone da preversão sexual e da ousadia moral depois do Ultimo Tango - rodado dois anos antes por Bertollucci- de Jack Nicholson numa cidade como Barcelona remete ainda mais este filme para uma atmosfera que cruza o melhor de Godard, Truffaut, se é que Antonioni alguma vez pensou nisso.
Barcelona é filmada por Antonioni de uma forma sublime ( o plano do teleférico é genial), Gaudi aparece em cenário e as sequencias finais rodadas à beira da estrada numa aldeola espanhola são de um experimentalismo notável: o longo plano sequência em que a câmera atravessa a grade de um quarto para o exterior é dos planos mais originais alguma vez rodados em cinema.
Profissão Repórter é um filme de autor de um tempo em que o cinema ainda não era só e apenas uma máquina bem oleada e eficaz de contar histórias.

News na web, histórias no papel

Grande artigo este de Greg Bowers sobre a dicotomia web- edição impressa. Veja aqui
Básicamente o conceito é: dão-se hoje e já as notícias no online, amanhã conta-se a história na edição em papel.
Subscrevo por baixo.

sexta-feira, julho 21, 2006

Férias simples num verão quente


O verão chega hoje para mim. Férias finalmente !...
Lavei o Range Rover, recarreguei o IPOD com algumas músicas que ainda permaneciam no Itunes, enchi dois sacos com revistas em atraso, carreguei a bateria da Ricoh GR, comprei um chapéu de sol de praia e aí vou eu com a minha mulher e o meu pequeno David rumo à costa alentejana.
Para serem umas férias anos 70 só faltava trocar o Range por uma 4L, apesar do meu forte nessa altura ser a Dyane.

Nessa altura os verdadeiros comunas preferiam o austero Renault e os esquerdalhos a Dyane, o descapotável tolerado pelo marxismo-leninismo.

Confesso que cada vez estou mais farto de férias em pacote, com destinos premeditados, turistas a esmo nos aeroportos, preços exorbitantes, novo riquismo.
É verdade que o conforto é fundamental em férias, mas já não se aguenta tanto consumismo de meia tigela.

Poder olhar o mar, cheirar as praias de iodo, encontrar paisagem selvagem, ainda é um previlégio que não vai durar muito mais tempo em Portugal.

Coisas simples como os novos tempos aconselham.

Primeira ousada em The Independent

Grande front page do The Independent sobre os países que estão a favor e contra o cessar-fogo no Médio Oriente. É uma fusão de infografia com design num todo jornalístico muito ousado.

Fatal citado por Paulo Querido

O meu querido amigo e colega Paulo Querido cita-me hoje no seu Mas Certamente Que Sim, a propósito de uma foto minha de 1978 ( salvo erro) feita em Lisboa. É defacto uma foto do meu período mais ortodoxo fotográfico, quando o mestre Henri Cartier- Bresson me guiava espiritualmente.
Confesso que me contínua a guiar. Os meus alunos que o digam com a pergunta inevitável nos exames sobre o instante decisivo.
A fotografia de HCB é o que me acalenta depois de dias e dias a ver cromos.
Abençoado seja na Terra como no Céu.

quinta-feira, julho 20, 2006

Rosa Casaco: o pide que gostava de cultura

Em Fevereiro de 1998 encontrei-me com Rosa Casaco em Zafra, Espanha, juntamente com José Pedro Castanheira, meu colega no Expresso.

O José Pedro tinha conseguido encontrar o ex-agente da polícia política e convenceu-o a deixar-se entrevistar.
A dúvida estava em saber se Casaco se deixaria fotografar.
Acabei por ir ter com eles a Espanha, à Pousada de Zafra onde cheguei noite dentro, depois de ter fechado o Expresso.

De manhã cedo apareço na sala dos pequenos – almoços, onde o encontro entre eles já estava a decorrer.
Sou apresentado a Casaco e disparo:” Muito gosto em conhecê-lo, aprecio muito as suas fotografias do livro Salazar na Intimidade. Você é um grande fotógrafo!”. Rosa Casaco ficou muito sensibilizado com as minhas palavras.
Eu estava ainda sem máquina, para não o assustar, mas no final do pequeno - almoço já tinha aceite ser fotografado durante a entrevista.
Disse-me que não queria que a sua cara fosse muito visível:” fotografe-me com essa luz da janela, tipo Rembrandt”. Depois olhou para a máquina e começou a perguntar coisas técnicas, a objectiva que eu usava, filmes… “Eu agora fotografo em grande formato para poder fazer ampliações grandes!”- confessou-me.

Ele era o fotógrafo oficial de Salazar mas as suas fotografias de paisagens e de gente do povo, num estilo neo-realista de direita, eram premiadas nos salões fotográficos dos anos 40-50. Eram imagens paternalistas de forte inspiração pictórica.

Agora ali em Zafra, findo o salazarismo e o 25 de Abril já a não sentir-se bem, Rosa Casaco parecia o Sherlock Holmes. Vestido à inglesa, boina axadrezada, e cachimbo sempre a fumegar. Era nitidamente um vaidoso, muito educado de gosto refinado. Um charmoso que aprendera nos salões do poder uma postura aristocrática, apesar de só ter comido o primeiro bife aos 19 anos de idade.

Antes do almoço já se deixava fotografar a passear nas estreitas ruas de Zafra. Pediu-me a Leica e começou a fotografar-me e ao José Pedro Castanheira.
Gabou o meu BMW 320i ( “ que bela máquina aqui tem!”). Era um apreciador de carros e tinha fugido do 25 de Abril num Lancia Fluvia GT.

No restaurante falou-me de vinhos, charutos e ao ver-me apagar um Partágas não deixou de me repreender:” amigo, um charuto não se apaga, deixa-se que ele se apague por si”.
No final do almoço, que acabara tarde, disse-lhe:” Rosa Casaco estas fotos são muito bonitas mas fotos boas eram consigo à entrada de Portugal”.
Para surpresa minha ele propôs irmos até à fronteira de Badajoz. O José Pedro castanheira ficou embasbacado. Ao chegarmos à fronteira, com o Sol já a pôr-se, Rosa Casaco saiu do carro do familiar que o transportava, entrou no meu, e propõs um chá na Pousada de Elvas.

Não queria acreditar: ia entrar em Portugal com Rosa Casaco, procurado pela polícia, sentado ao meu lado no meu carro!

“ Colega: sabe quantas nuances há de verde nesta paisagem ? Mais de duzentas ! Nós os fotógrafos sabemos apreciar a natureza, a luz, a cor.”- dizia-me olhando a paisagem alentejana.

Depois confidenciou-me que adorava ampliar fotografias ao som de Mozart e Beethoven. O chá na Pousada de Elvas decorreu em ambiente de grande conversa e no final diz-me: “ Luis: estas fotos aqui não dão nada, está de noite. Que tal amanhã frente à Torre de Belém ? Vai sozinho, só nós dois saberemos”.

No dia seguinte, de manhã, sábado, lá chegou. Deixou-se fotografar a comprar castanhas, a fumar cachimbo, a andar para lá e para cá. Recusou irmos à António Maria Cardoso, frente à ex-sede da PIDE. “ Isso não. Parece provocação”- justificou.

Na despedida estendeu-me a mão :” cumprimente-me à vontade pois pode ter a certeza que está a apertar a mão a um homem honrado!”.


Depois da entrevista sair, Rosa Casaco escreveu que tinha caído numa cilada e que eu o tinha enganado com falinhas mansas. Ficou-me a detestar.

Pela minha parte sempre achei a sua reacção injusta.
Nunca escondi que aquela figura me tinha fascinado.
Um pide que chefiou uma operação secreta para matar Delgado, contrariado, que achava uma estupidez o regime fazer um mártir de um oposicionista descredibilizado, para satisfazer as ideias vingativas de Silva Pais contra Salazar, e que gostava de música, charutos, carros desportivos e fotografia, era um personagem de filme.
Nesse sentido, Casaco era a personagem fascinante de um filme que falta fazer.

Abrupto atacado com Viagra

Abruptamente neste verão não passado o blog de Pacheco Pereira, Abrupto, acaba de ser clonado e atacado com propaganda ao Viagra. Só acontece aos famosos. Por exemplo, o Fatal ser atacado por tal substância quimíca tolerada seria irrelevante, apesar da fase do autor desta crónica multi começar a estar com quilometragem suficiente para um pouco de aditivo não ser mal vindo.
Enfim: um engraçado decidiu desviar tráfego intelectual para serviço sexual o que no verão, diga-se em abono da verdade, só pode saber bem.

quarta-feira, julho 19, 2006

Miss Sally

Materazzi o vídeo do provocador

Vale a pena ver aqui no Fatal, cenas da vida de um jogador que não marca mas desmoraliza.

Instante fatal citado no Midiablog

Veja aqui a citação feita do Instante fatal.
Dá um certo orgulho e a verdade é que isto é do mais aliciante que tem a cultura internet.

Kofi Annan fotógrafo


Eu no avião de Durão Barroso na viagem de regresso a Bruxelas do G8, fotografado por Kofi Annan. Atrás de mim vai o correspondente do El Pais em Bruxelas e o meu colega Daniel do Rosário.

terça-feira, julho 18, 2006

Morreu uma heroína do fotojornalismo

A célebre foto do soldado Wike feita no Vietnam, tinha a fotógrafa 20 anos. Há um ano Catherine descobriu Wike a viver miseravelmente numa aldeia do Arizona, pouco tempo antes de este morrer.

Morre nos EUA a fotógrafa francesa Catherine Leroy

A fotógrafa francesa Catherine Leroy, que cobriu as guerras do Vietnam e do Líbano, faleceu na última sexta-feira, em Los Angeles, nos Estados Unidos, segundo informaram amigos. Leroy morreu aos 61 anos, em conseqüência de um câncro, disseram seus amigos em Arles, sul da França, onde está sendo realizado o evento Encontros Fotográficos.

Catherine ganhou diversos prêmios, entre eles o prestigioso Robert Capa, por sua cobertura da guerra civil no Líbano em 1976. Foi a primeira mulher a receber este prêmio.

A francesa começou sua carreira muito jovem, vendendo fotos às agências AP e UPI. Aos 21 anos, em 1966, foi à Guerra do Vietnã. Em 30 de abril de 1967, Leroy foi responsável por uma das fotos mais emblemáticas da guerra: em meio a uma paisagem destroçada, o jovem militar norte-americano Vernon Wike aparece ao lado do cadáver de seu amigo que acabara de morrer. Carherine voltou a fotografar Wike quarenta anos depois. O soldado estava no fundo de um pequeno quarto de uma cidadezinha do Arizona, destruído pelas lembranças e pela doença.

Figura lendária do mundo da fotografia de guerra, Catherine foi uma das poucas mulheres a estar presente nos momentos mais delicados do conflito do Vietnam. Posteriormente, trabalhou no Líbano, onde foi seqüestrada e tratada com brutalidade, algo que a marcaria para sempre. Mais tarde, radicou-se nos Estados Unidos, onde trabalhou na área de moda e fez reportagens para revistas. Também escreveu um livro sobre os grandes fotógrafos do Vietnam, publicado pela Random House. Junto com o jornalista britânico Tony Clifton, Catherine escreveu o livro God Cried sobre a cidade de Beirute, em 1982.

Guerra Civil Espanhola foi há 70 anos

Brilhante trabalho multimédia sobre os 70 anos da Guerra Civil Espanhola feito pelo EL Mundo. Clique aqui.

segunda-feira, julho 17, 2006

Na companhia de Durão e Kofi Anan

foto de Margarida Uva
A viagem de regresso da reunião do G8 foi inesquecivel.
Viajar no Falcon do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, na companhia deste e do Secretário Geral da ONU, Kofi Anan não é todos os dias. Viajar nestas condições no banco à frente deles, com a companhia simpática da Margarida Uva, uma fotógrafa amadora sempre curiosa, não vai ser uma viagem para esquecer.
O convite que Durão Barroso fez ao EXPRESSO permitiu que o Daniel do Rosário, o meu colega correspondente em Bruxelas, e eu pudéssemos ter tido um acesso preveligiado ao G8 e podermos dar a conhecer alguns aspectos dos bastidores de uma cimeira com esta importância ( ver na UNICA do próximo Sábado).
Claro que é sempre muito difícil furar o esquema rigido de pools e acabo por sentir uma certa frustração quando vejo as minhas fotografias, pois podia ter ido mais "inside" caso tivesse havido a possibilidade de estar tão perto de outros lideres como estivémos de Durão Barroso.
Do lado de dentro os políticos são pessoas como as outras. Divertem-se com piadas, falam de coisas triviais, manifestam receios conjunturais e até têm receio quando o avião aterra mais abruptamente.
Kofi Anan pediu-me a Canon e fez questão em me fotografar e ficou muito surpreendido com a pequena Ricoh GR digital. Durão Barroso ainda se lembrava da minha formação em arquitectura e acabei por saber que um dos seus filhos também quer ser arquitecto.

O dia cabaou com uma enervação enorme frente ao meu portátil ( um PC que tenho de gramar !)que insistia em não se conectar à rede de Bruxelas para eu poder enviar as fotos por ftp.

Agora já liga e até deu para actualizar o blog.

Amanhã a Pátria espera-me.

Até lá.

domingo, julho 16, 2006

A distancia de um palmo de George Bush


A reuniao do G8 fica fora de St. Petersburg, num local maravilhoso de paisagem e arquitectura tradicional palaciana. A seguranca e rigorosa mas consegue-se trabalhar sem stress.

Cheguei aqui no Falcon de Durao Barroso, numa viagem muito simpatica.
Deu para fotografar o lado mais escondido do Presidente. O conhecimento e confianca que Durao Barroso tem em mim acabou por permitir esta minha intromissao fotografica sempre seguida por Margarida Barroso que tem um fraquinho por fotografia e gostava mesmo de aprender a fotografar.

A maior dificuldade, para nao dizer impossibilidade, em fotografar aqui e conseguir furar e fazer fotografias diferentes das agencias que aqui estao.
Fotografar ao lado e quase impossivel embora hajam aqui pormenores com muita piada.Por exemplo, ontem ao fim do dia enquanto os monitores de plasma mostravam Putin a falar com o primeiro- ministro canadiano, no restaurante para os jornalistas dancava-se uma rumba cubana de grande impacto nas hostes da comunicacao. Ao mesmo tempo dezenas de enviados jantavam alegremente entre vodka a disposicao,um buffet delicioso e alguma cultura fisica local.

Os pobres do Mundo podem estar a ser discutidos mas ha sempre alguem que aproveita estes momentospara descansar o corpo e a alma, que bem precisam.

Cobrir a cimeira cansa, acho mesmo que nem vai dar tempo para conhecer a St. Petersburgo tao gabada e tao sonhada. Trabalho oblige.

No minimo estive a um passo de Bush e Putin, levei mesmo um encontrao de um seguranca pois andando a volta da mesa da cimeira a fotografar ia tropecando no George.

A chegada dos lideres e feita com grande sentido da encenacao. Alguns sao mesmo maquilhados para melhor aparecerem na televisao, caso de Blair e Bush.

Putina a mulher de Putin

O presidente americano aparece com aquele ar de triunfo e Blair faz questao em chegar a pe durante dezenas de metros, abdicando de vir num carro de golfe, o mesmo que George Bush quis conduzir. Putin esperava-os a porta e cumprimentava com aquele seu ar frio e enigmatico.
Putina, que e a mulher de Putin, organizou um debate entre as outras sobre a educacao no Mundo.

sexta-feira, julho 14, 2006

Na Portela a caminho do G8

As salas de partida dos aeroportos sempre despertaram em mim um sentimento de aventura.
Ainda puto, com 13-14 anos, fugia do Pote d` Àgua onde morava com os meus pais e ia tomar café e fumar cigarrilhas café-creme para o bar do Aeroporto da Portela.
Achava as estrangeiras o máximo do charme e via nas hospedeiras o protótipo da mulher livre, independente e sempre produzida. O basbaque imberbe...
Ficava para ali sentado a observar, sonhava com o dia em que faria a minha primeira viagem de avião. Eram os anos setenta, um Portugal pobre e fuinha e eu que lera O Prémio de Irving Wallace imaginava o mundo moderno a partir de uma sala de embarque de um aeroporto.
Hoje aqui estou na sala de embarque a escassos metros do local onde via partir os personagens da minha imaginação.
Contínuo a ficar fascinado com este ambiente. Cada uma destas figuras leva consigo um bilhete para uma história, um destino. Vai haver alguém ansioso por uma espera, um trabalho a fazer, um projecto a concretizar.
Dentro de um avião viajam os melhores motivos do Mundo. Há saudades e paixões em espera, destinos que se cruzam, vidas em movimento.
E o som da menina nos altifalantes contínua a mesma como há 40 anos.

Editora de fotografia do NYT online


A editora adjunta de fotografia do New York Times Michel McNally está a responder online a questões postas pelos leitores. Muito interessante de ler. Pergunte aqui.

quinta-feira, julho 13, 2006

Angelina Jolie volta de tigreza

Está escrito no firmamento cinematográfico. Angelina Jolie vai voltar aos seus papeís de má da fita, agora vestida de tigreza e outros acessórios. Depois do período de parto aí está a grande apoiante de Guterres na luta a favor dos refugiados no Mundo, a retomar uma carreira imparável.
E nós há espera para vermos.

Presidente Cavaco Saiu mesmo no fim

Afinal o Presidente Cavaco Silva saiu depois do final do Portugal-França. Fui enganado pela notícia da SIC - que depois foi rectificada e eu já não ouvi.
Voz amiga, e próxima de Belém, fez-me chegar a advertência e eu já apaguei a piada da postagem.
Aproveito para declarar que embirro com o cavaquismo mas que nutro uma simpatia muito especial pelo casal Cavaco Silva. Sempre me trataram com muita consideração e as duas vezes que fui recebido nas suas casas de férias, primeiro na Mariani depois na actual ( que tem nome de pássaro mas agora não me lembro !), fui-o com grande deferência.

Depois o Fernando Lima, assessor do Presidente, é uma pessoa que muito admiro e por quem tenho uma amizade sincera, para não falar no Luis Filipe Catarino, actual fotógrafo da presidência, um amigo e fotógrafo excepcional.
Aliás com o casal Eanes passou-se algo idêntico. Detestava o eanismo, que quis ser um peronismo à portuguesa com aquela cegada do PRD, mas no contacto pessoal quer o general Eanes quer a Dra. Manuela Eanes são duas pessoas de uma dimensão humana notável.

No fundo a política é o que menos interessa quando o tempo nos devolve a dimensão mais verdadeira das coisas e das pessoas.

Fotojornalismo em debate

Muito vibrante o debate de ontem no Instituto da Juventude de Leiria, organizado pelo Paulo Cunha, grande repórter da zona centro.
Entre Carriço, Alfredo Cunha e eu existem divergências óbvias no que respeita ao presente e futuro do fotojornalismo.

Carriço enquadra o fotojornalismo na perspectiva das agências, com base na LUSA e Cunha não consegue esconder uma evidente nostalgia pela fotografia em suporte tradicional, apesar de ele ser um utilizador muito advertido do digital, que tanto quanto sei o manipula de uma forma mais avançada do que eu.

A maior divergência está em que eu sou um optimista. Acho que há um fluxo de gente nova com “pica”, qualidade, talento, entusiasmo e resistência física e acredito que os jornais estão a mudar, os leitores sobretudo e que a internet veio ainda questionar mais o exercício da profissão.

Estão ai novos desafios, novas linguagens e novos suportes e o público é cada vez mais participante, parte envolvida na notícia.
A relação afectiva com os leitores será cada vez maior, logo o fotojornalismo irá reflectir estas tendências.

Continuará a haver fotojornalismo de autor mas a prática diária passará a ser mais multimédia, mais imediata, rápida.

Os leitores serão cada vez mais fornecedores de conteúdos, bracking news, o que não quer dizer que passem a fazer jornalismo ou a editar.

O debate alongou-se já passava da meia-noite. Podíamos ali ter ficado até de madrugada. A noite pedia cama.
A A8 deserta, ao som de Miles Davis, era uma fita sem fim, uma noite quente com mosquitos a desfazerem-se no pára-brisas.

terça-feira, julho 11, 2006

Debate abrupto em Leiria

Eu com Alfredo Cunha na inauguração de uma exposição de fotografia no ano passado
Amanhã sou convidado para falar em Leiria sobre fotojornalismo no Instituto da Juventude.
É com grande prazer que vou poder estar ao lado de Alfredo Cunha e de Paulo Carriço, dois colegas fotógrafos que muito prezo. O convite é do Paulo Cunha.

O Alfredo é para mim uma referência profissional. Ainda eu era um amador " adverti" e já via fotografias dele na Cinéfilo, uma revista editada pelo Século com a direcção do Fernando Lopes, onde o Pedro Sousa Dias começava a publicar umas fotos granulosas, feitas de super angular, muito underground, muito pop.

Havia o Gageiro e alguns discípulos. O Alfredo era um deles. Sempre enquadrou bem e sempre foi muito cuidadoso com o trabalho de laboratório. Acho que ele começou no laboratório com aulas do velho mestre Paixão, o nosso Steinmetz.
As fotografias do Alfredo têm sempre aquela referência neo-realista mas confesso que admiro o seu trabalho pela coerência e qualidade profissional. Ele tinha o dom de me irritar principalmente quando me chamava de " petit Henri".

A melhor cena com o Alfredo tive-a no Alentejo há uns 7 anos.
Apanhei-o em Monsaraz a seguir um ministro qualquer como fotógrafo oficial.
Acabou por me pedir boleia no meu carro para Évora.
Eu tinha acabado de comprar um BMW 525 tds usado - como aliás sempre faço com carros: só compro usados- e durante a viagem fui gabando as qualidades da máquina, com ele a concordar. Quando me pediu para o deixar no parque de estacionamento, já em Évora, aproximou- se de um BMW 530D, novo, meteu a chave e disse-me adeus. Esta cena é um excelente retrato da personalidade do Alfredo.
Espero que amanhã ele não me apareça com uma E 320 CDI !!!...

Penso amanhã desenvolver o tema do fotojornalismo e do conceito de jornalismo multimédia. O fotojornalismo vai evoluir para novas formas de expressão e em novos suportes.
O debate vai aquecer espero bem com a zona centro ao rubro.
Até lá.

segunda-feira, julho 10, 2006

Acabou o Mundial está aberta a época dos fogos

O título é desconfortável mas parece uma verdade. Acabado o Mundial a época dos fogos parece ter reacendido em Portugal. Ontem foi a trágica morte de 6 bombeiros,5 deles especialistas chilenos, que aliás já tinham visto há dois anos desaparecerem outros seus compatriotas num incêndio na zona centro ( que nada tem a ver com a Paula Lee!).

Não sei o que leva os chilenos a serem tão bons em apagar fogos. Podem ser bons mas têm um azar dos diabos.

Zidane de besta a bestial de nouveau



Os jornais internacionais de hoje especulam sobre as razões de Zidane em atacar o colega italiano. Parece que a mãe de Zidane foi ofendida, a irmã caluniada ou que a sua origem argelina terá despoletado a palavra "terrorista" no provocador.
A organização SOS Racismo já está a contabilizar a seu favor.
Os jornalistas enviados ao Mundial elegeram Zidane o melhor jogador do campeonato, apesar de o terem feito antes da cabeçada, e Chirac não lhe poupou louvores e elogios.
De besta, Zidane voltou a bestial.

Grande foto de Eusébio


Um polícia ajuda Eusébio no jogo do mundial de 66 contra a Hungria
Descobi mesmo agora esta foto de Eusébio algures no site do ELMUNDO. É fabolasa e aqui fica como homenagem aos heróis nacionais da futebolada.

Itália ganha e Zidane passa-se da carola


A cabeçada do Zidane foi das atitudes mais incríveis já vistas num jogo com a dimensão de uma final mundial. O francês passou-se da carola, é caso para dizer. Impulso ou gesto medido, a verdade é que aquela cabeçada revela muito da arrogância francesa. Quando perdem ficam ainda mais arrogantes e se puderem mais chauvinistas. Portanto: a derrota da França caiu-me bem.

Quando na passada quarta-feira assistia no Arco do Triunfo à algazarra de parisienses que mais pareciam na verdade suburbanos raivosos, só porque ganharam a Portugal e achavam que os portugueses deviam desaparecer da cidade, não posso hoje de servir frio o prato da derrota gaulesa.
Ainda por cima a equipa italiana é mesmo italiana, não há um jogador da selecção que não jogue em Itália, e a atitude desportiva que soube manter dá-lhe uma vitória moral suplementar.

Veja aqui o excelente slideshow do ELMUNDO sobre a grande final.

domingo, julho 09, 2006

Última sessão de Figo salva a face da selecção

Foi bonita a festa mas acabou. As fragilidades da equipa portuguesa acabaram por vir ao de cima e o desempenho de Scolari revelou-se numa estratégia que deu os resultados que deu. É evidente, mesmo para um leigo de futebol como eu, que quando Figo não está a equipa perde muitas possibilidades de marcar. Viu-se a eficácia dele nos últimos minutos e a passagem que ele deu para Nuno Gomes poder marcar o único golo português, não falando no outro infeliz autogolo de Petit.
O engenheiro Sócrates apareceu no final a fazer um elogio politicamente correcto, outra coisa não seria de esperar. Sócrates já parece Guterres nos bons velhos tempos: fala sobre tudo na maior das descontracções, sempre deixando uma áurea de saber esclarecido.
Parece eu a falar de futebol. Eheheh!....

Não querendo ser pessimista, o quarto lugar fica-nos bem. Assim tivéssemos essa posição em pontos fulcrais da nossa vida nacional. Mas isso é conversa para depois das férias.

Eu aqui a ouvir as cigarras no Carrascal, Arraiolos, a escrever por debaixo de uma laranjeira, a esta hora desta noite de verão, também não me apetece nada escrever sobre tristezas.

Rematando: se esta foi a última vez que Figo vestiu a camisola da selecção foi um tempo de muita honra. Mesmo cansado, e com trabalhos para fazer em casa, o rapaz ainda ali está para as curvas e para o estilo.

quinta-feira, julho 06, 2006

Moda portuguesa ganha em Paris

Bastidores do Portugal Fashion em Paris
fotografias de Luiz Carvalho

Portugal - França visto no Arco do triunfo

Fotografias de Luiz Carvalho, ontem por volta da meia-noite na Étoile






Triunfo no Arco

Estou irritado porque não consegui actualizar o blog de Paris. É ridículo: tenho internet num quarto de hotel de Monrovia e em Paris uma placa 3g vodafone não funciona, não tem rede, não tem nada. Foi com grande irritação que não consegui actualizar ontem este blog.

Depois de ter assistido ao grande derby na embaixada de Portugal em Paris, juntamente com a comitiva que representou a moda portuguesa no Portugal Fashion, com o nosso embaixador António Monteiro muito nervoso com o resultado, depois da triste derrota meti-me a pé ao caminho e cheguei ao Arco do Triunfo onde milhares de energúmenos comemoravam a vitória sobre Portugal.

Os portugueses meteram a viola no saco, calaram-se, recolheram às suas casas ( até porque os portugueses em França trabalham) e foi o ferróbodo total francês.
O ambiente era de alegria, mas o que se sentia no ar era mais agressividade e vandalismo do que própriamente regozijo e orgulho nacional. Logo começaram a estragar carros, queimar motas e a lançarem petardos e very lights por todo o lado.Aquele país é um vulcão e qualquer coisa serve para vomitar o ódio social.

No Arco do triunfo eram mais negros, árabes e de outras origens do que propriamente franceses. A polícia estava muito atenta e equipada, pronta a entrar em acção a qualquer momento.

Buzinadelas, gritos e bebedeira não faltaram.

Se tivéssemos ganho não sei sinceramente como teria tudo aquilo acabado.

terça-feira, julho 04, 2006

Moda à hora do futebol

Foto de Bruce Gilden/Magnum
Amanhã vou até Paris fotografar a presença da moda portuguesa. Confesso que estou cheio de saudades da "minha" cidade. Vou estar em França no dia do duelo Portugal - França. Ou vamos ganhar e vou ter de falar francês ou perdemos ( o que não espero mesmo nada) e terei também de falar françês.
Vai ser irritante estar a fotografar manequins a passarem roupa portuguesa ao mesmo tempo que o Ronaldo mete um golo. Trabalho oblige.
De toda a forma aqui fica uma fotografia de um mestre da Magnum, Bruce Gilden, que eu gostaria de levar na minha cabeça.Para inspiração.

segunda-feira, julho 03, 2006

O Novo Expresso online


Aí está a nova Homepage do Expresso.Respira, é simples e de boa navegabilidade. Percebe-se que é um grafismo que remete para alguns dos conceitos gráficos da edição em papel de uma forma assumida. Acho que já tardava esta aragem gráfica que é também uma mudança nos conteúdos e na forma de os editar.
Eu que durante 9 meses fui o editor multimédia que fez a transição entre o "velho" e o agora renovado online não posso deixar de sentir esta criança também um pouco como minha. Aliás bastaria trabalhar no Expresso para o sentir, não fosse a nossa redacção convergente e solidária em torno da marca Expresso.
As breves da SIC são muito bem usadas e a zona de blogues e multimédia marcam toda a diferença para o restante dos jornais nacionais online.
Desejo que em breve possamos dizer que ultrapassámos em audiência o Público ( líder) que está a escassos pontos de avanço do Expresso. Não vai ser difícil.

domingo, julho 02, 2006

Murdoch disse

Não resisto a citar esta frase de Rupert Murdoch, descoberta por Paulo Querido e transcrita no seu blog ( ver links preferidos ao lado)

Can newspapers make money online? Sure. Can they make enough to replace what’s going out? At the moment, with the Internet so competitive, so new, and so cheap, the answer is no. But don’t look at it as a newspaper – look at it as a journalistic enterprise. If you’ve got authority and trust, if you can make the news interesting, you’ll survive” Rupert Murdoch

Viva Portugal !

Confesso que chorei no final do Portugal - Inglaterra. Também não é nenhuma proeza em mim: sou como o Sampaio choro por tudo e por nada. Talvez seja um tique dos nativos da Virgem. Apesar de não crer nessa espontaneidade em duas pessoas meus superiores hierárquicos, também virgens. Oxalá não o façam em privado, eu ficaria mais seguro da imparcialidade das suas decisões.(!)

A verdade é que primeiro adormeci quando o jogo estava no clímax quando era o tudo ou nada. Mas o sofá da minha casa no Alentejo, os ares do Carrascal e a inenarrável pachorra do Óscar, o meu hasset hound, são contagiantes no sono. Eu durmo sempre que posso e não devo. Uma vez não devia e estampei o BMW contra um poste.

Dormi e quando acordei, perante o ar desaprovador da minha mulher, ia começar a cegada dos penalties. Comecei por me emocionar com um plano em que se viam os jogadores abraçados, compactados, unidos. Maravilhoso.

As lágrimas vieram então com o plano forte do Ronaldo a agradecer ao céu tanta felicidade.
O orgulho encheu-me o peito, estremeceu-me a alma, devolveu-me um sentimento antigo, quando era puto e andava na Mocidade Portuguesa e achava na minha candura que ser português era ir no Dia da Raça ao Estádio Nacional cantando e rindo.

Vale a pena ter uma equipa como a nossa.Estou à vontade: não sou grande adepto da bola e foi o meu filho André, 30 anos, que me despertou há alguns anos para a causa sportinguista. Passei até a subscrever o serviço SMS de alertas para os jogos dos leões.

Hoje reconciliei-me para o futebol entre sorna e lágrimas. Não porque ganhámos: nós já ganhámos mesmo que tudo se venha a transformar numa derrota. Chorei pela alegria de neste país se ter construído uma vitória com fé, determinação, acção.

A qualidade do jogo, visível e sentida mesmo para um analfabruto da bola, o espírito de equipa, a vontade de triunfar, o desempenho afirmativo sem complexos perante uma equipa temível, tudo isto e muito mais não parecia de portugueses.

Afinal podemos vencer e ser tão bons como os melhores. No futebol e na vida.

Esta é a nossa grande lição no Mundial.

Oxalá contamine todos nós. Bem precisamos.

Viva a bola, viva Portugal !!!....

sábado, julho 01, 2006

Freitas afinal estava cansado

A polémica sobre o título do EXPRESSO " Freitas cansado do MNE", de há semanas atrás faz agora todo o sentido.
O ministro dos negócios estrangeiros estava cansado, tinha-o dito e tinha ficado claro que era cansaço fisico. Hoje a verdade reafirmou-se.

Acompanhei os últimos minutos de Freitas do Amaral no MNE. Ele aceitou deixar-se fotografar por mim. A compreensão de Carneiro Jacinto e a confiança que o professor deposita em mim desde que fiz há anos em Nova Iorque uma reportagem para o EXPRESSO, proporcionaram a fotografia que faz hoje manchete no EXPRESSO: o ministro demissionário olha uma televisão onde Carneiro Jacinto explica em directo ao país as razões da saída.

Depois lá dentro ainda outra foto com ele sentado à secretária assinando louvores a funcionários.

Deu-me muito gôzo fazer estas fotografias. Fotojornalismo puro e duro.

Homem Cardoso, o fotógrafo retratado

Acabo de ler na Sábado desta semana uma magnifica entrevista do meu amigo António Homem Cardoso. Conheço-o há 30 anos e sou seu amigo há pelo menos vinte.

Com o António partilho paixões comuns: a fotografia, a Beira-Alta, as motas clássicas ( sobretudo as BMW), a luz, o sentido de humor e a alergia ao novo-riquismo. Temos muito mais coisas em comum, exceptuando o seu ódio a Mário Soares que cultiva sem grande razão, digo eu.
Também temos divergências: ele gosta de Nikon, eu prefiro Canon. Mas nos carros convergimos nos nossos 911, 525 tds, Vespa 200 GT.

O António abriu-me sempre as portas do seu estúdio na lapa, Lisboa, para trabalhos meus que muitas vezes, sem eu o saber, entravam em concorrência com ele. Ajudou-me na iluminação e a sua presença estimulante.

Ainda há pouco tempo estive por lá a fotografar Manuel Alegre. A sessão acabou com uma divertida cavaqueira anti-Cavaco.
A entrevista do António à Sábado é um testemunho vivo da sua personalidade: forte, afectiva, corrosiva e cândida.

Um grande abraço António e trata-me bem a BMW 69s que te vendi há anos. ( a minha primeira mota)