quarta-feira, setembro 30, 2009

SÓCRATES AJUDARÁ CAVACO A ACABAR MANDATO COM DIGNIDADE ?


Oxalá Sócrates não tenha que pronunciar ainda um destes dias aquela frase assassina:"Quero ajudar o Senhor Presidente a acabar o mandato com dignidade!". A verdade é que a tal comunicação à imprensa de Cavaco foi pior que espalhar gasolina no fogo. Um caso ridículo, alimentado por um jornal que não sabe o que fazer para ser lembrado, manobrado nos bastidores por agentes políticos ávidos de confusão e de intrigalhada palaciana, acabou por se transformar numa crise política que está a por em causa a sanidade do país e a deixar aqueles papalvos que foram votar arrependidos, já que se podiam ter juntado à maioria que não votou.

Vinte e quatro horas depois daquela take em Belém, já recomposto do embate, não há dúvida que as palavras do presidente são de uma confusão total. Ou mais grave: parecem querer ser uma confusão, e talvez não sejam.

Quer dizer: um assessor de Cavaco sopra ao ouvido de um jornalista que um enviado de Sócrates na viagem à Madeira é olheiro e ouvideiro (!) e vezeiro em espionagem. O jornalista fica parvo e manda outro confirmar. Confirma-se que Belém anda a sonhar com ladrões. Meses mais tarde vem a saber-se da tramóia porque o e-mail entre os dois jornalistas é divulgado para algumas redacções e não pelos jornalistas. Um jornal afecto ao PS publica o impublicável, sem confirmações, chapa três. O PR cala-se e demite o assessor. Dramatiza, faz tábu, desautoriza o PSD, leva Ferreira Leite ao tapete, deixa os cavaquistas possessos, dá um tiro no pé e o que resta do cavaquismo caiu em estilhaços, fala à Pátria e esta fica de bocarra aberta....há suspeitas que o Windows da presidência deixe entrar intrusos, e que bloqueie mesmo devido a alguma força...

Meus Deus ! E depois desta novela de péssimo guião ainda se lança a suspeita, a dúvida na segurança ? Eu até embirro com o Sócrates mas este enredo ultrapassa tudo. Pior do que as primeiras novelas do Zé Martinho!

Cavaco está a precisar de um e-escolinha com um bom anti-vírus e já agora com uns jogos de polícias e ladrões para se ir entretendo. Que pachorra!!!

terça-feira, setembro 29, 2009

CAVACO COMENTA, LOGO EXISTE


O que mais gostei na comunicação do Presidente Cavaco não foi mostrado ao país.Um técnico de Belém aproximou-se do micro, antes da comunicação, e começou a dizer: " Alô! 1,2,3,4,5, ESCUTO!". Foi genial!...

Depois o novo Assessor de Imprensa avisou que às 20 horas e 55 segundos o Presidente começaria a falar. Pelas minhas contas entrou 1/125s antes mas como era a minha velocidade de obturação, criou essa "decálage".

Tive imensa dificuldade em apanhar uma expressão serena do Presidente, o que seria mentira pois o discurso, ou melhor, o encontro com a comunicação social, decorreu numa tensão ao segundo. Tipo: será na frase seguinte que é largada a granada? Jamais!...

Ouvido mais tarde em casa no remanso do sofá, entre o bruá da PSP do meu filho, o ladrar do cão e um gosto saboroso a café, confirmei que o que tinha ouvido em Belém era, afinal, o Presidente (eleito, nosso!) a armar-se em Pacheco Pereira versão iniciado, a fazer comentários políticos, a dar opiniões. Quem sabe um futuro membro da mesa mais inteligente do país, a Quadratura do Círculo? Aliás o seu discurso, perdão conversa com a imprensa, não passou de uma quadratura do círculo, logo sem solução.

Já tínhamos um lote lotado (!) de bitaiteiros, só nos faltava um Presidente que nos atrasa o jantar para nós sabermos o que ele pensa da novela das escutas, o que aliás já sabíamos e nunca quisemos crer que ele fizesse tanto suspense para ouvirmos mais uma opinião.

Cavaco pode ser bom a fazer de Cary Grant, mas péssimo a fazer de Hitchcok!!!

O povo queria provas, impressões digitais, fotos proibidas, sons arrastados, um dvd tipo Freeport, nomes, horas, mais e-mails, micros debaixo do chão, micros na colher da sopa, na orelha do motorista oficial, entradas no site da Presidência, Fernando Lima disfarçado de cubano na Madeira ao lado do olheiro de Sócrates ! Nada. Belém pariu um rato.

Claro que depois da vitória trágica do PS, Cavaco tinha de vir lembrar que existe e que estará ali para o que for preciso (e se for caso disso pode até fazer análises políticas). Marcou terreno e abriu as hostilidades para os dois anos que se seguem. Só lhe faltou dizer que é apenas um professor de economia e que detesta políticos.

Deixou no ar a ideia que o seu e-mail é vulnerável. Todos o são. Até os do FBI, da Casa Branca, do Pentágno. Ainda considerou que desconfiar de alguém não é crime...O Mundo está perigoso Presidente Cavaco! Safa!...

segunda-feira, setembro 28, 2009

A FESTANÇA SOCRATISTA


500 mil votos a menos depois, e 500 mil desempregados antes, o PS ganhou as eleições. Ou melhor: MFLeite perdeu humilhada as eleições. Ou se quiserem, depois do fracasso governativo do PS o BE subiu á custa dos descontentes raivosos, o PCP subiu à custa do esquerdismo de Louçã e Portas beneficiou do eleitorado de direita, que não se revê mais no estilo passadista de Leite e no seu alter-ego Cavaco e quis reforçar o peso ou a influência da direita.

Durante duas semanas os jornais e as televisões esqueceram-se de usar o termo "crise", os portugueses acreditaram no Pai Natal antes da época, o Sol de Outono acalentou corações e uma propaganda levada ao extremo do profissionalismo conseguiu a vitória amarga de um homem que em condições normais, e num país de gente normal, nunca teria ganho confiança para continuar a ser o timoneiro da Pátria. Mesmo ganhando o título a um domingo!!!

Se o OMO lava mais branco,o PS lava completamente, a fundo, sem deixar manchas. O discurso de Sócrates podia ter sido escrito por um argumentista de filmes com finais felizes, com mistura de drama e história, suspense, mas com um remate delicodoce embrulhado em música enjoativa e palavras cínicas.

Aí têm: acordaram hoje com um deficit de 9 por cento, mais 1300 desempregados, uma dívida externa que cabe 40 mil euros a cada portuga e a perspectiva do futuro carrasco das finanças carregar ainda mais no IRS, nas deduções fiscais, na asfixia das empresas.

Segue-se o aumento da criminalidade urbana, o descontrole total da justiça, a impunidade dos senhores juízes, o facilitismo das precárias, o ensino transformado em estatísticas fantásticas....o país acordou hoje na mesma como a lesma. E haverá listas de espera para doenças cancerosas, excursões a Cuba para operar cataratas e mil e tal bebés portugueses anascerem por ano em Badajoz. Não obstante o ex-ministro da Saúde passeou sorridente pelos comícios PS, qual louvaminhas, sem um assobio, uma pateada. Genial!

Os abstencionistas vitoriosos encolhem os ombros, indiferentes ao que provocaram, mas amanhã virão dizer que o Mundo está mal e perigoso e que a culpa é de Deus. A culpa é sempre dos outros, nunca dos que se demitiram por preguiça, cobardia, ignorância.

Estes faltosos são mais numerosos dos idiotas que votaram no Sócrates, a troco de um job, de umas esferográficas, de umas bandeirolas, de uns subsídios para a madrassa. Votaram como quem vota no Benfica do Rei dos Pneus, sem razão, apenas com a emoção primária ou a devoção utópica. Isto é o preço desta democracia velha, desta política exercida à moda do passado. Uma política sem rostos, sem responsáveis. Perguntem a um eleitor o nome do deputado que elegeram e procurem por esse deputado. Se estará contactável por e-mail, na net, na sede do partido, no Bar de S.Bento.

Os portugueses teceram de novo a malha que os há-de sufocar. Claro, que a alternativa era miserável. Muita gente votou em Leite para tramar Sócrates imagine-se que percentagem teria a ex-padroeira laranja se assim não tivesse sido! E imaginemos o que seria um governo com aquelas aves agoirentas que pairavam à volta da "outra senhora"!

Depois do ataque ao país, segue-se o ataque esmiuçado às cidades, vilas e aldeias. Costa sorridente disse logo que não havia um minuto a perder. Pois não. Aproveitem enquanto o porco está quente!

Estávamos à beira do abismo. Demos um passo em frente.

sábado, setembro 26, 2009

Governo faz publicidade em dia de reflexão

A máquina de propaganda do governo surpreende-me todos os dias. Há pouco ao ver televisão saltou-me um anúncio do Ministério da Saúde a elogiar o cheque dentista. Bom, se isto não é pub ao governo e ao PS é a quem ? E a Comissão Nacional de Eleições não reage? A impunidade já atingiu este patamar? Ou será que Cavaco com aquele seu ar de cara de pau, tenso, a tropeçar nas sílabas, com ar de zangado, faz esquecer a manobra eleitoral?

O discurso de Cavaco também ajuda, mais uma vez o PS. Quem vai votar na Salvadora da Pátria, o alter- ego de saias de Cavaco, depois de uma comunicação daquelas? Aquilo até assusta os putos para comerem a papa Maizena toda! Sorte malvada !!!

Fui à campanha do PS e voltei


Estou cansado. Uma semana em campanha, 4 mil quilómetros a guiar e 20 gigas de fotos, mesmo disparando com parcimónia, cansa. Nem sei como sobrevivo aos encontrões dos seguranças, aos empatas dos colegas (!) e ao emplastro de Sócrates, um brasileiro que fotografa para o álbum do PS e que passa todo o tempo ou a fazer de securita ou a tapar a vista aos jornalistas.

Mas sobrevive-se, porque amo o que faço e acabo sempre por tirar partido mesmo das adversidades. Isto é o lado desafiador da vida de fotojornalista.

Foi a primeira vez em trinta de profissão que segui um candidato durante uma semana a fio. E tão embrenhado que estava na caravana, que acabei por sentir empatia por todos os que fizeram parte desta aventura na estrada. Vão ficar na minha memória, inesquecíveis os dias de Coimbra, Bragança, Porto e a descida triunfal Chiado abaixo com Soares a saltar para cima de um palanque improvisado na Rua Augusta.

Não fosse a organização demasiado profissional, a atitude de Sócrates sempre igual, sem surpresas nem improvisos, esta campanha com um Soares, ou mesmo um Guterres, teria sido um happening de um humanismo fantástico. As pessoas aderiram em festa, arregimentadas pelos caciques locais, mas também aconteceu espontaneidade e espírito militante.

Percebe-se que a política é para a maioria mais emoção que razão, e o voto é um gesto impulsivo, afectivo. Foi nisso que o PS jogou e parece que ganhou.

quinta-feira, setembro 24, 2009

Sobe, sobe, PS sobe!...


Já percebemos que os portugueses se estão nas tintas para as palavras de santa padroeira de Ferreira Leite e preferem o vendedor de ilusões que há em Sócrates.

Num país onde todos gastam mais do que aquilo que ganham, estavam à espera que um discurso para meter na ordem os consumistas portugueses ganhasse? Claro que não. É como convencer aqueles frenéticos frequentadores de centros comerciais que o melhor era irem apanhar ar, dar banho ao cão, lavar o carrito perto de um chafariz, voltarem a tocar discos de vinil, ou a comprarem Renaults clio sem vidros eléctricos.

A malta quer é borga, TGV e aeroporto novinho, estradas a rasgar o Marão e o Ribatejo, onde o silêncio do vazio de carros devolve o espírito ecologista que há em cada idiota útil.

Querer que o Zé povinho prefira Leite a Sócrates, seria o mesmo que convencer um aluno bera a escolher uma tia rezingona a um professor liberal.

O ról de obra positiva feita pelo governo é empolada várias vezes ao dia. Há números que nem devem estar correctos, como aquela de já gastarmos 40 por cento de electricidade de eólicas, mas como ninguém contesta, deve ser verdade.

Portanto: vamos ter a segunda edição de Sócrates por dois anos e Cavaco pode começar a arrumar os tarecos em Belém. É a vida!!!

quarta-feira, setembro 23, 2009

O sufoco da verdade


Pensava eu que o país tinha mudado. Que a maturidade política era maior, o esclarecimento mais eficaz. Bem podem os marretas que vão à TV encher tempo a custo baixo, falar dos problemas, apontar caminhos intrigalhar ou fazerem da arte da política a conversa sofisticada dos donos da bola.

A verdade é que o povo continua na mesma.

Aparece a bater palmas ao primeiro-ministro em troca de um jantar, de um passeio de autocarro, de umas esferográficas a dizer PS, de umas t-shirts manhosas, de umas bandeirolas patéticas.

O povo está feliz desde que lhe dêem qualquer brinde. Depois podem ser castigados nas pensões pelo fisco, podem ter de ir operar as cataratas a Cuba, podem morrer numa fila de espera para uma operação que virá no dia de São Nunca à tarde. Isso não conta. O que conta na hora do voto é o ambiente afectivo que foi criado, a ilusão. Todas as religiões sobrevivem assim, a política também.

O PS sabe-a toda. Andou quatro anos a governar para o próximo dia 27. Deu brindes aos pobres, pagos em impostos pela classe média, distribuiu subsídios, benesses, deu gratificações sociais como quem dá esmola. E agora tem aí os velhos, os marginalizados, os calões que vivem à pala da segurança social, uma faixa enorme da população portuguesa na mão, com o voto pronto no PS.

Marcelo Caetano fez o mesmo com as pensões. O Poder sabe que é fácil comprar votos, iludir os desiludidos, mobilizar os que não participam na política nem na vida cívica. Quem nada tem fica eternamente agradecido nas urnas com uns tostões, umas rezas e umas promessas.

Esta será a vitória política do cinismo, da mentira e da demagogia total.

Quando ouvimos Sócrates oferecer em cada comício mais um subsidio, um TGV, uma auto-estrada para nenhures, Teixeira dos Santos (o carrasco da classe média) vir acusar o Bloco de querer tirar uns tantos milhões a quem trabalha (pelos vistos ele fez as contas também e irá executá-las), percebemos a grande mentira, essa vencedora destas eleições.

Mas quando ouvimos as palavras patéticas do reformado Marques Mendes, a voz de menino Maizena de Rangel, ou as palavras sábias de Ferreira Leite em tom cinzento, engalanadas nuns "tailleurs" vitorianos, percebemos que só há duas coisas a fazer como português: ir embora para o Burkina-Fasso ou aguentar e não chorar.

segunda-feira, setembro 21, 2009

O sufoco democrático

Confesso que não percebo a demissão de Fernando Lima, o assessor de imprensa de Cavaco. Conheço o Fernando Lima há 20 anos e tenho-o como uma pessoa séria, incapaz de tomar uma iniciativa melindrosa para Cavaco, sem que este pudesse ter conhecimento e dar o seu consentimento.

Cavaco veio dizer que nunca perturbaria a campanha eleitoral e acabou por o fazer, tirando o tapete ao PSD, esvaziando mesmo a sua estratégia, dando de bandeja um bom punhado de votos ao PS, porventura essa migalha necessária para uma vitória mesmo desconfortável.

Não percebo como pode Cavaco numa penada dispensar um dos seus mais fiéis e "assassinar" politicamente a sua amiga Ferreira Leite.

O que está em causa não me parece ser o facto de FLima ter ou não ter sugerido uma pesquisa ao Público. Ninguém é ingénuo e todos sabemos que diáriamente os assessores das mais variadas áreas políticas fazem sugestões aos jornalistas, pressionam, chantagiam por vezes, amuam....e só é pressionado quem quer, ou quem não pode ser independente. Portanto: se Fernado Lima sugeriu o que quer que fosse e se o jornalista que tratou do caso achou que não havia matéria noticiosa....a cena estava terminada. Lima não apontou nenhuma pistola para o Público publicar uma história de polícias e ladrões.

Se o meu amigo Luciano Alvarez mandou um e-mail e se este foi desviado é um caso de polícia. Luciano mandou um e-mail porque tinha receio de ser escutado pelo telefone, logo: nunca iria divulgar o mail. O receptador do mail, o correspondente do Público na Madeira, não iria divulgar um mail de serviço interno, pondo em causa a credibilidade do seu jornal e das fontes.

Portanto: não há milagres. Alguém divulgou o mail e quem o fez sabia que iria prejudicar Cavaco e beneficiar fortemente o PS, tentando demonstrar que o PS é isento e que nunca interfere na vida dos jornais, das televisões.

A publicação do mail por parte do DN é muito grave. Põe em causa a seriedade de um jornal concorrente, revela a fonte da noticia num mail pessoal (nem sei se não há aqui matéria criminal!) e limita-se a publicar tudo isto sem trabalho de investigação, sem ouvir ninguém, tal como o tinha feito antes a direcção do Público que insistia em falar de um caso de espionagem depois do seu jornalista no terreno o ter negado há meses atrás.

É tudo demasiado mesquinho e mau para ser verdade.

Se a partir de agora qualquer "off" de um assessor, ou figura institucional, aparecer escarrapachada nos jornais....a nossa imprensa está mesmo na amargura. E isso é mau para todos: jornalistas, público, democracia. Mas vai ser muito bom para os que acham que há um jornalismo de sarjeta em Portugal, um jornalismo travestido, e que o controle desta gente deve ser feito pela ASAE da liberdade de expressão, a ERC , ou se for preciso mesmo à excêntrico do euromilhões: compra os jornais e publica lá só as notícias boas da família.

Já agora, não seria "giro" fazer um perfil do tal assessor espião de Sócrates? Quem é, o que fez, o que gostaria de ter feito mas nunca conseguiu... Investiguem e falem-me dessa figura. Como leitor estou curioso.

Um abraço Fernando Lima.

O colestrol político de Sócrates


Ouvir repetidas vezes Sócrates em campanha pode ter um efeito de colestrol político no nosso organismo cívico. Tudo o que é bem feito demasiado chateia, e a campanha do PS tem esse lado: a produção é tão boa, os efeitos especiais tão espectaculares, a multidão multiplica-se tão eficazmente, ao ponto de se achar que há milhares atrás do candidato quando são quase todos os mesmos que andam em autocarros arregimentados, as palavras são tão bem pronunciadas e os gestos tão calculados, que só podemos enfadar esse espectáculo propaganda. Cantam bem, mas alegram pouco.

Os velhos líderes podem usar da sabedoria da raposa, serem matreiros, mas acabam por deixar passar uma corrente de convicção socialista. Alegre foi comovente em Coimbra e Soares foi empolgante no Porto.

Eles não precisam de por pó talco, ou base, ou qualquer outra maquilhagem para arrastarem crentes e simpatizantes, indecisos e desistentes. Sabem-na toda e o povo sente por eles o que não conseguem expressar por Sócrates.

A verdade de Sócrates não é a realidade do país e os seus números não são a vida real. E os ataques que faz à outra senhora, feitos a medo e sem grande coragem, acabam por não terem a eficácia das palavras de Alegre e Soares.

domingo, setembro 20, 2009

Para Sócrates Portugal são números


Quem ouve Sócrates durante horas corre o risco de subir às nuvens e passar a sentir-se num país das maravilhas. Todos os números, estudos da OCDE, do INE, todos os gráficos e powers-point desta vida, apontam para um oásis no Socratal.

Está bem que estamos em campanha eleitoral, mas o secretário-geral do PS corre o risco de um destes dias acordar e reparar que à sua volta há uma nuvem que o fez levantar voo até ao país do final feliz, bué-bué longe!

Hoje Sócrates parecia uma calculadora Casio a elogiar a Pátria e o regime do PS.

A saúde era uma montra de vitórias, embora tenha uma ministra competente e séria. Coisa rara nos dias de hoje.

Mas esqueceu-se das maternidades que fechou, das milhares de crianças que vão nascer a Espanha, dos idosos que vão tratar das cataratas a Cuba, das centenas de doentes com cancro que esperam numa lista terminal de espera, dos custos absurdos dos serviços de saúde...

Sócrates diz que no seu partido não há penalizados por delito de opinião e dá como exemplos Alegre e Seguro. Esquece-se que, por exemplo, nenhum apoiante alegrista foi escolhido para candidato a deputado. Certo?

Diz que não há medo em Portugal, porque o PS é o partido da Liberdade. Mas depois ignora a pressão sobre a TVI no caso MMGuedes, os processos que levantou a jornalistas por delito de opinião, e a brigada da ERC a trabalhar. Certo?

Sócrates gaba a educação, a obra feita no ensino, evoca o Magalhães, diz que antes os computadores eram só para os ricos e agora são para todos. Mas não refere que a classe média anda a subsidiar computadores para pais ricos e a pagar computadores que mais não são do que uma maquineta de jogos, sem ligação à internet.

Sócrates gosta de números, mas quando o número 500 mil podia vir à baila, ele prefere falar dos 0,3 por cento de crescimento, ao desespero do meio milhão de desempregados. Em Coimbra não teve uma palavra para essas vitimas de um modelo de desenvolvimento aberrante.

Claro que quem vota o faz por razões mais emotivas que racionais, logo a política transformou-se num big show Sócrates, onde o povinho baila qual macaco Adriano.

O país do trabalho e do abandono merecia mais respeito e mais verdade. Está bem que se deve ter um discurso positivo, mas um discurso assente em realidades virtuais é uma grande desonestidade intelectual.

sábado, setembro 19, 2009

O caso do e-mail aparecido! Chamem o Senhor Lei!

Todos sabemos, que eles sabem que nós sabemos, que ninguém diz, que há sempre sugestões e revelações de fontes "geralmente perto de...". Portanto, a eventual boca de um assessor de Belém sobre a eventual infiltração de um assessor de Sócrates na comitiva de Cavaco na sua ida à Madeira, é normal. O que não é normal é que um jornalista o escreva num e-mail e que mais tarde esse e-mail venha a público.

Esta cena deixa mal os jornalistas, que o permitiram. Parece também que a boca partiu do governo para reforçar Sócrates e "entalar" a Presidência. Uma das regras sagradas no jornalismo é a protecção das fontes, quaisquer que sejam. Se o e-mail publicado hoje pelo DN foi revelado só pode ser obra de um dos jornalistas visados ou então de uma "escuta" aos e-mails feitos pelos serviços secretos, controlados pelo governo. Por mais ninguém. Ora, isto é intolerável no exercício do jornalismo ou na prática política. E a segurança está a ser arrombada.

Bobby construtor, amigo de Mesquita Machado vota PS

Hoje no comício socialista de Braga, Mesquita Machado - essa farol da democracia do norte e essa referência socialista- contou em tom de confidência, perante um pavilhão recheado
de seguidistas, que foi há dias jantar com um empresário da construção civil. Não iria ali dizer o nome. Seria o amigo da Braga Parques? Não sabemos. Apenas disse que era social-democrata e que a dada altura do jantar (que não soubemos se tinha vinho a acompanhar) o amigo empresário lhe confidenciou que ia desta vez votar no PS.

O "Pavilhom" desatou às palmas, histérico, bandeiras a esvoaçar, o suor a transbordar desafiando a estirpe da Gripe A, e Mesquita enterrou ali o seu machado comiceiro.

Sócrates riu e mandou uma boca a António José Seguro, cada vez mais a fazer lembrar Guterres pelo jeito e pelo tom, e eu pensei: Obrigado! Se eu fosse pato-bravo também votava no engenheiro que gosta mais de caboucos do que macaco de banana. E com as promessas chamadas TGV e outros moldes em betão, a vida vai estar mesmo boa é para os Bobys construtores.

segunda-feira, setembro 14, 2009

A mente fascista de Louçã

O doutor Louçã na sua pose de padreca da esquerda, descobriu agora o que o engenheiro Sócrates já tinha experientado: usar os sentimentos mesquinhos dos portugueses invejosos e ressabiados para ganharem votos nos estádios da parolada.

Essa parelha que se odeia e respeita de medo, descobriu que nas franjas dos indecisos, há uma matilha significativa que saliva com o ataque à classe média, aos que trabalham e criam riqueza e que não penduram os braços entre lamurias, subsídios e outros expedientes.

Sócrates lançou aquela máxima de que quem ganha mais de 5 mil euros por mês é rico, o que fez salivar as hienas invejosas, Louçã amaldiçoou os gestores que são indemnizados, o que levou Sócrates a fazer-lhe a vontade, com falta de coragem política e cobardia política, aprovando uma lei Robin dos Bosques á la Chavez. E agora pasme-se: o trotskista convertido às benesses da democracia e da sua nova lei dos partidos, quer que os telemóveis de serviço sejam alvo de desconto para as glutonas finanças socialistas.

Louçã comporta-se como um daqueles meninos reles e queixinhas que passam a vida a apontar a dedo os colegas que beijaram a colega ou que fumaram uma beata na casa de banho. Mas que fecham os olhos quando um colega gay é apanhado em flagra, pois isso seria pisar as minorias.

Estas merdas em campanha eleitoral mostram como Louçã tem mentalidade salazarenta e usa aquele vómito fácil que os pobrezinhos têm, quando o vizinho compra um Hyundai novo, a vizinha dorme com o canalizador e não com ele, ou quando algum colega de trabalho é mais competente e tem sucesso na carreira.

Esta dos telemóveis não lembrariam ao homem das botas e não nos admiremos que o bloco da esquerda não venha a propor ao atarantado Sócrates que volte a repor a licença de isqueiro, já que esse objecto é a razão de os cigarros acenderem.

E já agora um imposto sobre a água suja do imperialismo, sobre as marcas de roupa e preservativos.

Com uma dimensão política desta categoria, que já chega aos telemóveis, o Doutor Louçã já não é mais do mesmo, é menos do mesmo, e demonstra o perigo que representa a engorda de um grupúsculo que é votado por fascistóides e por cidadãos sem rumo, nem partido para votar.

Este vazio democrático criado pelo domingueiro engenheiro só podia dar nisto. A mediocridade traz sempre consigo uma tragédia. Só nos faltava agora uma esquerda moralista, queixinhas e merdosa, como aqueles que a sustentam.

PS: declaração de interesses: não tenho telemóvel de serviço.

domingo, setembro 13, 2009

MORREU WILLY RONIS

Crónica fotográfica de Luiz Carvalho na África do Sul


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quinta-feira, setembro 10, 2009

Era uma vez uma quinta em África....

Era uma vez uma quinta em África...lembro sempre esta frase narrada pela voz de Meryl Streep em "África Minha", filmado pelo mestre Pollack.

Aqui estou em numa dessas quintas africanas, não na região central, mas no Sul, na África do Sul, algures a 300 quilómetros de Captown, em Busmans Kloof.

Chega-se por estrada ladeada de paisagem verde, montanhas ao fundo, luz transparente. Depois uns quilómetros de terra batida, que os Land Rover Discovery 3 brancos, desbravam na tranquilidade dos seus motores V6, deixando atrás uma nuvem poeirenta.

Quando se chega somos recebidos por criados negros fardados a rigor mas de uma simpatia natural. O charme e o requinte da arquitectura, sem ser ostensiva, encantam e acolhem qualquer alma. Há cheiro, luminisodade nesta terra mágica. Está aqui à minha frente a África que sonhamos um dia pisar, com as nossas referências literárias, o romantismo que nos alimenta, um sonho que um dia sabemos que nos irá acontecer.

No fundo falo de simplicidade. Coisas simples. Nada de luxos extravagantes. Há aqui sensibilidade e bom senso. Quase tudo o que precisamos para temperar as nossas vidas por vezes demasiado agitadas. Um Mundo perfeito, pode dizer-se. Harmonia entre a natureza e o homem que a possui.

Amanhã, levantar ao nascer do Sol, montar no Land Rover aberto para turistas ver, e avançar pelo campo fresco, ao encontro do imprevisto. Talvez um leopardo, uma chiita. Logo se verá.

Quando tiver uma net mais rápida, mando fotos.

terça-feira, setembro 08, 2009

O Arco da Velha e o timoneiro sem rumo

Não sei o que irá acontecer depois de 27, mas não podemos dizer nesta altura do campeonato eleitoral que os portugueses estejam animados. Esta campanha, que são duas, é de uma indigência total. Começando nos camaradas do Bloco - aqueles, segundo Miguel Esteves Cardoso numa genial frase de hoje no i- são os que não tiveram a humildade de pertencerem há anos à juventude comunista, passando pela campanha do arco da velha da Dra. Leite, espreitando a utopia passadista de Jerónimo e desaguando nessa máquina de propaganda, cinismo e populismo pimba-socialista que é a prédica do engenheiro, que gostava de ser arquitecto, esse manequim dos fanqueiros desta década, ele mesmo: Sócrates.

Sem ideias novas nem projectos de rasgo, sem coragem, sem ideologia política, sem ambição, vamos continuar a fazer do país um palco para práticas revisteiras.

Não fosse ACosta estar já a acelerar para devolver aos lisboetas esse género faduncheiro que é a revista à portuguesa. O teatro de fusão comuna+revista poderá ser o grande contributo do autarca que diz ter arrumado Lisboa. E arrumou mesmo.

sábado, setembro 05, 2009

O filme de Cristian Pavaudet assassinado em El salvador

clique na foto

Silêncio de morte e festa em Perpignan

Talvez sejam os últimos resistentes do jornalismo empenhado, de causas.

Que leva um fotojornalista a viver 4 anos em El Salvador no meio de um gang de droga para ser morto numa emboscada? Só pode ser espírito de missão e uma atitude de total entrega ao trabalho.

Ontem o momento em que JeanFrancois- Leroy, director do Visa Pour L`Image, anunciava a morte do fotógrafo e realizador Cristian Pavaudet no El salvador, foi recebido com um longo silêncio, entre as cerca de 4 mil pessoas que estavam no auditório ao ar livre, na sessão noturna.

Tinha estado o ano passado aqui com Pavaudet e as suas fotografias impressionavam pelo envolvimento, coragem e capacidade de mostrar. O fotógrafo de imprensa é um dos alvos a abater quando os conflitos se agudizam, por ser ele o mensageiro inconveniente e credível.

Hoje o dia foi longo. Muitas fotos a ver. Impressionante o trabalho de Eugene Richards sobre as vítimas americanas do Iraque, o Irão dos anos oitenta de Burnett, as fotos de bastidores de Obama...e mais, muito mais.

Mais triste, o encontro com Marie Laure de Deker, a decana fotógrafa da Gamma, a posar com os seus colegas de agência numa fotografia de grupo no stand da Canon. A agência está a agonizar depois de uma gestão incompetente e arrogante ter levado à falência uma agência com 41 anos e que facturava uma soma soberba há anos.

Muito bom o trabalho de jovens fotógrafos (incluíndo os portugueses da kamera e da 4 See) e de sublinhar a forma atenta como o Maire de Perpignan apoia o festival, assim como a ministra da cultura que não quis faltar à sessão de hoje.

Gostava imenso de vos falar mais do festival, mas é tarde, está frio no motel, e amanhã quero estar cedo em Perpi, para a conferência do Eugene Richards.

quarta-feira, setembro 02, 2009

WORKSHOP DE FOTOGRAFIA DE LUIZ CARVALHO


Em Outubro vou iniciar uma série de workshops para entusiastas da Fotografia.

A ideia é abrir olhares, rasgar horizontes fotográficos, poder demonstrar que a Fotografia é uma técnica acessível e de fácil manejo, e que o acto de fotografar tem mais a ver com o treino da vista do que a habilidade da técnica.

Serão sessões para se aprender a domar a máquina fotográfica, a educar a vista e a podermos tornar o nosso trabalho visível na web entre amigos e público geral.

O conceito de partida é este, um programa para iniciados com máquina fotográfica digital e um computador portátil.

Vamos trabalhar aos sábados de manhã de forma a permitir a frequência de quem estuda e trabalha. Prevemos 16 horas na primeira fase, 4 sábados. Os dias em concreto ainda não estão definitivamente acertados, mas começaremos no máximo a meio de Outubro.

Para lá da prática, vou poder mostrar as fotografias de mestres de referência da fotografia em todas as suas vertentes, já que será um curso de Fotografia pura, virada para a criatividade e a inspiração artística.

Depois de 9 anos consecutivos como professor de fotojornalismo da Universidade Autónoma e depois dos vários cursos para iniciados e jornalistas profissionais, no Observatório de Imprensa, achei que agora era uma boa altura para continuar a partilhar a minha experiência com quem quer começar na fotografia.

Será um workshop baseado no diálogo e na interacção, sempre com muita fotografia a ser feita, mais prática que teoria desnecessária.

Sendo assim, falarei também da minha experiência como fotógrafo de imprensa e de todas as outras áreas (retrato, arquitectura, paisagem, natureza) por onde o meu olhar tem passado.

Depois deste curso de entrada, outros se seguirão, estou agora a elaborar os programas.

O workshop será realizado em Lisboa, na zona de Alcântara, e deverá começar a 17 de Outubro até 7 de Novembro (ainda a confirmar). Isto é: depois das autárquicas.

Cada participante terá no final a minha apreciação escrita e avaliada do seu trabalho.

Pré-inscrições e preços contactar:

Luz Nunes de Carvalho (que parece, mas não é da minha família!).

e-mail: luzcarvalho@iol.pt tel: 965 101 612

Lá vos espero para grandes instantes decisivos!