sexta-feira, novembro 30, 2007

O excesso de zelo português

O excesso de zelo tornou-se prática nas acções de muitas das nossas autoridades. Porquê ? Porque o poder político assim o determinou e porque o seguidismo está a fazer dos tempos em Portugal uma nova etiqueta política e social: a voz do dono.

Num país onde a criatividade escasseia, a audácia tem a cobardia por sombra, o rasgo vai pela sanita abaixo várias vezes ao dia, o estar afinado com quem manda é a última gota para a sobrevivência de uma canalha que não podendo ganhar pela qualidade, sobe pela bajolamento.
Há em cada agente da ASAE um missionário do lava mais branco, em cada agente da brigada de trânsito um cavaleiro da imaculada, em cada fiscal das finanças um enviado do céu para repor na Terra o equilíbrio das contas do Estado. Vingar os pobres dos que ganham mais pelo seu trabalho.
A imprensa de esquerda ( ou de complexos de esquerda!) criou um monstro, ou seja: alimentou o mito que Portugal era um rectângulo de taberneiros porcos, de leiteiras a mijarem no leite, de bêbados ao volante, de Fitipaldis a guiarem Fiat´s Uno, de doutores a fugirem ao fisco ou de
engenheiros a calcularem sem recibo. Resultado: Durão que precisava de dinheiro aplicou o dogma e tudo passou a servir para pagar.
O assalto aos contribuintes começou com os neo-liberais com a frase " utilizador-pagador" e continuou com o socratismo usando o princípio da " igualdade para todos", ou seja: o saque foi total , em todas as frentes. Depois da colecta máxima para serviços minímos, vem aí a cobrança verde sobre tudo e todos que aliviem uns gramas de CO2 para o ar.
Os ecologistas já fizeram de lebres, os jornais já venderam a ideia verde, os patetas dos cidadãos aderiram à ideia ecológica como os piegas que vieram cantar hossanas a Timor de lenços e velas na mão para depois se ter criado um dos países mais estúpidos, ingratos e madraçeiros do Mundo. Nós portugueses somos assim: queixa-mo-nos mas as sondagens, essa ferramenta democrática já dá Sócrates com maioria absoluta para daqui a dois anos. É o crime perfeito.

O ministro que chegava atrasado às reuniões com o Primeiro Guterres, irritando-o: " onde está esse gajo do Sócrates que está sempre atrasado ?", arrepiou caminho e, como me dizia esta semana uma figura do PS que não votou neste secretário-geral, " o tipo aprendeu e ninguém diria que iria ter este desempenho!".
Os seguidistas espertos são sempre os triunfadores. Por isso há por aí tanto excesso de zelo.

Hillary copia Sopranos e Bill entra na fita

quarta-feira, novembro 28, 2007

Grande crónica de António Barreto

ELES ESTÃO DOIDOS


A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e "petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.

A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.

EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido. Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.

Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.

AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta "produto não válido", mesmo que esteja vazia.

Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.

As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.


«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007

Merche Romero quer festa de anos muito privada

Impagável: Maya que é a assesora de imagem da incendiária modelo, manda esta foto para a imprensa, com o texto em baixo, e pede privacidade para a festa de anos de Merche Romero !!!!...

NA SEQUÊNCIA DA INFORMAÇÃO Á IMPRENSA QUE FIZEMOS ESTA MANHÃ, VIMOS MANISFESTAR O PEDIDO DE MERCHE ROMERO, DE QUE A IMPRENSA PERMITA QUE FESTEJE O SEU ANIVERSÁRIO EM PRIVACIDADE.

Com os melhores cumprimentos,

Maya

segunda-feira, novembro 26, 2007

O nascimento de uma produtora de TV

Nasceu uma nova produtora de televisão, a SP. Passados 25 anos vão voltar a fazer a novela Vila Faia, agora em versão adaptada aos novos tempos e gravada em HD. Passei lá uns dias a fotografar para o Expresso ( ver última Única) e deixo aqui um "cheiro" do que são os bastidores de um estúdio de televisão.

Foto do dia foi há 27 anos

Não resisto a publicá-la: o António Pedro Ferreira descobriu ontem no seu arquivo esta minha fotografia em Fátima, em 1980. A fotografia tem esta magia. Tira-se a foto, cai no esquecimento e passado muito tempo recuperamo-la como uma pérola. Ainda bem que há blogues para se poderem partilhar estas surpresas !

Porque foi bom não haver Millenium BPI

A falência anunciada da fusão BPI-BCP deixa-me contente como cliente dos dois bancos. Com a fusão sentia que me estavam a tirar a possibilidade de optar e sentia um certo cartel na operação. Claro que o BCP ou o BPI acabarão por cair em mãos de algum banco estrangeiro mas a sensação é outra para o utilizador.
Quem também deve ter sentido um certo alívio foram os trabalhadores dos dois bancos. A fusão iria certamente provocar mais uma grande onda de despedimentos com o fim de muitos balcões que se iriam sobrepor.
Ganhou a competitividade, os clientes e os trabalhadores. Até vermos.

Mo1 é o primeiro telemóvel para crianças



Aí está ele: o primeiro, ao que sei, telemóvel para crianças. A ideia parte do Imaginarium com a colaboração da TMN. Não sei que diga. Como seguidor das tecnologias digitais acho giro ( era mesmo um bom nome para o telefone: GIRO). Como pai posso achar bom em termos de segurança, apesar de logo me assaltar a ideia que o meu filho ( 6 anos) pode ser assaltado para lhe gamarem o brinquedo. Ainda como pai já estou a ver a minha vida a andar para trás com o meu filho a pedir-me mais carregamentos de cartão, ligar para os amigos e para a mãe, e a mim, por tudo e por nada e de ser mais um brinquedo caro a juntar a toda a panóplia anunciada no Canal Panda.

Já não bastavam os jogos da Playstation, os brinquedos das Tartarugas Ninjas, Do Noddy, do Ruca, do Homem Aranha, do Cars...agora telemóvel. Temo o pior, portanto. Mas a evolução da espécie faz-se destes avanços tecnológicos e aqui a ecologia ainda não meteu negócio nisto. Aqui eu gostava: provar que os brinquedos a mais são feitos de petróleo, com mão de obra infantil, que são a nova alienação capitalista, por cada brinquedo comprado podia-se salvar não sei quantas vidas de fome e doença no Mundo...por aí fora.

Resta-me a felicidade de ver o meu filho feliz com este admirável Mundo imaginário.

domingo, novembro 25, 2007

300 horas a falar da Casa Pia

A cobertura mediática do caso Casa Pia nos dois primeiros anos atingiu uma dimensão nunca antes vista nos media portugueses, ocupando nesse período - 2002/2004 - mais de 300 horas nos espaços informativos das televisões nacionais, segundo dados da Marktest. Cinco anos depois, o caso perdeu mediatização, escreve a Lusa.
É caso para dizer: " Não há.... que aguente".
A sério: como é possível chegados aqui termos uma saída honrosa para vítimas e acusados ? Que credibilidade trouxe este processo para a descredibilizada justiça ? Que avanços fez o Estado ? O novo regulamento do Código Penal ? Que fizeram os socialistas para tornarem Portugal mais justo, moderno e eficaz na Justiça ?
Um drama este caso. Quanto mais passa o tempo mais descrédito e desinteresse mostra o cidadão.

PS: Gostava de deixar aqui escrita esta mensagem de solidariedade e amizade para com o Mestre Carlos Amado e para com o Mestre lagoa Henriques.
Foram ambos meus professores na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Carlos Amado deu-me aulas de desenho de estátua e mestre Lagoa também de desenho. Devo-lhes muito da minha formação artística e fizeram com que eu passasse a olhar o Mundo, a vida, com um sentido gráfico e estético, poético e literário como ninguém, Com eles aprendi o sentido da forma, a estrutura visual, a relação palavra-imagem, o equilíbrio e o ritmo gráfico. Foi com mestre Lagoa que ouvi pela primeira vez falar da noção de ritmo gráfico, da relação forma- conteúdo, do valor das texturas, do desenho das sombras.

Eles sempre se assumiram como homossexuais, ( não bichas!), discretos, educados. São uns senhores e duas personalidades de uma cultura invulgar. Deram ao longo dos anos contributos notáveis para a formação de várias gerações de artistas. Tive o privilégio de Mestre Lagoa me ter dado 18 valores a desenho, no 2º ano de pintura (quando estava em transição para arquitectura). Toda a gente sabe que são homossexuais mas que o são de uma forma séria, não exibicionista, muito menos criminosa. Sempre foram defensores dos valores humanistas, democráticos, com muita dose de anarquia e irreverência.

Nos anos 70 tiveram problemas com a PIDE quando se constou que havia sessões que metiam haxixe no atelier, onde se falava já da presença da Eunice Munoz. Eles pertencem a um grupo de intelectuais verdadeiros. São, porventura, os últimos artistas na verdadeira acepção da palavra e da prática. Não me parece nada verdadeiro que possam haver histórias com eles em torno de pedofilia. Acho isso uma calúnia e era bom investigar esses miúdos ( que já são adultos e não crianças!), o que fazem, que vida têm, o que ganharam com as indemnizações, que credibilidade têm e o que os faz correr. Todos tínhamos a ganhar. Até a justiça

sexta-feira, novembro 23, 2007

Britânica atinge 200 orgasmos por dia

O barulho do comboio, o som do secador ou o movimento ritmado de uma fotocopiadora fazem com que a britânica Sarah Carmen, de 24 anos, obtenha, num dia normal, cerca de 200 orgasmos, informa o News of the World.

Sarah sofre de uma doença rara chamada Síndrome de Excitação Sexual Persistente, que a deixa sexualmente excitada durante longos períodos de tempo, mesmo sem ter qualquer estímulo.

A síndrome do orgasmo espontâneo até já foi tema da série de televisão «Anatomia de Grey».

A síndrome leva ao aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais. Outra explicação pode ser uma infecção na região pélvica que estaria a estimular os nervos do clítoris.

«Quando tudo começou, aos 19 anos, o meu namorado estranhou a quantidade de orgasmos que eu atingia durante o acto sexual», contou a esteticista britânica, que trabalha num salão de Londres. «Em seis meses, consegui 150 orgasmos por dia, e às vezes até chegava a 200», completou.

A britânica conta que o seu apetite sexual afasta os homens, que, segundo ela, não aguentam o ritmo e que, em alguns casos, se sentem frustrados por não fazerem quase esforço nenhum para que Sarah chegue ao clímax.

Durante a entrevista de 40 minutos dada ao repórter Matthew Acton, Sarah «chegou lá» cinco vezes. As circunstâncias não foram esclarecidas.

Concurso Epson com 20 por cento de portugueses

À seca no aeroporto de Barcelona apetece-me ainda falar do Concurso Epson. Os comentários de ontem feitos ao meu post revelam uma certa acidez para com os concursos e desconfiança sobre a qualidade das fotos e até do júri.
Quem escreve muito a dizer mal não concorre na verdade e não mostra por obras e palavras que podia contribuir para melhorar um encontro que é só (!) o maior concurso da Península Ibérica, se não citarmos o da Visão, que é só de fotojornalismo.

Mesmo perante prémios muito generosos ( até maiores do que no Visão, tirando o primeiro)
os fotógrafos portugueses só contribuíram com 21 por cento das participações, o que é uma miséria franciscana. Houve fotógrafos espanhóis de grande curriculum a concorrer e pelos vistos não lhes caíram os parentes na lama e ainda ganharam uns prémios substanciais.

Presunção, água benta e mania das grandezas é típico dos portugueses. Depois são capazes de ter a lata de virem dizer que os espanhóis tomam conta de nós...pudera !

Não vou falar dos jurados portugueses mas do lado espanhol é um júri que tem
( só para citar dois deles) nomes como Isabel Munoz ( capa de Photo, exposição em Perpignan, um nome internacional) e o director do Foto Espanha um festival de fotografia muito importante, o Perpignan de Espanha, que este ano terá Sérgio Mah como comissário.

Ser júri de um grande concurso fotográfico

Júri do Concurso Epson esta tarde em Barcelona ( falto eu que estou a fazer a foto)
Hoje estive do outro lado dos concursos de fotografia: fui membro do júri do Concurso Ibero de Fotografia, organizado pela Epson, e que recebe mais de 7 mil fotos e tem um prémio de 1o mil euros, o que faz do acontecimento o maior concurso de fotografia a seguir ao Prémio Visão.

Escolher fotos de um lote inicial de oitocentas fotos é fácil. A maioria é bastante redutora. Depois escolher o segundo lote mais reduzido já começa a ser complicado. A escolha final torna-se penosa pois temos de decidir entre três fotos que todos gostamos e sente-se que qualquer delas podia ser a primeira.
Na fase do meio da escolha reparei que algumas fotos podiam ter chegado muito bem à final, mas é fácil ficar de lado pois há que fazer opções e o factor subjectivo de cada membro do júri entra sempre em acção.
O que torna logo uma foto indesejada é o sentimento de já visto, mesmo que seja uma foto bonita e bem executada. A segunda rejeição vem, para mim, do trabalho carregado de photoshop, efeitos, ceús escuros, côres saturadas. Os fotógrafos carregam no photoshop como as pirosas no batôn, sendo que quando a boca é bem desenhada o rouge passe de pires a matador e tem desconto.
A terceira força de chumbo são os temas lamechas: crianças a sorrirem para o futuro, pobres a fazerem horas extraordinárias, mulheres despidas com rosto escondido, campos verdes com árvores sozinhas, cascatas de água, pôr do Sol com silhuetas, casas abandonadas, o catálogo de banalidades fotográficas não tem fim.

A conclusão que tiro deste concurso, e que confirma o meu pó pelos amadores habilidosos, é que não há muitos fotógrafos a terem uma motivação forte para fazerem fotografias. Poucas fotos mostram uma visão pessoal, um prazer em ver e dar a ver. Há uma fobia pelo efeito, pela técnica mal usada ( o uso dos filtros do photoshop é um desastre total) e muito pouca espontaneidade.
A ideia de que as boas fotos são as bonitas, coloridas, ou de preto e branco contrastado é uma falsidade.
A fotografia presta-se como poucas actividades ao mais puro cabotinismo. Só na política se encontram tantos, ou mais, cabotinos por pixel.
Se é verdade que há um fotógrafo bestial em cada um de nós, mesmo que sejamos estafetas ou letrados, também é verdade que todos os fotógrafos se acham os maiores criadores, superando Deus.
Claro que não devemos levar demasiado a sério a fotografia no sentido em que deve ser uma prática correcta, superior, eleita.
A fotografia também vive dos amadores. E é na comunidade de toda esta gente que a fotografia deve circular e viver.

No final ganhou uma fotografia extraordinária, a preto e branco, de enquadramento perfeito e de uma sensibilidade encantadora. Portanto: vale sempre a pena entrar em concursos, e aqui a responsabilidade do júri é enorme: serve para dar pistas, orientar, dar um rumo.
A Epson faz aqui um trabalho cultural de divulgação da fotografia muito meritória.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Mon ami Chavez ou a ponta do iceberg



Sou um soarista mais ou menos assumido e confesso que senti um arrepio quando vi há poucas horas atrás Mário Soares em S. Bento, no beija mão ao ditadorzeco Chavez. Até dou de barato que Sócrates faça de anfitrião ao animal porque temos na Venezuela uns bons milhares de portugueses-madeirenses, mas que Soares tenha uma adoração pelo militar venezuelano já me incomoda.
À parte: também acho que se Chavez quiser nacionalizar meia dúzia de banqueiros e ricos empresários portugueses o fará, e vai fazê-lo, e protegerá os milhares de pobres lusos que por lá vivem a venderem pão, pastéis de nata ou gelados de presunto.
Mas em política, meus caros, não há nada de borla. E Soares não tem por hábito apoiar este ou aquele por idealismo ou amor altruísta. Muito menos um boçal armado em Fidel de pacotilha, ainda por cima que evoca o santo nome de Deus em vão !..

Nesta amizade de Soares há uma ponte de um iceberg que vale a pena investigar
jornalísticamente. Há uma fundação venezuelana que Chavez controla que parece ser muito, muito mesmo amiga da Fundação Soares. Até aqui nada de mal. Mas há aqui um bom ponto de partida para um excelente ponto de chegada. E nos apeadeiros, Soares não se incomoda e vai mesmo cumprimentar Chavez como o fez há meses quando este fez uma escala técnica em Lisboa. Quem é amiguinho, quem é ?
Depois do mon ami "Mitrand", em fim de vida: o mon ami Chavez. Que ainda por cima teima em não se calar. E a amizade de Soares para com a Família Real Espanhola ?
Desapareceu-lhe a solidariedade ?
Pelos vistos a espada que Hugo Chavez ofereceu a Soares quando este visitou a Venezuela já esteja a ser usada para dizimar amigos de Aznar e Bush...

terça-feira, novembro 20, 2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

Greve ao esterco o povo vencerá !

Chamar Valorsul a uma empresa que trata de lixo já não é por si uma grande ideia.
Os trabalhadores fazerem greve à recolha de merda já me parece uma coisa mais válida.
A polícia entrou a matar pelas instalações e mexeu ainda mais...na merda. O ministro veio logo falar, com aquele seu tom de falsete à Salazar, que a intervenção foi para garantir segurança e deixar circular quem o queria fazer. Se foi por isso tem razão, mas umas boas sovas de raspão num ou noutro grevista, por erro técnico claro, também está bem. Só se perderam as que caíram no chão e a polícia também tem de intimidar a malta.

Não tenho posição sobre esta greve à recolha de lixo. Nem na retrete. O que sei é que aquilo é uma profissão que a ASAE devia fiscalizar, nomeadamente para ver se as regras de higiene e saúde estão a ser cumpridas. Máscaras, luvas, roupa apropriada etc. Falo a sério.
Depois, verifico aqui no meu Concelho de Cascais, que o lixo passou a ser recolhido à hora em que vamos trabalhar e as crianças para a escola. As empresas de recolha agora são privadas e lá vem o critério do mais barato (que não quer dizer o mais eficiente e bem gerido!).

Com Lisboa e arredores afogada em esterco, a paisagem urbana começa a revelar a nossa verdadeira vocação: nem a merda já queremos recolher e o país que se afunde.

Almerindo de salvador da Pátria a rei do alcatrão

Almerindo Marques é um socialista. Se bem me lembro acho que chegou a ser ministro socialista no tempo em que os socialistas eram xuxas. Depois esteve na Caixa Geral de Depósitos de onde se reformou com uma choruda reforma de 3 mil contos por mês ( cito de cor). Acabou por ser repescado para a RTP no tempo do PSD. Almerindo tem um fraquinho especial por Cavaco Silva, pese embora que este não lhe retribua tanta admiração.

A nomeação deste reformado para as estradas de Portugal é mais uma de mestre do mestre Sócrates. Com esta fuga para a frente calou logo o PSD. Se gostavam tanto do homem e o gabavam tanto, então...fiquem com ele na polémica empresa que vai durar para lá da camada de ozono e do degêlo dos pólos.

Almerindo é bom gestor ? Eu com as condições financeiras que os governos têm proporcionado à RTP também o podia ser. Até tenho mau feitio como ele e gosto de cortar a direito como ele. E tenho os meus orelhas de estimação ! Eheheh!...

O caso José Rodrigues dos Santos vai, no entanto, dar a Almerindo uma pesada derrota. O que lhe vai valer é que já vai estar a fazer alcatrão quando a vitória do pivot da RTP for anunciada.
escrevi aqui no Fatal: a atitude do nosso orelhas foi em certa medida desleal para com o patrão. A verdade é que nós não podemos morder a mão que nos dá o pão e a lealdade tem de ser um valor sagrado. Embora vivamos num tempo de deslealdades e faltas de carácter, a verdade é que temos de usar do bom senso. E José Rodrigues dos Santos, que é tudo menos parvo, ou fez uma jogada de mestre ou fizeram-lhe a cama. Acho que aquela entrevista à Pública foi uma derrapagem controlada.

A jogada era simples: como o Almerindo ia embora, nada como desafiá-lo e dizer-lhe na cara o que ele tinha feito enquanto ele Santos foi director de informação. Se fosse despedido teria a concorrência a cobiçá-lo. A SIC está com crise de pivots e Santos é o apresentador que mais levanta o share... percebem ? Ou então a nova administração pode querer mexer na direcção da RTP e o nosso orelhas voltar a director, cargo de que se demitiu na sequência da ida da querida Rosa Veloso para Madrid.

O sucesso de Almerindo como gestor está à vista. Como diria o Guterres é fazer as contas: vejam os avales do Estado à RTP, o crédito, as receitas vindas do futebol, e vejam lá se era difícil ser assim gestor. Quem me dera ter essa folga para poder governar nem que fosse aqui a minha casa. Até daria para comprar um 997 e só usar M8. E assim seria nomeado o fotógrafo do alcatrão.

Medina Carreira denúncia bandalheira

«As eleições ganham-se com mentiras»

O fiscalista Medina Carreira traçou esta segunda-feira um quadro muito negativo de Portugal, considerando que a actual situação resulta de uma quebra acentuada no crescimento económico, num país em que «ninguém é responsável por nada».

«A democracia em Portugal é uma brincadeira em que ninguém é responsável por nada, não há responsáveis», afirmou Medina Carreira, salientando que «o País apenas é governado com rigor durante um ano ou um ano e meio por legislatura».

No restante tempo, segundo o fiscalista, quem vence as eleições começa por tentar corrigir as promessas que fez na campanha eleitoral e, a meio do mandato, «começa a preparar as mentiras para a próxima campanha eleitoral».

«Com esta gente que temos, não podemos ter muitas esperanças (quanto ao futuro)», defendeu, frisando que «as eleições ganham-se com mentiras».

Medina Carreira, que falava aos jornalistas em Gaia à margem de um debate sobre a actual situação do País, defendeu que «a raiz do problema» de Portugal resulta da quebra no crescimento económico.

«Durante 15 anos crescemos seis por cento ao ano, entre 1975 e 1990 crescemos quatro por cento ao ano e de 1990 para cá estamos a crescer 1,4 por cento ao ano. Se não mudarmos de vida, o futuro exige meditação», frisou.

«Não há economia que aguente»

Para o especialista, «não há economia que aguente um Estado social com tudo para todos, desde o berço até ao túmulo», defendendo que esta concepção «está condenada».

O novo Público online

Gosto da estrutura do novo site do Público. Tem uma lógica de blogue, simples de leitura directa e fácil. Gosto dos destaques à direita e do pipeline de últimas ( como no meu blogue!) e o destaque do vídeo e das fotos em cima à esquerda.
Pôr o que é multimédia em destaque parece-me absolutamente necessário e gostava de ver mais produção desse teor no Público.
O corpo de notícias destacadas funciona e é também de leitura rápida.
A ideia peregrina de que os jornais online não devem dar notícias porque elas estão no fio permanente é um disparate total mas há uns espertos que defendem. Ora, o Público tem mostrado que é fácil e com poucos meios estar update nas últimas , mesmo fazendo uma pequena edição do que vai ocorrendo.
Os jornais online têm de ser muito friendly, directos e claros, pois os leitores não perdem muito tempo a procurar matérias escondidas e desistem ao primeiro segundo se um conteúdo multmédia não arrancar logo.
A interactividade com o leitor é também privilegiada. Tenho dúvidas relativamente à fonte da letra escolhida e pareceu-me pouco contrastada a côr.
Gostava de sentir mais multimédia no Público online. E quando o digo não estou a pensar em fotogalerias ou vídeozinhos. Penso mais em grande: em jornalistas multimédia na rua, de telemóvel a enviarem vídeos e fotos e sons, e mais jornalismo do cidadão.
Essa é a aposta que ainda não se ganhou em Portugal. É preciso reinventar a linguagem para os online que não podem ser uma versão electrónica do papel ( que por si já é velho e mau), nem uma imitação de TV dos pobres. Ao ser um meio que permite o directo ( a Akamai tem um serviço que permite transmissões de vídeo em directo no site através de um portátil com banda larga instalado! E não é caro), a interactividade com os leitores,
a infografia animada ( uma modalidade desconhecida por cá!), com estas ferramentas e outras é absurdo haverem jornais online que vivem de umas caixas da treta e de conteúdos que passam ao lado de quem vai à net durante o dia nos empregos e em casa à noite e fins de semana.
Os leitores dos online não são leitores tradicionais, portanto: nada de jornalismo do papá.
O Público online está em boas mãos. Se há alguém que sabe de jornalsmo online em Portugal é o António Granado e só não fará melhor e renovado se não puder.

Genro de Dona Micas comenta no Fatal

António, genro de Dona Micas, a afilhada de Salazar, comentou o post sobre ela. Passo a destacar:

"A D.Micas conheci-a através da filha, que namorei, casei e tenho dois filhos (seus netos). Fui aprendendo aos poucos quem a senhora era, mas o facto de ter um passado que teve, foi sempre a minha sogra que sempre estimei pela pessoa que era e é, felizmente. Tenho o privilégio de morar no mesmo prédio, de ter conhecido, vivido com a pessoa excepcional que foi seu marido, meu sogro, hoje já não está entre nós. Aprendi muito, cresci muito com ele.
A figura do Dr. Salazar está sempre presente entre nós, da qual temos em muita consideração e respeito."
O genro,
António

domingo, novembro 18, 2007

Sábado no Porto

O meu diário fotográfico de Sábado 17 de Novembro no Porto
Fotografias: Luiz Carvalho























sábado, novembro 17, 2007

Motel de luxo

Acabado de ser instalado por engano no Ipanema Porto, em vez do Ipanema Park, deparo com esta notícia aqui ao lado nas últimas do Fatal. Nem por ironia ! Vir ao Porto e ficar nesta espelunca tira a inspiração a qualquer um. Para a próxima arrisco o Flamingo.

Do Portugal Diário:

Flamingo motel: o primeiro motel de luxo em Portugal oferece 40 suites que proporcionam uma volta ao mundo

Luxo, sofisticação e, acima de tudo discrição são as palavras de ordem do Flamingo Motel, que oferece 40 suites para todos os gostos, cada um com sua particularidade: Paris, Miami, New York, Venetian e Bali. Tudo bem perto da cidade do Porto.
VEJA AQUI AS FOTOS
A suite Paris revela a cidade dos apaixonados e românticos repleto de magia e fantasia. Ainda na Europa, a suite Venetian transporta-nos para uma viagem intensa nos elementos dourados e desenhos ornados.
No outro lado do globo a sofisticada suite Miami, com pormenores vermelhos intensos de calor e sedução. Por seu turno a suite New York apresenta um ambiente requintado que transporta para o ambiente da cidade. A suite Bali, com cores quentes, madeiras exóticas remete a um ambiente oriental da ilha de Bali.
Existe ainda dez quartos com o «extra» de um varão de «Strip-Tease», um pormenor que «enche o olho» a muitos clientes.
Os preços vão desde os 45 euros (12 horas), com diversos serviços disponíveis. Característico de todos os motéis é a discrição com que se entra e sai, não sendo necessário o contacto com ninguém à chegada. É através da cancela e de imagens que se escolhe ao tipo de suite em que se deseja ficar.
Uma fantasia pode-se tornar realidade, através dos diversos serviços e suites disponíveis, no único hotel de luxo do país, situado em Perafita (Matosinhos), numa posição estratégica entre o aeroporto Francisco Sá Carneiro e da Exponor, bem perto do Porto.




quinta-feira, novembro 15, 2007

A Terra vista da Lua em HD

Porque no te callas?

O momento histórico da última cimeira Ibero-Americana.
Sócrates recebe terça-feira Hugo Chávez

Empresários enxovalhados e Sócrates no Toshiba

Eleitoras portuguesas consultam o saldo na conta-reforma num Toshiba dado por Sócrates

A ASAE fecha que se farta. Não olha a quem. Nada escapa. Nem a grande superfície nem o café centenário no centro de Faro. Pelo visto e revisto Portugal está cheio de baratas e ratazanas e a higiene na restauração consegue ser pior do que a mental.
Enquanto Sócrates inaugura uma fábrica de ventoinhas eólicas ( aí está o negócio do século meus caros!), a ASAE mete na ordem os porcos envergonhados. Virá o dia em que me mandarão parar para verificarem se por baixo da alcatifa do jeep há areia, água ou pêlo de cão.
Num país rodeado de merda por todos os lados a ASAE diz da Pátria o que Maomé não disse do toucinho. Acho bem. A limpeza e a higiene devem ser fiscalizadas, mas sem a componente mediática e a evidente caça à multa. É fácil apontar porcarias aqui e ali. Logo: multar.

O secretário de estado das finanças, que ninguém ainda conseguiu fixar o nome, disse hoje na AR que as grandes empresas portuguesas são fraudulentas e fogem ao fisco. O ataque é no estilo "à la Chavez" e é mais uma pedrada naqueles que ainda vão conseguindo manter o país a exportar e a trabalhar. Claro, com exploração capitalista, queriam o quê? mas estes investem, enquanto o Estado cobra a tudo e todos para alimentar uma máquina pesada, pouco potente, poluidora e obsoleta. O Estado é um motor de 12 cilindros, alimentado a carburadores weber, numa carroçaria pesada, blindada e pouco preparada para choques futuros.

O Estado através dos socialistas continua a sua escalada comilona. Estão obcecados com a mama dos impostos. Como bons glutões sabem que só engordam pelo saque. Não pela produtividade que continua a baixar e pasme-se: as exportações baixaram, o pib decresceu, tudo em contra-ciclo com a Europa.
Mas temos uma ASAE que não nos deixa cair na pocilga.

PS: Sócrates foi falar ontem não sei onde( isso interessa a alguém ?) e apareceu num palco dentro de um portátil gigante a dizer Toshiba, com um desenho a imitar um Mac.
Aquilo é contrafação, é mau, muito mau!
Porca miséria!! Chamem a ASAE!!!

PS2: António Costa não terá problemas com a ASAE. Já prometeu esta semana ( ver post em baixo) que vai ter uma Lisboa limpa. Não sei como atendendo à imundice por todos os lados, das paredes, às passadeiras, aos buracos nas ruas. Mas vai limpar. Trigo limpo, farinha Amparo. Palavra de Costa.

Lembranças de um paparazzo do salazarismo


Uma noite de breu ainda a luzeira pública era a azeite-queime e os bêbados saíam das tabernas a cheirar a carapaus de escabeche c 15 dias e tinto do Cartaxo feito na Dyrup de Sacavém , ia eu carregar o meu flaxo de magnésio da Spid Gráfik à bomba do Largo do Leão quando vejo surgir mesmo na minha frente um enorme Daimler preto quer parou umas portas à frente e donde saíu embuçado um sujeito, acompanhado por outro menos embuçado que tocaram a uma campainha e esperaram a porta aberta. Com aquele filing que se tratava de figura graúda despachei as 5 coroas de pó de mgnésio e pus-me na cola deles a tempo de entrar na escada que eles já subiam no ronceiro elevador até ao 3º andar e a quatro degraus cada vez chegar ao patamar e ouvir uma voz feminina dizer " Temos passarinhas novas Excelência" enquanto o embuçado descobrindo-se se me revelou ser Salazar e a voz a da Madame Salete uma das mais badaladas gestoras de casas de prostituição de luxo da cidade. E sem hesitar um segundo levantar a Spid e disparei o flashei gravando a chapa que no dia seguinte deu um boneco grandioso do Salazar a ser beijado pela Salete publicado no "Novidades" jornal do Mons César das Neves com o título " O Senhor Presídente do Conselho visita a prima entrevada " e tudo isto nas barbas da PIDE que já nessa altura andava entaramelada numa conspiração para substituir o " botas" pelo "santos costa " negócio que não se veio a efectivar porque o general da Brandoa não arranjou verba suficiente para pagar "as gasosas" aos pides e enfim são histórias ternas do cótidiano faxinante do nosso primeiro dos tempos da outra senhora que era a Dona Maria./ autor anónimo

quarta-feira, novembro 14, 2007

A Micas do Salazar



Sempre me intrigou aquela menina que Salazar abraçava e com quem passeava nas fotografias do Rosa Casaco. A cena tinha qualquer coisa entre um inocente cromo de propaganda, ingénuo, delicodoce, enquanto deixava implícito qualquer coisa mais perversa. Isto numa leitura já muito rebuscada. Mas que era estranho era. Para mim era uma menina de Odivelas que o professor protegia.
O Joaquim Vieira num grande rasgo jornalístico descobriu a menina, agora senhora e, para sorte de todos incluindo ela, está viva. Para dizer como era e contar como é que foi.
A Micas - assim se chama e assim era tratada- é uma figura principal do cenário de Salazar, afinal mais uma personagem a juntar à Dona Maria, que pelos vistos tentou colocar na sombra e no esquecimento histórico a afilhada.
Ouvi-a hoje falar no RCP. É uma das raras e últimas memórias vivas do Salazar, com uma vitalidade, lembrança e eterna dedicação à figura do professor.
Micas falava na rádio da doçura do homem, do seu bom senso e tolerância. Relatou um quotidiano calmo e organizado em S. Bento. Uma vida austera a chá e torradas matinais, cumprindo uma sesta diária e um passeio nocturno pelos jardins de S. Bento acompanhado por Micas, uma companhia confidente para os pequenos e simples desabafos de um homem de Estado.
Era um microcosmos perfeito. Dona Maria governava S. Bento, Salazar a nação. Por perto havia galinhas na capoeira governamental (que Salazar desaprovava mas que fechava os olhos a este capricho da governanta). Por vezes os portões do Palácio abriam-se para deixarem entrar o namorado de Micas que Salazar tolerava. Preferia que a sua menina namorasse
nos jardins ( guardada pela GNR!) do que andasse pelas ruas a namoriscar.

Neste quadro Rosa Casaco aparecia com a sua Rolleiflex e batia umas chapas para eternizar este quadro bucólico e feliz. Perfeito como o 6x6 o permite.
Micas confessava que Salazar se mostrava inquieto com a velocidade com que o Mundo mudava. Inquieto com as modas, os liberalismos, o consumo, a indústria. Resistiu até onde pôde a uma sociedade americana, consumidora. E resistiu ao fim do colonialismo e do sonho de uma pátria imensa, universal. O homem tinha um sonho e moldava-o a partir de uma casa com jardim e galinhas e duas mulheres que foram a sua família, o seu aconchego.

Este lado humano de Salazar é fascinante.

Paulo Pedroso nega manchas nas nádegas

Para ler com atenção, citando o Portugal Diário.

E no Público:

Paulo Pedroso admitiu hoje durante a sessão de julgamento do processo Casa Pia terem existido diligências de António Costa junto do antigo procurador-geral da República Souto Moura e do ex-bastonário da Ordem dos Advogados José Miguel Júdice para que fosse beneficiado no processo, enquanto arguido.

Ouvido durante o dia de hoje na qualidade de testemunha no Tribunal de Monsanto, Pedroso frisou não ter pedido a ninguém que fizesse “pressão” em seu benefício, quando em 2003, na altura vice-presidente da bancada socialista, foi indiciado no processo, do qual acabou por ser ilibado mais tarde.

Questionado por José Maria Martins, advogado de Carlos Silvino, sobre se teria pedido a António Costa para falar com José Miguel Júdice no sentido de "dourar" a sua imagem pública, Paulo Pedroso disse: "o presidente do grupo parlamentar do PS [António Costa] fez diligências junto de várias pessoas e entidades e há uma declaração de cada uma dessas pessoas sobre os conteúdos dessas conversas".

terça-feira, novembro 13, 2007

1GB no Youtube !! Mais nada

Acabo de saber. Aí vai, citando o sempre dinâmico Portugal Diário:

Além de anunciar no seu blog oficial que a partir de agora os utilizadores podem incluir arquivos únicos de até 1GB no YouTube, o popular site de partilhas de vídeos on-libne lançou um programa especialmente desenvolvido para possibilitar o upload de múltiplos vídeos de uma só vez, revela a agência Reuters

O YouTube Multi-Video Uploader, já está disponível para download gratuito aqui.

Embora o tamanho dos vídeos tenha recebido um grande aumento, o limite de duração dos arquivos permanece o mesmo, ou seja, 10 minutos. Ou seja, a partir de agora os vídeos colocados no YouTube poderão contar com uma maior resolução

Quem preferir pode continuar a fazer uploads únicos através do formulário mantido no próprio site. Será, aliás, a única solução para utilizadores Mac, uma vez que, pelo menos inicialmente, o YouTube Multi-Video Uploader só está disponível para Windows.

Prédica ao fim da tarde

Numa única sessão fotográfica, ontem ao fim da tarde, com seis escritores, três eram meus amigos e já não os via há que tempos ! Ainda conheci pessoalmente a Alice Vieira. Tivemos uma amiga em comum, que falava muito dela e do Mário Castrim, a tia do meu filho mais velho.
A fotografia permite estas vivências, o que leva por vezes a questionar-me se sou fotógrafo porque gosto de estar com pessoas ou se fotografo porque gosto da coisa em si. São as duas, pese embora que eu não acho muito excitante a técnica da fotografia (Opto por ter quando posso o melhor equipamento, e pouco, e depois nem quero ouvir falar de máquinas, sensores, raws, e outras minudências que amigos meus fotógrafos adoram. É como ser católico e passar a vida a discutir a pilinha do Menino Jesus).

Nessa sessão estava ainda o Mário Zambujal, com quem me cruzei em 81 no Tal e Qual ( era de facto um jornal de qualidade ao princípio), o José Fanha que devo ter conhecido nas andanças culturais ( não políticas) de 75 e que é arquitecto como eu sem exercer, e o José Jorge Letria que passei a admirar e a ser amigo muito depois daquela sua fase de cantor de intervenção. Ainda me lembro de passar na Praça da Figueira e estar o Letria a cantar " está na hora, está na hora !!", para meia dúzia de gatos pingados à chuva, num comício do PCP. O José Jorge é hoje um escritor notável.
Entre aqueles seis escritores, quatro já tinham sido jornalistas e confessaram não ter saudades. O Fanha, por outro lado, não sentia saudades de ser arquitecto.
Na véspera tinha encontrado o meu colega de arquitectura da ESBAL (79) o Jorge Marecos Duarte que agora é sócio da SP, a nova produtora de novelas. Também não me parece que tenha falta da arquitectura e está empenhado num grande projecto.
Eu fiquei no meio: entre a arquitectura, o jornalismo e muita coisa à volta.

segunda-feira, novembro 12, 2007

António Costa promete ser limpinho

Notícia:
António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), apresentou esta segunda-feira a «Operação Natal» da capital. No Teatro Municipal D. Maria II foram apresentados dois planos de higiene urbana e um de tráfego. «Passeios desencardidos, ruas junto a zonas comerciais limpas, lombas, controlo de velocidade a 50 km/h, passadeiras novas e mais tempo para os peões atravessaram as avenidas» foram algumas das ideias anunciadas pelo autarca.

Comentário:

António Costa está dinâmico com estas promessas. Sendo assim, também espero que a minha empregada me venha prometer que vai passar a limpar o pó à casa, que o meu filho me prometa lavar os dentes e o meu cão se habitue a não fazer cocó junto ao meu Mac. Eu prometo passar a focar as fotos e a tomar banho todos os dias. Tenciono passar a cumprir os limites de velocidade quando levo a família a bordo.
O descaramento é total, portanto. Um presidente de Câmara que vem anunciar com trombetas que vai fazer o que qualquer director de departamento já devia ter feito: manter a higiene em Lisboa. Pelos vistos, nem a higiene mental Costa consegue manter. LC

Pinto da Costa foi ao perdoa-me

A noção de perdão, saber dar a volta a, não guardar ressentimentos é bonito e faz de nós mais cristãos. Eu que tenho por vezes o sangue na guelra, e não me contenho perante situações de estupidez, teimosia e arrogância, acabo por vir dar razão a Pinto da Costa. E ele terá de certeza razão porque é um sobrevivente, um resistente. Quem consegue estar no poder trinta anos, ainda por cima à frente de um clube de futebol cobiçado e invejado, tem de ter qualidades extraordinárias. Digo-o sem cinismo.
A gestão do poder é das coisas mais difíceis. É preciso intuição, bom senso e ter uma grande capacidade de antecipação. É fundamental ter em conta especial a entourage. O controle da matilha é o mais difícil. Eu confesso que não tenho grande jeito, como se tem visto, para líder da classe operática. Falta-me estratégia e malandrice qb. Que se dane. Ora em Pinto da Costa a coisa do poder fia bem. No poder e no outro poder, falo do doméstico, onde o nosso velhadas consegue também marcar golos, sendo que as suas guarda-redes deixam marcar penaltis, faltas, foras de jogo. O velho remata e entra o jingle:" É golo, é golo, e gooooooooooooooolo!".

A notícia de hoje do Correio da Manhã diz que Pinto da Costa antes de casar desistiu de queixas contra a mulher. Uma dúzia para ser mais barato.
Tudo está bem quando acaba em bem.

domingo, novembro 11, 2007

G9 é um encanto

Resisti à G7 mas comprei a G9. A máquina é quase perfeita, embora a Canon não mereça publicidade pelo péssimo serviço que tem prestado aos fotógrafos.

Entre uma M8 optei pela G9. Dez vezes mais barata e que consegue um ficheiro que em nada fica a dever à M8, portando-se muito melhor em situações de luz deficiente e tendo um balanço automático dos brancos fiável, o que não acontece com a M8.
Depois a máquina tem um Menu completamente "friendly" e uma função de autofocus que segue um objecto previamente focado em movimento. A tipa é muito inteligente e é preta como nós gostamos.
A função vídeo é perfeita e permite uns vídeos em qualidade HD. Quer dizer: estou a fotografar e apetece-me filmar a cena basta desviar o botão para vídeo e...REC !

O meu desejo é poder ter uma câmara que me obedeça e me deixe resolver as minhas opções de repórter com fiabilidade. Esta G9 está lá quase. Não é uma câmara profissional mas está lá tão perto que podemos dizer que já não há praticamente diferença entre uma supercâmara e uma câmarazinha para amadores atentos e exigentes.
Não se percebe porque as câmaras topo de gama não têm as funcionalidades destas amadoras. O mesmo acontece com as câmaras de vídeo HD da gama média: resolvem melhor as situações do que as betacam...
Vou disparar com a G9, uma verdadeira G3 para atiradores furtivos.

sábado, novembro 10, 2007

sexta-feira, novembro 09, 2007

Tia Alice de Fátima

Há em Portugal verdadeiras pérolas de cultura, sensibilidade e carácter. Uma delas é o restaurante Tia Alice em Fátima. Há muito tempo que lá não ia por completa impossibilidade, mas ontem no regresso do Porto foi tiro e queda. A decoração e o espaço estão alterados mas para melhor ainda. Manteve-se o estilo, o bom gosto, o requinte, numa atmosfera que preza a tradição rural, sem novos-riquismos, nem tipicismos pacóvios.
A comida continua excelente, também sem modismos. Muito bom.
A família é adorável e o gerente, que lamentávelmente não me lembro do nome agora, é de uma simpatia que já lhe conheço há 18 anos. Ainda por cima é um fervoroso amante de fotografia ( e da Amália) e a prová-lo lá está numa das paredes um retrato enorme de Jorge Molder ( que alguns clientes julgam ser o Sá Carneiro !).
Voltarei em breve a Fátima. À Tia Alice e ao novo Santuário da Virgem que ainda não visitei.
Vai ser uma grande peregrinação.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Olhares sobre a cidade


fotografia de Georges Dussaud

Foi uma conferência de fotografia," Olhares sobre a cidade", a quarta edição de um ciclo sobre fotografia e cinema documental. A fotógrafa e professora Olívia Silva abriu a sessão com um portfolio sobre vendedores de mercados, feito em Hasselblad com poses rigorosas e medidas. Um trabalho antropológico e social comparativo entre o Bolhão e um outro mercado em Inglaterra. Gostei muito.
Georges Dussaud mostrou algumas fotografias da India, Cuba, Lisboa e Porto. Há muitos anos que sigo a obra de Georges Dussaud e sempre achei que tinha muita coisa em comum com algumas fotografias minhas mais pessoais, mais preto e branco. Foi uma alegria conhecê-lo e poder partilhar com ele fotografias e ideias. Muitas das fotos que ele mostrou eu não conhecia e foram mais uma vez uma boa surpresa.
A assistência no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett era muito jovem e interessada, tendo feito no final inúmeras perguntas. Sempre que vou falar para plateias de estudantes fico surpreso pela quantidade de gente interessada em fotografia. Muitos fotografavam, outros filmavam, sentia-se uma saudável inquietação. Muito bom.

A última vez que tinha estado na Biblioteca foi há 5 anos quando lá esteve a minha exposição Lisboa e Lisboetas ( com o Porto por perto). O Porto encanta-me. Sei que é uma lamechice e um lugar comum, mas a verdade é que no Porto nos sentimos bem. Há uma corrente de simpatia e bom viver que não se encontra em Lisboa. E a luz de hoje estava estupenda, Sol baixo, sombra projectada e um calor de aquecer a alma.

Sábado o jornal Público vai trazer um portfolio de Georges Dussaud sobre o Porto a não perder.

No Porto com o Rei Sol

" O bom tempo que se tem feito sentir em Portugal continental vai continuar, pelos menos por mais alguns dias. Segundo as previsões do Instituto de Meteorologia (IM), esta quinta-feira o céu deverá continuar pouco nublado ou limpo, tornando-se gradualmente muito nublado, em especial por nuvens altas, a partir da tarde. Para a noite prevê-se alguma chuva, a única que deverá cair nos próximos dias.

Sexta-feira o tempo voltará a melhorar. As nuvens vão deixar os céus e haverá até uma subida da temperatura mínima."- Diário Digital

O Sol está radiante, não o do arquitecto mas o Rei. O país tem orçamento. Os familiares das vítimas da A23 irão receber 15 mil euros por cada morto das seguradoras, o Sporting aguenta-se, o Natal está a chegar, Santana ressuscitou e fez esquecer o seu governo desgraçado, Pinto da Costa goza a segunda Lua de Mel. Paulo Branco abre hoje um grande festival de cinema no Estoril. Contrariedades ? Há sempre. Mas com este Sol de Outono quem pode ficar verdadeiramente deprimido?

Estou no Porto e vou daqui a pouco falar na Biblioteca Almeida Garrett sobre fotografia de cidades, onde vou mostrar Lisboa e Lisboetas, tendo a meu lado Georges Dussaud, no âmbito de um Festival de Cinema e fotografia documental organizado pelo Politécnico do Porto.

Voltarei ao tema. LC.

Santana ganhou, Sócrates calou

Não percebi porque perdeu Santana Lopes o debate na AR.
Vi-o agora na RTP-N ( estou no Porto, tenho de ser tripeiro TV!) e acho que ele desancou bem Sócrates. O ponto é este: à custa dos nossos impostos Sócrates conseguiu um deficit igual a
2003 ! Brilhante. E consegue colar a ideia aos parolos que está a governar bem. Até Bagão Félix, ministro que eu detestava, veio dizer muito bem que tudo isto é um embuste. Digo eu: somos o país da Europa que menos cresce, menos produz, numa conjuntura em que todos os outros crescem. Se não crescemos em alta quando crescemos ? Não me apetece escrever muito sobre isto, mas é uma situação sem regresso. Tapar deficit à custa de impostos e não de crescimento e cortes na despesa, não é nada sustentável. Vamos ter crise até.... Deus quiser e os portugueses mantiverem esta gentalha no poder.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Israelita ganha National Portrait Gallery

Uma foto de uma mulher violada durante o genocídio de Ruanda, em 1994, do israelita Jonathan Torgovnik, ganhou o Prémio para Retrato Fotográfico da Nacional Portrait Gallery de Londres, no qual também foi finalista a argentina Julieta Sans.Com a instantânea “Joseline Ingabire com a sua filha Leah Batamuliza, Ruanda”, Torgovnik recebeu o prémio de 12 mil libras, cerca de 17 mil euros, da reputada galeria londrina.

Na imagem é possível ver Joseline, uma mulher de etnia tutsi e que foi violada sistematicamente por milicianos, com um olhar triste e abraçada a Leah, ao mesmo tempo que a sua segunda filha, Hossiana, aparece ao fundo, à porta de uma vivenda com paredes de barro.

“Aparentemente este é um retrato de uma bela mulher e dos seus filhos. A sua beleza está aí, mas por trás há algo silencioso e terrível”, disse Torgovnik, cuja obra faz parte de uma série dedicada às mulheres violadas no genocídio ruandês, que ocorreu entre Abril e Junho de 1994 e causou pelo menos 800 mil mortos.

Tugas são porcos todos os dias

Crescemos no meio do esterco e só há poucos anos se tornou rotina o banho diário, a muda de roupa, o perfume, desodorizantes e afins.
Hoje os hábitos de higiene estão mais enraizados na população. Ainda me lembro de na aldeia dos meus pais, Beira-Alta, as mulheres mijarem de pé em cima da palha que servia de tapete para a entrada nas casas que mais pareciam currais. Aliás, ao lado roncava o reco ( o porco) que aquecia a casa e engordava para a matança antes do Natal.
Os putos andavam descalços, ranhozos, e os mais pequenos tinham um rasgo nas calças atrás no rabo para fazerem as necessidades em directo para a quelha.
Os pratos eram lavados na água de lavar roupa e a água do banho servia para toda a família.
Perfume só brilhantina e assim era um pouco por todo o lado. éramos assim: poupados, porcos e aperaltados para a missa de domingo. A promiscuidade era total e ninguém morria. A máxima " o que não mata engorda" serviu como cultura de merda. Hoje não andamos longe, pelo lido no artigo a seguir. LC.

Cerca de um quarto dos portugueses não lava as mãos antes de comer e depois de ir à casa de banho ou contactar com animais, segundo um estudo internacional apresentado hoje, juntamente com uma campanha de promoção de higiene.Realizado em onze países, entre eles Portugal, o estudo do Hygiene Council revela que "45 por cento dos portugueses afirma não lavar as mãos sempre que espirra ou tosse", sendo que um quarto da população portuguesa "não o faz quando contacta com animais, antes das refeições e depois de ir à casa de banho.

Em Portugal, 38 por cento da população acredita que os locais onde há mais germes são a sanita e a roupa suja, apesar de, segundo o estudo, ser nos interruptores, auscultadores de telefone ou comandos de televisão que há maior quantidade de germes.

"Sujamos as mãos em qualquer sítio, mas o fundamental é lavarmos as mãos antes de comer, depois de ir à casa de banho, quando fazemos limpeza na nossa casa ou quando passeamos com os animais", disse à Lusa a pediatra Ana Leça, da Unidade de Infecciologia do Hospital D. Estefânia, em Lisboa.

Para Ana Leça, "as mãos devem ser lavadas com sabão, num período razoável de tempo, palma com palma, dorso com dorso, entre os dedos, por baixo das unhas, de modo a que toda a superfície da palma da mão e do dorso seja perfeitamente lavada, incluindo a região do pulso".
Público/Lusa

terça-feira, novembro 06, 2007

Acidente da A23 mal coberto pelas televisões

O acidente com o autocarro na A23 fez-me lembrar o acidente de Alcafache em 1985.
Eu estava a trabalhar na Nova Gente, tinha chegado a casa do cinema, quando ouvi na RTP uma notícia pouco aprofundada dizendo que tinha havido um choque de comboios. O acidente tinha sido por volta das 17 horas, mas à uma da manhã a RTP pouco ou nada sabia e não tinha imagens para mostrar.
Não hesitei: fui bater ao porteiro que tinha a chave da garagem onde tinha o meu MGB-GT guardado e fui de imediato a caminho de Carregal do Sal procurando o local da tragédia.

As estradas eram desgraçadas naquela altura, não havia auto-estradas, e mesmo assim fiz em duas horas e um quarto a viagem.
Estava escuro como breu, já havia bombeiros e alguns jornalistas no local.
O amanhecer foi terrível: à medida que a luz nascia os corpos iam-se descobrindo entre a neblina matinal e o pó ainda levantado pelo impacto do brutal acidente.

Eu comecei a fotografar. Usava duas Leicas, uma M4 com preto e branco, e uma M3 com uma 21 mm com slide, e ainda tinha uma Nikon FM com negativo cor.

O negativo cor era para a Nova Gente, o pb para mim e o slide para a SIPA PRESS de quem eu era correspondente.
Lembro-me do Luís Ramos a trabalhar para o Expresso e do Alberto Frias para a Associated Press. Por volta das 11 da manhã regressei a Lisboa. Parei em Alcácer do Sal para pedir junto do gerente do meu banco para me deixar levantar dinheiro, pois não tinha saído com verba. Ele acedeu em me deixar fazer uma espécie de vale.
Às duas da tarde estava já no Aeroporto da Portela à procura de um passageiro que me levasse os filmes para Paris para de seguida um estafeta da agência os recuperar em Charles De Gaulle. Nesse tempo ainda se podia mandar encomendas por passageiros desconhecidos!
Na Nova Gente o patrão Jacques Rodrigues ficou contente com a minha rapidez em ter ido logo, o que possibilitou ao Rui Camacho, pai do Paulo Camacho, então chefe de redacção, publicar 5 páginas com grandes fotos e um texto meu para a edição da semana.

A RTP tinha feito um trabalho vergonhoso só tendo dado imagens na manhã seguinte, tarde e más.

Passados todos estes anos, quando se fala tanto de jornalismo do cidadão e das ferramentas multimédia que possibilitam a notícia instantânea através de telemóveis e computadores portáteis ( veja-se o que está a fazer a Nokia com o N95 e a Reuters), passados estes anos, as nossas televisões precisaram de mais de 5 horas para darem uma imagens tremidas de um acidente a uma hora de Lisboa.
À meia noite na SIC-N estava um jornalista a falar ao telefone como se estivesse noutro planeta ( porque na Terra já há satélites em todo o lado!) a dizer banalidades e de imagens...nada. Apareceram umas imagens em pescadinha, não montadas, desfocadas e tremidas.
Infelizmente não avançámos muito desde os tempos rudes de 1985. Pensamos que avançámos mas na hora verificamos que não estamos mais ágeis, menos burocratas, mais profissionais, embora tenhamos agora a tecnologia toda do nosso lado e a custos baixos.
Como jornalista,digo isto com imensa mágoa.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Ganda nóia de reforma para Marques Mendes

Não perdeu tempo e meteu logo a papelada para a reforma. Derrotado pela populaça PPD-PSD o líder rejeitado não hesitou: a reforma já a canta e um empregozinho em energias renováveis ( eu não vos dizia que ia ser o negócio do século ?) já factura. Pode ser que ele use a tecnologia das energias também na política renovável. LC


MENDES MAMA 600 CONTOS DE REFORMA

Enquanto José Sócrates cumprimentava Durão Barroso e dizia «Porreiro, pá!», Luís Marques Mendes pedia a reforma vitalícia a que tem direito pelos muitos anos que serviu como deputado na Assembleia da República.

A informação foi confirmada ao PortugalDiário pelos serviços da Assembleia, numa nota enviada pela adjunta da Secretária Geral, Maria do Rosário Boléo. Precisou que o «Senhor ex-Deputado Luís Marques Mendes, em 07.10.19 solicitou a atribuição da subvenção mensal vitalícia, prevista no artigo 24º da Lei nº 4/85, de 9 de Abril, com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 25/95, de 18 de Agosto e 3/2001, de 23 de Fevereiro, atento o que dispõe o artigo 8º da Lei nº 52-A/2005, de 10 de Outubro».

Ou seja, tudo dentro da lei, sabendo-se que o valor da pensão é calculado à razão do vencimento base correspondente à data da cessação de funções do cargo em cujo desempenho o seu titular mais tempo tiver permanecido, por ano de exercício, até ao limite de 80%. O vencimento bruto de um deputado é de 3.631,39 euros. 80 % desse valor é 2905 euros sujeitos a impostos.

Falaram-lhe de Céline e Sarkozy pirou-se

Se ainda acham que Santana Lopes foi intempestivo na SIC-N, vejam esta debanda de Sarkozy ao 60 minutos.

Ana Maria tem de trabalhar sem se poder mexer

Esta notícia do sempre activo Portugal Diário, que o fatal usa em RSS, traz esta notícia desgraçada. Irrita-me estar sempre com postagens destas mas elas vêm ter comigo e deixam-me indignado. Os governos não podem controlar cada repartição pública mas anteriormente estas tristes e graves cenas não ocorriam em Portugal. Só podemos inferir que há burocratas a trabalharem em excesso de zelo. A cãozoada não perde oportunidade para dar uma de voz do dono. É o Portugal mesquinho e medíocre. LC.


NEM SE MEXE MAS TEM DE IR TRABALHAR

Uma funcionária pública, que estava de baixa há três anos, regressou hoje ao trabalho por ordem da Caixa Geral de Aposentações (CGA), mas vai cumprir o horário laboral encostada a uma parede dado que mal se consegue mexer, escreve a Lusa.

Depois de uma operação mal sucedida a uma hérnia discal, em 1998, Ana Maria, 43 anos, não consegue hoje escrever, nem virar uma página de um livro ou jornal, abrir uma porta, pegar numa pasta, andar mais de 20 metros sem ajuda ou ir à casa de banho sozinha.

«Venho para aqui fazer sala e, mesmo assim, vamos ver quanto tempo aguento nesta posição», disse Ana Maria Brandão depois de, com muito custo e com a ajuda do pai, ter conseguido subir os cinco degraus que dão acesso à Junta de Freguesia de Vitorino de Piães, em Ponte de Lima, onde é funcionária administrativa.

Equipada com um colar cervical, que é obrigada a usar dia e noite, uma braçadeira no braço direito e uma cinta lombar, Ana Maria escolheu uma cadeira dura, de madeira, e bem encostada à parede, onde se sentou e onde prometia permanecer «o mais quietinha possível», para minimizar o seu sofrimento.