domingo, agosto 31, 2008

Onze anos depois da morte de Lady Di


Passaram ontem 11 anos sobre a morte de Diana de Gales e a RTP mostrou de novo um excelente documentário feito à volta dos fotojornalistas e da forma como cobriram ao longo dos anos a vida da Di. Nunca uma figura pública teve o privilégio de poder contar toda a sua vida em imagens. Para cada fase da sua vida (e foram muitas) há uma fotografia que se transformou num ícone.
A relação da Princesa com os fotógrafos era, ao contrário do que se fez crer, cúmplice, clandestina e por vezes cínica.
Poucas personalidades conseguiram ter a imprensa ao seu lado, fazendo girar uma máquina de marketing e interesses como Diana o soube fazer.
Os dias que antecederam a sua morte, passados no remanso do Mediterrâneo, na companhia do novo namoradinho e do seu ex-futuro sogro, um personna non grata perante a família real, foram aquilo que os fotógrafos disseram no documentário "uma loucura total" a partir do momento que o porta-voz da Al-Faed reconheceu que era Diana que estava com o milionário.
Os fotógrafos alugaram iates e helicópteros para darem uma cobertura total ao acontecimento mais escaldante dos últimos anos.
Se a tragédia do Túnel de Alma aconteceu deverá ter sido ao facto de várias circunstância se terem cruzado na instante errado. Mas a persistência dos fotojornalistas naquela noite teve muito a ver com a intolerância e burrice do namoradinho que pensou poder trocar as voltas a um grupo onde estavam alguns dos mais experientes fotorepórteres do Mundo.
As fotografias acabaram por ser feitas a bem ou a mal e o nervosismo que se gerou acabou por criar um clima tenso e infeliz propício a um desfecho brutal e estúpido.
Passados 11 anos mantêm-se muitos mistérios sobre aquela noite, mas há uma certeza: os fotógrafos fizeram aquilo que pura e simplesmente tinha de ser feito.

A conversa da treta que os fotógrafos invadiram a privacidade, a lenga-lenga políticamente correcta sobre a privacidade das figuras públicas é argumento estafado. Só os ingénuos e alguns sacristas podem acreditar que a pobre princesa detestava aparecer e que estava num sítio tão escondido como o Mediterrâneo ou o Ritz de Paris e que os malvados jornalistas a quiseram fotografar.

sexta-feira, agosto 29, 2008

PORTUGAL MAIS SEGURO. GUARDAS FLORESTAIS JÁ PODEM DISPARAR CONTRA OS PARDAIS

Rui Pereira acaba de autorizar os guardas florestais a usarem arma no exercício das suas funções. (notícia Portugal Diário).

Se todo o bicho careto usa e abusa da arma, se só não dá tiros quem não quer ou não pode, porque não haveriam os guardas florestais de poder usar uma armazita ? Esperemos que não se entretenham nas muitas horas vagas a dar tiros aos pardais....

A mentira do Ministro Rui Pereira

Depois da crise...a violência. O ministro Rui da Administração Pereira Interna acaba de ser apanhado na mentirola pelo Dr. Portas, que na oposição tem graça e torna-se útil: é o único a fazer oposição verdadeira. Desde que não brinque aos submarinos a sério e desde que o seu ex- ministro das finanças Lampião Félix não se entretenha a castigar a classe média em impostos (é bom não ter a memória curta meus caros!) Portas dá juz ao Paulo.
Ora o nosso chefe supremo das polícias (foi ele que deu autorização para os GOE apertarem o gatilho no assalto ao BES!) armado em bom, veio dizer que entraram 4400 polícias novos, maçaricos em rodagem. Esqueceu-se de acrescentar, e depois recusou-se a responder aos jornalistas, que tinham nos entretantos saído 4600 para a reforma. Genial!
Este homem já tinha lançado no pântano o engenheiro Guterres: sim foi ele que impôs a célebre taxa dos 0,5% de alcoolemia para os condutores, tendo posto o país da tolerância em polvorosa. Foi o Carnaval de Guterres. É bom ter alguma memória meus caros, repito.

O ministro tem uma total falta de ha-bi-li-da-de política e é de uma total inoperância. Recorre agora às operações STOP- espectáculo, com aquela porta voz loira da PSP armada em Judite de Sousa da bófia. Cada um tem a loira que merece. A PSP tem a Paula Marcelo ( será Marcelo?).
O governo vai pagar caro a rebaldaria legislativa e policial. O novo código tem aquela nuance que ninguém pode provar mas que feito o exercício revela que a sua alteração beneficiaria em grande as "vítimas" encarceradas do processo Pia.
Os juízes ficaram danados com a aprovação do novo código, avisaram antes que seria um buraco, como estão também em luta contra o governo decidiram fazer uma aplicação de zelo. Resultado: quem é apanhado aos tiros, na ladroagem (não na roubalheira!), na violência, acaba por voltar tranquilamente para casa a aguardar o julgamento...um dia de S. Nunca à Tarde.

Aquele tipo que foi filmado aos tiros de caçadeira no meio da Avenida da Quinta da Fonte nem sequer foi incomodado...mas o esperto em segurança interna quer penalizar quem não usa licença de porte de arma.

Diálogo entre maninhos encapuçados:

- Meu não dá...não tenho licença de porte de arma para assaltar o caixa da bomba...ainda sou multado!
- Tá na tranquila a matrícula do Audi fanado ainda não tem chip..tá-se bem.
- Eh pá! Ainda bem que lembras-tes se já tivesse chip não íamos roubar o avião.-
- E há outra merda meu: como vamos justificar à ASAE se formos apanhados com os cd's piratas que o sacana do dono do carro traz na gaveta do cd?
-Isto tá mali e mali. Só aquele ministro da justiça ainda nos defende. Até aquele Magalhães que deu o nome ao computador quer pôr câmaras do big breda em cada esquina. Além de termos de ter cuidado com a nossa imagem, ainda aparecemos a roubar na TVI e nem cachet nos pagam!
- Olha vamos mas é limpar mais um enquanto os polícias estão no estádio da Luz a tomar conta da bola!!!
-Boa. Com 1 polícia por cada 1200 almas era muito galo passar um no instante do assalto. Era fatal meu, era fatal !!!!

Portugal: o Brasil da Europa?

Tal como os incendiários de há 3 anos, os ladrões decidiram agora experimentar a celebridade. Os assaltos, roubos, assassínios em catadupa mostram como Portugal tem vivido na maior das impunidades.
As fronteiras estão escancaradas, o controle à entrada do Espaço Shengen flexibilizado, os juízes aplicam com brandura o novo código penal (que beneficia os malandros que deviam ficar logo atrás das grades)...o rosário de baldas podia continuar.
A nossa polícia gosta de se pôr atrás das moitas a multar automobilistas aceleras, gosta de pôr os bêbados a soprar para os balões, a ASAE entra de metralhadora em lojas de pacatos comerciantes, os fiscais das Finanças penhoram ordenados por causa de vinte e cinco tostões, a tolerância zero para os cidadãos de bem tem o reverso: os ladrões e malandros nunca tiveram tanto a vida facilitada.

Não se preveniu mas muito menos se reprimiu. Os subúrbios das grandes cidades são um anel de marginalidade e os centros de cidades como Lisboa tornaram-se guetos onde a droga, a prostituição sórdida, a violência infantil e doméstica ficaram sem controle.
O Estado marimbou-se. A Polícia perdeu dignidade, os polícias foram humilhados, tiraram-lhes regalias e meios, em contrapartida permitiu-se que houvesse essa aberração social que é os polícias serem sindicalizados e pior: virem para a rua em desfiles de palhaçadas indignas da farda que usam (e pagam!!).
O Ministro da Justiça é um recalcado de esquerda que detesta polícias e o ministro das polícias um retórico incompetente.
A operação de marketing feita desde ontem com cercos às quintas (não das celebridades e da Lili!!!) mas às quintas da vida real, com repórteres experientes de TV a fazerem figuras patéticas de ursos, a relatarem que há um polícia à esquina e um helicóptero no ar...bom isto é ridículo.

Depois a história do chip nos carros de Cavaco, as câmaras nas esquinas....quer dizer: havia câmaras nos tribunais, nas bombas e nos bancos assaltados. Resolveram ou evitaram alguma coisa? É impossível a polícia estar em todo o lado.
Temo que esta onda violenta não pare. E que o país se transforme no Brasil da Europa. Podem fazer marketing, operações stop e envolverem os media. Se eu fosse ladrão só me ria. Portugal está um paraíso para a ladroagem e agora que a coisa está na moda...esperemos para ver.
Para complicar tudo a nova lei da segurança interna, aprovada pelo PR, com fusões e contas de sumir vai desmobilizar ainda mais os polícias, criar mais confusão, dar mais guita aos ladrões.

Bem faz a Sra. Leite: fica calada para os ladrões não lhe fazerem o que fizeram ao escritório do porta-voz do governo Vitalino Canas. Eheheheh!!!!...

quarta-feira, agosto 27, 2008

Lili Caneças multimédia dá polémica

Lili Caneças fotografada por Luiz Carvalho ( clique na foto)

Pois. Lembro-me de ouvir o Luíz a defender com unha e dentes o fotojornalismo como uma coisa onde se está de corpo e alma e de sentido apurado constante sem deixar disponibilidade mental para outras coisas... como o vídeo.
Isto a propósito do profissional da fotografia já estar a ser “obrigado” a fazer também a reportagem em video (ou pelo menos a pensar que afinal já não tem outra solução senão rapidamente pode ser dispensado, sim porque a qualidade fotográfica isso fica para segundo plano, como se soube recentemente como por vezes se fez e quem fez a edição fotográfica do “Público” por exemplo).

Bem o tempo passa e as pessoas podem mudar de opinião. E ainda bem.
Por mim mantenho-me agregado apenas à fotografia, sempre que tenho de fazer algum trabalho de reportagem.

Mas que as fotografias publicadas na revista me parecem fotogramas retirados do video, lá isso parece-me. Parece tudo muito igual. Ao ver o vídeo ou ver as fotos, vê-se que é a mesma coisa. Tá tudo muito colado. E eu penso que a fotografia e o vídeo têm linguagens diferentes. Eu não conseguiria fazer as fotos e dizer à pessoa (neste caso), repita lá esses movimentos para poder filmar agora em vídeo. Mas claro que eu sou “verde” nestas lides e só pratico fotojornalismo light.
Acredito que se houvesse um profissional a fazer fotografia e outro a fazer o vídeo que o trabalho sairia muito mais rico.

E essa coisa do tipo da imagem poder fazer tudo (video, foto, som em stereo, etc) é uma realidade que o poderio económico nos quer fazer passar como sendo a melhor coisa que nos poderia ter acontecido.
A nós, claro e a eles muito mais. Assim poupam milhares e vêm os seus largos bolsos a encherem-se cada vez mais. E aqui andamos nós todos contentinhos com esta possibilidade que a técnica nos dá que é poder fazer tudo sozinho. One man show.

(É confusão minha ou há uma figura da TV que diz na reportagem “não tinha mais máquinas para trazer?”)

Quanto à Lili, acho que toda a gente pode ser tratada jornalisticamente em qualquer órgão de comunicação social desde que de forma digna e profissional. Quem lê a reportagem que tire as suas conclusões.

Abraço

Paulo Sousa


Não respondo por princípio aos comentários. Mas não resisto a fazê-lo tendo em conta o comentário de cima ser do Paulo Sousa, meu ex-aluno num curso de fotojornalismo do Observatório de Imprensa. O Paulo é um fotógrafo aplicado e de qualidade acima da média, uma pessoa séria e que gosta do que faz.
Gostava de dizer o seguinte, embora me esteja a repetir:

A minha posição sobre o fotojornalismo e o exercício do mesmo não mudou. Contínuo a achar que devemos tudo fazer de corpo e alma. O fotojornalismo exige também essa disciplina. Mas essa postura de princípio não pode ser dissociada da nossa realidade. Trabalhamos para os leitores, para o patrão e nada faz sentido se não entendermos que as nossas fotografias de nada valem se não forem capazes de contar histórias e de surpreenderem.
Hoje não trabalhamos para um jornal. Trabalhamos para uma marca que distribui notícias em formatos diferentes, suportes vários e em tempos diferentes. A marca Expresso (por exemplo) tem um semanário, um on-line, mensagens nos telemóveis, um canal de TV ( o grupo onde pertence) e emissões in-door. Poderá ter um dia uma rádio e um diário. Portanto, o trabalho de um jornalista tradicional nem sempre se coaduna com uma redacção multimédia.

Os tempos mudaram. As ferramentas digitais permitem de uma maneira espantosa a convergência da fotografia, com o vídeo, o audio.
A Magnum foi a primeira agência de fotojornalistas (ortodoxos!) a perceber que a forma de mostrar fotografias mudou. O site inmotion é um bom exemplo de como o fotojornalismo manterá a sua essência ( linguagem, técnica, olhar e atitude) mas a forma de mostrar as fotografias passou a ter também outros formatos.

Nunca ninguém me obrigou a fotografar, a filmar e a escrever ( e a conduzir!)ao mesmo tempo. Esta ideia já a pratico há mais de vinte anos. E não se trata de fazer melhor ou pior uma coisa, trata-se de eu gostar de usar vários meios para me expressar (decerto o farei melhor em fotografia porque é aí que concentro mais o meu trabalho).

A ideia de que um "repórter de imagem" faria melhor ao meu lado é errado. Tenho feito algumas reportagens nesse registo e posso dizer que uma equipa de reportagem de TV só atrapalha e, aí sim, é que o trabalho do fotógrafo é perturbado.
Claro que há trabalhos em que não é possível convergir as plataformas. Há outros, quando os tempos se podem desmultiplicar e não são simultâneos em que se pode filmar, fotografar, escrever e...namorar!!!

O meu vídeo da Lili é um material diferente das fotografias. primeiro: foi editado por mim, filmado e escrito por mim. Tem uma intenção clara, tem declarações que não aparecem nas fotos. É outro olhar e até diferente das fotos, embora sejam planos semelhantes, porque sendo eu que ali estava era natural que fossem aqueles os ângulos. Nas fotos não há travellings, panorâmicas, fades, dissolves, é uma linguagem diferente. Nas fotos haverá charme e ironia, no vídeo há um lado voyeurista e felliniano totalmente diferente.
O Paulo fica pela ramagem e não vê a floresta. E sobretudo está cheio de preconceitos: tem uma ideia sindicalista (fotógrafo dispara, operador filma, redactor escreve) e uma postura corporativa: os fotógrafos são uma classe à parte.
Ora um dos males dos fotógrafos de imprensa é que ao acharem que só devem saber fotografar acabam por ficar reduzidos a meros bate-chapas. Conheço fotógrafos que se recusam a escrever legendas, editar fotos no photoshop, não sabem escrever o curriculum e têm raiva a câmaras de vídeo, telemóveis, net e afins. Vivem no passado.
Repito: não defendo os faz-tudo e até reconheço que há uns espertalhaços (parece que está a acontecer na Lusa) que acham que os fotógrafos são umas mulheres da limpeza para varrerem tudo a fotos e vídeo. Mas isso são os mediocráticos. Temos de lutar contra a mediocridade mas devemos estar abertos a entendermos os novos meios que temos à disposição para melhor nos expressarmos.
Por vezes uso a Leica, outras reflex, outras grandes teleobjectivas outra câmaras de vídeo, outras escrevo...não devemos estar formatados. mas respeito quem só quer e sabe fotografar e o faça com pica.
Mas também acho que tal como não é possível a um bom arquitecto projectar sem ter noções avançadas de engenharia e outras disciplinas, também acho que fotografar engloba um conhecimento amplo do jornalismo. Acaba por andar tudo ligado.
O fotógrafo que não sabe de nada e é um jeitoso das fotos parece-me ridículo, e inútil, nos dias de hoje.
É um debate que não vai ter fim....

Luiz Carvalho

PS: A Nikon anunciou hoje uma reflex profissional que também filma em HD

Onde Portugal acaba e o céu começa

Foto de Luiz Carvalho,terça 26, 18h 40m, Serra da Estrela
O velho Range Rover do Joaquim Fernandes, guia há 15 na Serra da Estrela, chega cansado e quase a ferver ao cimo, onde Portugal acaba e o céu começa. Saímos e sigo o Joaquim equipado com os seus ténis de tracking, mochila, garrafa de água e chapéu de palha. É terça-feira, há horas portanto, e não se vê ninguém na Serra a não ser um ou outro par de namorados ou reduzidas famílias. Vamos caminhando para longe da estrada. O Joaquim propõe-me um caminhar de 20 minutos para eu conhecer as salgadeiras da serra- as lagoas naturais- e para eu o poder enquadrar numa fotografia que se pretende poderosa para o Expresso.
Adoro andar a pé mas confesso que só de pensar que há uns tipos que o fazem por ser moda, politicamente correcto e o pratiquem como uma promessa a Fátima me leva a rejeitar convites de andar a pé. Depois acho que é uma estafadeira para andar a ouvir conversas de grupos, aturar disciplina de grupo, fazer o que todos querem...fico pois sempre de pé atrás. Na pior das hipóteses acampam e contam anedotas à noite ou pior: jogam às cartas!...
Hoje, no entanto, o curto passeio com o Joaquim foi magnifico, uma experiência que quero repetir.
É comovente estar num sítio onde o silêncio é absoluto, só se ouvem rãs. A paisagem está virgem e não há ao redor de muitos quilómetros a perder de vista uma violação do Homem à paisagem. Desde que o povo não passe não há fraldas descartáveis, plásticos, dejectos, merda.
Quando conseguimos atingir este grau zero, grau zen (!), que queremos mais de um dia assim ? Que mais podemos desejar da vida, depois de um momento eterno desta natureza ?

terça-feira, agosto 26, 2008

Lili Caneças, o outro lado de uma socialite (parteII)



Dedico este post aos meus amigos que ficam escandalizados por pouco. Fazer uma reportagem sobre a Lili Caneças, a Dra. Manuela Eanes, a Soraia Chaves ou sobre os Frades da Cartuxa, ou a Dona Eunice, nada tem de moral ou de mais ou menos condenável. O jornalista conta histórias sobre tudo e a forma de o fazer não é indiferente. Há muitos anos a Clara Ferreira Alves teve a coragem de fazer uma reportagem na Revista do Expresso sobre um concerto do Júlio Iglésias no Casino Estoril. O texto era magnifico e tornou-se num case study do jornalismo.
Há mais de dez anos foi a minha vez de fazer uma reportagem com a Felícia Cabrita, muito semelhante a esta agora feita com a Lili, sobre a vida real da cantora Ágatha. Na altura muitos puristas do jornalismo dos anos setenta ficaram muito indignados com a ousadia do Arquitecto Saraiva em ter feito capa com uma foto minha da cantora em calções justos, collants pretos, botas altas, em cima do capot do seu belo Mercedes 300 SEL descapotável branco, com o seu lulu ao lado.
Não percebo como se podem indignar tanto com as fotos e o vídeo da Lili Caneças: retratam uma realidade social, dão a ver um clima que os leitores nem sempre vêem. A ideia preconcebida que as figuras públicas ou são tontas,ou ricaças, pindéricas e que na intimidade são o que dão a ver em público é um mito.
O Professor Cavaco é de uma simpatia natural em privado, o General Eanes conta anedotas, o Dr. Soares larga uns palavrões, o Dr. Paulo Teixeira Pinto de uma sensibilidade e educação cativantes, a Dona Agustina depois de uma entrevista sobre literatura preferia comentar o concerto do Marco Paulo no dia anterior na RTP. O filósofo Fernando Gil antes de uma entrevista para o Expresso em Paris teve uma discussão de automobilista que ia acabando ao soco. O ex-inspector da PIDE Rosa Casaco falava de música clássica, fotografia e dava dicas sobre charutos e nem queria ouvir falar de polícia.
O trabalho com a Lili Caneças foi para mim muito agradável, dos melhores que fiz na minha carreira. Perceber que por detrás de uma figura estereotipada há uma mulher que pensa, sabe o que faz e que tem consciência do seu papel é notável.
Só os pobres de espírito que têm uma visão mesquinha, medíocre e curta da vida podem ficar chocados com esta reportagem. O problema é que as pessoas levam-se demasiado a sério e levam os outros demasiado a sério. Sentido de humor: zero. O que é revelador de falta de inteligência e de prazer em viver a vida.

Ora, uma das coisas mais fascinantes na vida de um repórter é o de poder estar dentro da trama. Ver e dar a ver sem preconceitos e respeitar o que vê, embora o possa fazer com ironia e sentido de humor.
Fico muito desiludido com aquelas bocas de que o fotojornalista não é repórter de imagem...primeiro acho esse termo repórter de imagem repugnante. Há jornalistas visuais que usam câmaras para contar histórias. Ponto. Vivemos numa época multimédia, acabou a fotografiazinha para o jornal da paróquia, o colete a armar ao fotógrafo, a parafernália ridícula das mochilas e dos cintos carregados de material fotográfico. A minha G9 fotografa e filma e portanto nem sequer uso câmara de vídeo para filmar. Uso a máquina fotográfica para filmar, vídeos curtos para publicar na net com quase a totalidade dos clips filmados usados na edição final. Não há tripés, nem nada. Simples. E filmo depois de ter fotografado, depois de ter assegurado as fotos. Podia ir fumar ou beber um copo, prefiro tirar a G9 do bolso e fazer uns planos que na minha cabeça já sei como vou montar. Não limito a minha comunicação à fotografia, embora seja o meu meio preferido. Escrevo, filmo, fotografo, edito tudo ou não.
Robert Capa, Cartier- Bresson, William Klein, Robert Frank, Raymond Depardon, Augusto Cabrita já o faziam. Portanto vamos lá ter calma e acabar com os pseudo-purismos fotográficos e mais grave: com os preconceitos e formatação. Recuso-me a ser um fotógrafo formatado. Sorry.

Claro que quem não sabe foder até os tomates atrapalham!....

domingo, agosto 24, 2008

O inferno do Chiado foi há 20 anos


Já passaria da meia-noite do dia 25 de Agosto de 1988 quando eu desci o Chiado com uma amiga depois de um jantar no Bairro Alto. Desci a pé a caminho da minha casa na zona do Intendente. Passadas horas era acordado pela rádio a anunciar um grande incêndio que devorava já os armazéns do Chiado. Meti-me a correr na minha mota, cheguei ao Rossio, estacionei frente à livraria do DN. Vi logo o António Pedro Ferreira e o Fernando Peres Rodrigues que já tinham começado a fotografar.
Subi a Rua Garrett, sem saber para onde me virar, sem saber o que fotografar. Tudo ardia. Estava com uma Leica M3 e uma 21 mm, uma Leica M4 e uma 35mm e com uma Nikon FM com uma 85 mm. Todas tinham filme negativo cor, penso que a Nikon estava com slide. A confusão era total.
À minha frente via arder um património que sempre foi a minha referência lisboeta. Onde passei anos a estudar a caminho das belas-Artes e a conviver com amigos.
As patetices de Krus Abecassis em querer transformar uma rua movimentada com gente e carros num passeio público com bancos, já então essa teoria idiota de que as ruas das cidades devem ser passeios e não artérias de circulação, contribuíram também para o desastre. E depois a ideia de convidar Siza Vieira para fazer o projecto (uma garantia que a esquerda ia ficar satisfeita) foi outro grande erro.
A reportagem da RTP foi miserável. Os directos só começaram à tarde e com uma câmera colocada perto da Brasileira, muito longe do centro do incêndio. Na altura para a RTP fazer um directo eram precisos meios pesados, a RTP era uma estação desactualizada sem meios rápidos e ágeis para fazer directos. Ainda era possível à imprensa trabalhar à vontade, sempre em cima do acontecimento, sem ser chateada pela polícia.
O Chiado esteve paralisado mais de 10 anos, entaipado, adiado. Só há pouco tempo renasceu e com pujança. Embora o projecto de Siza seja um absurdo que não contemplou estacionamentos para os novos habitantes, nem zonas de comércio, nem escolas. Fez um projecto cinzento, triste, que tem proporcionado zonas cegas e inúteis, propícias ao vandalismo e permitiu crescer um tipo de construção em condomínio que levou para a zona uma população elitista sem contributos para a vida social do bairro.
Com todas as limitações o Chiado, graças aos parques de estacionamento mandados fazer por João Soares, é hoje uma zona acessível, cara, mas de um fascínio urbano único.
É a das zonas do Mundo que mais gosto. E a Casa Havaneza fica ali a matar atrás do Pessoa.

Miss Freira em Itália


"Sister Italia", o concurso que elege a freira mais bonita
Requisitos: ter entre 18 e 40 anos, ser freira ou noviça e enviar uma fotografia “bonita e expressiva, que mostre a beleza [da candidata] tanto no plano estético como no plano espiritual”. Os dados estão lançados. Um padre italiano, Antonio Rungi, está a organizar o "Sister Italia 2008", o concurso que pretende eleger a freira mais bonita de Itália e, simultaneamente, acabar com a ideia pré-concebida de que só se entregam a Deus as mulheres feias./ Público

Leite cala, Branco fala

A doutora Leite não pia mas manda piar um seu sub, o regressado de férias José Pedro Aguiar-Branco. Num tom próximo daquele que Meneses usava e abusava, isto é, num pseudo-dramatismo dos aflitos, veio pedir a demissão do ministro da administração interna. Há pessoas que quando regressam de férias armam entradas de Leão...o pior vão ser as saídas de sendeiro.
A presidente Leite não fala.
Já lhe chamam a Maria Silenciosa (excelente título num excelente texto do meu colega Filipe Santos Costa). Disse zero à lei do divórcio do PS. Para quê gastar saliva ? Cavaco falou por ela, pelo PSD e pelos reaças da Nação. A senhora não fala, não vai a comícios, não liga aos pobres do partido, detesta populaça, no fundo detesta política. Só que alguém sonhou que ela por não dizer nada, mas apenas fazer contas muito bem de sumir, dava uma boa Salazar de saias. O resultado vai ser mais desastroso para o PSD do que se lá estivesse o homem de Gaia. Este ao menos ainda somava os votos dos populistas. A Dra. Leite vai somar os votos dos zombies políticos. Uma desgraça.

O que o PSD não diz, muito menos o ministro da Justiça de Santana, é que muita da violência que agora está a explodir como um vulcão social, que há muito estava adormecido, tem tudo a ver com as política sociais, de imigração e de policiamento dos governos PSD, nomeadamente do de Durão e da sua ministra Leite. Depois o PS nunca apostou numa polícia eficaz, moderna e bem equipada. Acordou há 1 ano e até tem feito alguma coisa. Sócrates preferiu polícias a multar a classe média a ter a polícia a seguir ladrões. Tiens: aí está a fúria dos subúrbios, a revolta dos pobres e dos malandros.
Vai ser difícil contornar esta violência. Nem com um bófia em cada esquina. Nem com o ministro a cantar:" cidadão amigo, traz outro polícia também!"

sexta-feira, agosto 22, 2008

Lili Caneças, o outro lado de uma socialite

Uma reportagem de Luiz Carvalho. Eu atrás da socialite durante uma semana deu isto e o resto que virá na ÚNICA do próximo sábado.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Estávamos à beira do abismo. Nelson Evora deu um salto em frente

Portugal estava à beira do abismo. Nelson Évora deu um passo em frente. Obrigado Nelsinho!!!

Está salva a honra da Pátria ! Ganhámos um medalhão de ouro, melhor e mais fresco do que as pepitas bulorentos do Dr. Salazar. Ouro suado e com muito speed.
Nelson Évora mostrou a sua garra, fez um esticado salto. E se o ego luso estava com o ralantim baixo, agora o ponteiro está no vermelho do contentamento. Até o Queiroz deu um cheiro de optimismo com a cabazada de golos aquela equipa daquela ilha que não fixei o nome, embora não haja nisto nada de arrogância. Com o país a crescer 0,4, o Évora a saltar para lá de um metro e setenta, com goleadas a equipas de tansos, ainda vamos ganhar a Volta a Portugal em Bicicleta.
Luis Filipe Vieira até filosofou: são estas vitórias que fazem de um país pequeno um país grande!

E afinal parece que o demitido Presidente do Comité Olímpico já repensou em não se demitir. O que é notável: o que ontem era um fracasso total passou a ser uma coisa monumental. Para a próxima apostem num só cavalo. Poupamos mais e evitamos cenas lastimáveis como o Comité Olímpico deu.
Foi bom ganharmos ( quer dizer ganharam as pernas do Nelsinho). O pior vai ser ter de aturar as bujardas dos habituais tipos que vivem à custa disto tudo.
O pior vão ser os efeitos colaterais!

Divórcio separa de vez Sócrates de Cavaco

Está feito: impossível a coabitação pacífica entre Cavaco e Sócrates. O divórcio adiado, o casamento de conveniência faliu. E foi abaixo por causa....do casamento, melhor: da lei do divórcio.
Cavaco e Sócrates podem fazer um esforço para se entenderem mas há temas de rotura que são impossíveis de conciliar. Quando há uma fronteira clara entre dois conceitos de sociedade, entre a esquerda e a direita, aí o caldo entorna.
Foi o que aconteceu agora: Cavaco que é um conservador empedernido nunca aceitaria a lei do divórcio de Sócrates porque é uma lei que traz consigo uma ideologia, um modo de viver, onde a esquerda sempre bebeu.
Para a direita o casamento é um contrato, para a esquerda uma cumplicidade afectiva.
Onde a direita vê herdeiros, a esquerda vê o direito de quem ganhou a herança a trabalhar.
Para a direita o casamento é para procriar e fazer família, para a esquerda o casamento é cumplicidade, solidariedade e acaba quando tem de ser.
Onde a direita vê drama na separação a esquerda vê naturalidade e alívio.
Onde a direita quer chantagem, a esquerda quer tratamento igual entre conjugues.
Onde a direita vê culpado ou pecador, ou pena, a esquerda vê com naturalidade a mudança da vida.
Impossível Cavaco poder algum dia estar de acordo com Sócrates neste campo moral.
O Primeiro-Ministro pode ser conservador quando toca a sacar dinheiro à Classe Média (embora o PSD e o PP quando estiveram no poder tenham sacado ainda mais!) mas quando estão em causa princípios e comportamentos Sócrates é um esquerdas.
A intervenção de Manuel Alegre (que tem falado muito com Sócrates) contra Cavaco, num tom vigoroso e de total afronta, vem anunciar que o PS já tem candidato às presidenciais e que Sócrates joga já em dois carrinhos: Alegre para juntar a esquerda e ele Sócrates para atrair o centro.
Com a Santa Padroeira calada que nem uma Nossa Senhora da Lapa e tendo perdido definitivamente o time para falar, o PS de Sócrates avança que nem um TGV rumo à vitória. Nada podia correr melhor ao engenheiro. Saiu-lhe na rifa uma muda para falar contra ele, arregimentou a seu favor um irmão tresmalhado e a crise fez dele um tampão contra os males do Mundo.
Cavaco que se cuide. Tendo ganho a Presidência por menos de um Estádio da Luz ao colar-se à direita só perde e essa margem vai decerto diminuir. Portanto: temos divórcio consumado e a lei de Sócrates dá um empurrão.

terça-feira, agosto 19, 2008

HOJE É DIA DA FOTOGRAFIA AMANHÃ NÃO SABEMOS


Clique aqui e leia o post de Luiz Carvalho em FLAGRANTE DELEITE

segunda-feira, agosto 18, 2008

Leite sem Pontal por onde se lhe pegue

Tristes, sós e abandonados, perdidos numa multidão de cadeiras de plástico e mesas encharcadas em cervejolas e restos de jantar, os militantes do PSD eram na TV o retrato de um rebanho tresmalhado, abandonado pelo pastor, pela pastora, ao destino de uma oposição que ainda o vai ser por muito tempo. Ser militante de base já não enche o ego nem faz sonhar.
Longe vão os dias quentes de verão em que o professor Cavaco chegava ao Pontal em mangas de camisa, ao volante do ainda Citroen que o levou à rodagem do Poder. Os seguranças cercavam o professor, a Dra. Maria sorria e beijava entusiasmados militantes e o discurso era a catarse laranja do verão.
Era o tempo do Poder PSD, das promessas pagas em crédito baixo para a habitação própria, o frigorificozinho, a televisão. Cavaco avisava que só com ele os portuguesinhos poderiam sonhar em serem portugueses. Havia pimba no ar e o camarada Bota- então com o capachinho menos grisalho- cantava, deitava os foguetes, apanhava as canas e Cavaco embolsava os votinhos.

A arrogância de Ferreira Leite, que é também no fundo uma insegurança enorme em si própria, ao não ir à festa dos seus pobres é lamentável. Revela uma falta de sensibilidade política enorme e demonstra de novo como ela não tem um caminho, uma ideia, um programa de acção, um Pontal por onde se lhe pegue.
O silêncio é a arma dos cobardes ou daqueles que não têm frontalidade nem coragem- duas premissas fundamentais para a vitória política.
Abandonados mas sem poderem criticar a santa padroeira, sem alternativa, resta-lhes esperar pela vitória de Sócrates e depois a descida triunfal do Porto do Rio Grande do Norte.
Até lá aguentem e não chorem!!!...

domingo, agosto 17, 2008

A banalização dos dramas e obrigado Obikwelo

Tal como a Crise a Violência banalizou-se. Já percebemos infelizmente que vamos ter que viver com a violência urbana no seu lado mais terrorista. Os assaltos a bancos continuaram depois do episódio do BES, os tiros e as mortes continuaram depois do filme da Quinta da Fonte.
Não se percebe ainda se é a televisão que faz moda destes fenómenos, e cria uma cadeia de mimetismo, ou se a realidade é mesmo assim e tem uma dinâmica que parece incontrolável.
Os incêndios eram mais frequentes quando as televisões faziam da época do calor a temporada dos directos, também incendiários, e a Crise é a palavra que os jornalistas de 500 euros mais gostam de utilizar quando na rua entrevistam pobrezinhos e assim salvam a pele do mau humor do chefe sempre à espera, atrás da secretária, de umas cenas neo-realistas, agora a cores no estilo populista-tablóide. A desgraça dá share, os desgraçados gostam de se rever na pantalha, e como desgraças é o que mais há...as audiências sobem como o balão.

Nestes dias estúpidos de Agosto pouco muda nas novidades. Tirando o lado desagradável de Sócrates ter chegado de férias e ter logo retomado a propaganda, ou de Jardim ter gritado em Porto Santo contra o seu arquiinimigo, pouco desperta a atenção. Só três coisas: Leite continua congelada ( assim não azeda!), Obikwelo deu uma das maiores lições de seriedade ao pedir desculpa aos portugueses que nele confiaram (lindo! Passei a adorar este homem) e o drama que ninguém fala porque se banalizou, tal como a violência urbana, demasiado perante os portugueses: em menos de 1 mês morreram nas nossas estradas 75 pessoas. É uma brutalidade, tanto como uma guerra. As sequelas sociais são enormes. Há dor, tristeza e uma tragédia sem fim. Tínhamos começado a diminuir os mortos na estrada, mas parece que voltamos ao passado. Claro: as brigadas preferem encostar e mandar parar centenas de carros e multarem burocraticamente, do que andarem nas estradas a fazer fiscalização imprevista.
Na primeira hipótese não fiscalizam:caçam multas, engordam o Estado. Na segunda modalidade: dá trabalho, muito gasto de material e gasosa, e é preciso profissionalismo. Uma tragédia nunca vem só.

ADEUS DORIVAL CAYMMI

Partiu sem dizer adeus, tarde, mas nunca é tarde para te perdermos.
ADEUS DORIVAL. "Só Louco"

sábado, agosto 16, 2008

sexta-feira, agosto 15, 2008

O Mundo ao contrário

Lembram-se do anúncio do restaurador Olex ?" Não era normal era um branco de carapinha ou um preto de cabeleira loira!". Mas agora trocam-se as voltas: duas lésbicas querem casar e andam numa canseira desgraçada há dois ou três anos atrás do Tribunal Constitucional, e da Igreja, que lhes nega essa possibilidade. Fico espantado: a minha geração cresceu a contestar o Estado, a Família e Deus. Agora os do contra o sistema estão chateados porque querem fazer parte integrante dele.
Não vou seguir o Manelismo-Leitismo para quem o casamento só faz sentido para procriar, aliás na linha ideológica daquele deputado do CDS (esqueci-me agora do nome) para quem ter relações sexuais era só para reprodução da espécie. Na altura, anos 80, a Natália Correia que era deputada fez um poema ao deputado chamando-lhe truca-truca ! Minha querida Teresa Caeiro você comparada com este seu ex-camarada é uma Maria da Fonte!
Desde que há comunistas católicos que a confusão ideológica tem vindo a alastrar. Se duas simpáticas "camioneras" querem casar à séria (eu ofereço a reportagem do casamento) então para que servem as instituições ? Qualquer dia o meu cão passa de vira-latas a vira-gay e exige-me casota partilhada a dois, as gatas querem a restituição dos ovários e não me admiro que os padres jovens em ascensão de carreira queiram acólitos virgens!
Cada coisa no seu lugar e cada lugar na sua coisa. Já não bastava termos um governo invertido, que transformou os valores sagrados do socialismo nos valores em bolsa do capitalismo sagrado e ainda temos tipos a quererem casar à la carte segundo as taras sexuais que praticam.

É verdade que Alberto João Jardim agora também é de esquerda. Veio reclamar hoje contra o novo código do trabalho:"não defende nem protege os trabalhadores!". Desde que um porco andou de bicicleta que tudo é permitido!!!..

quinta-feira, agosto 14, 2008

0,3 já excita ministro das finanças

Mesmo em férias, e com Sócrates a dirigir o país por telemóvel, o governo está eufórico. A senhora Secretária de Estado dos Transportes foi inaugurar 200 metros de Metro, com pompa, circunstância, e um investimento de 50 milhões de euros. Quanto ira´custar a todos nós cada viagem de cada utente? Ela que adora comboios (aquele tique de esquerda que já é um clássico) ainda explicou que não eram os 200 metros que contavam, contava a solução. Se assim é porque não fizeram logo os tais metros que faltavam para ligar as duas vias ? Ou são todos engenheiros com diploma dado depois da missa dominical?

Mas o mais deprimente -para não dizer revoltante -foi ver o Ministro das Finanças a dar uma conferência de imprensa, rindo satisfeito a falar ao telemóvel, porque o INE revelou que íamos crescer essa cifra fantástica de...0,3 por cento!!! E que o desemprego diminuiu uns pós idênticos. O governo governa para os números e as estatísticas. Já o sabíamos: todos os dias a campanha de propaganda o vem confirmar.
Há uma falta de pudor e de sensibilidade social enorme nestas manifestações de gabarolice. Depois ficamos satisfeitos porque a Europa vai entrar em recessão (vai? Têm a certeza?) e nós não vamos na enxurrada porque estamos 3 décimas acima. Quer dizer: quando a coisa está muito mal a culpa é da Europa, quando está mal (bem para eles)é vitória do governo.

Entretanto perto de Viseu a SIC descobriu um homem de 60 anos, surdo-mudo, a viver como um animal. É a irmã que recebe a pensão e se responsabiliza por ele. Trata-o como há 30 anos tratavam os anormais, os doentes nas aldeias: com total exclusão. Eu que sou da aldeia (e perto de Viseu)constatei casos destes que então eram norma. Cheguei mesmo a denunciar um caso de exclusão social no Tal & Qual. Os tempos eram outros. Hoje essas situações são um escândalo, ainda por cima quando o director da Segurança Social de Viseu vem dizer todo emproado, numa pose de burocrata, que não é fácil intervir. Não é? Então para que serve o estado social que ignora há 5 anos este quadro digno de Bruegel? Que vai fazer o Ministro da tutela? Calar-se ? Ou um excluído e mal tratado não entra para as estatísticas?

quarta-feira, agosto 13, 2008

Quem se rala com o drama na Georgia ?

As fotografias da Reuters (CLIQUE AQUI PARA VER) são impressionantes na violência que denunciam, na dor que transportam. Os leitores e espectadores habituados que estão à banalização do drama alheio, distraídos que estão com as férias e ralados que andam com o preço do petróleo ou com o aumento da vidinha, já não param para olharem o Mundo e as barbaridades que o contêm.
O ataque das tropas de Putin à população indefesa da Georgia, por muita razão táctica que tenha, por muito burro que seja o Presidente da Georgia, é inadmissível num Mundo democrático, humanista. Intolerável numa Europa da Paz ou numas Nações Unidas como consciência colectiva global contra a barbárie. Vejam o excelente fotojornalismo da Reuters e confiram como a fotografia ainda pode servir de alguma coisa para testemunhar os horrores maiores.

terça-feira, agosto 12, 2008

Agosto: Portugal governado em ponto morto

Com o Primeiro-Ministro em parte incerta durante 3 semanas a gozar umas merecidas férias, com a Sra. Leite em S. Martinho do Porto a banhos, com o Presidente Cavaco na sua vivenda Algarvia protegida dos voos de curiosos que se entretinham a observar do alto a nossa Primeira Dama em trajes de Verão, o país tem estado muito calmo e tranquilo.
Agosto é o tradicional mês da Seally Season onde os editores de política têm dificuldade em encher as páginas dos jornais com intrigalhada e opinião, mas a verdade é que a vida dos cidadãos se torna muito mais suportável sem os políticos a chatearem o quotidiano.
A política devia ser assim todo o ano: sóbria, discreta, sem alaridos. Os políticos no fundo são nossos empregados: damos-lhes uns votos em troca de uns lugares porreiros na máquina do Estado e depois só temos de pedir que sejam competentes, que defendam os interesses de classe de quem neles votou e que no final do mandato se submetam de novo ao nosso escrutínio para nós decidirmos se devem ou não continuar a alimentar os enormes egos e as contas bancárias e os curriculums que engordam sempre na passagem pela governação.

Portanto: reparei hoje que tem andado tudo muito calmo. E embora o país vá ter 3 primeiros-ministros durante 3 semanas a ideia até é boa. Não importa quem está, importa a competência. E como sobre isso estamos falados, que vão todos de férias, muito tempo, e deixem a Pátria em auto-gestão. Governem aproveitando o balanço das descidas: gastam menos e isto desce mais depressa: é o ponto- morto dos fuinhas, azelhas e forretas.

Violência não pára na Grande Lisboa. GNR mata criança de 11 anos em assalto

11.08.2008 - 21h36 Lusa
Uma criança de onze anos, integrada num grupo de assaltantes, foi hoje baleada mortalmente, em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures, por um militar da GNR, disse à Lusa fonte daquela corporação.

Os assaltantes tentavam roubar uma vacaria quando foram surpreendidos pelos agentes da Guarda Nacional Republicana.

A criança era o filho do condutor da carrinha dos assaltantes, disse fonte policial, citada pela Lusa.

A fonte da GNR adiantou à agência noticiosa que, ao chegar à vacaria, após o alerta do dono de que estava a ser vítima de ameaças por parte dos assaltantes, os agentes da GNR depararam com os alegados assaltantes em fuga numa carrinha "com os vidros pintados".

De acordo com a mesma fonte, o condutor, que era acompanhado por outro adulto e pela criança, tentou atropelar um dos militares do posto de Loures.

Segundo a mesma versão dos factos, os assaltantes terão "sacado de um objecto" pela janela, que os militares julgaram ser uma espingarda, tendo disparado então contra a carrinha, fazendo "pontaria para os pneus".

Um dos tiros terá sido desviado, alegadamente "devido aos solavancos", conforme relatou a fonte, tendo atingido a criança.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Paulo Pedroso voltou e quer habitantes da Quinta da Fonte em regime de vizinhança

Paulo Pedroso ressuscitou politicamente e veio dizer que os acontecimentos na Quinta da Fonte "são fruto da política de habitação social". O ex- ministro da Segurança Social de Guterres não podia reentrar pior na política depois de um exílio na Roménia. Ele traz consigo a velha chave socialista e esquerdóide para os males sociais: a culpa nunca é dos bandidos é sempre da sociedade. Os malandros são uns coitadinhos, não trabalham e disparam com caçadeiras de canos serrados porque o Estado não os protegeu, não lhes deu mais rendimento social mínimo, não os trouxe suficientemente ao colo.
Para o padrinho do Rendimento Social Garantido (uma ferramenta social justa mas muito mal aplicada) aqueles trogloditas que andaram a fazer da Quinta da Fonte o farwest são afinal umas vítimas: porque afinal aquele bairro pago por todos nós, com o dinheiro sacado à classe média, não é suficientemente bom.
Qualquer dia está a defender que quem vive no resto deve ir para a Quinta da Fonte e os de lá para a Quinta da Marinha.
Pedroso está portanto muito preocupado com a habitação social. Porque não experimenta então ir viver para a Quinta da Fonte e troca a sua casa da Rua de S. Bento por um T1 na zona mais excitante da Grande Lisboa ? E já agora sugira aos seus amigos socialistas do governo para pôrem também portagens à entrada da Quinta da Fonte. Para que a malta vá de bus e não no carrinho privado. À grande, à xuxa, como na Albânia dos anos setenta!

domingo, agosto 10, 2008

Ainda a Quinta da Fonte

Com a devida vénia ao meu colega Mário Crespo. Aí vai um texto seu que descobri na net e que só agora vi. Muito bom para reflecção.


Cenas da vida quotidiana na Quinta da Fonte

O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. "Perdi tudo!" "O que é que perdeu?" perguntou-lhe um repórter.

"Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem..." Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos auto desalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga "quatro ou cinco euros de renda mensal" pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que "até a TV e a playstation das crianças" lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam "quatro ou cinco Euros de renda" à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a "quatro ou cinco euros mensais" lhes sejam dados em zonas "onde não haja pretos". Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso - "ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos." A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e auto denominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.

UMA FOTO POR DIA

DE NOVO O SOFRIMENTO NA GEORGIA

sábado, agosto 09, 2008

A Doutora Leite não liga a pimbas

Já tinha dado nega a Jardim ao ter preferido ir aos Açores à festa do Chão da Lagoa na Madeira. Também não consigo imaginar a seráfica líder da oposição a romper pelo meio de uma multidão meio "enfarilhada", a beber uma poncha em cada uma das setenta barraquinhas e a correr o risco de não ouvir uma boca daquelas que Jardim lançou à procura de Marques Mendes o ano passado:" Onde é que se meteu o gajo?".
Portanto ao ter recusado ir à Festa do Pontal, ainda por cima organizada pelo PSD-Algarve que tem como timoneiro essa grande figura da música pimba chamada Mendes Bota, não espanta. A doutora não vai em palhaçadas e se o passado histórico de Cavaco tem o Pontal como o arranque anual da política, ela tem mais que fazer que aturar patetas alegres!!!
Por Pontal: quem está na maior algarvia é Luis Filipe Meneses. A fazer crer nas fotos do 24 e no título (visto na banca) o ex-líder é que celebra bem o Pontal: aos beijos e abraços na namorada, no quente do areal. É a política no seu melhor: a liberdade individual. Grande alívio doutor Meneses!

Primeiro de Janeiro: jornalismo de sarjeta na Rua do Taralhão

O que se passa com o Primeiro de Janeiro é aviltrante. E não consigo perceber porque razão o governo, através do ministro Augusto Santos Silva, não intervém pois estão em causa princípios éticos e deontológicos jornalísticos. A Entidade Reguladora devia também intervir e retirar o alvará ao jornal.
Hoje os jornalistas despedidos colectivamente descobriram que a sede da empresa, que os meteu na rua, é afinal um stand de automóveis, sito na Rua do Taralhão, em Gondomar, e que nem carros já vende há mais de dois anos. Isto se não é grave é o quê? Como pode um jornal vir para a rua nestas condições jurídicas com todas as agravantes éticas e deontológicas? Qualquer merceeiro pode fazer um jornal ? O despedimento colectivo está legal ? Não há Inspecção do Trabalho, ninguém mete ordem no pasquim ?

O Primeiro de Janeiro tem para mim um significado especial. Foi lá que iniciei a minha actividade como fotojornalista profissional, em 1978, na delegação de Lisboa, então dirigida pelo meu querido amigo António Valdemar. Então tinha uma redacção de jornalistas notáveis, era um jornal sério de grande credibilidade. Foi lá que conheci e trabalhei com o grande Neves de Sousa (com quem me estreei numa reportagem sobre o complexo de Tróia) e era normal encontrar o Norberto Lopes (decano do jornalismo nacional), o Eduardo Guerra Carneiro, o Vitor Carvalho e muitos outros.
Lamento que um jornal com aquela credibilidade tenha caído na sarjeta. Aqui senhor ministro Augusto Santos Silva é que está o jornalismo de sarjeta e tem agora uma boa oportunidade para o liquidar! O cancro começou há alguns anos com a intervenção de figuras ligadas ao CDS, acabou sem glória nas mãos de um pato bravo sem adjectivos.
Se esta vergonha for avante é o jornalismo que está em causa e ninguém com carteira profissional pode ficar calado perante esta vergonha.
O jornalismo do Taralhão não passará !

O Senhor embaixador brasileiro está ofendido

O senhor Embaixador do Brasil em Lisboa veio à televisão dizer-se chocado com as palavras de Moita Flores pois poderiam atiçar o xenofobismo contra os brasileiros que vivem em Portugal. Moita Flores limitou-se a dar factos: um número muito significativo dos crimes de carjanking, de prostituição, droga e assaltos violentos têm sido perpetuados por brasileiros. Há 6o mil legalizados mas estima-se que hajam outros 60 mil a viverem cá completamente clandestinos.
Esta constatação do ex-inspector da PJ e criminalista credenciado nada tem de xenófobo, ainda por cima vinda de uma pessoa que tem um passado em defesa da justiça, de causas nobres, um democrata interveniente. Um humanista. O que desgraçadamente tem acontecido em Portugal é que a entrada de estrangeiros se passou a fazer com grande facilitismo. Somos um país de entrada no Espaço Shengen mas duvido que esse controle seja rigoroso ao ponto de se evitar a presença no país de milhares de imigrantes ilegais que não trabalham, não contribuem para o país e que acabam por criar uma situação social problemática.
Quem vem por bem para trabalhar não é decerto problema, mas a verdade é que sendo alguns países de origem desses imigrantes muito problemáticos (como alguns de Leste) acabam por se reflectir na paz social de um país já por si cheio de fragilidades económicas e sociais.
Se há contributo fundamental para o nosso desenvolvimento nos últimos 20 anos foi a entrada de muita gente de fora que trouxeram novas culturas, novo saber e muita mão de obra oportuna. E os brasileiros bem têm contribuído para esse enriquecimento. Conheci profissionais brasileiros fantásticos na publicidade e no marketing, no design, na televisão e na fotografia. Trabalho com alguns deles e nem me passa pela cabeça que são brasileiros. São nossos.
Agora não podemos armar-nos em tótos e acharmos que toda a gente é bem vinda e que o país é uma reserva natural para homens bons e malandros sem perdão.

O que o senhor embaixador devia ter feito era ter pedido desculpa aos portugueses por haver ovelhas negras no seu rebanho que não souberam honrar a hospitalidade dada a irmãos. Tinha-lhe ficado bem e teria contribuído para desanuviar a tensão social. É que os portugueses padeiros e das anedotas de mau gosto já foram senhor embaixador! Agora até já temos polícias competentes que não matam os criminosos juntamente com os reféns.

PS: Passadas 24 horas de ter escrito este post tenho de acrescentar que o minino Scolari para mim não se integra no lote dos brasileiros que recebemos e com quem aprendemos alguma coisa.
Vejo que há hoje por aqui comentários "políticamente correctos". É o costume. Mesmo que se explique tudo há sempre gente que só lê o que quer ler, mesmo que não esteja lá escrito. Paciência!!!..

sexta-feira, agosto 08, 2008

Quem sabe, sabe e no assalto ao BES a PSP é que soube


Uma das fotos fantásticas do DN que não mencionam o nome do fotojornalista!

Foto de Paulo Spranger (post 24 horas depois)

O assalto que fez reféns e paralisou Lisboa acabou às 23 e 20. No noticiário da Uma da manhã na SIC N viram-se alguns segundos de imagens. E mostraram sim uma excelente foto do DN. O Público dá-se ao luxo de nem sequer publicar amanhã na primeira página uma foto do acontecimento, embora escreva que se viu na televisão.

Parece que quem soube fazer bem o seu trabalho foi a PSP: 3 balas libertaram os reféns, liquidaram um assaltante e puseram KO o segundo malandro. Até o Ministro da polícia veio elogiar a corporação vestindo um colete reflector para quando se tem um furo!! O ministro pode não ter o sentido do ridículo mas teve um grande sentido jornalístico do directo.
VER AQUI DIRECTO DA SIC N ÁS 23 e 20

UMA FOTO POR DIA

Foto de André Carvalho

É uma fotografia notável do André Carvalho que recebi há pouco por e-mail. O André é meu filho mas sentimentos à parte esta foto supera qualquer olhar mais parcial. Podem ver mais do seu trabalho no Flickr. Esta foto faz parte de um conjunto recente de imagens dentro da onda que são maravilhosas. Aqui nem a expressão filho de peixe sabe nadar. Eu não sou peixe-nadador!!

O direito à preguiça


A meio da manhã o meu Iphone avisou-me que tinha um SMS da SIC a contar do assalto a um banco com reféns. Voltei a guardá-lo na pequena mochila onde mal o ouço. De férias só o mantenho ligado por causa da família e porque fico inquieto por pôr a hipótese que algo muito importante do trabalho me pode fazer chamar. E acaba sempre por acontecer. Hoje decidi nem notícias ver, até porque o maior concorrente da SIC N é o Canal Panda e a Playstation2. Tenho um filho com 6 anos ! Por isso ainda dei uma volta num Chevrolet com um motor de fora com 12 cilindros pela baixa de Los Angeles, fui perseguido pela polícia, fugi e escapei saltando de um viaduto para uma das inter-estaduais e regressei à sombra da laranjeira retomando um tranquilo livro sobre o budismo e depois retomei a biografia do HCB. Fiquei um dia muito out, com alguma música barroca.
O meu Óscar faz-me companhia a meus pés (o Óscar é o meu cão!) e ainda mergulho com o meu filho e a minha mulher na água quente do tanque (um termo mais democrático para usar em vez de piscina, pois nem se trata bem de um artefacto desses, e não me posso esquecer que este concelho é dos mais tradicionalmente comunistas. Apesar de não se notar).

Enfim um dia sem sinais do exterior. Uns amigos vieram de Lisboa e em vez de novidades trouxeram uma excelente carne de picanha e o meu filho André apareceu num documentário na RTP N sobre surf onde ele trabalhou como fotógrafo. Fico sempre estranho ao ver as aventuras do meu filho surfista porque eu nem nadar sei. Portanto: impossível eu ir algum dia surfar com o Nuno Lobito como um pândego sugeriu. Os dias na aldeia são bons quando a aldeia trabalha e os putos da música techno não aparecem nos seus AX's ou a cãozoada da caça, guardada em galinheiros desumanos, é solta ao fim do dia para desentorpecerem as canelas.
Mas quem julga que a vida no campo é sempre um sossego, desengane-se: por vezes há mais stress do que na cidade e quando o vento sopra a fritadeira alentejana transforma-se no deserto do Sara.
O pior mesmo é a internet lenta.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Pobre Galp!!!

O Presidente da Galp veio hoje revelar os resultados da empresa nos primeiros seis meses do ano. E se o negócio da refinação e da distribuição baixou quase trinta por cento nos lucros, a venda conseguiu um aumento significativo dos lucros (não tenho aqui os dados certos, ouvi na TV). Mas vi o Presidente com ar magoado e triste por haver tanta incompreensão pela pobre Galp uma empresa amiga dos clientes e que tem o karma de ganhar milhões enquanto os consumidores perdem milhões.
Só faltava agora os capitalistas virem chorar para a televisão, armarem de vítimas e dizerem que a crise toca a todos, embora os milhões continuem a entrar. E onde é reinvestido esse dinheiro dos lucros ?

quarta-feira, agosto 06, 2008

Placa 3 G da Vodafone funciona como o vento

Há duas semanas estava para ter escrito um post a elogiar a placa 3G da Vodafone, porque já aqui tinha escrito a dizer mal dela, da forma pouco eficiente como dá sinal no Alentejo. Este ano no monte onde paro nas férias de praia, perto de Odeceixe, tive duas semanas de luz azul na placa. Internet num monte perdido no máximo do speed.
Cheguei depois a Arraiolos e na minha casa do Carrascal já tinha também 3G. Ontem o azul caiu e nunca mais tive velocidade. Voltou o verde lento como o local.
Pergunto: como é possível um dia ter 3G e noutros já não ter, sendo que nem o sítio do computador mudou um centímetro ? Isto funciona como o vento ou a tecnologia é uma grande treta paga a peso de ouro na mensalidade?

A sinfonia silenciosa de Nuno Lobito

Nada há mais significante do que o silêncio. E nada há mais profundo, infinito e belo que esse estado da natureza.
“Sons do silêncio“ é uma bela aventura do meu amigo Nuno Lobito. Estive hoje a lê-lo à sombra da laranjeira no meu silencioso Alentejo, com água no tanque a refrescar a fritadeira da paisagem.
Sempre me intriga como há amigos com a coragem de partirem sozinhos à aventura total. O Nuno é aquilo que se chama “um ganda maluco“. Conheci-o um dia no Expresso quando ele me entrou pela redacção adentro com um pacotão de fotos de todo o Mundo. Passados minutos parecia que já o conhecia há anos e a empatia foi imediata. Acabámos por conseguir uma colaboração no online e com grande pena minha a sua reportagem P/B da Amazónia acabou por não sair. As fotoreportagens a preto e branco de temas intemporais e pouco na berra acabam por ter grandes dificuldades em serem publicadas por causa dos critérios de actualidade que sempre têm de prevalecer num jornal.
Mas o que me impressionou foi ele ter tido a coragem de ir sozinho num Land Rover Discovery para África. Para quem é proprietário de uma “camioneta“ daquelas ou similar (o meu caso) sabe como já é um milagre ir ao Alentejo e voltar e aquilo não romper mais um tubo quando não é mesmo o motor a pifar. Agora ir a África... e foi e veio.
A sua história vivida na Amazónia é muito rica. A forma como chegou e como conquistou os Índios e mais: uma índia que é o amor da sua vida e o filho que nasceu dessa paixão...muito bonito. O Nuno tem uma filosofia de vida notável. O seu envolvimento com o budismo tem ajudado muito esta sua aventurosa vida.
É sportinguista, surfista, gosta de Leicas e fumamos das mesmas cigarrilhas... É curioso que o que mais me comove no Nuno Lobito nem são as suas fotografias que são excelentes documentos de viagem, mas é o conjunto da sua pessoa que o tornam numa personalidade fascinante. Um amigo do seu amigo.
Parabéns Nuno pelo teu livro e só não te peço para me levares um dia contigo porque tens a mesma mania que eu: adoramos viajar sozinhos quando em trabalho. E o problema é que para nós tudo parece trabalho. É um ritual que só gosto de partilhar depois através das minhas fotografias. Grandes pancas !!!

segunda-feira, agosto 04, 2008

Mil palavras pela fotografia, diz Joaquim Vieira

Na sua coluna no Público como provedor do leitor, Joaquim Vieira (JV) falava ontem sobre os problemas da fotografia do jornal. "É duvidoso que o Público resolva os seus problemas com imagens sem uma linha editorial clara"- escrevia JV.
Os leitores não são parvos nem cegos e vários escreveram a fazer queixas da forma como as fotografias são escolhidas para editar, o critério da escolha, e a forma desastrada como são postas em página.
Havia uma fotografia da Ministra da Saúde que saiu três vezes numa semana, e num mesmo número duas vezes. Ainda por cima tratava-se de um retrato psicológico em que ela aparecia a olhar de lado, dando um ar de desconfiada, mas que serviu para as mais diferentes circunstâncias em que ela era citada. Depois havia um artigo sobre explosões na Sibéria com uma foto feita num deserto americano, sem legenda. Outra foto mostrava uma empena do edifício da Procuradoria sobre um tema que muito dificilmente encaixava na foto.
O Público no seu livro de estilo atribui à fotografia uma importância fundamental na definição do estilo informativo e gráfico do jornal mas na prática será que se verifica uma " relação dinâmica, permanente e intensa entre fotografia e texto?"-pergunta JV.
A política editorial do tapa-buracos é uma rotina infeliz em todos os jornais, nuns mais do que noutros, e a falta de uma edição fotográfica controlada por um editor com poder efectivo, ou uma equipa de editores, acaba por dar aos jornais um ar de folhas da paróquia onde as fotografias não são objectos informativos, ilustrativos ou motivadores para o mergulhar nos textos, mas apenas lixo visual.
Para José Manuel Fernandes, o director do Público, essas falhas são reconhecidas e promete emendar mão, nomeadamente na forma de colocar as legendas certas nas imagens certas de forma a dar um sentido informativo às fotografias. Mas é o próprio director que reconhece que nem sempre a edição fotográfica cabe ao editor e que qualquer redactor ou mesmo gráfico que tenham acesso ao arquivo digital pode importar uma imagem e editá-la em página usando o seu critério e gosto. E até avança com a ideia de poder haver mais gente envolvida a escolher fotografias...o que pode mesmo ser o grande regabofe. Por esta ordem de ideias até as secretárias ou os estafetas poderão dar uma ajudinha na edição fotográfica (digo eu!). Tudo é possível quando se trata de manusear fotografias.
A fotografia tem este karma: todos se acham fotógrafos e ultimamente esses artolas subiram de nível e também se acham aptos a editar fotografias. A fotografia banalizou-se e a função de editor também. Pode parecer que neste jogo o nível passou a avançado mas na verdade desceu ao analfabetismo. Para simplificarmos: era como se o engenheiro Sócrates se achasse com direito a projectar o novo Parque Mayer porque fez projectos de autor nos tempos em que usava poupa e acreditava nas virtudes da construção civil!
Devo dizer que esta bandalheira não se passa na imprensa estrangeira de referência, nem nas agências de informação que fornecem serviços fotográficos como a AP ou a Reuters. Há um amadorismo insuportável na nossa imprensa ( já não estou a falar do Público nem de nenhum jornal em concreto) e que contamina o resultado final e acaba por perder credibilidade junto do público leitor.
Este desprezo pelo fotojornalismo está a tornar-se moda. Há um lobbie na imprensa por parte dos jornalistas da escrita que nunca aceitou nada bem o protagonismo e a importância do fotojornalismo. É histórico. Sempre olharam os fotógrafos com paternalismo, depois quando o nível cultural de muitos fotógrafos e mesmo a notoriedade os superou começaram uma luta silenciosa pela aniquilamento da fotografia. Passaram a querer dar-lhe um estatuto subalterno, não jornalístico, como se um fotojornalista não tivesse carteira profissional e fosse um produtor de bonecada!
Muito bom o artigo do Joaquim Vieira. Devo dizer que trabalhei muitos anos com ele, sou seu amigo, já nos temos encontrado em cursos de jornalismo, ele já foi meu convidado em aulas minhas, e posso dizer que é dos jornalistas com mais cultura e saber sobre a função da fotografia na imprensa. Se tivesse um dia de escolher um editor de fotografia escolhia-o a ele.

domingo, agosto 03, 2008

As confissões de Francisco Pinto Balsemão na SIC

A entrevista de uma hora a Francisco Pinto Balsemão (FPB) ontem na SIC à meia-noite e feita pela Conceição Lino (com dois câmaras que muito prezo, o Luís Pinto e o Paulo Cepa) mostrou o lado mais pessoal do meu patrão. Diria: o lado que todos os que trabalham com ele, há muito tempo, melhor conhecem e muito prezam. O que acaba por ser um grande motivo de orgulho: poder ter-se assim alguém que nos dirige.
Em FPB o que desde logo motiva é o prazer em viver e trabalhar. E a forma como concilia as duas vertentes. Depois a experiência como jornalista, um percurso consolidado e coerente. O seu projecto jornalístico é uma vida: a concretização de um jornalismo independente, sempre moderno e avançado no tempo, atento às tecnologias e às mudanças do público e da sociedade. Foi assim o Expresso desde o início e foi assim também a SIC: inovadores, independentes, irreverentes, sérios e de referência. O lado do homem que gosta da vida, o prazer pelo golfe ou pelo seu antigo Porsche, a confissão que prefere falar com mulheres pelo jogo da sedução e do charme, mas também o anti-novo rico para quem as coisas devem ter um limite para se poder gastar dinheiro.
Não foram revelações novas, mas o conjunto da entrevista deixou a agradável e feliz sensação de podermos conviver com alguém com grande sentido da vida e do jornalismo, da comunicação. Também da política.
O seu entusiasmo pelas nova tecnologias multimédia é contagiante. Quando me sugeriu para editor multimédia no Expresso e me desafiou para uma revolução digital no jornal pude constatar do empenho que pôs no projecto e sei como me apoiou até ao fim. Ainda me lembro, do primeiro sábado em que lançámos o serviço Sound-bite, dele a discar o número no telemóvel e a ouvir a frase. Comentou:"o som podia estar melhor, mas é uma grande ideia!".
O mesmo entusiasmo e apoio que deu em 1989 quando se constituiu a equipa de fotojornalistas: sempre defendeu a fotografia no Expresso, uma fotografia de impacto, informativa, de autor, surpreendente, fotoreportagem.
A sua atenção para com os que o rodeiam no trabalho é rara num patrão. Estava a SIC a arrancar e tive de lá ir fazer uma fotografia a alguém. No dia seguinte, no elevador do Expresso na Duque de Palmela, diz-me:" Luís você é o meu herói!"- porquê "sôtor"? pergunto eu." Vi-o ontem chegar à SIC na sua BMW vestido de fato e gravata. Era o que eu gostava de poder fazer!".
Porque escrevi este post? Porque não resisti, embora possa parecer um exercício de engraxatório. Estou-me nas tintas. Num tempo em que a mediania é a bitola na grande maioria dos empresários e homens públicos, haver alguém com esta dimensão cultural, empresarial e política, é uma boa razão para ainda acreditarmos naquilo que nos move: um conceito de vida onde não nos levemos muito a sério, mas onde sejamos sérios, amemos o nosso trabalho, contra os arrivistas e os novos-ricos do jornalismo, e não só.
E não nos esqueçamos que foi no seu governo que os militares do 25 de Abril começaram a ser devolvidos à caserna. Mas isso é outra vertente histórica.

Salazar caiu há 40 anos de uma cadeira de lona subversiva

Salazar em férias no Forte de S. João do Estoril. Foto de Rosa Casaco


Faz hoje 40 anos que Salazar caiu da célebre cadeira de lona que ficará para a História como um dos ícones mais fortes do regime do Estado Novo.
Salazar passava férias no Forte de S. João, que pertencia à Associação das Meninas de Odivelas- ainda hoje pertence- e fazia questão de pagar do seu bolso o aluguer (pago em sintonia com o preço dos hóteis na zona). Levava consigo a Dona Maria e aproveitava para ler e descansar e também receber alguns dos amigos. Fazia-o todos os anos como uma rotina e repartia as férias entre o forte e Santa Comba, sua terra natal.

A queda da cadeira foi na ocasião desprezada e só as dores que começou a sentir passados dias o levou a ter de ser internado no Hospital da Cruz Vermelha em Benfica. Fernando Dacosta no seu livro sobre Salazar descreve todos estes dias com grande pormenor fazendo revelações muitos interessantes. A não perder.

Salazar acabou sem glória um período da História de Portugal para o melhor e para o pior. Na verdade os últimos anos do seu mandato foram desastrosos, insustentáveis em termos políticos e sociais. Ao querer ficar agarrado ao poder (porque achava que era insubstituível) levou-o a um fim sem glória e atirou o país para uma paralisia que ainda hoje tem sequelas na nossa sociedade.
Quarenta anos é muito tempo e pouco. Lembro-me perfeitamente desses dias, dos boatos, das visitas de centenas de portugueses ao Hospital da Cruz Vermelha para assinarem o livro de cumprimentos, onde eu me incluo tendo mesmo sido filmado e aparecido na RTP, tinha 14 anos, andava na catequese e achava que o poder político era imutável como a cartilha do Padre da Paróquia. Passados dois anos era um revolucionário de café que descobrira um dia uma entrevista de Mário Soares ao L`Express e achava que havia afinal vida para lá do regime.
O tempo passou depressa. O país mudou, claro para melhor. Como será daqui a 40 anos?

E como será o balanço daqui a 6 anos quando o 25 de Abril fizer 40 ? (dica de leitora)

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