sexta-feira, agosto 30, 2013

BLOGUE EM OBRAS

quarta-feira, janeiro 09, 2013

CURSO BÁSICO DE FOTOGRAFIA

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O CURSO BÁSICO DE FOTOGRAFIA QUE COMEÇA A 17 DE JANEIRO. NOITES DE 5ª 19H30 NO ESTÚDIO LIGHTSHOT NA QUINTA DO JAMOR.

APRENDER A TRABALHAR COM A CÂMERA, ENQUADRAR, A TÉCNICA BÁSICA. UM CURSO ACESSÍVEL A PREÇO ACESSÍVEL.
UM CURSO QUE TEM A APROVAÇÃO DA DGERT, LOGO TERÁ UM DIPLOMA OFICIAL NO FINAL DA FASE 1 ( 36 HORAS até ABRIL)


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VISEU O CAVAQUISTÃO VIROU PUTAQUISTÃO



Viseu é uma cidade especial na minha vida. É a capital do distrito da minha família, a cidade onde eu menino ficava estarrecido com a etiqueta dos empregados do Café Central que, nos anos 50, me recebiam e aos meus pais tratando-nos por "Vocências". Tudo fardado, a rigor, à moda antiga como eu por vezes gosto.
Depois foi a cidade onde vivi 4 meses, 1967, onde a minha irmã nasceu numa maternidade impecável. No tempo do Salazar.
Eu tinha 6 anos e atravessava sózinho a cidade, descia a Rua Direita, enregelado a caminho da escola primária. Vivia numa casa de esquina com vista para a Sé.
Aos 17 anos, já vivia em Lisboa, meti-me no comboio-correio que rolava a noite toda, e cheguei a Viseu onde uma namorada me esperava, com os olhos debroados a rimel, uma saia curta e uma confissão: queria fugir com um gerente do Hotel Grão Vasco. Portanto: fui enganado ainda na tenra idade em Viseu.
Viseu como capital do Cavaquistão sempre me fascinou. Era o cenário ideal para a capital de um regime parôlo, provinciano, novo-rico que traiu a tradição elegante e charmosa da burguesia rural beirã.

Agora, acabo de saber, que a capital do cavaquistão se transformou numa Amsterdão dos anos sessenta, numa adaptação portuguesa, com putas de Leste, mafiosos e umas almas penadas de pau feito.

O autarca-chefe que gosta de pintar o cabelo e que tem uma alcunha a condizer, Restaurador Olex, nada pode fazer contra as janelas-estilo-fenêtre que mostram umas bombas sexuais a venderem o que Deus lhes deu de forma generosa.

Ai Viseu, Viseu!.....

terça-feira, setembro 18, 2012

O buraco da Rotunda do Marqûes

Os presidentes de câmara têm em Portugal o Síndroma da Rotunda. Todos. Os mais pirosos mandaram erguer à entrada das cidades, vilas e aldeias de Portugal alguns dos exemplares mais bacocos do que foi a gestão autárquica nas últimas 3 décadas.

Há anos fiz para o EXPRESSO uma reportagem mostrando de Norte a Sul muitas dessas rotundas.
E havia de todos os estilos. Desde a rotunda que parecia saída da  terra dos Flinstones, em Carcavelos, desenhada pelo artista plástico Leonel Moura, aos touros e toureiros no Ribatejo....havia de tudo.

O síndroma da rotunda chegou agora a Lisboa. António Costa acaba de meter o pé na rotunda com esta obra inútil, cara e que está a dar cabo da vida dos lisboetas. Um buraco.

António Costa está rodeado por um grupo de intelectuais que o têm convencido de que o trânsito em Lisboa tem de ser desviado do centro. É uma boa ideia se estivermos a falar da circulação de camiões TIR que vêm do Porto de Lisboa, mas é um disparate quando aplicada à circulação de quem quer ir para o centro.

É um disparate porque é uma medida que afasta as pessoas da cidade e é também uma arrogância porque na cabeça desses idiotas, quem quer ir para o centro "que vá de transportes públicos".

Imagine-se o que seria dos centros comerciais se o Belmiro dissesse: quem quiser vir cá comprar que venha de autocarro! Não ia ninguém, claro.

Estas rotundas dentro da Rotunda, já de si uma ideia original tipo TSU do Coelho, têm como finalidade chatear quem quer ir para ali de carro. Chatear, pura e simplesmente.

Alguém imagina o Maire de Paris mandar fazer rotundas concêntricas no Arco do triunfo e plantar árvores e arbustos no meio dos Champs Elysées? Ninguém.

Aquela ideia de que a Avenida da Liberdade é das mais poluídas da Europa só dá vontade de rir. Uma avenideca que pouco trânsito tem, é muito poluída? E se está deixa-a estar! Há 30 anos era bem pior. A questão é que a Baixa continua sem actividade porque a câmara insiste em dificultar o acesso ao centro.

Esta obra da Rotunda também demonstra mais uma vez que nós portugueses adoramos gastar dinheiro em inutilidades e adoramos complicar o que é simples.

António Costa é muito mal apoiado. Ele não é urbanista, nem arquitecto, é político. E já devia ter percebido que nem tudo o que o arquitecto Manuel Salgado diz é sagrado.

Fazer de Lisboa um laboratório de ensaio urbanístico é que não. Para mim isto é uma atitude semelhante à do governo com aquelas medidas da TSU e outros dislates de quem vem da universidade e não da faculdade da vida.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Adeus Pedro ::((

Estamos a ficar velhos e também por isso chegamos à idade onde muitos amigos começam a desaparecer.
Nos últimos dois anos muitos têm sido os amigos que me têm desaparecido.

Hoje foi o Pedro Sousa Dias.

Conheci o Pedro numa daquelas cervejarias da Avenida de Roma por volta de 1973. Ele colaborava no Cinéfilo a revista do Século cujo director era o Fernando Lopes. O Pedro tinha um ar de hippie, uma Pentax toda partida e uma super-grande angular, penso que de 21mm.

As fotografias que fazia para o Cinéfilo eram bem diferentes do estilo de outros fotógrafos do Século como o do  Gageiro ou do Cunha. As suas fotos eram também muito hippies: entornadas, granuladas e deformadas. As suas fotos tinham um toque pop. Eram uma ruptura com o academismo de uma certa escola. Não sei se isso era consciente. Eram o retrato do próprio irreverente Pedro.

Tínhamos um amigo em comum também fotógrafo. O Pedro falava baixo e era tranquilo.

No dia 25 de Abril estive com ele, talvez na Avenida de Roma, e lembro-me de ele me ter dito que telefonou logo de manhã para casa a avisar para não deixarem sair o filho Tiago, hoje fotógrafo no Correio da Manhã.

Ao longo dos anos cruzei-me muitas vezes com ele em trabalhos de reportagem. Nunca falávamos muito mas havia uma amizade intrínseca entre nós.

Eu tinha um enorme carinho por ele. Cresci na fotografia com ele em paralelo. Ainda puto olhava para ele como alguém que conseguia ser publicado e eu era um aspirante a fotojornalista.

Sabia que tinha estado doente mas que melhorara. Afinal partiu.

Tenho uma grande tristeza. Vejo que muitos fotógrafos que têm partido acabaram a sua profissão de uma forma abrupta e que amavam sinceramente aquilo que faziam.

O Pedro era um querido. Nunca te esqueceremos.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Steve Jobs começa a fazer falta na Apple

O sistema Apple não é bom por ser bonito. É bom porque é prático e acessível a qualquer info-excluído. O meu caso.

Detesto informática e informáticos. Detesto estar dependente de uns engenhocas que dizem sempre que nada é possível. Ora, a cultura de Steve Jobs era o contrário disto.

A Apple tem o iWeb que é uma aplicação fantástica para fazer sites, podendo mudar-se os templates e pondo lá as fotos e vídeos só arrastamento.

Depois basta ter conta Mobile me e fazer publicar. Passados segundos está o site online. Podemos fazer os sites que quisermos. O único defeito: gera sempre um endereço que não é simples. Mas tem o reverso: podemos sempre exportar para um domínio nosso.

Com a criação do iCloud a Apple encerrou as contas Mobile Me e para estupidez máxima deixou de aceitar alojar os sites e as galerias fotográficas que eram geradas directamente a partir do iPhoto ou do Aperture. E o que estava online deixou de estar.

Estes tipos que estão a suceder a Steve Jobs devem ter-se passado da cabeça e aderiram à filosofia do Bill Gaitas. Era uma ferramenta única de partilha convergente de conteúdos multimédia.

Isto representa um retrocesso de 15 anos. E é um sinal que a Apple está a mudar para trás.

terça-feira, agosto 21, 2012

Pingo Amargo

As grandes empresas em Portugal comportam-se com uma arrogância intolerável.
Isto porque os consumidores não estão habituados a vetarem marcas e a escolherem as empresas que melhor os servem.

Estas grandes empresas comportam-se como monopólios e acham que podem mandar nos clientes e fazer de cada cliente um criado.

O Pingo Doce investe em publicidade e acha que essa estratégia é suficiente para a carneirada correr a comprar o que a mercearia quer.

Fez política no 1º de Maio numa acção nunca vista por uma empresa e agora dita regras aos clientes como se estes fossem obrigados a aceitarem as condições impostas.

Compras, pagas e não bufas. E se não comprares não vais ter direito ao descontozinho.

O Pingo Doce já provocara todos aqueles que permitem que exista como uma empresa ganhadora ao pôr a empresa com sede na Holanda.

É a terceira provocação. E eles sabem que as vendas não vão diminuir e que o povinho não terá alternativa.

Na verdade eu detesto o Pingo Doce mas acabo sempre por lá ir. Está mais perto, tem o pão para diabéticos e umas embalagens de comida pronta a comer.

Os tipos sabem.

Com esta ideia de acabarem com o pagamento multibanco para valores inferiores a 20 euros, eles sabem que quem só usa cartão comprará mais que 20 euros e os outros não se ralam porque pagam com as moedas amealhadas.

É um retrocesso de civilização, é uma estupidez e é de uma arrogância inadmissível.

Só espero que os fregueses saibam dar uma resposta à altura.

quarta-feira, julho 04, 2012

Notícias horribilis.

Sou jornalista e tenho de saber das notícias. Por vezes preferia o silêncio e tudo em off.

Depois de saír do Final Cut e entregar o Fotografa Total começa a avalanche de notícias horribilis.

Afinal o Relvas é o iletrado que eu sempre achei mas pior: é um mentiroso compulsivo. Quem mente assim mente sempre. Também não é novidade, na verdade.

As rendas sociais vão aumentar podendo chegar aos mil por cento. Um pobre que paga 10 euros pela casa poderá vir a pagar 75 !

Macário Correia, esse filho do cavaquismo, o sacrista que insultava fumadores e se armava em guardião de discotecas, foi condenado com suspensão do mandato por ter assassinado Tavira do ponto de vista urbanístico.

O heliporto que custou 300 mil euros para ter um serviço de urgência em Macedo de Cavaleiros, em troca da extinção do Centro de Saúde, passou para Vila Real. O governo marimba-se no protocolo. Não há palavra de Estado.

O deputado Coelho é expulso da Assembleia Regional da Madeira como se fosse um arruaceiro. Pode não gostar-se da figura mas um deputado é um deputado.

O ministro do pastel de nata faz figura de urso e é tropedeado pela clique do corta-Relvas.

Podia continuar com  um rol de escândalos, golpaças e outras histórias do bando que nos governa.

O drama é que quem vem depois consegue bater aos pontos os que foram embora.

Qualquer daqueles socratistas de primeira linha já são uns arcanjos comparados com a tropa fandanga de Passos Coelho, um inexperiente que conseguiu chegar a primeiro-ministro porque era o idiota certo no lugar certo, à hora certa.

Portugal continua a não arrancar  em nada. Um país entre a espada e a parede em que os portuguesinhos preferem a espada.



quarta-feira, maio 02, 2012

Fernando Lopes, adeus Belarmino!

Estão a desaparecer os meu mestres. Eu gostava muito do Fernando lopes. Com ele aprendi vendo Belarmino ( uma quase co-autoria com Mestre Cabrita) que o cinema pode ser emotivo, simples, fotográfico, romântico, malandro, experimental e ter jornalismo dentro. Com Uma Abelha na Chuva, onde está o mais belo plano sequência da História do cinema ( uma estrada nublada onde se ouve primeiro o som de uma charrete e depois a vemos aproximar até nos passar em cima), percebi que o melhor cinema não é só uma história mas a poesia que a imagem E O SOM estabelecem como narrativa. Aprendi que a montagem é a arte da surpresa no tempo de cada plano e no movimento dentro dele, aprendi como o som fora de campo é a continuação da "vida" para lá do écran.

O Fernando Lopes tem uma história de vida que também dava um filme. Veio novo para Lisboa ( a sua saga é contada em Nós Por Cá Todos Bem) começou como dactilógrafo na RTP até João Soares Louro ( outro grande homem da RTP) o ter ido buscar para a montagem de reportagens. Era um auto-didacta que aprendeu com mestres, que falava em Henri Cartier-Bresson, que admirava Cabrita e que era amigo de Gerard Castello-Lopes.

Foi director do Canal 2 da RTP quando se fez o canal mais ousado e experimentalista de sempre com gente de grande gabarito como Hernâni santos, Letria, Júdice, Mega Ferreira e outros lunáticos do jornalismo. o canal que Proença de Carvalho mandou abater quando foi para administrador da RTP nomeado pela AD.

Era um apaixonado e a sua vida com a Maria João Seixas daria outro filme. Casaram, separaram-se e parece que queriam voltar ( ou voltaram) a casar-se.

Estive com ele 2 ou 3 vezes. A última a fotografá-lo ao balcão do Gambrinus, o lugar onde ele queria pôr uma placa: aqui esteve um homem que vivia acima das suas posses.

Gostava mesmo dele e era uma pessoa em que pensava muitas vezes. Pensei várias vezes em lhe telefomar para o filmar em estilo documentário e para ele me repetir o que me disse há 25 anos para um documentário que fiz sobre o meu querido mestre fotógrafo.

Imagino a sua décopage quando chegar ao Céu. Plano do azul do céu, panorâmica vertical até apanhar o horizonte muito em baixo à Deserto Vermelho. Plano 2: Parede branca, panoràmica para a direita e ao longe uma mulher saída de uma estrada sem fim. Obrigado Fernando.

quarta-feira, abril 18, 2012

Os impostores da fotografia

Sempre me chateou o choradinho dos fotógrafos. São uns génios, incompreendidos  pelo chefe, desprezados pelos patrões, pouco reconhecidos em público. Choram que se fartam há anos muitas vezes entre cervejolas e tremoços.
Mas raramente vi fotógrafos bons a choramingar. São discretos e não se queixam.

O estado de default a que chegou a fotografia em Portugal tem uma grande semelhança com o país. Não investiram em trabalho, cresceram em maquinetas mas não se desenvolveram sustentadamente.

Vendem ao desbarato o trabalho. Na imprensa, nos casamentos e agora no ensino.

Uma mulher a dias ou um canalizador não baixam o preço mas os fotógrafos aceitam preços abaixo de um trabalhador sem formação. Na verdade alguns nem para trolhas dariam, muito menos para fotógrafos.

A profissão está falida por causa da falta de profissionalismo e de regras oficiais para o exercício da profissão. Qualquer descarado diz que é fotógrafo.

Isto vem a propósito de haver quem se ofereça para fazer workshops ditos low-coast a um preço que fica abaixo de qualquer trabalhador da ferrugem. Não têm formação, não têm curriculum, tomaram eles que lhes ensinassem a eles, mas graças ao facebook e à facilidade de promoção apresentam-se como professores de fotografia. Se fossem padres ou médicos falsos eram presos por vigaristas, sendo fotógrafos são tolerados e até apreciados pela ousadia.

Uma vergonha. São os impostores da profissão. Piores do que os professores Karamba desta vida.

Já destruíram o mercado no jornalismo, na pub, nas empresas, nos eventos, atacam agora na formação como um vírus mortal.

Não investem um tostão em estruturas, instalações, equipamento. fazem workshops nas esquinas das ruas e enganam pessoas de bem.

Bate-chapas e photoshopadas limitada.

quinta-feira, abril 12, 2012

José Luis Madeira, o adeus do guardião de fotos

Gostava muito dele. Do José Luís Madeira que nos deixou ontem.

Gostava dele e ontem senti como o sentia amigo. Fiquei muito triste com este seu adeus.

 Gostava dele embora discordasse muito da sua visão sobre alguns lados da fotografia.

Não tinha a minha "escola" fotográfica, não partilhávamos os mesmos mestres, as mesmas referências. Acho que chegámos a discutir com vivacidade sobre isso, talvez durante um daqueles jantares na Trave, no Snobe, em casa da Joana ou na minha casa antiga.

O José Luís Madeira era um aristocrata na sua forma de ser e viver. Tinha um charme e um sentido de humor caustico que eu muito apreciava.
Podíamos discordar a falar de fotografia mas logo nos ríamos imenso a dizer mal deste ou daquele que faria parte de um grupo modista de artistas.
Má língua da boa. Com inteligência e nunca levando a vida demasiado a sério, embora com seriedade.

Acho que as primeiras vezes que o vi, nos anos 80, andava ele com uma Hasselblad e de fato branco. Acho que foi em frente à Leitaria Garrett do Chiado onde parava o Vitorino e outros loucos que vinham da Escola de Belas-Artes. Passámos muitas noites na conversa.

O José Luís sabia sempre qualquer coisa de novo e gostava de nunca revelar tudo o que sabia. Houve uma frase dele que ainda hoje uso muito em tom de ironia:" São cá uns enredos doutora que não lhe digo nada!". Dizia trocando o "r" pr um "g". Muito querido.

Tenho uma fotografia dele ( que não encontro já para aqui postar) feita nos claustros de Alcobaça com O João Bafo e o Carlos Gil. Também já desaparecidos no combate da vida.

Acompanhei-o na sua grande obra que foi recuperar a Casa-Estúdio de José Relvas na Golegã no final dos anos 70 e depois em algumas das suas andanças por estúdios antigos a recuperar espólios que acabaram no Arquivo do Palácio da Ajuda. Foi ele que me convidou para fazer uma grande exposição no Palácio da Ajuda nos já distantes anos 80.

A última vez que o encontrei foi há 2 anos(?) na Golegã. Entrei naquele café histórico onde já lá tinha estado com ele e vejo-o ali. Senti aquilo como uma coisa do destino. Foi a última vez que o vi.
Que tempos aqueles José Luís Madeira! Que tempos!

foto de Guta de Carvalho

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Nova lei do trabalho. Hoje houve golpe de Estado

O acordo assinado hoje na concertação social é um recuo de décadas na sociedade democrática que Portugal iniciou em 1974. Sem radicalismos ou saudosismos, a verdade é que as medidas hoje aprovadas entre patrões, o governo e aquele líder amarelo da UGT, atiram os trabalhadores para as calendas.

O que está em causa são princípios básicos sem os quais não se pode falar de uma sociedade verdadeiramente democrática.

Num país onde houvesse trabalho em abundância, oportunidades e escolha profissional, provávelmente nem seriam precisas leis laborais. No limite, repito. As leis do trabalho que mais defendem quem trabalha são tão mais necessárias quanto mais precárias são as condições de trabalho.
É precisamente na altura em que mais aumenta o desemprego que é aprovada uma lei que vai permitir que ele cresça até limites incontroláveis.

Todos sabemos que o problema principal de Portugal é a falta e iniciativa e de investimento. E essa falha não se deve às leis laborais, aos feriados e a outras tretas. Deve-se porque chegámos a um ponto em que dificilmente seremos competitivos, virados para uma Europa que cada vez também o é menos.

Iludirmos isto é fazer bluff. Mas que estas leis hoje aprovadas vão beneficiar os patrões desonestos e trazer de volta o conceito velho do vale-tudo para empregar e despedir, ninguém duvide.

Não é uma medida para crescer, nem para modernizar empresas. É uma medida de marcha atrás. Como aliás o país está a andar.Um golpe de estado institucional.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

FOTOGRAFIA TOTAL

Já estreou FOTOGRAFIA TOTAL, programa pioneiro na televisão, na TVI24, domingos 11H45.


A minha grande aventura televisiva. Realizado por mim e produzido pela LIGHTSHOT Televisão, com a autoria da jornalista Fernanda Pedro e de mim próprio.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

PINGO DOCE NA HOLANDA

Loja Pingo Doce na Holanda. Sabe bem pagar tão pouco:)))

                                                 QUEM SABE, SABE E O MANELINHO É QUE SABE!!!

Cursos de fotografia e fotojornalismo


Iniciam este mês de Janeiro, 2012, os cursos de fotografia e fotojornalismo, dirigidos por mim, Luiz Carvalho, na LIGHTSHOT.


Inscrições e informações: lightshot@netcabo.pt  ou 917575249

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Os capitalistas emigrantes

Passos Coelho, que é primeiro-ministro de Portugal, aconselhou numa daquelas suas tiradas de ideólogo de bancada os portugueses a emigrar. Claro que falava com os professores mas é evidente que pensava em todos os outros que têm como paisagem para a vida um longo deserto de desemprego.

Os capitalistas locais viram na ideia de jerico uma oportunidade de negócio. Melhor: apanharam ali a boleia que legitimava já a prática de transferir sedes de empresas consoante o paraíso fiscal ou a ditadura política.


O patrão do Pingo Doce que já andava a ameaçar há algum tempo passar a sede para fora de portas, pegou na sua mala de cartão dourado e aterrou na Holanda. Na verdade a Jerónimo Martins começou como uma mercearia, mas hoje é uma empresa que factura muito no estrangeiro, principalmente na Polónia. Foi aquele patrão que insultou o anterior primeiro-ministro. Foi um dos patrãozinhos que estiveram sempre, sempre ao lado de Coelho.

Esta medida não tem nada de ilegal. Embora o cinismo do CDS brade ao Céu em que tanto acredita ao vir falar em medidas para evitar a emigração legal dos patrões. Parece que o CDS não é governo ou então o CDS de Nuno Melo já está a aquecer os motores para fazer submergir Paulo Portas num daqueles submarinos inúteis e mais caros que centenas de Jaguares.

Este tipo de patronato explora-e-foge é o que temos demasiado em Portugal. Passam a vida a ameaçar os trabalhadores, o Estado e contam sempre de Janeiro a Janeiro com a bondade dos clientes que deixam lá grande parte do salário. O capitalismo perfeito.

Movimentam milhões, têm lucros brutais por pagarem aos fornecedores a 90 dias e em condições leoninas e o número de trabalhadores que empregam é mínimo relativamente ao que ganham. Não criam mercadorias de valor acrescentado. Especulam com esse negócio de merceeiro em grande escala. São merceeiros que pressionam a política e que impõem condições de trabalho draconianas.

Um movimento de cidadãos que pusesse na ordem muitos bancos, marcas e produtos poderia meter um pouco estes tipos na ordem.

Por exemplo: sou cliente do BCP há 20 anos. Mas como me querem cobrar uma taxa de 10 euros por mês para lá ter conta, vou tirar de lá a massa. E já comuniquei à minha gerente de conta. Vai já para o Deustch Bank. É igual? Talvez seja pior. Mas o inimigo do meu inimigo, meu amigo é.
 Se todos fizessem isto aquele banco que tratou nos últimos anos os clientes como criados teria de tomar juízo.

O Pingo Doce merece um boicote. O Lydl é mais barato e tem um queijo light excelente. E há outros merceeiros que podem vender o pão com cereais para diabéticos.

As empresas têm de aprender que o marketing começa na ética e não nos anúncios da TV.

Os chineses vêm para Portugal e os portugueses fogem com as suas empresas para fora.

Isto faz sentido?