domingo, setembro 26, 2010

A feira de Estremoz ao sábado

Um dos meus rituais é ir à feira de Estremoz, sábados de manhã, quando estou na minha casa do Alentejo. Hoje a feira estava melhor do que o habitual. O tempo de um Outono ameno, Sol radiante, as famílias que no Verão desapareceram por terem ido a banhos regressaram agora à cidade. O povo rural voltou a vender os magníficos produtos agrícolas. A lavoura em força, como diria Portas.

Na feira encontram-se peças únicas antigas, comercializadas por feirantes antigos, ciganos a sério, velhotes montados em Renault`s cinco ou quatro. Livros a 1 euro, brinquedos quebrados, galinhas e coelhos a fazerem o encanto do meu David, 8 anos, e hoje uma irrepreensível Macal M70 à venda a provocar a minha veia consumista por veículos obsoletos.

Mas o que senti hoje por ali é que há uma produção agrícola muito rica, de grande qualidade, que está ali à venda graças à teimosia de gente antiga que se recusa a abandonar aquilo que sempre fez e muito bem ao longo de uma vida.

Hoje senti-me mais português e com uma mágoa enorme de verificar que esse país está a morrer depressa de mais. Um caminho iniciado nos anos estúpidos do cavaquismo, onde se começou a reformar quem tinha 45 anos, a subsidiar para não cultivar e a pagar para abater barcos de pesca. Uma política de um homem que agora parece estar acima desta tragédia e que, confiando nas sondagens, vai ser levado no andor, nos ombros de um povo anestesiado.

sexta-feira, setembro 24, 2010

O FMI HÁ 27 ANOS EM PORTUGAL

 Há 27 anos, deve fazer agora em Outubro, eu e o Ferreira Fernandes, então repórteres no Tal & Qual, tínhamos uma missão impossível, encomendada pelo então activo director José Rocha Vieira.

Portugal estava de tanga e na tanga de arranjar dinheiro no estrangeiro para comprar bens essenciais. As importações estavam quase proibidas, os salários no vermelho, bandeiras negras denunciavam a fome no distrito de Setúbal.

O então ministro das finanças do chamado Bloco Central, o homem do cachimbo, Ernâni Lopes, decretou medidas draconianas. Impostos duros sobre tabaco, bebidas, gasolina....para saír do país só se podia levar 35 euros ( moeda de hoje) com carimbo no passaporte. Um país enjaulado, deprimido, muito mais angustiado do que hoje.

O FMI foi chamado a intervir por Soares para assegurar o cumprimento dos compromissos financeiros. Uma equipa de homens sem rosto desceu em Lisboa. À frente do pelotão de fusilamento dos pagantes portugueses estava uma mulher de ar frágil, coquette, irradiando sorrisos, uma tal doutora de Teresa Ter-Minassian.

Era ela que is apertar o cinto ao portuguesinho.

O Tal &Qual era então um jornal que praticava jornalismo de investigação, activo e interventivo. Uma redacção com 5 jornalistas, um fotógrafo que era eu, um apartamento acanhado em Camplide, um jeep Daihatsu, uma velha Citroen GS, e muita pica, todas as semanas fazia questão em fazer uma manchete surpreendente.

Se havia uma equipa do FMI era preciso fotografar esses homens sem rosto. E foi com essa missão que nos colocámos à porta do Hotel Altis e atacámos pela fresca a Teresa Ter-Minassian. Primeiro ela recuou quando me viu a fotografá-la depois acabou a sorrir de dentro de um Volvo bastante usado, no meio de dois homens (polícias da segurança?) sentada num daqueles velhos bancos de 3 lugares à frente.

Eu estava a começar a profissão, embora já nessa altura tivesse 5 anos de profissional.

Usei uma Leica M4, uma 35mm summicron, medi a luz a olho e era a única câmera que tinha na mão.





FOTOGRAFIAS DE LUIZ CARVALHO

terça-feira, setembro 21, 2010

domingo, setembro 19, 2010

A Serra de Sintra no maior dos abandonos.

Num dos locais do Parque da Serra de Sintra um catrapázio, hoje visto por mim, proíbe uma série de coisas, uma delas a fotografia comercial. Noutro ponto proíbe-se o turismo em carros assinalados. Não vi proibir fazer piqueniques ou acampar o dia todo em grupos. Noutro ponto proíbe-se apanhar lenha ou pedras.

Mas o que me mete impressão é o estado em que está a Serra de Sintra. Mato por cortar, árvores ameaçando desabar por quem circula na estreita estrada, o abandono total. Um parque sem segurança visível e sem uma cultura imposta de preservação. Uma pérola ao total abandono, dependente do destino e da boa vontade de um criminoso que por ali passe de isqueiro na mão.

O Convento de Santo António está ao abandono, a estrada até lá esburacada, o acesso a pé penoso. Ali criava-se um hotel fabuloso, uma esplanada deslumbrante, um ponto capaz de facturar milhares de euros por ano com uma combinação simples entre a gerência do Parque (Existe?) e um grupo de operadoras de turismo e hóteis da zona. A Câmara de Sintra e a de Cascais podiam entrar numa iniciativa destas. Mas não. Preferem fazer rotundas absurdas como aquelas que um inteligente de um engenheiro da Câmara de Cascais espalha pela região.

Este comezinho exemplo é um dos muitos que demonstram como somos um país com um potencial extraordinário para o turismo (interno e de fora) e que deixamos desabar tudo por inércia, preguiça e falta de empenho. Os americanos fizeram muito mais no Big Sur, que sendo lindo está uns pontos abaixo de toda esta zona entre Cascais e Sintra.

Somos umas bestas. E essa condição não tem a ver com a crise nem com o engenhocas. Tem a ver com a nossa mediocridade entranhada na pele. No ser e no fazer.

Deixou de haver edição de notícias em Portugal ?

Deixou de haver edição de notícias em Portugal. Quem gere a agenda dos jornais, e sobretudo das televisões e das rádios, sãos os líderes políticos.

Na passa sexta-feira viajei toda a manhã a ouvir a rádio. Entre as 7 e as 12 horas tive o rádio ligado entre a Antena 1 e a TSF. Pois bem: a notícia que abria todos os noticiários era a não-notícia de que Passos Coelho não iria aprovar o orçamento se o governo não fizesse isto ou desistisse daquilo. Tudo porque o líder da oposição tinha dado uma entrevista na RTP e aquilo servia de eco em todo o lado.

Depois repetiam até à exaustão o cancelamento da primeira empreitada da obra do TGV entre Poceirão e Lisboa. Outra não-notícia mas que os partidos da oposição aproveitaram para fazer campanha.

O que está a acontecer é que são os políticos a ditarem as agendas.

Basta um líder do governo ou da oposição dar um suspiro para que isso seja ouvido e replicado até ao cansaço. Claro que na sexta à noite nos telejornais eu estava a ouvir o que tinha ouvido toda a santa manhã na rádio, só que com umas imagens para entreter e se poder dizer que estava com a televisão ligada.

Esta subserviência e esta rotina é fatal para os chamados meios de comunicação que se portam na sua maioria como porta microfones dos partidos e do governo.

Não há edição crítica.Sobretudo não há um jornalismo que saiba enquadrar os acontecimentos nos vários factos relacionados. Há alguma imprensa de referência que o faz, sei do que falo, mas a maioria das rádios e das televisões alinham pelo diapasão do ruído.

A montanha pariu um Bento

Parece que toda a gente alimentou esta falácia de Madaíl.

Dos jornais ditos tablóides, aos mais circunspectos, dos comentadores mais isentos aos mais caceteiros, toda a gente levou a manobra de Madaíl a sério. Só faltou levarem o homem ao colo ou num andor.

Percebe-se que anda toda a gente a fossar para ter clientela a todo o custo. E qualquer trolha percebe que alimentar suspense à roda do futebol dá conversa fiada. Mas parece que foi longe de mais tanta hipocrisia.

Madaíl quis legitimar desde o princípio a contratação de Bento inventando um caso político. Pensou: convido o Mourinho. Ele não pode dizer que não, ficaria liquidado para ser treinador da selecção daqui a uns anos (ideia que ele já divulgou). Mas como a ideia é mitómana, o Real Madrid nunca dará o consentimento (só se o dirigente do clube madrileno tivesse enlouquecido!) então pomos lá o idiota útil e quando a coisa der para o torto, estamos safos. Eu, Madaíl, até queria o Mourinho, portanto: não serei acusado de incompetente. Madaíl usou o nome de Moutinho como um escudo visível.

Esta é uma das histórias mais inenarráveis do futebol português. Uma manobra de baixa  política e de marketing manhoso, tão de  tosca como de xico-esperta. Mas em que toda a gente alinhou com a maior da desfaçatez.

Cada país tem o Paulo Bento que merece e a merdaíl respectiva.

terça-feira, setembro 14, 2010

Curso de photojornalismo no iPad

Promo do curso de photojornalismo de Luiz Carvalho no iPad. Jornalismo digital, convergência de plataformas.

Braço direito de Isaltino ferra o dente em polícia!

Poucas vezes o jornalismo tem a possibilidade de por em prática aquilo que se aprende numa escola de jornalismo: "se um cão morder um homem não é notícia, mas se um homem morder um cão é manchete!".

Ora bem: o braço direito de Isaltino Morais, um tal de Esequiel, acaba de morder não num cão mas num polícia... O pleno teria sido se tivesse mordido num cão polícia!

Amanhã pela fresca o assessor de Isaltino apresenta-se no tribunal e não vai sair de lá sem uma multa pesada. E o Tribunal de Oeiras não costuma ser brando quando se trata de agentes maltratados.

Claro que isto vai dar brado, mesmo depois de Isaltino ter vindo em defesa do seu assessor."Ele não estava de serviço!".

De serviço não estaria, mas que ferrou o dente, ferrou. E foi a doer. Se estivesse de serviço, açaimado e com trela, nada disto aconteceria. Não se sabe se estava vacinado contra a raiva!!!

domingo, setembro 12, 2010

A Justiça e o sistema Bill Gaitas!!!

Parece que o único sistema informático do Estado que funciona bem é o da Direcção das Contribuições e Impostos. Talvez porque foi implementado por um homem que veio do BCP, o banco que melhor serve os seus clientes no home banking.

O resto dos computadores do Estado estão sempre a ir abaixo. Sofrem desse vírus que é o sistema windows com a panóplia de informáticos que conseguem emprego porque há um sistema que pura e simplesmente está sempre a pirar. Parece o meu Range Rover: o ideal era eu ser mecânico pois todos os dias cai um parafuso, pinga óleo de um tubo diferente, desaparece a água do radiador, o vidro deixa de subir....enfim: um chasso. Mas giro. E tem estilo:)

O sistema operativo do Mister Gates (uma gaita!!), além de não ter estilo nenhum, ser estúpido como um porta, ainda tem muita mão de obra e dá barracas como a que vimos agora com o processo Casa Pia. A explicação de que não conseguem formatar os ficheiros (o que é isso?) e que o que foi escrito há 5 anos não é compatível com o sistema de hoje é de me atirar a rebolar a rir!

Quer dizer: os malfadados informáticos andaram a envenenar a opinião incauta que o sistema Apple não era compatível (uma mentira total, pois é compatível com tudo o que é sistema Bill) afinal o windows não é compatível com ele próprio! Ahahahah!!

O ano passado o Ministério da Justiça comprou centenas, ou milhares, de computadores. Na altura anunciaram que tinham também comprado metade da quantidade dos computadores em impressoras. Na altura escrevi: quer dizer que no Ministério da Justiça se continua a imprimir o que se trabalha digitalmente, o que é uma aberração. Os computadores são uma espécie de máquina de escrever. Depois de feito o trabalho....imprimem e guardam em dossiers. Tum! Arquiva!

Esta prática é corrente. Todos os dias vejo jornalistas a imprimirem milhares de folhas A4, têm as secretárias pilhadas de papel e não passam sem dossiers, agrafadores, clips, esferográficas e outro material escolar. É a rotina do antigamente que custa no final do ano milhares às empresas. Mas na verdade ninguém põe um ponto final neste tipo de cultura de trabalho e neste despesismo.

Na Justiça deve ser pior. Imagino que o Processo Casa Pia deve estar encravado entre um PC com um word 95 e um word 99 ou qualquer outra aplicação de amanuense. Os chamados informáticos devem estar radiantes: podem mostrar que o seu trabalho de canalizadores de redes furadas é imprescindível e que sem eles tudo pararia. O que até é verdade. Sempre que ligo um determinado PC (não é meu!) ele encrava logo: não reconhece a pen, se reconhece desaparece a rede, se reconhece os dois é porque tive de fazer o malfadado CTRL+DELETE !!!

Eu gostava de ver o despacho dos juízes numa aplicação descarregável no iTunes para ser visto no iPad ou no iPhone e com um versão em pdf pronta a ser tirada da net. Se o processo passou a público, acho que seria interessante. Claro que estou a brincar. Mas que era possível, lá isso era!

sábado, setembro 11, 2010

9 anos depois o 11 de Setembro deixou marcas na fotografia

11 de Setembro, foto de Thomas Hopker/Magnum

Há 9 anos estava a almoçar com o meu amigo António Pedro Ferreira no Café IN, junto ao Tejo, quando começámos a ver nas televisões da sala uma imagem, em directo, num plano que não tinha fim.

Vimos um avião embater num edifício e percebemos que algo de estranho se estava a passar. As televisões não tinham som. Quando o segundo avião embateu nas Torres Gémeas percebemos que aquilo era a transmissão em directo de uma catástrofe. A minha mulher ligou-me passados segundos (confirmou-me hoje ela) e penso que liguei de seguida ao meu filho André. Não dava para acreditar.

"Já assistimos a tragédias em directo"- terá dito o meu amigo. O som foi entretanto levantado e percebemos que era algo de grave em Nova Iorque, embora não houvesse ainda informação sobre a origem do desastre.

Passados estes 9 anos o Mundo mudou, como todos sabemos e sentimos. E a fotografia também mudou arrastada pela dinâmica da internet que entretanto medrou e se tornou na galáxia que une o Mundo em permanentes contactos digitais.

Os fotógrafos amadores tiveram no testemunho do 11 de Setembro um papel principal, ultrapassando em veracidade muitas das fotografias dos fotojornalistas, que não estavam no local do embate na hora H. A forma como as imagens foram difundidas fizeram da fotografia do cidadão um novo meio de informação em directo.

Claro que há um portfolio notável de fotógrafos notáveis e que foram essas fotografias que acabaram por ficar para a História. Porque são mais impactantes, mais intencionais, mais dramáticas. As fotografias dos amadores ficaram como provas testemunhais únicas e valem pela oportunidade.

Mas esta dinâmica fotográfica não mais parou. A evolução das câmaras digitais, o seu preço reduzido, e a possibilidade de se poder agora partilhar na internet as emoções visuais, tirou protagonismo aos fotógrafos-mestres e aos profissionais exemplares.

Esta nova janela para a fotografia encheu o Mundo artístico de contradições, desbaratou o acto fotográfico e deixou sem futuro muitos fotógrafos com curriculum afirmado.

Fotografar passou a ser mais fácil para os amadores e mais complicado para os profissionais.

Aumentaram as restrições, as reservas à captação de imagens em certos lugares. Embora o Google tenha possibilitado a total indiscrição com as suas imagens aéreas (e muito bem!) a fotografia terrena viu-se mais controlada e os fotógrafos muito mais incomodados.

Uma data que nunca esqueceremos. Nem eu nem o meu amigo imaginámos naquela hora de almoço, onde estávamos a falar das limitações criativas no exercício do fotojornalismo, imaginávamos que aquela conversa estava a passar para a História e que depois daquela imagem da televisão, o fotojornalismo, a nossa profissão, iria sofrer também ela um abanão digno de meia dúzia de terroristas suicidas.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Fotógrafos em polvorosa no Facebook

Uma das minhas primeiras fotos em digital. Cabinda, 1999, Canon D30 com 3 megas!

Um desabafo meu no Facebook sobre o facto de haver escolas que desprezam o ensino da fotografia no suporte digital, levou a uma discussão por vezes violenta entre fotógrafos. Mais de sessenta comentários, o que é notável.

A discussão é de lana-caprina. A fotografia é sempre a mesma, o que muda é o suporte para fixar a imagem. Todos sabemos disso, os que conhecem a essência da fotografia. Uma Canon 5D não é diferente de uma EOS1, uma Leica M9 não difere em nada de uma M7.

Portanto: é uma discussão inútil. Mas os preconceituosos, melhor: os que não apanharam a tempo a evolução da fotografia, e se recusaram a usar o computador em vez da câmera escura, estão agora armados em puristas porque pura e simplesmente não atinam com a nova técnica.

Há 10 anos quando a fotografia digital foi dada como económica e de qualidade profissional, falo do aparecimento da primeira Canon Eos 1D e da liberalização do photoshop, muitos colegas meus olhavam com desdém para a minha insistência em querer fotografar em digital. Uns diziam que aquilo era vídeo, outros achavam que era coisa de agência, outros mandavam comprar mais uns quilos de filmes, que acabaram abandonados num armário-frigorífico.

Hoje os que na altura rejeitavam o digital, têm uma total desadaptação à fotografia. Lidam mal com o computador, não sabem editar basicamente as fotografias, continuam a achar que o tratamento de imagem é para técnicos. E refugiam-se no conforto da fotografia analógica, como se falassem de uma espécie de fotografia gourmet, tão inútil como a variante culinária, naquela fase decorativa e nova-rica.

A fotografia digital permite hoje uma qualidade em nitidez, definição e nuance, que o filme não dá. Digitalizar um slide não vai permitir uma melhor imagem do que em digital. O filme já não consegue a resolução dos modernos sensores e até as objectivas de há 10 anos começam a não dar recado para a capacidade de resolução dos mesmos sensores.

Claro que há um ambiente que se perdeu com o digital. A massificação da fotografia foi tão nefasta como a massificação das universidades. Isso acontece sempre que qualquer meio se democratiza. Para o bem e para o mal.

Agora, escolas que se dizem deste tempo, recusarem o ensino da fotografia tal como ela é hoje, é uma aberração.

Nos meus workshops de fotografia e nos meus cursos de fotojornalismo não distingo fotografia analógica da digital. E demonstro como a essência da fotografia é exactamente a mesma. Um mau fotógrafo é mau de todas as maneiras. Embora o digital permita disfarçar alguns erros de operação, mas nunca pode substituir o olhar, a cultura, a sensibilidade. Parece óbvio.

Aliás o mesmo se pode aplicar ao cinema. As grandes produtoras, e sobretudo as pequenas, estão a revolucionar a forma de produção ao usarem câmeras Canon para filmarem séries de televisão, filmes e documentários. Estão a chegar à conclusão que o que se perde por vezes em pormenores se ganha em eficácia. Filmar hoje a 3200 asa, ou mais, com menos luz, era impensável há pouco tempo onde o limite era de 800 asa, já com a película puxada, a dar grão e um contraste sem leitura nas baixas luzes.

Os fotógrafos deviam por vezes fotografar mais e perderem menos tempo com discussões da treta sobre aspectos técnicos que são úteis, sobretudo depois de termos esquecido tudo o que aprendemos sobre eles!!!

segunda-feira, setembro 06, 2010

Sebastião Salgado rendeu-se ao digital e à 5D MarkII

...Faz um ano que eu fotografo com câmera digital... Até então era com negativo. Agora, minha imagem passa a ser um conceito, que está ali dentro transformado em ondas magnéticas. Eu tenho um telefone novo com internet. Eu fui mexendo, fui no Google, coloquei meu nome e cliquei em imagens. Minhas fotos entraram dentro do meu telefone. Pronto! Eu não sei fazer outra vez, mas fui brincando até chegar lá. Isso é fascinante, mas é muito difícil para uma pessoa que trabalhou sempre com um produto resultado da química, que é o filme, passar a usar um produto resultado da física.

O que fez você passar a usar tecnologia digital?
O mundo depois do 11 de Setembro virou um drama para os fotógrafos. Nós usávamos filmes e tínhamos os raios-x nos aeroportos. Eu vinha de Sumatra no ano passado, no mês de abril. Passamos por sete controles de aeroportos com 600 rolos de filme. Tive problemas em vários deles. Não adiantava mostrar para eles as cartas da Kodak, dos governos... Eu reaprendi a fotografia. A digital me facilitou a vida. Estou usando uma Canon EOS-1Ds Mark III, que é fabulosa.

É um susto para muita gente ver você falando que a digital é melhor...
É melhor mesmo. Os químicos não existem mais. Tive que fazer os bons químicos até um ano e pouco atrás. Para conseguirmos papel para as cópias de leitura, tínhamos que trazer de Tóquio! Os filmes foram caindo de qualidade. E a qualidade que eu tinha em um 35mm anos atrás eu não tenho mais no médio formato agora.

Com a popularização das digitais, mudou a relação da sociedade com a imagem?
Nada. Absolutamente nada. O número de fotógrafos não aumentou, não melhorou e não piorou. Você só mudou a base, exclusivamente a base. O problema é de sensibilidade e identificação com a profissão, de saber se é fotógrafo ou não.

A câmera digital altera a questão da memória?
Acho que não. A fotografia, na realidade, é a memória da sociedade. São cortes representativos, são momentos que você faz da sociedade. É a verdadeira linguagem universal. A maneira de escrever cada um tem a sua, com uma vantagem para a fotografia. Ela não precisa de tradução. É realmente uma linguagem fabulosa.

domingo, setembro 05, 2010

O tempo de antena de Carlos Cruz e companhia....

....ou o silêncio dos inocentes.

Não conheço uma pessoa dos vários extractos sociais e culturais, e são muitas, que não estejam indignadas com as declarações e com o tempo de antena que têm tido os condenados na 1ª instância do Processo Casa Pia.

E a maior revolta vai para aquele que já disse numa entrevista recente que gostava de fazer bluff quando era apresentador de concursos para idiotas (a designação é minha, claro). É sobre CCruz que recaem as maiores críticas.

As pessoas não percebem como pode um tipo daqueles ter o tempo de antena que tem, ir a telejornais sem ser confrontado pelos pivots por aspectos em que devia ser inquirido.

O ex-astro da TV ameaça o sistema judicial, evoca noções tão nobres como a liberdade, já fez de sociólogo a caracterizar o comportamento de alguns putos casapianos, chora, entremela a voz, olha para baixo, faz de vítima. Por seu lado o seu advogado Sá Fernandes dá-se ao luxo de ofender a juíza do caso e vem no telejornal seguinte falar em período das trevas, fazendo-se de advogado não do Diabo mas de um santo Antoninho qualquer. O mesmo advogado que há pouco tempo montou uma encenação para apanhar um empresário em flagrante delito. Uma figura tão lamentável como o seu irmão que empatou um túnel que custou uns milhões aos contribuintes. Depois os idiotas dos eleitores elegeram-no para a CML onde mantém um staff de luxo para decidir enormidades, uma delas o aumento brutal na hora de estacionamento em Lisboa.

O que revolta o povo é saber que se pode injuriar a justiça e que há cidadãos nesta terra que podem vir defender-se à TV, serem manchetes em jornais em sua defesa e que milhares de portugueses injustiçados não têm direito nem a um minuto de lembrança.
O Processo Casa Pia foi longo, e será,  mas conseguiu fazer-se justiça.

Havia 32 testemunhas, muitas não se conheciam entre si, que fizeram depoimentos com factos idênticos, descrevendo as mesmas pessoas. As testemunhas deram a cara, juraram em tribunal.

O Ministério Público fez uma investigação detalhada com cruzamento de datas, uso de  telemóveis, vias-verdes, cartões de crédito. Ouviu mil testemunhas e no fim decidiu condenar 6 dos 7 arguidos. A estalajadeira de Elvas só não foi condenada porque os socialistas andaram a mudar o código penal e a lei para facilitarem casos como este da Casa Pia.

António Costa quando chegou a Ministro da Justiça, depois do camarada Pedroso ter estado preso, resolveu alterar pormenores que deram folgo aos arguidos. E estes arguidos foram muito beneficiados com essa lei.

O que está agora em causa é o respeito pela lei e o respeito pela justiça. Se todos os condenados tivessem o comportamento do enterteiner CCruz isto entraria numa República das Bananas.

Mas também temos de admitir que a imprensa e as televisões têm uma pesada responsabilidade. Dão voz a quem vende. Não dão voz a quem não tem nome.

Uma imprensa e televisão que dão força aos fortes e silêncio aos fracos.

sábado, setembro 04, 2010

No Instante Fatal não há censura!!!

Tive que passar a moderar os comentários, porque uma bestiola decidiu escrever como anónimo insultos.Embora eu saiba quem ele ė não vou permitir ser insultado no meu espaço. Daí haverem comentários como os do LR que estavam por publicar, pois estive fora e sem tempo para os ler e publicar. Aqui ficam hoje os comentários feitos, excepto o da besta. Obrigado e participem sempre.

Processo Casa Pia. O tribunal decidiu. O povo já decidiu.Está decidido.

Com o desfecho desta fase do processo Casa Pia ficam alguns heróis. Os inspectores aguerridos da PJ que investigaram, o Juiz Teixeira, o Procurador João Aibéu e a juíza Ana Peres.

Todos sabemos que os anos a que foram condenados seis dos sete arguidos serão anos de prisão virtual, dado o sistema jurídico perverso a que o poder político reduziu a lei. Com advogados empata-penas é fácil arrastar o processo até à prescrição final.

O comportamento do advogado de CCruz, essa figura agitada da advocacia, foi hoje bem evidente no final do julgamento e depois nos vários telejornais por onde foi passando numa actuação digna de um verdadeiro artista.

O homem do 123, esse foi também um verdadeiro one -man- show fazendo jus aos seus dotes de enterteiner, como o demonstrou em recentes espectáculos no casino.Está em forma e não se recomenda.

Fez de vítima, disparou contra a justiça, e até deu uma de sociólogo ao analisar o problema de miúdos da Casa Pia que não têm uma família estruturada... Nunca se viu na televisão alguém condenado numa primeira instância dar-se à desfaçatez de insultar juízes e a nossa inteligência. Carlos Cruz dirigiu-se hoje ao público julgando que estava numa sessão do 123, um concurso para idiotas e atrasados mentais.

Este espectáculo lamentável é possível quando parece que desapareceram jornalistas dos telejornais e agora vamos tendo por ali mais uns apresentadores incapazes de fazerem perguntas, cortarem a palavra às tretas dos convidados. Os pivots da TV perderam acutilância, saber. Uns bananas encartados, amedrontados, inábeis.

Claro que o julgamento foi uma farsa!

Jorge Rito nunca foi referenciado em jogos sexuais com miúdos, o médico do Ferrari nunca foi visto com menores, Carlos Cruz nunca foi citado em nenhum processo deste tipo.

Nem o fugitivo Carlos Mota, o homem que lhe segurava no charuto de CC, enquanto ele ia ensaiar  em estúdio, nunca foi citado como tendo violado duas meninas há muitos anos atrás.

Nem as trinta e tal testemunhas que depuseram no processo, e que mesmo nunca se tendo conhecido os seus depoimentos coincidiram em pormenores concretos, nem aquelas milhares de páginas fazem sentido!

Para os arguidos é tudo uma tramóia, urdida por uma entidade abstracta com fins metafísicos inconfessáveis. Os juízes são loucos, o procurador Aibéu um fanático, os homens da PJ uma associação de malfeitores para tramarem uma velhinha estalajadeira de Elvas, um médico vizinho da Casa Pia, um decadente apresentador de TV e outros.

Durante anos todos se juntaram para tramar seis inocentes e glorificarem uns putos malandros que receberam uma pipa de massa pela mão do ex-ministro Bagão Félix e que nunca foram violados.

Os que conseguiram escapar ao julgamento, e parece que são muitos, podem hoje estar a rir.

Escaparam à tangente. Os que vão recorrer até à exaustão neste sistema perverso, que os socialistas ajudaram a reforçar, pela mão do então ministro António Costa, depois daquele espectáculo degradante de Paulo Pedroso ter transformado a Assembleia da República num circo, esses que agora vão ser os empata-penas nunca mais dormirão descansados.

Com recursos ou sem eles, um tribunal já se pronunciou e o povo já decidiu. Está decidido.