sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Todos descontentes todos iguais

À minha volta só tenho gente descontente. Todos vítimas do governo ou de acções do governo. Não me lembro de tantos protestos, tantas queixas. As pessoas sentem-se humilhadas, estão ofendidas e mal pagas.

Um colega descobriu hoje que afinal ia pagar muito mais pelo imposto de circulação do que antes ao ter comprado um carro novo, que afinal também não baixou assim tanto de preço. Eu fiquei de boca à banda quando descobri que vou pagar de imposto de circulação o dobro que pagava porque o meu Porsche tem matrícula portuguesa com mais 4 anos do que o ano de fabrico. Vou pagar uma barbaridade. E meus caros amigos: se isto está mal para quem tem um modesto Porsche que dirão os que têm 997 ? A sério: o saque é total.

Amigos e familiares meus que são professores sentem que a sua estima, orgulho e empenho em serem professores... foi-se. Puf! O governo não quer fazer reformas. Quer humilhar a classe média, tirar-lhe poder, protagonismo, para depois poupar uns trocos.

Os professores são para abater, os médicos para domesticar, os advogados para trazer pela trela, os jornalistas para amordaçar. E consegue fazê-lo. Para mim o maior mistério em tudo isto é como um primeiro-ministro medíocre, sem grande cultura, um provinciano, consegue chegar onde chegou, deixando tudo e todos rendidos à força da arrogância, da propaganda, do marketing. É o Xico-espertismo no seu melhor. O homem pode ter sido cábula, mas como self-made man tem conseguido o pleno. É bom no Parlamento, neutraliza jornalistas de qualidade na televisão, só lhe falta corrigir  o falsete da voz. Mesmo esse tique faz lembrar o timbre do Salazar que discursava entre palavras concisas e firmes e um tom de falsete que lhe dava um tom feminino, muito ao agrado das mulheres. lá saber-se porquê !

Luis Sarko Meneses frenético

Meneses está frenético. Hoje quer os médicos em regime de exclusividade. Atendendo a que um médico num hospital público tira por mês mais ou menos 1500 euros ( e...e...) estão a ver o futuro... quer dizer que o espírito Sócrates está no PSD. Por isto, e muito mais, é triste a situação portuguesa. Ter de escolher entre a fome e a vontade de comer.

Amanhã irá propôr a privatização da tropa ? Era boa ideia pá !

A justa luta dos professores que não são cábulas

Nem todos tiraram o curso na Farinha Amparo

Os professores devem ser avaliados como todos os profissionais. Agora não é à trouxe- mouche ( escreve-se assim?). Suponham, é um suponhâmos, que se ia avaliar o inglês técnico do engenhocas....ou os professores que o ensinaram (!). Ou se fossemos avaliar a merda dos projectos que ele teve o descaramento de assinar e a desfaçatez de afirmar que são da sua autoria. Quanto davam aquela bosta ? Uma bomba para limpar a paisagem ?

Esta questão do curso de Sócrates e dos seus projectos não são assuntos íntimos. São a prova que um primeiro-ministro quando teve fragilidades como estas perde a autoridade moral. Quer dizer: o tipo quer os professores avaliados mas a licenciatura dele foi passada a um domingo numa Faculdade que dava cursos e aulas virtuais.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Luis Nazaré phone-ix contra a DECO

Chefe dos Correios não aceita críticas. Está tudo bem nos CTT.

Frente-a-frente entre e DECO e Luis Nazaré há pouco na SIC N. Um choque nada tecnológico. Luís Nazaré com a prática de comentador futeboleiro ( grande escola ! grande escola! É o estágio para primeiro-ministro!) foi agressivo, arrogante, mal educado e demagógico. Luís Nazaré usou golpes baixos para fazer crer que os CTT são melhores que a DHL ou a TNT e que aquilo é uma empresa de excelência. Meu caro: os CTT é uma empresa que não facilita a vida ao cliente:

1- Fecha à hora do almoço !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

2- Não tem terminais multibanco !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

3- Vende cangalhada que não tem a ver com a sua vocação

4- Tem um corpo de funcionários simpáticos, mas mais parecem vindas da República do Azerbeijão. Não têm formação profissional. ( e alguns são do Benfica !!!!!!!!!)

5- Tem uma imagem desgraçada.

6- Os carteiros distribuem as cartas em motorizadas tipo Famel Piriquito. Brruuuuuuu! fffff..

7- Ir aos correios é como ir para a consulta da caixa. Deprimente. OUT!!!!

8- Os CTT ainda tem resquícios do monopolismo fascista.


Luís Nazaré: não mudes os CTT que não é preciso !!

E para a próxima na TV não vale de correio a pena ir pelo insulto e a arrogância. Sabemos que essa é a escola do grande timoneiro Sócrates. Mas já basta o que basta. Ser Sócrates dos pobres é o pior que há. Conselho de amigo.

CTT: não mande, vá pelo seu pé. Ou mande um e-mail !!!

Luis Sarko Meneses não quer pub na RTP

Não percebem puto de pub na TV os detractores de Meneses. o homem de Gaia riposta:" já ouviram sobre isto o que diz Sarkozy?". Boa referência. Para a próxima quando lhe falarem na namorada, Meneses dirá:" já viram a Bruni?" ou quando mandar à merda um manifestante socialista poderá justificar-se:" O Sarkozy ainda insulta mais forte!". Meneses pode mesmo vir a chamar escumalha aos bacanos da Cova da Moura. O sarkozy disse o mesmo dos revoltados dos subúrbios.
Não se percebe porque está o autarca gaiense tão preocupado com a pub. Se é para o contribuinte pagar mais taxa na factura da luz, está a seguir o Almeida Secas e não o Sarko. Se é para mostrar serviço...o melhor é ter calma. Caladinho faz melhor oposição. Faça de morto doutor Meneses. O silêncio fica-lhe tão bem !

Pacheco Pereira: o Estado já sabe de mais

O professor universitário e comentador político Pacheco Pereira acusou esta quarta-feira o Estado e sobretudo o Ministério das Finanças de «saberem de mais» acerca dos cidadãos, noticia a Lusa.

«O Estado não tem o direito de saber a maioria das coisas que já sabe sobre mim», afirmou o antigo eurodeputado durante um seminário sobre novas tecnologias e governação electrónica, realizado hoje em Amarante.
Para Pacheco Pereira, «as Finanças, em Portugal, foram já muito mais longe do que seria aceitável», ainda que em nome da eficiência da cobrança fiscal. O comentador político e confesso adepto da tecnologia digital - é autor do Abrupto, um dos blogues mais antigos e com mais visitas em Portugal - também alertou para os perigos da Internet, se for usada incorrectamente e, sobretudo, para «a grande erosão que as novas tecnologias podem causar à democracia».

«Todos sabem que sou um grande consumidor mas é muito perigoso o deslumbramento com as novas tecnologias, sobretudo entre os jovens», afirmou. «Os jovens arrependem-se, quando são adultos, do que escreveram na Internet quando tinham 14 anos e isso fica para sempre na rede», lembrou Pacheco Pereira, ao referir-se à utilização das redes sociais muito populares entre os mais novos, como é o caso do Hi5, onde os jovens colocam quase tudo, desde coisas banais até às questões mais íntimas.

«Wikipédia não é rigorosa»

Para acautelar esse risco, o comentador - foi um dos três primeiros deputados da Assembleia da República a ter uma conta de e-mail (correio electrónico) - atribui às escolas e às universidades o papel de preparar os cidadãos para lidar com os meios digitais. «As novas tecnologias exigem literacia para serem correctamente usadas», frisou Pacheco Pereira, defendendo que os cidadãos e sobretudo os estudantes, quando fazem consultas na Internet, devem saber distinguir o que é verdadeiro do que é falso.

«No caso da Wikipédia portuguesa, nove décimos do que lá está escrito não é rigoroso. Não digo que seja falso mas não é rigoroso», concluiu.


quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Serviço dos CTT é do tempo da outra senhora.


CTT NÃO ACEITA CRÍTICA DA DECO. E DOS UTENTES ?

Os CTT ficaram furiosos com a DECO. Vão processá-la porque acham que houve tendência num inquérito que revela o mau funcionamento dos CTT. Ficaram admirados ? Não sei porquê. Houve um esforço na mudança de imagem dos CTT há uns anos atrás. Sumiram as velhas estações, os saudosos logotipos. Tudo mudou, até a côr vermelha com um requinte inglês. Passou a haver um azul berrante, e os balcões mudaram.

Vou poucas vezes aos Correios. Felizmente. Quando lá tenho mesmo de ir apanho bichas infindáveis, uns empregados esforçados mas desactualizados. Os Correios têm um horário inacreditável: fecham à hora do almoço ! E nem multibanco têm. Como é possível Luís Nazaré não teres multibanco nos balcões dos teus Correios ? Depois aquilo tudo está demodé mas preocupam-se em vender edições de livros e tralha que nada tem a ver com a vocação de um serviço daqueles.

Os carteiros perderam a personalidade e o estilo. Há montes de trocas de correspondência nas caixas e usam umas poluidoras motas, feias, sem imagem para a distribuição. Tenho apanhado motoristas dos CTT que têm tudo menos de profissionais. Vejam o comportamento profissional de motoristas de empresas como a DHL ou TNT.

Os Correios pararam no tempo. Prestam um mau serviço. Aquilo não é friendly. A DECO tem razão.

Belmiro mete medo

foto de Luiz Carvalho
Ontem Belmiro de Azevedo deixou cair uma frase curta, incisiva e mortal: o Estado está no assalto aos impostos dos contribuintes. Depois até lhe foram dar um rebuçado com aquela história da SONAE poder vir a explorar o aeroporto do Porto.

Com uma simples frase o homem mais rico de Portugal fez mais do que meses de oposição. É que ele sabe que se a classe média continuar a perder poder de compra ele também vai sofrer fortes baixas no seu negócio. E ao afirmar que Portugal só tem serviços e pouco produz é um facto Embora os lucros da SONAE venham muito mais da actividade da distribuição do que da produção. Aqui Belmiro podia investir mais na produção, exportação e mais postos de trabalho.

Apito de lata dourada


No tribunal o árbitro que deu origem ao processo Apito Dourado exibiu o objecto, o ícone da justiça portuguesa da época Sócrates. Parece que o apito é dourado mas a substância é mesmo lata. Faz lembrar a cultura de Sócrates: dourada mas aprendida com muita lata. Diria mesmo: latosa!

Simone chama "badameco" a José Fragoso

foto Luiz Carvalho
Simone de Oliveira é mulher coragem. E ontem não teve pápas na língua para o novo director de programas da RTP, José Fragoso. No final da apresentação da nova Vila Faia, ao saber que iria passar ao sábado ao fim do dia e não em prime time, a actriz chamou badameco a Fragoso. A situação tornou-se embaraçosa para todos: produção, actores e convidados, muitos jornalistas. Acabou em desculpas.

Simone pôs um empenho enorme neste seu papel e aceitou com dificuldade o critério de Fragoso que parece não querer ir atrás das outras televisões. Pôr Vila faia a concorrer com as novelas da SIC e da TVI podia ser um desastre.
Simone tinha sido homenageada na noite anterior no Coliseu e a RTP tinha dado um grande contributo para o espectáculo.

Uma certeza: Vila Faia é espectacular com uma produção e realização que não fica nada a dever á Globo.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

domingo, fevereiro 24, 2008

Um fim-de-semana como os outros

O fim de semana torna-se num estágio sobre a semana depois de trazer para casa quilos de revistas e jornais. Não resisto a ir a Cascais pela manhã, àquela tabacaria junto ao Hotel cidadela e atestar de notícias.
Por vezes acabo irritado com o que leio e era mais saudável fazer um bloqueio total aos jornais para descanso. Nem no Alentejo o consigo fazer. O que acontece a nós jornalistas é que ler jornais acaba sempre em trabalho.

Algumas notas soltas sobre o que li

O El Pais fez duas semanas seguidas duas reportagens com os dois candidatos fortes à liderança espanhola. Duas edições soberbas. Excelentes textos e fotojornalismo poderoso feito por dois fotógrafos decanos do El Pais. Para quem defende que o futuro do jornalismo off-line está na infografia devia pôr aqui os olhos. A não ser que o El Pais também já esteja na lista negra dos arautos da "modernidade" que por vezes leva à quebra brutal das audiências e das vendas. Têm as melhores teorias mas na prática infelizmente nem sempre se revelam ganhadoras.

Vicente Jorge Silva comenta a entrevista de Sócrates à SIC e como quase todos os comentadores não deixa de a referir como um grande acto de marketing do engenheiro. E traz a ideia de desalmado ( que eu já aqui tinha referido no Fatal). Mesmo quem não gosta do chefe do governo reconhece a sua vitória daquela hora na SIC. Manipulador, soube usar as manhas certas no instante certo." Uma conversa em família"- escreveu alguém. Marcelo Caetano usou da mesma técnica o que não impediu de ter havido um golpe passado um mês da sua converseta em que dizia tudo ir bem e a oposição ser derrotista, ingrata e mentirosa.

A LUX tem feito uma campanha miserável em torno da Alexandra Lencastre e de uma sua meia irmã que é jornalista na RTP. Aqui está um caso que demonstra a inaceitável intromissão na vida privada das pessoas. Que culpa tem a mãe da Alexandra Lencastre para ser exposta assim ? Acho mesmo muito grave. E aqui não há ERCS ?

O PSD teve uma semana para esquecer. Caiu a casa e vamos ver como se vai levantar do chão. Não podia ser pior com Meneses a cair na contradição, Lopes a fingir que é cordeirinho e leal ao chefe, a bronca da Somague e do financiamento, a forma como Durão sai para já impune desta embrulhada, o Casino de Lisboa, Arnaud e companhia, com Meneses a voltar a mandar os opositores a darem a cara imitando o Bento. Bom se isto vai continuar assim o PSD vai dar outra maioria ao desalmado e quem vai pagar vamos ser todos nós. Uma miséria menesiana. Volta baixinho estas perdoado. Ganda Nóia !!

A Pública reuniu os dois portugueses que ganharam o Worl Press Photo, Eduardo Gageiro e Miguel Barreira. Gostei imenso do trabalho. E gosto muito da atitude do Miguel. Ele mostra que para se ser fotógrafo tem de se ser alguém que está bem com a vida. Não é nunca a fotografia que é importante. O importante é só a vida. E ele ao pôr a família, o surf à frente da fotografia está a ser um grande fotógrafo. Dou-lhe daqui um grande abraço.

A netpanel revelou as audiências dos jornais on-line e confesso que não fiquei nada feliz com o que vi. Não gosto de perder nem a feijões, mesmo quando não tenho responsabilidades directas nos resultados.

As cheias de há uma semana continuaram a marcar as conversas deste fim de semana. O país está por pinças há anos e todos têm culpas. Até eu evito mandar limpar a caixa de esgoto do meu prédio. Mas quando num condomínio de luxo em Alcântara a garagem enche de água até 1 metro e estraga 200 carros....meu Deus, como é possível ? Aquilo fica na Rua do restaurante do Herman onde já havia cheias quando chovia. Não era previsível? Até o magnifico Range Rover novinho da fadista Marisa ficou estragado !

O Herman deu uma boa entrevista na Renascença e lembrou que anda há 7 anos a pagar uma dívida ao fisco e que o julgamento começou há uma semana. Sem julgamento, mas já pagou.

E o Processo Casa Pia ? Já lá vão 5 anos.

Aznavour longe da vista e perto do coração

A noite memorável do cantor em Lisboa

Ainda que tarde não quero deixar de escrever aqui o que foi para mim o concerto de ontem de Aznavour, em Lisboa, no Pavilhão Atlântico. Foi muito bom. Cheio de energia, romantismo, foi um espectáculo inesquecível. O cantor está tão bom como sempre e os seus 83 anos são a prova de que não conta a idade fisíca mas a mental. Melhor: a idade mental contamina sempre para o melhor e para o pior a fisíca.
Claro que Aznavour não deve ter de enfrentar no seu dia-a-dia maçadores, chatos, arrogantes e incompetentes. Não deve precisar de sobreviver no meio da estratégia da maldade e de lutas intestinas por pequeninos e grandes poderes. O que nos mata não são os anos, não é o tempo, é a malvadez dos tempos. Simone de Oliveira disse à RTP que por cá o Aznavour já estaria na prateleira se fosse português. Acredito que sim. Cá seria um cantor pimba, piroso, fora de tempo. Em França é um monumento cultural, um orgulho nacional apadrinhado.
Foi um epsectáculo memorável. Foi pena que a produção do espectáculo não tivesse pensado em formas multimédia para os espectadores do meio da sala para trás poderem ver ao menos o cantor e as suas expressões.
Eu fiquei num lugar miserável ( apesar de ser um convite da organização!), a 500 metros do palco, onde muitas vezes nem conseguia saber em que sítio do palco estava o cantor. E estava longe de ser o pior lugar. Portanto houve muita gente, diria mais de metade da sala, que nem viu a cara de Aznavour. Um video-hall teria tornado o espectáculo bem mais agradável. Parece que organização ou se marimbou para os espectadores e só quis facturar ou então não percebe nada de produção de espectáculos. À portuguesa, portanto.

Luiz Carvalho


sábado, fevereiro 23, 2008

Rendez-vous com Charles Aznavour

Luiz Carvalho com Aznavour o mês passado em Paris

Há um dia em que acabamos por tocar nos nossos mitos.
Cresci a ouvir o Charles Aznavour no meu transístor AIWA nas manhãs de domingo antes da missa ou depois do jantar na rádio no "Quando o telefone toca" do " senhor Matos Maia". Era tudo um bocado deprimente: a luz fraca da casa, a televisão a preto e branco, o som fanhoso do rádio de bolso. Então as luzes embutidas eram lâmpadas de 15 velas, o plasma um caixote medonho, o Ipod o rádio de bolso. O Aznavour enchia a casa, dava ânimo, punha um romantismo afrancesado que ligava bem com as aulas de francês do Liceu Padre António Vieira. Não era só o Aznavour que impressionava. O Bécaud, mais tarde, bastante mais tarde o Ferré, o Gaisnsbourg, a Francoise Hardy... todos os franceses nos batiam no coração.

O Aznavour era o meu preferido. Um mito. No início dos anos setenta o Aznavour era já um "facho" danado, depois dos meus amigos maoístas me porem no gira-discos o LuÍs Cília a cantar " era uma vez um soldadinho" ou o José Mário Branco a gritar " Ei companheiro aqui estou!". Sempre achei a canção de intervenção pavorosa, embora mais tarde tenha ficado amigo do Cília e do José Mário.

Este enquadramento histórico (!) vem para dizer que no final de anos e anos a ouvir Aznavour acabei por o encontrar num terceiro andar de um apartamento de Paris. Ali estava à minha frente um dos artistas da minha vida. Afinal, não envelheceu assim tanto, embora vá nos 83, é mais baixo que eu (difícil!) e é de um charme que o torna numa pessoa encantadora.

No escritório onde funciona também uma produtora sua, Aznavour exibe uma genica física notável. Tem vários encontros naquela manhã, aceita falar enquanto insiste ao telemóvel com a irmã para ir a Paris almoçar com ele.

Fala pausadamente e encara a sua história de vida com uma imensa tranquilidade.

Fico surpreendido com a sua memória. Lembra-se de nomes de ruas de Lisboa, da Amália, do restaurante onde foi num ano distante num país longínquo.

Teve uma vida cheia e resume a felicidade a poder estar com a família (faz questão em almoçar sempre com os seus), com os três cães e de descansar na casa de campo.

Ainda tem o público a seus pés. É reconhecido, solicitado, respeitado.

Tem um espírito de solidariedade raro nos dias que correm, o que o faz ser " o maior pedinchão do Mundo". Pede a tudo e a todos para os deserdados da sorte, quer se tratem de irmãos arménios ou pobres referenciados.

O Aznavour é um fotógrafo amador em grande estilo. Apontou-me a minha máquina e deixou-me embatocado. Ele acabava de receber uma câmera topo de gama do último modelo enquanto a minha mais parecia um táxi de Lisboa!...

Falou com toda a disponibilidade para a minha colega Katia Delembeuf que o entrevistava para a Única. Ficou admirado com o seu francês.

Aturou-me o tempo todo a fotografá-lo. Aceitou sentar-se ao piano e tocar, posou junto a um poster de Charles Trenet, o seu cantor preferido, ainda o segui na saída. Um sorriso no elevador e uma corrida sobre uma chuva miudinha até ao Peugeot onde o motorista o esperava para o levar a mais um almoço em família.

Até sábado no palco de Lisboa, meu querido Aznavour.

Luiz Carvalho

Também em Flagrante Deleite

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Pinto da Costa diz-se perseguido

O presidente do FC Porto questionou hoje a justiça portuguesa a propósito da credibilidade de Carolina Salgado como testemunha central em diversos processos de acusação no âmbito da operação «Apito Dourado».

Pinto da Costa, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC, recordou que os processos de corrupção contra si foram reabertos após o lançamento do livro «Eu, Carolina», da autoria da sua ex-companheira, e explicou que, no caso da agressão a Ricardo Bexiga, na altura vereador socialista em Gondomar, o mesmo não aconteceu, tendo já tudo sido arquivado.

«Como é que uma testemunha merece credibilidade nas acusações feitas a mim e não merece quando se acusa a si própria nas acusações a Bexiga», questionou Pinto da Costa, recorrendo a artigos de opinião de Miguel Sousa Tavares e Joana Amaral Dias.

A maior surpresa¿ «até certo ponto»

Adiantando que Carolina Salgado, «até certo ponto», foi a maior «surpresa» da sua vida, Pinto da Costa disse ainda que o arquivamento do processo das agressões a Ricardo Bexiga é uma «anormalidade».

«Como poderia eu ser apresentado como mentor de uma agressão, se, mesmo que fosse capaz de o fazer, nem conheço Ricardo Bexiga. Carolina Salgado é que diz que era capaz de o fazer. Mas esse nome (Bexiga) nunca foi proferido por ela ou por alguém ligado a ela à minha frente», disse.

«Os árbitros eram escolhidos a dedo»
Apito: escutas telefónicas «eram muito explícitas»

Pinto da Costa referiu também na SIC que continua a pôr «as mãos e o pescoço no lume» por Pinto de Sousa, ex-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol e um dos envolvidos no processo «Apito Dourado» e, sem o afirmar claramente, deixou no ar a possibilidade de Maria José Morgado (procuradora geral adjunta) e Saldanha Sanches, seu marido, o estarem a perseguir.

«Fazem-me essa pergunta muita vez (da perseguição)», atirou Pinto da Costa, recordando também as declarações de Saldanha Sanches sobre um alegado ordenado de 400 euros de Pinto da Costa como presidente do FC Porto.

«MP não é PIDE»

O dirigente «azul-e-branco» falou ainda da sua biografia publicada pela jornalista Felícia Cabrita, salientando nunca ter dado autorização para o efeito ou sequer qualquer consentimento ou declaração. «Dizem que disse que o Ministério Público é como a PIDE. Não disse nada disso. Mas questiono: como pode um procurador geral da República dizer desconhecer se o seu telefone está ou não sob escuta? Mas os pressupostos para essa acusação não são válidos, porque não são verdadeiros».

Pinto da Costa assumiu também que o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foi seu «inimigo» no processo «Apito Dourado» mas escusou-se a avançar com a expressão «conluio».

«Recordo-me que os processos estavam a ser arquivados quando saiu o livro e Hermínio Loureiro (actual presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional) disse-me que lá em baixo (em alusão a Lisboa) estavam muito esperançados no livro de Carolina. Mas sabemos que existe um original do livro completamente diferente. Este foi escrito por uma jornalista que, um dia, saberão quem é».

Portugal Diário


O que pensa a SEDES do actual estado das coisas

1) UM DIFUSO MAL ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.
Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.
2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO
Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.
É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.
Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.
Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...
É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.
Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.
3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL
Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.
Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.
Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.
Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.
Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.
4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS
A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.
Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.
Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.
Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.
E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.
5) APELO DA SEDES
O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.
A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.
As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.
Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!
A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.
Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.
Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.
A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.
Sedes, 21 de Fevereiro de 2008
O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)

O inglês ténico de Sócrates no seu melhor



Um pouco a despropósito mas muito útil. Uma dica do Terra de Ninguém. A Chanceler Alemã está a achar o discurso muito sério e útil. Eheheheh!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

O outro lado dos dias

À minha frente uma jovem mãe, muito jovem, menor de idade, embala a filha de meses e comenta orgulhosa porque a menina sorri. A seu lado o namorado, um jovem de cabelos e barba longos está meio envergonhado. A mãe dele fala alto e diz que estão numa alhada. Sem dinheiro, um bebé nos braços que afinal é filha de um anterior namorado da namorada do filho, um homem mais velho. Isto passa-se no hall de uma instituição em Lisboa e eu estou ali como jornalista.
Horas mais tarde estou a entrar numa casa de um bairro de realojamento perto de Chelas onde um puto de 13 anos falta demasiado às aulas e o pai justifica à assistente social aquela vida de nada, culpando o Estado. O problema ali, entre muitos outros, é que o pai recusa uma casa nova de 4 assoalhadas porque fica longe. O longe é a distância entre Chelas e a zona do ex-Ralis. este pai tem um bom feitio desgraçado e um curriculum de vedeta. Já fez de tudo e um dia chateado deu um tiro no sobrinho e matou-o. Quando a vizinhança faz estrilho, pega na pistola e vai de tiros na varanda para o ar. Aceita com dificuldade que é de etnia cigana, pois detesta ciganos. É esperto, divertido, astuto. Luis Bunuel não criaria melhor personagem. Fiquei fascinado.

Acabo o dia a subir umas escadas às escuras e no alto encontrar uma mãe com 3 filhos a viverem num espaço mínimo. As crianças sorriem e o mais velho de 11 anos, que não consegue falar com o pai nem sequer sabendo bem o seu nome, tirou apenas uma negativa na escola. As crianças conseguem resistir e vencer no meio destas tragédias.

Há cenas que não se podem fotografar. Primeiro porque não se pode deontológicamente, segundo porque é violação da privacidade, terceiro porque há momentos em que a fotografia é inútil, não eterniza, não evoca, é uma falta de respeito. Nestas alturas apetecia-me imenso ser redactor.

Luiz Carvalho

Um regime moribundo

Um amigo meu ficou boquiaberto ao saber que o fisco lhe congelou a conta porque não pagou num mês 10 euros à segurança social da empregada que entretanto já tinha sido despedida.

Eu acordei hoje com mil euros a menos na conta porque um tribunal ( que a esta hora ainda não sei qual é) ordenou ao meu banco uma transferência a seu favor de um processo de há mais de dez anos ( já nem me lembrava) de uma apólice que a Bonança achava que eu devia pagar depois de eu ter comunicado que desejava anular o seguro. Fui portanto julgado sem saber, sem me poder defender.
Tive apenas o privilégio de me sacarem da conta o montante que um juiz achou por bem decidir. Se tivesse o dinheiro por baixo do colchão estava portanto muito mais seguro. O nosso dinheiro já não é nosso e está incerto num banco.

Um advogado de um escritório famoso desabafva hoje comigo que os seus clientes ricos ainda se podem defender, e lamenta não poder por vezes trabalhar em processos de pequenas empresas porque aí está o país real. Pagam o que o fisco lhes pede e não têm possibilidades financeiras de poderem recorrer. Ele acha que vivemos um regime de totalitarismo total do fisco.

Uma actriz famosa, respeitável, que em Inglaterra seria agraciada pela Raínha, confessa-me a sua desilusão. Foi despedida do Teatro Nacional ao fim de vinte e tal anos, sessenta de descontos. Uma direcção negociou com ela, e outros actores, a saída com indemnizações e até agora...nada. Passaram já 6, 7 anos. O caso é conhecido até na Presidência da República que tem mostrado interesse em ajudar, sempre com um "..mas está difícil, está difícil!!".

A angústia, revolta contida, desânimo, que os portugueses acalentam sente-se na rua. Quando falamos com pessoas, quando nos cruzamos com realidades diferentes. No meio de um teatro, de um escritório de advogados, na redacção de um jornal, na fala com uma empregada de um café às moscas num centro comercial no coração de Lisboa, atrás de uma comissão de controle de direitos socias, o sintoma nacional é o mesmo: pessimismo.
O nosso primeiro-ministro que deu uma entrevista de autista, ao ponto de nem ter deixado que os jornalistas acabassem de fazer as perguntas, devia descer mais à rua. Fazia-lhe bem, embora a assobiadela fosse já ensurdecedora nesta altura do campeonato.

Claro que os problemas ultrapassam já a mera questão folclórica de Sócrates ser isto ou aquilo. Com Barroso era pior, com Santana... Vivemos um sério problema de regime. Não é já a crise do governo, é a crise do Estado e da sua credibilidade, da confiança que perdeu perante os cidadãos. É a crise de uma democracia desacreditada pelos políticos e por um sistema que se afastou dos cidadãos. Hoje os cidadãos têm menos liberdade do que antes do 25 de Abril. Tirando o folclore da liberdade de expressão e de adaptações à evoluçaõ dos tempos.
Só a economia privada ainda vai conseguindo segurar com arames o descontentamento. Até quando ?

Luiz Carvalho

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Miguel Lopes, as fotos emblemáticas da cheia


O Miguel Lopes é um jovem fotógrafo português que promete. Há um outro Miguel Lopes fotógrafo que vive em Berlim e que também promete, aliás já cumpre muito bem o seu papel de fotojornalista. Este Miguel de que falo hoje acaba de fazer duas excelentes primeiras páginas no JN e no DN sobre as cheias. Ele trabalha na LUSA há pouco tempo, e andou por vários lados lá fora a aprender e a praticar fotografia.
Apareceu-me um dia no Expresso quando eu era o coordenador da fotografia e tentei logo dar-lhe trabalho. Só consegui pô-lo a fotografar garrafas no estúdio ( que ele fez com grande profissionalismo) e depois despediu-se porque tinha decidido voltar para o estrangeiro. Teve saudades, voltou e conseguiu trabalhar na LUSA. Não há sítios maus para trabalhar. As fotos ou são boas ou más. E o Miguel tem uma postura e um saber que vão fazer dele um grande fotógrafo de imprensa ( apesar de ser agora uma actividade fora de moda !).
Vejam também o seu blogue. AQUI.

Menos de 1 milhão ouviram Sócrates na SIC

A entrevista que o primeiro-ministro, José Sócrates, deu ontem na SIC captou pouca atenção dos telespectadores, tendo o programa ficado fora dos cinco mais vistos do dia, segundo dados hoje fornecidos à Lusa pela Marktest.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Foi mau pá! Sócrates esquece vítimas das cheias

A ENTREVISTA ROSA DE SÓCRATES NUM PAÍS QUE NÃO EXISTE

Há uma ironia na triste noite de ontem, entre o país que voltou a meter água por todos os lados e a arrogância de José Sócrates que no final da sua entrevista à SIC reconheceu ser não só o responsável como também o autor dos famigerados projectos de casas estilo maison com janelas do género fenêtre.
O que impressiona é que no meio de uma sessão de marketing político televisivo, onde Sócrates é na verdade bom, não tenha havido uma palavra para com os portugueses que sofreram perdas e danos com a noite do temporal.
Estamos perante um ministro frio, o tal desalmado como já lhe chamam dentro do seu próprio partido.
Temos um primeiro-ministro que decora números e se marimba nas pessoas.
Mas a ironia da coisa está em que aquelas casas projectadas por ele há 20 anos são o ícone de um território desordenado, de um a política urbana inexistente. Os projectos de Sócrates são por si o seu retrato e podemos aqui dizer que a obra consegue superar o autor em medíocridade.

As chuvadas que levaram o país a desaparecer pelo cano abaixo são as mesmas que há 40 anos espalharama a morte na grande Lisboa. São as mesmas que as más infraestruturas não estancaram, são as mesmas que varreram a miséria social e descobrem o entupimento das adiadas obras de conservação que as autarquias deviam fazer, mas não podem porque estão ocupadas a fazer rotundas ou a multar cidadãos indefesos como o faz a Câmara de Lisboa.

Há 40 anos a desgraça aconteceu porque os clandestinos e os subúrbios se davam mal com a força da natureza. Hoje nos mesmos locais de há 4 décadas sucedeu o mesmo. Nada mudou.

Só Sócrates é que está contente. Estancou o déficit, o país cresceu umas décimas e o desemprego passou de 8,4 para 7,9. Genial. E está confiante que vai ser reeleito.
Quem não está ?

domingo, fevereiro 17, 2008

A desafinada dos Ídolos. Imperdível !

Quando cantar não interessada nada

A boca de Sócrates foge-lhe para a verdade

Pavilhão de Portugal ao Deus-dará






Óbidos derrete com a Festa do Chocolate

Veja aqui a fotogaleria de Luiz Carvalho

Américo Tomás regressa ao Túnel do Rossio


Uma multidão de velhos reformados atropela-se numa escada rolante, parecendo uma versão da escadaria do Couraçado Pontenkin ao contrário. Para quê ? Para viajar de bórla no comboio para Sintra e poder ver a Estação do Rossio branqueada e o novo túnel todo iluminado parecendo ter um chão alcatifado. Os pobres portugueses, e os portugueses pobres, pelam-se por uma bórla, uma inauguração, um dia nas corridas ao corta-fitas.

Sócrates que herdou e praticou esta cultura das obras feitas, desde os tempos do assina-assassina projectos, estava radiante. Mandou abrir o salão do baile, pediu uma locomotiva Alfa que no último minuto dispensou pela barracada que estava a dar, e fez de uma data comprometedora uma vitória.

A obra de reparação do Túnel do Rossio demorou demasiado tempo. Não cumpriu prazos de acabamento, derrapou uns milhões acima do orçamentado, deixou o centro de Lisboa ainda mais inútil, fez transtorno diáriamente a milhares de utentes. Mas que fez o primeiro-ministro e seus ajudantes, agora que a Santa Engrácia 2 ficou pronta ? Uma festa de areia para os olhos. Devia ter dito: desculpem o atraso, o incómodo, o que isto custou do dinheiro dos vossos impostos. Somos incompetentes mas andamos a tratar-nos ! Não. Em vez de meia-culpa, Sócrates prefere show-off.
E nem falemos do projecto que não contemplou novas escapatórias para em caso de acidente a malta não morrer esturricada. Os engenheiros da REFER dizem que é seguro mas não explicaram como podem os passageiros fugir, e para onde, em caso de acidente.
A frieza daquele a quem no PS já chamam de " direita desalmada" ficou de novo demonstrada. Sócrates fica feliz quando o desemprego desce de 8,4 para 7,9 com a mesma insensibilidade social com que fechou maternidades, urgências, escolas ou a Caixa dos Jornalistas.

O " direita desalmado" teve à tarde uma manifestação de professores à porta do PS, convocada por SMS. Os professores recusam ser classificados pelas notas altas que dão aos alunos. O cábula acha-se ofendido e diz que nada o demoverá a recuar. Só lhe resta anunciar que as notas passarão a ser dadas aos domingos depois da missa.

O ridículo desta política de propaganda é que não conseguimos imaginar Zapatero a inaugurar um tínel em Madrid assim como nunca se viu Blair a cortar a fita e inaugurar uma obra do metro de Londres.

É esta miséria, esta medíocridade política, que não nos tira da cepa torta

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Câmaras de vídeo a seguirem-nos em todo o lado

A paranóia pela videovigilância instalou-se em Portugal. Qualquer autarca de meia tigela, qualquer comerciante de vão de escada, qualquer gestor de empresa que lide com público, quer câmaras para vigiar.
O espírito do Brig Brother está na sociedade real e os portugueses aceitam as câmaras com a vã ilusão que com um bocado de sorte ainda vão ter o seu minuto de glória na televisão.

Claro, já sei que a Comissão Para a Protecção de Dados funciona bem e é crível. Podemos dormir descansados mesmo depois de a brigada de trânsito fotografar de frente, a câmara da esquina tal me ter gravado.... o nosso Big Brother é tão inofensivo e ineficaz como eram os bufos da PIDE a cheirarem atrás de nós, a esticarem a orelha no café. Incompetentes sim, bestas também.

Hoje são anunciadas câmaras em Viana do Castelo, já o foi no Porto. O Túnel do Rossio também vai estar bem retratado no boneco e os comboios de Sintra vão ser uma espécie de estúdio de telenovela, sendo que neste caso até concordo.
É a novela da vida real.

Carro com 24 anos dado para médicos


A nova ministra da Saúde testemunhou ontem a assinatura de um protocolo através do qual a Câmara da Lousã ofereceu à Unidade de Saúde Familiar (USF) da Serra da Lousã um automóvel com 24 anos de estrada.
O velho Peugeot 305 GLD, com matrícula de 1984 e um azul já muito desmaiado, vai servir para os médicos e os enfermeiros da nova USF fazerem visitas domiciliárias a doentes do município serrano. O que não impedirá o seu novo proprietário de requerer para a classificação de "carro de colecção", quando, em 2009, ele completar 25 anos de vida.
Foi na etapa final da visita da ministra Ana Jorge ao Centro de Saúde da Lousã que foi assinado o protocolo de cedência da estafada viatura, cujo conta quilómetros marca 204 mil, sem deixar saber quantas "voltas" já deu. Depois de percorrer as instalações, a comitiva que acompanhava a governante concentrou-se numa acanhada sala, ouviu os discursos da praxe e, por fim, deu uma tímida gargalhada perante o pedido do presidente da Câmara da Lousã, Fernando Carvalho, para que a ministra fosse "testemunha" da assinatura daquele protocolo.
Minutos depois, o JN perguntou a Fernando Carvalho se pretendia fazer algum tipo de ironia com a doação do velho carro. Mas o autarca do PS respondeu taxativamente que não, que ele próprio tinha um carro com 12 anos, que o Peugeot não transportaria doentes.
O bastonário dos Médicos, Pedro Nunes, descia as escadas de acesso ao parque de estacionamento do centro de saúde, e estacou... Não para apreciar a modernidade dos Mercedes estacionados, mas para contemplar a nova "aquisição" da USF da Lousã. "Isto é paradigmático do estado do Serviço Nacional de Saúde", observou.
Nada disso, dissera já a ministra. A doação do carro de 24 anos, segundo Ana Jorge, "mostra como a colaboração entre as autarquias e os serviços de saúde locais é uma realidade". Colaboração essa, pelos vistos, necessária: "Este carro é uma benção!", comentou a directora do Centro de Saúde, Maria Augusta Mota, sustentando que há "várias USF que não têm carro".

António Costa proíbe uso gratuito de tripés

SIC E RTP MULTADAS POR FILMAREM NA RUA

Todos os dias surgem notícias de ficar de boca aberta. Os portugueses andam deprimidos desde o desastre de Entre-os-Rios e desde que a obsessão de corrigir o déficit transformou o Estado numa entidade inimiga dos cidadãos, pronta a sacar dinheiro por tudo e por nada.
Hoje saír à rua é um perigo para a carteira. Tudo passou a ser proíbido, penalizado. A coima é uma instituição nacional. O medo instalou-se na sociedade portuguesa. Há em cada anónimo um potencial agente da ASAE, dos impostos, da polícia. Medo. Os portuguesas voltaram a ter medo. Pagam por minudências, por limites de velocidade excedidos em 2 quilómetros por hora, têm o salário penhorado porque a mulher a dias que foi despedida não descontou para a caixa, os portugueses além de deprimidos porque estão à beira do desemprego ou perderam o horizonte confortável da reforma, ou porque os filhos não têm futuro, ou porque deixam o salário na escola, na creche, no médico.... os portugueses têm medo. Os pobres, a classe média. Mesmo os muito ricos começam a ter medo.
Sócrates deve ser o único português feliz, menos quando o Santana lhe pergunta pelo passado lamentável de pato bravo.
Medo. Medo.

Hoje duas equipas da RTP e da SIC foram cercadas pela polícia municipal de Lisboa porque estavam a filmar na rua com tripé, e uma lei camarária de 1991 foi ressuscitada por António Costa. E que diz a lei ? que para se usar um tripé na via pública é preciso ter autorização e pagar. Mesmo os jornalistas têm de pedir autorização e pagar. As duas televisões vão ser notificadas para pagarem 250 euros cada uma.

Isto é normal ? Isto é de um país decente ? Isto não é a caça sem vergonha ao dinheiro ? António Costa que foi eleito por 60 mil votos porta-se na Câmara como um ditador, na senda do chefe Sócrates. Não há oposição ? Não há competência ? Não há vergonha ?
Não é só o medo. É mesmo a revolta que germina nas pessoas. Os portugueses estão fartos desta gentalha. Mas merecem-na. Votaram neles. Aturem-nos. E. já agora, digam que o Sócrates é bom, tem coragem e aumentou o pib em 0,2 décimas. Digam.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Eduardo Barroso irrita mas merece incentivo

Embirro com o Eduardo Barroso. E não sou só eu. Dizem que no Curry ele tem por lá uns inimigo figadais. Isso não é defeito. Por mim até tenho algum gôzo em ter uns asseimados contra mim. O Eduardo Barroso põe aquela pose de sobrinho de Mário Soares, tem a mania que só ele é do Sporting e que só ele fuma charutos. Numa viagem à Venezuela com Jorge Sampaio, acabei por dar um balúrdio por um Partagas só para o fumar na frente do irritante médico da comitiva.
Isto vem a propósito ( e estas coisas só se permitem num blogue, um espaço para não levar muito a sério!) da polémica dos incentivos que Eduardo Barroso recebe. Acho muito bem. Temos de incentivar a produtividade e os grandes projectos. Barroso começou por experimentar em porcos a troca de orgãos e o seu plano tem sido um sucesso ao ponto de pôr Portugal ao lado das médias europeias. Só por inveja, maldade e espírito de bota-abaixo é que se pode vir dizer que um tipo que salva vidas e arrisca com saber, só tem que receber o salário miserável de um médico por conta do Estado.
Sejamos sérios e não usemos o miserabilismo e a nossa pequenês mesquinha para tudo. Para isso já bastam os socialistas e uma camarilha que descobriu na meia idade os encantos do neo-liberalismo depois de uma juventude a marrarem no marxismo-leninismo.

O cirurgião Barroso pode ser irritante, e é, mas deixem o homem e a sua equipa trabalhar para bem de todos. E deixem lá a gorjeta.

Parvónios no Media Markt

Media Markt não é parva e quer indeminização

A Media Markt admitiu esta quarta-feira a possibilidade de pedir uma indemnização à Associação dos Escoteiros de Portugal por esta ter interposto uma providência cautelar já depois da empresa ter suspendido a campanha publicitária «Eu é que não sou parvo».

Em comunicado, a administração da empresa qualifica de «inesperada» a providência cautelar, salientando que ocorreu «depois da suspensão» e depois de estabelecida a «via do diálogo» com o Corpo Nacional de Escutas (CNE).

Campanha dos escuteiros da «parvónia» foi suspensa
Escuteiros dizem que não são da «parvónia»

A empresa reafirma que «nunca teve intenção de ofender o bom-nome e o crédito de qualquer pessoa singular ou colectiva», frisando ter adoptado «uma postura de diálogo» com as corporações e associações de escuteiros.

No entanto, a Associação dos Escuteiros de Portugal (AEP), que também havia repudiado e pedido a suspensão da campanha, assegurou à Lusa que «os pressupostos que motivaram as acções» junto dos «tribunais e da tutela, mantêm-se», mesmo com a suspensão da campanha.

Já o CNE detalhou que aguarda «oportunidade de nova reunião» com a administração da empresa para «acompanhar a evolução deste processo», depois de ter remetido um ofício à empresa denunciando a campanha «clara, objectiva e intoleravelmente ofensiva para os 80 mil escuteiros portugueses e suas famílias».

A campanha publicitária televisiva da Media Markt foi suspensa, prosseguindo de forma «menos caricaturada», segundo fonte da empresa, depois de «um consenso» obtido com o CNE.

Portugal Diário

Catarina Furtado Underbra

Pérolas do You Tube

Lisboa: a saga dos empatas

foto: Luiz Carvalho

Lisboa está abandonada, às moscas. É a capital que conheço mais decadente, ruinosa, arruínada. Ao fim de semana mais parece uma cidade abandonada, com prédios devolutos, ruas desertas, miseráveis a dormirem pelos cantos desenhados por Siza Vieira no Chiado, prostitutas desgraçadas a fugirem da polícia. O centro foi devolvido aos homeless, os imigrantes ocuparam lojas e casas provando que afinal o metro quadrado de Lisboa é acessível a extratos sociais tradicionalmente menos abonados.
Tudo o que escrevo são palissadas. Lisboa foi agonizada pelos sucessivos presidentes que por lá passaram. Talvez João Soares tenha sido o mais dinamizador mas de nada vale eu escrever isto porque a maioria acha que ele também foi péssimo. Meu caro João: é a ingratidão da política e aquela ideia de Jerico de teres querido fazer um monta cargas para o Castelo, tramou-te.

Lisboa está falida e abandonada. Mas, mas António Costa quer mais transportes públicos, mais dinheiro das portagens e ainda rejeita qualquer hipótese de mais carros entrarem pela nova ponte. Quer dizer: o homem quer mesmo acabar com a cidade. Vamos ter mais uma saga de discussão se a ponte deve ser só para comboio ou também para carros. O melhor seria só para bicicletas ou melhor: só para peões. Se querem vir para Lisboa trabalhar e passear venham a butes e deixem esmola para o déficit camarário.
Esta gente devia ter vivido na Albânia nos anos setenta.

Por outro lado os taxis vão ter mais apoio na segurança. A Câmara vai pagar a segurança dos privados.Também quero segurança de borla à porta das lojas da família.
Costa não quer melhor serviço de táxis, quer engraxar uma classe que faz campanha eleitoral e que pode ajudar a eleger um presidente.
Os táxis são na maioria deles umas esterqueiras ambulantes, com um serviço imundo, reles e retrógado. Aliás a ASAE devia fiscalizar a maioria dessas choças. É verdade que há taxis excelentes. Há dias apanhei um em Lisboa profissional em tudo, desde o serviço ao carro, à condução. E entre as centenas de táxis há alguns sérios e que só ganhariam em correr com os amadores, os carroçeiros.
Costa prefere a doutrina à acção. Vamos continuar a ter uma cidade adiada.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Escuteiros ofendidos pelo Media Markt


Os escuteiros são uns meninos birrentos e sem sentido de humor.

Para se usar aquelas farpelas, botar meias pelo meio do joelho, pendurar o chapéu por um fio atrás das costas e fazer caminhadas para nenhures, devia implicar um sentido divertido da vida. Afinal os putos e seus chefes de quina levam-se tão a sério, tão a sério, que obrigaram a suspender uma das mais divertidas e criativas, originais, campanhas de publicidade. O Media Markt viu-se na contigência de suspender o filme nas televisões porque aparecia um escuteiro a fazer de uma máquina de lavar roupa uma sanita. Aliás, mal se via o cromo.

Uma miséria na verdade.


O meu Range vai gastar Fula aos 100!

foto: Luiz Carvalho

Desde que o meu colega e amigo Rui Cardoso, irmão sofredor como proprietário de um Range Rover TDI, me veio com a novidade que os trastes podiam andar com óleo de fritar batatas que a coisa não me sai da cabeça.
A novidade veio entretanto na 1ª do Expresso desta semana, e eu como sabia disso evitei falar deste fenómeno antes, por aqui. Depois vi na televisão uma reportagem de uns tipos a pôrem Audis a mamarem Fula. Os ecologistas lixaram isto tudo. Os pobres vão passar a pagar o óleo e derivados para a paparoca ao preço do petróleo. Vamos deixar de ter Co2 à conta de mais fome no Mundo? O Sócrates vai já pôr um imposto no óleo.

No entanto esta medida para reciclar o óleo queimado das frigideiras parece louvável. Poupa-se no desperdício e depois de reciclado o óleo queimado nos injectores não polui, não produz Co2.
Os ecologistas irritam-me e o Gore só se safa porque é sócio do camarada Steve Jobs, mas reconheço aqui uma medida saudável. Embora o facto de um dia poder vir a pôr óleo de fritar no Range me tire do sério. Já ter um motor diesel num Range é uma blasfémia. Aquilo nasceu com um V8 a gasolina lá dentro, a roncar forte e a meter medo só de o ouvir. Foi depois de ter andado no Parque Kruger na África do Sul num Land V8, a correr ao lado de leões, que decidi comprar um ronceiro Range com fala de camionista, diesel portanto. É uma massada ser pobre. Agora...deita-lhe Fula!

Só espero que um destes dias não me vão ao depósito tirar gasóleo para fritar pasteis de bacalhau!!.



COMENTÁRIO EM DESTAQUE:

Qualquer óleo, quando sofre combustão liberta dióxido de carbono. Os óleos de cozinha não são excepção, neste aspecto, comportam-se como o gasóleo, a gasolina, ou até o álcool. A vantagem em usá-los, depois de com eles termos feito as frituras está em não serem despejados para o esgoto e pouparmos simultaneamente uns litrinhos (poucos) de gasóleo.
Já agora, o CO2 (deixando de parte a polémica do efeito de estufa) não é um poluente. Os automóveis poluem, essencialmente por dois motivos. No motor, para se dar a combustão, entra ar, mistura de azoto e oxigénio. É suposto o oxigénio reagir com o combustível fornecendo a energia necessária para mover o carro, enquanto o azoto, deveria sair intacto pelo escape. Acontece que devido às temperaturas elevadas da combustão, o azoto reage, numa pequena parte com o oxigénio, formando óxidos de azoto, poluentes. O segundo motivo, deve-se ao facto de os combustíveis não serem puros o que faz com que as impurezas deles também reajam, produzindo outro poluentes. Era o que acontecia antigamente com o chumbo da gasolina, por exemplo. Há ainda um terceiro factor a considerar, que é a evaporação de uma pequena parte do combustível, de novo, devido às altas temperaturas de combustão, sem que esta se dê na totalidade, mas este já é um fenómeno de pequena importância. Há ainda outros quase irrelevantes. Um esforço assinalável foi feito nos últimos anos pela indústria automóvel e não só, para reduzir a poluição e, ao contrário do que se badala na opinião pública, há fortes indícios de que a poluição nos países desenvolvidos diminuiu substancialmente nos últimos anos, mas dados concretos nesse sentido só foram ainda publicados nos Estados Unidos.
Ainda voltando aos “biocombustíveis” o preço dos cereais já disparou nos mercados internacionais, por causa desta bacoca ideia “verde”.

Apache


1:04 AM

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Inês Pedrosa é a nova dona da Casa Pessoa

Fico contente com a presença da Inês Pedrosa
na direcção da Casa Fernando Pessoa.
A Inês é uma escritora de notável talento, uma jornalista como poucas, uma repórter astuta, atenta e sensível. A Inês consegue na escrita aquilo que eu defendo e procuro praticar desde que sou fotojornalista: convergir a técnica da escrita com o rigor jornalistico e a visão pessoal. Fiz no Expresso algumas reportagens com a Inês e foram uma notável experiência. Na altura do lançamento do livro "Fazes-me Falta" a Inês convidou-me para fazer um video que serviu de apresentação multimédia no LUX. Foi uma grande honra e um grande prazer.
A Inês não vai ter uma vida fácil. O orçamento da Casa vai nos 174 mil euros, 150 e tal para fazer obras no bar e arranjar o elevador. Pouco resta para a poesia. O que vale é que não vai ser difícil arranjar por lá um poeta contabilista !...

PETIÇÃO CONTRA O ENCERRAMENTO DO ENSINO ESPECIAL

Clique AQUI se quiser assinar petição contra o encerramento do ensino especial

Fecho de ensino artístico igual a fecho de urgências

Cada cavadela uma minhoca. O governo não consegue tomar uma medida sem que ponha em causa a qualidade de qualquer coisa, sem prejudicar as populações. O que Maria de Lurdes Rodrigues, essa ministra da educação, vem agora propor está para o ensino como o encerramento dos centros de saúde está para a saúde.
O governo quer liquidar um dos poucos nichos de ensino que funciona com qualidade, dirigido por professores competentes, dedicados e apaixonados por aquilo que fazem. Num pais onde falta vontade, voluntarismo, competência e abnegação, onde todos os dias pregamos para que essas atitudes sejam implementadas para vermos o pais a andar, vem agora o governo liquidar o ensino artístico.
Sócrates só vê poupanças, contas de sumir. Está-se nas tintas para a excelência, a qualidade. Com boas intenções declaradas, mas que mais não são do que cinismo e mentira polítcas, este governo consegue o inesperado: liquidar o país, matar o que resta de bom. O último a saír que apague a luz!
É na verdade revoltante. Para reformarmos temos de destruír.

Mas estavam á espera de quê ? Um tipo que tirou o curso na farinha Amparo e que fazia projectos de pato bravo ( já dirigente nacional do PS, não esquecer!) queriam o quê ? Bom ensino ? Bom ensino promovido por um calinas ? Deixem-me rir !

domingo, fevereiro 10, 2008

Ramos Horta baleado em Timor-Leste

José Ramos-Horta terá ficado ferido num ataque contra a sua casa. As televisões portuguesas indicam que o Presidente de Timor-Leste foi alvejado no estômago e que estará a ser operado neste momento. Por agora, desconhece-se o seu estado de saúde.

A RTPN avança que o ataque foi liderado por rebeldes liderados pelo major fugitivo Alfredo Reinado, fugido à justiça desde Agosto de 2006, depois de acusado de homicídio, rebelião e posse ilegal de material de guerra.

De acordo com a SIC Notícias, Alfredo Reinado morreu no ataque.

Na passada quinta-feira, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, tinha indicado à Lusa que Reinado "não é uma ameaça real à estabilidade" de Timor-Leste./ Público

sábado, fevereiro 09, 2008

O canto e as armas de Alegre contra Sócrates

Foto de Luiz Carvalho
As declarações de hoje de Manuel Alegre trazem um novo fôlego à política. Sócrates pelos vistos não conseguiu calar Alegre mesmo pondo os patins ao nefasto ministro Correia de Campos. ( a propósito: que será feito dele ? Onde andará ?). O buraco negro que há no PS e a afirmação de que o povo português anda triste e desalentado ( cito de cor) é de uma força política notável. Na mouche. É o instante decisivo que faltava para abanar um PS moribundo, fanático com o chefe. Vejam-se as arrogantes declarações de António Costa ao dizer que oPúblico persegue o pobre Sócrates porque este não lhe "deu" a PT. Só uma mente doentia podia dizer tal disparate. O melhor é ele ir fazer queixinhas à ERCS.

Manuel Alegre é a voz da autenticidade e será dos últimos políticos a fazerem política com uma ideia, um objectivo, uma ideologia.
Curiosamente na sua crónica de hoje no Sol, Vicente Jorge Silva falava em como as eleições americanas estão a trazer de volta a política com causas, ideais, ideologia. O tempo do neo-liberalismo, dos políticos de plástico, da predominância da imagem em detrimento da essência, está a acabar. O eleitor, o contribuinte, já percebeu que os últimos anos de espectáculo na política só trouxeram desemprego, o fim das regalias sociais, a falta de crescimento económico, o aumento das desigualdades sociais. Nasceram mais ricos e aumentaram os pobres, enquanto a classe média agonizou.
A três anos das presidenciais e a dois das legislativas, a voz de Alegre é já o canto e as armas para tirar a Sócrates o que ele tem a mais: a arrogância e a maioria.

Luiz Carvalho

Gondomar já tem salão erótico. Quantas são ?

Depois dos electrodomésticos, a fruta

Quantas são? Quantas são ? Dirá Valentim Loureiro a propósito do Salão Erótico de Gondomar, sua terra, santa terra, santa autarquia. O Major sempre pôs Gondomar no mapa. Fê-lo por diversas vezes e pelas melhores razões. Quando deu electrodomésticos aos conterrâneos ( na verdade antes dar aos pobres que aos ricos!), quando gritou por Guterres em vez de Durão...enfim, não se pode dizer que Gondomar não seja uma cidade mimada.
A cereja ( não o Cerejo!) em cima do bolo veio agora: o salão erótico. O povo anda a precisar. Depois do electrodoméstico, a fruta.
A fotogaleria do Públco do sortudo Paulo Pimenta ( pimenta para aguçar o apetite).

Clique AQUI para ver.

Aznavour, for me, formidable

Charles Aznavour vai cantar em Lisboa no Pavilhão Atlântico. Porventura a última oportunidade de o ver e ouvir cantar ao vivo. Aqui presto homenagem simples a um dos cantores da minha vida, com fotos que lhe tirei o mês passado em Paris para o Expresso, e que saíram hoje na Única. A não perder.

Todas as fotos do World Press Photo


Clique AQUI para ver as fotos vencedoras do World Press Photo

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Fotógrafo português entre os vencedores do WPP

Miguel Lopes Barreira, 33 anos, do jornal Record, foi distinguido esta sexta-feira com um prémio World Press Photo 2007, com a imagem do desportista Jaime Jesus numa competição de bodyboard na Nazaré. «Não estava nada à espera», disse o fotógrafo à agência Lusa.

De acordo com a fundação World Press Photo, que anunciou os vencedores das melhores imagens captadas em 2007, Miguel Lopes Barreira ficou em terceiro lugar na categoria «Sport Action» com uma fotografia a preto e branco captada a 16 de Dezembro na Praia do Norte, Nazaré.

A imagem mostra o bodyboarder Jaime Jesus em suspenso no ar, prestes a cair num turbilhão de ondas no mar:

World Press Photo já tem vencedor

A imagem de exaustão de um soldado norte-americano no Afeganistão, pela objectiva do britânico Tim Hetherington, é a vencedora do prémio World Press Photo 2007.


Trata-se do «cansaço de um homem e o cansaço de uma nação», na descrição do júri dos prémios para as melhores fotos do último ano.

O militar, fotografado a 16 de Setembro de 2006 pelo fotógrafo da revista Vanity Fair, estava ao serviço do 2º Batalhão Airbone da 503ª Infantaria dos Estados Unidos no Afeganistão.

Entre os países premiados está Portugal, Austrália, Bélgica, Bulgária, Canadá, Colômbia, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Israel, Itália, Japão, China, Polónia, Rússia, África do Sul, Espanha, Suiça, Holanda, Estados Unidos da América e Zimbabué.

A competição teve uma participação recorde de 5019 fotógrafos, com um total de 80.536 imagens submetidas à apreciação da organização sediada em Amesterdão.

O World Press Photo é considerado um dos mais importantes prémios de reconhecimento do trabalho dos repórteres fotográficos.

A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para 27 de Abril em Amesterdão./ Portugal Diário


Polícia desanca em velhos e fotógrafo no Rossio

Os polícias que guardavam o Grémio Lisbonense, na Praça do Rossio, quase igualavam hoje, pelas 21:20, os defensores da associação, depois de alguns terem sido atingidos à bastonada pelos agentes, incluindo um repórter fotográfico da agência Lusa.

Cerca das 20:00, agentes da PSP de guarda à associação, que hoje foi despejada do primeiro andar de um edifício da baixa pombalina que ocupava há mais de 150 anos, repeliram com cassetetes vários sócios e amigos da instituição que se encontravam nas escadarias de acesso às instalações protestando contra a ordem do tribunal.

O repórter fotógrafo da agência Lusa Mário Cruz foi atingido pela polícia na cabeça, nos braços e nas costas, apesar de ter mostrado a carteira profissional aos agentes./ Portugal Diário

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Luciana Abreu, em versão tunning para matar


FLORIBELLA MAIS ATREVIDA

A miúda mais irritante de Portugal, a Floribella, chateou-se consigo própria, rasgou o hábito, recauchutou o corpo, fez tunning e declarou-se como candidata ao papel da boazinha que virou boazona.
As crianças podem entrar em estado de choque, o engenheiro Belmiro meter-lhe os patins da publicidade ao Continente, mas os velhadas e os putos imberbes à procura de uma Britney Suspiros portuguesa estão radiantes com a fuga para a frente da jovenzita.
A actriz percebeu que fazer papeis freiráticos não leva a nada nos tempos que correm e que se a palavra sexo aumenta audiências e faz crescer, então vamos a isso rapazes. O discurso mudou e das palavras de compaixão para com as crianças necessitadas passou a provocantes frases que desafiam timidos e frustrados, ou amadores da arte de bem dançar toda a sela.
Merche Romero ou Soraia Chaves ou a outra Chaves que se cuidem. A nova Flori dança bem, encanta melhor. As crianças deste país vão perceber que a vida traz mutações. E se Sócrates há vinte anos era um pato bravo dos projectos, hoje é um primeiro-ministro chique que faz jogging, veste fatos por medida e usa gravatas de seda lisas escuras. E o povo adora-o e oferece-lhe maiorias.
Ora Luciana Abreu, Luci in Se Cai, é já um susexo na net e vai pôr a televisão que a conquistar, lhe pagar, nos píncaros das audiências. A RTP já está a facturar bem a coisa.
Andou a SIC. e a Teresa Guilherme, a criarem esta filha para isto !

Tragam-lhes a cabeça de Alípio Ribeiro

As nossas oposições não só as partidárias, revelam uma total imaturidade. Mais: disparam para se saber que ainda existem. O ataque a Alípio Ribeiro é uma atitude tablóide, é política de sargeta. A imprensa, a rádio, as tvs têm estado todo o santo dia com a fogueira acesa, como se a Santa Inquisição funcionasse agora nos écrans ou nos sound bites das rádios. E funciona meus caros, infelizmente.
O Presidente veio responder com a voz entremelada, o passo incerto, o sorriso de noviça, à saída de uma cerimónia, a dizer que nada dizia sobre o caso. Também era só o que faltava !

Estamos perante uma histérica campanha de quem nada tem de válido a criticar. Parece que as idiotas, e graves ! e graves ! palavras do deputado do PS na AR a justificar de novo porque Sócrates fugiu ao prometido e não vai pôr a referendar o Tratado de Lisboa, são menos graves do que as sinceras, e sábias, declarações do director da PJ. Ou saber porque há políticos que querem esconder quanto ganham. Aqui a oposição recua. Quer faits-divers, quer sangue, quer a cabeça de Alípio.

Depois queixem-se que o país está uma piolheira.

Luiz Carvalho

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A coragem e a seriedade de Alípio Ribeiro

Foto de Luiz Carvalho

Gosto do director da Judiciária Alípio Ribeiro. Conheci-o durante uma entrevista para o Expresso e fiquei com grande estima por ele. Acabei por me deslocar ao Porto numa manhã de sábado para o fotografar na Casa da Música. A sugestão foi bem aceite por ele já que a ideia era fazer-lhe um retrato num ambiente que tivesse a ver com o seu lado mais escondido, o de melómano.
Alípio Ribeiro chegou ao meu ancontro no seu Mercedes S, vestido de bombazine, penteado à intelectual francês. É uma pessoa culta, descontraída, cheia de sentido de humor e que nunca se irrita. É mesmo esta a qualidade de que ele mais gosta de evidenciar. Tem uma atitude descontraída perante a vida, gosta muito do que faz, tem um sincero despreendimento ao poder. É sério, sincero e consegue uma notável contenção nas palavras. Senti-o quando falava na entrevista, durante mais de 3 horas, dias antes do nosso encontro no Porto.

Não percebo porque caíram tão mal as suas declarações sobre o Caso Maddie. A verdade é que ele já apanhou o caso quando entrou na direcção da polícia, sempre mostrou que não lhe agradava a forma como as investigações tinham sido dirigidas e a prova disso é que demitiu o inspector responsável.
Não estamos habituados a que alguém venha a público admitir erros. Isso é tido como fraqueza, irresponsabilidade, coisa grave. Nunca ninguém neste país admite fracassos, erros. Isso é para falhados. Totós, ingénuos. Preferimos a mentirola, o cinismo, a falsidade, o inquérito. Errar e admiti-lo não é aceite ao alto nível, nem ao baixo nível, doméstico, comezinho. Em Portugal a culpa é sempre do outro, ou morre solteira. A culpa é sempre do que estava antes, do que partiu, do cão, do marido, da mulher, do tempo, da falta de cheta, do vizinho, do Salazar, do petróleo. Há duas figuras portuguesas que nunca têm culpa de nada: O Cavaco e o próprio em causa !

E já agora: é verdade ou não que toda a gente diz à boca fechada que a investigação da Judiciária no Caso Maddie foi uma broncada total ?

Aplaudo a coragem e a honestidade de Alípio Ribeiro. Mas por este andar não lhe prevejo grande futuro policial. Talvez seja bom para ele.

Luiz Carvalho