quinta-feira, dezembro 29, 2011

A médica que assaltou a ourivesaria

"Médica de Vara assalta ourivesaria" - era o título de hoje do Correio da Manhã, a propósito de um assalto feito ontem no Centro Comercial Roma, Lisboa. havia 3 fotografias a ilustrar o artigo. Uma foto a toda a altura da página de Armando Vara, um retrato com destaque do pai da "assaltante" e um pequeno retrato tipo passe da protagonista da história.
Chama-se a isto jornalismo de sarjeta. A médica é de Vara, porque terá sido ela que o deixou passar à frente numa bicha para lhe assinar um atestado qualquer. O CM faz esta elipse: a tipa que assalta uma ourivesaria é cúmplice de Vara, logo: Vara é da mesma estirpe. O Vara até é uma das minhas figuras políticas de embirração. Mas fazer este tipo de ligação é miserável e de uma total falta de ética.
Mas o dramático e triste desta história vem a seguir.

Eu li o artigo porque a minha mãe, a recuperar no hospital de uma cirurgia que correu felizmente bem, tinha na hora da visita o jornal dobrado  e meio escondido na mão. Quando lhe perguntei o que trazia, ela disse-me: "conheces este homem?", apontando para a foto do pai da "assaltante". Não o reconheci. Ela acabou por me explicar que era um senhor que tinha sido nosso vizinho no andar de baixo. "Um senhor a sério, educado, um cavalheiro"- referiu o meu pai." Não podia ser mais correcto, um gentleman.". Este homem honrado acaba de ver a sua vida destruída no meio de uma notícia onde a filha é protagonista, devido a uma situação limite de resistência psíquica. Alguém que comete um acto de loucura no meio do desespero. E que arrastou consigo um filho na hora trágica.

Pois bem. Que faz o Correio da Manhã? Escancara a intimidade e publica com todo o despudor uma história que devia ser contada com pinças. A médica não é uma figura de um gangue à solta, nem uma vamp de faca na liga, é alguém que teve uma hora má e que está a ser acompanhada por um psiquiatra.

Trabalhava, tinha 4 empregos e hoje tem dividas. Fazer da desgraça um motivo para vender papel higiénico é lamentável. E não posso aceitar que a ERCS, o Sindicato dos Jornalistas (já que nem uma Ordem existe!) não deixem de se pronunciar sobre a forma como esta notícia foi feita.
É demasiado mau e grave para ser aceite numa regime onde, pelos  vistos, a auto-regulação não funciona em certos casos.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Passos Coelho, um Primeiro com mala de cartão.

Um primeiro-ministro não pode ser um comentador político, um cobrador do fraque, um bitaiteiro. O que nunca se pode esperar de primeiro-ministro é que ele tenha sido eleito para fazer o papel do Diabo. Um primeiro-ministro tem de ser um líder. Alguém que leva consigo o povo que o elegeum nas horas boas mas sobretudo nas horas difíceis.
O segredo da popularidade de muitos ditadores é que mesmo nas horas más eles faziam sentir ao povo que tinham ali um anjo da guarda, alguém em quem podiam confiar.
Foi esse o trunfo de Salazar ao mostrar que Portugal nunca cederia a pressões externas, nunca venderia por nada a sua independência. Mesmo que tal atitude significasse só. Orgulhosamente só.
É esse o segredo de Alberto João Jardim. Os madeirenses sabem que ele nunca fará nada que possa significar a perda de direitos e de autonomia na Madeira. Podemos discordar, mas se fossemos madeirenses dificilmente veríamos nele um castigador.

Ora Passos Coelho não é nada disto. Ganhou umas eleições que ele precipitou em nome do crescimento de Portugal, contra as medidas do PEC IV. Mentiu quando disse que não tinha sido informado delas. E nunca mais parou de mentir quando jurou a uma criança que nunca aumentaria impostos, muito menos sacar o subsídio de Natal. Mentiu.

Em 5 meses espremeu o país numa cavalgada paranóica contra os direitos dos trabalhadores, o Estado Social, destruíndo a débil economia que em 10 anos teve um crescimento zero. Para ele o objectivo é destruír o país para construír um outro com sede em Berlim. Habituado a gerir umas empresas que se movem entre negócios com o Estado, julga que um país é uma empresa e que os portugueses são empregados que se podem despedir carimbando-lhes o passaporte com visto para Angola.

A sua estratégia é a de um coveiro que tem pressa em enterrar o morto, cuspir nas mãos, para que a enxada lhe escorregue bem nas mãos sujas.

O político com uma carreira académica de cábula, o político que nunca teve um emprego decente na vida, este carreirista do aparelho do PSD, chegou a primeiro-ministro porque era o idiota útil, no tempo certo, para uma direita troglodita levar a cabo um sonho antigo: a destruição de um conceito social de fazer política, a construção de um Estado refém dos insteresses privados. A crise internacional foi a grande oportunidade para esta gente levar a cabo uma política de destruição da classe média, das empresas médias.

Portugal só pode saír do buraco poupando, gerindo bem e crescendo. Para isso é preciso confiança, ânimo, liderança. Em suma: é preciso política activa, corajosa, interveniente, feita por um líder maior e não por um garoto armado em comentador taxista.

E já agora um líder da oposição a sério também dava jeito!!

PS: revisto e mudado o título original: o taxímetro de Passos Coelho

domingo, dezembro 18, 2011

Passos Coelho: marrão na aula de Merkl, medíocre menos na sua carreira académica

PPCoelho é um aluno marrão nas aulas da Chanceleira Markl, mas foi um aluno medíocre no seu percurso académico. Pior, muito pior do que o engenhocas. Leiam e não esqueçam. E parabéns aos totós que com o seu voto puseram este génio a governar Portugal:
Data de nascimento: 24 de Julho de 1964 Formação Académica: Licenciatura em Economia – Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade) Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD; a partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Engº Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado ‘moço-de-fretes’, tais como: (2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA; (2007-2009) Presidente da HLC Tejo,SA; (2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest; (2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente,SA; (2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA; (2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS; (2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA; (2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest,SGPS,SA; (2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA; (2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo,SA. Este é o “magnífico” CV do homem que ‘teoricamente’ governa este País! Um homem que nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade! Um homem que, mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa Universidade privada…) com 37 anos de idade! Mais: um homem que, mesmo sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como ADMINISTRADOR… em empresas de Ângelo Correia, “barão” do PSD e seu tutor e patrão político!... Enfim. Nada de favores nem de compadrios na vida deste trabalhador incansável. Um homem que chegou onde chegou por mérito - muito mérito, não haja dúvida! O mesmo que secunda quem manda os jovens emigrar e que toma mesmo a palavra para bolsar idêntico conselho aos professores.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Workshop de fotografia básica, 17 e 18 Dezembro

ÚLTIMAS INSCRIÇÕES: 917575249 ou lightshot@netcabo.pt

sexta-feira, dezembro 02, 2011

José Mensurado, partiu um grande Senhor da TV

Cresci a ver o José Mensurado na RTP. Era um seu fã. Lembro-me da sua forma moderna de fazer televisão. O Frente a Frente, um programa de entrevistas que passava a seguir ao Telejornal, era uma hora de conversa tranquila, com uma realização muita avançada para a época. Foi lá um dia a Amália.
Lembro a chegada do Homem à Lua sempre em directo durante horas madrugada dentro.

Ainda tenho na memória uma série de reportagens na Guiné, pouco antes do 25 de Abril.

Conheci-o anos mais tarde, na década de 80, o José Mensurado no Bar Snob. Falámos horas sobre tudo e nada. Tinha uma sincera amizade por ele, embora nunca tivéssemos sido amigos íntimos. Por coisas do destino ele acabou por ir morar para o Bairro de Alvalade, mesmo em frente à Tabacaria do meu pai, onde sempre foi até ontem, horas antes de morrer.

Era um gentleman, um homem de bom gosto, nos carros que tinha ( teve um Triumph e agora um Mazda Mx-5), nos charutos que fumava. Um leitor atento e diário da melhor imprensa mundial.
Fazia parte de uma geração de jornalistas que me inspirou, daquele grupo de excelência nascido no Século e de onde alguns acabaram meus colegas no Expresso. Uma elite que fez do jornalismo uma profissão de grande estatuto e de uma enorme dignidade.

Esteve anos na prateleira da RTP e chegou a ter um processo disciplinar quando a chegada de Proença de Carvalho à RTP, no tempo da AD, despejou para um canto muitos profissionais que viram terminada antes de tempo uma brilhante carreira profissional. Mensurado disse mesmo nessa altura numa entrevista ao Tal&Qual que Proença era um maquiavel à moda do Minho!

Não tenho dúvidas que na América José Mensurado teria terminado os seus dias a fazer um programa de informação de prestígio.

Tenho muita pena que tenha partido e que nunca tivéssemos tomado aquele copo sempre adiado.
Ao Pedro, seu filho, e meu colega fotógrafo, um grande abraço.