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domingo, dezembro 14, 2008

Sá Empata Fernandes faz falta a António Costa

António Costa entrevistado na TSF e DN, pelos jornalistas Paulo Baldaia e João Marcelino, a dada altura deixou cair esta pérola:" agora temos um projecto para o Parque Mayer e não apenas umas maquetes de FRank Ghery!". Depois os entrevistadores fizeram aquele tipo de pergunta que o António Ferro fazia a Salazar, daquelas que já sabemos a resposta favorável ao entrevistado."E já sabe quanto custou a factura de Frank Ghery?"- responde Costa:" Sei mas como não quero cometer nenhum erro depois mando-vos o número exacto?"- E é assim muito ?- pergunta um deles. Reponde o sonso Costa:" Não gosto de falar do passado!". Esta é uma das mais escancaradas formas de fazer jornalismo de favor. Costa acha que agora Lisboa vai ter uma boa solução para o Parque Mayer. Ele retoma os velhos mitos urbanos da esquerda para quem a reconversão de um espaço público urbano tem de passar sempre por ruas para peões, restaurantes, lojas, repuxos, relva e uns palhaços do Chapitôt para entreterem os velhadas soissante-huitards.
Aliás a entrevista de Costa é de um cinzentismo e calculismo políticos totais. Temos ali um novo Sampaio na Câmara: um homem cheio de boas intenções, planos, mas que na prática nem uma porcaria de um buraco num passeio tem competência para mandar tapar, pois isso envolve:primeiro uma discussão sobre a essência do buraco, segundo saber se o ozono é de considerar, terceiro se é politicamente correcto tapá-lo, quarto porque o buraco é a consequência de uma prática popular do uso da rua e portanto há que o manter.
Entretanto Costa anuncia o que já se sabia: vamos ter o empata Sá Fernandes a seu lado na campanha para as próximas camarárias. Genial: a fome com a vontade de comer, num refeitório chamado CML.

PS: O Cais das Colunas reaberto passados dez anos vai fechar daqui a 15 dias para obras. Verdade meus caros. É o que temos.

PS2: Costa já esclareceu que Ghery levou 500 mil contos pelo ante-projecto. Não esclareceu se aquela verba continha o custo da anulação do contrato ou "apenas" o custo de uma maquette em balsa. Deveria ter esclarecido também quanto custará o projecto de Aires Mamarracho Mateus parra o Parque. E já agora um estudo comparado de rentabilidade económica com Ghery (com todo o prestígio e capacidade de atrair turistas) e com Mateus.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

António Costa proíbe uso gratuito de tripés

SIC E RTP MULTADAS POR FILMAREM NA RUA

Todos os dias surgem notícias de ficar de boca aberta. Os portugueses andam deprimidos desde o desastre de Entre-os-Rios e desde que a obsessão de corrigir o déficit transformou o Estado numa entidade inimiga dos cidadãos, pronta a sacar dinheiro por tudo e por nada.
Hoje saír à rua é um perigo para a carteira. Tudo passou a ser proíbido, penalizado. A coima é uma instituição nacional. O medo instalou-se na sociedade portuguesa. Há em cada anónimo um potencial agente da ASAE, dos impostos, da polícia. Medo. Os portuguesas voltaram a ter medo. Pagam por minudências, por limites de velocidade excedidos em 2 quilómetros por hora, têm o salário penhorado porque a mulher a dias que foi despedida não descontou para a caixa, os portugueses além de deprimidos porque estão à beira do desemprego ou perderam o horizonte confortável da reforma, ou porque os filhos não têm futuro, ou porque deixam o salário na escola, na creche, no médico.... os portugueses têm medo. Os pobres, a classe média. Mesmo os muito ricos começam a ter medo.
Sócrates deve ser o único português feliz, menos quando o Santana lhe pergunta pelo passado lamentável de pato bravo.
Medo. Medo.

Hoje duas equipas da RTP e da SIC foram cercadas pela polícia municipal de Lisboa porque estavam a filmar na rua com tripé, e uma lei camarária de 1991 foi ressuscitada por António Costa. E que diz a lei ? que para se usar um tripé na via pública é preciso ter autorização e pagar. Mesmo os jornalistas têm de pedir autorização e pagar. As duas televisões vão ser notificadas para pagarem 250 euros cada uma.

Isto é normal ? Isto é de um país decente ? Isto não é a caça sem vergonha ao dinheiro ? António Costa que foi eleito por 60 mil votos porta-se na Câmara como um ditador, na senda do chefe Sócrates. Não há oposição ? Não há competência ? Não há vergonha ?
Não é só o medo. É mesmo a revolta que germina nas pessoas. Os portugueses estão fartos desta gentalha. Mas merecem-na. Votaram neles. Aturem-nos. E. já agora, digam que o Sócrates é bom, tem coragem e aumentou o pib em 0,2 décimas. Digam.

terça-feira, abril 24, 2007

Fontão de Carvalho foi constituído arguido

António Arnaldo Mesquita, Ana Henriques /Público

O até há pouco tempo vice-presidente da Câmara de Lisboa Fontão de Carvalho foi constituído arguido no âmbito do processo Bragaparques, num inquérito em que estão a ser investigados crimes como a participação económica em negócio e a prevaricação.

Fontão de Carvalho suspendeu o mandato na autarquia em Fevereiro, depois de se descobrir que havia escondido durante vários meses de toda a gente, incluindo do partido pelo qual foi eleito, o PSD, a sua condição igualmente de arguido num outro processo, relacionado com a atribuição de prémios de desempenho aos administradores da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa. Só o presidente da câmara sabia que o seu vice era arguido neste caso, no qual foi entretanto acusado de peculato. Fontão de Carvalho – que já foi vereador pelo PS e que antes disso teve ligações ao CDS-PP – só interrompeu funções depois de pressionado pela hierarquia social-democrata. O líder do PSD chegou a admitir que não lhe tinha agradado a ocultação da verdade pelo autarca.

Nas últimas semanas Fontão de Carvalho ameaçava regressar à Câmara de Lisboa, o que estava a criar algum desconforto no PSD. Apesar de se encontrar com o mandato suspenso, o ex-vice-presidente tem-se deslocado com alguma frequência às instalações camarárias, aparentemente para ajudar a resolver matérias relacionadas com o seu principal pelouro, o das finanças. Resta agora saber se, perante a sua constituição como arguido num caso de gravidade muito superior aos prémios de desempenho, Fontão optará pela renúncia ao mandato. O PÚBLICO tentou obter esclarecimentos sobre a matéria junto da câmara, mas sem sucesso.

A troca dos terrenos do Parque Mayer, propriedade da Bragaparques, por cerca de metade dos terrenos camarários onde se encontrava a Feira Popular, em Entrecampos, é um dos negócios sob suspeita. O outro diz respeito ao facto de a autarquia ter concedido direito de preferência à mesma empresa na hasta pública em que foi vendido o resto da área da Feira Popular.

Quer a Bragaparques quer a Câmara de Lisboa foram alvo de buscas pelas autoridades, bem como as residências de Fontão de Carvalho e da vereadora do Urbanismo, Gabriela Seara – esta igualmente com mandato suspenso após ter sido constituída arguida no caso. Também a antecessora de Gabriela Seara, Eduarda Napoleão, foi constituída arguida pelo Ministério Público no mesmo processo, tendo sido ouvida na semana passada no Departamento de Investigação e Acção Penal.

Ontem foi a vez de Fontão de Carvalho ser ouvido na mesma instância. Para a semana que vem deverá ser o presidente da autarquia a prestar depoimento às autoridades. Caso venha a ser constituído arguido, o PSD decidiu que o fará substituir pela vereadora Marina Ferreira, que tem o pelouro do trânsito e que, com a saída de Fontão de Carvalho, se tornou vice-presidente da autarquia.