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sábado, agosto 09, 2008

Primeiro de Janeiro: jornalismo de sarjeta na Rua do Taralhão

O que se passa com o Primeiro de Janeiro é aviltrante. E não consigo perceber porque razão o governo, através do ministro Augusto Santos Silva, não intervém pois estão em causa princípios éticos e deontológicos jornalísticos. A Entidade Reguladora devia também intervir e retirar o alvará ao jornal.
Hoje os jornalistas despedidos colectivamente descobriram que a sede da empresa, que os meteu na rua, é afinal um stand de automóveis, sito na Rua do Taralhão, em Gondomar, e que nem carros já vende há mais de dois anos. Isto se não é grave é o quê? Como pode um jornal vir para a rua nestas condições jurídicas com todas as agravantes éticas e deontológicas? Qualquer merceeiro pode fazer um jornal ? O despedimento colectivo está legal ? Não há Inspecção do Trabalho, ninguém mete ordem no pasquim ?

O Primeiro de Janeiro tem para mim um significado especial. Foi lá que iniciei a minha actividade como fotojornalista profissional, em 1978, na delegação de Lisboa, então dirigida pelo meu querido amigo António Valdemar. Então tinha uma redacção de jornalistas notáveis, era um jornal sério de grande credibilidade. Foi lá que conheci e trabalhei com o grande Neves de Sousa (com quem me estreei numa reportagem sobre o complexo de Tróia) e era normal encontrar o Norberto Lopes (decano do jornalismo nacional), o Eduardo Guerra Carneiro, o Vitor Carvalho e muitos outros.
Lamento que um jornal com aquela credibilidade tenha caído na sarjeta. Aqui senhor ministro Augusto Santos Silva é que está o jornalismo de sarjeta e tem agora uma boa oportunidade para o liquidar! O cancro começou há alguns anos com a intervenção de figuras ligadas ao CDS, acabou sem glória nas mãos de um pato bravo sem adjectivos.
Se esta vergonha for avante é o jornalismo que está em causa e ninguém com carteira profissional pode ficar calado perante esta vergonha.
O jornalismo do Taralhão não passará !