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sábado, agosto 08, 2009

A angústia na baliza ao pôr-do-Sol

fotografia de Luiz Carvalho, hoje. Carrascal, Alentejo.

quarta-feira, março 11, 2009

Alentejo desencantado

fotografia de Luiz Carvalho
Em 1991, com o meu colega António Costa Santos descemos ao Alentejo para relatarmos os dias da fome que se vivia por lá, para a revista do Expresso.
Eram os tempos áureos do cavaquismo. Encontrámos, no tal Alentejo profundo, um desalento total. Aldeias desertas, povoadas apenas nas esquinas por homens velhos sem destino, nem esperança. Gente que esperava com calma, pelo dia do juízo final.
Em Santo Aleixo da Restauração deixámos o carro escondido à entrada da aldeia, e fomos avançando como quem desbravava terra queimada. O país dos yuppies (aqueles rapazolas que mais tarde, até há meses, andaram a delapidar empresas e a jogarem as mais valias do trabalho em casinos) tinha ali o seu reverso, a vergonha: a fome, o abandono, o desprezo social.

Hoje no Alentejo lembrei-me desse dia. Como estava em trabalho, e não nos meus fins-de-semana de descanso, percebi melhor que a vida daquela gente nada mudou. O que mudou foi empurrado pelo natural crescimento da economia, embora muito pouco.

Gente sem futuro. Desempregados que o não são, porque foram postos a fazerem trabalhos nas juntas de freguesia ou nas câmaras (na verdade os grandes e únicos empregadores). Pobreza escondida. Fome, de novo a resignação, a mesma que aguentou o fascismo e explodiu com a festança da reforma agrária.

A senhora que encontrei hoje, 40 anos, com ar de 60, com um dente da frente, falando resignada da sua condição de desempregada, com filhos para sustentar e uma casa (muito digna)
para manter, podia ser o retrato desta pobreza do século XXI.

Uma realidade que Sócrates e seus apaniguados varrem para debaixo do tapete.

sexta-feira, agosto 08, 2008

O direito à preguiça


A meio da manhã o meu Iphone avisou-me que tinha um SMS da SIC a contar do assalto a um banco com reféns. Voltei a guardá-lo na pequena mochila onde mal o ouço. De férias só o mantenho ligado por causa da família e porque fico inquieto por pôr a hipótese que algo muito importante do trabalho me pode fazer chamar. E acaba sempre por acontecer. Hoje decidi nem notícias ver, até porque o maior concorrente da SIC N é o Canal Panda e a Playstation2. Tenho um filho com 6 anos ! Por isso ainda dei uma volta num Chevrolet com um motor de fora com 12 cilindros pela baixa de Los Angeles, fui perseguido pela polícia, fugi e escapei saltando de um viaduto para uma das inter-estaduais e regressei à sombra da laranjeira retomando um tranquilo livro sobre o budismo e depois retomei a biografia do HCB. Fiquei um dia muito out, com alguma música barroca.
O meu Óscar faz-me companhia a meus pés (o Óscar é o meu cão!) e ainda mergulho com o meu filho e a minha mulher na água quente do tanque (um termo mais democrático para usar em vez de piscina, pois nem se trata bem de um artefacto desses, e não me posso esquecer que este concelho é dos mais tradicionalmente comunistas. Apesar de não se notar).

Enfim um dia sem sinais do exterior. Uns amigos vieram de Lisboa e em vez de novidades trouxeram uma excelente carne de picanha e o meu filho André apareceu num documentário na RTP N sobre surf onde ele trabalhou como fotógrafo. Fico sempre estranho ao ver as aventuras do meu filho surfista porque eu nem nadar sei. Portanto: impossível eu ir algum dia surfar com o Nuno Lobito como um pândego sugeriu. Os dias na aldeia são bons quando a aldeia trabalha e os putos da música techno não aparecem nos seus AX's ou a cãozoada da caça, guardada em galinheiros desumanos, é solta ao fim do dia para desentorpecerem as canelas.
Mas quem julga que a vida no campo é sempre um sossego, desengane-se: por vezes há mais stress do que na cidade e quando o vento sopra a fritadeira alentejana transforma-se no deserto do Sara.
O pior mesmo é a internet lenta.

terça-feira, julho 22, 2008

UMA FOTO POR DIA

Estrada Zambujeira-Azenha do Mar, ontem pelas 20 horas. Uma 4L e o seu proprietário. Fotografia de Luiz Carvalho

domingo, abril 08, 2007

Primavera no Alentejo vista à luz fria da tarde


Fotografias de Luiz Carvalho

Carrascal, Arraiolos, ontem ao fim da tarde. A minha aldeia devolve-me a luz, o verde da Primavera, o frio a cortar quando o Sol vai.
Duas fotos diferentes. Uma a côr, outra a p/b, feitas com a Ricoh GR. O p/b foi feito directamente na câmera. Na fotografia a opção pela luz exacta, a côr ou o p/b, o enquadramento, a focal, a exposição, tudo determina o resultado final da imagem.

sábado, dezembro 30, 2006

Alentejo submerso


Manhã fria no Alentejo. Na aldeia algumas luzes de Natal, postas pela Junta da Freguesia, tornam a paisagem ainda mais triste. Há uma solidão latente neste Alentejo, um abandono que parece ao mesmo tempo uma revolta tranquila das gentes. Pode ruir tudo à volta que a aldeia consegue resistir a tudo. Passou pela dureza fascista, pela paranóia revolucionária, sobrevive à incompetência do bloco central, essa figura política que não foi capaz de levantar Portugal do chão.
Para fim de ano, e para sábado de manhã não está nada optimista esta análise.
Melhor ano virá.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Uma foto por dia

Alentejo, Carrascal, do meu contentamento. Foto Luiz Carvalho.

domingo, novembro 05, 2006

Alentejo ao correr da chuva




O Alentejo seco e quente ficou húmido. Agua por todo o lado. As paredes transpiram humidade, as telhas parecem não resistir às bátegas, a terra abre sulcos naturais cavados pelas enxurradas. Os homens partem pela madrugada para a caça, o dia fica sem vivalma, só os cães que não caçam se ouvem ladrar, mas pouco.
Gosto deste silêncio, cortado é certo pelo entusiasmo do meu filho David, 5 anos, pelo Canal Panda, o que me devolve ao Mundo real, isto é: à incontornável televisão. Mesmo saltando pelos canais generalistas, sou sempre apanhado no meio de um zapping por cenas lamentáveis ou caricatas.

Para lamentar as cheias pelo país. Quando chove um pouco mais a Pátria alagada, os esgotos vomitam, os bombeiros desenferrujam os carros parados desde os incêndios. Parece que alguém abriu a válvula e que é desta que isto vai afundar.
Talvez se resolvesse isto de vez.