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sábado, setembro 09, 2006

160 000 , edição esgotada












Às primeira horas da manhã o EXPRESSO esgotou a sua edição de 160 mil exemplares. Se mais houvesse mais se teria vendido. O meu pai que tem uma tabacaria em Alvalade, onde vende 30 por semana teria vendido o dobro, e não se conformava por não lhe terem mandado mais.

Para a semana a edição será reforçada de forma a poder chegar a muito mais gente, com o aparecimento do jornal do arquitecto Saraiva.

sexta-feira, setembro 08, 2006

O 11 de Setembro no Elmundo


Natascha em directo


O vídeo de Natascha na ORF

Uma foto por dia

Amanhecer do Sol no último dia da Expo 98. Fotografia de Luiz Carvalho

Ou quando o Sol chega atrasado aos grandes acontecimentos.

Novo EXPRESSO já está


ENTER ! Foi Francisco Pnto Balsemão que deu o "enter" no computador de Marco Grieco, o director de arte do EXPRESSO, para avançar para a gráfica o primeiro número em formato berliner.
Não é só o "miúdo" que encolheu, foi uma restruturação grande e profunda da redacção, com novos conceitos de trabalho. Mais organização, mais criatividade, mais atenção para com os leitores.
E como não é o tamanho que conta mas o conteúdo, os leitores vão ter amanhã uma agradável surpresa. Este EXPRESSO á mais EXPRESSO.
Pela parte que me conta estou muito satisfeito com os resultados fotográficos. A ÚNICA desta semana é para mim um grande motivo de orgulho.

Desempregadas da Varig posam para Playboy


Desempregadas mas bem pagas.

Sabrina Knop, Juliana Neves y Patricia Kreusburg, dispensadas pela Varig, decidiram aceitar posar para a Palyboy brasileira de Setembro.
O número promete e é caso para dizer que há males que vêm por bem.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Natascha, a imaginada e a real





















A verdadeira imagem de Natascha foi finalmente revelada, consentida por ela, quebrando o tabu tão apetecido de deslindar por parte do público e muito mais pela comunicação social.
Os jornais e as televisões quando não sabem, imaginam, inventam mesmo, tal como as mentes curiosas que há mais ou menos dentro de cada ser humano.

O rosto imaginário da menina raptada passados 10 anos de cativeiro, trabalhado em photoshop, acabou por se revelar longe da real Natascha, como o provam as fotografias entretanto divulgadas.

É muito curiosos este exercício de comparação entre as duas fotografias e que vem reforçar a ideia de que nem tudo o que imaginamos é. Mais: uma fotografia sem ser manipulada ganha autenticidade à prova de bala.

Ao dar-se a ver e ao falar da sua história, Natascha desmistificou uma lenda que começava a crescer à sua volta.

Daqui a meses ninguém mais se vai lembrar dela e regressará devagar ao Mundo real.
Oxalá para sua felicidade, que bem precisa.

Mais miss Kate


Irresistível ( a campanha claro). Acabo de encontrar esta nova imagem. O que é bom é para partilhar. MAIS VIDEO AQUI

quarta-feira, setembro 06, 2006

Kate Moss a agente provocadora


Kate voltou está perdoada. A maldita cocaína deixou de fazer mossa na vida da modelo.
Esta foto faz prova: a campanha da marca de lingerie Agente Provocador acaba de fazer com ela esta campanha de arrasar

Vestir a camisola


A azáfama que se vive hoje na redacção do EXPRESSO não deixa de ser um grande estímulo profissional. Desde 1989, ano em que entrei no jornal, acho que nunca vi tamanho empenho, emoção e amor à camisola. É uma noite inesquecível para se fazer um novo grande jornal.
( desculpem o meu entusiasmo)

Uma foto por dia

Nazaré, 2003, no mesmo sítio onde Henri Cartier-Bresson fez uma foto em 1956. Fotografia de Luiz Carvalho

O sistema solar


Por uma questão de princípio não gosto de falar em projectos concorrentes, pode parecer ressabiamento ou fragilidades afins.

No entanto não resisto a linkar para o Paulo Querido sobre o ovo estrelado.

terça-feira, setembro 05, 2006

Mentiras, fotografia e jornalismo

Fotografias que mentem, manipuladas.

O tema existe desde que a fotografia nasceu. Agora a manipulação torna-se mais fácil. A honra da imagem fotográfica está em causa ? Talvez...

Penso que a credibilidade do jornalismo também passa pela honra das fotografias.
Quem mente uma vez mente sempre e, tal como a virgindade, a confiança também só se perde uma vez.

Sou absolutamente pela defesa das fotografias não manipuladas. Jamais Salomé !!!...

Cliquem aqui para verem um slideshow sobre as mentiras fotográficas

Uma foto por dia

Terreiro do Paço, Lisboa, 2000. Fotografia de Luiz Carvalho

É uma das minhas primeiras fotografias digitais, feita com uma Canon D30. Não tem nenhum truque; é apenas o reflexo de um beijo numa paragem de autocarro.

Simplesmente Bobby


Lindsay Lohan atira um beijo para os fotógrafos no Festival de Cinema de Veneza, onde foi apresentado com grande sucesso "Bobby", a fita sobre a história de Robert Kennedy

Donas de Casa Desesperadas é hoje


Confesso-me um fanático da série, já o escrevi aqui uma vez. É difícil encontrar em televisão um trabalho tão criativo e surpreendente, divertido e profundo sobre a América. Nem " O Sexo e a Cidade" chegava a este aprumo. Portanto... hoje acabam as postagens depois da meia-noite.

Fotodigital já saiu

Saiu hoje mais um número da Fotodigital, a revista portuguesa dedicada à fotografia, dirigida pelo meu amigo José Antunes.

Sou suspeito em elogiar porque tenho lá uma crónica "Perto da Vista" e que sei que é lida por alguns dos ciberamigos que por aqui passam no Instante.

Não queria deixar de a recomendar a quem se sente fotógrafo ou faz disso profissão.
Publicar uma revista com esta qualidade em Portugal é preciso coragem e sentido do risco.

Daqui um grande abraço para o José Antunes.

Faz hoje 70 anos a mais célebre foto de guerra

A fotografia mais famosa de guerra faz hoje 70 anos.

Foi no dia 5 de Setembro de 1936 que Robert Capa, um fotógrafo húngaro de nome verdadeiro Andre Friedman, conseguiu no planalto próximo de Cerro Muriano, arredores de Córdoba, fazer a fotografia do miliciano republicano a cair morto por uma bala franquista.

Por detrás desta fotografia corre uma grande discussão sobre a sua veracidade.

Fraude para uns, documento ímpar para outros.

Como o negativo desapareceu, e só existe uma prova da altura de onde se têm feito sucessivas cópias, há anos que se especula se o soldado não terá encenado a queda para a fotografia.
Algumas investigações recentes confirmam que aquele soldado morreu naquele dia e àquela hora e a forma como ele se deixa cair de punho cerrado só seria possível estando morto, pois numa encenação a tendência era para abrir a mão para amparar a queda.


Capa consagrou-se com a sua reportagem sobre a Guerra Civil Espanhola.

As suas imagens não mostram tanto a acção da guerra mas sim os seus efeitos devastadores, as cicatrizes deixadas no povo espanhol.
Ele dizia que " se uma fotografia não é boa é porque o fotógrafo não estava suficientemente perto" e no terreno ele praticava esta sua teoria: mantinha uma relação estreita, quase intima com quem fotografava, envolvia-se na acção, estava perto da vista e do coração, como nesta foto com uma força evocativa que não ficará atrás da Guernica de Picasso.

A revista francesa VU foi a primeira publicação a editar a reportagem de Capa e logo lhe chamou " o maior fotógrafo de guerra do Mundo".

Por acaso ele aparecia com uma máquina de filmar, pois Capa era já um avançado repórter multimédia: chegou a fotografar e a filmar o mesmo acontecimento.
Só passado um ano a LIFE pegou na imagem e a publicou para os seus 50 milhões de leitores.
Mas mesmo que tivesse sido encenada, o que duvido já que Capa mostrou sempre uma grande coragem fisica a fotografar o que o levou a pisar uma mina na Indochina e a morrer à frente de um pelotão françês, em 15 de Maio de 1956, esta fotografia nunca sairá da acebça de quem a viu como um ícone do século passado.

Hoje em Cerro Muriano vai haver uma homenagem a Robert Capa com uma visita guiada aos sítios fotografados pelo grande mestre do fotojornalismo.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Perpignan adiada

Devia estar a esta hora em Perpignan no Festival Visa Pour l`Image. É um acontecimento que desejo há anos visitar mas a antecipação da saída da primeira edição em berliner do Expresso, acabou por me reter em Lisboa, mais propriamente em Paço de Arcos. Tentarei ainda lá dar um salto sexta, caso corra bem o fecho da edição. Voltarei com breves e curiosidades sobre este grande encontro de fotojornalistas.

Uma foto por dia

Violência numa escola de Lisboa. 2000. Fotografia de Luiz Carvalho

Com esta fotografia ganhei o Prémio Visão na categoria Vida Quotidiana, salvo erro em 2001. É uma das últimas fotografias feitas em filme, com uma Leica M e uma 21mm. Fica aqui para evocação da abertura das aulas que aí vem.

Instante Fatal atinge 120 visitors/dia


Caros cibernautas: confesso que andava ansioso por ver este número mágico no site meter: 100.
Hoje pela primeira vez o Instante Fatal ultrapassou as 100 visitors. Sei que é um número muito baixo comparado com os blogues mais famosos. Mas eu parti do nada, comecei por uma brincadeira, como um consolo por ter deixado o Expresso Online ( onde regressei já com um blogue sobre fotojornalismo e afins, o Flagrante Deleite) e isto tem crescido sustentadamente. Fico feliz por mim e por todos os que têm seguido este atrevimento. Obrigado.
Acreditem que eu acredito na internet, e tal como me diz o meu colega e amigo João Carlos Santos: " O Luis está viciado em net !". ( e faz o gesto de " xutar para a veia", às gargalhadas!).

Quem matou os jornais ?


Leia aqui o fabuloso artigo do The Economist.

domingo, setembro 03, 2006

Diário de Bimba Flor

Se aquelas atrevidas têm um confessionário na net, para contarem coisas porcas, porque não hei-de eu, singela rapariga, ter o meu diário ? Pedi ao meu amigo LC que me desse um pouco de espaço no seu Fatal, ele respondeu-me que isso seria como o destino: a hora estava marcada, faltava eu dar à pena.
Depois de ter sido entrevistada na tv fiquei ainda mais famosa. Pior: tornei-me numa intelectual: tenho fome de ler, troquei o programa da Fátima pelo da Babá sobre livros e convidados, quero assinar o JL, passearei na Feira do Livro e prometo levar o reformado Carlos Pinto Coelho a sessões para idosos, na condição de ele nunca se atrever a tirar-me uma fotografia ! ( Já lhe disse que isso será considerado fotofilia) .
A-con-te-ce !!!! Meu Deus o balúrdio que aquilo custou ao erário público ! Tanto perfume derramado, tantas crianças que podiam ter comido à pala daquela cultura ! O boxeur é que fez bem. Aliás, foi mesmo a única coisa bem feita que ele fez como ministrro.
Estou-me a dispersar ( esta palavra foi-me ensinada pela Tia Teresa)e tenho de voltar a marrar os diálogos para amanhã.
Aquilo sim, é que é escrita criativa !

Boa noite e se isto ultrapassa as marcas do disparate, deixem lá. A vida é bela, já dizia a Floribela.

O Vídeo do encontro Chaves-Fidel



Veja aqui o novo vídeo do encontro Chaves-Fidel (Já que estamos em maré vermelha).

Uma foto por dia

Última sessão fotográfica de Àlvaro Cunhal. Lisboa, 2000. Fotografia de Luiz Carvalho

Foi a última vez que estive com Cunhal e foi a última vez que ele aceitou ser fotografado e entrevistado. A conversa para o EXPRESSO foi feita pela Maria João Avillez e eu, a muito custo, consegui convencer o líder histórico dos comunistas a deixar-se posar para mim. Começou por recusar mas logo percebeu que eu só pretendia dele um retrato natural e descontraído.
Sempre me comoveu a personalidade de Cunhal, mas calma ! Isto nada tem a ver com simpatia comunista. Tem a ver com admiração por gente talentoso, inteligente, por mestres.
Postei isto hoje, porque a Festa do Avante terminou. E se o Marcelo lá foi é porque o comunismo deixou de ter peçonha ! eheeh!... ( a não ser que ele já esteja a namorar o eleitorado de esquerda para quando se candidatar à Presidência !)

Blogue FLAGRANTE DELEITE NO EXPRESSO


FLAGRANTE DELEITE é o a partir de hoje o meu blogue no EXPRESSO Online. Ali comentarei fotografias, imagens em movimento, relatos por detrás da produção de reportagens. Será um blogue menos intímista que o FATAL, pela simples razão que está integrado no site do jornal; Também confesso que tudo dependerá da forma como evoluir e está longe dos meus propósitos fazer uma coisa cinzenta.

De toda a maneira tudo o que lá postar vai estar sempre aqui ao mesmo tempo no FATAL.

sábado, setembro 02, 2006

Bimba Flor desbronca-se

Barbarela: Que te leva a ser uma vedeta entre os mais jovens?

Bimba Flor: A paz no Mundo, o Amor, o sorriso de uma criança quando pega no comando e lhe sai as Doce em versão Panda.

Barbarela: Achas que és uma referência para os teus fãs ?
Bimba Flor: Sim, quero sê-lo sobretudo se forem fãs pobres, esfarrapados, órfãos de pai e mãe e que já tenham ido ao Fátima Lopes.

Barbarela: Qual é a tua mensagem ?

Bimba Flor: Espalharei aos milhões de pequenos ecrãs: amor, quero dar amor, posso ir mais longe do que o Padre Borga e o Roberto Leal no espalhanço do evangelho.

Barbarela: Gostavas de escrever um livro e depois ires ao "Escrita em dia" ?

Bimba Flor: É o meu sonho: escrever com a devoção da Margarida Robalo Pinto ou como a Clara Paste Correia. Hei-de lá chegar se me continuarem a fazer entrevistas deste gabarito.

Barbarela : E as crianças ?

Bimba Flor: Porque lhes damos estas dores e porque emborcam tudo assim.

Barbarela: E os pais ?

Bimba Flor: Oh filha, esses estão a divorciar-se, ou já estão, e a maioria está a pensar em como hão-de mandar um SMS à amante para se verem amanhã. Desde que eu desçi à Terra os lares estão mais calmos: as crianças calam-se quando chego.
O resto não interessa nada e, citando Teresa Guilherme, " quem tem ética passa fome!".

Uma foto por dia

Lisboa, 1989, Rua Brancamp. Fotografia de Luiz Carvalho

Tirei esta fotografia pouco tempo depois de ter entrada para o EXPRESSO. Senti na altura que esta cena já fazia parte do antigamente lisboeta. A cidade, entretanto, mudou muito de personagens e de cenário.

O passado de Merche Romero, o futuro de Natascha Kampusch





A fotografia recuperada de Merche Romero, dos tempos em que se chamava Merçê e concorria a Miss Rio Maior, e a imagem de Natascha Kampusch, a jovem de dezoito anos que desde os dez viveu com o seu raptor numa cave escondida na Áustria, reconstruída no photoshop para dar uma ideia do que ela é hoje, têm ambas uma curiosa aventura.

Estas duas fotos trazem consigo a crueldade do tempo e o desejo imaginário que há em muitos de nós.

A menina gorducha, vestida de suburbana, que perdia o título de miss para uma actual secretária em Santarém (e que é hoje uma anónima no meio de papelada de um stand de carros) deu lugar a uma das mais desejadas mulheres portuguesas.

A outra gorducha que aos dez tinha um sorriso angélico, diz hoje aos dezoito ( depois de ter fugido da “cave Adão”) ter gostado do carcereiro. A foto imaginada, pode não corresponder à realidade, mas não deve andar longe do personagem real.

As imagens como testemunho ou como objecto da imaginação acabam por tornar reféns delas as suas vitimas: os retratados.
Daí a relutância de certas culturas em se deixarem fotografar e a preocupação de figuras públicas em construírem a sua personalidade visível a partir de estereótipos, controlando ao pormenor tudo o que dão a mostrar.

Acabamos sempre reféns da nossa imagem.
Susan Sontag escreveu em On Photography: «fotografar é possuir um objecto».

Se tínhamos como adquirido que as estratégias perversas de «o que parece é» só se aplicavam a artistas e derivados e a políticos burgueses, a imagem do camarada Jerónimo de camisola de alças amarela a bulir na construção da Festa do Avante, numa réplica de manequim da GAP em versão proletária, não podia ter sido mais surpreendente: é o regresso aos tempos da propaganda soviética, do ícone do homem de mármore, aos heróis de papel.

Acabamos sempre reféns da nossa imagem.

( também em www.expresso.pt)

sexta-feira, setembro 01, 2006

Ocaso,Sol e o Navio Almirante



Este Setembro traz uma rentrée animada nos jornais. O Independente encontra o ocaso ao fim de 18 anos, haverá um Sol nascente e um Navio Almirante que, ao fim de 33 anos, vai aparecer num novo formato, o berliner, falo claro está do EXPRESSO.

Estes três acontecimentos não podem deixar de conter coincidências e, pode dizer-se, marcas do destino.
O Independente nasceu contra o EXPRESSO; Paulo Portas, um dos fundadores, chegou a dizer que só deixaria de ser director quando vende-se mais um exemplar do que o EXPRESSO.
O Sol é um projecto que traz o mesmo estigma: fazer sombra ao título de referência, como uma família de herdeiros que quer matar o pai.

Quer o Independente, quer o Sol, nascem contra o EXPRESSO, ao contrário do Público que nasceu como projecto autónomo, sem querer ser alternativa ao EXPRESSO, apesar de ter sido fundado por uma esmagadora maioria de gente que de lá saíu.
Entretanto dia 9 o novo EXPRESSO no formato berliner vai ser um acontecimento: é o primeiro jornal naquele formato e já há quem lhe queira seguir o exemplo.

Dia 1 de Setembro é uma data com bom “karma”, não só pelo aniversário do fundador e do director do EXPRESSO coincidirem , mas porque os tempos são de ousadia e futuro.
A imprensa está mesmo a mudar.

Uma foto por dia


Festa do Avante. 1995. Fotografia de Luiz Carvalho

Fato impecável, camisa branca, bandeira vermelha com foiçe e martelo, descobri esta minha foto para uma homenagem à Festa do Avante que hoje começa. Não sou nada comunista, bem pelo contrário, mas acho esta festa anual tão envolvente como o 13 de Maio em Fátima. Haja fé e todos nos salvaremos !...

Apresentadora da CNN fala em directo da sua vida

Não resisto a transcrever mesmo em espanhol:

WASHINGTON.- EEUU ahora sabe que la presentadora de CNN Kyra Phillips adora a su marido y cree que su cuñada quiere controlarlo todo, ya que lo contó en directo desde un servicio por error, mientras la cadena emitía un discurso del presidente George W. Bush.

Bush prometía desde Nueva Orleans que su país responderá mejor a cualquier desastre en el futuro, en el primer aniversario del desastre producido por el huracán 'Katrina', cuando por encima entró la voz, llena de eco, de Phillips.

"La mayoría de los hombres son unos cerdos. Yo tengo mucha suerte en ese sentido. Mi marido es guapo y una persona cariñosa de forma genuina, sabes, sin ego, ¿sabes lo que digo? Simplemente un ser humano apasionado, compasivo y estupendo, estupendo. Ellos existen. Existen. Son difíciles de encontrar, sí, pero los hay por ahí", comentó.

Al fondo se oyó la voz de su interlocutora, no identificada, y el abrir de un grifo, mientras Bush seguía su perorata, prácticamente ininteligible por la confusión de ruidos.

Phillips continuó: "Los hermanos tienen que ser protectores, excepto el mío. Yo soy quien le tiene que proteger".

"¿De veras?", le preguntó la otra.

"Está casado, tiene tres hijos, pero su esposa quiere controlarlo absolutamente todo", respondió Phillips, sin pelos en la lengua.

"¿Kyra?", se escuchó en ese momento. Era otra voz de mujer. "Sí, cariño", replicó la periodista. "Tu micrófono está encendido. Apágalo. Has estado en directo", le advirtió.

Daryn Kagan, otra presentadora de CNN, entró inmediatamente al aire para hacer un resumen apresurado del discurso del presidente.

La cadena posteriormente emitió una declaración en la que explicó haber tenido "problemas con el sonido" durante el discurso. "Pedimos disculpas a los televidentes y al presidente por los trastornos ocasionados", afirmó CNN.

También envió un mea culpa formal a la Casa Blanca. Cuando entró en el aire tras la transmisión, Phillips se disculpó "por un problema que tuvimos con los micrófonos", según lo describió.

No se sabe si ya hizo las paces con su cuñada.

Marina Mota e o oceano de solidão

Ao contrário da maioria dos portugueses, para quem o sucesso de deve sempre a uma manobra oportunista ou a um bafejo da sorte, eu gosto de gente com sucesso, quando se percebe que por detrás houve trabalho e sobretudo talento. Daí ter ficado muito chocado com a notícia dada esta semana por uma revista de televisão que Marina Mota está desempregada há 3 anos e que a sua vida parece ser hoje um grande oceano de solidão.
Para mim a Marina era a sucessora da Ivone Silva, uma mulher cheia de genica e talento- cheguei a entrevistá-la e a fotografá-la- e que o desemprego e o insucesso nunca lhe bateria à porta.
Esta história remeteu-me para outras figuras que eu conheço, algumas com quem tenho uma relação de amizade, são pessoas talentosas com uma cultura e um saber acima da média e que no entanto deixaram morrer a sua carreira aos 50 anos e estão agora entre o desemprego, a reforma e o esquecimento.
São pessoas que não souberam gerir o génio e que também achavam, com alguma arrogância, que eram indispensáveis e que nunca ninguém as poderia pôr em causa, mesmo que fossem preguiçosos e com ondas temporárias e irregulares no trabalho.
Não estou a dizer que seja este o caso de Marina Mota. Até porque nem sequer li ainda a entrevista, nem me cabe estar a fazer juízo de valor.
O que me faz escrever sobre este tema, do insucesso, é que hoje já não há vacas sagradas nas profissões. E que quem quiser tocar viola tem de ter unhas, provar que é útil e que merece a confiança depositada por quem aposta em si.
Tempos difíceis, e estimulantes, estes em que vivemos.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Uma foto por dia

Isabel no 911. Perto da Guarda. 1998. Fotografia de Luiz Carvalho

Ainda outra homenagem ao 911 e a tudo de belo que ele pode trazer. Uma imagem de charme para fugir ao preto e branco neo-realista.

O novo EXPRESSO

Estou há 17 anos no EXPRESSO e hoje deve ter sido dos dias mais emocionantes vividos na redacção. Tudo aconteceu num segundo: o momento em que Henrique Monteiro entra e traz na mão o primeiro número zero da edição berliner, acabado de sair da nova rotativa. Claro que já conhecia a maquette mas agora ali estava o objecto em toda a dimensão: tacto, cor, peso, até cheiro.

Sou suspeito: mas aquilo está muito bonito. É um jornal de qualidade em qualquer parte do Mundo avançado. O grafismo é de uma facilidade notável de navegabilidade. É bonito. O espaço para as fotografias, parte em que ainda sou mais interessado, permite que as imagens ganhem força e autonomia narrativas, o texto terá de ser sucinto e de boa técnica de escrita.
É um jornal dos tempos modernos, com referências em títulos como The Guardian ou The Independent.

Os leitores vão ter a vida mais facilitada no acesso aos temas e podem agora levá-lo melhor debaixo do braço.
Este novo EXPRESSO vai surpreender pela positiva e reencontrar alguns "velhos" leitores que se tinham cansado de uma relação fiel e duradoura de 33 anos, assim como trazer jovens leitores esclarecidos.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Para o Líbano e em Força

Confesso que não percebo esta teimosia, e entusiasmo, dos sucessivos governos que temos tido em mandarem a tropa para conflitos internacionais. Guterres tentou convencer-nos que assim ficaríamos bem vistos, mais integrados, na comunidade internacional influente.
Depois nunca mais parámos de mandar tropa e GNR e polícia para todo o lado.

As nossas forças enviadas diluem-se sempre no meio de contingentes maiores e mais bem treinados. Acabamos sempre por sermos uns ajudantes de bréga no meio de matadores certeiros, mas os nossos bravos do pelotão têm até agora feito boa figura, no sentido de não ter havido mortes em combate, à excepção de dois ou três infelizes.
Só que esta brincadeira custa-nos milhões e é difícil eu contribuinte cumpridor entender porque havemos nós de nos armar em heróis da treta quando todos os outros que estão ao nosso lado em campanha são mais, melhor treinados e equipados. Sobretudo... com cartão de entrada no Country Club dos que podem jogar ao gatilho.

Agora lá vamos para o Líbano. E em força. Mais uns milhões para alimentar os canhões.
Ninguém se indigna, tirando os gastos protestos do PC e seu berloque.
Afinal todos ganham: os soldados que facturam ordenados de emigrantes, os oficiais que sobem na carreira e somam ajudas de custo, o governo que pode brilhar junto das instituições europeias, como se jogasse num clube restrito.

Não temos forças de segurança para tomarem eficazmente conta do país, mas na estranja somos uns figurões.

Uma foto por dia

UM PAIS A DUAS VELOCIDADES. EN1, perto do porto, 1992. Foto Luiz Carvalho

Uma homenagem a quem gosta de 911. Na foto está o meu primeiro 911 durante uma reportagem que eu fiz sobre a Nacional 1, a velhinha estrada Lisboa-Porto.
O país não mudou assim tanto desde então. Os Porsche são agora muitos mais, mais novos e caros, e as carroças continuam a transportar o nosso atraso crónico.

Carta de Natascha Kampusch aos jornalistas

"Estimados jornalistas, repórteres, estimada opinião pública!

Estou consciente do poderoso impacto que os eventos dos últimos dias provocaram.

Posso facilmente imaginar como estarão comovidos e alarmados com o fato de que algo desse tipo possa ser possível.

Além disso, estou consciente de que demonstram curiosidade sobre mim e que certamente querem saber mais detalhes sobre as condições em que vivi.

Quero lhes assegurar antecipadamente de que não responderei a nenhuma pergunta sobre intimidades ou detalhes pessoais.

Não irei tolerar qualquer tipo de tentativa de atravessar essa fronteira. Aquele que tentar, pode ir se preparando. Cresci como uma jovem menina com interesses na educação e também com necessidades humanas.

O ambiente: o recinto onde vivia estava adequadamente equipado. Era meu e não era destinado a ser mostrado ao público.

A vida diária: era regulada. Na maioria das vezes havia um café da manhã em conjunto, já que ele quase nunca trabalhava. Eu fazia as tarefas do lar, lia, assistia televisão. Nós conversávamos e eu cozinhava. Foi assim durante anos, sempre com o temor de me deixar sozinha.

Sobre a relação: ele não era meu amo e senhor. Eu era igualmente forte. Ele me mimava e ao mesmo tempo me humilhava. Mas não mandava em mim, e sabia disso. Ele organizou o seqüestro sozinho, tudo já estava preparado. Arrumamos juntos o quarto em que fiquei, que media mais de 1,60 metro de altura. Obviamente, não chorei após fugir.

Não havia motivos para me sentir infeliz. Do meu ponto de vista, sua morte não era necessária. O mundo não teria afundado se tivessem castigado ele. Era parte da minha vida. Por isso, de certo modo, me sinto afligida por sua morte.

Naturalmente, minha juventude foi diferente da de muitos outros, mas em princípio não tenho a sensação de que tenha me faltado nada. Fui poupada de uma série de coisas. Não comecei a fumar, nem a beber, e não tive maus amigos.

Mensagem à imprensa: a única coisa que quero da imprensa é que me deixe em paz e que pare de inventar calúnias e faltar com o respeito para com a minha pessoa.

Atualmente me sinto bem onde estou. Mas decidi entrar em contato com minha família apenas por telefone. Eu decidirei por conta própria o momento de falar aos jornalistas.

Sobre minha fuga: quando tive que limpar e passar o aspirador no automóvel, ele se afastou enquanto o aparelho fazia barulho. Essa foi minha oportunidade - simplesmente deixei o aspirador ligado.

Nunca o chamei de ´amo e senhor´, embora ele assim o quisesse. Apesar de achar que ele queria (ser chamado assim), não acho que tenha levado isso realmente a sério.

Tenho um advogado de confiança que resolve todo os meus problemas jurídicos. Tenho boa relação com a advogada especializada em juventude, (Monika) Pinterits, que é de minha confiança, com o doutor Friedrich (Max, chefe da clínica universitária para neuropsiquiatria de menores do Hospital Clínico de Viena) e com o doutor Berger (da clínica de psiquiatria de menores).

A equipe do senhor (Johann) Frühstück (chefe das investigações) me tratou muito bem. Envio a eles minhas carinhosas saudações, embora tenham sido um pouco curiosos. Creio que isso faz parte da profissão.

Questões íntimas: todos querem sempre fazer perguntas íntimas, que não dizem respeito a ninguém. Talvez alguma vez as revele a uma terapeuta ou a outra pessoa, se sentir necessidade de fazê-lo, mas talvez não a sinta nunca. A intimidade pertence somente a mim.

Ao senhor H. (amigo de Priklopil, que o transportou em seu veículo pouco antes de o seqüestrador cometer suicídio): não se sinta culpado. Você não podia fazer nada, Wolfgang (Priklopil) foi o único responsável por decidir se atirar na linha do trem.

Um sentimento de empatia me une à mãe de Wolfgang. Posso imaginar sua situação atual e seus sentimentos. Nós duas pensamos nele. Mas também quero agradecer a todas as pessoas que tanto me acompanham em meu destino.

Por favor, concedam-me um descanso nos próximos dias. O doutor Friedrich explicará tudo com esta nota. Muitas pessoas se ocupam comigo. Peço tempo atéque eu mesma possa contar o que ocorreu". Natascha Kampusch

terça-feira, agosto 29, 2006

O segredo de Natascha


A história de Natascha, a menina raptada aos 10 anos de idade e que agora fugiu do raptor e carcereiro, é de uma brutalidade e, ao mesmo tempo, de uma ironia cruel imprevisíveis. A história já foi contada com pormenores literários, gráficos e fotográficos, mas o que está por perceber é como uma criança se deixa seduzir pelo raptor ao ponto de o defender depois do seu suicídio, dando a entender que havia uma relação no mínimo sentimental entre eles...e que se esgotara, chegara ao fim, daí a fuga.

Mais: recusa voltar para a casa dos pais ( que entretanto se tinham separado) deixando-os de rastos. Natascha, agora adulta e livre, pode fazer o que quiser e lhe der na gana.
Isto vai dar azo a não sei quantos depoimentos de especialistas na matéria de síndromas, procurando explicar as manifestações mais recônditas da mente e dos sentimentos humanos.
Uma conclusão tiro eu, primário como sou nestas matérias - e noutras !- e que me atrevo a avançar aqui: eu já tinha percebido que a admiração e dependência dos oprimidos pelos opressores existe e se torna em vício, talvez em zona de conforto.
É o que explicará a raiva do subordinado perante o chefe autoritário, mas que o deixa órfão quando alguém o passa a tratar com deferência.
É o empregado explorado perante o patrão ganancioso, mas que quando chega o socialismo logo aceita e adopta o controleiro revolucionário.
É o conformismo da mulher maltratada pela besta do marido mas que acabará por "enganar" outro marido mais carinhoso e atento.

O Poder fascina e cria na verdade mecanismos estranhos: os da idolatria em nome da dor.
Não é só a mente que é perversa. A alma também.

Uma foto por dia

Beijo no Adamastor, Lisboa, 1980. Fotografia de Luiz Carvalho


É outra das fotografias da minha vida. Então tinha tempo para passear por Lisboa, vagabundear com a Leica M4, a 35 mm e o Tri-x.
Eu fazia muito a pé o trajecto, Rua de S. Paulo ( onde tinha um atelier ao lado da Graça Morais) e a Escola Superior de Belas-Artes no Chiado ( onde estudava arquitectura). Numa tarde de um desses dias tranquilos... fiz esta foto de um grupo de adolescentes brincando aos namorados. Onde estarão eles ? Que farão ? Ainda amam assim ?

A pureza original de Britney Spears


Britney Spears deixou de estar tapada no metro de Tokio. A sua fotografia despida em avançado estado de gravidez tinha provocado um verdadeiro acto de censura na passada semana , mas agora a administração do metro recuou. Para Tomoki Ishikawa um estudante de 19 anos veio a público defender a imagem na sua pureza original:" É uma imagem forte de uma mulher que trabalha!"

segunda-feira, agosto 28, 2006

Uma foto por dia

Rebanho no Largo de Alvalade, Lisboa,1978. Foto de Luiz Carvalho


É uma das minhas fotos de vida. Na altura, 1978, eu trabalhava em Arquitectura na Direcção-Geral das Construções Escolares, no último andar do edificio da Praça de Alvalade. Vi da janela o rebanho a descer a Avenida da Igreja, peguei na Leica M4 com uma 35mm summicron, desci pelo elevador e cheguei a tempo de fazer a foto.

Continuarei a postar todos os dias uma foto minha, que pode ser antiga ou de agora.

domingo, agosto 27, 2006

Leica M digital em Setembro




Finalmente vamos ter uma Leica M digital.
Quem avança com a notícia é a "Réponses Photo" deste mês. Já havia zum-zuns sobre o aparecimento do bicho, no entanto as notícias que especulam sobre as características da cãmera não deixam muita expectativa.
A saber:
1- Vai custar à volta de 5000 euros ( o dobro da Epson Rd1s)
2- Vai ter um captador Kodak com 10 milhões de pixels ( pouco comparado com uma Ds Mark II)
3- Vai ter um factor 1,3 ( A Rd1 tem 1,5. As "velhas" objectivas vão ter limitações)
4- A cortina desaparece, terá obturador metálico central ( o toque de disparo não será o mesmo)
5- Não terá alavanca para armar, será motor( perda de ambiente Leica)
6-O visor não será nada confortável dado o compromisso de utilização entre a 24 e 50.( A Epson tem precisamente esse problema)

Não vamos ser pessimistas, nós leiquistas, mas o melhor é usarmos entretanto a magnifica Ricoh GR, ( foto em cima à direita) mais barata e muito, muito Leica. A sério.

Uma foto por dia

Mourão, 1980. Fotografia de Luiz Carvalho

Foi durante a festa anual de Mourão que fiz esta fotografia. Era Fevereiro, estava uma tarde Sol, a tourada estava prestes a começar na praça de touros local. Eu andava por ali a ver o que poderia fotografar que fosse ao lado da tourada mas que tivesse a ver com o ambiente desta terra alentejana, branca, muito branca, com muita geometria e figuras sem tempo.
É uma foto muito " cartier-bressoniana". Usei uma Leica M3, uma objectiva de 50 mm e filme Kodak Tri-x.

sábado, agosto 26, 2006

Victoria Beckham e a tentação de Baco

Que tiemblen Ronaldo, Roberto Carlos, Beckham y todos los milicianos galácticos que combaten en el ejército de las noches salvajes. A los chicos malos del Real Madrid les ha salido una seria competidora, una nueva rival en el arte del bebercio, una amenaza a su reinado en la pista de baile. El martes, Victoria Beckham, aprovechando que su marido estaba entrenando con el Real Madrid, decidió beberse la vida, comerse la noche y saludar a las farolas con esa inocencia que dan los excesos etílicos. Fue en Londres, donde la ex chica picante se rindió a las tentaciones de Baco. Eso sí, Victoria es pija hasta para agarrarse un 'pedo': bebió Dom Perignon (a 480 euros la botella). (Foto: Enfoque. Texto: Javier Cid y elmundo.es)

Norberto Fuentes escreve sobre Fidel Castro

Muito bom este blog do escritor Norberto Fuentes no ElMundo.
A ver absolutamente.

Viagem em directo à Austrália de Luis Filipe Catarino

A grande viagem de Luis Filipe Catarino está a chegar ao fim. De novo vos remeto para este fantástico blog de viagem: www.impressoesdooeste.blogspot.com
A inveja que eu tenho deste puto !


PS: Não fizeste umas fotos do Crocodile Dundee a olhar para uma àrvore centenária ? Eehehe!!

ATENÇÃO VIGARICE NA NET COM A CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

Acabei de receber este e-mail mais que suspeito e só não ligo já para a Judiciária dado o adiantado da hora.

Quero pagar a ponte em Agosto, JÁ!!!

Portugal tem coisas espantosas ! Uma delas é que em Agosto o Zé Povinho não paga portagem na Ponte 25 de Abril.
Porque não paga ? Porque é uma tradição que vem do tempo de Salazar e que Cavaco não conseguiu alterar, depois do buzinão que o ia matando definitivamente como político.
( Safa !!Safa!!).

Portanto: não há político, por mais corajoso que se afirme, que ouse mexer na portagem da ponte, muito menos pôr o pagode a pagar em Agosto.
Para quem anda a apregoar por uma política de verdade nos impostos e no déficit, não está nada mal, está péssimo!

Claro que não se trata de dinheiro que não entra nos cofres do Estado, pior: é dinheiro que sai dos cofres do estado para pagar à Lusoponte como portagem virtual.
Quando vinha há pouco do Alentejo e decidi não entrar em Lisboa pela Vasco da Gama mas pela 25 de Abril poupei... 4,95 euros ( vinha de jeep). Se isto faz sentido, se isto é critério do Estado taxar portagens, digam-me que estou errado. Porque há-de um utente de pagar portagem na CREL em Agosto quando vai trabalhar e um pândego que vai para a Costa da Caparica numa boa, não paga a ponte ?
Se este é o critério do utilizador- pagador eu não quero pagar amanhã portagem para fazer a A5.
O engenheiro Sócrates que se diz tão corajoso, tem aqui um pouco de lenha para se queimar e mostrar a força do animal feroz que há dentro dele.
Ponha o Zé a pagar a Ponte 25 de Abril ( ao preço da Vasco da Gama como foi assinado no tempo do Ferreira do Amaral o consórcio) e faça GRRRRRRRRR!! ao buzinão.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Évora de passagem


Fotografias de Luiz Carvalho, ontem em Évora.

Passeio por Évora, mão esquerda dada ao David, mão direita com a Ricoh GR e disparar sobre o que vou vendo ao longo do trajecto entre o largo onde está a Câmara e uma simpática tabacaria, que fica sobre as arcadas, depois de passar a Praça do Giraldo.
Cruzo-me com os alentejanos de sempre, estes simpáticos homens de boinas e chapéus pretos que por ali fotografo há 30 anos.
Não são sempre os mesmos mas vão-se revezando na saga dos tempos. Agora a paisagem humana é mais atraente do que há décadas atrás, quando o PCP dominava a cidade e onde ali ia muitas vezes a pretexto de fotografar um comício, uma manifestação, manobras populares.
A nova paisagem humana é diversificada mas chega a ser impressionante a quantidade e variedade de mulheres bonitas, muito jovens, que passam homenageando o verão na forma de vestir. Há também muitos turistas com ar de turistas, espanhóis e até japoneses como hoje vi.
Évora é de facto uma bela cidade. O centro transpira cultura, bom gosto. É uma cidade com vida, útil, onde não se vai só para passear. Ali trabalha-se e sente-se no palpitar das ruas, no movimento. Gosto de ir a Évora, apesar do estacionamento ser um bico de obra, que era muito bem resolvido com um parque subterrâneo na Praça do Giraldo. Como a câmara é de esquerda acha que os carros não entram, o que me leva muitas vezes a desistir de lá ir.
Hoje fiz algumas fotos e deixo aqui duas clássicas, entre o pitoresco e o neo-realismo. Têm a particularidade de terem sido feitas só com a mão direita, enquanto o meu filho me puxava, desesperado, para escolher um brinquedo na tal tabacaria.
A maior tristeza é o Café Arcada que foi transformado numa cervejaria com serviço péssimo, caro e antipático.
Não havia necessidade.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Aconteceu no Alentejo

Não me lembro de ter tirado férias em Agosto.
Sempre achei que era o mês dos bimbos descansarem e da pequena burguesia arejar, o que vem a ser a mesma coisa.
Este ano é a primeira vez que o faço. Para mim torna-se suspeito sobre a minha evolução aos cinquenta, mas tenho álibi: assim o meu pequeno David pôde usufruir de idas à praia em Julho com a escola e não estar dois meses sem brincar com os amigos.

Imagino que Lisboa deve estar quase tão sossegada como o meu Alentejo.
Depois daquele dia agitado a calma voltou à planície.
Hoje foi um dia tão sossegado que a estação dos comboios abandonada de Arraiolos fazia lembrar o início do filme Aconteceu no Oeste.
É um sítio por onde gosto de passar com o meu jeep, apesar do antigo caminho onde estavam os carris ter sido cortado à entrada das herdades, o que é uma estupidez, pois assim podia-se percorrer o antigo trilho do comboio, que ainda está em bom estado.
( É mais uma das medidas inacreditáveis da CP. Podia ter abandonado a exploração ferroviária mas podia ter encontrado com as entidades locais uma forma de preservar o património cultural, o que não era caro, pelo contrário até podia dar dividendos.)

Voltando ao dia de hoje.
A planície está calma, silenciosa, o Sol queima ao ponto de o portão de ferro do jardim estar em brasa.
Pela fresquinha dois operários caiavam a sede da Junta do Carrascal, enquanto eu passeava o meu cão, ouvindo num transístor fanhoso o Rádio Clube Português que estava a dar… o estado do trânsito em Lisboa! Os dois homens baixaram o volume à minha passagem (será que já constou por aqui o meu mau feitio?) enquanto eu apagava a minha Davidoff ( finalmente tabaco!) para matar o bicho matinal.
A vida de um alentejano de aviário não é muito diversificada mas arranja-se sempre qualquer coisa para não morrer estúpido.
Hoje foi dia de reforçar a dispensa e lá fui eu com a família a esse centro do consumo que dá por nome de LIDL, em Estremoz.
Deve ser das ditas grandes superfícies que mais tem contribuído para a baixa da inflação em Portugal. Era uma loja com que eu embirrava, mas quando percebi que alguns amigos meus ricos lá iam,(e parto sempre do princípio que são ricos mas não são parvos), arrisquei. E fiquei cliente. Aquilo é uma instituição para forretas e com sorte fazem-se compras de arrasar.
O LIDL em Estremoz nunca falha e serve de pretexto para tomar um café no Alentejano, comprar jornais e revistas no quiosque frente ao quartel, para almoçar na Adega do Isaías (que está sempre, ou cheia ou fechada para férias, o caso de agora), ir à loja do Chinês ou tomar coragem na carteira e ir até à pousada almoçar. Também gosto de pisar o sítio onde Henri Cartier-Bresson fez uma das suas fotos sobre Portugal, em 1956, junto ao edificio da Camâra municipal.

Hoje, no entanto, acabei por cair numa situação caricata.
Ao sair da cidade meti-me à aventura por uns caminhos de terra batida, perdi-me, meti as redutoras para vencer uma subida valente (“não precisas de meter isso para nada!”- comentou a minha mulher fazendo confiança na força do Range), entrei num caminho de terra aceitável e quando dei conta estava à porta do monte do meu ex-director, sem saber ler nem escrever. Fiquei aflito: “se me virem aqui que vão pensar? Que quero ir para o Sol? que estou a espiar para ver se vejo a primeira manchete?”- que cena caricata ! Fiz inversão de marcha, passei por cima de um terreno lavrado e só descansei quando voltei a pisar alcatrão.
Para susto em tempo de férias chega por hoje.

quarta-feira, agosto 23, 2006

O homem que fotografava bem de mais


Joe Rosenthal fez uma das fotografias mais emblemáticas de toda a história do fotojornalismo. Num ápice, o mestre conseguiu resumir a vitória dos Estados Unidos frente aos japoneses na ilha de Iwo Jima durante a II Guerra Mundial.

Joe morreu ontem com 94 anos e 35 de fotógrafo no San Francisco Chronicle, facto invejável nos dias que correm.

A foto que o tornou célebre foi feita ao serviço da Associated Press, e se lhe trouxe fama também lhe causou despeito: detractores puseram a circular que a fotografia tinha sido encenada por a considerarem demasiado perfeita!...
Este é um preconceito habitual nas redacções dos jornais, uma atitude que está para o fotojornalismo como a frase feita de que “ os homens não se querem bonitos”.

Robert Capa que fez uma não menos célebre fotografia, a do miliciano republicano a ser atingido por uma bala franquista durante a Guerra Civil Espanhola, também foi alvo das maiores dúvidas relativamente à encenação ou não dessa imagem.

Recentes investigações feitas em Cerro Muriano, um pueblo junto a Córdoba onde a fotografia foi feita nos anos 30, revelam que naquele dia só tinha sido morto um miliciano, que não tinha aquele nome, e que a luz da foto não corresponde à hora em que esse combatente morreu.

Muitas vezes as encenações são mais realistas do que os relatos verídicos.
Havia um repórter de grande talento, mas muito preguiçoso, que conseguiu há anos fazer um excelente texto sobre a morte do dirigente socialista Sartawi no Algarve, com fotos do percurso que o criminoso terá feito e pormenores dignos de um romance policial, só que… era tudo inventado.
E nem vou falar de quem sendo um decano dos decanos do jornalismo nacional há anos inventou a partir do quarto do hotel uma excelente entrevista com um dos astronautas que tinha ido à Lua!..
São exemplos que não devem ser tomados como referência.

A fotografia de Joe consegue aquilo que um fotojornalista mais ambiciona: conseguir a síntese perfeita entre a notícia e a composição numa foto inesquecível.
Tão difícil de atingir que, quando se consegue, pode parece encenação.

terça-feira, agosto 22, 2006

O stress da vida no campo

O país visto do Alentejo, aqui no Carrascal entre Arraiolos e Estremoz, é ainda mais pasmaceira que esta minha querida aldeia.
Mantenho o telemóvel em silêncio, a tv no Canal Panda, quase sem som, mas sempre lá por imposição do meu pequeno David (antes lá que nos morangos e quejandos), passo os olhos pelo Público, espreito as revistas de fofocas que a minha mulher não resiste a comprar ( e que eu não resisto a espreitar para divertimento imediato que acaba em sensação deprimente) e nada me surpreende nesta terra.

Tirando uma ou outra tragédia, ou desastre, ( que o excelente serviço 3369 de alerta SMS da SIC me vai informando) nada me excita. Ainda bem. Estou de férias, em retiro espiritual, bem preciso para os tempos de muito trabalho entusiasmante que me esperam.

A noite de hoje está quente, não há vento. Ouvem-se cigarras, e os guizos dos animais ao fundo, longe, nas pastagens. Uma noite perfeita!

Mas o dia não foi assim tão calmo. Foi mesmo um bom exemplo de stress do campo. Sim a pacatez também traz nervoseira e quem julga que as aldeias são um sossego total está muito enganado.
Como aqui a regra é a tranquilidade qualquer dissonância surge muito mais perturbadora.

Exemplo de um dia irritante no campo: (lembram-se da série Viver no Campo?)

8horas: uma carrinha de um feirante acorda-me com um som estridente anunciando a chegada. É um acordar de loucos. Antes uma bomba na pinha !!

8e meia: o meu filho abana-me: “ pai acóda vamos brincar! E traz com ele uma revista de carros clássicos que não larga há uma semana.

10horas: o vizinho começa a brocar para instalar um ar condicionado
(consegui demovê-lo a montar aquilo perto do meu telhado).

11horas: o cão acaba de me sujar o chão da sala, toca a limpar

12horas: chego a Arraiolos para comprar o jornal e não consigo estacionar, o presidente da Câmara transformou aquilo numa terra –museu. Está já um calor sufocante e não há uma livraria! Apetecia-me comprar um livro. Lembrei-me de um homem da aldeia da Beira - Alta que há 30 anos me dizia:” Oh, Jorginho (sou eu!) às vezes tenho fome de ler… o Jorginho não tem ?”- Este esfomeado acabou nas Testemunhas de Jeová.

14horas: almoço em casa, a broca do vizinho não pára

16horas: finalmente piscina. A agua está fria, o puto grita de excitação com os mergulhos, o cão come-me a relva, finalmente dentro de agua.

18horas: o vizinho parou de brocar mas decidiu por a televisão aos berros

20horas: pela enésima vez tenho de ouvir a xaropada de um clip para crianças do Panda
(se ao menos hoje fosse terça para ver “As Donas de Casa Desesperadas!)
21horas: O meu filho exige voltar para Lisboa para “ a casa dos miaus” porque se lembrou de um brinquedo que lá deixou. Negoceio: vamos a Évora amanhã, está bem?
(consigo ser mais banana que o Xanana !!)

23horas: pego na bicicleta e pedalo pela aldeia armado em velhinho biruta. As subidas são uma chatice, já devia saber. Na verdade uma moto 4 é que era fixe!

23horas e 30: toca a blogar.
O raio da Internet é lenta que se farta e nem uma miserável cigarrilha tenho para acalmar.
O que é reconfortante é que hoje tive 70 visitas o que é um número muito simpático e que me anima a continuar este diário.

Depois vou voltar ao Paul Auster.
No silêncio. Nem o meu Ipod quero ouvir.
Boa noite.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Pecadoras virtuais contam tudo

Que leva uma directora de recursos humanos a confessar as suas taras na rede?

Como se terá sentido o marido a quem a mulher acabou de dizer que tem um blog maroto na net onde descreve a vida sexual do casal ?

Como vai a secretária de administração ( uma mulher do norte !) aparecer junto do “inginheiro”, na manhã seguinte a uma postagem acanalhante sobre a prática dos seus desejos ?

E que faria o chefe de pessoal de uma certa empresa se soubesse que aquela “sonsa” que trabalha no open space, posta na hora de serviço no blog a mais estonteante linguagem libertina digna de uma Anais Nin de subúrbio ?

Luna, Felina,Cicuta, Sutra, são algumas destas blogueiras descaradas, não o suficiente porque ainda se escondem por detrás destes pseudónimos.

A reportagem da revista Sábado sobre as pecadoras que agora usam a net para confessarem os s mais íntimos desvarios não pode deixar de nos impressionar.

As mulheres perderam a vergonha, mandaram o senhor cura às urtigas, pecam virtualmente.

A igreja, tirando um padre que dá missa em power point, não se actualizou, não compreendeu que nem para se falar ao telefone se vai a cabines, quanto mais a confessionários para levar o credo na boca !

São as tecnologias de ponta no seu melhor.

“Simplex, meu caro !” – dirá o engenheiro Sócrates, mal sabendo ele que a rede privada está a funcionar muito melhor do que a rede pública.

Os cidadãos podem andar a ser vigiados por câmaras ocultas em estradas e onde menos esperam, mas esse big brother é já uma infantilidade, tão inócua como a PIDE no seu pior, comparado com o arrojo popular, a veia poética entre suspiros, o desejo transformado numa nova literatura que não é light, nem clássica, está entre a linguagem SMS, o vídeo de poucos segundos de pequeno formato, o sound byte, e o romantismos serôdio da telenovela.

Este clube de viciadas anónimas em sexo virtual, sinceridade e ansiedade de tudo contarem a visitors desprevenidos, que andam a espreitar pelo buraco das passwords está a aumentar, a criar moda, a ultrapassar largamente a audiência de jornais online sérios, onde prima a ética, o rigor, a crónica sábia, a opinião abalizada, o investimento sem retorno.

Os blogues têm esta acção perversa: criam tráfego, audiência poderosa, influência política e social, tendências, com zero custos.
(Vasco Pulido Valente tinha no seu blog uma audiência semelhante diariamente à sua coluna no Público e ultrapassava largamente a de muitos jornais online. E o sexo não é propriamente o seu forte. Foi uma pena que tivesse acabado. )

Em Inglaterra uma desconhecida, Zoe Margolis, transformou o seu blog num topo de vendas.
Por cá estamos a começar.
A confissão só ainda vai na cama.

domingo, agosto 20, 2006

Baby boomers, a geração que mudou o Mundo

Baby boomers

Clinton faz hoje 60 anos, Fidel está doente, eu próprio não me sinto lá muito bem e só faço 52 no mês que vem…

Gostei muito do destaque do Público de hoje sobre a geração Baby boomers, termo usado para definir quem nasceu nos Estados Unidos e na Europa entre 1946 e 1964 e que protagonizou de uma ou de outra forma a grande aventura colectiva do pós-guerra, a nova ideologia libertária, a revolução sexual, o movimento hippie, o feminismo, a independência dos povos, a sociedade consumista, a segurança social, enfim um rol de atitudes e de acontecimentos sociais e políticos que fizeram das últimas décadas talvez o período mais “civilizado” do Homem.

Clinton é um dos ícones dessa geração pela sua ascensão e carreira, desde a infância pobre no difícil Arkansas, ao seu modelo de casamento( e de infidelidades), ao seu estilo MTV, às causas que decidiu abraçar depois de ter deixado a Presidência nos Estados Unidos.
Desta geração de ouro nos Estados Unidos ressaltam nomes como David Linch, Spielberg, Oliver Stone, Cher, Gianni Versace e o incontornável George Bush e sua mulher Laura.
Há muitos, muitos mais com sessenta mas estes só por si representam bem uma geração que mudou o Mundo, uns mais do que outros, alguns para muito pior do que outros, dependendo das opiniões.
Em Portugal a fazerem sessenta este ano temos D. Duarte Pio, a cantora Tonicha, o intelectual e poeta da bola Artur Jorge, o bloquista Fernando Rosas, a minha querida amiga Lídia Jorge, Teresa Patrício Gouveia e para trás do Sol posto Xanana Gusmão.

Mesmo aqueles que não fazem seis décadas este ano e que nasceram entre 46 e 64 estão agora no poder e a exercê-lo em pleno.
Somos governados por ex- maoistas, leninistas, trotsquistas e de outros ideais de esquerda. E se o nosso primeiro- ministro se iniciou politicamente na juventude Social democrata isso foi amor de pouca dura e passado pouco tempo já era socialista, embora da ala Guterres, a mais conservadora e católica.
Os que não têm este passado de esquerda são na maior parte dos casos figuras que de uma ou de outra forma contemporizaram com o antigo regime, com o obscurantismo. Daí a grande limitação da nossa direita: não é culta nem ideológica, é ressabiada e trauliteira, e neo-liberal na fase nova-rica.

Ser-se de esquerda aos vinte é ser-se generoso e nesse sentido podemos dizer que quem nos governa e nos cobra impostos e nos põe a pagar os custos do Estado é uma classe altruísta e amiga do próximo. Imaginem se não fosse…

O Público dava a entender que por cá não tínhamos tido baby boomers até porque as razões da nossa natalidade alta nesses anos se devia mais ao nosso subdesenvolvimento ( leia-se sociedade ainda muito rural) do que à expansão da nossa indústria e logo das nossas cidades. A nossa expansão foi com a emigração para França.

George Bush é baby boomers.
Cavaco Silva não é.
E quando o vemos de férias a apanhar fruta na terra natal, no meio de diversidade arbórea centenária ( as arvores morrem de pé !) num quadro entre o idílico rural de Boliqueime e o tédio cultural da primeira dama num concerto de Juaquin Cortez, numa noite algarvia convidando ao uso de chinelos, percebemos que nós por cá todos bem, mas sempre marcando ao lado do Mundo.

sábado, agosto 19, 2006

MySpace:the movie, faz de David Lehre um génio

Hollywood tem medo da internet e da pirataria que a contém.
Mas agora muda de táctica: já que a não pode vencer, junta-se a ela. As novas ferramentas de edição de imagem e som, acessíveis a qualquer internauta, podem fazer de cada usuário um novo Orson Welles. O popular site You Tube.com tem já disponível on-line 100 milhões de vídeos diários e os seus utilizadores põem lá uma média de 65 000 novos vídeos por dia.
O portal MySpace.com segue com 35.000 novos vídeos diariamente.
Claro que não são longas metragens nem grandes superproduções, mas como a limitação faz o engenho é nestes pequenos vídeos ,que podem chegar aos 11 minutos, que se descobrem por vezes verdadeiros génios criativos.
David Lehre, que era um total desconhecido, vivendo em casa de seus pais, realizou MySpace: the movie, uma paródia com 11 minutos que desde Janeiro já conta com milhões de espectadores na rede.
Como é que uma produção caseira, baseada em publicidade boca a boca e nos bloggers, conseguiu que um jovem de 21 anos seja o novo talento de Hollyood a caminho de um contrato com a Fox television para fazer uma longa metragem ?

Este é o resumo do excelente artigo que vem no ELPAIS.EP e que vos convido a ler aqui.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Marcelo Caetano, cem anos de solidão


Faz hoje cem anos que nasceu Marcelo Caetano.
No Público de hoje Vasco Pulido Valente (VPV) faz um artigo notável sobre o último homem da ditadura e revela uma coisa espantosa, a falta de fé de Marcelo, quer no catolicismo, quer em Deus, apesar de revelar uma posição muito liberal em relação à prática religiosa. Outro pormenor curioso é a correspondência romântica trocada em fim de vida com uma senhora portuguesa, onde ele revela uma alma inquieta e sensível.

Ana Maria Caetano, sua filha, deu uma entrevista a Judite de Sousa, passada há minutos na RTP1, onde também fez revelações que deixaram a ideia de que Marcelo era na vida privada um homem tolerante, com laivos de liberal, com preocupações obsessivas pelo sofrimento humano da guerra colonial, um moderado que queria a evolução do regime para uma democracia – apesar de confirmar o seu desprezo pelos partidos – e que viveu 5 anos de governo manietado pelos ultras direitistas.

Enfim: um homem só que sentiu a impotência de levar avante uma reforma do regime e que em 73 já pressentia a derrocada, só que não era homem para abandonar o barco quando a agua começava a entrar.
A filha falou ainda da capacidade de amar, a forma como ele suportou a doença da mulher e a paixão assumida por ela, traduzida até em poemas evocando pássaros e outras figuras poéticas.
Ainda falou de amigos de então, alguns delfins como Freitas do Amaral e Adriano Moreira, e de Marcelo Rebelo de Sousa com quem ela andou ao colo.
Foi uma bela entrevista, muito comovida, às vezes de lágrimas nos olhos, um raro momento de boa televisão.

A figura de Marcelo, vista agora à distância que a História de 32 anos permite, é na verdade um personagem que deixou muito por explicar. Claro que para mim alguma desta aureola restituída pela entrevista da filha e pelo artigo de VPV foi logo bastante, muito mesmo, ensombrada quando de seguida a RTP passou um documentário onde Marcelo aparece numa das Conversas em Família a falar da descolonização. Aí relembramos a sua obstinação política, a sua visão de um Mundo que já não era possível existir, a falta de sentido político prático e tolerante. Essa foi a imagem que tramou Marcelo e que fez daqueles anos derradeiros do antigo regime uma farsa impossível de continuar a existir numa Europa democrática e num relacionamento eficaz com uma América pós guerra do Vietname.

Marcelo se pensava em mudança nunca o fez e quando o fez foi tímido, fraco, pouco corajoso.

Dos fracos não reza a História e Marcelo não soube contornar politicamente os Kaulzas do regime, acabou por ser mais um professor do que um político, foi um homem que pôs a ética à frente da agilidade política.

Eu ainda era muito novo mas lembro-me que foi por aquela altura que se começou a falar em Portugal em evolução tecnológica.
Os tecnocratas que começavam a trabalhar para o Estado eram uma força técnica notável de competência.

Em 1973 eu era um jovem estagiário de 18 anos a trabalhar em arquitectura na Direcção Geral das Construções Escolares. Tinha entrado porque uma cunha do meu pai que lá trabalhava permitiu que eu trabalhasse enquanto tirava o curso de arquitectura.

Havia uma tolerância enorme nesse tempo. Havia muitos jovens a trabalharem nessa Direcção Geral, pioneira na introdução de computadores, tecnologias novas e projectos para escolas primárias inspirados na experiência sueca.
Era um tempo onde os melhores arquitectos e engenheiros do país trabalhavam nas obras públicas, acumulando com actividade profissional externa, contaminando os serviços com um espírito muito competitivo.

Depois do 25 de Abril essa Direcção modelo ficou modelo por outras razões: os comunistas do MFA tomaram conta daquilo, tornou-se na “ direcção-geral vermelha”.
Os directores que tinham empregue os putos do futuro foram por eles saneados ( eu nunca participei nessa linchagem) e aquilo tornou-se num serviço de parasitas e de gente faminta por poder.

A Primavera Marcelista a oportunidade perdida de Portugal.
Foi uma infelicidade colectiva não termos feito a transição pacífica para a democracia, tal como Espanha o fez pouco tempo depois.
Hoje ainda pagamos esse fardo, a aventura de uns tontassos que andaram anos a ganhar com a guerra e que descobriram que a melhor forma de subirem nas carreiras era fazerem uma revolução.
O mais incrível é que a fizeram, mesmo tendo respeitado os semáforos de Lisboa para avançarem com as chaimites!...

Deste ponto de vista compreende-se a desilusão de Marcelo.
É sempre revoltante aceitar o triunfo da barbárie contra a inteligência.
Só que muitas vezes inteligência a mais só atrapalha, e Marcelo tropeçou nas suas definitivas ideias.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Pamela Anderson e Carla Matadinho também blogam


Nós bloguistas não estamos sós no firmamento.
Temos algumas estrelas connosco a guiarem-nos na blogosfera.

Hoje mesmo o confirmei no insuspeito Correio da Manhã.
Pamela Anderson tem um diário em forma de blog e o Presidente do Irão, que não apelidaria de estrela mas de cometa incendiário, aderiu à maravilha da net depois de ter disparado forte contra as novas tecnologias do imperialismo.
A Carla Matadinho, essa força da natureza alentejana, que um dia se viu divulgada na Internet depois do computador do namorado ter sido deixado a arranjar ( era um pc de certeza, eheheh!!)com algumas fotos suas bem atrevidas para a idade, abriu esta semana um site.
Ela que ficou fula quando as fotos privadas passavam por milhares de visitors, rende-se agora à rede que a fez nascer e que a quer mostrar como ela veio ao Mundo.

Mesmo Elsa Raposo tem um site, mas é nos blogs que agora todos querem comunicar. E nem vale a pena falar dos intelectuais do Pacheco Pereira ao Miguel Esteves Cardoso, do Paulo Querido ao Manuel Falcão.

Por mim fico feliz.

Confesso que este meu blog é ainda mais viçiante do que quando dirigi os sites da Sojornal, talvez porque aqui respondo só por mim mesmo. É uma atitude pessoal, como eu gosto de funcionar, com muita adrenalina.

O futuro não está só na net, mas está já a passar por aqui.

Foto do dia


Paisagem alentejana junto à Barragem do Divor. Foto de Luiz Carvalho, ontem às 19 horas