Afinal Ferreira Leite segue Sócrates na pele de humilde. Começou a conversa com Ana
Lourenço, hoje na SIC, usando uns sorrisos que nunca lhe tínhamos visto: forçados, nervosos, contidos. Uma performance tão falsa e ridícula, lembrando Cavaco quando quer fazer humor camiliano de Oliveira, ou quando fala no estrangeiro sobre datas de eleições, vestido de traje académico. Por pouco não víamos o nosso Presidente a falar da Pátria trajando uma saia escocesa!! Adiante.
Ferreira Leite foi para o Dia D a tentar fazer o papel da
avózinha querida, sábia e tolerante que não gosta do lobo mau, vulgo Sócrates. Quando surgiu o tema da economia ela, tal como Cavaco quando o tema é economia, saltou a
franga, esqueceu o personagem (anda ali assessoria de imagem! Anda, anda!!..) e voltou a ela própria: mudou a voz, a expressão, e até o penteado (que ainda não está para trás!) parece ter-se libertado da laca, naquele estilo manuelina Eanes. Um penteado que se fosse uma janela era uma marquise.
Ferreira Leite passou então a ganhar a conversa, embora já tivesse espantado a audiência do início. Eu próprio que chateei a minha mulher, o meu filho e
usei mesmo o jornal contra o cão, para poder ouvir muito bem a salvadora, adormeci a roncar no sofá, tendo produzida uma
inadvertida desconcentração no
meu puto que jogava na PSP a
enésima sessão do
Batman versão Lego. Acordei com um grito do meu filho:"pai acorda está ali a Ferreira Leite que quer ser chefe e tirar-nos o Magalhães!!".
Enfim: ficámos na mesma. A dona Leite disse que fazia diferente no caso
BPN, mas não disse como. Quer-se dizer... Havia outras soluções. A doce Ana esqueceu-se de lhe perguntar quais. Fugiu do caso Dias Loureiro como Cavaco do Conselho de Estado no tempo da figura incomoda, e nunca teve uma ideia estruturante para o futuro do país. Não quer grandes investimentos porque nos empobrecem, acha que 90 por cento das nossas empresas são pequenas e médias e que aí sim devia o Estado investir.
Tenho dúvidas se devemos por nas mãos de uma classe empresarial obsoleta, maioritariamente analfabeta (verdade!), troglodita nas relações laborais, e que andou a viver à custa de sopros do Estado, duvido que devamos arriscar TODO o nosso futuro nessa gente. Embora, devam ser criadas as condições para eles sobreviverem e crescerem bem, se para isso forem capazes.
A mulher do Pagamento por Conta, do
IMI, das portagens na CREL, da venda do património, do discurso da tanga, do aumento do IVA, duvido que esta figura de tia-solteirona, parecendo correr atrás de Rangel na Canção de Lisboa, tenha arrojo, agilidade e talento, intuição, para que Portugal dê um passo em frente. Só se for para o abismo...
Porque não fala ela dos seus projectos ?
Primeiro, porque só tem duas ideias: parar o investimento público e engendrar maneira de os contribuintes pagarem ainda mais impostos. Já o fez, duvido que tenha outras fórmulas na cabeça. Aquilo é mais tabuada que economia.
Agora o que é de
basbacar é que Ferreira Leite venha dizer que o
deficit controlado não foi grande mérito e que o "
sismozinho" que caiu sobre a economia e finança mundiais tenha logo posto em causa o
crescimento e as contas do país. Se ela chama ao que está a acontecer no Mundo um
abaninho, um toque e foge...liguem as campaínhas!!!
O que Ferreira Leite não quer ver é que a vitória com Rangel foi circunstancial. Uma coisa é votar no simpático Farinha Amparo
, uma figura que evoca Vasco Santana, para chatear o engenhocas e ao mesmo tempo despachar o esperto para Bruxelas. Outra coisa é votar na velha senhora indigna para nos apertar o gasganete. Já demos para esse exercíco sado-masoquista.
E o que ficou por saber hoje foi quase tudo.
Perguntas soltas: se ganhar vai mexer na lei do aborto, na
ERC, no Magalhães,
nos impostos, nas portagens, na classificação dos professores, nas taxas da saúde para a classe média, no rendimento
mínimo, na lei de segurança, na justiça, na cultura...tudo, tudo foi remetido para um programa lá para finais de Julho, que quer dizer início de Setembro, a semanas da campanha eleitoral.
Ferreira Leite usa aquela manha de Cavaco de há 20 anos: nunca explicava nada, metia a cassete, repetia sempre as mesmas frases, foram os primeiros
sound-
bites da nossa
pindérica política.
Sendo assim vou pelo
TGV. E seguindo a ideia de jerico da nossa
avozinha, pode ser que os centros de decisão passem então para Madrid. Per
supuesto!!!