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segunda-feira, junho 18, 2007

Costa pode apadrinhar casamentos Gay


João Soares ressuscitou as Noivas de Santo António, mas António Costa vai mais longe e pode mesmo vir a abrir o Salão Nobre a casamentos Gay. Era mesmo disto que Lisboa estava a precisar!!!


Sexta-feira à noite, durante um debate promovido pela ILGA Portugal, a número três da lista de Costa para a Câmara de Lisboa, Ana Sara Brito, disse que a candidatura socialista está aberta à realização de casamentos civis, incluindo de homossexuais, no Salão Nobre da autarquia da capital.

«O direitos dos homossexuais ao casamento é um direito que defendemos», declarou Ana Sara Brito nesse mesmo debate.

Confrontado com a posição da número três da sua lista, António Costa declarou que, se o PS vencer as eleições, haverá «disponibilidade para dar assistência ou ceder espaços para qualquer tipo de casamento que exista»./ Diário Digital

Wall Street Journal muda a pensar online

Mais um jornal em mudança.
Uma das novidades: o editor online passa para editor adjunto do jornal em papel.


O diário The Wall Street Journal anunciou uma profunda reestruturação da sua direcção, enquanto o grupo Dow Jones continua a analisar a proposta de compra lançada pelo magnata da comunicação Rupert Murdoch.

A reorganização é uma das primeiras medidas adoptada pelo editor executivo do jornal, Marcus E. Brauchli, que assumiu o cargo há poucos meses, e que pretende imprimir a sua marca nas estruturas mais altas do diário financeiro, um dos mais prestigiados do mundo.

Segundo um comunicado divulgado pela empresa, a nova organização do diário tem por objectivo conseguir uma maior integração entre a edição online e a tradicional, numa altura em que o jornal se está a expandir pelo mundo inteiro.

A reestruturação passou por nomear o editor geral da versão online, Bill Grueskin, para o cargo de editor adjunto do diário, tendo como função procurar uma maior coordenação entre as edições regionais, a versão digital e a agência Dow Jones.

A versão online será supervisionada por Alan Murray, que ficará ainda encarregue das relações entre o grupo Dow Jones e a cadeia de televisão financeira CNBC./ DIÁRIO DIGITAL

Não demite mas vai moendo

Hoje na Zambujeira do Mar, à volta de uns caracóis, umas cervejolas e outras delicias uns portugueses de ar bonacheirão, na casa dos cinquentas, divertiam-se a gozar com a licenciatura de Sócrates. Um dizia que já tinha sido professor e achava o caso inqualificável, outro atirava com o exemplo pouco edificante do antigo ministro e deputado socialista que foi presidir à Iberdrola e à TVI, para provar que os socialistas no poder têm sido um fartar vilanagem.

Estas coisas não matem mas moem. E Sócrates já percebeu que a partir de agora é sempre a malhar. Tal como um cancro, esta doença que mina o governo vai acabar em mal. Os portugueses não vão mais aceitar a mentira, os impostos elevados, o fim da segurança social, o analfabetismo feito cultura, o betão como mais uma pesada herança para ser paga pelas gerações vindouras. E sobre isto a cereja: a repressão e perseguição àqueles que não têm medo de dizer as verdades. Veja-se o Caso Charrua e o Caso Balbino.

sábado, junho 16, 2007

Cavaco, levanta-se e anda


Por vezes são as pequenas derrotas que originam as grandes derrotas. É como nos casamentos: não são as grandes zangas a provocarem a rotura, por vezes basta a gota de água que faltava para fazer transbordar o copo da paciência.

Sócrates está nesta fase. Os portugueses têm tido uma paciência de santo. Suportaram a grande mentira de ter prometido não subir impostos e de o ter feito. Foi uma traição canalha ao eleitorado.

Prometeu 150 mil postos de trabalho, conseguiu que Portugal fosse o pais da UE com maior taxa de desemprego a seguir à Polónia.

Falou em crescimento e somos o país da UE que menos cresceu em percentagem e o que crescemos foi à custa dos empresários e da conjuntura europeia.

Queria menos funcionários públicos e aumentou o número, quando quis dispensar gente a mais chegou à conclusão que se tinha enganado e recuou, caso do Ministério da Agricultura.

Prometeu mais liberdade de expressão e o seu ministro da propaganda Augusto Santos Silva quer amordaçar as televisões e os jornais através de uma entidade reguladora, pior que a antiga censura dos coronéis da Legião.

Por ano saem do país milhares e milhares de portugueses emigrantes, mais que nos anos 60, onde encontram muito melhores condições de trabalho ( basta irem para Espanha como o fizeram já 300 instrutores de condução).

A saúde tornou-se mais gastadora mas o remédio foi um veneno chamado plano para encerramento de urgências e maternidades que já custou vidas a portugueses, contribuintes e inocentes. Uma vergonha nacional que nem os governos mais liberais se atreveram a tramar!

Conseguiu em 2 anos destruir as bases da segurança social de um Estado democrático, em nome da sustentabilidade que afinal não é mais do que o fim das reformas a que tinham direito os que descontaram forte durante uma vida. Só no México o governo conseguiu ir tão longe nesta contra-revolução social.

Acabou com a Caixa dos Jornalistas numa atitude demagógica contra uma classe que inacreditávelmente continua a apoiar as medidas mais obtusas de um governo dito de esquerda.

O ensino entrou em roda livre com os novos pedagogos do Ministério que acham que os alunos não têm que ir às aulas, escrever correctamente português e saberem de matemática. Quando um primeiro-ministro tirou um curso de engenharia na Farinha Amparo é natural que essa cultura da balda, do facilitismo e do deixa-andar se reflicta na politica nacional de ensino.

Nestes dois anos não vejo uma medida que tenha beneficiado um português e que tenha lançado os alicerces para um futuro baseado no saber, na excelência, na qualidade, na responsabilidade, na segurança do Estado Social, no respeito pelos contribuintes.

Pelo contrário: aumentou a ditadura fiscal, os portugueses pagam até mais não poderem para um Estado gastador, para uma classe politica eleita que não dá cavaco a ninguém, não presta contas a ninguém, nem sequer aqueles que os elegeram directamente. Os deputados nem sequer prestam contas aos que os elegeram pelo seu circulo uninominal.

Agora Sócrates está mais só.
Perdeu a batalha da Ota, vai perder o TGV e quando acordar da Presidência europeia vai ter um ano para dar benesses, contentar funcionários públicos, passar a mão pelo lombo aos pobrezinhos e à pequena burguesia fácilmente comprável com meia dúzia de ofertas, nem que sejam electrodomésticos !!..

Com o acordar de Cavaco é agora a vez de se assistir ao que se previa: Cavaco, tal como aquelas mulheres que se calam em público e obedecem, lá em casa quem manda são elas. E Cavaco tem sabido muito bem aproveitar os vazios de poder, as hesitações, as fragilidades de Sócrates que afinal são muitas.

Não votei Cavaco mas só pela capacidade que está a mostrar de poder refrear as tontisses do engenheiro (!) já merecia o meu voto.

Caldos de galinha e bom senso nunca fizeram mal a ninguém e este país precisa de seriedade e bom-senso e não de políticos que querem fazer do narcisismo do Poder a sua marca.

Jamais! Jamais!


PS: Charrua e Balbino unidos na desgraça

O facto do professor Charrua ter sido crucificado por causa de umas bocas de carroceiro e a noticia de ontem de que Balbino, o homem que originou o escândalo à volta do curso de engenharia patrocinado pela Farinha Amparo, fez dele um arguido, são demasiado tristes e mesquinhas para se acreditar que venham de dirigentes politicos com alguma dignidade e sentido do Estado Democrático.
São acções que chateiam e humilham quem é visado, e mancham a superioridade de quem as desencadeia.
Provam que há uma bufaria socialista em acção e que Sócrates faz de cego, surdo e mudo perante uma cãozoada de lacaios.
Isto não é grave, é gravissimo. Aqui o Senhor Presidente vai ter também que apagar este fogo.

Balbino já é arguido no Caso Sócrates

O autor do blogue Portugal Profundo, António Balbino Caldeira, o professor do Instituto Politécnico de Santarém, que há dois anos começou por falar na trapalhada à volta do diploma do Primeiro-Ministro, foi hoje constituido arguido num processo e testemunha em outro.

Ele próprio o diz no seu blogue num post de hoje:

Acabo de ser convocado para prestar declarações como arguido no âmbito de inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico (e utilização do título de engenheiro) de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa - além de outra convocação para depoimento como testemunha noutro inquérito relativo ao mesmo Dossier Sócrates. Desconheço o(s) crime(s) de que sou arguido - tendo sido eu que investiguei e publiquei este Dossier, depois desenvolvido na blogosfera e nos media.Recebi, há pouco, hoje, dia 15-6-2007, um telefonema (de número não identificado no telemóvel) de alguém que se intitulou funcionário judicial do DCIAP e me informou da minha convocação para ser ouvido, no mesmo dia, em dois inquéritos judiciais - como arguido (num inquérito) e testemunha (noutro inquérito) -, ambos relativos ao Dossier Sócrates. Depois, por fax que indiquei, ficaram de remeter a confirmação das notificações.O disclaimer que apresentei, desde o início da publicação do Dossier Sócrates, continua a valer para o primeiro-ministro. Para mim, que vou ser arguido, não.

O jornalismo do papá e o futuro digital


Não resisto a citar este post do António Granado, no seu Ciberjornalismo:

O texto, bastante longo como verão, é do enviado José Manuel Fernandes a um encontro internacional de directores e patrões de jornais no Mundo.

As ideias e angústias mantêm-se na imprensa tradicional. Como migrar para as plataformas multimédia ( net, telemóveis) mantendo o público tradicional do papel que é o que dá verdadeiramente lucros. A convergência e as linguagens de acordo com os suportes mantêm a chama viva da mudança.
LC.

Receitas? Não há. Há experiências, tentativas, urgência. E uma certeza: a crise da imprensa escrita só se resolve mudando de paradigma e passando a vê-la como a marca da fiabilidade das notícias que circulam no papel, na net ou nos telemóveis da geração i-pod

David Trads é um veterano dos jornais gratuitos. Há dez anos esteve no lançamento do Metro na Dinamarca e, agora, é o director de um novo gratuito que se propõe mudar as regras do jogo num dos países do mundo onde os cidadãos lêem mais jornais: o Nyhedavisen.

Dinheiro não lhe falta: um investidor islandês colocou à disposição do projecto de 100 a 200 milhões de euros. Tem tempo: só em 2010 está previsto que o seu jornal comece a dar resultados positivos. E também tem meios, pois dirige uma redacção de 100 jornalistas e a empresa distribuiu o jornal casa a casa. Em nove meses já conquistou 300 mil leitores e tem como meta chegar ao milhão.

No palco do 16º Congresso do Fórum Mundial de Directores (organizado pela Associação Mundial de Jornais) era todo sorrisos - pelo menos até Tøger Seidenfaden, o director do Politiken, o grande jornal de referência da Dinamarca contra-atacar.
"Os jornais nunca são gratuitos, sobretudo em países ricos como o nosso, onde tempo é dinheiro. Com o Metro, em que os leitores pegavam voluntariamente, sinal de que iam dedicar-lhe algum tempo, isso era um valor. Agora a enfiar os jornais nas caixas do correio, o mais certo é ninguém lhes pegar", argumentou Seidenfaden..

Trads apenas o contrariou insistindo que no tempo em que se acede à informação na internet, na televisão e na rádio sem pagar nada, os jornais não devem esperar que os leitores continuem a dar dinheiro por eles.Ao fim de quase quatro dias de reuniões e inúmeras sessões, este momento de maior intensidade condensa o dilema que mais de 400 directores de jornais (e mais de mil proprietários e gestores) debateram nos imensos salões do novíssimo Centro de Congressos da Cidade do Cabo, na África do Sul.
Há um futuro para a imprensa escrita no tempo da informação digital? Há um futuro para a imprensa paga no tempo da informação gratuita?
Há possibilidade de conservar o jornalismo de qualidade quando, em boa parte dos países desenvolvidos, a circulação e as receitas de publicidade estão em queda?
É certo que esses ainda não são os problemas de muitos editores, em especial dos que ali estavam a representar jornais africanos. Esses, como lembraram, têm outras urgências mais básicas, como assegurar o abastecimento de papel, terem máquinas onde possam imprimir e, sobretudo, conseguirem resistir à pressão e intimidação de muitos governos africanos nada amigos da liberdade de imprensa. Mas isso não os fez sair da sala: afinal as oportunidades que os mais desenvolvidos estão a testar podem permitir-lhes saltar etapas.

Na verdade, se a alguma conclusão se chegou, é que é tempo de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, pois só de uma coisa se tem a certeza:
as mudanças estão a ocorrer cada vez mais depressa e vão em direcções que ninguém poderia prever há dois ou três anos. Mas para tal devem tanto os jornais como os jornalistas perceber o que andam por cá a fazer.
É a informação, estúpido!
Mario Garcia, o designer de Miami que tem trabalhado um pouco por todo o mundo, é uma figura já habitual nestes congressos, mas os anos parecem ter-lhe acrescentado energia à conta de muitos sucessos e insucessos.

Desta vez os directores só esperavam que ele moderasse o painel sobre as relações do design da home page (página de entrada) da Internet e da primeira página do jornal, mas ele não se ficou por aí. Tomou também a palavra para, entre muitos exemplos de boas e más práticas, sublinhar uma mensagem essencial:
no final do século XIX o caminho-de-ferro dominava o negócio do transporte de mercadorias e passageiros, depois foi perdendo terreno e companhias imensamente lucrativas foram à falência.
Porquê? Porque apareceram os automóveis e depois os aviões, responder-se-á. Não, contrapõe Mario Garcia: porque os caminhos-de-ferro entenderam que o seu negócio era o comboio, quando deviam ter percebido que o seu negócio era o transporte de pessoas e mercadorias
.
Corolário óbvio para o mundo dos jornais: o negócio da imprensa não é a imprensa escrita e imprensa em papel, é a informação. Ora pensando-se em informação percebe-se que é indiferente saber se esta chega a quem a procura num jornal, numa televisão, num computador ou no seu telemóvel.Vale a pena começar por este último, talvez o mais esquecido pelos produtores de informação. E, claro está, pelos jornalistas.
Estes assustam-se com a internet, mas esquecem-se que enquanto existem apenas 850 milhões de computadores em todo o mundo, há 2,7 mil milhões de telemóveis.

E que estes há muito que deixaram de servir apenas para telefonar. "Aquilo para onde se deve olhar se se quer ter futuro é para a geração do i-pod", sublinhou. Até porque o i-phone está a chegar e uma legião de fabricantes de telemóveis já está a copiar o conceito. Daí que grande parte do tempo do congresso tenha sido dedicado a como conseguir conciliar duas realidades aparentemente inconciliáveis: assegurar o que é a essência do jornalismo, isto é, a sua fiabilidade e a sua qualidade, e, ao mesmo tempo, o mesmo jornalista apresentar a informações que recolheu em plataformas diferentes que obedecem a regras diferentes.

Há uns anos atrás a palavra de ordem era "convergência multimédia" e falava do jornalista como se fala de qualquer "produtor de conteúdos" capazes de preencher tanto um espaço televisivo como uma página na web. Agora não se fugiu da ideia de convergência mas percebeu-se que mesmo podendo e devendo os jornalistas fazer tarefas dierentes das que faziam no passado, no fim do dia o que contará será a novidade da informação, a sua fiabilidade, a qualidade da apresentação, a abrangência dos pontos de vista e algo que dê confiança a quem procura informação.

Ora essa confiança só pode ser proporcionada por marcas de referências, e essas são as dos grandes jornais, rádios ou televisões. É a noção de brand (peço desculpa ao Provedor e a todos os puristas) que, vinda do mundo do marketing (idem para as desculpas), deverá funcionar como o "selo de qualidade" do que é confiável ou do que nos leva a olhar de viés.

Furacão de mudançasÉ evidente que nem tudo é pacífico para além de que, como diz Murdoch MacLennan, administrador executivo do Telegraph Media Group, "estamos no centro de um furacão de mudanças, provavelmente maior do que foi vivido em qualquer outro momento desde o nascimento da imprensa escrita".

Um furacão tão violento que Arthur O. Sulzberger Jr., presidente do New York Times, confessa que não sabe se continuará a imprimir o jornal daqui por cinco anos e, de forma quase provocatória, acrescenta: "e isso também não me incomoda muito".Bill Keller, o actual director daquele grande jornal, não se mostrou assim tão tranquilo durante um pequeno almoço que teve com uma dúzia de outros directores de jornais.

"Não tenho dúvidas que todos temos de mudar de mentalidade. Temos de pensar a informação não apenas em função do velho jornal, mas de todas as outras plataformas. Para mim a grande questão é como conseguiremos aguentar, e pagar, aos nossos actuais 1200 jornalistas quando as receitas do jornal impresso diminuem e as novas receitas estão a crescer mas não tão depressa como gostaríamos", disse o jornalista que tomou as rédeas do velho NYT depois de alguns escândalos que abalaram a sua credibilidade.

Algo já está a acontecer, e nem tudo como se teria previsto há alguns anos. Por um lado, a redacção da edição digital, que começou por ficar instalada num edifício separado da redacção principal, está neste momento a migrar juntamente com a outra para um novo edifício onde os seus jornalistas se disseminarão pelas diferentes secções.

Certas funções, como o design das páginas na web, obrigou o Times a questionar, e a rever, aquilo a que Keller chamou "as nossas regras de separação entre a Igreja e o Estado", pois os web-designers tiveram de, para optimizarem as páginas, de redesenhar ou mesmo desenhar os... anúncios. Noutros casos, foi necessário centralizar a decisão do que se divulga primeiro na net e do que se guarda para a edição do dia seguinte. Esta nova cultura obriga a questionar o que está a ser feito. Bill Keller, por exemplo, recordou que os repórteres que o jornal enviou à guerra no Líbano há um ano enviaram peças tão analíticas que podiam ter sido escritas na redacção.

Ou seja, se os repórteres desejam continuar a fazer a diferença - a serem os olhos do leitor num lugar onde o leitor não está presente - então devem continuar a ser repórteres. Ora isso implica que, ao mesmo tempo que preparam o seu texto cuidadosamente escrito, devem telefonar, enviar um SMS ou um e-mail para a redacção se tiveram conhecimento de uma notícia de última hora, de um "facto relevante".

Essa pequena informação será logo posta em linha, tornar-se-á notícia sem esperar pelo dia seguinte.Textos mais longos?Esta enorme revolução implica repensar tudo nas rotinas da velha imprensa escrita. O atrevido David Trads, do dinamarquês Nyhedavisen, o "gratuito de referência", fala de um jornal muito mais editado: "um jornal agradável para os leitores é um jornal que não é amigável para os editores, que vão ter muito mais trabalho".

No seu jornal ele diz ter o mesmo número de notícias num terço das páginas. Mario Garcia chega a algo semelhante por outro caminho: para ele os jornais vão ter de escolher, ou seja, dar mais espaço ao que julgam importante, menos ao que consideram menos relevante: "os artigos longos vão ser mais longos, os curtos vão ser mais curtos", sublinhou.Houve um murmurado bichanar na sala quando falou de artigos mais longos. Afinal não se havia Bill Keller, que trabalhou muitos anos como correspondente internacional do NYT e lutara para escrever sempre mais do que lhe davam como espaço, queixado da tendência dos jornalistas e editores para defenderem textos enormes?

É verdade, ninguém se esquecera. Só que Mario Garcia trazia uma novidade: os leitores mais depressa lêem um texto longo na net do que na edição impressa. O Poynter Institute, num estudo em que segue o olhar dos leitores, apurou que estes mais depressa lêem um artigo longo na net do que impresso. Porquê? Porque se ele estiver bem escrito e lhes prender a atenção, quem começa a ler acaba porque na web não se apercebe do tamanho do artigo.

No jornal impresso pode assustar-se.Esta curiosa, e surpreendente, conclusão permite a quem se empenha em fornecer uma informação de qualidade ter mais à-vontade na utilização das diferentes plataformas.
Foi assim que se multiplicaram os bons exemplos do que está a ser feito pelo mundo. Jornais clássicos, pesados, densos, como o alemão Die Welt, perceberam que, com o seu formato clássico nunca seria capaz de atrair leitores mais jovens - e assim lançou um segundo jornal, com a mesma marca (brand), o Welt Kompak, que em muito menos páginas apresenta o essencial da actualidade. Na Holanda o vespertino de referência, o NRC Handelsblad, lançou um gratuito para distribuição matutina.

Ambos fizeram-no praticamente com os mesmo jornalistas mas juntando num "centro de comando" único todos os editores.O tradicionalíssimo The Daily Telegraph, de Londres, não esteve com meias medidas: mudou de instalações, redesenhou todo o fluxo de trabalho assim como a organização da redacção e juntou os jornalistas do papel e on-line nas secções ao mesmo tempo que agrupou os editores numa "ilha" central a partir da qual radiam todas as secções.

A experiência foi tão turbulenta que o seu novo director, William Lewis, que tem apenas 37 anos, confessou que não se mete noutra na vida. Contudo, quando foi desafiado a responder numa ou duas palavras ao que considerava essencial para sobreviver mudando, foi curto e grosso: "Just do it" ("Façam-no, pronto").Mas como? Enfrentando todos os desafios ao mesmo tempo:
papel e net são apenas dois suportes diferentes; pago e gratuito podem conviver sob a mesma marca; os jornalistas têm de ser ao mesmo tempo melhores a escrever e ser capazes de fotografar, fazer um pequeno vídeo ou falar para uma câmara.

Em síntese: se o mundo acelera, quem confia apenas na caixa de mudanças automática fica para trás. É que esta, por melhor que seja, não consegue mudar de cultura e de paradigma. Pior: se se acredita que o jornalismo faz a diferença, deixá-lo morrer no turbilhão da mudança será fatal. Para não morrer, ou para não ficar para trás, então evite-se o erro das companhias de caminho de ferro: o negócio dos jornais não é vender papel, é serem os melhores a dar informação.

José Manuel Fernandes, na Cidade do Cabo /PUBLICO

sexta-feira, junho 15, 2007

Os caga milhões de Portugal


A capa da Visão desta semana é surpreendente. E vendo-a sentimo-nos, pelo menos eu, uns verdadeiros otários. Não palermas que defendem um aeroporto inviável pago com dinheiros dos pobres contribuintes, mas sim uns otários que trabalhando seriamente uma vida não conseguirão uma migalha do que os nossos empreendedores conseguiram em meia dúzia de meses. Notável para eles, claro!


Os milhões que Berardo, Azevedo, Amorim, Vasconcelos e muitos outros ganharam na especulação bolsista é de ficar de boca à banda. Ingenuidade minha que ainda encontra no capitalismo um mal menor e um modo decente de ganhar a vida. Isto é o cumulo da tontaria !

Na verdade um pobre de Cristo que desconta metade do que ganha para impostos, vê como uns espertalhaços ganham milhões sem pagarem quase nada ao Estado, numa actividade apenas e só especulativa, que nem empregos cria. Como é possível um país de corda na garganta permitir ganhos desta monta sem que a economia real possa daí tirar benefícios concretos ?

Num quadro destes em que para ganhar milhões basta saber especular, quem vai depois disto investir em negócios de risco, a longo prazo, sustentáveis, com responsabilidades sociais ? Só um tanso, claro. Investir em actividades produtivas ? Ter de aturar sindicatos, fisco, um rebanho de manhosos atrás ? É melhor na verdade jogar na bolsa, nas engenharias financeiras, na especulação.

Estarei a ser primário, confesso o meu fraco saber em economia, mas também não me parece ser-se necessário um sabão de economia para entender que estes milhões pouco ou nada reflectem aquilo que o país precisa: criar produção, exportar, ganhar, criar trabalho.

Pode ser que o nosso professor de economia, com assento em Belém, nos venha um destes dias explicar. Por mim gostava.

quinta-feira, junho 14, 2007

Tomtom


O GPS manda-me seguir para uma auto-estrada que não conhecia. Fico mais tom-tom do que o brinquedo, que só agora descobri, e que me guia para todo o lado com uma voz feminina de fazer irritar a minha mulher. Compreendo-a perfeitamente.

O GPS e a sua voz cava e sensual vai resolver aquele problema crónico familiar, comum a todas as famílias, que é o de as mulheres nunca saberem ler um mapa e mandarem virar à direita uns quilómetros depois do cruzamento passar. Sorry...

Assim descobri a nova entrada de Lagos e a nova Lagos. Aquilo era uma cidadezeca agora é um centro urbano com boa arquitectura, vida cosmopolita. Gostei. A Praia da Luz ali tão perto é agora um sitio sinistro, com um emaranhado de ruas e casas, um labirinto propicio a crimes. Pelo menos a nossa imaginação acaba por ser induzida em imaginações perversas.

Por falar na Praia da Luz: o The Times veio comentar o facto de os agentes da PJ demorarem duas horas a almoçarem e rebaterem a refeição ao quadrante com whisky. Não sei se será de criticar. Os jornalistas também adoram gastar horas a jantar e não é por isso que fazem piores jornais. Também já vi dois agentes da GNR-BT montados em duas BMW e a beberem tintol num restaurante à beira da estrada 125. E juro que beberam muito pouco. O problema é que um verdadeiro motard não bebe pouco, não bebe pura e simplesmente. Questão de principio e de estética.

Alexandre Pais, da Sábado, veio logo escrever em defesa dos PJ. Homem tenha calma ! Eles ainda não precisam de defesa.

Por Sábado: o director veio comentar a entrevista de Soares ao Expresso dizendo que o que ele disse era perigoso para a esquerda, porque defendeu o Chavez e o Lula. Ou ele não sabe ler ou está de má fé. Eu assisti à entrevista e li-a e o que lá vem é uma critica a Chavez e a Lula ao ponto de gozar com o abraço ao Bush e de achar que os sindicalistas acabam sempre a engraxar o patrão.
Mas parece que a Sábado se chateia quando se bate no Bush. Ainda ? Estão um bocado off...

Adeus Circo Atlas


De manhã o Circo Atlas já estava desmontado aqui em S. Miguel, Odeceixe. Chovia miudinho, não havia tempo para praia. As últimas roulotes estavam de partida para outra paragem. Ainda vi ao longe a artista que na noite anterior fechara o espectáculo com vestido vermelho, gordinha lá ia ela com um kispo e um saco de plástico pela mão.

O meu filho David não relacionou os dois tempos, ainda bem. É bom não desconstruirmos os sonhos. Sobretudo quando se tem 5 anos.

Lorenin e muito betume rumo à felicidade


Vou ter de acabar por aderir à nova moda dos homens se aperaltarem.
Se alguma dúvida tinha, hoje dissipou-se ao ver o telejornal da RTP.

O meu ex-colega José Manuel Saraiva, ex-jornalista, ex-comunista, ex-editor da Única, ex-combatente na Guiné ( a ordem é arbitrária) e com qualidades reconhecidas de escritor e de homem de muito bom gosto no que respeita a mulheres, com um curriculum invejável nesta matéria, apareceu a defender e a admitir que trata do corpinho e que isso de o homem não tratar da carroçaria é coisa do passado. Um preconceito idiota.

Faltava-me esta cobertura ideológica para começar a muscular-me, a rapar a peitaça, a insuflar o rabinho, a tirar a papada, a redesenhar as sobrancelhas.
Depois das primeiras betumadelas vou aprender a nadar, a dançar lambada e a travar o fumo, sendo que o acto de fumar não me parece nada adequado a um homem que preza a sua forma física, o seu escape limpo e goste de espalhar um cheiro a tentação.

Depois terei de afinar a voz, colocá-la naquele nível que fechando os olhos mais parece que estamos a marcar num sexophone e que de olhos abertos fazemos lembrar a entoação dos santos em dia de juízo final.

O meu ex-colega e amigo José Manuel Saraiva já me tinha surpreendido quando um dia me ensinou que a felicidade de um homem não depende de um apartamento com vista para o mar, um BMW topo de gama, um emprego bem pago ou mesmo a companhia de uma gaja boa. Para ele o que valia então era a realização de uma equação onde não entravam bens materiais nem caprichos superficiais. Héllas !! Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e o corpo é feito de mudança, tomando sempre novas modalidades...

Se não conseguir redimir-me e entrar em estaleiro para uma reconstrução total só me resta um Lorenin e roncar até de madrugada.

Tornar-me aos 52 num homem objecto. Why not ?

Os últimos artistas do Circo Atlas






fotografias de Luiz Carvalho, hoje em S. Miguel, Odeceixe.




O meu filho David, 5 anos, adora circo. Ama o circo. Eu partilho com ele essa paixão, embora gostemos da coisa por razões diferentes. Ele parte-se a rir com as palhaçadas, vidra-se com os animais, devora as pipocas enquanto entra no mundo do sonho.

Para mim o circo é uma vida de loucos, artistas a sério, vagabundos, anarcas da alma, sofredores. Nunca percebo como conseguem viver sem subsídios, sem publico, sem dinheiro. Como se sustenta tanto camião, tanta gente, como se mata a fome a leões e outras feras.

Hoje em S. Miguel, Odeceixe, lá estava o Circo Atlas, o mesmo que estava na Alapraia há meses e que por lá andei com o meu David.
Para o puto ver aqui o circo foi uma excitação, era como se o circo o seguisse nas férias. Lá fomos à única sessão. Isto é: montaram a tenda para um único espectáculo. Fantástico. Verdadeiros artistas itinerantes.

Este circo é de uma autenticidade notável. Gosto do dono, o senhor Walter, gosto do apresentador, o ex- Zizi Jean Maire da Cruz de Pau, travesti e domador de bichos, que conheci há 20 anos a trabalhar numa peça de teatro na Gulbenkian, gosto do equilibrista e da sua partenaire, hoje vestida de branco e meias de liga, gosto da gordinha que apresenta o final num vestido vermelho decotado deixando ver uma tatuagem, na sua voz de sotaque espanhol, gosto da vendedora de bilheteira, uma ruiva ucraniana, a fumar no guichet fazendo lembrar Dietrich de cigarrilha no Sede do Mal.

Gosto disto tudo. São artistas fiéis e verdadeiros. Conseguisse eu como fotógrafo esta simplicidade de ser, ver e saber dar. É isto a arte meus caros. Um fio de alma e prazer.

Joana e Madeleine, alguns pontos tocam-se

Ao ler o livro de crónicas da Maria Filomena Mónica, " Confissões de uma liberal", de uma escrita muito clara e irreverente, como eu gosto, saltou-me duas crónicas que ela escreveu sobre o caso Joana.
E não consegui desligá-las do que aconteceu há pouco com a polémica do Ministério Público e dos agentes da judiciária acusados de terem agredido a mãe da petiz. Depois não consegui desligar do caso da pequena Madeleine.

Há aqui coisas, factos, situações que não colam.

No caso Joana não se percebe porque foi condenada a mãe sem nunca ter havido uma única prova material contra ela. Nem uma. A miúda saiu para comprar atum num supermercado cuja dona estrangeira tinha relacionamento com a miúda, e que desapareceu do país antes do julgamento, pese embora ter sido ouvida para memória futura.

Hoje no DN este assunto volta à baila com gente da aldeia a achar estranho esta personagem e o seu desaparecimento e volta-se a falar que muita gente da terra não disse mais coisas porque quem foi ouvido foi tratado como criminoso e perdeu horas e horas na judiciária.
Ainda se volta a falar na falta de provas periciais, a casa foi investigada muito tarde e as análises ao vestido da pequena foram feitas tão tarde que não têm qualquer valor no processo.No DN de hoje.

As confissões de culpa da mãe foram tiradas à murraça embora os profissionais da judiciária digam que ela se tentou suicidar. Este tipo de afirmações não vingam nos tempos que correm e quem se quer suicidar não se esmurra nos olhos.

Fala-se que a miúda foi vendida por 50 mil euros mas não houve uma única prova documental disso.


No caso da Madeleine ainda não foi explicado se a miúda foi raptada pela janela, pela porta, como se entra num apartamento com chave falsa, arrombamento, como foram detectadas impressões digitais, vestígios, sei lá, o público não sabe como foi feito o rapto. Saberá a polícia?

Bruto da Costa, antigo criminalista, veio dizer que a recolha de vestígios se for mal feita compromete para sempre a investigação.

Hoje, no 24 horas, uma testemunha mostrava-se indignada por não a ouvirem. Ela afirma com veemência que viu a miúda em Marrocos, mas ninguém lhe liga.

São dúvidas legitimas.
E tanto um caso como outro, dramáticos na sua condição, parece estar longe de serem um modelo perfeito de investigação e justiça. Parece.

Borrego defende Alenquer contra otários

Respondendo a um comentário anónimo, acho que Sócrates está a ser pragmático. Não pretendo ser especialista da política, mas como tenho a 4ª classe, um blogue, e pago impostos, gosto de escrever sobre o que me atormenta. Também não obrigo ninguém a ler-me nem obrigo a pagar os meus dislates na conta da electricidade.

Sócrates tem a vidinha resolvida. Nos próximos 6 meses, o tempo da presidência europeia, não haverá mais polémica com os otários. Os técnicos vão estudar, os políticos vão degladiar-se a propósito de Lisboa, Costa fica com as costas protegidas sem a polémica do aeroporto, enfim: reinará a paz nos céus. Até o Jamais, Jamais, ficará no governo e se caso for de passar a Ota para a margem Sul a cambalhota será dada. Falamos de um grande equilibrista da política, um homem que veio da Ara, do PCP, e agora prega aeroportos mesmo no deserto.


Hoje no Diário de Noticias Carlos Borrego, o ministro que Cavaco demitiu por causa de uma anedota ácida sobre alentejanos, falava sobre o estudo que ele dirigiu a mando da confederação dos patrões e que Cavaco tanto gostou e que Sócrates respirou de alivio quando ela surgiu. Dizia Borrego que a solução de Alcochete era magnifica, depois do Chefe de Estado Maior da Força Aérea ter dado luz verde para o inicio de uma grande amizade aeroportuária.

Dizia ele que Alcochete é mais barata: o Estado não precisa de pagar terrenos, não haverá necessidade de terraplanagens, pode ser construída uma pista primeiro, depois a outra, é mais perto de Lisboa, o TGV será mais barato de ligar, há uma área enorme para a construção de infraestruturas de apoio, há espaço e não há grandes imbróglios ambientais.

Querem melhor ? Borrego diz que a solução é praticamente ideal. Não sei como sairá disto o governo e toda a banda de otários que andam a defender a Ota como se fosse a moca de Rio Maior.

Para finalizar, Borrego diz que a anedota de Mário Lino não deve ser levada em conta, tal como a sua o não devia.

Unidos na anedota, mas separados na solução aeroporto.

E ainda é, passados tantos anos, o ministro demitido por Cavaco que acabará por reforçar a ideia do Presidente em fazer tudo por tudo para que Portugal não construa uma aberração.

quarta-feira, junho 13, 2007

Cavaco 1, Sócrates 0

É óbvio: foi Cavaco que fez a Ota andar para trás. Não fosse o "Jamais ! Jamais!" do ministro, numa mimetisse à José Castelo Branco (" Jamais Salomé!"), mais o dispagate do deserto e a taça que ainda não tinha transbordado da paciência, a Ota era adjudicada e ponto.

Estes seis meses de matutanco são obra do PR e honra lhe seja feita. Isto vem provar que afinal Sócrates não é o determinado que parece, o arrogante que imita, o ditador que dizem. Sócrates é frágil, tem dúvidas e a sua gritaria é o desespero dos inseguros.

O trauma da licenciatura também não lhe terá deixado a auto-estima em grande estado e isso acaba por se reflectir no power para a governação.

Sócrates parece um cavalo cansado ou em gíria automóvel um motor que aqueceu, não queimou a junta, mas a compressão já não é a mesma.


Por mim fico mais sossegado. No alto da minha ignorância acho a Ota uma enorme tragédia. Aquilo não serve por muitos anos, tem um terreno difícil para se construir, há ventos adversos, é uma zona acanhada e de grande especulação imobiliária, fica longe de Lisboa e os acessos nunca serão rápidos e baratos, só isto eram razões para esquecer a malfadada solução.

O Poceirão tem um problema incontornável: nunca será permitido construir um aeroporto sobre o maior lençol freatico do país. Seria crime total.

Alcochete é perto, plano, já lá aterram aviões, tem bom acesso a Lisboa e ao resto do país, só precisa de um bom interface ao comboio, não é deserto... vai ser uma solução triunfadora.

Mas politicamente Cavaco acaba de marcar uma grande penalidade.

terça-feira, junho 12, 2007

Alentejo




fotos: Luiz Carvalho

segunda-feira, junho 11, 2007

O turismo de pé descalço na costa alentejana

A falta de ambição portuguesa traz-nos sempre a semente do atraso e da pobreza.
Aqui na Costa Alentejana, onde me encontro de férias, é verdade que a paisagem dá sinais de alguma desordem urbanística mas a coisa ainda está bastante preservada.

Não é por uma qualquer politica autárquica de protecção. Por exemplo na Praia do Carvalhal o lixo está por recolher há dias porque a Câmara de Odemira tem mais que fazer...

Na Zambujeira mantêm-se aqueles restaurantes familiares, casebres a alugarem quartos a turistas manhosos de pé descalço e bicicletas pela mão. Os preços são módicos com alguma tendência para a especulação. Os comerciantes são antigos agricultores que agora ganharam um estatuto de pequeno-burgueses.

Quer dizer: com este turismo não vamos a lado nenhum. Como não promovemos um turismo de qualidade, e a zona tem todas as condições e encantos naturais para isso, qualquer dia temos um turismo pobre, desordenado, selvagem, que vai provocar danos irreparáveis na paisagem e o país pouco ou nada vai lucrar com isso.

O turismo rico não terá lugar e a costa alentejana será um subúrbio para especuladores locais, autarcas ambiciosos e saloiada tresmalhada à procura de férias de garrafão.

Foi o que aconteceu ao Algarve, tirando os oásis que conhecemos.

Por mim prefiro o monte da Dona Helena. É um descanso e só as melgas incomodam.

domingo, junho 10, 2007

Margarida Moreira, o diabo vota Socialista

Começo a ter alguma simpatia pela directora da DREN a grande dirigente socialista Margarida Moreira. Ainda deve ser minha prima pelo Moreira, um dos meus apelidos que não uso. Os Moreiras são obstinados e teimosos, esse meu lado devo tê-lo herdado da minha mãe, dos meus antepassados de Sernancelhe, Beira-Alta, Terras do Demo.

A doutora Margarida não brinca em serviço e usa aquela máxima que a minha avó Laurinda Moreira gostava de me lembrar: " Graças a Deus muitas, graças com Deus nenhumas!". A doutora Moreira faz remake:" Graças a Sócrates muitas, graças com Sócrates poucas, só se for eu a fazê-las !".

Parece que a dirigente nortenha não tem papas na língua, tem resposta pronta e tem sentido de humor. Ela acha que pode mangar com o engenheiro das licenciaturas feitas mas não admite piadolas de um empertigado da oposição que parece usar as anedotas a Sócrates como pedras de arremesso contra a habilitação académica (!!!!!!!!) do Primeiro.

Quanto ao padre eu também compreendo Margarida. Se os militares voltaram para as casernas, não se percebe porque não devem os padres voltar para as sacristias.
E um padre que veste janota daquela maneira, que mais parece um galã, um galão mesmo, de uma novela da TVI, quer granjear credibilidade politica ? Se quer ser autarca constroi rotundas, se quer ser padre houve as confissões das pecadoras, as duas coisas ao mesmo tempo é tão incompatível como ser Deus e Diabo.

A sindicalista que virou diabo de saias continua a animar a malta.

Está tudo indignado com a mulher. Pelo menos ela mostra algum rigor, no mínimo está a meter na ordem alguns prevaricadores.
E só não mete Sócrates na Ordem, porque os engenheiros não o aceitam lá.

A procissão no Convento da Cartuxa



A reportagem no Convento da Cartuxa, Évora, no passado dia 6. Filmada e fotografada pela primeira vez. Daqui um grande abraço para os meus amigos irmãos cartuxanos

sábado, junho 09, 2007

O principio do fim da costa alentejana


A Longueira é uma aldeola perto de Almograve, no litoral alentejano. A última vez que lá estive, há 3 anos, era ainda uma pacata terra alentejana, rua ao meio casas de cada lado. Já se sentia o começo de alguma especulação imobiliária, mas nada fazia prever que hoje fosse já uma terra com carros topo de gama estacionados a abarrotarem as ruas, cervejarias cheias, boutiques nas esquinas e dentista aberto ao fim de semana.

A Câmara deixou instalar no centro da terra uma gigante antena da rede telemóvel e perto desta uma central eléctrica de distribuição.

As terras junto às praias crescem desmesuradamente, estão a transformar-se, ou são mesmo já, povoados com caracteristicas e contradições de zonas suburbanas, aculturadas.
O que era um mundo perfeito está a ficar num submundo entre o terceiro e o quarto Mundo.

Portugal gosta de se transformar em paisagem de casa de banho virada para fora. Os autarcas rejubilam com o pinga-pinga das contribuições que estas alarvidades urbanísticas trazem para os cofres locais. Enriquecem, podem fazer mais rotundas, mais quartéis de bombeiros, mais centros culturais, o povo vê nisso progresso, orgulho e auto-estima. Os parolos engordam e conseguem perpetuar-se no poder dezenas de anos.

Na estrada Vila Nova de Milfontes ( outra aberração urbana) para Odemira, deitaram e cortaram árvores para que esta não ficasse obstruída pela vegetação mas os restos mortais das árvores ficaram à beira da estrada. Já não houve tempo, ou dinheiro para acabar o trabalho.
Aquilo está perigoso para os carros, para os incêndios, é uma vergonha para quem passa. Vergonha é também a estrada que os governos sucessivos nunca melhoraram.

Ou construimos auto-estradas faraónicas onde ninguém passa, como a que liga Santarém a Águas de Moura ou mantemos estradecas obsoletas, perigosas. Para que pagamos afinal impostos ? Para termos obras destas ?


Aqui no monte perto de S. Miguel, Odeceixe, a especulação ainda não chegou. Mas não me admiro que não venha a acontecer e o mel que o casal de velhotes vende à beira da estrada seja proibido de produzir por um desses decretos imbecis produzidos pela camarilha de eurocratas, que nos custam também uma fortuna, instalados nos seus gabinetes de autistas na distante Bruxelas.

sexta-feira, junho 08, 2007

Foto cortada às postas

Vejo na FNAC um livro do António Lobo Antunes. Reparo que tem na capa uma fotografia do António Pedro Ferreira (APF), porventura uma das suas melhores fotografias de autor, um marinheiro abraçado à namorada antes de partir em missão.

Reparo que a fotografia foi decepada ao meio. Procuro lá dentro para ver se a fotografia traz crédito, traz assim:" capa de Henrique Cayate sobre uma fotografia de António Pedro Ferreira". Nem quero acreditar !

Acho um grande abuso da parte do Henrique Cayate e de uma grande falta de consideração e de ética, ter feito semelhante trabalho sobre uma fotografia do APF.

Os artistas gráficos têm este tique de deceparem fotografias. Cortam fotos às postas como se tratassem bacalhau.
Se fossem mestres de culinária pegavam em bifes de primeira, transformava-nos em hamburgueres para serem acompanhados com ketchup e mostarda.

Os gráficos adoram estragar porque o narcisismo latente leva-os a sobreporem o grafismo ao conteúdo. Não entendem que o grafismo é tanto melhor quanto menos se notar e que o grafismo não pode canibalizar as fotos e a mensagem dos textos. Desde que os consideram artistas e jornalistas ninguém os atura. Claro que há exemplos de bons profissionais, eu lido com eles todos os dias.

Fiquei deveras chocado. Quem é o Henrique Cayate para assassinar em público uma fotografia de um fotógrafo como a António Pedro Ferreira ?
O grafismo é para servir não para ser servido.