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quinta-feira, junho 14, 2007

Adeus Circo Atlas


De manhã o Circo Atlas já estava desmontado aqui em S. Miguel, Odeceixe. Chovia miudinho, não havia tempo para praia. As últimas roulotes estavam de partida para outra paragem. Ainda vi ao longe a artista que na noite anterior fechara o espectáculo com vestido vermelho, gordinha lá ia ela com um kispo e um saco de plástico pela mão.

O meu filho David não relacionou os dois tempos, ainda bem. É bom não desconstruirmos os sonhos. Sobretudo quando se tem 5 anos.

Os últimos artistas do Circo Atlas






fotografias de Luiz Carvalho, hoje em S. Miguel, Odeceixe.




O meu filho David, 5 anos, adora circo. Ama o circo. Eu partilho com ele essa paixão, embora gostemos da coisa por razões diferentes. Ele parte-se a rir com as palhaçadas, vidra-se com os animais, devora as pipocas enquanto entra no mundo do sonho.

Para mim o circo é uma vida de loucos, artistas a sério, vagabundos, anarcas da alma, sofredores. Nunca percebo como conseguem viver sem subsídios, sem publico, sem dinheiro. Como se sustenta tanto camião, tanta gente, como se mata a fome a leões e outras feras.

Hoje em S. Miguel, Odeceixe, lá estava o Circo Atlas, o mesmo que estava na Alapraia há meses e que por lá andei com o meu David.
Para o puto ver aqui o circo foi uma excitação, era como se o circo o seguisse nas férias. Lá fomos à única sessão. Isto é: montaram a tenda para um único espectáculo. Fantástico. Verdadeiros artistas itinerantes.

Este circo é de uma autenticidade notável. Gosto do dono, o senhor Walter, gosto do apresentador, o ex- Zizi Jean Maire da Cruz de Pau, travesti e domador de bichos, que conheci há 20 anos a trabalhar numa peça de teatro na Gulbenkian, gosto do equilibrista e da sua partenaire, hoje vestida de branco e meias de liga, gosto da gordinha que apresenta o final num vestido vermelho decotado deixando ver uma tatuagem, na sua voz de sotaque espanhol, gosto da vendedora de bilheteira, uma ruiva ucraniana, a fumar no guichet fazendo lembrar Dietrich de cigarrilha no Sede do Mal.

Gosto disto tudo. São artistas fiéis e verdadeiros. Conseguisse eu como fotógrafo esta simplicidade de ser, ver e saber dar. É isto a arte meus caros. Um fio de alma e prazer.

sábado, janeiro 20, 2007

Hoje fui ao Circo Atlas

Circo Atlas: foto de: Joost De Raeymaeker

Hoje fui ver o Circo Atlas, instalado num terreno na Alapraia, Estoril, com o meu filho David,5 anos, um fanático por circo.

Às 16 horas a Polícia Municipal tomou posição e não queria deixar abrir o circo porque este não teria licença. Mas entretanto a Câmara de Cascais tinha dado convites para a sessão...

As crianças começavam a ficar tristes quando foi anunciado que entrariam todos à borla, seria um ensaio geral e lá dentro pagaria quem quisesse. Acabou por haver espectáculo e toda a agente a pagar na bilheteira... De facto palhaçadas dentro e fora.

Este circo é pobre e nada tem a ver com o de Vitor Hugo Cardinali que eu bem conheço e de quem sou amigo.

Estes pequenos circos devolvem-nos os anos da nossa infância. As músicas são saudosistas, os números ingénuos, os artistas dedicados e funcionais. Tanto estão a vender pipocas como a serem "partenaires", tanto limpam a pista como tocam saxofone e outros instrumentos, fazem rir com palhaçadas depois de terem cobrado bilhetes de ingresso.

O dono é uma figura de cinema, gordinho, com ar de patrão e domador de feras.
Aproveita para fazer pedagogia e explica ao vivo como se doma um animal.
Não é com violência mas sim com pedaços de carne.

A tenda encheu com publico de todas classes sociais, de ciganos a tias da linha.

Ainda vi Zizi Jeanmaire, um travesti que eu entrevistei há 20 anos e que na altura era um tratador e domador de répteis. " De Paris para a Cruz de Pau, Zizi Jeanmaire trata as bichas por tu"- era o título da entrevista. Hoje está gordinho e é o apresentador do espectáculo. Que vidas !...

Foi uma tarde feliz mesmo com o frio da noite a chegar e com ele o apagar das luzes que reduziram a tenda ao silêncio.

Amanhã é a última matiné.

Luiz Carvalho