Circo Atlas: foto de: Joost De RaeymaekerHoje fui ver o
Circo Atlas, instalado num terreno na Alapraia, Estoril, com o meu filho David,5 anos, um fanático por circo.
Às 16 horas a Polícia Municipal tomou posição e não queria deixar abrir o circo porque este não teria licença. Mas entretanto a Câmara de Cascais tinha dado convites para a sessão...
As crianças começavam a ficar tristes quando foi anunciado que entrariam todos à borla, seria um ensaio geral e lá dentro pagaria quem quisesse. Acabou por haver espectáculo e toda a agente a pagar na bilheteira... De facto palhaçadas dentro e fora.
Este circo é pobre e nada tem a ver com o de Vitor Hugo Cardinali que eu bem conheço e de quem sou amigo.
Estes pequenos circos devolvem-nos os anos da nossa infância. As músicas são saudosistas, os números ingénuos, os artistas dedicados e funcionais. Tanto estão a vender pipocas como a serem "partenaires", tanto limpam a pista como tocam saxofone e outros instrumentos, fazem rir com palhaçadas depois de terem cobrado bilhetes de ingresso.
O dono é uma figura de cinema, gordinho, com ar de patrão e domador de feras.
Aproveita para fazer pedagogia e explica ao vivo como se doma um animal.
Não é com violência mas sim com pedaços de carne.
A tenda encheu com publico de todas classes sociais, de ciganos a tias da linha.
Ainda vi Zizi Jeanmaire, um travesti que eu entrevistei há 20 anos e que na altura era um tratador e domador de répteis.
" De Paris para a Cruz de Pau, Zizi Jeanmaire trata as bichas por tu"- era o título da entrevista. Hoje está gordinho e é o apresentador do espectáculo. Que vidas !...Foi uma tarde feliz mesmo com o frio da noite a chegar e com ele o apagar das luzes que reduziram a tenda ao silêncio.
Amanhã é a última matiné.
Luiz Carvalho