Fernando Nobre desceu hoje de novo à Terra pela mão de Mário Crespo. Promete em Maio, o mês da Virgem, revelações que irão deixar até lá o país em suspenso.
Nobre tem todos os condimentos para uma salsicharia política populista: os partidos provocam-lhe naúsea, os políticos sim-está bem-têm-de- existir, e o seu tom é o de um iluminado, um visionário que pode até ajudar à formação de um bloco central, se o seu mentor Mário Soares assim o consentir.
Presunção e água benta...mas que aquele jantar em casa de MSoares com Sócrates como pau de cabeleira, é bem sintomático do mundo desgraçado da política...é não é? Lá isso é!
Um mundo sem solidariedade, nem amigos. Um mundo que está a fascinar o médico que durante anos frequentou um outro mundo: cão mas mais solidário do que este da voz do dono.
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
domingo, fevereiro 27, 2011
O jornalismo e o poder popular.
Num artigo que vi há pouco, cerca de 60 por cento dos jovens americanos sabem das notícias através do Facebook. Se nos lembrarmos das imagens mais emocionantes e feitas ao vivo, que nos devolveram os últimos dias atribulados nos países árabes, todas elas foram captadas por testemunhas que usaram o telemóvel, e muito poucas imagens fixas ou em movimento eram produzidas por jornalistas.
Claro que os repórteres chegaram depois, e mostraram o que puderam, muitas vezes ao longe. Muitos deles pagaram com a vida a sua presença no meio das multidões em fúria. Outros, como a repórter da CBS, foram agredidos e mutilados.
Tudo isto dá que pensar. A informação chega hoje mais rapidamente através das redes sociais do que da imprensa tradicional. O que sendo bom, pelo lado da rapidez e do testemunho directo, é perigoso pois são factos publicados sem enquadramento, sem regras éticas, sem um código de honra.
Outro caso que escandalizou Portugal na passada semana, foi o vídeo feito por um grupo especial da polícia que teve de entrar numa cela de um preso usando uma arma de imobilização.
O vídeo foi feito para servir de auto de polícia e acabou por vir parar às televisões, sem enquadramento jornalístico, acabando por criar um facto político e alguns minutos violentos, e lamentáveis, a passarem nos telejornais à hora em que as crianças estão a ver televisão.
Esta ligeireza com que se exibem imagens e se trata a informação está a criar um verdadeiro tsunami na informação. Os cidadãos parecem ter mais agilidade do que os bravos repórteres das televisões e das agências. Os jornalistas ficam reduzidos ao papel de comentadores políticos e aparecem a dizer banalidades em directo, em zonas de fronteira seguras, só para as televisões dizerem que têm enviados especiais à guerra.
Se a imprensa tradicional não souber inverter esta tendência de deixar aos populares a iniciativa da informação a quente, vamos ver mais cedo ou mais tarde também o jornalismo cair na rua.
Tal como os poderes árabes que caíram na rua nas últimas semanas. Esta revolução global e digital, irá ditar uma nova ordem no jornalismo. Também aqui a democracia é bem-vinda, mas tal como nas recentes euforias dos países árabes, não sabemos se o que virá não será apenas mais do mesmo. Ou mesmo pior, muito pior.
Claro que os repórteres chegaram depois, e mostraram o que puderam, muitas vezes ao longe. Muitos deles pagaram com a vida a sua presença no meio das multidões em fúria. Outros, como a repórter da CBS, foram agredidos e mutilados.
Tudo isto dá que pensar. A informação chega hoje mais rapidamente através das redes sociais do que da imprensa tradicional. O que sendo bom, pelo lado da rapidez e do testemunho directo, é perigoso pois são factos publicados sem enquadramento, sem regras éticas, sem um código de honra.
Outro caso que escandalizou Portugal na passada semana, foi o vídeo feito por um grupo especial da polícia que teve de entrar numa cela de um preso usando uma arma de imobilização.
O vídeo foi feito para servir de auto de polícia e acabou por vir parar às televisões, sem enquadramento jornalístico, acabando por criar um facto político e alguns minutos violentos, e lamentáveis, a passarem nos telejornais à hora em que as crianças estão a ver televisão.
Esta ligeireza com que se exibem imagens e se trata a informação está a criar um verdadeiro tsunami na informação. Os cidadãos parecem ter mais agilidade do que os bravos repórteres das televisões e das agências. Os jornalistas ficam reduzidos ao papel de comentadores políticos e aparecem a dizer banalidades em directo, em zonas de fronteira seguras, só para as televisões dizerem que têm enviados especiais à guerra.
Se a imprensa tradicional não souber inverter esta tendência de deixar aos populares a iniciativa da informação a quente, vamos ver mais cedo ou mais tarde também o jornalismo cair na rua.
Tal como os poderes árabes que caíram na rua nas últimas semanas. Esta revolução global e digital, irá ditar uma nova ordem no jornalismo. Também aqui a democracia é bem-vinda, mas tal como nas recentes euforias dos países árabes, não sabemos se o que virá não será apenas mais do mesmo. Ou mesmo pior, muito pior.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Passos a reboque do Bloco. A infantilidade do PSD.
Confesso que estou um pouco cansado de falar de política. Por isso o Instante Fatal tem-se ressentido da minha pouca aplicação, também traído com a rapidez, agilidade e interactividade do Facebook.
Hoje como está fresquinho, é sexta-feira e o Sol entra pelo meu estúdio na LxFactory, e porque não tendo vindo na minha mula HD, vim a ouvir o rádio num engarrafamento deprimente, hoje,escrevia eu, apetece-me falar desta palhaçada que é a moção de censura dos meus amigos do Bloco de Esquerda. Mas também da do PCP. E da falta de coragem, de rumo e de táctica de treinador político de café que é Passos Coelho.
Ao engasgar sobre a moção do Bloco de Esquerda, Passos e seus seguidores, mostraram uma cobardia política miserável, uma total falta de estratégia. Revelaram que são frágeis, volúveis e que até o Bloco os pode assustar e surpreender. Uns garotos a fazerem política com voz grossa e bem colocada, como se falar ao povo fosse o mesmo que estar a fazer a locução de um programa de rádio do antigamente.
Passos Coelho não tem estaleca, não tem experiência e a sua ansiedade por ir para o poder é incontrolável. Como um carro defeituoso Passos acelera demasiado para a capacidade dos seus travões. Brrrrrr!! PUM!.
Ontem, de visita à Assembleia da República, entrei no hemiciclo estava Sócrates a responder ao PSD. E muito bem: o que o PSD quer, juntamente com o partido do político há mais tempo como dirigente partidário, Paulo Portas,é usarem o ataque de que Portugal está a ser alvo pelas agências de ranking, para forçarem a vinda do FMI durante o governo do PS, deixarem que as políticas impopulares sejam impostas de fora e que o PS possa ter o ónus de ter levado o país ao fundo. Eles virão como os salvadores, os génios, os que vão conseguir por o país a exportar em força, a pagar a dívida num abrir e fechar de olhos, que vão privatizar a CP, o serviço nacional de saúde, vão liberalizar os despedimentos, limpar milhares de funcionários públicos, baixar os impostos, eles vão fazer de Portugal um país em tudo acima dos rankings da qualidade da Europa.
Eles têm a fórmula mágica. Não são políticos. Coelho e Portas e tudo à volta, são os druídas da política, que com a grande mão do grande satã da direita portuguesa, que é Cavaco Silva, irão meter Portugal nos eixos. Vão fazer Portugal ultrapassar a Grécia, a Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, Inglaterra, até o Estado da Califórnia. Esta direita tem a solução. mas é a solução final para Portugal. Uma solução para possibilitar o crescimento desmesurado da classe média alta, de meia dúzia de empresas monopolistas e de meterem o garrote nas pequenas e médias empresas.
Podemos detestar Sócrates. Ele pode ser um mentiroso. Mas é o nosso mentiroso. Claro, que se as medidas deste governo são socialistas eu quero ser da extrema-direita! Mas o que está agora em causa não é acharmos que Sócrates tem uma obra de engenhocas e arquitonto equivalente a um Siza, ou se tem amigos detestáveis ou se odeia jornalistas e tem um fotógrafo oficial execrável. O que conta agora é que as hienas que estão no bloco da direita, e que uivam e salivam, pelo Poder, serão a solução final, juntamente com Cavaco, para que este país perca o pouco que lhe resta de decência, Estado Social e consciência de classe.
A moção do Bloco e a do PCP são de uma leviandade total. A única coisa com piada da Moção do Bloco, é que acontecerá no primeiro dia em que Cavaco vai reiniciar o seu segundo mandato. Um mandato que vai fazer dele o político europeu no activo com os mesmos anos de Poder de Moubarak.
Hoje como está fresquinho, é sexta-feira e o Sol entra pelo meu estúdio na LxFactory, e porque não tendo vindo na minha mula HD, vim a ouvir o rádio num engarrafamento deprimente, hoje,escrevia eu, apetece-me falar desta palhaçada que é a moção de censura dos meus amigos do Bloco de Esquerda. Mas também da do PCP. E da falta de coragem, de rumo e de táctica de treinador político de café que é Passos Coelho.
Ao engasgar sobre a moção do Bloco de Esquerda, Passos e seus seguidores, mostraram uma cobardia política miserável, uma total falta de estratégia. Revelaram que são frágeis, volúveis e que até o Bloco os pode assustar e surpreender. Uns garotos a fazerem política com voz grossa e bem colocada, como se falar ao povo fosse o mesmo que estar a fazer a locução de um programa de rádio do antigamente.
Passos Coelho não tem estaleca, não tem experiência e a sua ansiedade por ir para o poder é incontrolável. Como um carro defeituoso Passos acelera demasiado para a capacidade dos seus travões. Brrrrrr!! PUM!.
Ontem, de visita à Assembleia da República, entrei no hemiciclo estava Sócrates a responder ao PSD. E muito bem: o que o PSD quer, juntamente com o partido do político há mais tempo como dirigente partidário, Paulo Portas,é usarem o ataque de que Portugal está a ser alvo pelas agências de ranking, para forçarem a vinda do FMI durante o governo do PS, deixarem que as políticas impopulares sejam impostas de fora e que o PS possa ter o ónus de ter levado o país ao fundo. Eles virão como os salvadores, os génios, os que vão conseguir por o país a exportar em força, a pagar a dívida num abrir e fechar de olhos, que vão privatizar a CP, o serviço nacional de saúde, vão liberalizar os despedimentos, limpar milhares de funcionários públicos, baixar os impostos, eles vão fazer de Portugal um país em tudo acima dos rankings da qualidade da Europa.
Eles têm a fórmula mágica. Não são políticos. Coelho e Portas e tudo à volta, são os druídas da política, que com a grande mão do grande satã da direita portuguesa, que é Cavaco Silva, irão meter Portugal nos eixos. Vão fazer Portugal ultrapassar a Grécia, a Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica, Inglaterra, até o Estado da Califórnia. Esta direita tem a solução. mas é a solução final para Portugal. Uma solução para possibilitar o crescimento desmesurado da classe média alta, de meia dúzia de empresas monopolistas e de meterem o garrote nas pequenas e médias empresas.
Podemos detestar Sócrates. Ele pode ser um mentiroso. Mas é o nosso mentiroso. Claro, que se as medidas deste governo são socialistas eu quero ser da extrema-direita! Mas o que está agora em causa não é acharmos que Sócrates tem uma obra de engenhocas e arquitonto equivalente a um Siza, ou se tem amigos detestáveis ou se odeia jornalistas e tem um fotógrafo oficial execrável. O que conta agora é que as hienas que estão no bloco da direita, e que uivam e salivam, pelo Poder, serão a solução final, juntamente com Cavaco, para que este país perca o pouco que lhe resta de decência, Estado Social e consciência de classe.
A moção do Bloco e a do PCP são de uma leviandade total. A única coisa com piada da Moção do Bloco, é que acontecerá no primeiro dia em que Cavaco vai reiniciar o seu segundo mandato. Um mandato que vai fazer dele o político europeu no activo com os mesmos anos de Poder de Moubarak.
sexta-feira, janeiro 28, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Parquímetros para ler jornais na net?
Sobre pagar ou não pagar conteúdos na internet. A minha opinião:
O ADN da internet é a livre partilha. O sucesso do YouTube, do Google, só para citar os maiores, deve-se à sua grande utilidade, á forma amigável como servem os usuários, à gratuitidade.
A internet já é paga, e bem paga, por todos nós que temos assinaturas e muitas vezes várias assinaturas. Contratos que comtemplam televisão, telefone e internet. Só eu tenho 3 assinaturas, o que representa uma renda considerável.
Portanto: pagar para ter acesso a conteúdos na net é difícil de aceitar. O negócio da internet não está "dentro" da internet mas sim naquilo que ela gera fora. Isto é: o negócio de um jornal não está directamente no seu online mas no negócio que ele pode gerar: mais leitores na edição impressa, maior influência perante um público muito mais vasto do que o do papel. O online tem um protagonismo fundamental no agarrar dos leitores muitas vezes ao minuto e poder criar uma comunidade vasta, que por si é um valor de mercado valioso.
O que eu gasto em anúncios e tempo na internet a promover os meus cursos não está na net, está no negócio que gera no meu estúdio.
O online paga-se com a mais valia da comunidade aderente ( uma multidão influente e consumidora ) e com a publicidade gerada com as milhares ou milhões de páginas vistas. Um blogue como o Instante Fatal, o ano passado com uma média de 600 visitas diárias, conseguiu facturar mil euros de publicidade. Pouco? Claro. Mas não sei se um jornal online terá gerado o proporcional em rendimento publicitário.
O sonho de os jornais deixarem de ser impressos em papel e pagos na net a um preço semelhante, poupando-se no papel, na tipografia, na distribuição, numa redacção menos ambiciosa, em troca de uns vídeos amadores, de umas fotogalerias enfastiosas ou de umas notícias requentadas com títulos a roçarem o Correio da Manhã na sua secção de sociedade, não é viável.
Os leitores estão a abandonar a compra dos jornais não é por serem em papel. É por serem dispensáveis, porque a qualidade baixou, quando se trocou o conteúdo pela embalagem, a reportagem pelo jornalismo sentado, a investigação
pela análise dos espertos que vão à televisão.
Uma edição banal tanto o é no papel como no iPad. Com a desvantagem no iPad pois o gato não pode usar o papel numa operação de convergência doméstica.
Claro que o senhor Murdock, uma figura nada recomendável para se seguir em política de jornais e televisão, um coveiro neo-liberal do jornalismo, com muitos adeptos por cá, tentou com um pequeno sucesso esta operação de parquímetro no Wall Street Journal. Mas o New York Times acabou por voltar a abrir os conteúdos da sua edição online depois de um fracasso total. Está agora a tentar repetir a experiência, mas sem negar as maiores dúvidas.
É curioso, e preocupante, que quem aparece a defender o pagamento das edições online, são muitas vezes os que nada contribuíram para jornais online fortes, com uma linguagem multimédia, com uma escrita eficaz para a net, com uma equipa de excelência. Gostava de ver edições online de grande qualidade e não réplicas medíocres das já sofríveis edições de papel.
A qualidade de uma edição online não está no facto de ter uma edição para iPad. Aliás por 150 euros qualquer jornal da paróquia tem a sua edição na Apple Store, embora haja quem faça dessa operação banal, um feito glorioso de grande génio editorial. A qualidade de uma edição online está na qualidade e na inovação. Na escrita, nas fotografias, nos vídeos, na infografia, na agilidade da notícia, no cross-promotion das várias edições impressas, online, rádio e TV. A qualidade está na grestão de uma redacção sénior, competente, repartida por editores com autonomia que possam distribuir os conteúdos em função das plataformas diferentes e das diferentes velocidades de informar.
Enquanto a possibilidade de fazer um clique nos possibilitar de mudar de site, vai ser difícil convencer alguém a pagar. A não ser que a oferta seja na verdade irresistível e consiga subverter a grande dimensão democrática da internet: partilhar em total liberdade, sem custos.
O ADN da internet é a livre partilha. O sucesso do YouTube, do Google, só para citar os maiores, deve-se à sua grande utilidade, á forma amigável como servem os usuários, à gratuitidade.
A internet já é paga, e bem paga, por todos nós que temos assinaturas e muitas vezes várias assinaturas. Contratos que comtemplam televisão, telefone e internet. Só eu tenho 3 assinaturas, o que representa uma renda considerável.
Portanto: pagar para ter acesso a conteúdos na net é difícil de aceitar. O negócio da internet não está "dentro" da internet mas sim naquilo que ela gera fora. Isto é: o negócio de um jornal não está directamente no seu online mas no negócio que ele pode gerar: mais leitores na edição impressa, maior influência perante um público muito mais vasto do que o do papel. O online tem um protagonismo fundamental no agarrar dos leitores muitas vezes ao minuto e poder criar uma comunidade vasta, que por si é um valor de mercado valioso.
O que eu gasto em anúncios e tempo na internet a promover os meus cursos não está na net, está no negócio que gera no meu estúdio.
O online paga-se com a mais valia da comunidade aderente ( uma multidão influente e consumidora ) e com a publicidade gerada com as milhares ou milhões de páginas vistas. Um blogue como o Instante Fatal, o ano passado com uma média de 600 visitas diárias, conseguiu facturar mil euros de publicidade. Pouco? Claro. Mas não sei se um jornal online terá gerado o proporcional em rendimento publicitário.
O sonho de os jornais deixarem de ser impressos em papel e pagos na net a um preço semelhante, poupando-se no papel, na tipografia, na distribuição, numa redacção menos ambiciosa, em troca de uns vídeos amadores, de umas fotogalerias enfastiosas ou de umas notícias requentadas com títulos a roçarem o Correio da Manhã na sua secção de sociedade, não é viável.
Os leitores estão a abandonar a compra dos jornais não é por serem em papel. É por serem dispensáveis, porque a qualidade baixou, quando se trocou o conteúdo pela embalagem, a reportagem pelo jornalismo sentado, a investigação
pela análise dos espertos que vão à televisão.
Uma edição banal tanto o é no papel como no iPad. Com a desvantagem no iPad pois o gato não pode usar o papel numa operação de convergência doméstica.
Claro que o senhor Murdock, uma figura nada recomendável para se seguir em política de jornais e televisão, um coveiro neo-liberal do jornalismo, com muitos adeptos por cá, tentou com um pequeno sucesso esta operação de parquímetro no Wall Street Journal. Mas o New York Times acabou por voltar a abrir os conteúdos da sua edição online depois de um fracasso total. Está agora a tentar repetir a experiência, mas sem negar as maiores dúvidas.
É curioso, e preocupante, que quem aparece a defender o pagamento das edições online, são muitas vezes os que nada contribuíram para jornais online fortes, com uma linguagem multimédia, com uma escrita eficaz para a net, com uma equipa de excelência. Gostava de ver edições online de grande qualidade e não réplicas medíocres das já sofríveis edições de papel.
A qualidade de uma edição online não está no facto de ter uma edição para iPad. Aliás por 150 euros qualquer jornal da paróquia tem a sua edição na Apple Store, embora haja quem faça dessa operação banal, um feito glorioso de grande génio editorial. A qualidade de uma edição online está na qualidade e na inovação. Na escrita, nas fotografias, nos vídeos, na infografia, na agilidade da notícia, no cross-promotion das várias edições impressas, online, rádio e TV. A qualidade está na grestão de uma redacção sénior, competente, repartida por editores com autonomia que possam distribuir os conteúdos em função das plataformas diferentes e das diferentes velocidades de informar.
Enquanto a possibilidade de fazer um clique nos possibilitar de mudar de site, vai ser difícil convencer alguém a pagar. A não ser que a oferta seja na verdade irresistível e consiga subverter a grande dimensão democrática da internet: partilhar em total liberdade, sem custos.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
O totonegócio do BPN. Totós somos todos nós!
Uma campanha presidencial não se deve resumir a questões como aquela levantada acerca das acções que o ex- secretário de estado de Cavaco e seu apoiante directo na 1ª candidatura de há 5 anos, Oliveira e Costa facultou ao professor de economia.
A notícia foi dada em tempos pelo Expresso, com o documento onde se via assinado pelo punho de Oliveira e Costa o preço das acções, o que deixou o Presidente muito irritado.
A verdade é que esta questão nunca foi esclarecida por Cavaco.
Com a sua habitual queda para mudar de assunto e fazer-se de desentendido, dizendo que está a ser insultado e alvo de uma campanha negra ( argumentos iguais aos de Sócrates quando é atacado), Cavaco despacha os curiosos para um site, ou para o Tribunal Constitucional, ou atira frases tipo:" Isso nem merece resposta!". Uma frase da família das mastigadelas no bolo-rei. Aliás Cavaco deveria passar a andar com uma fatia de bolo-rei por perto. Quando lhe perguntassem sobre o destino que deu às acções, media o bolo-rei na boca e mastigava, mastigava....
O que está em causa é uma coisa muito simples: um político não é um cidadão como os outros. Tem deveres de transparência, mesmo na zona privada, diferente dos outros.
As acções que Oliveira e Costa vendeu a Cavaco não estavam à venda na praça pública. Ele, Cavaco,teve acesso privilegiado na hora da compra e no momento da venda. O lucro foi bestial. Para quem desejava exercer um cargo de PR foi um erro crasso. Um político não se pode meter neste tipo de aventuras bolsistas com ganhos fabulosos e depois de ser eleito andar a distribuir pesares e a chorar os coitadinhos. Ou a pedir para os portugueses trabalharem quando ele facturou numa operação triunfo.
Estamos a falar de uma operação legal mas pouco ética para ser feita por um político. E nem me recordo de nenhum político que o tenha feito com tanto sucesso.
Alguém imagina Vara a vender acções a Sócrates e este ganhar um balúrdio? O que aconteceria depois?
Para azar do candidato Cavaco, as acções em que ele ganhou a valer faziam parte de um banco que era um casino que nos está a custar 5 mil milhões. Pior: um dos dirigentes do banco foi nomeado por si conselheiro de estado e nunca criticado por Cavaco. Aliás Cavaco só critica a gestão depois de Oliveira e Costa e não o período do regabofe que coincide com o negócio.
Esta questão não é folclore. Duvido que isto na América não fosse fulminante para um candidato.
A notícia foi dada em tempos pelo Expresso, com o documento onde se via assinado pelo punho de Oliveira e Costa o preço das acções, o que deixou o Presidente muito irritado.
A verdade é que esta questão nunca foi esclarecida por Cavaco.
Com a sua habitual queda para mudar de assunto e fazer-se de desentendido, dizendo que está a ser insultado e alvo de uma campanha negra ( argumentos iguais aos de Sócrates quando é atacado), Cavaco despacha os curiosos para um site, ou para o Tribunal Constitucional, ou atira frases tipo:" Isso nem merece resposta!". Uma frase da família das mastigadelas no bolo-rei. Aliás Cavaco deveria passar a andar com uma fatia de bolo-rei por perto. Quando lhe perguntassem sobre o destino que deu às acções, media o bolo-rei na boca e mastigava, mastigava....
O que está em causa é uma coisa muito simples: um político não é um cidadão como os outros. Tem deveres de transparência, mesmo na zona privada, diferente dos outros.
As acções que Oliveira e Costa vendeu a Cavaco não estavam à venda na praça pública. Ele, Cavaco,teve acesso privilegiado na hora da compra e no momento da venda. O lucro foi bestial. Para quem desejava exercer um cargo de PR foi um erro crasso. Um político não se pode meter neste tipo de aventuras bolsistas com ganhos fabulosos e depois de ser eleito andar a distribuir pesares e a chorar os coitadinhos. Ou a pedir para os portugueses trabalharem quando ele facturou numa operação triunfo.
Estamos a falar de uma operação legal mas pouco ética para ser feita por um político. E nem me recordo de nenhum político que o tenha feito com tanto sucesso.
Alguém imagina Vara a vender acções a Sócrates e este ganhar um balúrdio? O que aconteceria depois?
Para azar do candidato Cavaco, as acções em que ele ganhou a valer faziam parte de um banco que era um casino que nos está a custar 5 mil milhões. Pior: um dos dirigentes do banco foi nomeado por si conselheiro de estado e nunca criticado por Cavaco. Aliás Cavaco só critica a gestão depois de Oliveira e Costa e não o período do regabofe que coincide com o negócio.
Esta questão não é folclore. Duvido que isto na América não fosse fulminante para um candidato.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Um 2010 sem nostalgia
Dizia o Miles Davis que a nostalgia era detestável. Sem nostalgia, mas com muita saudade (lá vem o fado a fazer lobby!) este 2010 tirou-me da vida pessoas que de uma forma ou outra me marcaram, e que farão sempre parte das minhas referências. Nesse aspecto foi o pior ano da minha vida. Nunca vi partir tanta gente com quem tinha uma relação de afecto, embora de formas diferentes.
Foram pessoas que amei, com quem briguei, que critiquei muitas vezes, mas que sem elas a minha vida teria sido muito diferente, porque a minha aprendizagem não teria sido tão rica e experiente. Com umas aprendi a conduzir, a ser adulto, a gritar, a ter mau feitio, outras aprendi a arte de saber aprendendo, step by step, outras....não me quero alongar.
Alguns nomes: Maria da Luz, Pedro Beça-Múrias, Isabel Oliveira, António Feio, Carlos Pinto Coelho, Ernâni Lopes, Dennis Stock, o meu tio Adão, a minha tia Rita. Com o desaparecimento deles aprendi que não há nada como gostar da vida. Aliás, o motivo mais forte que fez com que tivesse sido fotógrafo, e de uma outra forma, arquitecto.
Bom- Ano!!!
Foram pessoas que amei, com quem briguei, que critiquei muitas vezes, mas que sem elas a minha vida teria sido muito diferente, porque a minha aprendizagem não teria sido tão rica e experiente. Com umas aprendi a conduzir, a ser adulto, a gritar, a ter mau feitio, outras aprendi a arte de saber aprendendo, step by step, outras....não me quero alongar.
Alguns nomes: Maria da Luz, Pedro Beça-Múrias, Isabel Oliveira, António Feio, Carlos Pinto Coelho, Ernâni Lopes, Dennis Stock, o meu tio Adão, a minha tia Rita. Com o desaparecimento deles aprendi que não há nada como gostar da vida. Aliás, o motivo mais forte que fez com que tivesse sido fotógrafo, e de uma outra forma, arquitecto.
Bom- Ano!!!
quinta-feira, dezembro 30, 2010
E se Vara tivesse dado umas boas acções a Sócrates?
Se Vara tivesse convidado Sócrates a comprar umas acções especiais da CGD ( por exemplo) e tivesse ainda metido um familiar do engenheiro na operação, o primo, a mãe, o tio, e ao fim de uns meses tivesse havido o milagre da multiplicação dos lucros para 140 mil e 200 mil euros, o que seria do país?
A imprensa calava-se? O engenheiro diria que tinha declarado no IRS e estava safo? O engenheiro atiraria a arma de arremesso de que estava a ser insultado, caluniado? O engenheiro mandaria ver na internet o que tinha ganho, no traste do Magalhães?
Não gostando eu de Sócrates, uma coisa tenho de reconhecer: até agora ele nunca ganhou um balúrdio de massa que tenha sido declarada ou apanhada em falta. Bocas muitas. Provas: zero.
Ora, a bronca da SLN, a mãe do BPN, aquela sociedade dos cavaquistas Oliveira e Costa e Dias Loureiro e companhia limitada, tem tudo a ver com a forma como se emigrou da política para os negócios.
E Cavaco, para quem se tem de nascer duas vezes para se ser mais sério do que ele (e dou isso de barato), é o responsável político pela geração que mais esquemas, tráfico de influências e corrupção trouxe ao país. Não é ele. É o monstro que o cavaquismo criou.
Cavaco é o pai tirano que vê os filhos crescerem, tornarem-se malandros, ladrões e bandidos, embora os tivesse batipzado, mandado à catequese e dado o crisma!
Claro que a sua honestidade é à prova de bala e resiste a dois nascimentos, mas nem tudo o que é legal é ético, e nem tudo o que é ético num cidadão comum o é num político. Muito menos político profissional, como bem o mostrou no debate com Alegre.
E se Cavaco gosta de citar as donas de casa e a sua competência doméstica, eu cito outro político que gostava de ver na doméstica Maria de S. Bento o padrão de todas as virtudes. E dizia ele: em política o que parece é.
A imprensa calava-se? O engenheiro diria que tinha declarado no IRS e estava safo? O engenheiro atiraria a arma de arremesso de que estava a ser insultado, caluniado? O engenheiro mandaria ver na internet o que tinha ganho, no traste do Magalhães?
Não gostando eu de Sócrates, uma coisa tenho de reconhecer: até agora ele nunca ganhou um balúrdio de massa que tenha sido declarada ou apanhada em falta. Bocas muitas. Provas: zero.
Ora, a bronca da SLN, a mãe do BPN, aquela sociedade dos cavaquistas Oliveira e Costa e Dias Loureiro e companhia limitada, tem tudo a ver com a forma como se emigrou da política para os negócios.
E Cavaco, para quem se tem de nascer duas vezes para se ser mais sério do que ele (e dou isso de barato), é o responsável político pela geração que mais esquemas, tráfico de influências e corrupção trouxe ao país. Não é ele. É o monstro que o cavaquismo criou.
Cavaco é o pai tirano que vê os filhos crescerem, tornarem-se malandros, ladrões e bandidos, embora os tivesse batipzado, mandado à catequese e dado o crisma!
Claro que a sua honestidade é à prova de bala e resiste a dois nascimentos, mas nem tudo o que é legal é ético, e nem tudo o que é ético num cidadão comum o é num político. Muito menos político profissional, como bem o mostrou no debate com Alegre.
E se Cavaco gosta de citar as donas de casa e a sua competência doméstica, eu cito outro político que gostava de ver na doméstica Maria de S. Bento o padrão de todas as virtudes. E dizia ele: em política o que parece é.
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sábado, dezembro 18, 2010
O PREC dos patrões e da Dona Merkl !
A forma ardilosa e matreira como se vão destruíndo os direitos do Estado Social, conquistados a ferros durante os últimos cinquenta anos, é um escândalo. E uma vergonha sem fim.
A manha instalou-se no governo, nos sindicatos e no patronato. Veja-se a recente ideia de mexer nas indemnizações pagas a quem é despedido.
Primeiro não se disse que eram só para os futuros contratos. Parecia que era para todos. Quando a coisa já estava aceite, sem grande contestação e com João Proença já com as calças em baixo, como sempre, veio dizer-se que os que agora estão sob contrato, não veriam ajustados o valor das indemnizações.
Mas dois dias depois, como a medida não foi contestada, já deu para ir mais longe. Afinal, os que já têm contrato também serão penalizados.
Claro! Não serão reduzidas as indemnizações...apenas a forma de cálculo. O cinismo não pode ser maior. E a falta de carácter político de Proença, a verdadeira cremalheira do Partido dito Socialista, não pode ser mais amarelo e traidor. O senhor dos Passos não faria melhor!
Estamos perante uma situação que até agora nunca tinha sido muito contestada pelo patronato. Por razões práticas.
Isto é: as actuais indemnizações permitem a qualquer patrão despedir individualmente sem justa causa, sendo que, a causa evocada para passar a ser justa basta que utilize um dos vários items que o novo código do trabalho introduziu, também com a total anuência dos sindicatos.
Para o despedideiro é bom negócio despedir: poupa na segurança social, poupa na troca do despedido por um aprendiz a soldo baixo, e até pode deduzir no IRC a "despesa" que teve ao ver-se livre de um empata. Portanto: pagar mais uns tostões até pode compensar.
Não compensaria, se tivesse de indemnizar também a segurança social pela perda de entrada de contribuição e não tivesse de deduzir um despedimento como uma despesa. E não compensaria, se uma empresa com lucro, tivesse de ser penalizada com despedimentos, para aumentar os lucros e a distribuição de lucros pelos sócios e acçionistas.
O que é notável, e mostra bem os tempos de falta de contestação e de amorfismo em que vivemos, é o facto de as medidas penalizadoras serem feitas à semana. Ora, isto cria uma instabilidade sem preço na sociedade e faz com que o Estado seja cada vez mais um gangster pronto a assaltar o cidadão na sua carteira e nos seus direitos.
Assistimos à falta de política em favor da engenharia financeira. Exactamente o que levou o Mundo ao estado em que está. Meia dúzia de medidas da treta, que não fazem avançar a economia, mas fazem encher o ego de um patronato troglodita, montado em carros topo de gama e em contas blindadas no estrangeiro, são suficientes para a Dona Merkl achar que o país vai no bom caminho.
Portanto: para a semana quem tem agora contrato de trabalho vai passar a receber menos em caso de despedimento e daqui a 15 dias não recebe nada.
É o PREC dos patrões.
A manha instalou-se no governo, nos sindicatos e no patronato. Veja-se a recente ideia de mexer nas indemnizações pagas a quem é despedido.
Primeiro não se disse que eram só para os futuros contratos. Parecia que era para todos. Quando a coisa já estava aceite, sem grande contestação e com João Proença já com as calças em baixo, como sempre, veio dizer-se que os que agora estão sob contrato, não veriam ajustados o valor das indemnizações.
Mas dois dias depois, como a medida não foi contestada, já deu para ir mais longe. Afinal, os que já têm contrato também serão penalizados.
Claro! Não serão reduzidas as indemnizações...apenas a forma de cálculo. O cinismo não pode ser maior. E a falta de carácter político de Proença, a verdadeira cremalheira do Partido dito Socialista, não pode ser mais amarelo e traidor. O senhor dos Passos não faria melhor!
Estamos perante uma situação que até agora nunca tinha sido muito contestada pelo patronato. Por razões práticas.
Isto é: as actuais indemnizações permitem a qualquer patrão despedir individualmente sem justa causa, sendo que, a causa evocada para passar a ser justa basta que utilize um dos vários items que o novo código do trabalho introduziu, também com a total anuência dos sindicatos.
Para o despedideiro é bom negócio despedir: poupa na segurança social, poupa na troca do despedido por um aprendiz a soldo baixo, e até pode deduzir no IRC a "despesa" que teve ao ver-se livre de um empata. Portanto: pagar mais uns tostões até pode compensar.
Não compensaria, se tivesse de indemnizar também a segurança social pela perda de entrada de contribuição e não tivesse de deduzir um despedimento como uma despesa. E não compensaria, se uma empresa com lucro, tivesse de ser penalizada com despedimentos, para aumentar os lucros e a distribuição de lucros pelos sócios e acçionistas.
O que é notável, e mostra bem os tempos de falta de contestação e de amorfismo em que vivemos, é o facto de as medidas penalizadoras serem feitas à semana. Ora, isto cria uma instabilidade sem preço na sociedade e faz com que o Estado seja cada vez mais um gangster pronto a assaltar o cidadão na sua carteira e nos seus direitos.
Assistimos à falta de política em favor da engenharia financeira. Exactamente o que levou o Mundo ao estado em que está. Meia dúzia de medidas da treta, que não fazem avançar a economia, mas fazem encher o ego de um patronato troglodita, montado em carros topo de gama e em contas blindadas no estrangeiro, são suficientes para a Dona Merkl achar que o país vai no bom caminho.
Portanto: para a semana quem tem agora contrato de trabalho vai passar a receber menos em caso de despedimento e daqui a 15 dias não recebe nada.
É o PREC dos patrões.
terça-feira, dezembro 14, 2010
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Segredos de Porco Preto
O Mundo já estava perigoso, agora está cómico. As recentes revelações do wikileaks não nos surpreendem. Apenas confirmam aquilo que já sabíamos, mas não tínhamos a certeza de poder afirmar. Nada do que tem sido revelado se pode considerar grande segredo de Estado. Eu diria que são mais segredos do estado a que o Mundo chegou. O pior é ao que vai chegar. Por aqui a coisa ficava em modos de assim.
As opiniões dos americanos sobre Sócrates e Cavaco são hilariantes. E a confirmação de que Cavaco é vingativo e que acha o Chavez um louco, é um grande momento para a História. Aquela de não ter sido recebido pelo Jorginho Bush na Casa Branca, e que já quase todos nos tínhamos esquecido, é muito boa.
Afinal não foi só na Polónia, e em Angola, que Cavaco foi ignorado em viagem de Estado. A grande desfeita foi em Whashington, ainda por cima vinda do filho do velho Bush que recebera Cavaco-Primeiro com honrarias especiais.
Claro que Cavaco responderá (se algum porta-microfones se atrever no final de uma cerimónia corta-fitas) que as revelações "nem merecem resposta", da mesma forma que respondeu ao candidato do PCP a PR, quando este acusou o homem do leme de ter sido aquele que lançou a primeira pedra para o cemitério em que Portugal se encontra emparedado ( livre interpretação aqui do blogueiro).
Um Mundo cómico. No ano passado o ministério da Justiça gastou uma enormidade em computadores e uma impressora por cada caixote windows adquirido, na tradição do computador- máquina de escrever, mas hoje a procuradora Maria José Morgado, que no passado distante citava Mao Tsé-Tung, no passado recente apontava os fumos de corrupção, mas hoje ( baixando o nível) falava na importância do nível do toner na prevenção da criminalidade e na defesa dos direitos dos cidadãos. Amanhã ainda reclamará por lenha para queimar os processos eternamente adiados e prescritos pela inércia da Justiça. Embora, faça-se desta vez justiça, são pessoas como Maria José Morgado que mantêm a chama viva da luta contra a corrupção.
Desencantados podemos estar todos, mas de barriga cheia de risota. Um tempo bera mas onde a verdade ainda vem ao de cima. Essa é a força da internet, o carril por excelência da democracia.
Agora, aquela de Cavaco ter entregue na PIDE uma espécie de atestado de bom comportamento é que eu não sabia. Essa não!!!
As opiniões dos americanos sobre Sócrates e Cavaco são hilariantes. E a confirmação de que Cavaco é vingativo e que acha o Chavez um louco, é um grande momento para a História. Aquela de não ter sido recebido pelo Jorginho Bush na Casa Branca, e que já quase todos nos tínhamos esquecido, é muito boa.
Afinal não foi só na Polónia, e em Angola, que Cavaco foi ignorado em viagem de Estado. A grande desfeita foi em Whashington, ainda por cima vinda do filho do velho Bush que recebera Cavaco-Primeiro com honrarias especiais.
Claro que Cavaco responderá (se algum porta-microfones se atrever no final de uma cerimónia corta-fitas) que as revelações "nem merecem resposta", da mesma forma que respondeu ao candidato do PCP a PR, quando este acusou o homem do leme de ter sido aquele que lançou a primeira pedra para o cemitério em que Portugal se encontra emparedado ( livre interpretação aqui do blogueiro).
Um Mundo cómico. No ano passado o ministério da Justiça gastou uma enormidade em computadores e uma impressora por cada caixote windows adquirido, na tradição do computador- máquina de escrever, mas hoje a procuradora Maria José Morgado, que no passado distante citava Mao Tsé-Tung, no passado recente apontava os fumos de corrupção, mas hoje ( baixando o nível) falava na importância do nível do toner na prevenção da criminalidade e na defesa dos direitos dos cidadãos. Amanhã ainda reclamará por lenha para queimar os processos eternamente adiados e prescritos pela inércia da Justiça. Embora, faça-se desta vez justiça, são pessoas como Maria José Morgado que mantêm a chama viva da luta contra a corrupção.
Desencantados podemos estar todos, mas de barriga cheia de risota. Um tempo bera mas onde a verdade ainda vem ao de cima. Essa é a força da internet, o carril por excelência da democracia.
Agora, aquela de Cavaco ter entregue na PIDE uma espécie de atestado de bom comportamento é que eu não sabia. Essa não!!!
sábado, dezembro 11, 2010
Aguenta e não chora! Portuga anseia pelo FMI!
Sabemos, ouvimos e lemos, há muito que não ignoramos: os portugueses adoram protectores. Nos sapatos, mas não só: de preferência na vida. Tomaram o gosto com o Salazar e o seu chapéu de chuva que fez de cada português um pastorinho abrigado das intempéries do Mundo. Da guerra, do comunismo, do consumismo e dos pecados. Em troca de um pão e um copo de vinho, com um terço por sobremesa e um bagaço como digestivo, o português tornou-se numa ovelha obediente num rebanho bem guardado.
Por tudo isto e muito mais não admira que agora, à falta de um governo responsável, com "huevos" e com sentido social, o português anseie pela vinda do FMI. A Nossa Senhora já deu o que tinha a dar e parece que também entrou em crise devido à míngua das esmolas, e até o professor de economia posto pelo voto popular na cadeira de Belém já não consegue fazer de Menino Jesus, nem de qualquer outra figura prestável do presépio nacional.
O português típico que respondeu à sondagem deste fim-de-semana do Expresso, SIC e Rádio Renascença, sonha agora com uma santa aliança FMI-PSD, uma joint venture entre Borges e Coelho, a santa aliança mais que perfeita para levarem a cabo o desmantelamento final do Estado Social. A última bandeira ( e única) que fazia até agora a diferença entre a esquerda social-democrata (PS) e o liberalismo troglodita da direita (PSD).
Portanto: os portugueses depois de terem sido chibatados pelo governo de Sócrates, estão agora já a baixar as calças à espera das vergastadas dos carrascos do Fundo. Há qualquer coisa de sórdido e de masoquista no comportamento do português, mas esta tendência doentia para o sofrimento começa a ser mais preocupante do que a subida dos juros da dívida. A não ser que haja aqui neste síndroma da dor algo de místico e de redentor. Soubemos esta semana que João Paulo II se auto-flagelava na intimidade e também já sabíamos que um banqueiro caído em desgraça desafiava a auto-tortura em nome do Senhor, na mesma altura em que gizava grandes engenharias financeiras.
Se o Zé Coitado acha que é a levar nas nálgas que vai enriquecer...o melhor é por-se a jeito e ouvir outro grande mestre da chicotada que no melhor das suas curtas-metragens, gritava: "Aguenta e não chora!".
Por tudo isto e muito mais não admira que agora, à falta de um governo responsável, com "huevos" e com sentido social, o português anseie pela vinda do FMI. A Nossa Senhora já deu o que tinha a dar e parece que também entrou em crise devido à míngua das esmolas, e até o professor de economia posto pelo voto popular na cadeira de Belém já não consegue fazer de Menino Jesus, nem de qualquer outra figura prestável do presépio nacional.
O português típico que respondeu à sondagem deste fim-de-semana do Expresso, SIC e Rádio Renascença, sonha agora com uma santa aliança FMI-PSD, uma joint venture entre Borges e Coelho, a santa aliança mais que perfeita para levarem a cabo o desmantelamento final do Estado Social. A última bandeira ( e única) que fazia até agora a diferença entre a esquerda social-democrata (PS) e o liberalismo troglodita da direita (PSD).
Portanto: os portugueses depois de terem sido chibatados pelo governo de Sócrates, estão agora já a baixar as calças à espera das vergastadas dos carrascos do Fundo. Há qualquer coisa de sórdido e de masoquista no comportamento do português, mas esta tendência doentia para o sofrimento começa a ser mais preocupante do que a subida dos juros da dívida. A não ser que haja aqui neste síndroma da dor algo de místico e de redentor. Soubemos esta semana que João Paulo II se auto-flagelava na intimidade e também já sabíamos que um banqueiro caído em desgraça desafiava a auto-tortura em nome do Senhor, na mesma altura em que gizava grandes engenharias financeiras.
Se o Zé Coitado acha que é a levar nas nálgas que vai enriquecer...o melhor é por-se a jeito e ouvir outro grande mestre da chicotada que no melhor das suas curtas-metragens, gritava: "Aguenta e não chora!".
segunda-feira, dezembro 06, 2010
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sábado, dezembro 04, 2010
Cavaco adivinhou tudo há 7 anos! Não fosse ele um economista!
Parece que há 7 anos Cavaco Silva já tinha previsto os negros dias de hoje. Não se trata de quiromânçia política nem de nenhum dom extraordinário que o ainda Presidente da República tenha acabado de descobrir. No fundo Cavaco é um professor de economia, e os economistas têm todos as receitas para salvarem o país... só que nunca conseguiram salvar o País! E até o ajudaram a afundar quando exerceram o Poder.
Lembremos algumas medidas do então primeiro-ministro Cavaco Silva:
Foi o primeiro a criar as nefastas parecerias público-privadas. E fê-lo dando à Lusoponte a gestão da Ponte Vasco da Gama e como brinde a Ponte 25 de Abril. O buzinão que ia fazendo de Cavaco Silva o Acabado Silva foi precisamente gerado pela onda popular contra a medida da Lusoponte de querer portajar a 25 de Abril pelo mesmo preço da Vasco da Gama.
Cavaco que introduziu na Função Pública o conceito de promoção automática na carreira, e que deu aos professores benesses nunca antes tidas e fez de cada burocrata um funcionário a progredir, mesmo que fosse uma perfeita nulidade.
Foi Cavaco que fomentou a paranóia de qualquer teso comprar casa própria, tendo feito de cada português um proprietário, refém toda a vida dos juros oscilantes dos bancos, com um garrote no pescoço sempre pronto a apertar.
Cavaco acabou com as pescas, a agricultura, e ajudou a liquidar as pequenas e médias empresas.
Cavaco lançou na sociedade a ideia de que quem tinha mais de 45 anos era velho para trabalhar e começou a permitir reformas aos 50 anos sem penalização. Assim permitiu que as grandes empresas, nomeadamente a banca, se tivessem visto livre dos trastes e daqueles que tinham experiência, competência e ética. Um país de reformados.
Mas se Portugal se transformou nos anos do cavaquismo num grande jardim de reformados a jogarem à sueca, foi também o berço dessa geração de gente como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, só para citar os protagonistas de um dos maiores escândalos da banca.
Cavaco foi Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e Presidente da República durante quase 20 anos. Parece que desceu agora à Terra e que esteve sempre no Céu abençoando um país tresmalhado.
Depois destes anos todos no Poder regressa com a mensagem que todos o conhecem e que todos podem confiar nele. A estratégia eleitoral é boa e a equipa de Cavaco é de uma eficácia e profissionalismo totais. É aliás tão boa que não se sente, nem se vê.
Insistir no papel de salvador da Pátria, quando já nada há para salvar parece, no mínimo, um atestado de indigência aos portuguesinhos. Embora eu ache que eles merecem. Aí concordo com Cavaco.
Lembremos algumas medidas do então primeiro-ministro Cavaco Silva:
Foi o primeiro a criar as nefastas parecerias público-privadas. E fê-lo dando à Lusoponte a gestão da Ponte Vasco da Gama e como brinde a Ponte 25 de Abril. O buzinão que ia fazendo de Cavaco Silva o Acabado Silva foi precisamente gerado pela onda popular contra a medida da Lusoponte de querer portajar a 25 de Abril pelo mesmo preço da Vasco da Gama.
Cavaco que introduziu na Função Pública o conceito de promoção automática na carreira, e que deu aos professores benesses nunca antes tidas e fez de cada burocrata um funcionário a progredir, mesmo que fosse uma perfeita nulidade.
Foi Cavaco que fomentou a paranóia de qualquer teso comprar casa própria, tendo feito de cada português um proprietário, refém toda a vida dos juros oscilantes dos bancos, com um garrote no pescoço sempre pronto a apertar.
Cavaco acabou com as pescas, a agricultura, e ajudou a liquidar as pequenas e médias empresas.
Cavaco lançou na sociedade a ideia de que quem tinha mais de 45 anos era velho para trabalhar e começou a permitir reformas aos 50 anos sem penalização. Assim permitiu que as grandes empresas, nomeadamente a banca, se tivessem visto livre dos trastes e daqueles que tinham experiência, competência e ética. Um país de reformados.
Mas se Portugal se transformou nos anos do cavaquismo num grande jardim de reformados a jogarem à sueca, foi também o berço dessa geração de gente como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, só para citar os protagonistas de um dos maiores escândalos da banca.
Cavaco foi Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro e Presidente da República durante quase 20 anos. Parece que desceu agora à Terra e que esteve sempre no Céu abençoando um país tresmalhado.
Depois destes anos todos no Poder regressa com a mensagem que todos o conhecem e que todos podem confiar nele. A estratégia eleitoral é boa e a equipa de Cavaco é de uma eficácia e profissionalismo totais. É aliás tão boa que não se sente, nem se vê.
Insistir no papel de salvador da Pátria, quando já nada há para salvar parece, no mínimo, um atestado de indigência aos portuguesinhos. Embora eu ache que eles merecem. Aí concordo com Cavaco.
quinta-feira, dezembro 02, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
ERC reconhece que a foto publicada pelo DN dada pelo gabinete de Sócrates, tinha significado intrínseco
No dia 19 de Abril passado, fiz uma participação à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) para esta se pronunciar no sentido se tinha havido, ou não, abuso por parte do Diário do Notícias e falta de cumprimento das regras jornalísticas, o facto do fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro (PM) ter cedido uma fotografia ao mesmo jornal, sobre a visita de Sócrates à Madeira logo após a tragédia, a propósito da Festa da Flor.
Tratava-se de uma fotografia feita no aeroporto do Funchal, na pista, onde só o fotógrafo do PM tinha acesso. Era uma imagem que possibilitava uma leitura política, nada neutral do ponto de vista jornalístico e político. O fotógrafo oficial do PM apanhara Alberto João Jardim de mãos postas, curvado perante Sócrates, que se podia interpretar como o vergar de alguém que desafiara Sócrates e agora lhe agradecia a ajuda. Uma boa fotografia se tivesse sido feita por um jornalista, uma provocação política ao ser cedida para publicação por parte do fotógrafo oficial do PM.
Havia aqui duas questões: uma: se o fotógrafo oficial pode distribuir fotografias com características tendenciosas, favorecendo a imagem política do PM. A outra questão: se é legítimo um jornal utilizar fotografias produzidas pelo gabinete do PM para ilustrar uma reportagem. Ainda haveria outra questão a levantar, mas que eu não pus à ERC, era se aquela imagem foi distribuída ou oferecida a todos os jornais e agências ou se foi uma "simpatia" do gabinete do PM para com o Diário de Notícias.
Eu referia na queixa, e perguntava: se era legítimo um jornal utilizar fotografias de uma assessoria governamental para peças jornalíticas. Se o fotógrafo do PM não pode ser jornalista, não se percebe porque pode fazer jornalismo visual, fotográfico. Se os assessores de imprensa do PM não mandam para o DN textos para serem publicados ( penso eu) ,então o fotógrafo oficial não pode fugir a esta regra.
A ERC acaba de me responder e fiquei bastante agradado com o processo elaborado. Foi uma deliberação feita em bases mais jurídicas e menos jornalísticas.
No essencial a ERC conclui: Ora, se a fotografia da primeira página, no entender do jornal, "era a que melhor podia documentar o estado de graça com que o Governo da República era visto pelo Governo Regional da Madeira, e totalmente ilustrativa do momento", já as três fotografias da página interior em nada se distinguem das que foram publicadas pelos jornais consultados pela ERC, tratando-se de fotografias meramente ilustrativas da presença dos dois políticos na Festa das Flores.
A ERC considera que "não são passíveis de reparo os critérios editoriais que fundamentaram o destaque dado à foto da primeira página e que se fundamenta o destaque dado à foto face " às condições especiais em que foi recolhida e ao seu significado intrínseco".
Conclusão: o DN aproveitou uma foto feita pelo fotógrafo oficial do PM, com "significado intrínseco e feita em condições especiais, só dadas ao fotógrafo oficial. Não sabemos se essa distribuição foi franqueada a toda a imprensa ou se foi um "favor" do gabinete do PM. Portanto: o fotógrafo do PM faz fotos "com significado intrínseco" e não imagens de "fotos meramente ilustrativas", usando os termos da ERC. O DN por seu lado, também utiliza "fotos meramente ilustrativas" cedidas pelo gabinete do PM quando havia nos locais fotojornalistas e a Agência LUSA.
O gabinete do PM distribui uma foto que em si nada tinha de "oficial" mas sim de editorial e o DN aproveitou e publicou mais 3 fotos no interior cedidas pelo PM, "meramente ilustrativas", o que permitiu poupar em fotojornalistas. Esta é a realidade.
Tratava-se de uma fotografia feita no aeroporto do Funchal, na pista, onde só o fotógrafo do PM tinha acesso. Era uma imagem que possibilitava uma leitura política, nada neutral do ponto de vista jornalístico e político. O fotógrafo oficial do PM apanhara Alberto João Jardim de mãos postas, curvado perante Sócrates, que se podia interpretar como o vergar de alguém que desafiara Sócrates e agora lhe agradecia a ajuda. Uma boa fotografia se tivesse sido feita por um jornalista, uma provocação política ao ser cedida para publicação por parte do fotógrafo oficial do PM.
Havia aqui duas questões: uma: se o fotógrafo oficial pode distribuir fotografias com características tendenciosas, favorecendo a imagem política do PM. A outra questão: se é legítimo um jornal utilizar fotografias produzidas pelo gabinete do PM para ilustrar uma reportagem. Ainda haveria outra questão a levantar, mas que eu não pus à ERC, era se aquela imagem foi distribuída ou oferecida a todos os jornais e agências ou se foi uma "simpatia" do gabinete do PM para com o Diário de Notícias.
Eu referia na queixa, e perguntava: se era legítimo um jornal utilizar fotografias de uma assessoria governamental para peças jornalíticas. Se o fotógrafo do PM não pode ser jornalista, não se percebe porque pode fazer jornalismo visual, fotográfico. Se os assessores de imprensa do PM não mandam para o DN textos para serem publicados ( penso eu) ,então o fotógrafo oficial não pode fugir a esta regra.
A ERC acaba de me responder e fiquei bastante agradado com o processo elaborado. Foi uma deliberação feita em bases mais jurídicas e menos jornalísticas.
No essencial a ERC conclui: Ora, se a fotografia da primeira página, no entender do jornal, "era a que melhor podia documentar o estado de graça com que o Governo da República era visto pelo Governo Regional da Madeira, e totalmente ilustrativa do momento", já as três fotografias da página interior em nada se distinguem das que foram publicadas pelos jornais consultados pela ERC, tratando-se de fotografias meramente ilustrativas da presença dos dois políticos na Festa das Flores.
A ERC considera que "não são passíveis de reparo os critérios editoriais que fundamentaram o destaque dado à foto da primeira página e que se fundamenta o destaque dado à foto face " às condições especiais em que foi recolhida e ao seu significado intrínseco".
Conclusão: o DN aproveitou uma foto feita pelo fotógrafo oficial do PM, com "significado intrínseco e feita em condições especiais, só dadas ao fotógrafo oficial. Não sabemos se essa distribuição foi franqueada a toda a imprensa ou se foi um "favor" do gabinete do PM. Portanto: o fotógrafo do PM faz fotos "com significado intrínseco" e não imagens de "fotos meramente ilustrativas", usando os termos da ERC. O DN por seu lado, também utiliza "fotos meramente ilustrativas" cedidas pelo gabinete do PM quando havia nos locais fotojornalistas e a Agência LUSA.
O gabinete do PM distribui uma foto que em si nada tinha de "oficial" mas sim de editorial e o DN aproveitou e publicou mais 3 fotos no interior cedidas pelo PM, "meramente ilustrativas", o que permitiu poupar em fotojornalistas. Esta é a realidade.
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quinta-feira, novembro 25, 2010
Museu do fado enxota convidados.
O Museu do Fado em Lisboa, em Alfama, sempre me pareceu uma aberração.
O mesmo sinto por um museu do Teatro.
O que é efémero e tem nessa condição a razão mais forte da sua magia, torna-se sórdido quando prolongado entre fotos velhas, objectos decrépito, trastes. Detesto trastes. Embora também deteste fado.
O projecto do Museu do Fado é frio, de iluminação gélida. Tudo ali é desconforto. Até as fotografias coladas num mural se tornam agressivas. Uma coisa burocrática para homenagear uma forma de expresão popular.
Na última terça-feira aconteceram cenas graves e lamentáveis naquele reduto bafiento do fado.
Era a apresentação do livro sobre Fado da minha querida amiga Clara Azevedo, uma fotógrafa brilhante, o museu estava cheio, até lá estava o Presidente António Costa, quando um segurança desatou a impedir a entrada dos convidados, a proibir a jornalistas de tirarem fotografias, a mandar calar quem tinha ficado no corredor por lhe ser sido vedado o acesso no auditório meio vazio.
Eu refilei mas é normal: tenho mau feitio e não aguento atitudes prepotentes e estúpidas. Mas ao ter ficado à porta do museu a conversar com amigos, pude constatar que afinal havia muito boa gente com muito bom feitio, indignada com a forma como estava a ser tratada, abandonando o museu.
A directora Sara Pereira devia ter mais tino na forma como manda os seus contínuos tratar com as visitas.
Já há algum tempo uma equipa da RTP teve que fazer uma queixa porque um grupo de crianças estava a ser maltratada pela segurançae impedida de tirar fotos. Ridículo, patético e muito, muito estúpido!!
Proibir fotografar num museu, que é pago com o nosso dinheiro, é de uma arrogância inenarrável.
Esta gente julga-se dona do que é nosso e não há ninguém a metê-la na ordem, ou a pô-la no olho da rua.
Também lamento que o meu amigo Carlos do Carmo esteja implicado com gente com uma cultura (?) destas.
O mesmo sinto por um museu do Teatro.
O que é efémero e tem nessa condição a razão mais forte da sua magia, torna-se sórdido quando prolongado entre fotos velhas, objectos decrépito, trastes. Detesto trastes. Embora também deteste fado.
O projecto do Museu do Fado é frio, de iluminação gélida. Tudo ali é desconforto. Até as fotografias coladas num mural se tornam agressivas. Uma coisa burocrática para homenagear uma forma de expresão popular.
Na última terça-feira aconteceram cenas graves e lamentáveis naquele reduto bafiento do fado.
Era a apresentação do livro sobre Fado da minha querida amiga Clara Azevedo, uma fotógrafa brilhante, o museu estava cheio, até lá estava o Presidente António Costa, quando um segurança desatou a impedir a entrada dos convidados, a proibir a jornalistas de tirarem fotografias, a mandar calar quem tinha ficado no corredor por lhe ser sido vedado o acesso no auditório meio vazio.
Eu refilei mas é normal: tenho mau feitio e não aguento atitudes prepotentes e estúpidas. Mas ao ter ficado à porta do museu a conversar com amigos, pude constatar que afinal havia muito boa gente com muito bom feitio, indignada com a forma como estava a ser tratada, abandonando o museu.
A directora Sara Pereira devia ter mais tino na forma como manda os seus contínuos tratar com as visitas.
Já há algum tempo uma equipa da RTP teve que fazer uma queixa porque um grupo de crianças estava a ser maltratada pela segurançae impedida de tirar fotos. Ridículo, patético e muito, muito estúpido!!
Proibir fotografar num museu, que é pago com o nosso dinheiro, é de uma arrogância inenarrável.
Esta gente julga-se dona do que é nosso e não há ninguém a metê-la na ordem, ou a pô-la no olho da rua.
Também lamento que o meu amigo Carlos do Carmo esteja implicado com gente com uma cultura (?) destas.
terça-feira, novembro 23, 2010
Entre a marginal e uma ilha "so far away"
Da janela do meu estúdio na LxFactory vejo agora o Cais em flou e ouço o zumbido da Ponte que, embora me passe quase por cima da cabeça, está longe de me incomodar.
Estes dias de chuva teimosa inspiram-me e fazem-me sentir numa espécie de tempo a preto-e-branco.
Viajei entre o Estoril e este refúgio lisboeta de artistas e jovens empresários vestidos à surfistas, montados em vespas, desafiando o piso encharcado da Marginal, com o Mar a provocar os espíritos mais tranquilos.
Ao ler de manhã as notícias da imprensa estrangeira e o resumo da nacional na destreza do iPad, as velhas novidades são mais carregadas do que o céu deste dia invernoso.
O cerco da banca e das tais agências de rating, uma mafia sem rosto legitimada pela Dona Merkl e acicatada por Sarkozy não vai parar. O problema continua a ser especulativo e não financeiro. Portanto: Portugal não escapará ao sacrifício daqueles que despejaram dinheiro virtual na economia, que fizeram de cada cidadão um refém dos bancos com os empréstimos enganadores.
Claro que o governo do Sócrates foi uma nódoa. Mas mesmo que tivesse sido poupado e sido empreendedor, todos duvidamos agora que o nosso destino fosse muito diferente. Mesmo com um crescimento a 3 por cento ao ano, os especuladores e a política unilateral da Alemanha não desarmariam. Que ninguém tenha dúvidas.
Quando a política perdeu líderes que se façam respeitar e ouvir, quando já não é sequer a economia a mandar na política, mas os especuladores, os cropiers da finança a mandarem nos países democráticos e europeus...meus caros: o melhor é pirarmo-nos para uma daquelas ilhas perdidas, "so far away"! Mas nada nos garante que "eles" não estejam também lá. A especulação é agora global e ninguém escapará aos abutres da banca e da economia de casino. Uma economia que subsiste baseada no jogo desprezando a produção.
E agora vou trabalhar.
Estes dias de chuva teimosa inspiram-me e fazem-me sentir numa espécie de tempo a preto-e-branco.
Viajei entre o Estoril e este refúgio lisboeta de artistas e jovens empresários vestidos à surfistas, montados em vespas, desafiando o piso encharcado da Marginal, com o Mar a provocar os espíritos mais tranquilos.
Ao ler de manhã as notícias da imprensa estrangeira e o resumo da nacional na destreza do iPad, as velhas novidades são mais carregadas do que o céu deste dia invernoso.
O cerco da banca e das tais agências de rating, uma mafia sem rosto legitimada pela Dona Merkl e acicatada por Sarkozy não vai parar. O problema continua a ser especulativo e não financeiro. Portanto: Portugal não escapará ao sacrifício daqueles que despejaram dinheiro virtual na economia, que fizeram de cada cidadão um refém dos bancos com os empréstimos enganadores.
Claro que o governo do Sócrates foi uma nódoa. Mas mesmo que tivesse sido poupado e sido empreendedor, todos duvidamos agora que o nosso destino fosse muito diferente. Mesmo com um crescimento a 3 por cento ao ano, os especuladores e a política unilateral da Alemanha não desarmariam. Que ninguém tenha dúvidas.
Quando a política perdeu líderes que se façam respeitar e ouvir, quando já não é sequer a economia a mandar na política, mas os especuladores, os cropiers da finança a mandarem nos países democráticos e europeus...meus caros: o melhor é pirarmo-nos para uma daquelas ilhas perdidas, "so far away"! Mas nada nos garante que "eles" não estejam também lá. A especulação é agora global e ninguém escapará aos abutres da banca e da economia de casino. Uma economia que subsiste baseada no jogo desprezando a produção.
E agora vou trabalhar.
domingo, novembro 21, 2010
Pedro Beça Múrias. Uma despedida muito injusta.
Conheci o Pedro Beça Múrias nos anos oitenta, quando ele dava os primeiros passos na fotografia de imprensa. Começava ele a fotografar no semanário Sete e em O Jornal. Depois acabou por abandonar a fotografia e passou a escrever. É curioso que outros tentaram seguir o caminho da fotografia de imprensa como o Manuel Falcão, o António Capinha, a Teresa Mafalda Mendes e a dada altura perceberam que a fotografia não era futuro assim tão estimulante ao ponto de ser um objectivo de vida.
Passados muitos anos acabei por reencontrar o Pedro na escola Florinda Leal onde anda o meu filhote de 9 anos ( fá-los daqui a horas) e a filha do Pedro, uma menina linda, com uma especial atenção de afecto para com o pai.
Reencontrar o Pedro foi muito bom e deixou-me uma grande alegria. Ele era afectuoso, calmo, sempre irónico e cheio de humor, uma pessoa que gostava da vida e das pessoas. Um profissional dedicado e criativo na sua profissão de jornalista da rádio.
Estava no Rádio Clube Português, tinha entrado com o Luis Osório (outro grande profissional e de uma enorme dimensão humana) e falava-me entusiasmado do seu projecto, até ao dia em que me liga, estava eu em Viana do Castelo, há cerca de um ano, e me diz que a Prisa o tinha despedido por carta, enquanto ele estava a ser tratado de um cancro no cólon. A Prisa despedia o Pedro no meio de uma enxurrada de um despedimento colectivo. Nem a amizade a Luis Cebrían , o patrão espanhol da Prisa, evitou esse despedimento indigno de um profissional como o Pedro.
O Pedro conformou-se e agarrou-se à vida. Amigos não lhe faltavam. Ele era daquele tipo de pessoa que cativa e de quem ficamos amigos ao fim da primeira conversa.
Vamos todos ter muitas saudades do Pedro. Da sua voz, do tom tranquilo, da sua infinita solidariedade.
As palavras faltam-me, mas não queria deixar de escrever aqui e agora sobre este meu querido amigo, de quem não tenho sequer uma fotografia. Nem preciso pois a sua memória está para lá de um instante.
Passados muitos anos acabei por reencontrar o Pedro na escola Florinda Leal onde anda o meu filhote de 9 anos ( fá-los daqui a horas) e a filha do Pedro, uma menina linda, com uma especial atenção de afecto para com o pai.
Reencontrar o Pedro foi muito bom e deixou-me uma grande alegria. Ele era afectuoso, calmo, sempre irónico e cheio de humor, uma pessoa que gostava da vida e das pessoas. Um profissional dedicado e criativo na sua profissão de jornalista da rádio.
Estava no Rádio Clube Português, tinha entrado com o Luis Osório (outro grande profissional e de uma enorme dimensão humana) e falava-me entusiasmado do seu projecto, até ao dia em que me liga, estava eu em Viana do Castelo, há cerca de um ano, e me diz que a Prisa o tinha despedido por carta, enquanto ele estava a ser tratado de um cancro no cólon. A Prisa despedia o Pedro no meio de uma enxurrada de um despedimento colectivo. Nem a amizade a Luis Cebrían , o patrão espanhol da Prisa, evitou esse despedimento indigno de um profissional como o Pedro.
O Pedro conformou-se e agarrou-se à vida. Amigos não lhe faltavam. Ele era daquele tipo de pessoa que cativa e de quem ficamos amigos ao fim da primeira conversa.
Vamos todos ter muitas saudades do Pedro. Da sua voz, do tom tranquilo, da sua infinita solidariedade.
As palavras faltam-me, mas não queria deixar de escrever aqui e agora sobre este meu querido amigo, de quem não tenho sequer uma fotografia. Nem preciso pois a sua memória está para lá de um instante.
quinta-feira, novembro 11, 2010
O meu primeiro dia de escola e o salto de um fotojornalista há 50 anos
Faz hoje 50 anos que eu entrei pela primeira vez na escola, uma pequena escola particular situada num primeiro andar antigo num prédio em Torres Novas.
A professora era tirada de um filme também antigo já na altura. Gordinha, velhota, autoritária e fiel salazarista. Esqueci-me do seu nome. Poderia ser Genoveva.
Entrei só a 11 de Novembro, com um ano menos da idade do que era norma entrar na escola de então.
Não queria deixar passar este dia sem assinalar esta data. Recordo-a todos os anos, embora seja péssimo para datas e para nomes.
Havia na sala uma telefonia que, sintonizada na Emissora Nacional, dava o seguimento do assalto ao Santa Maria. E todas as manhãs a aula era interrompida para se ouvir o relato dos locutores sobre a aventura do destemido Henrique Galvão e dos seus valentes rapazes.
Anos mais tarde vim a saber que enquanto eu aprendia as primeiras letras, um destemido fotojornalista do Paris-Match saltava de uma avioneta em pleno Atlântico para o paquete desviado e fazia uma reportagem única sobre a vida a bordo da burguesia portuguesa. Não havia reféns, mas festas, bailes, tranquilidade.
Quer o meu empenho nas primeiras letras, quer a genialidade deste fotojornalista, são hoje para mim uma grande lição de vida. Uma lição de nunca abdicarei.
A professora era tirada de um filme também antigo já na altura. Gordinha, velhota, autoritária e fiel salazarista. Esqueci-me do seu nome. Poderia ser Genoveva.
Entrei só a 11 de Novembro, com um ano menos da idade do que era norma entrar na escola de então.
Não queria deixar passar este dia sem assinalar esta data. Recordo-a todos os anos, embora seja péssimo para datas e para nomes.
Havia na sala uma telefonia que, sintonizada na Emissora Nacional, dava o seguimento do assalto ao Santa Maria. E todas as manhãs a aula era interrompida para se ouvir o relato dos locutores sobre a aventura do destemido Henrique Galvão e dos seus valentes rapazes.
Anos mais tarde vim a saber que enquanto eu aprendia as primeiras letras, um destemido fotojornalista do Paris-Match saltava de uma avioneta em pleno Atlântico para o paquete desviado e fazia uma reportagem única sobre a vida a bordo da burguesia portuguesa. Não havia reféns, mas festas, bailes, tranquilidade.
Quer o meu empenho nas primeiras letras, quer a genialidade deste fotojornalista, são hoje para mim uma grande lição de vida. Uma lição de nunca abdicarei.
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