quinta-feira, novembro 11, 2010

O meu primeiro dia de escola e o salto de um fotojornalista há 50 anos

Faz hoje 50 anos que eu entrei pela primeira vez na escola, uma pequena escola particular situada num primeiro andar antigo num prédio em Torres Novas.

A professora era tirada de um filme também antigo já na altura. Gordinha, velhota, autoritária e fiel salazarista. Esqueci-me do seu nome. Poderia ser Genoveva.

Entrei só a 11 de Novembro, com um ano menos da idade do que era norma entrar na escola de então.
Não queria deixar passar este dia sem assinalar esta data. Recordo-a todos os anos, embora seja péssimo para datas e para nomes.


Havia na sala uma telefonia que, sintonizada na Emissora Nacional, dava o seguimento do assalto ao Santa Maria. E todas as manhãs a aula era interrompida para se ouvir o relato dos locutores sobre a aventura do destemido Henrique Galvão e dos seus valentes rapazes.

Anos mais tarde vim a saber que enquanto eu aprendia as primeiras letras, um destemido fotojornalista do Paris-Match saltava de uma avioneta em pleno Atlântico para o paquete desviado e fazia uma reportagem única sobre a vida a bordo da burguesia portuguesa. Não havia reféns, mas festas, bailes, tranquilidade.



Quer o meu empenho nas primeiras letras, quer a genialidade deste fotojornalista, são hoje para mim uma grande lição de vida. Uma lição de nunca abdicarei.

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