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quinta-feira, julho 14, 2011

Um endireita a dar os primeiros passos

Ninguém deve dar demasiada importância pelo facto do jovem governo ter ou não ter um elenco de notáveis ou de ter um Primeiro mais ou menos experiente. Isto porque os chefinhos fazem parte da nossa infeliz cultura de excelência e porque, tirando os totós que acreditam no Pai Natal, um governo europeu trabalha em função das regras de Bruxelas. Portanto: termos um chefe de governo extraordinário nesta conjuntura até podia atrapalhar. Por vezes os endireitas resolvem problemas que os médicos não conseguem. Temos um endireita, embora em início de actividade, que está a dar os primeiros passos ainda amparado pela família, amigos e uns opositores em fase de reorganização de tropas.

Pelo que vi a dois metros de distância, e durante largos minutos, na Festa dos Tabuleiros em Tomar, o eleito primeiro-ministro mantém um ar simpático, vê-se nele um esforço para agradar a todos que o cumprimentam, desfaz-se em beijinhos, autógrafos, posa com uma moçoila e pergunta para que máquina fotográfica deve olhar, beija a mulher sem que os fotógrafos tenham tempo de disparar, não larga as mãos dela....enfim: temos ali um misto de Cavaco em família com um Guterres afável.  Até os seguranças se mantêm à distância, e quando é preciso enxotar os chatos dos fotógrafos, são dois tomarenses fardados com trajes da festa que empurram os jornalistas e dizem que têm de se afastar. Coelho sorri para o lado e volta a fazer mais um comentário para o seu "compagnon" de Juventude, o Relvas claro.

Mas há sempre o outro lado das figuras públicas. E quando horas depois chega ao Conselho Nacional do seu partido, e desabafa dizendo que afinal as contas públicas estão um descalabro, mesmo depois do relatório semestral do Banco de Portugal, atirando para a praça pública mais uma suspeição sobre a sustentabilidade financeira do país, parece coisa de endireita mal preparado. Quer dizer: sorri para o doente e de seguida torce-lhe o braço, antes de lhe partir o pescoço.

Este tique de atirar nos próprios pés, tão usado por Cavaco (e outros endireitas desastrosos), só servem para afundar mais o país, dando uma imagem nefasta para o exterior.

Depois da ira cxolectiva contra as agências de rating ( parecia Portugal a apoiar Timor!) sabendo todos nós (os que não acreditamos no Pai Natal) que o que está em jogo, ou seja: a recuperação económica e financeira do país, não vai ser possível com o montante negociado com a troika, nem com aqueles juros, nem com a recessão consequente, nem com a impossibilidade de reduzir o deficit público, já que o 95% do orçamento do Estado corresponde a encargos fixos( foi o que disse a economista Teodora) e que reduzidos, lançarão ainda mais o país numa maior recessão, ou seja: mais desemprego, depressão, destruição da já enfezada economia.

Portanto: a Moodies sabe do que fala. Embora, e aqui é que entra o cinismo político de Cavaco, tenham sido os ataques das agências que levaram muito os países periféricos à perda de confiança pelos mercados, e que agora esse cancro já esteja alastrado a outros países, que pareciam a salvo, América incluída.

Antes de ontem os juros da Espanha chegaram quase aos 7% e a França nunca pagou tanto de juros como o teve fazer ontem. Sarkozy começa a escorregar pelo plano inclinado.

Governar com tiques de oposição é péssimo. E assim a estabilidade, mesmo podre e forçada, não vai durar muito. Passos não pode dar passos maior do que a perna. Não está já na oposição. Está no governo. Que assuma isso. Meta-se no avião em executiva, largue os seguranças contra os jornalistas, deixe-se de ares de marido romântico em público, puxe da voz grossa e trabalhe. Deixe-se de entretantos e vá aos finalmentes. Irra, nunca aprendem!

terça-feira, novembro 23, 2010

Entre a marginal e uma ilha "so far away"

Da janela do meu estúdio na LxFactory vejo agora o Cais em flou e ouço o zumbido da Ponte que, embora me passe quase por cima da cabeça, está longe de me incomodar.

Estes dias de chuva teimosa inspiram-me e fazem-me sentir numa espécie de tempo a preto-e-branco.

Viajei entre o Estoril e este refúgio lisboeta de artistas e jovens empresários vestidos à surfistas, montados em vespas, desafiando o piso encharcado da Marginal, com o Mar a provocar os espíritos mais tranquilos.

Ao ler de manhã as notícias da imprensa estrangeira e o resumo da nacional na destreza do iPad, as velhas novidades são mais carregadas do que o céu deste dia invernoso.

O cerco da banca e das tais agências de rating, uma mafia sem rosto legitimada pela Dona Merkl e acicatada por Sarkozy não vai parar. O problema continua a ser especulativo e não financeiro. Portanto: Portugal não escapará ao sacrifício daqueles que despejaram dinheiro virtual na economia, que fizeram de cada cidadão um refém dos bancos com os empréstimos enganadores.

Claro que o governo do Sócrates foi uma nódoa. Mas mesmo que tivesse sido poupado e sido empreendedor, todos duvidamos agora que o nosso destino fosse muito diferente. Mesmo com um crescimento a 3 por cento ao ano, os especuladores e a política unilateral da Alemanha não desarmariam. Que ninguém tenha dúvidas.

Quando a política perdeu líderes que se façam respeitar e ouvir, quando já não é sequer a economia a mandar na política, mas os especuladores, os cropiers da finança a mandarem nos países democráticos e europeus...meus caros: o melhor é pirarmo-nos para uma daquelas ilhas perdidas, "so far away"! Mas nada nos garante que "eles" não estejam também lá. A especulação é agora global e ninguém escapará aos abutres da banca e da economia de casino. Uma economia que subsiste baseada no jogo desprezando a produção.

E agora vou trabalhar.

quinta-feira, outubro 07, 2010

Só o sonho nos salvará

Hoje fui ao Ministério das Finanças em trabalho. Uma viagem longa. Duas horas dentro do carro
para fazer Estoril- Terreiro do Paço. A vida está má mas não se percebe o que estão a fazer numa bicha de 20 quilómetros, entre as 8 e as 11 da manhã, centenas de tristes.

Não trabalham? São assessores que chegam tarde? São jornalistas a caminho de Lisboa em busca de uma novidade? São mulheres infiéis que aproveitam a hora de ponta matinal para exercerem o direito à emancipação?  São desempregados a queimarem os últimos litros de gasosa? Que faz esta gente com ar pouco apressado, para onde vai, e onde conseguem estacionar tanta latoaria na Lisboa de Costa?

Adiante. Fui ao Ministério das Finanças. Deixaram-me entrar com o meu Smart. Disse ao que ia, e o destinatário a quem me dirigia dava direito a uma "aberta" no parque de estacionamento, dentro de um dos claustros do Terreiro do Paço, o mesmo que eu atravessava há 20 anos quando era arquitecto ali mesmo no Terreiro do Paço.

Depois de entrar arrependi-me. E se não me deixam depois sair com o carro? Imagine-se que o simplex funciona, me fotografa a matrícula do carro e envia um SMS para a segurança duvidando de um qualquer cumprimento fiscal? Lá ia o Smart para o leilão do Estado, ou ainda o via um destes dias a ser usado ao serviço da Nação.

Claro que brinco. Mas podia acontecer. E se por ali encontrasse um fiscal que me pedisse a carteira, tipo: " Oh amigo faça favor de abrir a carteira. Vinte euros aí? para que quer dez? Tome lá cinco dos vinte a dê metade a um pedinte civil!".

A verdade é que já ninguém se sente seguro em nenhum lado. Hoje só ouvi gente a lamentar-se, com expressões angustiantes. Eu próprio tive um dia deprimente. Uma manhã para esquecer.

À tarde a fotografar uma sumidade em economia, diz-me a dada altura:" esta gente nem sabe o que há-de fazer! E se eu fosse dizer para a televisão o que penso e sei, seria trágico!"- e não era o Medina Carreira!

Mas foi à noite que senti um arrepio. Ao andar pela LxFactory com os meus alunos, um empregado de um restaurante mostra curiosidade por andarmos por ali a fotografar. "Estamos numa aula de fotografia"- digo eu. "Vejo que é o professor. Ainda bem que pode dar aulas e ter alunos"- diz-me o homem com a expressão de quem ali está mas não faz negócio.

"O senhor como fotógrafo já conseguiu transformar um sapo num príncipe?"- Ainda não cheguei a essa fase! - "Quando chegar convide-me para seu modelo!"- rematou. Chegámos ao limiar da realidade com a ficção. Só o sonho nos salvará.

sexta-feira, outubro 01, 2010

That`s look the trailer da crise !

O país está a Prosac. O pior é que nem para o anti-depressivo há agora comparticipação do Estado.

Depois da tempestade, Cavaco recolheu ao Palácio e prepara decerto mais umas corridas, outras viagens, pelo cavaquistão, o tal país real que ele criou com missionários locais tão fantásticos como aquele braço direito de Passos Coelho, o sacrossanto presidente da edilidade viseense. Não um guerreiro, um Viriato, mas alguém que nos remete para o protagonista do saudoso restaurador Olex.

Portanto: o Presidente não dá confiança, nem apoio ao governo. Sócrates teve de fazer o que tinha de ser feito, e Cavaco tem mais que fazer: uma campanha eleitoral disfarçada. Por isso nem precisa de agências de comunicação. A agência de comunicação está em Belém e sabe organizar as romarias pelo país que dança o vira. Sócrates vai mandar avançar o seu ministro dos impostos e tentará não aparecer muito nos próximos dias.

Um país em forma de assim. Hoje 3 iminências da Economia diziam na RTP que taxar faz regredir, que um corte de 5 por cento naquele 1/3 da despesa que não é salários nem pensões traria um retorno dos milhões suficientes sem ser preciso ir ao IVA e aos bolsos dos que bulem por conta de outrem. Mas essas medidas são lentas e não dão o espectáculo de que as usuárias agências de rating querem.

Também nos lembrou Silva Lopes que só aquela cedência cobardolas do governo às reivindicações dos senhores professores nos custou (só este ano!) quatrocentos milhões de euros. Por aqui vemos como estas medidas, embora necessárias mas não necessariamente estruturadas, podiam ter sido evitadas se a seu tempo se tivesse cortado com determinação e competência.

E ainda está por saber se as tais concessões a privados das auto-estradas vão ser ou não renegociadas. Em 2014 a prestação vai comer 7 mil milhões!!!


A saga ainda não acabou. Apenas vimos o trailer.

sexta-feira, agosto 07, 2009

A crise está a acabar, a ganância voltou

A crise financeira que abalou a economia e deixou o Mundo em pânico total está a recuperar muito graças aos avales do governo norte-americano, que conseguiu assim alguma tranquilidade em Wall Street, e ao esforço dos vários governos europeus que têm feito alguma coisa pondo a mão por baixo de uma criança prestes a cair. Ou seja: todos nós temos pago do dinheiro dos nossos impostos para que a casa não venha a baixo. E no entanto...nada nos garante que não volte a ameaçar ruir.

Há uma evidente recuperação, ainda que lenta, da crise. Há mais confiança. As bolsas revelam algum crescimento positivo, há tímidos sinais de retoma. O crude dispara nos preços. O senhor Trichet começa a fazer contas aos próximos aumentos de juros!

Mas a que assistimos já? Nos Estados Unidos a loucura bolsista, que contribuiu para o desaire, está de volta. A última invenção é o uso de super computadores nas bolsas que conseguem ganhar milésimos de segundo, e assim conseguem comprar e vender primeiro ! Empresas como a Golden Sachs já ganharam lilhões com a façanha. O esforço dos contribuentes americanos está de novo a ser desviado para engenharias financeiras e não para a sustentabilidade de uma economia produtiva e real que crie emprego e riqueza real, em vez da fortuna virtual.

Em Portugal não podemos dizer que a parte da crise que foi afectada pela crise global (é bom separar as crises!) está a ser alegremente vivida por novas jogadas bolsistas, e por empresas que estão a dar bónus escandalosos aos seus gestores.

Veja-se o descaramento dos prémios distribuídos na TAP e no jackpot de Fernando Pinto no final do ano. Não é que os gestores não devam ganhar muito bem, quando os bons resultados dependem da sua competência e engenho, mas auto premiarem-se com maquias generosas em anos em que as empresas estão à beira do colapso (que pode até nem ser por sua culpa) já me parece lata a mais.

A banca teve lucros bons, embora menores, e a GALP teve SÓ 450 milhões de euros de ganhos e ainda se lamentou o seu presidente ter perdido margem e ter sido penalizado pelo abaixamento do consumo! Entretanto já originou uma nova escalada nos preços dos combustíveis.

As últimas danças de figuras entre empresas, onde o que está em jogo é precisamente o jogo do poder económico e político, com a rede protectora da banca, mostram que continuamos a viver uma economia virtual, na senda que nos levou ao susto brutal de Outubro do ano passado.

Continuamos a criar monstros financeiros sem reflexo directo na vida real, na criação de riqueza, no talento: artístico, comercial, industrial, cientifico.

A banca ganha influência e pressão política. Os governos estão agora ainda mais reféns da finança pelos avales que deram. Não é o antigo socialismo. É pior.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

O primeiro dia do resto de Sócrates

Há uma realidade que nos inquieta: os números. Essa figura de que Guterres fugia para lançar a ideia de que a sociedade democrática e social não podia ficar presa à ditadura da economia. Mesmo Sampaio ao dizer que havia vida para lá do deficit trazia no fundo a mesma política humanista para a frente. Hoje, são os números que nos assustam e nos fazem sentir frágeis.

Hoje os números voltaram a incomodar. Veja-se: um dos maiores ricos do país, Américo Amorim, despediu duzentos trabalhadores. Motivo: há menos procura de cortiça no mercado. Só deu conta agora, ou há 4 meses antes do buraco financeiro global ?Ora, sendo a cortiça um dos produtos mais raros no mercado, e sendo nós um dos exportadores líderes a nível mundial, mesmo assim ficamos em crise ? Se naquilo que vendemos bem estamos falidos, que se dirá então nas outras actividades?
A verdade é que com a legislação portuguesa (a tal diabólica lei do trabalho!!) é difícil despedir individualmente (já foi muito mais) já os despedimentos colectivos são facílimos. Um patrão ao despedir colectivamente fica quase sem responsabilidades sociais e encargos. A Segurança Social cobre quase o ordenado total (em salários até mil euros) e permite uma longa folga aos despedidos. Entretanto, todos nós vamos pagando para os que injustamente ficam sem trabalhar.
Os patrões poupam muito dinheiro, respiram, os trabalhadores descansam. Entretanto novos contratados eventuais são empregados ou até os despedidos findo o período do subsídio de desemprego.
Ontem ouvi num elevador o desabafo de uma directora que dizia não conseguir contratar ninguém porque ninguém aceitava ir trabalhar por um ordenado que não fosse substancialmente maior do que o subsídio de desemprego. Óbvio...
Mas se virmos o dinheiro que a CGD está a meter no BPN é de arrepiar. Já tanto como o investimento no TGV !!! Mais do que o custo social dos desempregados previstos para este ano. Uma loucura que não sei como se paga. A nacionalização do BPN começa a perceber-se que foi uma precipitação...ou talvez não. Quem pode afirmar?
Sem liquidez, nem crédito (os bancos agora puxam forte pelos spreds) não vamos a lado nenhum. E tudo isto começa a ficar demasiado enervante.

Entretanto hoje foi o primeiro dia do resto da vida de Sócrates em que não se falou do Freeport. Para a semana já passou, e se Sócrates souber fazer de morto, ressuscitará ao terceiro dia como nas escrituras. Para mal dos nossos pecados.

PS: mais uma coisa: andámos a doutrinar os empresários que Portugal só podia sobreviver com tecnologia de ponta. A maior empresa exportadora de Portugal, com uma tecnologia de ponta única, acaba de falir. E agora ?A cortiça, pelos vistos, também não dá, e "os" das Caldas também não. Que vamos fazer? Talvez f.. Como dizia o Abrunhosa.Que também já não vende.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

O render da crise

É evidente que ainda ninguém conseguiu diagnosticar o remédio eficaz (e barato, genérico)contra a crise financeira (porque a residual essa continua lá escondida agora com a mais global). Os Estados que até agora achavam que o mercado tinha resistências próprias para regular, acabaram por voltar aos bons tempos do Estado sinaleiro, regulador, protector.

Sócrates que castigou a classe média com o papão do deficit, que devido a essa obsessão acabou por retardar o crescimento do país, agora marimba-se no deficit e opta por uma política quase oposta: garantias em milhões à banca, abrir cordões à bolsa para mais rotundas, retretes, pistas de alcatrão e tudo o que tocar a construção. Portanto: ninguém percebe nada. A política é feita com a costa à vista e o que for se verá.
A crise está a render para muitas empresas. Usam-na para despedir, emagrecer, cortar nos direitos dos trabalhadores, como se esta crise que dura há dois meses pudesse ser responsável por muita má gestão, leviandade e muito novo-riquismo que as empresas portuguesas gostam de praticar. Não todas, claro. Mas não nos esqueçamos que 80 por cento do patronato é quase analfabeto e que tem nas mãos milhares de postos de trabalho.
Quanto à banca estamos entendidos: os portugueses correram a abrir contas na Caixa Geral de Depósitos (já tinha pensado nisso!!) e a revelação de que os senhores gestores do BCP ganhavam 10 mil euros por dia entre 2002 e 2008, é na verdade uma coisa extraordinária. E não há ali gestão danosa, abuso de poder ? Num banco que se preza de não pagar horas extraordinárias aos trabalhadores, e que tem uma gestão draconiana do pessoal, estas verbas são de ir às lágrimas. Só Sócrates é que não acha que tem havido por cá um evidente fosso entre os mais ricos e os mais pobres. São as santas estatísticas.

domingo, dezembro 14, 2008

A perversa cura da crise

Há semanas o Estado não tinha cheta para nada. Nós contribuintes pagávamos por tudo, nada e mais alguma coisa. De repente o Estado dá avales de milhões à banca, marimba-se no deficit e proclama que afinal o emprego é o único bem verdadeiramente sagrado para cada um de nós. O que desprezou em nome do mercado, abençoa hoje para bem dos falidos capitalistas e aflição daqueles que vivem do trabalho e só sabem fazer isso.
Em semanas, muda a conjuntura e muda a política. Agora Sócrates carrega no acelerador da betoneira, jorra toneladas de cimento para solidificar o país, ergue uma muralha, não de aço, mas de betão.
O crédito que vira a torneira fechada está agora a pingar para empresas que prometam exportar e para bancos cujos presidentes, sócios e amigos, andaram a brincar aos casinos Royal.

Há uma evidência: quem menos dividas tiver melhor sobreviverá. Quem menos jogou na roleta russa da economia virtual melhor sobreviverá. O mesmo se aplica aos particulares: quem tiver trabalho poderá sobreviver à crise e pode aproveitar os juros mais baixos, a inflação mais baixa, criar oportunidades de negócio antes reservadas para as manobras dos oportunistas, ou poupar. Quem se empenhou em créditos e engenharias financeiras não irá ter grande futuro.
Ora, um pais como Portugal só tem de investir agora, mais que nunca, naquilo que lhe traga retorno em exportações para mercados menos afectados pela crise global (África por exemplo) e que saiba aproveitar algum avanço tecnológico, o que até temos conseguido em matéria de serviços e informática, para crescer ou evitar demasiados danos.
Gastar mais dinheiro em betão, estradas portagadas pelos contribuintes, só não criará aquele emprego especial de que precisamos desenvolver, como apenas resolverá o problema do desemprego na construção civil que é maioritariamente de imigrantes. E lá irão ganhar mais uns milhões as Somagues desta vida.
O perigo agora é a cura vir a tornar-se mais gastadora que a crise. Sócrates vê tudo no imediato e o imediato são as eleições para o ano.

sábado, dezembro 13, 2008

A insustentável fragilidade do capitalismo

Em poucas semanas a crise crónica que Portugal vive há anos- acho mesmo que nunca houve um ano em que não se falasse de crise- foi engolida pela repentina crise global.

Nós portugueses que não crescemos, enquanto os parceiros europeus cresceram, nós que andámos a sustentar um Estado gastador, mal gerido e vicioso, nós que temos no fisco o terror do cidadão (veja-se esta multa que está a ser enviada para milhares de contribuintes pagadores e que por não terem cumprido o preenchimento de um papel vão pagar 120 euros de multa!!!!) encontramos agora, com a derrocada do paraíso bancário ,o regresso do Estado pai e patrão, protector.
O Salazar está de volta, o gonçalvismo de volta. Os socialistas protegem os ricos para não deserdarem os pobres, mas na verdade ninguém sabe bem (nem mal!) o que acontecerá daqui a meses: talvez o Estado volte a dar uns cheques aos BPP e BPN desta vida. O pior foi começar!

O neo-liberalismo faliu de um dia para o outro. Esta sociedade global, afinal é mais frágil do que uma virgem desprotegida. O consumismo uma visão, o novo-riquismo é tão perene como uma fabulosa representação teatral que acaba ao cair do pano.
As nossas vidas não dependem da solidez da segurança social e das poupanças guardadas nos bancos. Nada. Tudo é frágil, volátil. Vivemos na corda bamba. Pagamos a uns incompetentes para nos tratarem do condomínio, mas os tipos debandam com a massa e vão para Las Vegas jogar no casino as nosas mesadas, o esforço de uma vida. Sem ideologia política, sem política e sem rumo, só com ganância como céu, a "coisa" deu nisto. E no que mais se verá.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Cimento contra a crise

Os jornalistas apanharam o ministro Mário Lino numa esquina e este, talvez aproveitando a aberta do chefe em Bruxelas, desatou a filosofar:" Sim, vamos fazer investimentos públicos, reanimar a economia, vamos fazer estradas, portos, aeroportos, infra-estruturas...tudo o que se puder para pôr o país a andar" (cito de cor). O desvairado Lino dispara em todas direcções e não quer perceber que de nada adiantará gastar mais uns valentes milhões numa auto-estrada para o deserto de Bragança, onde nem já as brasileiras medram. Claro que a IP quatrozinha de Betoneira do Amaral (a sua obra de eleição como disse um dia a Herman José no Parabéns!) já matou mais de duzentas pessoas (um número trágico para a incompetência técnica dos gurus cavaquistas) mas se a IP4 é um corredor da morte isso não justifica fazer uma auto-estrada ao lado.
Ferreira Leite hoje em Bruxelas veio dizer que o investimento que Barroso quer encorajar não é referido como sendo público, mas como sendo bom. Ora, todos sabemos que o país precisa é de produzir para exportar ou de construir para atrair turistas e empresários. O país não precisa de alcatifas novas nem de halls de entrada com embutidos. Infelizmente os nossos ministros pensam como os autarcas: em redondo, em rotunda. Uns rotundos idiotas.