Os juízes são pessoas e têm direito a errar. Mas o que aconteceu com a decisão da juíza de Oeiras que mandou prender Isaltino de Morais, não pode ser aceitável à luz de um Estado de Direito.
Não se consegue compreender como pode ser mandado executar uma ordem desta dimensão, com todas as consequências públicas que acarreta para a honra de quem está a ser detido, sem que se estude a fundo os processos e sem se fazer cruzamento de decisões a correrem noutras instâncias judiciais. Que se saiba há um sistema informático na Justiça, e se esse sistema nem cruzamento de dados faz...então o melhor é voltarmos aos tempos dos tabaliães.
Uma juíza de Oeiras que manda executar uma prisão, que tem de ser feita pela Polícia de Segurança Pública e pela Polícia Municipal locais, com todo o enxovalho que isso acarreta para o visado, não se dá ao cuidado de fazer um check-list, de forma à sua decisão ser incontestável? Em que país vivemos ?
Os juízes nos últimos anos tornaram-se demasiado protagonistas na vida pública. Passaram a vir à televisão, comentam tudo e todos, são vedetas mediáticas, reivindicam, pressionam através de um poderoso sindicato. O juiz que deve ser discreto e fazer um trabalho de toupeira, acaba muitas vezes, demasiadas vezes, por deixar passar para a opinião pública, aspectos que nunca deviam sair do segredo dos tribunais.
Claro que temos de acreditar na Justiça. Aliás, temos que acreditar porque não temos outro remédio! Mas a Justiça não pode ser intocável, nem pode ser isenta de críticas num Estado democrático.
Os juízes são pagos pelos contribuentes e devem justificações da sua competência, da sua produtividade e da sua isenção. Um erro que um juiz cometa deve ser punido, e até o Estado reembolsado se uma decisão errada implicar custos para o contribuente. A aplicação da lei não pode ser influenciada por preconceitos, estados de espírito ou outros dados subjectivos. A lei é para ser aplicada e tem de o ser à letra. Os erros judiciais não são aceitáveis, sobretudo quando são erros grosseiros.
Quando Sócrates disse um dia, logo no início do seu primeiro mandato, em off, mas cuja frase acabou por ser soprada cá para fora, que queria "partir a espinha aos juízes, teria porventura alguma razão. E todos sabemos como ele acabou por ser vítima de uma classe cujo lobby ninguém ousa afrontar.
Os julgamentos na praça pública são intoleráveis. Como são inadmissíveis as constantes fugas de informação dos processos judiciais que acabam por fazer julgamentos na Praça Pública, agora não através de uma fogueira, mas da televisão, e de outra imprensa rasca, sempre à espera de condenar, saciando a inveja nacional e a má língua de uma audiência medíocre e maldosa.
As opiniões sobre a prisão de Isaltino, ditas no facebook por cidadãos comuns, mas também dadas por gente que tem responsabilidades políticas, são confrangedoras. Por exemplo, o que disse Isabel Meireles, de quem sou amigo, sobre a prisão do autarca de Oeiras, é uma enormidade, ainda por cima vinda de uma jurista. Regozijar-se com uma prisão ilegal, fazer julgamentos finais, só porque perdeu umas eleições para uma câmara, para a qual não tinha a mais pequena competência, é lamentável. E lamento ter de o dizer.
Era bom que toda esta gente parasse para pensar. E que só julgasse os outros, quando aquela justiça em que tanto acredita, faça mesmo Justiça. Com rigor, competência, discrição e, já agora, com mais rapidez. Trabalhem mais e façam menos sindicalismo.
sábado, outubro 01, 2011
sábado, setembro 24, 2011
José Niza: o depois do adeus de um homem bom
Há pessoas que nunca atravessam a vida. O José Niza, infelizmente hoje falecido, foi uma delas.
Lembro-me dele como autor de canções tão belas como "Depois do Adeus" e tenho-o sempre ligado na memória aos tempos da jovem democracia portuguesa, defendendo a cultura portuguesa e uma forma de fazer política, ele foi deputado, empenhada e sincera.
José Niza foi director de programas da RTP e foi com ele que a televisão pública ganhou asas e deu a possibilidade a Herman José se ter afirmado com o seu Hermanias. Não fora José Niza e não seria decerto o artista que é Herman José. Isto só para dar um bom exemplo.
Com ele a música portuguesa foi defendida com a célebre lei da rádio. Retirou-se há anos da política activa, penso que vivia em Santarém ( cheguei a cruzar-me com ele na cidade), depois de também ter abandonada a sua profissão de médico.
Embora nunca o tenha conhecido pessoalmente, fico com a ideia de um homem de ideais e de acção democrática.
Fico também com a triste ideia que cada vez mais ficamos sem os melhores de entre nós.
Lembro-me dele como autor de canções tão belas como "Depois do Adeus" e tenho-o sempre ligado na memória aos tempos da jovem democracia portuguesa, defendendo a cultura portuguesa e uma forma de fazer política, ele foi deputado, empenhada e sincera.
José Niza foi director de programas da RTP e foi com ele que a televisão pública ganhou asas e deu a possibilidade a Herman José se ter afirmado com o seu Hermanias. Não fora José Niza e não seria decerto o artista que é Herman José. Isto só para dar um bom exemplo.
Com ele a música portuguesa foi defendida com a célebre lei da rádio. Retirou-se há anos da política activa, penso que vivia em Santarém ( cheguei a cruzar-me com ele na cidade), depois de também ter abandonada a sua profissão de médico.
Embora nunca o tenha conhecido pessoalmente, fico com a ideia de um homem de ideais e de acção democrática.
Fico também com a triste ideia que cada vez mais ficamos sem os melhores de entre nós.
sexta-feira, setembro 09, 2011
Queres sexo por prazer? Toma! Paga a pílula!
Temos um governo amigo do povo. Do povo que votou neste chefinho e do povo em geral que gosta do Pai Natal. E nele acredita.
Tínhamos um Primeiro porreiro-pá, temos agora um governo, porreiro- pá.
Um governo que pensa nos pobres, pensando em distribuir pelos mais desgraçados medicamentos fora de prazo e senhas de abastecimento alimentar, em vez de dinheiro vivo, evitando que os estroinas usem a colecta dos impostos para se embebedarem ou se meterem na droga.
Temos um governo que, apoiado pelo inenarrável bastonário dos médicos, pensa em taxar a fast-food prevenindo assim a saúde dos concidadãos, os mesmos que se empanturram em óleo de fritar, manteiga,chouriços e outra cultura gastronómica de garrafão.
Temos um governo que toma conta do nosso dinheiro e que não vai permitir que umas tipas andem a fornicar em segurança, não engravidando. Não querem procriar e o Estado ainda lhes pagava um subsidio para tomarem a pílula! Tomem! Paguem ou não f****m.
Um governo poupadinho que corta nas vacinas para que os portugueses não se transformem viciados em saúde!
Claro que devemos cortar no acessório.
E que o Estado deve ser minimalista.
Mas não animalista.
É a diferença entre a direita e a esquerda.
Tínhamos um Primeiro porreiro-pá, temos agora um governo, porreiro- pá.
Um governo que pensa nos pobres, pensando em distribuir pelos mais desgraçados medicamentos fora de prazo e senhas de abastecimento alimentar, em vez de dinheiro vivo, evitando que os estroinas usem a colecta dos impostos para se embebedarem ou se meterem na droga.
Temos um governo que, apoiado pelo inenarrável bastonário dos médicos, pensa em taxar a fast-food prevenindo assim a saúde dos concidadãos, os mesmos que se empanturram em óleo de fritar, manteiga,chouriços e outra cultura gastronómica de garrafão.
Temos um governo que toma conta do nosso dinheiro e que não vai permitir que umas tipas andem a fornicar em segurança, não engravidando. Não querem procriar e o Estado ainda lhes pagava um subsidio para tomarem a pílula! Tomem! Paguem ou não f****m.
Um governo poupadinho que corta nas vacinas para que os portugueses não se transformem viciados em saúde!
Claro que devemos cortar no acessório.
E que o Estado deve ser minimalista.
Mas não animalista.
É a diferença entre a direita e a esquerda.
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segunda-feira, agosto 29, 2011
A CRISE VOLTOU DE FÉRIAS
Eu acho imensa piada à pequena burguesia e à ideologia que os telejornais alimentam. Por exemplo: as férias estão a acabar. Que tal uma peça sobre a crise? Como se faz? Fácil: apanham-se uns sortudos a meterem a bagagem na mala do Honda Civic com ar de novinho. Estica-se o microfone e a entrevistada assume desde logo o papel de vítima da crise e desabafa: sim, a crise obrigou-nos a irmos comer menos vezes fora, ficámos menos 2 dias dos 15 que tivéramos o ano passado, abdicámos dos toldos de sol pagos, e viemos pela nacional 100 quilómetros. "Isto está mau, há que economizar!".
Os portugueses acham que pelo facto de irem comer menos vezes fora, não trocarem de carro de 3 em 3 anos, ou de terem de passar menos dias de férias, isso é crise. Isto não é crise meus caros. Isto é maus hábitos e vícios que se instalaram com o novo-riquismo herdado do cavaquismo e depois alimentado por todos os governos seguintes.
Ou mesmo o facto de terem de tirar os filhos de colégios caros, onde o que se aprende é por vezes menos do que numa boa escola oficial, isso já lhes faz cair os parentes na lama.
Eu fui educado sempre em escolas públicas, trabalhei para tirar um curso à noite de arquitecto, tive de ter vários empregos para poder andar de 2 cavalos, só comprei um carro novo na vida, há 5 anos que não faço férias no estrangeiro, evito o Algarve, evito comer fora e evito as auto-estradas. E não se pode dizer que tenha tido até agora um mau vencimento. Sou poupadinho a comprar roupa, compro de boa qualidade, mas por exemplo os timberland" que trago calçados têm 6 anos e o outro par já levou meias solas. O que compro, porque gosto muito, é sempre feito de forma a não ficar endividado e compro sempre usado ou a preço bom.
A felicidade nem sempre tem a ver com abastança. As melhores viagens que fiz foi na minha velhinha BMW a deixar cair peças ao longo da estrada, e quando tive uma novinha de estrada acabei por não viajar nela. As minhas melhores fotos foram com uma Leica M6 usadissima e agora com uma M9 acabo por não a usar de forma tão intensa.
É importante darmos valor ao que temos e de sabermos preservar o que compramos com dificuldade e paixão.
As pessoas em geral confundem qualidade de vida com vida de peneirentos, e acham que viver bem é poder mostrar ao vizinho alguns sinais exteriores de pedantismo. Não têm as coisas porque gostam, têm porque dá estatuto. Um miserável estatuto.
Ora esta crise é dramática não porque temos de racionalizar os gastos. Esta crise é dramática porque a continuar não vamos ter dinheiro para pagar a casa, as compras do mês e porventura nem poderemos ir ao médico a custo zero. Não porque não temos dinheiro para o seguro de saúde, mas porque os neo-liberais vão querer que paguemos num hospital público o preço da desorganização, da espera e da nossa triste agonia. O mau não é termos de deixar de ter TVCabo mas de corrermos o risco de nem aos 4 pindericos canais termos direito de acesso e a conteúdos decentes. Crise não é deixar de comer bifes a 15 euros o quilo, mas de nem acesso termos a frango do aviário.
Esta mentalidade pequeno-burguesa é que devia desaparecer e as televisões e os jornais deixarem de falar por tudo, nada, e coisa nenhuma, de crise.
Crise é termos um governo que é uma agência governativa e um Presidente que anda há 25 anos a fazer pela sua vidinha política, em vez de pensar grande no país. Embora só pense quem pode e não pense quem quer.
Crise é este país parado, adormecido, sem vontade para nada, como eu hoje nesta tarde de fim de Agosto.
Os portugueses acham que pelo facto de irem comer menos vezes fora, não trocarem de carro de 3 em 3 anos, ou de terem de passar menos dias de férias, isso é crise. Isto não é crise meus caros. Isto é maus hábitos e vícios que se instalaram com o novo-riquismo herdado do cavaquismo e depois alimentado por todos os governos seguintes.
Ou mesmo o facto de terem de tirar os filhos de colégios caros, onde o que se aprende é por vezes menos do que numa boa escola oficial, isso já lhes faz cair os parentes na lama.
Eu fui educado sempre em escolas públicas, trabalhei para tirar um curso à noite de arquitecto, tive de ter vários empregos para poder andar de 2 cavalos, só comprei um carro novo na vida, há 5 anos que não faço férias no estrangeiro, evito o Algarve, evito comer fora e evito as auto-estradas. E não se pode dizer que tenha tido até agora um mau vencimento. Sou poupadinho a comprar roupa, compro de boa qualidade, mas por exemplo os timberland" que trago calçados têm 6 anos e o outro par já levou meias solas. O que compro, porque gosto muito, é sempre feito de forma a não ficar endividado e compro sempre usado ou a preço bom.
A felicidade nem sempre tem a ver com abastança. As melhores viagens que fiz foi na minha velhinha BMW a deixar cair peças ao longo da estrada, e quando tive uma novinha de estrada acabei por não viajar nela. As minhas melhores fotos foram com uma Leica M6 usadissima e agora com uma M9 acabo por não a usar de forma tão intensa.
É importante darmos valor ao que temos e de sabermos preservar o que compramos com dificuldade e paixão.
As pessoas em geral confundem qualidade de vida com vida de peneirentos, e acham que viver bem é poder mostrar ao vizinho alguns sinais exteriores de pedantismo. Não têm as coisas porque gostam, têm porque dá estatuto. Um miserável estatuto.
Ora esta crise é dramática não porque temos de racionalizar os gastos. Esta crise é dramática porque a continuar não vamos ter dinheiro para pagar a casa, as compras do mês e porventura nem poderemos ir ao médico a custo zero. Não porque não temos dinheiro para o seguro de saúde, mas porque os neo-liberais vão querer que paguemos num hospital público o preço da desorganização, da espera e da nossa triste agonia. O mau não é termos de deixar de ter TVCabo mas de corrermos o risco de nem aos 4 pindericos canais termos direito de acesso e a conteúdos decentes. Crise não é deixar de comer bifes a 15 euros o quilo, mas de nem acesso termos a frango do aviário.
Esta mentalidade pequeno-burguesa é que devia desaparecer e as televisões e os jornais deixarem de falar por tudo, nada, e coisa nenhuma, de crise.
Crise é termos um governo que é uma agência governativa e um Presidente que anda há 25 anos a fazer pela sua vidinha política, em vez de pensar grande no país. Embora só pense quem pode e não pense quem quer.
Crise é este país parado, adormecido, sem vontade para nada, como eu hoje nesta tarde de fim de Agosto.
quarta-feira, agosto 24, 2011
A nega de Amorim
Portugal não tem ricos a mais. Tem ricos a menos. O problema é que temos maus ricos. Ou melhor: só temos novos-ricos. E essa estirpe não é boa para a economia. A maioria, cerca de 90 por cento, dos nossos empresários tem o equivalente à quarta classe, e os grandes têm mais alguma formação mas escolhem depois umas chefias intermédias medíocres. Transportam para as empresas a pior lógica da pior função pública: carreirismo, mesquinhez e falta de ambição. Lucro fácil.
Se virmos os maiores ricos portugueses ganharam esse patamar a trabalhar, sem dúvida, mas no negócio da distribuição, raramente numa vida a promover o crescimento e mais-valia para exportação. Muitos ganharam milhões entre um negócio de ocasião e um apoio bancário generoso. Daí não terem na sua prática grande cultura empresarial. Nem cultura de empresa. Claro que criam postos de trabalho, mas nunca na proporção daquilo que facturam e lucram.
Temos uma classe empresarial que ainda vê nos sindicatos e nos trabalhadores uma corja de malandros e que se justifica permanentemente com a lei do trabalho que acham incapaz de permitir o desenvolvimento. Ora, as empresas que trabalham, produzem e criam laços de fraternidade com os seus trabalhadores, acabam por ser aquelas cujos donos são pessoas que mantêm há anos uma relação de proximidade com os seus colaboradores. E não vejo estes patrões queixarem-se. Nunca vi o Comendador Nabeiro protestar com a lei laboral ou vir dizer que os seus trabalhadores não trabalham. Pelo contrário. Ele paga acima da média, dá imensas benesses sociais e tem uma vasta obra de ajuda solidária fora da empresa. E quem lá trabalha fá-lo com gosto.
O sucesso da Auto-Europa é semelhante. A empresa aumentou 40% a produição durante este ano, mas no ano passado no auge da crise automóvel houve um entendimento pacifico com o sindicato e a comissão de trabalhadores, no sentido de reduzir ordenados e estipular um banco de horas.
Podia dar muitos outros exemplos, um mesmo perto de mim, mas que não vou citar para não dar ar de "graxa ao patrão".
Isto a propósito da recusa que ontem Américo Amorim deu em poder vir a ajudar Portugal nesta crise, ao contrário dos maiores patrões franceses. Amorim fez aliás há 2 anos uma coisa extraordinária: perante a ameaça da crise ele despediu 160 trabalhadores por razões de prudência.
O patronato não tem de ser a Santa Casa da Misericórdia, por isso vai para lá Santana Lopes, mas que tem de ter uma forte responsabilidade social, que ninguém duvide disso. As empresas só têm razão de existir se forem uma forma de a sociedade se desenvolver e se com o seu sucesso poder haver uma qualidade de vida para os seus trabalhadores que não deve ser o Estado a pagar.
Porque isto de se ser capitalista também tem duas faces. Uma a do lucro, a outra da responsabilidade social. Se assim não for passamos a viver na maior das selvejarias. O sonho destes neo-liberais que tomaram o Poder de assalto em nome de uma grande mentira.
Se virmos os maiores ricos portugueses ganharam esse patamar a trabalhar, sem dúvida, mas no negócio da distribuição, raramente numa vida a promover o crescimento e mais-valia para exportação. Muitos ganharam milhões entre um negócio de ocasião e um apoio bancário generoso. Daí não terem na sua prática grande cultura empresarial. Nem cultura de empresa. Claro que criam postos de trabalho, mas nunca na proporção daquilo que facturam e lucram.
Temos uma classe empresarial que ainda vê nos sindicatos e nos trabalhadores uma corja de malandros e que se justifica permanentemente com a lei do trabalho que acham incapaz de permitir o desenvolvimento. Ora, as empresas que trabalham, produzem e criam laços de fraternidade com os seus trabalhadores, acabam por ser aquelas cujos donos são pessoas que mantêm há anos uma relação de proximidade com os seus colaboradores. E não vejo estes patrões queixarem-se. Nunca vi o Comendador Nabeiro protestar com a lei laboral ou vir dizer que os seus trabalhadores não trabalham. Pelo contrário. Ele paga acima da média, dá imensas benesses sociais e tem uma vasta obra de ajuda solidária fora da empresa. E quem lá trabalha fá-lo com gosto.
O sucesso da Auto-Europa é semelhante. A empresa aumentou 40% a produição durante este ano, mas no ano passado no auge da crise automóvel houve um entendimento pacifico com o sindicato e a comissão de trabalhadores, no sentido de reduzir ordenados e estipular um banco de horas.
Podia dar muitos outros exemplos, um mesmo perto de mim, mas que não vou citar para não dar ar de "graxa ao patrão".
Isto a propósito da recusa que ontem Américo Amorim deu em poder vir a ajudar Portugal nesta crise, ao contrário dos maiores patrões franceses. Amorim fez aliás há 2 anos uma coisa extraordinária: perante a ameaça da crise ele despediu 160 trabalhadores por razões de prudência.
O patronato não tem de ser a Santa Casa da Misericórdia, por isso vai para lá Santana Lopes, mas que tem de ter uma forte responsabilidade social, que ninguém duvide disso. As empresas só têm razão de existir se forem uma forma de a sociedade se desenvolver e se com o seu sucesso poder haver uma qualidade de vida para os seus trabalhadores que não deve ser o Estado a pagar.
Porque isto de se ser capitalista também tem duas faces. Uma a do lucro, a outra da responsabilidade social. Se assim não for passamos a viver na maior das selvejarias. O sonho destes neo-liberais que tomaram o Poder de assalto em nome de uma grande mentira.
segunda-feira, agosto 08, 2011
Passos foi de férias para o Portugal dos pequeninos.
PPCoelho também já usa o Facebook para comunicar com os cidadãos.Porventura contagiado por Cavaco. Mas a mensagem deixada por PPC antes de ir de férias não deixa de ser curiosa. E analisada à lupa por um sociólogo de bancada como eudeixa perceber o seguinte: vai de férias curtas e pede desculpa à família por não ter mais tempo para ela, mas ac rescenta que são nas coisas simples que melhor encontramos a felicidade. Depois avisa os contribuintes que vão ter que continuar a vergar a mola, mas deixa uma promessa de pagador: um dia nada será como agora,caso tenhamos pachôrra para este elenco governativo e fé numa Europa em implusão. Mas há outra nuance: afinal a conjuntura externa é madrasta e a culpa já não é daquele engenheiro de domingo. Enfim: pobres, sacrificados mas podendo ser felizes com pouco. Salazar volta, estás perdoado!.
quinta-feira, julho 14, 2011
Um endireita a dar os primeiros passos
Ninguém deve dar demasiada importância pelo facto do jovem governo ter ou não ter um elenco de notáveis ou de ter um Primeiro mais ou menos experiente. Isto porque os chefinhos fazem parte da nossa infeliz cultura de excelência e porque, tirando os totós que acreditam no Pai Natal, um governo europeu trabalha em função das regras de Bruxelas. Portanto: termos um chefe de governo extraordinário nesta conjuntura até podia atrapalhar. Por vezes os endireitas resolvem problemas que os médicos não conseguem. Temos um endireita, embora em início de actividade, que está a dar os primeiros passos ainda amparado pela família, amigos e uns opositores em fase de reorganização de tropas.
Pelo que vi a dois metros de distância, e durante largos minutos, na Festa dos Tabuleiros em Tomar, o eleito primeiro-ministro mantém um ar simpático, vê-se nele um esforço para agradar a todos que o cumprimentam, desfaz-se em beijinhos, autógrafos, posa com uma moçoila e pergunta para que máquina fotográfica deve olhar, beija a mulher sem que os fotógrafos tenham tempo de disparar, não larga as mãos dela....enfim: temos ali um misto de Cavaco em família com um Guterres afável. Até os seguranças se mantêm à distância, e quando é preciso enxotar os chatos dos fotógrafos, são dois tomarenses fardados com trajes da festa que empurram os jornalistas e dizem que têm de se afastar. Coelho sorri para o lado e volta a fazer mais um comentário para o seu "compagnon" de Juventude, o Relvas claro.
Mas há sempre o outro lado das figuras públicas. E quando horas depois chega ao Conselho Nacional do seu partido, e desabafa dizendo que afinal as contas públicas estão um descalabro, mesmo depois do relatório semestral do Banco de Portugal, atirando para a praça pública mais uma suspeição sobre a sustentabilidade financeira do país, parece coisa de endireita mal preparado. Quer dizer: sorri para o doente e de seguida torce-lhe o braço, antes de lhe partir o pescoço.
Este tique de atirar nos próprios pés, tão usado por Cavaco (e outros endireitas desastrosos), só servem para afundar mais o país, dando uma imagem nefasta para o exterior.
Depois da ira cxolectiva contra as agências de rating ( parecia Portugal a apoiar Timor!) sabendo todos nós (os que não acreditamos no Pai Natal) que o que está em jogo, ou seja: a recuperação económica e financeira do país, não vai ser possível com o montante negociado com a troika, nem com aqueles juros, nem com a recessão consequente, nem com a impossibilidade de reduzir o deficit público, já que o 95% do orçamento do Estado corresponde a encargos fixos( foi o que disse a economista Teodora) e que reduzidos, lançarão ainda mais o país numa maior recessão, ou seja: mais desemprego, depressão, destruição da já enfezada economia.
Portanto: a Moodies sabe do que fala. Embora, e aqui é que entra o cinismo político de Cavaco, tenham sido os ataques das agências que levaram muito os países periféricos à perda de confiança pelos mercados, e que agora esse cancro já esteja alastrado a outros países, que pareciam a salvo, América incluída.
Antes de ontem os juros da Espanha chegaram quase aos 7% e a França nunca pagou tanto de juros como o teve fazer ontem. Sarkozy começa a escorregar pelo plano inclinado.
Governar com tiques de oposição é péssimo. E assim a estabilidade, mesmo podre e forçada, não vai durar muito. Passos não pode dar passos maior do que a perna. Não está já na oposição. Está no governo. Que assuma isso. Meta-se no avião em executiva, largue os seguranças contra os jornalistas, deixe-se de ares de marido romântico em público, puxe da voz grossa e trabalhe. Deixe-se de entretantos e vá aos finalmentes. Irra, nunca aprendem!
Pelo que vi a dois metros de distância, e durante largos minutos, na Festa dos Tabuleiros em Tomar, o eleito primeiro-ministro mantém um ar simpático, vê-se nele um esforço para agradar a todos que o cumprimentam, desfaz-se em beijinhos, autógrafos, posa com uma moçoila e pergunta para que máquina fotográfica deve olhar, beija a mulher sem que os fotógrafos tenham tempo de disparar, não larga as mãos dela....enfim: temos ali um misto de Cavaco em família com um Guterres afável. Até os seguranças se mantêm à distância, e quando é preciso enxotar os chatos dos fotógrafos, são dois tomarenses fardados com trajes da festa que empurram os jornalistas e dizem que têm de se afastar. Coelho sorri para o lado e volta a fazer mais um comentário para o seu "compagnon" de Juventude, o Relvas claro.
Mas há sempre o outro lado das figuras públicas. E quando horas depois chega ao Conselho Nacional do seu partido, e desabafa dizendo que afinal as contas públicas estão um descalabro, mesmo depois do relatório semestral do Banco de Portugal, atirando para a praça pública mais uma suspeição sobre a sustentabilidade financeira do país, parece coisa de endireita mal preparado. Quer dizer: sorri para o doente e de seguida torce-lhe o braço, antes de lhe partir o pescoço.
Este tique de atirar nos próprios pés, tão usado por Cavaco (e outros endireitas desastrosos), só servem para afundar mais o país, dando uma imagem nefasta para o exterior.
Depois da ira cxolectiva contra as agências de rating ( parecia Portugal a apoiar Timor!) sabendo todos nós (os que não acreditamos no Pai Natal) que o que está em jogo, ou seja: a recuperação económica e financeira do país, não vai ser possível com o montante negociado com a troika, nem com aqueles juros, nem com a recessão consequente, nem com a impossibilidade de reduzir o deficit público, já que o 95% do orçamento do Estado corresponde a encargos fixos( foi o que disse a economista Teodora) e que reduzidos, lançarão ainda mais o país numa maior recessão, ou seja: mais desemprego, depressão, destruição da já enfezada economia.
Portanto: a Moodies sabe do que fala. Embora, e aqui é que entra o cinismo político de Cavaco, tenham sido os ataques das agências que levaram muito os países periféricos à perda de confiança pelos mercados, e que agora esse cancro já esteja alastrado a outros países, que pareciam a salvo, América incluída.
Antes de ontem os juros da Espanha chegaram quase aos 7% e a França nunca pagou tanto de juros como o teve fazer ontem. Sarkozy começa a escorregar pelo plano inclinado.
Governar com tiques de oposição é péssimo. E assim a estabilidade, mesmo podre e forçada, não vai durar muito. Passos não pode dar passos maior do que a perna. Não está já na oposição. Está no governo. Que assuma isso. Meta-se no avião em executiva, largue os seguranças contra os jornalistas, deixe-se de ares de marido romântico em público, puxe da voz grossa e trabalhe. Deixe-se de entretantos e vá aos finalmentes. Irra, nunca aprendem!
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terça-feira, junho 21, 2011
Nobre enlatado é vitória da política.
Nobre foi derrotado, foi bem feito, e foi uma grande vitória para o prestígio do Parlamento, a sede da democracia. Mesmo que esta não seja o que devia, mas é ainda o que nos resta de uma sociedade dos cidadãos.
Foi também a primeira de uma grande série de derrotas que se adivinham a Passos Coelho, cuja subida ao Poder se deveu a uma série de habilidades e oportunismos políticos, como todos sabemos. A vitória da conjuntura e da estratégia, contra a responsabilidade.
Fernando Nobre nas presidenciais já tinha sido uma campanha política entre o patético, o populista e o narcisismo levado ao grau paranóico.
O médico que se notabilizou pela acção frente à AMI, onde soube cultivar muito bem a relação com jornalistas que sempre o publicitaram e apoiaram, achou que devia ser o candidato contra os políticos, a política e o sistema democrático. Balançando entre a amizade e o apoio ao Bloco de Esquerda, dando o braço a Mário Soares e a Sócrates, usando um discurso de taxista tagarela, Nobre acabou por ter um resultado pífio, um número que, como muito bem dizia ontem Medeiros Ferreira na TVI, teve Pinheiro de Azevedo deitado numa cama de hospital.
O que é chocante nisto tudo é um partido que vive de clientela, caciques e barões, ter escolhido um cromo destes para cabeça de lista por Lisboa, e que o líder lhe tenha prometido o improvável: que o "independente", o anti-partidos, o anti-políticos, fosse eleito presidente do Parlamento, para dirigir aqueles que disse contestar.
O caroço dentro do bolo seria Cavaco Silva ter a substituí-lo em caso de ausência e no lugar hierárquico a seguir ao seu, o rival na campanha mais problemático. Também era uma afronta ao PR, mas isso até dava gôzo.
Só o desprezo pela ideia da democracia, só a jogatana política, o oportunismo e o chico-espertismo, pode justificar esta coisa que foi o caso Nobre.
É a primeira derrota de Passos, mas mais do que isso: é um mau presságio para outras salsicharias que se adivinham na governação. Esta derrota demonstra falta de experiência política, aventureirismo, desprezo pelo parlamento, pelo partido da coligação, que nem foi ouvido nem achado para apoiar uma figura caricata da política.
Se num caso tão óbvio Passos deu o passo em falso, o que fará em situações para as quais vai ser preciso sangue frio, ponderação, rapidez e capacidade para dialogar e conseguir consensos?
Ontem na SIC-N o ainda secretário-geral do PSD, debitava como um corta-relvas falante, e sem ser interrompido por Mário Crespo, dizia que se tinha perdido uma oportunidade para eleger um independente para presidente da AR. Desculpem!...ouvi bem? Ser independente passou a ser agora um atestado de capacidade, honestidade e de bom candidato a lugares públicos? Um independente para mandar nos eleitos pelos partidos? Parece que aquela escola básica de Cavaco pegou. Dizer-se que não se é político factura.
E os portuguesinhos, mais preocupados com a vidinha do que com o destino comum, suspiram entre bitaites e concursos de gordos.
Foi também a primeira de uma grande série de derrotas que se adivinham a Passos Coelho, cuja subida ao Poder se deveu a uma série de habilidades e oportunismos políticos, como todos sabemos. A vitória da conjuntura e da estratégia, contra a responsabilidade.
Fernando Nobre nas presidenciais já tinha sido uma campanha política entre o patético, o populista e o narcisismo levado ao grau paranóico.
O médico que se notabilizou pela acção frente à AMI, onde soube cultivar muito bem a relação com jornalistas que sempre o publicitaram e apoiaram, achou que devia ser o candidato contra os políticos, a política e o sistema democrático. Balançando entre a amizade e o apoio ao Bloco de Esquerda, dando o braço a Mário Soares e a Sócrates, usando um discurso de taxista tagarela, Nobre acabou por ter um resultado pífio, um número que, como muito bem dizia ontem Medeiros Ferreira na TVI, teve Pinheiro de Azevedo deitado numa cama de hospital.
O que é chocante nisto tudo é um partido que vive de clientela, caciques e barões, ter escolhido um cromo destes para cabeça de lista por Lisboa, e que o líder lhe tenha prometido o improvável: que o "independente", o anti-partidos, o anti-políticos, fosse eleito presidente do Parlamento, para dirigir aqueles que disse contestar.
O caroço dentro do bolo seria Cavaco Silva ter a substituí-lo em caso de ausência e no lugar hierárquico a seguir ao seu, o rival na campanha mais problemático. Também era uma afronta ao PR, mas isso até dava gôzo.
Só o desprezo pela ideia da democracia, só a jogatana política, o oportunismo e o chico-espertismo, pode justificar esta coisa que foi o caso Nobre.
É a primeira derrota de Passos, mas mais do que isso: é um mau presságio para outras salsicharias que se adivinham na governação. Esta derrota demonstra falta de experiência política, aventureirismo, desprezo pelo parlamento, pelo partido da coligação, que nem foi ouvido nem achado para apoiar uma figura caricata da política.
Se num caso tão óbvio Passos deu o passo em falso, o que fará em situações para as quais vai ser preciso sangue frio, ponderação, rapidez e capacidade para dialogar e conseguir consensos?
Ontem na SIC-N o ainda secretário-geral do PSD, debitava como um corta-relvas falante, e sem ser interrompido por Mário Crespo, dizia que se tinha perdido uma oportunidade para eleger um independente para presidente da AR. Desculpem!...ouvi bem? Ser independente passou a ser agora um atestado de capacidade, honestidade e de bom candidato a lugares públicos? Um independente para mandar nos eleitos pelos partidos? Parece que aquela escola básica de Cavaco pegou. Dizer-se que não se é político factura.
E os portuguesinhos, mais preocupados com a vidinha do que com o destino comum, suspiram entre bitaites e concursos de gordos.
sábado, junho 18, 2011
Estreia anunciada com elenco de segunda
Afinal não é um elenco de luxo numa baixa produção de grande génio.
O filme tem o elenco reduzido, há actores que se desdobram em vários personagens, o realizador é um estreante. Nunca rodou sequer uma curta-metragem, nunca dirigiu actores, ninguém ouviu falar dele em Cannes. Trabalhou como ajudante de um padrinho, depois de ter dirigido um clube de putos que existia para serem um dia alguém na vida, sem trabalhar.
O público estava à espera de um elenco arrebatador. De Luxe. Um elenco capaz de destronar a longa metragem que estreara 6 anos antes e que se tinha revelado chata na história, incapaz de um happy end e cujos actores eram mais interessantes com as suas histórias privadas do que com os seus desempenhos na tela.
Portanto, quando a passadeira vermelha foi estendida, e o realizador a atravessou de passos largos, o corpo meio desajeitado, olhar de lado para não ter de responder aos jornalistas, e se sentou frente ao grande Óscar, os fãs pararam, ansiando que do bolso do jovem cavaleiro ganhador, saíssem os nomes que iriam salvar o futuro do cinema nacional.
No Palácio as aves calaram-se, os reposteiros taparam o Sol, e os peixes dos lagos sustiveram a respiração. Onze segundos bastaram, o tempo que foi preciso para pronunciar os onze nomes do grande elenco, para um burua se ter instalado por todo o lado.
O casting era no mínimo original. Havia uma actriz das Teias da Lei a fazer de camponesa, um actor da Liberdade XXI a comandar o exército, um actor obscuro que era muito bom a dar aulas algures do outro lado do Atlântico. O elenco era ainda composto por um veterano do jornalismo, especialista em títulos e sound-bites, um escritor talentoso mas canastrão, um especialista em sistemas informáticos a fazer de médico-mór e um génio da ciência, embora também pouco dado a representações.
Resta agora saber como vai acabar todo este enredo.
O filme tem o elenco reduzido, há actores que se desdobram em vários personagens, o realizador é um estreante. Nunca rodou sequer uma curta-metragem, nunca dirigiu actores, ninguém ouviu falar dele em Cannes. Trabalhou como ajudante de um padrinho, depois de ter dirigido um clube de putos que existia para serem um dia alguém na vida, sem trabalhar.
O público estava à espera de um elenco arrebatador. De Luxe. Um elenco capaz de destronar a longa metragem que estreara 6 anos antes e que se tinha revelado chata na história, incapaz de um happy end e cujos actores eram mais interessantes com as suas histórias privadas do que com os seus desempenhos na tela.
Portanto, quando a passadeira vermelha foi estendida, e o realizador a atravessou de passos largos, o corpo meio desajeitado, olhar de lado para não ter de responder aos jornalistas, e se sentou frente ao grande Óscar, os fãs pararam, ansiando que do bolso do jovem cavaleiro ganhador, saíssem os nomes que iriam salvar o futuro do cinema nacional.
No Palácio as aves calaram-se, os reposteiros taparam o Sol, e os peixes dos lagos sustiveram a respiração. Onze segundos bastaram, o tempo que foi preciso para pronunciar os onze nomes do grande elenco, para um burua se ter instalado por todo o lado.
O casting era no mínimo original. Havia uma actriz das Teias da Lei a fazer de camponesa, um actor da Liberdade XXI a comandar o exército, um actor obscuro que era muito bom a dar aulas algures do outro lado do Atlântico. O elenco era ainda composto por um veterano do jornalismo, especialista em títulos e sound-bites, um escritor talentoso mas canastrão, um especialista em sistemas informáticos a fazer de médico-mór e um génio da ciência, embora também pouco dado a representações.
Resta agora saber como vai acabar todo este enredo.
segunda-feira, junho 06, 2011
Sócrates na despedida:"Fui muito feliz convosco!".
foto de Luiz Carvalho
Resisti a escrever este post. Tenho imenso trabalho e estou cansado. Mas penso que o devo fazer. Assisti ontem à noite, a dois metros de distância, à queda de um político que teve um raro protagonismo nos últimos anos em Portugal. Um político controverso, com o mau feitio inerente ao signo virgem (!) mas um alguém que mudou muito Portugal. Para o pior, mas também para muito melhor.
A política não é um homem. É ele e as suas circunstâncias, como diria Gasset. As circunstâncias de Sócrates nem sempre lhe foram muito favoráveis, embora a sua teimosia o tenha feito andar para a frente e resistir a campanhas caluniosas, a críticas justas e a vitórias toleradas.
Sócrates representava há 6 anos uma lufada de ar fresco na política. Um político com menos carga ideológica ( ao ponto de Soares se ter referido a ele como um político de plástico), com vontade de mudar e de mexer em interesses instalados. Com maioria absoluta, com obstinação, entrou a matar.
Logo na noite da vitória avisou as farmácias para o lobby intolerável que representam em Portugal.
Vimos como perdeu face a esta corporação.
Depois quis pôr na ordem os professores que achavam que deviam avaliar, mas não ser avaliados, os juízes que achavam que deviam ser um Estado dentro do Estado.
Mexeu na Saúde encerrando centros de saúde obsoletos e sobrepostos e maternidades sem condições, investiu na energia renovável (um caso raro de sucesso no Mundo), aplicou um plano de modernização da administração pública com a empresa na hora ( eu que usei esse serviço fiquei espantado com a eficácia), o simplex permitiu o inicio da utilização da internet na relação com o Estado (pagamentos online de impostos, certidões etc), o programa Magalhães vai ficar para a História como uma iniciativa notável (embora eu embirre com o sistema windows).
As nossas infraestruturas rodoviárias são excelentes, o interior tem hoje condições raras de conforto ao nível de estruturas sociais e culturais. Foi caro? Pois foi. Foi a crédito? Pois foi. Tal como foi a crédito barato as casas que comprámos, os carros, a segunda casa, as férias, os seguros de saúde, as escolas particulares para os nossos meninos. O paradigma desde o final dos anos 80, introduzido com Cavaco e os neo-liberais, foi gastar com crédito, passar à reforma os séniores, investir na mão de obra barata, a troco de um consumismo alienante.
Com Sócrates tivemos leis de grande alcance social e que mudaram de vez a nossa vida. O casamento entre pessoas do mesmo sexo, a lei do divórcio e do aborto. Só estas 3 leis são por si de um alcance cultural único. Histórico. Foi a ruptura com a padrelhada, os reacionários, os beatos hipócritas. Foi a afirmação de uma sociedade moderna a olhar para a frente, tal como o era a construção do TGV, pago em grande parte pelos fundos comunitários, e que no tempo de Durão Barroso, quando Ferreira Leite dizia que não havia dinheiro para nada, aprovou 6 linhas de TGV. SEIS! Quem se lembra disso? Ninguém.
O calor nos miolos dos abstencionistas, durante os dias calaceiros de praia, formata-lhes a memória!
Muitas vezes escrevi neste blogue contra Sócrates. Teve atitudes lamentáveis, chegou a ser mal educado comigo em plena campanha eleitoral de há dois anos, fila certas pessoas e não desarma, vai até ao fim do mundo atrás de um inimigo. Mas espremendo agora esses pormenores de mau feitio, a verdade é que nunca se provou nada em tribunal contra ele. Nem fora dos tribunais se pôde alguma vez dizer, por exemplo, que tivesse ganho 200 mil euros em acções que nunca se tenha sabido como foram pagas. Se as campanhas já foram o que foram imagine-se se houvesse móbil para agir!
Não esqueçamos que a frase de Sócrates que terá dito em privado e que foi soprada para o exterior que "temos de dobrar a espinha aos juízes" acabou por lhe ser fatal.
Sabemos como surgiu o Caso Freeport e quem são os nomes da pior gente do PSD que o despoletou. E sabemos bem como a imprensa é dura com os que a confrontam e suave com quem sabe fazer a coisa bem feita.
Houve três ocasiões em que estive próximo de Sócrates e me deixou impressionado. Uma, era ele ministro do ambiente, e num dia sem carros, tivemos uma discussão a bordo de um autocarro eléctrico em que ele defendia a cidade sem carros e eu lhe dizia que isso era morte das cidades. Achei notável um ministro discutir com tanta energia um tema desses com um fotógrafo armado em comentador. Por acaso no final desse dia ia eu no meu BMW, paro num semáforo e ele ia a atravessar. Viu-me e disse:"pois, pois! Já o compreendi!".
Noutra ocasião estive a fotografá-lo nos jardins de S.Bento antes de uma entrevista para o Expresso à Cândida Pinto. Passeávamos os dois à procura de um local para um retrato. Na véspera tinha sido o referendo ao aborto. Perguntei-lhe como se sentia. "Feliz por termos vencido os preconceitos da igreja e dos padres. Mas o que eu mais queria agora era ir 15 dias de férias com os meus filhos. Só isso!".
A última ocasião em que me comoveu foi ontem. Eu estava a dois metros dele. Vi como continha as lágrimas, como resistiu às perguntas provocatórias, vi como usava a frieza para controlar a emoção.
A política é das actividades humanas mais ingratas. O exercício do Poder traz sempre no fim uma pesada factura de desprezo e ingratidão. Mais ainda em política. Fez um discurso de grande elevação.
Quando saiu do Hotel Altis, a mesma saída que já deu grandes vitórias e grandes derrotas a muita gente, caminhou sorridente para o carro. Uns populares gritaram-lhe: "Obrigado, muito obrigado por tudo o que fez por nós!". Ele entrou no carro, ainda olhou antes da porta se fechar, umas mãos vindas não sei de onde apertaram as suas com força e eu disparei com a minha Canon, nervosa. Ainda ouvi as suas últimas palavras:"Obrigado eu. Fui muito feliz convosco!".
quinta-feira, maio 19, 2011
Quem matou Portugal
Nas últimas semanas tenho viajado em trabalho pelo Portugal profundo. E o que se vê é um país maravilhoso, diverso na paisagem, nas gentes, com um clima acolhedor. Em todo o lado sentimos uma cultura ancestral evocada na arquitectura, no falar, nos sabores. Conheço muitos países e não conheço outro com tanta personalidade e diversidade.
Mas quando entramos nas aldeias transmontanas, nas cidades do interior, ou quando molhamos inadvertidamente os pés pela subida discreta das águas salgadas da Ria de Aveiro, ou quando atravessamos o coração da velha Marinha Grande, o que sentimos é tudo o que descrevi e um abandono dramático. Sentimos que houve um país forte que trabalhava e que alguém decidiu amputar, desprezando a agricultura, o Mar, a paisagem e sobretudo toda aquela gente que por ali vive e que foi deixada à sua sorte. Vemos os restos de um país e rostos que agora resistem ao tempo e à memória.
isto não é neo-realismo. É a realidade. Porque não se reestruturaram a tempo as fábricas da Marinha Grande, porque não pensámos em exportar o que é nosso e genuíno, porque matámos a criatividade? Porque não soubemos evoluir, fazer uma ponte entre o passado e os desafios do futuro.
Abandonámos o que fazíamos bem por um punhado de euros, de projectos de novos-ricos, desprezámos o valor do trabalho manual em prol de tecnologias do momento que passados poucos anos ficaram obsoletas. A Marinha Grande com as suas fábricas de moldes falidas ou a indústria do vidro, mesmo as fábricas novas, em declínio total.
Quando visitamos o Mercado do Bulhão percebe-se como se pode matar algo de extraordinário que ali havia. A Câmara do Porto começou por tornar impossível estacionar na zona. Logo os clientes preferem ir aos supermercados onde se estaciona de borla. Depois deixou desmoronar aos poucos o edifício. O que seria resolúvel com umas pequenas obras, tornou-se impossível com a degradação e a falta de clientes, tirando umas aventesmas de turistas ridículos de máquina fotográfica e que não consomem. Compare-se o mercado das Ramblas em Barcelona, da mesma época, e compreende-se como nós temos um especial jeitinho para a destruição.
Um país que, na verdade, merecia muito melhor. O problema não é o Sócrates. Também é, mas é sobretudo esta casta de medíocres que nos governam há anos, nos vários níveis de poderes e poderzinhos.
Mas quando entramos nas aldeias transmontanas, nas cidades do interior, ou quando molhamos inadvertidamente os pés pela subida discreta das águas salgadas da Ria de Aveiro, ou quando atravessamos o coração da velha Marinha Grande, o que sentimos é tudo o que descrevi e um abandono dramático. Sentimos que houve um país forte que trabalhava e que alguém decidiu amputar, desprezando a agricultura, o Mar, a paisagem e sobretudo toda aquela gente que por ali vive e que foi deixada à sua sorte. Vemos os restos de um país e rostos que agora resistem ao tempo e à memória.
isto não é neo-realismo. É a realidade. Porque não se reestruturaram a tempo as fábricas da Marinha Grande, porque não pensámos em exportar o que é nosso e genuíno, porque matámos a criatividade? Porque não soubemos evoluir, fazer uma ponte entre o passado e os desafios do futuro.
Abandonámos o que fazíamos bem por um punhado de euros, de projectos de novos-ricos, desprezámos o valor do trabalho manual em prol de tecnologias do momento que passados poucos anos ficaram obsoletas. A Marinha Grande com as suas fábricas de moldes falidas ou a indústria do vidro, mesmo as fábricas novas, em declínio total.
Quando visitamos o Mercado do Bulhão percebe-se como se pode matar algo de extraordinário que ali havia. A Câmara do Porto começou por tornar impossível estacionar na zona. Logo os clientes preferem ir aos supermercados onde se estaciona de borla. Depois deixou desmoronar aos poucos o edifício. O que seria resolúvel com umas pequenas obras, tornou-se impossível com a degradação e a falta de clientes, tirando umas aventesmas de turistas ridículos de máquina fotográfica e que não consomem. Compare-se o mercado das Ramblas em Barcelona, da mesma época, e compreende-se como nós temos um especial jeitinho para a destruição.
Um país que, na verdade, merecia muito melhor. O problema não é o Sócrates. Também é, mas é sobretudo esta casta de medíocres que nos governam há anos, nos vários níveis de poderes e poderzinhos.
domingo, maio 15, 2011
Sócrates. Nem contigo nem sem ti.
O reformado Catroga, uma das múmias do cavaquismo em letargia, gizou um chamado programa de governo do PSD, que mais não é do que um rol de intenções economicistas neo-liberais, foi prestar vassalagem aos enviados cobradores do fraque, mandou uns palavrões de camionista na SIC, evocou o nome de Hitler em vão e... foi de férias. Mesmo reformado, e bem reformado graças a uma Segurança Social que ele contesta, fugiu para a Coelha, o tal condomínio algarvio que se tornou num ícone de protagonistas de BPN e tudo à volta. Abandonou o Coelho e foi para a Coelha:)
Tudo isto seria patético se o país não estivesse numa viagem sem regresso ao fundo de uma sociedade que nada terá a ver com aquela que a Europa democrática do pós-guerra sonhou e que nos atraiu para ela, em meados dos anos 80. E que fez com que posteriormente tivesse havido 25 de Abril.
Muito simplesmente: o povo europeu quer viver com qualidade numa sociedade que respeite quem trabalhe,que promova a igualdade de oportunidades. Uma sociedade onde o ensino público, a saúde para todos, a justiça, a segurança e a tranquilidade na velhice sejam os seus pilares.
Ora, tudo isto são aspectos que o radicalismo deste PSD põem em causa. O PSD não quer só ganhar as eleições. Quer um golpe de Estado ganho na secretaria, aproveitando o Estado de Sítio que o FMI e a Europa liderada por Merkl estão a impor aos países periféricos, apanhados no arrastão da crise financeira, provocada por eles e pela ganância.
O PSD não se contenta com as medidas demolidoras impostas pelo FMI. O PSD quer mais sangue, mais terramoto social.
Quer privatizar a televisão pública ( uma ideia de jerico que não existe na Europa), quer por os doentes a pagarem mais nos hospitais, quer o ensino privado a ser pago (ainda mais!) pelos contribuintes e quer afundar a Segurança Social mexendo na contribuição das empresas, que está a meio da tabela dos outros países europeus. Quer ainda mexer mais no código laboral, cavando mais fundo do que os credores da Troika, não deixando uma margem de sobrevivência para quem vai ficar desempregado e sem recursos nem de subsistência, nem de trabalho alternativo.
É um total bota-abaixismo, ainda por cima praticado por um líder medíocre, sem experiência governativa de qualquer espécie (nem de uma junta de freguesia), sem uma equipa coesa, sem controle verbal nos incontinentes da fala que o rodeiam. O que este PSD vem propor é um governo de vingadores do Estado Social, do progresso na saúde, na educação (uma área em que as reformas do PS foram sistematicamente boicotadas) e na obra pública feita que aproximou Portugal da Europa avançada.
Um grupo de revanchistas, de reformados do cavaquismo, de candidatos a situacionistas que vêem agora a oportunidade de singrarem na política. Comentadores de TV a quererem ser deputados, intelectuais a porem de lado um portfolio de ideias para se entregarem num discurso á la Relvas.
O problema não seria o PSD ganhar. Até seria bom uma renovação de Sócrates, desejável mesmo. Mas a velha frase dos amantes desavindos faz aqui todo o sentido, quando aplicada ao engenheiro das sete vidas. Com gente desta: nem contigo nem sem ti!
Tudo isto seria patético se o país não estivesse numa viagem sem regresso ao fundo de uma sociedade que nada terá a ver com aquela que a Europa democrática do pós-guerra sonhou e que nos atraiu para ela, em meados dos anos 80. E que fez com que posteriormente tivesse havido 25 de Abril.
Muito simplesmente: o povo europeu quer viver com qualidade numa sociedade que respeite quem trabalhe,que promova a igualdade de oportunidades. Uma sociedade onde o ensino público, a saúde para todos, a justiça, a segurança e a tranquilidade na velhice sejam os seus pilares.
Ora, tudo isto são aspectos que o radicalismo deste PSD põem em causa. O PSD não quer só ganhar as eleições. Quer um golpe de Estado ganho na secretaria, aproveitando o Estado de Sítio que o FMI e a Europa liderada por Merkl estão a impor aos países periféricos, apanhados no arrastão da crise financeira, provocada por eles e pela ganância.
O PSD não se contenta com as medidas demolidoras impostas pelo FMI. O PSD quer mais sangue, mais terramoto social.
Quer privatizar a televisão pública ( uma ideia de jerico que não existe na Europa), quer por os doentes a pagarem mais nos hospitais, quer o ensino privado a ser pago (ainda mais!) pelos contribuintes e quer afundar a Segurança Social mexendo na contribuição das empresas, que está a meio da tabela dos outros países europeus. Quer ainda mexer mais no código laboral, cavando mais fundo do que os credores da Troika, não deixando uma margem de sobrevivência para quem vai ficar desempregado e sem recursos nem de subsistência, nem de trabalho alternativo.
É um total bota-abaixismo, ainda por cima praticado por um líder medíocre, sem experiência governativa de qualquer espécie (nem de uma junta de freguesia), sem uma equipa coesa, sem controle verbal nos incontinentes da fala que o rodeiam. O que este PSD vem propor é um governo de vingadores do Estado Social, do progresso na saúde, na educação (uma área em que as reformas do PS foram sistematicamente boicotadas) e na obra pública feita que aproximou Portugal da Europa avançada.
Um grupo de revanchistas, de reformados do cavaquismo, de candidatos a situacionistas que vêem agora a oportunidade de singrarem na política. Comentadores de TV a quererem ser deputados, intelectuais a porem de lado um portfolio de ideias para se entregarem num discurso á la Relvas.
O problema não seria o PSD ganhar. Até seria bom uma renovação de Sócrates, desejável mesmo. Mas a velha frase dos amantes desavindos faz aqui todo o sentido, quando aplicada ao engenheiro das sete vidas. Com gente desta: nem contigo nem sem ti!
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terça-feira, maio 03, 2011
A morte de Bin Laden
A MORTE VIRTUAL DE BIN LADEN
Afinal o homem mais procurado do Mundo estava ali ao virar da esquina de uma esquadra militar paquistanesa. E, ao contrário do que faziam crer os cérebros americanos, o Bin não estava nas montanhas rochosas, dentro de uma gruta, mas numa greta de um prédio horrendo de subúrbio.
Acontece quase sempre assim quando procuramos a tal agulha no palheiro: está quase a picar-nos os pés mas nós olhamos para o fundo, onde já nada se vislumbra.
A operação americana ia falhando, porque um helicóptero começou a deitar fumo e o mais divertido da história é que um fanático do twitter estava a escrever aquilo em directo sem saber que se tratava da limpeza ao sarampo do terrorista façanhudo. A história é toda ela duvidosa, mas tem alguma verossimilhança. Um guionista de Hollyood faria melhor mas um que estivesse a escrever uma telenovela lusa não seria tão trapalhão.
Claro que falta o material para atestar a operação "há fumo ao lado da esquadra" ou como um bloguer fez de repórter da História julgando que estava a descrever um acidente aéreo.
Com o desaparecimento virtual do bandido, sim porque do corpo parece que foi lançado aos crocodilos ou tubarões, vai ficar sempre a pairar a dúvida se ele foi mesmo limpo, se já o tinha sido ou se se tratava de um sósia que não tinha conseguido entrar naquele concurso da Easy-jet.
Já agora uma foto VERDADEIRA dava alguma credibilidade à operação, embora já circulem umas fotos pela net, bem photoshopadas, que nos fazem arrepiar de medo.
Fernando Nobre afinal...não entregou ainda a declaração do IRS.
O cabeça PSD por Lisboa, ou seja Fernando Nobre, disse hoje que não ganha o balúrdio que foi divulgado porque nem sequer ainda declarou o IRS de 2010. Mas podia ter adiantado quanto ganhou em 2009, pois a diferença não deve ser grande, embora tenha rendimentos como autor. Porventura daquele livro lamentável de fotografias que publicou há tempos.
Para quem defendeu a transparência na política isto já começa mal. Quem vem para a política tem de escancarar muito da sua vida, o que é violento, sem dúvida. Mas a política é cruel e faz-se pagar caro.
Há dias escrevi por aqui que este era um tipo de política de salsicheiro. Acabei por retirar pois não há "nexexidade" e os factos são por si tão lamentáveis que basta pura e simplesmente citá-los.
Portanto, a habitual cobardia que se refugia no anonimato na net, em comentários provocadores, facilmente detectáveis através do IP dado pelo "pidesco"Technorati, no Fatal não pega. Os blogues e as redes sociais não são jornalismo, não se regem pelas regras do mesmo, são espaços de opinião pessoal e também de irreverência que não são compatíveis num espaço informativo ou mesmo de opinião num meio afim. Embora a auto-regulação seja desejável e os princípios da moral também.
Para quem defendeu a transparência na política isto já começa mal. Quem vem para a política tem de escancarar muito da sua vida, o que é violento, sem dúvida. Mas a política é cruel e faz-se pagar caro.
Há dias escrevi por aqui que este era um tipo de política de salsicheiro. Acabei por retirar pois não há "nexexidade" e os factos são por si tão lamentáveis que basta pura e simplesmente citá-los.
Portanto, a habitual cobardia que se refugia no anonimato na net, em comentários provocadores, facilmente detectáveis através do IP dado pelo "pidesco"Technorati, no Fatal não pega. Os blogues e as redes sociais não são jornalismo, não se regem pelas regras do mesmo, são espaços de opinião pessoal e também de irreverência que não são compatíveis num espaço informativo ou mesmo de opinião num meio afim. Embora a auto-regulação seja desejável e os princípios da moral também.
quinta-feira, abril 07, 2011
quarta-feira, abril 06, 2011
Gostar ou não gostar de Sócrates
Fico admirado como muita gente com cultura política, e responsabilidades sociais, continua a ver no desempenho da política uma forma de fulanização. Olham para a política como olham para um clube de futebol, sem racionalidade, sem entenderem as circunstâncias. A célebre frase de que o homem é ele e as suas circunstâncias não pode ser mais útil quando abordamos a política.
Portanto: neste momento não me parece nada que o que está em causa é o facto de Sócrates ser um convencido, arrogante, habilidoso e teimoso. Nem me parece que o que está em causa para Portugal neste momento seja o facto de ter um primeiro-ministro que desliga o telefone a directores de jornais, que acha os jornalistas uns selvagens, que usa um fotógrafo oficial que é um misto de bodyguard e modelo do Continente, ou que tenha um tio que tem imensa graça e gosta de Aston Martin. E podíamos continuar com faits-divers divertidos sobre o engenheiro que tirou o diploma a pulso de um tabelião num domingo à matinée.
O que está em causa em Portugal é só isto: os últimos 20 anos foram vividos no paradigma do crescimento sem desenvolvimento estruturado, no ardil do crédito fácil, barato, e não controlado, de uma banca especuladora e parasita, que nem apoiou sequer a indústria produtiva. Todos vivemos à custa de um facilitismo dado pelo sistema capitalista: os mercados é que mandam, e mandam que cada cidadão seja um consumidor activo. A política passou a ser feita também nesse modelo: crédito para os autarcas-caciques, para as empresas públicas e para um Estado pesado, caro e muito pouco eficiente. Um Estado de burocratas, incompetentes, de chefinhos a serem conduzidos em carros cinzentos metalizados pagos por nós.
Este modelo até funcionava, até que um dia a banca globalizada perdeu triliões com a bronca da Lemon Brothers e agora tem que ir buscar o capital perdido ao elo mais fraco: os países mais fragilizados, mais devedores e mais reféns do seu desenvolvimento anémico, também fruto dos outros países com mais capacidade de produção. E também apostam no enfraquecimento do Euro a favor do dólar, claro.
A Europa perdeu o espírito inicial de Delors outros europeístas. A solidariedade política da Alemanha virou desprezo e arrogância através de Merkl ( da família do PSD) que vê nos países limítrofes um empecilho para o seu crescimento.
Portanto: com TGV ou sem, com mais auto-estradas ou menos, com menos serviço nacional de saúde, ou com menos educação, Portugal estaria hoje numa situação muito semelhante à que está. A Irlanda era o paradigma que sabemos, a Grécia era bestial pois até nos tinha ultrapassado, a Espanha até tinha superavit, A Itália continuava na maior e a vender Ferraris, a Bélgica um oásis, a Inglaterra notável depois da ensaboadela de Tatcher e dos anos Blair... Estamos a ver que hoje estão como nós, ou piores.
E os que aceitaram o FMI não ganharam estabilidade financeira nem económica, nem estão a crescer, e não vêm luz ao fundo do túnel.
Quem agora acha que a crise política que o Cavaco, o PSD e o CDS criaram, com o conluío do PCP e do BE ( é bom não esquecer), vai acabar numas eleições clarificadoras, com os rapazes de Passos Coelho aliados aos queques do CDS, abençoados por Cavaco, ou são ingénuos ou andam a ver muitos filmes de gangsters.
O chumbo das medidas que tinham sido aceites pelos parceiros europeus, o tal PEC 4 que era 3, foi a maior golpaça que alguma vez se fez políticamente em Portugal. Foi um crime contra os portugueses e um atentado bombista aos bolsos dos contribuintes e daqueles que vivem no limiar da sobrevivência.
Em nome da ganância, do ressabiamento, da jogada política. Um golpe de Estado sem mostrar alternativas, porque as alternativas que eles vão trazer serão muito mais dolorosas e desgraçadas para o país. Medidas para que os pobres fiquem desamparados, a classe média falida e os ricos cada vez mais ricos. Fim do Serviço Nacional de Saúde para todos, fim do ensino público para todos, fim de regalias sociais como o 13º mês, mudanças ainda mais radicais nas reformas, fim do despedimento sem justa causa, fim das indemnizações por desemprego, fim do actual sistema de subsidio de desemprego, aumento do IVA e tudo o que a imaginação sanguinolenta da direita tiver.
Chamar mentiroso ao Sócrates como quem chama mentiroso ao árbitro é mesmo de quem tem da política uma visão futeboleira. Mas não é esta gentinha que anda a levar Cavaco no andor há quase 30 anos? Queriam o quê? Assobiem o Sócrates e sigam o Cavaco. O abismo está a seguir.
Portanto: neste momento não me parece nada que o que está em causa é o facto de Sócrates ser um convencido, arrogante, habilidoso e teimoso. Nem me parece que o que está em causa para Portugal neste momento seja o facto de ter um primeiro-ministro que desliga o telefone a directores de jornais, que acha os jornalistas uns selvagens, que usa um fotógrafo oficial que é um misto de bodyguard e modelo do Continente, ou que tenha um tio que tem imensa graça e gosta de Aston Martin. E podíamos continuar com faits-divers divertidos sobre o engenheiro que tirou o diploma a pulso de um tabelião num domingo à matinée.
O que está em causa em Portugal é só isto: os últimos 20 anos foram vividos no paradigma do crescimento sem desenvolvimento estruturado, no ardil do crédito fácil, barato, e não controlado, de uma banca especuladora e parasita, que nem apoiou sequer a indústria produtiva. Todos vivemos à custa de um facilitismo dado pelo sistema capitalista: os mercados é que mandam, e mandam que cada cidadão seja um consumidor activo. A política passou a ser feita também nesse modelo: crédito para os autarcas-caciques, para as empresas públicas e para um Estado pesado, caro e muito pouco eficiente. Um Estado de burocratas, incompetentes, de chefinhos a serem conduzidos em carros cinzentos metalizados pagos por nós.
Este modelo até funcionava, até que um dia a banca globalizada perdeu triliões com a bronca da Lemon Brothers e agora tem que ir buscar o capital perdido ao elo mais fraco: os países mais fragilizados, mais devedores e mais reféns do seu desenvolvimento anémico, também fruto dos outros países com mais capacidade de produção. E também apostam no enfraquecimento do Euro a favor do dólar, claro.
A Europa perdeu o espírito inicial de Delors outros europeístas. A solidariedade política da Alemanha virou desprezo e arrogância através de Merkl ( da família do PSD) que vê nos países limítrofes um empecilho para o seu crescimento.
Portanto: com TGV ou sem, com mais auto-estradas ou menos, com menos serviço nacional de saúde, ou com menos educação, Portugal estaria hoje numa situação muito semelhante à que está. A Irlanda era o paradigma que sabemos, a Grécia era bestial pois até nos tinha ultrapassado, a Espanha até tinha superavit, A Itália continuava na maior e a vender Ferraris, a Bélgica um oásis, a Inglaterra notável depois da ensaboadela de Tatcher e dos anos Blair... Estamos a ver que hoje estão como nós, ou piores.
E os que aceitaram o FMI não ganharam estabilidade financeira nem económica, nem estão a crescer, e não vêm luz ao fundo do túnel.
Quem agora acha que a crise política que o Cavaco, o PSD e o CDS criaram, com o conluío do PCP e do BE ( é bom não esquecer), vai acabar numas eleições clarificadoras, com os rapazes de Passos Coelho aliados aos queques do CDS, abençoados por Cavaco, ou são ingénuos ou andam a ver muitos filmes de gangsters.
O chumbo das medidas que tinham sido aceites pelos parceiros europeus, o tal PEC 4 que era 3, foi a maior golpaça que alguma vez se fez políticamente em Portugal. Foi um crime contra os portugueses e um atentado bombista aos bolsos dos contribuintes e daqueles que vivem no limiar da sobrevivência.
Em nome da ganância, do ressabiamento, da jogada política. Um golpe de Estado sem mostrar alternativas, porque as alternativas que eles vão trazer serão muito mais dolorosas e desgraçadas para o país. Medidas para que os pobres fiquem desamparados, a classe média falida e os ricos cada vez mais ricos. Fim do Serviço Nacional de Saúde para todos, fim do ensino público para todos, fim de regalias sociais como o 13º mês, mudanças ainda mais radicais nas reformas, fim do despedimento sem justa causa, fim das indemnizações por desemprego, fim do actual sistema de subsidio de desemprego, aumento do IVA e tudo o que a imaginação sanguinolenta da direita tiver.
Chamar mentiroso ao Sócrates como quem chama mentiroso ao árbitro é mesmo de quem tem da política uma visão futeboleira. Mas não é esta gentinha que anda a levar Cavaco no andor há quase 30 anos? Queriam o quê? Assobiem o Sócrates e sigam o Cavaco. O abismo está a seguir.
terça-feira, março 22, 2011
Fotógrafo de Sócrates faz campanha pelo Continente
O fotógrafo oficial de Sócrates passou para o outro lado da máquina e faz de modelo na campanha do Continente. por este andar ainda vamos ver Sócrates a posar armado em Gorbatchev para uma campanha de malas Luis Vitão de Paços de Ferreira!!!
Morreu Artur Agostinho
Morreu Artur Agostinho. A notícia é triste. O Artur era uma força viva da cultura portuguesa. Conseguiu atravessar um longo tempo da vida portuguesa, desde os anos 40 até hoje. Sempre a trabalhar e a fazê-lo com um talento que mais não era consequência do seu amor pela vida. Há semanas atrás numa entrevista a Judite de Sousa, confessava como gostava de viver e como seria triste ter de deixar de poder usufruir desta perfeição universal. Falou da dor que foi perder um neto e do tempo em que foi perseguyido e teve de fugir para o Brasil, logo após o 25 de Abril.
O Artur faz parte da minha memória de infância. Lembro-me de o ver ao volante de um Peugeut 403 azul, na Rua Reinaldo Ferreira, onde ele costumava ir a uma farmácia. Ele foi o verdaeiro Sr. televisão. Foi apresentador, jornalista, animador, actor. Fotografei-o há uns anos nos estúdios da NBP, quando fotografava para um livro da produtora. Era de uma dedicação profissional ímpar.
O Artur merecia de Deus um pouquinho mais de tempo de antena terreno.
O Artur faz parte da minha memória de infância. Lembro-me de o ver ao volante de um Peugeut 403 azul, na Rua Reinaldo Ferreira, onde ele costumava ir a uma farmácia. Ele foi o verdaeiro Sr. televisão. Foi apresentador, jornalista, animador, actor. Fotografei-o há uns anos nos estúdios da NBP, quando fotografava para um livro da produtora. Era de uma dedicação profissional ímpar.
O Artur merecia de Deus um pouquinho mais de tempo de antena terreno.
segunda-feira, março 14, 2011
À rasca sem causa.
Há várias panelas de pressão social a ferver em Portugal. E na Europa. O descontentamento e a frustração é geral nas gerações mais novas e há desespero incerteza e medo nas gerações dos pais e avós daqueles que se manifestaram no passado sábado um pouco por todos o país.
As razões para o estado de coisas a que tudo isto chegou são vastas e não se podem reduzir a este ou aquele nome da liderança política. Todos têm responsabilidades. Os políticos, os empresários e o povo.
Nos últimos 20 anos construímos uma sociedade assente no paradigma do consumo, do crédito e do facilitismo, quer na vida estudantil, quer no Mundo do trabalho. O início desta aventura sem regresso começou com os anos de fartura do cavaquismo, com milhões de euros a entrarem diariamente no país
(mesmo antes do euro) em forma de projectos que estavam mal estruturados, subsídios a fundos perdidos, facilidade do crédito muitas vezes quase a juros zero.
A escola tornou-se fácil, o negócio das universidades privadas e subsidiadas pelo Estado produziu milhares de licenciados analfabetos (começando pelo primeiro-ministro), cursos inúteis, ilusões de uma formação académica de bórla. Os empresários preferiram jogar na bolsa ou por a massa lá fora em aplicações de retorno fabuloso e marimbaram-se em ter empresas modernas, com vocação para exportarem e criarem sólidos empregos. Os políticos optaram pelo marketing, apagaram a ideologia dos partidos e muito pior: afastaram-se dos eleitores num tempo em que a interacção está na sociedade, começando nas redes sociais.
Os partidos envelheceram e engordaram uma casta de parasitas que vivem de tachos, empregos a termo, graxa.
As empresas desprezaram a produtividade, já que pagando pouco nunca tiveram grande urgência em racionalizar meios. As responsabilidades sociais das empresas são cada vez menos. Têm como objectivo lucros sem protagonismo social. E também é verdade que muitas empresas já não conseguem pagar 14 meses por ano a quem trabalha 11, mais impostos e descontos brutais para a segurança social.
As novas gerações marimbaram-se na política e sempre consideraram como adquiridos os direitos, a democracia. Como nunca tiveram que lutar por nada, tudo lhes foi dado de bandeja, sempre acharam que tinham direito a um emprego, carro para irem para a faculdade, dinheiro para ir às discotecas, comprarem roupa de marca e irem de férias para o estrangeiro. A ideia de trabalho, mérito e competência, nunca foi interiorizada pela juventude.
O resultado está aí. Mesmo os trabalhadores séniores caíram na maior das comodidades.
Veja-se o que aconteceu na classe dos jornalistas tradicionalmente irreverente. O sindicato passou a ter um papel irrelevante, as comissões de trabalhadores perderam todo o poder e até os conselhos de redacção ficaram vazios de poder. Quando Sócrates acabou com a Caixa dos Jornalistas, um atentado vil contra a classe, não houve ninguém a reclamar. Quando empresas como o JN despediram cento e tal jornalistas de uma forma selvagem, a repercussão foi quase nula na classe.
A forma como a entrada de estagiários e de arregimentados a recibos verdes tem invadido as redacções, transformando o jornalismo numa actividade praticada por inexperientes e assalariados com cotação mais baixa que uma mulher a dias....silêncio, ninguém tugiu nem mugiu.
Veja-se o que aconteceu no mundo da fotografia profissional. Foi invadido por putos a viverem nas casas dos pais com uns kits Canon ao ombro e a aceitarem trabalhos por preços inferiores aos de estafeta de pizas. Rebentaram o mercado, lançaram o amadorismo e nunca serão ninguém na profissão porque desceram ao nível mais rasteiro. Mas aprenderem fotografia, estudarem e fazerem um esforço por serem diferentes, raramente se vê essa atitude.
O xico-espertismo deu lugar ao saber e ao estudo. Aliás, Sócrates é o melhor exemplo do facilitismo: tirou o curso pela sorrelfa numa espécie de rifa.
Portanto: as manifestações de sábado, são o reflexo destes anos sem luta e sem consciência de classe.
Num país que acaba de reeleger um presidente que no final do mandato vai ter tantos anos de poder como o defunto Moubarak, um eleitorado abstencionista que nem se manifesta das eleições, um povo que não se manifesta como opinião pública, que não participa e que se rendeu às maravilhas que julgavam adquiridas, estavam à espera de quê? De que os paizinhos lhes arranjasse, emprego? Isso era dantes!
Sem ideologia e sem luta política não se vai a nenhum lado. Nada é dado de bandeja. E a democracia conquista-se diariamente. Em todas as frentes. na escola, no trabalho, na família, na vida. Temos de saber o que queremos e para onde queremos ir.
As razões para o estado de coisas a que tudo isto chegou são vastas e não se podem reduzir a este ou aquele nome da liderança política. Todos têm responsabilidades. Os políticos, os empresários e o povo.
Nos últimos 20 anos construímos uma sociedade assente no paradigma do consumo, do crédito e do facilitismo, quer na vida estudantil, quer no Mundo do trabalho. O início desta aventura sem regresso começou com os anos de fartura do cavaquismo, com milhões de euros a entrarem diariamente no país
(mesmo antes do euro) em forma de projectos que estavam mal estruturados, subsídios a fundos perdidos, facilidade do crédito muitas vezes quase a juros zero.
A escola tornou-se fácil, o negócio das universidades privadas e subsidiadas pelo Estado produziu milhares de licenciados analfabetos (começando pelo primeiro-ministro), cursos inúteis, ilusões de uma formação académica de bórla. Os empresários preferiram jogar na bolsa ou por a massa lá fora em aplicações de retorno fabuloso e marimbaram-se em ter empresas modernas, com vocação para exportarem e criarem sólidos empregos. Os políticos optaram pelo marketing, apagaram a ideologia dos partidos e muito pior: afastaram-se dos eleitores num tempo em que a interacção está na sociedade, começando nas redes sociais.
Os partidos envelheceram e engordaram uma casta de parasitas que vivem de tachos, empregos a termo, graxa.
As empresas desprezaram a produtividade, já que pagando pouco nunca tiveram grande urgência em racionalizar meios. As responsabilidades sociais das empresas são cada vez menos. Têm como objectivo lucros sem protagonismo social. E também é verdade que muitas empresas já não conseguem pagar 14 meses por ano a quem trabalha 11, mais impostos e descontos brutais para a segurança social.
As novas gerações marimbaram-se na política e sempre consideraram como adquiridos os direitos, a democracia. Como nunca tiveram que lutar por nada, tudo lhes foi dado de bandeja, sempre acharam que tinham direito a um emprego, carro para irem para a faculdade, dinheiro para ir às discotecas, comprarem roupa de marca e irem de férias para o estrangeiro. A ideia de trabalho, mérito e competência, nunca foi interiorizada pela juventude.
O resultado está aí. Mesmo os trabalhadores séniores caíram na maior das comodidades.
Veja-se o que aconteceu na classe dos jornalistas tradicionalmente irreverente. O sindicato passou a ter um papel irrelevante, as comissões de trabalhadores perderam todo o poder e até os conselhos de redacção ficaram vazios de poder. Quando Sócrates acabou com a Caixa dos Jornalistas, um atentado vil contra a classe, não houve ninguém a reclamar. Quando empresas como o JN despediram cento e tal jornalistas de uma forma selvagem, a repercussão foi quase nula na classe.
A forma como a entrada de estagiários e de arregimentados a recibos verdes tem invadido as redacções, transformando o jornalismo numa actividade praticada por inexperientes e assalariados com cotação mais baixa que uma mulher a dias....silêncio, ninguém tugiu nem mugiu.
Veja-se o que aconteceu no mundo da fotografia profissional. Foi invadido por putos a viverem nas casas dos pais com uns kits Canon ao ombro e a aceitarem trabalhos por preços inferiores aos de estafeta de pizas. Rebentaram o mercado, lançaram o amadorismo e nunca serão ninguém na profissão porque desceram ao nível mais rasteiro. Mas aprenderem fotografia, estudarem e fazerem um esforço por serem diferentes, raramente se vê essa atitude.
O xico-espertismo deu lugar ao saber e ao estudo. Aliás, Sócrates é o melhor exemplo do facilitismo: tirou o curso pela sorrelfa numa espécie de rifa.
Portanto: as manifestações de sábado, são o reflexo destes anos sem luta e sem consciência de classe.
Num país que acaba de reeleger um presidente que no final do mandato vai ter tantos anos de poder como o defunto Moubarak, um eleitorado abstencionista que nem se manifesta das eleições, um povo que não se manifesta como opinião pública, que não participa e que se rendeu às maravilhas que julgavam adquiridas, estavam à espera de quê? De que os paizinhos lhes arranjasse, emprego? Isso era dantes!
Sem ideologia e sem luta política não se vai a nenhum lado. Nada é dado de bandeja. E a democracia conquista-se diariamente. Em todas as frentes. na escola, no trabalho, na família, na vida. Temos de saber o que queremos e para onde queremos ir.
quarta-feira, março 09, 2011
Que mais nos vai acontecer?
Está tudo contra nós. As agências de rating, o preço do petróleo, as manifestações árabes, a subida dos juros ditadas pelo BCE, o comércio mundial, a mão de obra barata do Oriente, a ganância alemã, a desunião europeia...parece que não há nada que nos possa valer.
Temos a juntar a tudo isto, e muito mais de que não me veio ao correr da pena, uma classe política mais medíocre do que a crise. Quando precisávamos de políticos com visão e capacidade para nos ajudarem a saír da crise, temos medíocres, arrivistas e empertigados.
Começa no governo, mas prolonga-se para a oposição. O PSD é um partido de esfomeados pelo poder, um grupo que não conseguiu ultrapassar a fase da adolescência política que são as juventudes partidárias.
Passos Coelho já provou que não tem carisma, experiência e que não consegue levar muita gente atrás de si, tirando o seu clone Relvas. O mesmo que se delicia frente ao Mário Crespo a mostrar mapas de sondagens onde o PSD ganharia ao PS, passando uma rasteira ao governo enquanto o Professor do alto do seu estrado em Belém fizesse de conta que não viu, pois estava de costas a fazer umas contas de sumir.
Se juntarmos os sound-bites de PPortas e o alarido demagógico do BE, resta o PCP com a sua reserva. Demasiado mau para reconstruír um país. Uma oposição ao nível do governo. Para pior.
Chegados aqui estamos no desespero, numa viagem sem regresso. Podemos meter a cabeça na areia, esperar que passe, que algo possa vir para nos ajudar a sairmos do pântano.
Todos duvidamos. Ah! Esperem! Cavaco vai tomar posse! Afinal temos salvador! O homem prometeu e ele cumpre, segundo os oráculos e o bom povo português que votou nele! O povinho nunca se engana!
"O povo tem que acreditarr em qualquer coisa"- como dizia o Presidente de Poeira, em "Rango", o filme que vi ontem e que tão bem fala de Portugal sem o saber.
Temos a juntar a tudo isto, e muito mais de que não me veio ao correr da pena, uma classe política mais medíocre do que a crise. Quando precisávamos de políticos com visão e capacidade para nos ajudarem a saír da crise, temos medíocres, arrivistas e empertigados.
Começa no governo, mas prolonga-se para a oposição. O PSD é um partido de esfomeados pelo poder, um grupo que não conseguiu ultrapassar a fase da adolescência política que são as juventudes partidárias.
Passos Coelho já provou que não tem carisma, experiência e que não consegue levar muita gente atrás de si, tirando o seu clone Relvas. O mesmo que se delicia frente ao Mário Crespo a mostrar mapas de sondagens onde o PSD ganharia ao PS, passando uma rasteira ao governo enquanto o Professor do alto do seu estrado em Belém fizesse de conta que não viu, pois estava de costas a fazer umas contas de sumir.
Se juntarmos os sound-bites de PPortas e o alarido demagógico do BE, resta o PCP com a sua reserva. Demasiado mau para reconstruír um país. Uma oposição ao nível do governo. Para pior.
Chegados aqui estamos no desespero, numa viagem sem regresso. Podemos meter a cabeça na areia, esperar que passe, que algo possa vir para nos ajudar a sairmos do pântano.
Todos duvidamos. Ah! Esperem! Cavaco vai tomar posse! Afinal temos salvador! O homem prometeu e ele cumpre, segundo os oráculos e o bom povo português que votou nele! O povinho nunca se engana!
"O povo tem que acreditarr em qualquer coisa"- como dizia o Presidente de Poeira, em "Rango", o filme que vi ontem e que tão bem fala de Portugal sem o saber.
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