sábado, junho 18, 2011

Estreia anunciada com elenco de segunda

Afinal não é um elenco de luxo numa baixa produção de grande génio.

O filme tem o elenco reduzido, há actores que se desdobram em vários personagens, o realizador é um estreante. Nunca rodou sequer uma curta-metragem, nunca dirigiu actores, ninguém ouviu falar dele em Cannes. Trabalhou como ajudante de um padrinho, depois de ter dirigido um clube de putos que existia para serem um dia alguém na vida, sem trabalhar.

O público estava à espera de um elenco arrebatador. De Luxe. Um elenco capaz de destronar a longa metragem que estreara 6 anos antes e que se tinha revelado chata na história, incapaz de um happy end e cujos actores eram mais interessantes com as suas histórias privadas do que com os seus desempenhos na tela.

Portanto, quando a passadeira vermelha foi estendida, e o realizador a atravessou de passos largos, o corpo meio desajeitado, olhar de lado para não ter de responder aos jornalistas, e se sentou frente ao grande Óscar, os fãs pararam, ansiando que do bolso do jovem cavaleiro ganhador, saíssem os nomes que iriam salvar o futuro do cinema nacional.

No Palácio as aves calaram-se, os reposteiros taparam o Sol, e os peixes dos lagos sustiveram a respiração. Onze segundos bastaram, o tempo que foi preciso para pronunciar os onze nomes do grande elenco, para um burua se ter instalado por todo o lado.

O casting era no mínimo original. Havia uma actriz das Teias da Lei a fazer de camponesa, um actor da Liberdade XXI a comandar o exército, um actor obscuro que era muito bom a dar aulas algures do outro lado do Atlântico. O elenco era ainda composto por um veterano do jornalismo, especialista em títulos e sound-bites, um escritor talentoso mas canastrão, um especialista em sistemas informáticos a fazer de médico-mór e um génio da ciência, embora também pouco dado a representações.

Resta agora saber como vai acabar todo este enredo.

3 comentários:

  1. E o anterior Governo, o que era?
    De Luxo?

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  2. Pode não ser deLuxe, mas é de "superheróis", além da maioria dos portugueses não saber quem são, mas de certeza que devem ser pessoas de grande capacidade de trabalho, de saberes diversos e multi-facetados nas suas competências! São como os champoos - 3 em 1.
    Escolhidos, em "2ª mão", alguns, tenho a certeza, foram devidamente escolhidos: p.ex. o homem do BCP-Médis. Vale na positiva, a este, a sua coragem pessoal e postura patriótica para perder um ordenado bastante chorudo!...

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  3. Caro Luís,
    Também sou uma céptica em relação à política e aos políticos, mas às vezes é preciso acreditar, nem que seja por instante (esperemos que não fatal), que não mudaram apenas as moscas... Já vimos grandes produções de Hollywood revelarem-se grandes fiascos e outras secundárias serem verdadeiros sucessos de bilheteira.A ver vamos... por todos nós, também é preciso deixar de fazer filmes de cowboys a disparar em todas as direcções!

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