quarta-feira, agosto 24, 2011

A nega de Amorim

Portugal não tem ricos a mais. Tem ricos a menos. O problema é que temos maus ricos. Ou melhor: só temos novos-ricos. E essa estirpe não é boa para a economia. A maioria, cerca de 90 por cento, dos nossos empresários tem o equivalente à quarta classe, e os grandes têm mais alguma formação mas escolhem depois umas chefias intermédias medíocres. Transportam para as empresas a pior lógica da pior função pública: carreirismo, mesquinhez e falta de ambição. Lucro fácil.

Se virmos os maiores ricos portugueses ganharam esse patamar a trabalhar, sem dúvida, mas no negócio da distribuição, raramente numa vida a promover o crescimento e mais-valia para exportação. Muitos ganharam milhões entre um negócio de ocasião e um apoio bancário generoso. Daí não terem na sua prática grande cultura empresarial. Nem cultura de empresa. Claro que criam postos de trabalho, mas nunca na proporção daquilo que facturam e lucram.

Temos uma classe empresarial que ainda vê nos sindicatos e nos trabalhadores uma corja de malandros e que se justifica permanentemente com a lei do trabalho que acham incapaz de permitir o desenvolvimento. Ora, as empresas que trabalham, produzem e criam laços de fraternidade com os seus trabalhadores, acabam por ser aquelas cujos donos são pessoas que mantêm há anos uma relação de proximidade com os seus colaboradores. E não vejo estes patrões queixarem-se. Nunca vi o Comendador Nabeiro protestar com a lei laboral ou vir dizer que os seus trabalhadores não trabalham. Pelo contrário. Ele paga acima da média, dá imensas benesses sociais e tem uma vasta obra de ajuda solidária fora da empresa. E quem lá trabalha fá-lo com gosto.
O sucesso da Auto-Europa é semelhante. A empresa aumentou 40% a produição durante este ano, mas no ano passado no auge da crise automóvel houve um entendimento pacifico com o sindicato e a comissão de trabalhadores, no sentido de reduzir ordenados e estipular um banco de horas.
Podia dar muitos outros exemplos, um mesmo perto de mim, mas que não vou citar para não dar  ar de "graxa ao patrão".
Isto a propósito da recusa que ontem Américo Amorim deu em poder vir a ajudar Portugal nesta crise, ao contrário dos maiores patrões franceses. Amorim fez aliás há 2 anos uma coisa extraordinária: perante a ameaça da crise ele despediu 160 trabalhadores por razões de prudência.
O patronato não tem de ser a Santa Casa da Misericórdia, por isso vai para lá Santana Lopes, mas que tem de ter uma forte responsabilidade social, que ninguém duvide disso. As empresas só têm razão de existir se forem uma forma de a sociedade se desenvolver e se com o seu sucesso poder haver uma qualidade de vida para os seus trabalhadores que não deve ser o Estado a pagar.
Porque isto de se ser capitalista também tem duas faces. Uma a do lucro, a outra da responsabilidade social. Se assim não for passamos a viver na maior das selvejarias. O sonho destes neo-liberais que tomaram o Poder de assalto em nome de uma grande mentira.

1 comentário:

  1. Espero com jubilosa esperança que o Sr.Amorim não se esqueça das suas obrigaçoes dominicais. E triste que (na maioria) os patroes deste pais se esqueçam que se enriqueceram, a muito devem as pessoas que para eles trabalham! Mas todos os dias infelizmente e sem validaçao, vemos trabalhadores serem 'chutados' para o desemprego (até por SMS, lembram-se). Agora , ainda por cima, teem o aval reforçado, destes "superheroes que nos governam. Devem estar ou estao nas suas tocas, a espera, que estes lhes vendam de mao beijada e ao 'preço-da-uva-mijona' o melhor do Pais?!

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