sexta-feira, setembro 10, 2010

Fotógrafos em polvorosa no Facebook

Uma das minhas primeiras fotos em digital. Cabinda, 1999, Canon D30 com 3 megas!

Um desabafo meu no Facebook sobre o facto de haver escolas que desprezam o ensino da fotografia no suporte digital, levou a uma discussão por vezes violenta entre fotógrafos. Mais de sessenta comentários, o que é notável.

A discussão é de lana-caprina. A fotografia é sempre a mesma, o que muda é o suporte para fixar a imagem. Todos sabemos disso, os que conhecem a essência da fotografia. Uma Canon 5D não é diferente de uma EOS1, uma Leica M9 não difere em nada de uma M7.

Portanto: é uma discussão inútil. Mas os preconceituosos, melhor: os que não apanharam a tempo a evolução da fotografia, e se recusaram a usar o computador em vez da câmera escura, estão agora armados em puristas porque pura e simplesmente não atinam com a nova técnica.

Há 10 anos quando a fotografia digital foi dada como económica e de qualidade profissional, falo do aparecimento da primeira Canon Eos 1D e da liberalização do photoshop, muitos colegas meus olhavam com desdém para a minha insistência em querer fotografar em digital. Uns diziam que aquilo era vídeo, outros achavam que era coisa de agência, outros mandavam comprar mais uns quilos de filmes, que acabaram abandonados num armário-frigorífico.

Hoje os que na altura rejeitavam o digital, têm uma total desadaptação à fotografia. Lidam mal com o computador, não sabem editar basicamente as fotografias, continuam a achar que o tratamento de imagem é para técnicos. E refugiam-se no conforto da fotografia analógica, como se falassem de uma espécie de fotografia gourmet, tão inútil como a variante culinária, naquela fase decorativa e nova-rica.

A fotografia digital permite hoje uma qualidade em nitidez, definição e nuance, que o filme não dá. Digitalizar um slide não vai permitir uma melhor imagem do que em digital. O filme já não consegue a resolução dos modernos sensores e até as objectivas de há 10 anos começam a não dar recado para a capacidade de resolução dos mesmos sensores.

Claro que há um ambiente que se perdeu com o digital. A massificação da fotografia foi tão nefasta como a massificação das universidades. Isso acontece sempre que qualquer meio se democratiza. Para o bem e para o mal.

Agora, escolas que se dizem deste tempo, recusarem o ensino da fotografia tal como ela é hoje, é uma aberração.

Nos meus workshops de fotografia e nos meus cursos de fotojornalismo não distingo fotografia analógica da digital. E demonstro como a essência da fotografia é exactamente a mesma. Um mau fotógrafo é mau de todas as maneiras. Embora o digital permita disfarçar alguns erros de operação, mas nunca pode substituir o olhar, a cultura, a sensibilidade. Parece óbvio.

Aliás o mesmo se pode aplicar ao cinema. As grandes produtoras, e sobretudo as pequenas, estão a revolucionar a forma de produção ao usarem câmeras Canon para filmarem séries de televisão, filmes e documentários. Estão a chegar à conclusão que o que se perde por vezes em pormenores se ganha em eficácia. Filmar hoje a 3200 asa, ou mais, com menos luz, era impensável há pouco tempo onde o limite era de 800 asa, já com a película puxada, a dar grão e um contraste sem leitura nas baixas luzes.

Os fotógrafos deviam por vezes fotografar mais e perderem menos tempo com discussões da treta sobre aspectos técnicos que são úteis, sobretudo depois de termos esquecido tudo o que aprendemos sobre eles!!!

6 comentários:

  1. Aplaudo e assino por baixo. O que interessa é o boneco, ferramentas há muitas...

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  2. Sim, o que interessa é fotografia, o olhar (o pensar o que se vê)...bonecos e bonequinhos há milhões de pessoas a fazer...

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  3. concordo em absoluto com a mensagem implícita ao post. não com o que diz sobre fotografia, porque disso não percebo nada, de facto, nem com a minha excelente máquina fotográfica, e que também serve para telefonar, sei trabalhar.
    mas concordo que quem se deixa ficar para trás fica inevitavelmente mais no 'escuro'.

    (os óculos ficam-lhe bem. e dão-lhe a aparência que tem, de mais cota, mas sempre na vanguarda da técnica).

    JJ

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  4. Trabalho as duas formas de fotografia, aliás, comigo estão sempre presentes as duas, digital e analógica, em vários 'formatos'... Só mesmo por questões financeiras é que uso regularmente mais uma que outra, porque para fotografar e mostrarmos ao mundo o que vemos qualquer uma serve.

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  5. concordo em absoluto excepto num ponto. A Canon D30 só foi apresentada em Fevereiro de 2000 na PMA, nos Estados Unidos, pelo que a foto de 1999 não pode ter sido tirada com ela...

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