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quarta-feira, maio 31, 2006

O Doce do dia

Esta nunca seria a imagem do dia num jornal.
Vantagem de bloguista!...
Ao pesquisar imagens sobre cinema italiano saltou-me esta fotografia que tenho há anos na minha casa de banho em versão pintada e em cartaz do filme La Dolce Vita, uma das fitas da minha vida. Fellini é para mim uma constante inspiração.
Anita Ekberg, a sueca a quem o tempo cruelmente desfigurou, aqui está em todo o esplendor, fotogramas antes de entrar na Fontana di Trevi desafiando Mastroiani ( o mesmo que me chamou Paparazzi!! quando o fotografava à chegada ao Aeroporto da Portela para filmar em Portugal já no fim da vida).
A escolha desta fotografia é um impulso, talvez uma frustração.
É uma homenagem.

terça-feira, maio 30, 2006

A Coragem editorial de TIME

Uma capa de grande coragem editorial esta da TIME. A fotografia é de James Nachtwey e faz parte de um grande portfolio publicado no interior sobre o Congo.
Numa altura em que as revistas de referência recuam e hesitam em publicar temas a preto e branco de cariz social a revista americana avança com uma capa desta força.
Há 1 mês num jantar do prémio Visão, onde estava Nachtwey e a editora de fotografia da TIME, ela dizia-me que o decréscimo nas vendas da revista era de tal ordem que não sabia se daqui a 5 anos ainda haveria edição de papel. Haveria decerteza edição online.
Um número a comprar, até porque está disponível em online...só para pagantes.

segunda-feira, maio 29, 2006

Tarde escaldante na Universidade do MInho

Estou numa àrea de serviço da auto-estrada Braga- Porto.

Acabei há pouco o encontro com os alunos de jornalismo online na Universidade do Minho, onde me desloquei a convite da Daniela, tal como ontem aqui escrevi.
Não resisti a tirar o portátil da mala do carro e de escrever aqui a quente, ( fazendo juz à temperatura do dia) as minhas impressões da palestra.

A sala estava cheia de um público muito jovem e atento. Colocaram-se ali questões muito interessantes como a ética e a deontologia nos jornais online, o conceito de jornalista multimédia, os novos desafios para o exercício da profissão de jornalista num tempo de novas tecnologias e de novos conceitos de trabalho nas empresas jornalísticas.
Joaquim Fidalgo, ex-jornalista do Expresso e do Público, agora director do curso, levantou-me questões como a credibilidade e a ética nos novos meios e uma jovem com curriculum no Diário de Notícias levantou a questão de estarmos muito preocupados com a tecnologia e corrermos o risco de esquecermos o fundo dos problemas e da cultura que sustenta o jornalismo.
Eu defendi uma nova linguagem para os jornais online, não refém do papel, com autonomia narrativa, muito vídeo, fotografia, infografia e uma linguagem de escrita mais sintética, criativa, por vezes irreverente e inovadora.
O online é um suporte que permite experimentalismo, laboratório, já que o público internatuta é mais aberto, mais cultura sms, mais interactivo.

No papel a publicação de uma notícia é um fim, na net é o início de uma discussão e desenvolvimento onde o usuário também participa.
Foi uma tarde escaldante.

Agora regresso a casa ao som de Miles Davis.

Eu com Daniela Bertocchi em Braga

Amanhã, isto é daqui a 12 horas, estarei na Universidade do Minho, Braga, a convite de Daniela Bertocchi para falar sobre jornalismo multimédia. É um tema para o qual me têm feito alguns convites para falar dada a minha experiência como editor multimédia. Ainda a semana passada com o auditório do ex-cinema Mundial cheio com alunos da EPCI falei sobre o mesmo assunto.
Continuo a estar muito envolvido e empenhado na linguagem multimédia, a expressão que mais está a mudar e a encontrar novas formas todos os dias.
Contarei aqui como decorreu a sessão.

Calma, descontracção, estupidez natural !...

Genial este engano da BBC, já divulgado até à exaustão nas televisões portugueses, como se elas não fizessem coisas muito piores. Vale a pena ver ou rever. Veja.
Delicioso ou como a realidade é por vezes mais divertida do que as piadas inventadas.

Fotojornalistas desesperados

Os fotógrafos de imprensa em Portugal gostam de se lamentar e lamentam-se muito quando algumas barreiras são levantadas para disciplinarem o acto de fotografar em zonas institucionais. Vejam como esta história toda se repete na...Casa Branca. Cliquem aqui.

domingo, maio 28, 2006

O Carlitos e o Pirilampo Mágico

Quando o meu colega José Ventura me mostrou as fotografias feitas nos arredores de Felgueiras de uma família miserável, como já não se imaginava em Portugal, a trabalhar para a Zara usando as mãos das crianças, eu não queria acreditar.
Na minha cabeça, e na da maioria dos portugueses acho eu, já não havia trabalho infantil em Portugal.

Essa vergonha nacional que incomodava nos anos 90 os cavaquistas neoliberais e nouveaux-riches e que punha o nosso país no clube dos terceiro -mundistas, julgávamos já irradiada. O escândalo e a vergonha foi tal, a pressão internacional foi tal, que a inspecção do trabalho conseguiu fazer algum serviço útil.

Depois entrados na era sacrista de Guterres e sócrista do nosso segundo engenheiro primeiro ( isto está cheio de inginheiros!!) nunca mais se falou de escravatura infantil.
Eis que o Expresso desta semana nos devolve um pesadelo do fundo de nós, uma chaga social, uma miséria inenarrável.

As mãos do Carlitos de 11 anos, cozendo os sapatos da sobrevivência, as unhas sujas do trabalho, os olhares ainda doces e resignados, o ícone do FCP, aquele inválido sentado num sofá falido como a família que conforta, até a luz é dura e adversa como as tábuas do chão cariadas pelos anos, o granito da casa a sustentar o abrigo da mais vil pobreza, é um cenário neo-realista do nível a que Portugal chegou.

Não percebemos o que andou esta gente, os cavacos e guterres, os durões e os sócrates que nos governaram e governam a fazer todo este tempo. Acho, tenho a certeza, que esta cena não é possível de encontrar na Irlanda, em Espanha ou até mesmo na Grécia.
Andámos, e ficámos demasiado para trás. O novo riquismo deu cabo de nós, o dinheiro fresco tirou-nos a criatividade social e transformou Portugal num país aberrante, parasitário, engordado por uma máquina estatal sugadora de dinheiro, sacrificando só os que ainda conseguem trabalhar para pagarem quase 200 dias de trabalho para impostos.

A imprensa estrangeira como o El Mundo não se cala com este novo escândalo. Uma vergonha.

Mas nem tudo é mau. Cavaco inicia amanhã uma presidência aberta sobre a exclusão. Ele não lhe chama presidência aberta para não dizerem que anda a copiar Soares. Vai começar o seu périplo pelo Alentejo profundo, perto do Pulo do lobo.

E depois, se falhar, já há uma hipótese B: avança Maria Cavaco Silva recitando versos ao Pirilampo Mágico.

Só falta um chá de caridade para rebater. Mas lá iremos.

Enquanto houver pobres os políticos competentes estarão sempre salvaguardados no Céu.

sexta-feira, maio 26, 2006

Robert Capa morreu há 52 anos

Cerro Muriano











Desembarque na Normandia














Robert Capa






Faz hoje, 25 de Maio, 52 anos que morreu na Indochina, ao pisar uma mina, Robert Capa. Fundador da agência Magnum, 1947, foi considerado no seu tempo " o maior e melhor fotógrafo de guerra". Disse-o revistas tão insuspeitas como LIFE, VU ou PICTURE POST.
Este húngaro chegado a Paris no final dos anos vinte, trotskista e fotógrafo com preocupações sociais, logo se destacou com as suas reportagens na guerra civil espanhola.
Inventou uma forma de fotografar a guerra: estar perto do assunto, das pessoas, estar envolvido. Dizia ele " se uma fotografia não é boa é porque não foi tirada suficientemente perto".

Uma das suas célebres fotografias foi feita em Cerro Muriano, Espanha, e retrata o momento exacto em que um soldado republicano cai atingido por uma bala franquista. Foi nesta campanha que viu desaparecer Gerda Taro a sua bela namorada, também fotógrafa.

Em Espanha acampanhou Hemingway. Ao longo da vida foi amigo de Ingrid Bergman ( com quem manteve um caso amoroso), Picasso, Steinbeck e muitos outros.
As fotografias inéditas do desembarque na Normandia ( 4 rolos de que só se aproveitaram 12 frames por causa de um acidente na revelação) foram das mais referenciais deste herói do fotojornalismo que adorava jogar póker, beber champagne e que era um verdadeiro susto a conduzir.

Alguém o viu um dia no Café Palace dos Restauradores, anos 40, de passagem por Lisboa talvez ao encontro de Ingrid Bergman em Casablanca. Mas a origem judia e o empenho na construção de Israel pode ter muito a ver com a sua passagem por cá.

Morreu na Indochina quando o editor fotográfico da LIFE o desafiou para fazer umas fotos da retirada francesa na Indochina, uma vez que ele estava no Japão na abertura de uma exposição da Magnum.

Um pelotão avançava por um campo ele correu à frente e acabou por pisar uma mina. Fatal.

quarta-feira, maio 24, 2006

Ai Timor !...

Fotografias de Luiz Carvalho



Para quem como eu acompanhou as primeiras horas em que os timorenses começaram a libertar-se da Indonésia e para quem pôde assistir ao vivo ao içar da bandeira do novo país, não pode deixar de lamentar tudo o que está a acontecer agora.
O delírio português foi demasiado ingénuo, não fosse delírio, e agora aí estamos de novo a enviar GNR para meter os rapazes na ordem e até talvez tropas para assegurarmos a ordem que as autoridades timorenses, pelos vistos, não conseguem.
Os timorenses não têm recursos, esbanjam capital político e pedem ao papá para os ajudarem quando as coisas começam a correr mal.

Timor é uma criança e devemos ser tolerantes com as reacções infantis.Mas estas cenas de violência gratuita não convencem ninguém de boa fé e que não seja ingénuo.

É o problema dos oprimidos em estado prolongado: não conseguem digerir
( e gerir) o espaço da liberdade.

Quando reprimidos berram por liberdade, quando libertados esperam pelo redentor.

Ficam aqui as minhas fotografias das horas felizes que fiz nesta terra queimada, nos dias em que a virgindade política estava incólume.

terça-feira, maio 23, 2006

Ricardo Costa leva Carrilho às tábuas

O "Prós e Contras" desta noite aqueceu. Ao rubro. Pacheco Pereira acabou por usar a fórmula que os comentadores de fóruns aplicam, isto é: partir do generalismo que qualquer classe sob fogo é toda incompetente, corrupta e maldita. E, já agora que foge ao fisco.

Pacheco detesta jornalistas, acha-os uma escória. Tentou mesmo açaimá-los na Assembleia quando era deputado cavaquista.
Esta oportunidade para zurzir em Carrilho e jornalistas foi dois em um.

Carrilho, para quem os jornalistas são uma matilha, não consegue contornar as profundas contradições que o seu livro contém.
Ele pode ter alguma razão mas perde-a quando a sua prática política e de promoção pessoal tem sido feita com as armas que condena.Isto é: Carrilho é dos políticos que mais se preocupa com as fotografias que lhe fazem, os textos que escrevem sobre ele. Emendas entrevistas,escolhe as fotos que lhe tiram, chega a caçar negativos.

Posa para revistas côr de rosa e a sua campanha eleitoral para Lisboa não dispensava dois jornalistas assessores que não largavam os repórteres que seguiam o candidato.
Fez uma campanha para os média e agora queixa-se deles que o levaram a uma derrota humilhante.

É muito difícil Carrilho fugir a esta realidade, que ele acabou por criar, pese embora que haja muita verdade naquilo que afirma. Mas, como diria o meu director citando alguém famoso, até um relógio parado tem pelo menos razão duas vezes ao dia.

Emídio Rangel aparece agora em defesa de um jornalismo puro e duro, competente e independente. Tem crédito mais que suficiente para tal.

Ricardo Costa falou descomplexadamente das agências de comunicação e teve a coragem de dizer que são um instrumento útil como qualquer outro. Há boas e más, tal como há jornalistas sérios e outros não. É uma palissada. Já antes de existirem estas empresas que transformaram jornalistas talentosos e pindéricos em empresários ricos e influentes isso acontecia.
Costa foi de uma violência total para com Carrilho. Não esqueceu, nem perdoou a campanha de Carrilho contra a SIC e tem razão.

O final foi um grande momento de televisão.
Costa sacou daquela infeliz frase de Carrilho a Morais Sarmento sobre o seu passado de drogas. Carrilho acusa Ricardo de polícia.Ricardo recarga, chuta, atira e... a plateia aplaude Ricardo! Pateada geral. Carrilhada total.
Mais uma vez Carrilho passou-se da carola e voltou a perder. Não aprende.

segunda-feira, maio 22, 2006

No Camarim com Barbara Guimarães


A noite dos "glóbulos" pela primeira vez no Campo Pequeno.
Tarefa para um fotógrafo do Expresso: passar a noite atrás de Barbara Guimarães, entre o camarim e a boca de cena, seguindo a azáfama de bastidores. A Barbara aceitou a proposta do meu jornal e lá fui eu, até porque comigo era possível uma relação de confiança.
Na verdade, tenho pela Barbara uma empatia muito especial. Isto será o que 90 por cento dos homens dirão e os outros 10 ( os tais que...) também subscrevem.
A sério: depois de ter sido entrevistado por ela, há 4 anos quando apresentei Lisboa e Lisboetas, percebi como aquela mulher não só é uma mulher charmosa como uma grande jornalista.
Já a tinha fotografado para o Expresso e voltei mais tarde a fotografá-la. Aliás, era eu que estava destinado a fotografar o seu casamento com Carrilho, mas por impossibilidade pessoal coube ao António Pedro Ferreira essa espinhosa ( e traumatizante) experiência.
Há pouco tempo ao falar com Sofia Pintro Coelho no seu programa da SIC acabei por ser um pouco desagradável para Carrilho a propósito do alarido dos paparazzi e as fragilidades de quem expõe a vida privada quando convém, e de atiçar a cãozoada contra quem precisa de reportar quando a coisa já não interessa nada.

Acabei por me arrepender do que disse, não por achar que não tivesse razão, mas porque uma amizade, muitas vezes, não vale um desabafo. Enfim, adiante.

Gostei de reencontrar a Barbara e ela foi, mais uma vez, de um grande profissionalismo. Aceitou-me ali, intruso a espreitar pelo visor da Epson.
As fotografias vão ser publicadas na próxima edição da ÚNICA e estou muito contente com o resultado final. Logo que possa "postarei" algumas aqui.
Estamos a fazer no Expresso um grande esforço de mudança e aos poucos as coisas boas começam a ser notadas. Oxalá os leitores nos apoiem.

Sentir o frenesim de um espectáculo de televisão nos bastidores é muito giro. As equipas esfalfam-se, fumam que nem umas bestas, alimentam o colestrol, sofrem até ao apagar das luzes. Aquilo não dá saúde a ninguém.
As vedetas sofrem horas de espera, ao frio,à fome, para brilharem uns minutos. Quando as vemos no monitor e depois ao deixarem o palco aparecem na boca de cena, ao vivo, é o virtual a transforma-se em real. Fica estranho e chega a arrepiar.
Por detrás dos panos a televisão é outra. Ou seja: quando a fama acaba é a verdadeira vida que recomeça.

domingo, maio 21, 2006

Vídeos é canja

O Paulo Querido alertou-me para as capacidades do You Tube, um blogue que permite postar os nossos vídeos. O sucesso é tremendo em todo o Mundo. Na próxima semana a revista Única do Expresso vai trazer uma reportagem sobre adolescentes videastas. Confesso que fiquei de boca aberta com o talento dos putos, alguns portugueses.
Claro que já criei uma conta para mim e estou a tentar colocar aqui alguns dos meus vídeos.
Este blogue promete...
Eu que como editor multimédia tinha imensa dificuldade em pôr online um vídeo de meia dúzia de segundos ( os servidores não dão, não há streaming etc,) aqui parece ser canja.

sexta-feira, maio 19, 2006

Narcisismo-mirandismo ou talvez não


Sei que pode ser narcísico ( apesar de nunca se poder confundir com o Narcisismo-mirandismo!) esta minha postagem. Mas, na verdade sinto um pouco de vaidade e orgulho com o Prémio Convergência que me foi ontem entregue pela mão do Dr. Francisco Balsemão,mais aos meus dois colegas da Visão e da Sic, Manuel Barros Moura e Ricardo Rosa.
O Prémio Convergência foi criado há dois anos pela Impresa com o intuito de premiar o melhor trabalho jornalístico dentro do grupo, feito com o espírito de aproveitar sinergias. Tem tudo a ver com a nova cultura multimédia e com o caminho a desbravar no sentido de encontrarmos novos públicos ( mais jovens porventura) e de ancorarmos os leitores fíéis.
O prémio a nós três ficou-se a dever ao trabalho "Mais Autárquicas", um portal da Impresa, um agregador que contemplava o melhor dos sites do Expresso, da Sic e da Visão.
Foi a primeira experiência deste género feita em Portugal entre três jornais online, sem receio de concorrência nem de canibalização. Correu muito bem, e co muita audiência, experiência repetida com o "Mais Presidenciais" e em breve com "Futebol total".
Ganho o prémio pela segunda vez, o ano passado passei à final com uma reportagem multiplataforma (vídeo, fotografia e texto) feito para o Expresso e para a Sic, na China, então acompanhado pela Catarina Carvalho também premiada.

Gostei muito de ouvir as palavras do Dr. Balsemão quando afirmou:" a internet é uma nova linguagem, onde o vídeo e o aúdio terão de ter uma forte presença". Não posso estar mais de acordo. Quem não entender isto e achar que o jornalismo online tem de ficar refém do papel não entende nada.

terça-feira, maio 16, 2006

Multimédia e donas de casa


Hoje na tv estarão As Donas de Casa Desesperadas. Exemplo de uma série inteligente e muito bem produzida. Popularidade não tem de ser igual a pirosada.


A conferência que proferi hoje no Instituto Politécnico de Portalegre, perante cerca de 200 alunos, foi muito estimulante.
Gosto de falar para plateias jovens e interessadas. Aqueles alunos do Curso de Design de Comunicação vão saír dali com uma boa preparação, dada numa escola moderna, de arquitectura aberta ao exterior e com muita luz, de acabamentos bem esolhidos como aquela pedra negra do chão. O pior será o pobre mercado de trabalho.

Os computadores espalham-se pelo hall da escola, com ligação permanente à internet e com grupos de alunos interessados à volta. Portalegre era uma cidade devotada ao abandono mas parece começar a saír um pouco da letargia.

Claro que a Câmara já está a tratar de dar um ar novo-rico à cidade com rotundas estúpidas, pagas pelos nossos impostos, e com soluções urbanas desastrosas. As autarquias não têm emenda e nós é que pagamos.
Ninguém controla os autarcas e eles usam as cidades e vilas como se fossem as suas salas de estar, pirosas, caras e nada funcionais.

É o estilo Paços de Ferreira !!!

Voltando à palestra na escola. Falei sobre a minha experiência e sobre a convicção de que é urgente uma liguagem multimédia, sem atilhos ao papel, para se terem jornais online alternativos e geradores de novos públicos e negócios. Também insisti que ninguém hoje pode ser só fotografo, só designer, só redactor. A linguagem começa a ser total o que não impede especializações e muito profissionalismo aplicado.


Inaugura hoje o novo Campo Pequeno. Mais uma barbaridade a juntar á barbaridade das touradas, apesar de eu achar que há barbaridades que fazem parte da crueldade humana mas também de parte do seu génio. Contradições.
Há uma ideia básica na vida: cada coisa é para o que nasce.

Uma praça de touros, é uma praça de touros. Ponto final.

Portalegre 1956




Estas são algumas das fotografias da minha infância passada em Portalegre tiradas pelo meu pai com a sua Zeiss 6x9.
Cheguei a Lisboa e apeteceu-me procurar as imagens e colocá-las aqui.
São fotografias de uma simplicidade total mas de uma sinceridade de olhar notável, além de um apuro técnico também notável. Nem sempre a tecnologia é tudo, como se pode apreciar.


Portalegre, infância e multimédia

Ao reler agora a minha "postagem" de ontem, aqui sobre a cama no Solar das Avencas, em Portalegre, reconheço que estava muito amargo. Há dias assim...

Cheguei há pouco à cidade que José Régio mais gostava. É a cidade da minha meninice. Estive aqui entre os 3 meses de idade e os 3 anos. Guardo memórias esbatidas desses anos. Ainda reconheço o velho café onde via televisão com os meus pais, ao serão. Ninguém ganhava para ter em 1954-58 televisão em casa.

Algumas das fotografias feitas pelo meu pai na sua Zeiss 6x9 de fole, e que me fizeram apaixonar pela fotografia, foram feitas aqui. Eu num piquenique ao lado do Fiat Balila, eu abraçado a um cordeiro, eu de fato e gravata numa pose de homem crescido.

Talvez por me lembrar da minha meninice me custou deixar hoje o meu filhote de 4 anos, encantado que anda com as figuras do Wallace e Gromit e com pedidos insistentes para eu lhe arranjar uma miniatura de uma Austin A35, a clássica carrinha inglesa prima do Morris Minor, um dos carros dos meus sonhos. Tenho aliás um abandonado num mecânico no Barreiro há..20 anos, o LC-90-55.

O Solar das Avencas é uma casa carregada de história. No meu quarto existem pequenas figuras religiosas de uma intensidade admirável.
Estou em Portalegre para fazer amanhã uma conferência sobre jornalismo multimédia na Politecnica a convite do Prof. Luis Frias. Vamos ver como corre. Tenho tido ultimamente vários convites para falar em faculdades sobre a minha experiência de editor multimédia.

Um período que para já passou. O meu regresso ao fotojornalismo do EXPRESSO está a ser muito estimulante: restruturar uma excelente equipa e devolver ao jornal o protagonismo no fotojornalismo. Vamos todos conseguir.

Esta semana o portfolio da Susana Paiva é para mim motivo de grande prazer. Quero abrir a possibilidade de dar a conhecer os novos talentos do fotojornalismo. Mais do que uma tarefa acho que é quase uma obrigação moral.

segunda-feira, maio 15, 2006

Dobradinhos



Pinto da Costa lá conseguiu a dobradinha.
Nós, portugueses, estamos dobradinhos de todo.
Passei, para mal dos meus pecados, o fim de semana a ler jornais de todo o tipo e tendências. Na minha cabeça fica uma mescla de tragédia, drama e horror, como diria Artur Aldrabã no tempo em que o sorriso era Pepsodent.
Ao ver na televisão Cavaco a entregar a Taça não deixei de sentir um certo calafrio. Safa ! Safa ! Ainda sou do tempo em que o Pai Américo ( o da fatiota de marujo) ali estava na tribuna a entregar a dita ao Eusébio, e temos de reconhecer que, tirando a proporção de modernidade e progresso que o tempo só por si permite, não andámos muito.
Em vez da taça talvez fosse melhor um cálice de Porto....

Depois as inefáveis reportagens das televisões com os directos do Porto e com a possiblidade de uma cambada de energúmenos poderem dizer as maiores alarvidades em directo. E queixam-se que não há audiências.
E só ainda vamos na dobradinha porque quando chegar o Mundial é melhor emigrarmos porque então é que o país vai ficar insuportável.

Ou talvez não: com os ferrenhos em casa a ver tv e a mamarem nas cervejolas, as janelas de bandeirolas, as ruas desertas vão ser de um silêncio dourado. Vamos parecer por instantes um país abandonado.
Talvez nessas horas os espanhóis nos invadam.

sábado, maio 13, 2006

Peregrino de mim

Fátima. 1979. Foto Luiz Carvalho
Fátima. 1979. Foto Luiz Carvalho

Já fui demasiadas vezes a Fátima. Há quem frequente safaris fotográficos em Àfrica e quem dispare sobre crentes autosofredores na passadeira de alcatrão que o santuário da Virgem oferece.
É um caminho longo o que leva a Fátima. Longo, duro, sofrido e muito cruel.
É uma atitude terminal da alma, quando o ser se dá por desesperado e a fé espera no final da estrada.
Hoje é dia da virgem, o 13 de todas as promessas.

Portugal bem precisa de promessas à Virgem.
Acordei de madrugada com uma insónia insuportável. Liguei a tv para voltar a adormecer e ao ouvir Medina Carreira a ser entrevistado por Ségio Figueiredo, ouvi duas ou três verdades de tirarem o sono de vez. Uma: esta trapalhada socrática mexe apenas em 25 port cento da Segurança Social, e devia ter sido iniciada há 10 anos. Medina não acredita em panos quentes e acha que estamos perdidos. Eu que procurava adormecer com a televisão mergulhei num pesadelo.

Vamos a Fátima para o ano. O novo santuário, uma espécie de Colombo da fé, vai já estar aberto e o novo bispo usa computador portátil, diz ao EXPRESSO esta semana que nunca fez promessas à Virgem e desabafa que preferia nunca ter saído de Viseu.

Esperemos que não seja mais uma confissão jornalística a terminar em desmentidos como a ridícula actuação de Freitas do Amaral, durante o passado fim de semana, o ministro cansado da guerra diplomática.

Amanhã há final da Taça. Que se lixe a taça !...

quinta-feira, maio 11, 2006

A Lenda de Monsanto





À frente da procissão uma noiva de pele muito branca e transparente, engalanada num traje negro com um capuz em forma de caixa, transporta um galo de prata de espigão afiado. Ao olharmos com atenção podemos ler uma frase riscada sobre o metal: “1938, Monsanto a aldeia mais portuguesa”. Vai ali a assinatura de António Ferro, o ministro da propaganda de Salazar, o jornalista que quis dar ao regime um tom cultural e patriótico. Passados 68 anos o Rancho Folclórico de Monsanto, criado então com as adufeiras e seus cantares, lá vai ainda cantando e rindo com uma vontade férrea de sobreviver.
A 3 de Maio, ou no domingo seguinte, Monsanto faz a Festa das Cruzes.
A lenda vem do fundo dos tempos: durante um dos cercos mais prolongados ao castelo, durante a Iade Média, só já restavam uma bezerra e uma quarta de trigo. Uma idosa lembrou-se de dar o trigo à bezerra e de a lançar do alto do cabeço. O inimigo ao ver a vitela rebentar lá em baixo achou que a fartura afinal era muita e que a praça ainda tinha muito para resistir. Enganado, o inimigo abalou, e o povo de Monsanto, grato, passou a celebrar a vitória desde então.

Um pote de barro com muitas flores é lançado todos os anos em lembrança da vitela sacrificada, enquanto as raparigas vestidas à moda antiga levam nas mãos bonecas de pano, as marafonas, simbolo das mulheres de Monsanto.
As vozes agudas e ritmadas, pelo batuque dos adufes, projectam-se na paisagem de granito, entre escarpas e um horizonte sem fim.

A dureza e o carácter de Monsanto e da sua gente foi também referido um dia por Saramago:” Devemos entender o que há de pedra nestas pessoas e descobrir o que delas pessoas passou à pedra”.

ver reportagem multimédia em www.expresso.pt

quarta-feira, maio 10, 2006

Dolores e Infante no jardim


Manhã de Sol em Lisboa.

Descubro o jardim do Museu do Teatro ao encontrar-me por lá com Carmen Dolores e Diogo Infante.


A missão é fotografá-los para ilustrar uma conversa entre estes actores que tão bem marcam e definem duas gerações de grandes artistas.

É a primeira vez que fotografo Diogo e a Senhora Dolores a segunda.

A sessão não durou mais de um quarto de hora.
A meu favor a luz, o sítio e sobretudo aquelas personagens de uma grande riqueza humana e profissional.
Fácil: pedi-lhes cumplicidade na pose, o que nem era preciso: a corrente passava entre os dois. Assim é fácil fazer retratos, quando os modelos se assumem, sem falsas poses. Sinceridade. Fica tudo gravado com a emoção que a câmera permite.

Na despedida uma frase linda de Carmen Dolores:" Sou mais optimista hoje do que quando era jovem".