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terça-feira, setembro 18, 2012

O buraco da Rotunda do Marqûes

Os presidentes de câmara têm em Portugal o Síndroma da Rotunda. Todos. Os mais pirosos mandaram erguer à entrada das cidades, vilas e aldeias de Portugal alguns dos exemplares mais bacocos do que foi a gestão autárquica nas últimas 3 décadas.

Há anos fiz para o EXPRESSO uma reportagem mostrando de Norte a Sul muitas dessas rotundas.
E havia de todos os estilos. Desde a rotunda que parecia saída da  terra dos Flinstones, em Carcavelos, desenhada pelo artista plástico Leonel Moura, aos touros e toureiros no Ribatejo....havia de tudo.

O síndroma da rotunda chegou agora a Lisboa. António Costa acaba de meter o pé na rotunda com esta obra inútil, cara e que está a dar cabo da vida dos lisboetas. Um buraco.

António Costa está rodeado por um grupo de intelectuais que o têm convencido de que o trânsito em Lisboa tem de ser desviado do centro. É uma boa ideia se estivermos a falar da circulação de camiões TIR que vêm do Porto de Lisboa, mas é um disparate quando aplicada à circulação de quem quer ir para o centro.

É um disparate porque é uma medida que afasta as pessoas da cidade e é também uma arrogância porque na cabeça desses idiotas, quem quer ir para o centro "que vá de transportes públicos".

Imagine-se o que seria dos centros comerciais se o Belmiro dissesse: quem quiser vir cá comprar que venha de autocarro! Não ia ninguém, claro.

Estas rotundas dentro da Rotunda, já de si uma ideia original tipo TSU do Coelho, têm como finalidade chatear quem quer ir para ali de carro. Chatear, pura e simplesmente.

Alguém imagina o Maire de Paris mandar fazer rotundas concêntricas no Arco do triunfo e plantar árvores e arbustos no meio dos Champs Elysées? Ninguém.

Aquela ideia de que a Avenida da Liberdade é das mais poluídas da Europa só dá vontade de rir. Uma avenideca que pouco trânsito tem, é muito poluída? E se está deixa-a estar! Há 30 anos era bem pior. A questão é que a Baixa continua sem actividade porque a câmara insiste em dificultar o acesso ao centro.

Esta obra da Rotunda também demonstra mais uma vez que nós portugueses adoramos gastar dinheiro em inutilidades e adoramos complicar o que é simples.

António Costa é muito mal apoiado. Ele não é urbanista, nem arquitecto, é político. E já devia ter percebido que nem tudo o que o arquitecto Manuel Salgado diz é sagrado.

Fazer de Lisboa um laboratório de ensaio urbanístico é que não. Para mim isto é uma atitude semelhante à do governo com aquelas medidas da TSU e outros dislates de quem vem da universidade e não da faculdade da vida.

sexta-feira, maio 29, 2009

Os coveiros da cidade de Lisboa


Há uma impunidade silenciada na Câmara de Lisboa. Pelos vistos anda tudo a dormir, já ninguém reage às tonterias de Manuel Salgado. Vejamos: a poucos meses das eleições, e sem que Lisboa revele nas ruas a mais pequena intervenção da presidência de António Costa (tirando talvez o desastrado arranjo do Jardim de S.Pedro de Alcântara, ou as corridas da Fórmula 1 da Renault, ou o stand de carros da Skoda na Praça das Flores) há projectos concretos para intervirem na estrutura arquitectónica da cidade e no seu planeamento, muito polémicos e desastrados, mas que todos fingem não saber.

Sem concurso público há arquitectos a fazerem projectos, a tornarem-se senhores de soluções para Lisboa, que em vez de a reabilitarem lhe vão dar o golpe de misericórdia.

Vejamos: não conheço cidade no Mundo civilizado mais decadente do que Lisboa. Os bairros antigos ( todo o núcleo histórico) estão em ruína, como se já tivesse acontecido o sismo. Os proprietários abandonaram prédios históricos, há casas em ruínas há décadas, proliferam os bandos de traficantes de droga, não há segurança, nem sossego, nem vida urbana, nem negócio. Mesmo com uns prédios aqui e ali a anunciarem que o projecto foi aprovado pela Câmara mas que falta pela Assembleia (porquê? Para reabilitar um imóvel é preciso ser votado pelos políticos?) a verdade é que o estado a que chegou Lisboa nem daqui a 30 anos vai estar recuperada.

O comércio tradicional acabou, sobrevivem umas lojecas de proprietários velhotes, o novo comércio só sobrevive o de lojas muito especiais no Bairro Alto ou o comércio de indianos. Aliás a cidade antiga foi ocupada por todo o tipo de raças e nacionalidades, por acaso só não é utilizada por portugueses, o que dava algum interesse, já agora, para sentirmos que há também lisboetas portugueses em Lisboa.
Trezentos mil tipos espertos deixaram Lisboa nos últimos 10 anos ( eu incluo-me nesse número). Estava farto de bares a chatearem-me, de não ter estacionamento, de IMI caro, de falta de segurança, de caixotes do lixo abandonados, de drogados a dormirem à porta, de carros abandonados na rua, estava farto. E ainda João Soares não tinha inventado essa empresa exemplar, amiga dos utilizadores, a EMEL! Por muito menos custo vivo no Estoril. Quero dizer: Lisboa não tem qualidade de vida, é cara, perigosa, porca, esburacada, demasiado acultural, não há pachorra. As empresas piraram-se de Lisboa: os funcionários não têm onde estacionar, é caro almoçar, é caro o metro quadrado, não há nada a favor. E há falta de segurança. Uns amigos meus abriram uma empresa em Lisboa há meses, já estão fartos. Ontem houve tiros na rua, hoje a polícia cortou o estacionamento, depois das 20 é uma aventura sair do escritório, para se chegar ao carro tem de se dialogar com um sem fim de desgraçados a pedirem moedas para a droga. Ontem um comerciante na Rua do Norte, jovem, dizia-me que estar ali era uma permanente aventura: perigo, aluguer caro, segurança paga pelos comerciantes, apoio da Câmara: ZERO.

Perante este cenário, e nunca mais acabaria o enumerar de chatices lisboetas, em que está preocupado António Costa ? Em tirar os carros da cidade, meter escadas no Terreiro do Paço, aumentar os custos de estacionamento ( já no limite do proibitivo). Esta é a preocupação dele. Não é recuperar as casas devolutas, facilitar a vida em Lisboa, atrair gente, encontrar soluções simples e eficazes para pôr a cidade a palpitar. Não. Costa quer sangue. Quer impor aos cidadãos normas de conduta, comportamentos, hábitos. Costa quer Lisboa uma cidade museu. Sem comércio, nem empresas, nem habitação para todas as classes. Pior: a oposição vai atrás e diz que gostava de fazer o mesmo. Até essa anedota política que é Carmona Rodrigues veio dizer que ele também queria o mesmo. Aliás foi ele que perseguiu os motociclistas em Lisboa, quando mandou reboques da Câmara remover motas em cima do passeio, sem que estivessem a incomodar, uma norma aceite em Paris, Madrid e Barcelona.

Esta política demagógica vai desertificar ainda mais Lisboa. Imagine-se que os Centros Comerciais adoptavam este tipo de medidas, alguém lá ia ? António Costa e esta equipa que quer aplicar na vida real o que andou a aprender na Faculdade de Arquitectura (conheço alguns, foram meus professores e colegas) faz-me lembrar aqueles gurus do novo jornalismo: sabem imenso, na hora de concretizarem as suas ideias, os jornais diminuem de vendas, outros fecham. Mas a culpa é sempre da internet. Em Lisboa a culpa de ninguém querer viver nesse bidé, é dos automóveis. Deixem-nos viver Lisboa.Tomem juízo!

terça-feira, janeiro 13, 2009

terça-feira, dezembro 09, 2008

Lisboa com lixo até ao pescoço

Os trabalhadores da recolha do lixo entraram em greve. E António Costa apareceu com o José Sá Fernandes Empata atrás, feito emplastro, a dizer que não percebe o sentido da greve. Os funcionários não querem empresas a fazerem o trabalho deles e como cautela avançaram para a greve.
Duvida também da razão da greve mas é por estas e outras que o Poder muitas vezes começa a cair. Se Lisboa vier a ficar parecida com Nápoles cheia de lixarada não se admirem, e Costa que tem conseguido manter-se à tona sem que nada tenha feito pela cidade, pode começar agora a cair das sete colinas, na enxurrada do lixo.

segunda-feira, julho 28, 2008

Costa e Salgado apadrinham crime arquitectónico no Rato


António Costa e o seu vereador para o urbanismo Manuel Salgado estão a preparar-se para aprovarem mais um crime urbanístico em Lisboa numa das esquinas do Largo do Rato, a que confina com a Sinagoga de Lisboa e um edifício classificado da autoria do arquitecto Ventura Terra.
Paula Teixeira da Cruz, que é a presidente da Assembleia Municipa,l está em brasa contra o crime, e a vereadora Margarida Saavedra chegou a interromper as férias no Algarve para poder votar contra a construção do mastodonte. O projecto propõe um edifício de volumetria arrasadora para o local com um estilo de total ruptura, numa das zonas mais preservadas da capital, onde coexistem edifícios históricos e de referência de grande qualidade, os já citados atrás, e a Garagem da Auto Industrial, uma pérola da arquitectura portuguesa.
Manuel Salgado já veio defender o projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus. Percebe-se: quem projectou aquela aberração frente ao CCB não podia vir agora estar contra um caixote que parece a Casa da Música dos pequeninos. "Não fazemos réplicas!"- defende-se Mateus, como se a arquitectura que se integra tivesse de ser mimetista.
A cereja em cima do bolo: quem patrocina o crime arquitectónico é Diogo Vaz Guedes (ex-Somague) que agora está à frente da holding Gespura e que por coincidência foi da Comissão de Honra da candidatura de António Costa juntamente com o arquitecto da aberração Frederico Valsassina.
Depois de ter rejeitado por ressabiamento político o projecto de Ghery para o Parque Mayer, Costa apadrinha o fartar vilanagem dos novos salvadores da capital. É demasiado escandaloso para ser verdade. Mas é.

Aqueles que criticaram João Soares por teimar em fazer um elevador para o Castelo porque seria uma ruptura na cidade, aqueles que imolaram Krus Abecassis e o arquitecto Taveira por terem tido a coragem de construírem as Amoreiras, aqueles que atrasaram as obras do túnel do Marquês (e que nos custou a nós contribuintes uma fortuna!), aqueles que estiveram contra o projecto moderno e arrojado de Ghery, aqueles que vomitavam ódio ao CCB, esses esquerdalhos que elegeram um empata para Lisboa, porque não voltam a dar a cara e a defenderem uma cidade que se orgulhe do seu passado e se projecte num futuro de arrojo? Estão escondidos ou já fazem parte do sistema da grande mamadeira?

sábado, julho 12, 2008

Lisboa mais às moscas

Estão a entrar por dia em Lisboa menos 60mil carros mas essa falta não se faz sentir em aumento dos transportes públicos, logo: Lisboa está a ficar mais abandonada.
A minha teoria bate certo: conseguiram matar a cidade com todas as medidas restritivas, impostos, EMEL, multas, parques caros, moralismo com transportes públicos.
Quando se criam barreiras as pessoas escolhem outras paragens.
O problema é que estes políticos não aprendem. Não é Sr. Costa?

sábado, junho 21, 2008

Hotel de Salgado escapou à nova Lisboa ribeirinha

José Miguel Júdice desistiu de ser o arauto do governo no projecto da frente ribeirinha e demitiu-se.
António Costa não perdeu tempo: hoje mesmo meteu-se a ele, aos vereadores Manuel Salgado e ao empata Fernandes, convidou jornalistas, e lá foi num barco explicar o que vai acontecer à margem lisboeta. É de pôr já a mão no bolso! Vão mexer nele !

Quem está com sorte é o próprio Manuel Salgado. É que se um projecto a sério já tivesse sido aprovado para a frente ribeirinha, o seu hotel de luxo, o mamarracho que teve a ousadia de projectar para a doca de Belém, rivalizando com o CCB em volumetria e falta de integração, nunca teria sido construído.
Faz o que eu aprovo, não projetes o que eu faço.

segunda-feira, maio 26, 2008

A nova frente ribeirinha de Lisboa é uma loucura

Cais Sodré, foto tirada na passada semana. Foto LC
Uma respeitável senhora da direita dizia-me hoje ao fim da tarde que Lisboa continua na grande incerteza. Vejam estes números: 50 por cento da população da capital não tem rendimentos de trabalho, vive de reformas e afins. 60 por cento da população trabalhadora vive fora e vem a Lisboa trabalhar. E só 35 por cento dos que trabalham na cidade lá habitam. Estamos perante uma cidade moribunda sem economia, sem sangue na guelra, sem possibilidade de crescer e se revitalizar no imediato.
Mas, tal como o país em geral, o governo vai investir uma soma brutal de milhões na frente ribeirinha, em vez de tornar possível a verdadeira reabilitação da cidade que só pode ser feita com investimentos públicos e privados que gerem economia, tragam gente para a malha urbana e não mais uma feira de vaidades para alimentar o ego de um primeiro-ministro com antecedentes graves de pato-bravo.
Não há nenhum exemplo em nenhuma capital europeia com tanta decadência e com tanto investimento de novo-riquismo como Lisboa
E é bom acrescentar que se a EXPO 98 foi boa porque foi o que foi também é bom questionar que a debandada geral do centro de Lisboa começou com o incêndio do Chiado e com a política avestruza de Jorge Sampaio e culminou com a EXPO. Alguém com dinheiro iria investir num centro da cidade velho a derrocar depois de ter ali a EXPO à mão de investir ? Alguém quer viver no Chaido do Siza com preços exorbitantes, construção de má qualidade, sem sequer haver garagens para os automóveis ? Alguém de bom senso quer viver na baixa para correr o risco de levar uma facada depois da sete da tarde ? Quem quer pagar para isso ? Quem quer viver numa cidade fantasma, com um IMI brutal, EMEL a roubar, ruas escaqueiradas. Se Costa nem as ruas lava como quer ter uma frente ribeirinha de luxo ?

Sócrates vem dizer que não baixa o ISP. A classe média que pague o deficit mas depois investe em elefantes brancos que vão ficar a ser pagos por nós e pelos nossos filhos, se tiverem com que pagar.

sábado, janeiro 19, 2008

Maison de la Photo

Maison de la Photo esta tarde. Exposição de Boubat.
A Maison de la Photo, no célebre bairro parisiense do Marais, é um exemplo de como se pode fazer muito pela fotografia e pelos autores-fotógrafos.
Hoje à tarde fazia-se bicha para visitar algumas das exposições patentes entre elas a de Boubat ( com fotos de Portugal, que a nossa secretaria de estado da cultura devia comprar) e de Peter Knapp.
Aqui está uma instituição que transpira cultura fotográfica e que é dirigida por alguém que entende a essência da fotografia.
É a antítese do Centro Português de Fotografia, na Cadeia da Relação do Porto, e que foi dirigido nos últimos anos por Teresa Siza que tinha da fotografia uma noção "artística" e estrangeirada. Para ela o que cheirava a artista plástico armado em fotógrafo era bom, o que vinha de fora rotulado de "in"era mostrável. Assim desprezou os fotógrafos portugueses sem ter deixado um rasto de testemunho do que é a fotografia portuguesa contemporânea. Partiu e aquilo está sem director há meses. Quem se interessa por fotyografia ? Só se for o ministro Pinho !! E não escrevo sobre CPF por ressabiamento porque até lá estou representado.

Uma instituição como a Maison de la Photo não é só um museu com exposições mortas. Não. tem um auditório onde passam filmes sobre fotógrafos, uma excelente biblioteca e videoteca e uma livraria de pasmar. Corri o risco de ficar falido perante tanto livro e videos de fotógrafos. E há ali todas as escolas e tendências. Fotojornalismo, moda, paisagistas, clássicos e desalinhados. Mas todos são fotógrafos e não diletantes ou artistas falhados.
O ambiente é de franca abertura. Pode entrar-se de máquina fotográfica, fazer fotos. Aliás aqui em Paris entra-se em todo o lado de câmara e ninguém chateia. Estou-me a lembrar de entrar num mosteiro a cair em posse do IPPAR e a contínua não me deixar fotografar porque tinha de ter autorização do IPPAR do Porto! Em Portugal o ridículo mata e os burocratas instalados funcionam como aqueles funcionários africanos que por não terem nada para fazer chateiam. É uma forma de mostrar que são necessários.

A fotografia em Paris está com uma pujança enorme. As edições de livros proliferam e a nossa FNAC comparada com a Maison, o Beaubourg e outras livrarias célebres daqui parece a Bertrand há 30 anos.
A classe média aqui consome cultura e a cultura entrou no circuito do consumo mantendo a qualidade. Os livros de fotografia são edições cuidadas, de design apelativo e requintado, cada livro é uma obra de arte gráfica.Por exemplo o livro das edições do Seuil sobre a fotografia americana é de arrasar.

Ainda Paris-Lisboa

Alguns comentários de ontem aqui no Fatal referiam a minha ingenuidade ao falar de Paris pois quem cá vive não tem esta ideia perfeita. Claro que eu não acho que isto seja o paraíso na Terra. Mas o que disse ontem foi que as nossas cidades, nomeadamente Lisboa, têm de pôr de lado o novo-riquismo, o politicamente correcto.

Lisboa tem de ser uma cidade arrojada, cosmopolita e moderna. Uma cidade que acarinhe quem lá vive e a visita e não um território feito para taxar por tudo e nada. É o IMI alto, a EMEL, os radares a 50 ( nem pensar aqui!), a ameaça das taxas ( mais!) para entrar em Lisboa.
Os presidentes de câmara apostaram em correr com quem quer ir a Lisboa e sacrificar com impostos quem lá vive.
Eu adoro Lisboa, vivi lá muitos anos, mas agora sou muito mais feliz em Cascais. Já andam a dizer que a nova ponte vai trazer mais carros para Lisboa. Queriam que trouxesse o quê? As carroças e bicicletas dos pobrezinhos ?
As cidades fazem-se de vivência. Consumo, cultura, lazer e espaços de trabalho funcionais.
Lisboa perdeu tudo. Até o projecto do Frank Ghery que iria trazer grandes dividendos a Lisboa, vai ser substituído por um projecto daqueles arquitectos portugueses muito bons e de esquerda que escrevem nas esquinas dos seus edifícios " Bonjour Tristesse".
O turismo está cada vez mais comprometido em Lisboa. Só se vai a Lisboa ouvir fado e visitar os Jerónimos o que dá de nós ainda aquela ideia do " Les portugais sont toujours gais!". talvez Pinho adapte a frase para " les portugugais sont 10 pour cent gays!".

Adieu Paris. E viva a fotografia.

quinta-feira, maio 24, 2007

A lata de Carmona e a ironia de Costa

Foto de Luiz Carvalho, Lisboa 2001
O avanço de Carmona para Lisboa traz consigo aquela atitude sempre corajosa de o desgraçado perdedor se deitar às feras para ser papado. Lembremo-nos que Carmona, o sonso, se apresentou na primeira jornada como o professor competente que ia ganhar contra os políticos. Mesmo contra Santana a quem devia o favor de o ter posto a correr na pista dos avançados. Numa atitude que fazia lembrar o PRD que também era constituído por políticos que não eram políticos mas generais na reserva e criadores de vacas ribatejanas, além de Manuela Eanes numa remake saloia de Evita da Madre de Deus, Carmona ganhou porque Carrilho deu uma daquelas carrilhadas desafinadas. Ganhou a um candidato que teria sido um bom presidente de câmara mas que foi um mau candidato. Agora Carmona regressa e que vai fazer estragos no PSD ninguém duvida. A sondagem de hoje do DN era já esclarecedora. E que vai partir o resto que já estava em cacos desta salada de candidatos também já ninguém duvida. Os velhinhos que ainda vivem na capital vão ter muito que matutar para encontrarem um candidato sério e com verdadeira vocação de autarca. António Costa já mostrou a sua face ao vir dizer que “era bom que os lisboetas fossem ouvidos sobre a localização do futuro aeroporto”. É a política dura sem dó dos que vivem e amam a mais bela cidade do Mundo: Lisboa

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Lisboa em jornalismo multimédia

Acabo de descobrir LISBOA 24 um trabalho de atelier de jornalismo organizado por António Granado. Muito bom. Vejam aqui.

domingo, novembro 12, 2006

O cinismo de Sócrates


O congresso do PS passou-me ao lado.
Só vi Sócrates aos berros na tv a prometer um aumento do salário minimo em 3 fases e 3 anos. Temo o pior. Quando Sócrates promete aos pobres já deve estar a congeminar roubar à classe média ! Ele odeia a classe média com a sua mentalidade de esquerdalho complexado com resquicios de bom samaritano.
No final do congresso fugiu dos jornalistas como o diabo da cruz. Faz de Cavaco no tempo em que era governo.
O cinismo em política tem limites e este governo começa a enjoar pela incompetência e arrogância.

Os indicadores europeus prevêm que vamos ficar atrás de Malta e da Estónia, vamos crescer 1,2 por cento, muito menos do que a média europeia. Os portugas estão calmos com a habitual resignação carneirista.
O que é preciso é aumentar os parkings, acabar com os carros em Lisboa, limitar a velocidade a 30 ( este Carmona está mesmo maluco!), chatear os cidadãos, dar um ar de esquerda e sacar uns cobres. O resto Sócrates cumpre. Quando o país estiver mais no fundo chamem o António!!!

PS- Se Sócrates quer referendo para decidir se sim ou não à despenalização do aborto porque não faz um referendo para pôr ou não portagens nas Scuts ? Afinal votaram no palerma para quê ? Para ainda termos de decidir por ele quando lhe convém?

quarta-feira, novembro 08, 2006

Uma hora no Bairro Alto com a Leica M8 (1)

Fotos de Luiz Carvalho, feitas hoje no Chiado e Bairro Alto, com LEICA M8

quarta-feira, novembro 01, 2006

Castelo em Lisboa cercado aos visitantes

Bons tempos quando o Costa do Castelo podia levar o carro até à porta de casa.

Sou das poucas pessoas que admite públicamente que detesto aquela treta dos carros fora das cidades. As cidades querem-se cheias de néons, confusão, outdoors, frenesim, carros a buzinarem. Mas também se querem com bons transportes públicos, zonas verdes, esplanadas, segurança.
Nova Yorque consegue este pleno. As crianças brincam em Central Park, o Zoo é em Central Park, os namorados fazem amor em Central Park. A segurança voltou à cidade. Há avenidas cheias de táxis a buzinarem que se cruzam com bicicletas, velhinhos em cadeiras de rodas. Tudo convive e vive bem.
Pode subir-se aos céus, jantar nas nuvens, frequentar livrarias ou restaurantes nauseabundos. É uma cidade universal e diversa no que dá e recebe.
Uma cidade para todos e para todos os gostos. Uma cidade de liberdade.

Lisboa é o contrário disto.
É uma cidade insegura, caótica, cara, com pretensões políticamente correctas.
Hoje voltei a Lisboa. O bairro em volta do castelo foi cortado ao trânsito. Tive de andar por ruas esburacadas com a calçada escalavrada, ruas escuras. Alguém me disse depois: devias ter escondido a máquina. Há dias esfaquearam um turista para lhe tirarem a câmera.
Mas estando a cidade a caír, a câmara não hesitou em cortar ruas, dificultar acessos.
Gostava de saber quem lucra com este esquema, ainda por cima caro. Quem quer ir ao bairro passa a evitar ir, quem tem mesmo de ir é penalisado, quem lá mora pragueja porque nem dois carros pode estacionar.
Uma vergonha mascarada com polítiquice correcta.
A esquerda festiva e ecologistas conseguiram o que andaram anos a apregoar por causa dos carros. A direita viu nesta bandeira um causa boa para apadrinhar: satisfaz a esquerdalhada e como não tem uma ideia adopta esta. Ainda por cima dá dinheiro e mostra serviço, mesmo que as ruas estejam imundas, a calçada parecida com um bombardeamento de Bagdad, os prédios a tombarem para o eixo da rua.

A minha crónica poética de ontem dá hoje lugar a este desabafo. Sei que ninguém me dará razão. Paciência.

Passadas umas horas tive de ir ao novo Prior Velho.
Ali a obra é da câmara de Loures. Construiu a nova zona do Prior Velho como se fosse uma antiga cidade de Leste. Ruas à esquadria, prédios de gavetas em gavetos.
Os nomes das ruas estão escondidos. Aquilo é só para quem sabe.
Descobertos os nomes, parecem uma romagem ao comunismo.
Todas as ruas têm nomes de famosos esquerdalhos, de Severiano Falcão- o tetrassauro comuna- até Salvador Allende. Uma câmara dá-se ao luxo de pôr as toponímias conforme a côr partidária. Uma vergonha.
É este o poder local que temos, que pagamos e que temos de aguentar.