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domingo, junho 11, 2006

Vingando Ronaldo




Cicarelli, a manequim brasileira, gosta de provocar o ex-namorado Ronaldo. Com o Mundial a ferver a manequim despiu-se desafiando o sangue frio do jogador. Antes já dera que falar quando entrou pela boda do jogador como se tivesse sido convidada. Mas isso já é passado.O presente é mesmo só provocação pura.

90 minutos de paz social

Às 21 horas de hoje, o Bairro de Alvalade em Lisboa, estava completamente silencioso. Nas ruas não se via ninguém a não ser umas velhotas perdidas nas paragens do autocarro. Podia ser uma cidade fantasma. Depois a caminho do Estoril, segunda circular, A5, passavam uns carros de quando em vez, com os faróis a anunciarem o início da noite.

A Rádio Marginal, na sua programação marginal, deu-se ao luxo de nem sequer ter referido no noticiário das 21 que havia jogo de Portugal, muito menos que ganhávamos 1-0 devido a uma bela passagem de Figo para Pauleta que deu golo em grande.
É por estas e outras pérolas sonoras que só ouço Rádio Marginal.

Os portugas enfiaram-se em casa e estiveram entretidos sem chatearem ninguém durante hora e meia.Um pouco como os pais que respiram fundo quando os traquinas dos filhos se alienam com morangos selvagens.

O engenheiro Sócrates, que anda mortinho por tirar trânsito nas cidades numa daquelas suas patetíces politicamente correctas, podia dar futebol ao povo todos os dias e assim resolvia um problema ecológico e, já agora, social:poupar-nos à fúria incontida de milhares de energúmenos que fazem do futebol uma praga, apesar do desporto em si não ter culpa e até chegar a ser estimulante.
Principalmente quando há tremoços por perto !...

Fotogaleria Portugal-Angola

Veja as fotografias do Portugal-Angola

911 Super Star



É da côr do meu e estou ansioso pela estreia de Cars, anunciada ainda para este mês. Irresistível não postar a porcheta.

Ronaldo menino de ouro


Ao mesmo tempo que o Mundial me irrita, tal como ontem por aqui desabafei, também me emocionam figuras como as de Ronaldo. O seu ar simples e determinado, a modéstia na postura e o bom gosto que vai desde ter encomendado o projecto da sua futura casa ao arquitecto Souto Moura e de ter atraído a bela Romero para a sua vida,tudo é bom no conjunto do puto. Oxalá o resultado de amanhã seja digno de um jogador como ele.

Foto do dia



Maradona dá força à equipa argentina no estádio de Hamburgo

sexta-feira, junho 09, 2006

Futebolada total

Começou hoje o Mundial. Vamos viver 30 dias de agitação colectiva. Portugal voltou a pendurar as bandeirolas à janela, a usar cachecol no verão, a pintar a tromba de multicores. Adoramos festança. Podemos desprezar o trabalho e o seu valor. Mas quando toca a reunir para a futebolada…o povo gosta. Gosta como gosta de Cavaco que já tem a popularidade que Sampaio demorou anos a obter.
Amanhã lá vai ele condecorar uma boa parte de apoiantes seus e de gente de esquerda como Óscar Lopes. O país rendeu-se ao futebol, ao cavaquismo e ao politicamente correcto do engenheiro Sócrates que quer proibir o fumo em locais públicos, como Hitler o fez, mas já não se importa que a nova lei do ruído permita algazarra até mais tarde.
Vem aí o verão, as férias, as pontes e o futebol. E eu estou para aqui a escrever, a esta hora, sobre um Portugal decadente, quando devia olhar para o sono profundo e sereno do meu filho David.O futuro.

Foto do dia


Geração Apple

Blogues e democratização da Web

Não resisto ainda a citar outro artigo muito interessante do Público de ontem. Interessa a todos nós que acreditamos na internet e nas novas tendências dos media.

"Os blogues democratizaram a Web e quebraram as restrições dos media"
Em todo o mundo o número de blogues duplica de seis em seis meses e, em cada segundo, um novo blogue é criado. Apesar dos números impressionantes, a blogosfera é ainda um espaço marginal para o universo de utilizadores da Internet e estes são uma pequena parte quando comparados com o número de pessoas que não acedem à Web. Que razões explicam então a enorme visibilidade alcançada pelos blogues e que os tornou alvo da cobiça de empresas em busca de novos espaços para publicidade?
Na opinião de António Granado, chefe de redacção do PÚBLICO e docente na licenciatura em Jornalismo da Universidade de Coimbra, a grande característica inovadora que os blogues introduziram foi a "democratização da Web" e a possibilidade de "qualquer pessoa publicar o que entender, quando entender". Já Rogério Santos, docente de Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa, prefere realçar a enorme especialização atingida pelos blogues, que os levou a assumirem-se como "fontes complementares dos media tradicionais".
O fenómeno de expansão e visibilidade dos blogues foi um dos pontos que marcaram a "Reflexão em torno da Blogosfera", promovida terça-feira à tarde pela Livraria Minerva, em Coimbra, e que juntou na mesma mesa os autores dos blogues Ponto Media (António Granado) e Indústrias Culturais (Rogério Santos).
Insistindo na característica "democrática" dos blogues em contraste com a "inacessibilidade" e as "restrições" impostas pelos meios de comunicação tradicionais, António Granado defendeu que a visibilidade alcançada pela blogosfera não vai esmorecer. "É uma ferramenta que permite que qualquer pessoa publique o que bem entender, quando bem entender, praticamente de todo o lado. Já existem telemóveis que permitem fazer publicação de posts. Este é o único media onde os utilizadores têm uma liberdade total e espaço gratuito para publicar", afirmou.
Rogério Santos comparou o movimento de expansão da blogosfera ao da rádio no início do século XX, um movimento, sublinhou, de "progressiva proliferação de um meio ou ferramenta das elites até à população em geral". Será este processo de expansão que irá definir o impacto que a blogosfera poderá assumir, embora os primeiros sinais sejam já visíveis: "Os blogues estão a adquirir uma faceta comercial e de potencial económico que as empresas estão a descobrir e que vai acrescentar-se ao lado lúdico que já possui."
Segundo António Granado, existem, no estrangeiro, empresas que observam blogues para encontrar novos espaços publicitários, uma tendência que considera ser natural na medida em que diversos blogues são referências em determinadas áreas de conhecimento. "Os blogues têm grande potencial económico porque muitos se tornaram verdadeiros faróis. Os autores mostraram que sabiam escrever sobre determinado assunto e hoje há blogues que são muito melhores sobre determinadas matérias do que o PÚBLICO ou a SIC Notícias", defendeu. André Jegundo

Reuters abandona cinzentismo

Citando o Público de ontem:

Prefere ouvir as suas notícias acompanhadas de hip-hop ou de chill out? No Reuters Newsbeats pode escolher o som ambiente do seu "audiojornal". Este é um dos serviços em regime experimental, que estão a ser cozinhados nos Reuters Labs, onde a agência, conhecida pela informação pura e dura, mas de referência, está a ensaiar maneiras novas de informar. No Reuters Newsbeats, as notícias em formato áudio têm trilhas de música e separadores dedicados ao público mais jovem. A voz radiofónica estilo BBC está lá. E o ritmo do hip hop também. Mas há mais nestes laboratórios. Há podcasts de canais específicos de informação, wiki (enciclopédia online para a qual todos podem contribuir) de termos financeiros, serviços de vídeo na Net e blogues especializados. O objectivo é responder à pergunta que Mark Glaser, especialista da Reuters em novos media, colocava num artigo: "No novo mundo dos "cidadãos jornalistas", com bloggers, podcasters e videojornalistas, que lugar ocupa a velha e bolorenta agência de notícias?"

quinta-feira, junho 08, 2006



Tinha 88 anos morreu ontem em Nova Iorque de ataque cardíaco.Chamava-se Arnold Newman e era uma das referências da fotografia contemporânea.Os seus modelos eram orientados para se obter uma imagem final expressionista. " Retrato ambiental", alguém definiu o seu estilo de trabalho.
Fotografou para todo o lado mas foi em LOOK e LIFE que as suas fotografias mais brilharam.
Desapareceu mais um mestre da fotografia que " retratou os grandes, famosos e às vezes infames de todo o mundo e de todas as esferas da vida".

Revolução digital em Moscovo

Com a devida vénia ao José Manuel Fernandes, caro amigo e director do jornal Público, não posso deixar de transcrever aqui a sua excelente peça, publicada no seu jornal de hoje, sobre a evolução dos jornais em papel e online.
Ele esteve agora num encontro mundial de jornalistas em Moscovo onde muita coisa a ferver se discutiu. Eu subscrevo totalmente o que foi dito. Mais: é minha profunda convicção de que o rumo vai ser este para a imprensa nos próximos anos.
Como me dizia hoje Paulo Querido, tudo evoluiu muito rápidamente nos últimos três meses.
A internet não traz leitores para o papel, ao contrário: pode criar um novo público consumidor dos títulos de referência e com essa audiência é uma nova forma de negócio, através da publicidade, que se abre.

Aí vai:

Os jornais têm de mudar depressa e vão passar por tempos turbulentos, pois se há um "admirável mundo novo" à vista, poucos ainda descobriram qual o modelo de negócio que entretanto lhes permitirá sobreviver
Nathan Stoll tem ainda um ar adolescente e farta-se de repetir que não é jornalista, antes um computer scientist. Com razão, sobretudo se nos lembrarmos do seu curriculum e soubermos que trabalha na Google. Contudo, foi um dos que desenvolveram o algoritmo que faz funcionar os computadores que seleccionam automaticamente as notícias mais importantes para as disponibilizar no Google News. Na sala cheia de directores e editores seguia-se com alguma desconfiança o fio do seu raciocínio e muitos percebiam que estava ali uma das ameaças ao jornalismo tal como hoje o conhecemos - uma ameaça bem real.
Na manhã seguinte um escocês com um ar particularmente excêntrico subiria ao mesmo palco, do 13.º Fórum Mundial de Directores, que ontem terminou em Moscovo, para confessar ser um leitor compulsivo desde muito novo e acreditar que só assim tinha chegado onde chegou, ao topo da Microsoft. Com o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo e envergando o tradicional kilt, a sua mensagem era bem diferente: para ele os jornalistas serão sempre os autenticadores das notícias, mas terão de habituar-se a trabalhar de forma muito diferente. Para a sala trouxe um pequeno aparelho do tamanho de uma folha A4 e com a espessura de um dedo onde já é possível ler, com a mesma facilidade que no papel, o The New York Times.
O projecto não está ainda concluído (prometeram-no para daqui a seis, oito semanas), mas quando estiver, o leitor habitual do jornal nova-iorquino receberá de hora a hora no seu aparelho (ou no seu computador) a versão actualizada do seu jornal e tudo o que foi publicado nos sete dias anteriores. A paginação tem a mesma legibilidade da de um jornal impresso, agora mais fácil de ler no metro ou à mesa do café. E com a vantagem adicional de incluir os mesmos anúncios, ou semelhantes, da edição em papel.
Durante os três dias que estiveram reunidos em Moscovo, 1700 proprietários e directores de jornais escutaram visões muito distintas - mas quase sempre desafiantes - sobre o futuro da sua indústria. Confirmaram que tudo está a mudar, e muito mais depressa do que se julgava. Se a nível global a imprensa ainda cresce graças ao boom da Índia e da China, nos países desenvolvidos os números indicam uma tendência para o declínio e uma enorme dificuldade em atrair novos leitores.
Mais: se antes haviam sobrevivido bem à rádio e à televisão, se nos primeiros tempos da Internet até foram protagonistas na sua rápida expansão, hoje enfrentam o desafio dos chamados "cidadãos jornalistas" - de que os blogues são apenas uma manifestação - mas também da ideia de que o acesso à informação não necessita de ser pago "já que ela está por todo o lado".

Jornais procuram novas formas de captar público
Para enfrentar este novo tipo de desafios, jornais de todo o mundo estão a procurar novas soluções que implicam inovação, inovação e mais inovação. Tabus de há alguns anos começam a cair.
O Washington Post veio por exemplo dar conta de que, na sua redacção, já há 50 jornalistas que saem para a rua com uma câmara de vídeo, que já instalaram um estúdio de rádio e que a empresa assumiu de alto a baixo que a interactividade com os leitores é um mecanismo essencial para sobreviver.
Jornais sérios e circunspectos, como o El País, explicaram que para conseguirem aumentar as suas vendas ao fim-de-semana - e terem muito mais mulheres a lerem-no - alteraram o registo habitual e vão antes à procura do lado humano dos políticos e das figuras públicas.
Algumas soluções adoptadas pelo The Guardian aquando da sua remodelação gráfica foram destacadas por representarem uma viragem e não apenas uma nova roupagem: "Encontraram formas de dizer mais com menos palavras", sublinhou o representante da empresa de consultadoria Innovation enquanto mostrava como grandes fotografias obrigavam o texto quase a desaparecer, com vantagem para todos.
O principal jornal económico da Holanda, que também está a testar um suporte semelhante ao apresentado pela Microsoft, mas trabalhando com a Phillips e uma universidade, fez todos lerem algumas mensagens de jovens sublinhando a importância de nas redacções existirem mais pessoas que já cresceram "na era do digital".
Mesmo assim, num ponto quase todos convergiram: os jornais e os jornalistas podem e devem continuar a funcionar como referências, como "marcadores" no oceano de informações dispersas, no fundo, como "autenticadores de notícias", na expressão do escocês da Microsoft. Mas, para tal, o que contará mais será a fiabilidade, utilidade e proximidade das "marcas", isto é, dos títulos prestigiosos da imprensa clássica. Se não conseguirem manter esse lugar, os jornais podem atravessar um período ainda mais conturbado do que o actual, em que as receitas em queda começam a não suportar custos fixos muito altos.

Timor para Totós

Não sei como se sentirá o engenheiro Sócrates depois do vexame a que a GNR se está a submeter em Timor. Para quem fez uma cerimónia de pompa e circunstância frente à Torre de Belém, como se fosse uma partida de heróis para a guerra, e agora assiste calado ao cerco à tropa em Díli. Não deve ser fácil.

Ainda por cima Freitas do Amaral, numa daquelas suas tiradas inconscientes, veio criticar o primeiro - ministro da Austrália por ter dito que Timor não estava a ser bem governado. Tem a resposta: as tropas australianas paralisam as portuguesas. Já não é a guerra Alkatiri-Xanana passou a ser um caso Portugal - Austrália.
Se o ridículo matasse a tropa portuguesa já estava abatida.

O nosso paternalismo patético num misto de má consciência colonial com esquerdismo beato, dá isto. O contribuinte paga para o país fazer figura de totó.

Depois, na hora das grandes decisões Timor marimba-se em Portugal. Veja-se o que aconteceu com o negócio do petróleo. Na hora, Alkatiri preferiu os italianos aos portugueses e australianos.
Porque não vai Alkatiri pedir agora ajuda aos italianos ?

terça-feira, junho 06, 2006


Descobri agora no suplemento do EL PAIS,EP3,o novo video clip de Paris Hilton. Não quis deixar de partilhar com os meus leitores. A política editorial do diário espanhol surpreende sempre pela positiva. A abertura a todo o tipo de conteúdos, a vários públicos, é uma das chaves do sucesso do jornal, pese embora o facto de as suas tiragens terem diminuído, um pouco como está a acontecer por todo o lado.

Os diários espanhóis no total aumentaram 12 por cento de audiência mas ao que parece isso deve-se à concorrência desenfreada dos gratuitos. Só o El Mundo conseguiu aumentar as vendas.

ver video de Paris Hilton

Vídeo refrescante de Paris Hilton

segunda-feira, junho 05, 2006

SIDA tem 25 anos

A SIDA tem 25 anos. Foi a doença que mudou comportamentos sociais e pôs em causa uma forma de estar na vida liberal e libertadora do corpo.Não adiantará muito eu perder tempo em considerações que não passarão de lugares comuns.
Fica aqui a minha sugestão para o tratamento multimédia que o jornal EL MUNDO deu ao tema. Depois não me digam que a linguagem multimédia não está a revoluconar o jornalismo.Clique aqui.

domingo, junho 04, 2006

Whashington Post despede 70

A crise do jornalismo escrito não se manifesta só em Portugal. Podemos até dizer que essa crise de leitores ainda não se manifestou com a evidência com que se tem sentido em países como os Estados Unidos.A última notícia muito preocupante é de ontem e anuncia que o Whashington Post acaba de negociar a saída de 70 jornalistas do seu quadro. São editores, fotógrafos, colunistas, repórteres decanos. A realidade é dura: as tiragens não param de descer e o aumento que houve na audiência online, com receitas significativas, não chega nem de longe para cobrir os constantes aumentos de custos da produção da edição em papel.
Preocupante. Era bom que tirássemos por cá conclusões enquanto é tempo: porque andam os leitores afastados dos jornais, como reconquistá-los e a que preço. Estaremos a fazer os jornais que os leitores querem ?

Matança de Tianamen foi há 17 anos



A revolta de Tianamen foi há 17 anos. Era 4 de Junho, milhares de estudantes manifestavam-se em Pequin contra o regime comunista quando militares cercaram a Praça Tianamen e massacraram dois mil estudantes com tanques e baionetas.

Este horror, transmitido em directo pela CNN, e com a presença de dezenas de jornalistas ocidentais, correu mundo, pôs em causa o regime comunista, mas a verdade é que passados todos estes anos o que mudou na China foi o regime económico e não o político.
Um país, dois sistemas, assim tem conseguido a China crescer e desafiar o Mundo.

Hoje em Hong Kong, no Parque Victoria, milhares de pessoas reuniram-se para lembrar a triste data, com flores, velas acesas e cânticos à democracia. Ao contrário da “outra China” Hong Kong e Macau, devido aos seus estatutos de autonomia puderam manifestar-se lembrando a matança de Tianamen.

Há 17 anos da janela do quarto de Hotel, o fotojornalista Stuart Franklin da agência Magnum conseguia fotografar um manifestante resistente ao avanço dos tanques do poder comunista. Ganhou com esta fotografia o World Press Photo.

O cameraman português Mário de Carvalho, então ao serviço da cadeia ABC no mesmo local, diz num livro seu que o homem que desafiava o tanque estava a caír de bêbado, daí a sua aparente coragem.
Assim se fazem alguns mitos da História.

sábado, junho 03, 2006

O carlitos já não trabalha

O Carlitos já não trabalha. É a notícia que o Expresso desta semana confirma, depois de ter denunciado no passado sábado o facto de sapatos da marca Zara serem fabricados à mãos em casas de famílias do Norte com a ajuda de crianças.
A notícia correu mundo e foi citada em inúmeros jornais internacionais de referência.
O miúdo protagonista da foto, o Carlitos, tornou-se num símbolo do trabalho infantil que ainda persiste no país do choque tecnológico.

O receio que houve em publicar a notícia inicial já que podia pôr em causa o sustento daquela família pobre, acabou por ter um final menos infeliz: inspectores da Zara puseram-se ao caminho e conseguiram identificar a família e impôr condições para continuar a ter trabalho e sustento.

A notícia vem no Expresso desta semana.

A lição fica aqui: ainda vale a pena fazer jornalismo de investigação e causas.
Os leitores vão decerto agradecer.

quinta-feira, junho 01, 2006

Dois países e seus dois rostos


Timor está a arder outra vez. O que ninguém quer dizer, nem explicar nos jornais, nem noutro local, é que a velha guerra Alkatiri - Xanana está consumada. Como alguém me dizia hoje:” Um é competente e mal encarado, o outro é incompetente e populista”. Não vale a pena explicar quem é quem neste dueto.
Claro que a GNR lá abalou para defender os irmãos desavindos e Sócrates não faltou à bênção do adeus com a Torre de Belém por trás. Não sabemos se a Dona Maria espreitou através dos reposteiros das janelas do palácio rosa a ver a banda passar rumo a Lorossai. Mas vontade de distribuir uns pirilampos mágicos pelos nossos bravos do pelotão não lhe faltaria.

A verdade é que Portugal é que paga, nós pagamos dos nossos impostos brigadas de salvação para aqueles que brincam às birras do poder quando deviam estar a trabalhar para honrarem uma liberdade quase dada.

Somos uma pátria de bonzinhos. Até Cavaco é bom, para não ficar atrás do Soares fixe. E se durante o cavaquismo governativo o Alentejo foi dado ao ostracismo ao ponto do projecto do Alqueva ter sido posto em causa, se o então primeiro-ministro estava mais interessado em betão, alcatrão e outros materiais eternos, agora… vai ao Alentejo pedir pelos velhinhos. E vai mais longe: quer que os jovens se fixem nas aldeias. Safa! -dirão os putos.

Uma pátria de boa vontade. O PR esteve 10 anos no poder como primeiro. Criou o monstro orçamental: inventou o 14º mês para os reformados, o sistema retributivo da função pública, o ensino caótico, 0 monstro da saúde.
Agora faz excursões pelo país desertificado pregando pelos desamparados. Como cinismo político não pode haver melhor.
E a santa aliança PM/PR ai está a funcionar. Aplaudem-se um ao outro. Reina a paz no reino podre mas uma coisa temos melhor do que os timorenses: aqui os dois pilares da nação adoram-se, o povo está sereno. Abençoados.

Jornalismo online no Clube de Jornalistas

Muito interessante o debate de hoje no Clube de Jornalistas sobre jornalismo online.
Algumas ideias foram ali lançadas:

Jornalismo online não tem de ser jornalismo multimédia.
Os jornais online concebidos como reféns dos conteúdos, e da forma, do papel é um conceito de há 10 anos.
Os jornais online em Portugal são paupérrimos, pouco ambiciosos e uma sombra do jornalismo online de referência mundial ( basta comparar com Espanha).
As escolas de comunicação social ainda não estão a formar uma nova geração de jornalistas multimédia.
Ainda não há em Portugal, e também lá fora, uma estratégia comercial, de negócio para a informação na net. Um absurdo se tivermos em conta o número de usuários.
A fusão total de redações on-off é um disparate porque as notícias online não se compadecem com o ritmo das redacções off, mesmo nos diários.
Os leitores até aos 25 anos 90 por cento interessa-se por notícias...na net.
O conceito de linkar por tudo e por nada é outro conceito de há 10 anos. Agora é a linguagem multimédia que está a dar: vídeos, podcasts audio e vídeo, infografia animada ( que não é a infografia de televisão), uso e abuso do flash, enfim: com a banda larga e a nova, simples e barata tecnologia digital de captação e edição de imagens e audio é uma nova forma de expressão que aí está.

Agora digo eu: hoje podemos fazer directos em video para a net a partir de uma mini câmera, um portátil e uma qualquer ligação ADSL ( ver propostas Akamai), por tuta e meia. A formação de jornalistas multiplataforma é fácil se tivermos em atenção que a internet e seu ambiente exige entusiasmo de equipa, criatividade, espírito inovador, contrário à velha forma do sargento chefe de redacção que quando pode não sabe mandar e quando manda transforma a redacção numa sala de castigos.
O jornalismo online faz-se com equipas jovens, reduzidas e imaginativas. Na net podemos experimentar, fazer laboratório, medir reacções imediatas do público. Na net a relação emotiva que se conseguir com o público será determinante para se obter uma significativa comunidade de aderentes.
Passado quase 1 mês de ter gravado a minha declaração para o programa desta noite, alguns dias depois de ter saído de editor multimédia do Expresso, subscrevo totalmente o que afirmei. Isto é: o jornalismo online exige outra postura, outra prática e uma vivacidade que não é compatível com o jornalismo tradicional. Não por capricho, mas porque cada meio e a sua especificidade acabam por gerar linguagens novas e decisões editoriais diferentes.
Voltarei a este assunto.