O ditador foi acicatado com provocações dos soldados e observadores que assistiam à sua execução com gritos de "vai para o inferno". As imagens, que circularam na Internet, geraram ultraje e aumentaram as críticas à decisão de executar Saddam Hussein, quer da parte de países aliados do Iraque quer de países árabes sunitas, bem como alimentaram as tensões sectárias no coração do Iraque.
Gordon Brown lamentou o efeito de choque das imagens e da execução. "Mesmo aqueles que, ao contrário de mim, são a favor da pena de morte acharam isto totalmente inaceitável. Nada fez para diminuir as tensões entre as comunidades xiitas e sunitas".
O Presidente norte-americano, George W. Bush, comentou o enforcamento de Saddam e indicou que este deveria ter-se realizado de uma "forma mais digna", apesar de considerar que foi feita justiça.
Tony Blair ainda não comentou o assunto e, no dia da execução de Saddam, a 30 de Dezembro, encontrava-se de férias em Miami, em casa de um amigo, membro dos Bee Gees.
domingo, janeiro 07, 2007
Ministro de Blair condena "deplorável" execução
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sábado, janeiro 06, 2007
Morte de Saddam é assunto do Iraque
É um "assunto interno que diz apenas respeito aos iraquianos", disse o primeiro-ministro Nouri al-Maliki.
Falando numa cerimónia oficial para assinalar o 86 aniversário da fundação do Exército iraquiano, al-Maliki disse "rejeitar e condenar as reacções, oficiais ou através dos médias, de certos governos".
"Estamos estupefactos com certas reacções de alguns governos que choram o fim do déspota sob o pretexto de que foi executado num dia santo, ele que sempre violou as festas santas", adiantou o primeiro-ministro iraquiano.
O governante considerou que se trata "uma flagrante interferência nos assuntos internos do Iraque e uma afronta às famílias das vítimas" (de Saddam Hussein).
Este foi o primeiro comentário do primeiro-ministro às reacções à execução de Sadam Hussein, enforcado a 30 de Dezembro, durante a festividade muçulmana do dia santo Adha, numa caserna a norte de Bagdad.
Um vídeo pirata da sua morte, efectuado por telemóvel e divulgado na Internet, suscitou a indignação da comunidade internacional.
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sexta-feira, janeiro 05, 2007
Saddam enforcado em boneco de trapo nos EUA
Apesar das críticas, o boneco de Saddam enforcado já é, segundo seu fabricante, "um sucesso de vendas".
Taxado de macabro e de brincadeira de mau gosto, o boneco foi criado por uma pequena empresa americana chamada Herobuilders, que o colocou no mercado há uma semana. "Saddam foi a pessoa do ano", disse o dono da empresa, Emil Vicale, justificando o lançamento. "Temos outros três modelos (fardado, com terno e com uma longa barba, quando foi capturado) em diferentes momentos da vida do ex-ditador, portanto achamos que seria genial retratar seu último momento."
Junto com Saddam, foram lançados outros dois bonecos polêmicos: o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o do Irã, Mahmud Ahmadinejad. A réplica do venezuelano vem com um "diferencial": fala. Ele repete diversas vezes o discurso que pronunciou na Assembléia Geral da ONU, em setembro: "O diabo está nessa casa. Ontem o diabo veio aqui. Este lugar cheira a enxofre". Já o iraniano veste uma camiseta com a frase: "Deixem eles comerem o yellow cake", em referência ao concentrado de urânio usado em usinas nucleares.
Suicidas
Dois jovens se enforcaram nos últimos dias, em episódios aparentemente relacionados à execução do ex-ditador. Na Índia, uma adolescente se enforcou depois de dizer que "queria sentir a dor de Saddam". O segundo caso foi em Houston (EUA), com um menino de 10 anos. A polícia acha que ele tentou imitar o enforcamento e acabou perdendo o controle.
O governo do Iraque disse que não cederá à pressão internacional para não executar os dois colaboradores de Saddam. Ainda não há data para o enforcamento, mas o deputado Baha Araji afirmou que será no domingo. Segundo a Casa Branca, o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, concordou com o envio de mais tropas dos EUA ao país.
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quarta-feira, janeiro 03, 2007
A carta que Saddam escreveu antes de ser fuzilado
O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, executado na forca neste sábado (30), disse em carta de despedida divulgada na quarta-feira (27) que sua execução seria um sacrifício para o país, e que os iraquianos devem se unir para combater as forças dos Estados Unidos.
"Ofereço aqui minha alma a Deus como sacrifício, e se quiser Ele a mandará para o céu com os mártires...", disse Saddam na carta manuscrita.
Os advogados disseram que o texto foi escrito logo depois de Saddam ser sentenciado à morte, em novembro, pela morte de 148 xiitas na aldeia de Dujail, onde o ex-ditador sofreu um atentado em 1982.
A rede britânica BBC publicou os principais trechos da carta (em inglês). O original foi escrito em árabe.
Leia abaixo a carta de Saddam Hussein, traduzida pelo G1 a partir do material da BBC:
"No passado, como todos vocês sabem, tomei parte no campo de batalha da jihad.
Deus, louvado seja Ele, desejou que eu enfrentasse isso da mesma maneira e com o mesmo espírito no qual estávamos antes da revolução, mas com um problema que é maior e mais severo.
Oh, meus amados, essa situação dura que nós e nosso grande Iraque estamos enfrentando é uma nova lição e uma nova provação que julgará o povo, a cada um de acordo com suas intenções, de forma que ela se torne um sinal diante de Deus e do povo no presente e depois que nossa situação atual se transforme em história gloriosa.
É, acima de tudo, a fundação sob a qual o sucesso das fases futuras da história poderá ser construído.
Nesta situação, e em nenhuma outra, os verdadeiros são os honestos e fiéis, e os opostos a eles são os falsos.
Quando a gente insignificante usa o poder dado a ele pelos estrangeiros para oprimir seu próprio povo, ela só consegue ser sem valor e simplória. No nosso país, só o bem poderá resultar daquilo que estamos experimentando.
À grande nação, ao povo do nosso país, e à humanidade: muitos de vocês sabem que o autor desta carta é fiel, honesto, preocupado com os outros, sábio, de julgamento sólido, decidido, cuidadoso com a riqueza do povo e do estado... e que seu coração é grande o suficiente para abraçar a todos sem discriminação.
Seu coração sofre pelos pobres e ele não descansa enquanto não ajuda a melhorar a condição deles e cuida de suas necessidades.
Seu coração contém todo o seu povo e toda a sua nação, e ele anseia por ser honesto e fiel, sem fazer diferença entre seu povo, a não ser no que diz respeito a seus esforços, eficiência e patriotismo.
Fala hoje em nome de vocês e dos seus olhos, e dos olhos de nossa ação e os olhos dos justos, o povo da verdade, onde quer que a bandeira deles seja hasteada.
Vocês conhecem bem seu irmão e líder, e ele nunca se curvou aos déspotas e, de acordo com os desejos dos que o amaram, permaneceu uma espada e uma bandeira.
É assim que vocês querem que seu irmão, filho ou líder seja... e os que liderarem vocês no futuro deverão ter as mesmas qualidades.
Ofereço aqui minha alma a Deus como sacrifício, e se quiser Ele a mandará para o céu com os mártires, ou então adiará isso... então sejamos pacientes e confiemos nele contra as nações injustas.
Apesar de todas as dificuldades e tempestades que nós e o Iraque tivemos de enfrentar, antes e depois da revolução, Deus Todo-Poderoso não quis a morte para Saddam Hussein.
Mas, se Ele a quiser desta vez, a vida de Saddam é criação Dele. Ele a criou e protegeu até agora.
Assim, por esse martírio, Ele trará glória para uma alma fiel, pois almas mais jovens que Saddam Hussein partiram nesse caminho antes dele. Se Ele quer martirizá-la, nós agradecemos e damos graças a Ele, antes e depois.
Os inimigos de nosso país, os invasores e os persas, descobriram que nossa unidade é uma barreira entre eles e a nossa escravização.
Eles semearam sua discórdia antiga e nova entre nós.
Os estrangeiros que carregam a cidadania iraquiana, cujos corações estão vazios ou cheios do ódio plantado neles pelo Irã, corresponderam a isso, mas como estavam errados quando pensaram que conseguiriam dividir os nobres de nosso povo, enfraquecer sua determinação e encher os corações dos filhos da nação com ódio uns contra os outros, em lugar do ódio contra seus verdadeiros inimigos, que os levaria numa só direção, a lutar sob a bandeira de 'Deus é grande': a grande bandeira do povo e da nação.
Lembrem-se de que Deus permitiu que vocês se tornassem um exemplo de amor, perdão e coexistência fraterna...
Eu os conclamo a não odiar, porque o ódio não deixa espaço para a justiça e nos torna cegos, fecha todas as portas do entendimento e nos impede de pensar de forma equilibrada e fazer a escolha certa...
Também os conclamo a não odiar os povos dos outros países que nos atacaram, e a diferenciar entre os que tomam as decisões e esses povos...
Todos os que se arrependerem -seja no Iraque ou no exterior- devem ser perdoados...
Vocês devem saber que, entre os agressores, há pessoas que apóiam a luta de vocês contra os invasores, e alguns deles foram voluntários para a defesa legal dos prisioneiros, incluindo Saddam Hussein...
Algumas dessas pessoas choraram muito quando me disseram adeus...
Querido e fiel povo, digo adeus a vocês, mas estarei com o Deus misericordioso que ajuda os que se refugiam nele e que nunca desapontará nenhum crente fiel e honesto... Deus é grande... Deus é grande... Longa vida à nossa nação... Longa vida ao nosso povo grande e lutador...
Longa vida ao Iraque, longa vida ao Iraque... Longa vida à Palestina... Longa vida à jihad e aos mujahideen.
Saddam Hussein
Presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas Mujadi Iraquianas
Escrevi esta carta porque os advogados me disseram que a chamada corte criminal -estabelecida e batizada pelos invasores- permitirá que os chamados réus tenham a chance de uma última palavra.
Mas essa corte e seu juiz não nos deram a chance de dizer uma palavra, e deram seu veredicto sem explicação, e leram a sentença – ditada pelos invasores – sem apresentar provas.
Eu queria que o povo soubesse disso."
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Guarda que filmou morte de Saddam foi preso

BAGDAD - As autoridades iraquianas prenderam nesta quarta-feira (3) um guarda que estava presente na execução de Saddam Hussein para prestar esclarecimento sobre a autoria do vídeo pirata que mostra a morte do ex-ditador, informou a agência France Presse.
Segundo a agência, um porta-voz do premiê iraquiano confirmou a prisão.
O governo iraquiano deu início às investigações para descobrir o autor do vídeo, aparentemente feito pelo celular.
Saddam Hussein foi executado na forca no sábado (30), após ter sido condenado, em novembro, por crimes contra a humanidade.
Punição
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, está decidido a punir o autor do vídeo pirata, cuja divulgação pela internet aumentou as tensões sectárias no Iraque.
Maliki, que ordenou a abertura de uma investigação oficial, "leva muito a sério" o assunto e "quer castigar o responsável, seja quem for", declarou um deputado xiita ligado ao chefe de governo, que pediu anonimato.
O vídeo mostra a execução do ex-ditador iraquiano passo-a-passo, e recrudesceu as tensões entre xiitas e sunitas no país.
Na gravação, Saddam Hussein é executado enquanto várias testemunhas gritam o nome de seu principal inimigo xiita, o líder radical Moqtada al-Sadr, o que fez com que muitos encarassem a execução como vingança sectária em vez de um ato de justiça.
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Saddam Hussein para recordar
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terça-feira, janeiro 02, 2007
Vida e morte de Saddam Hussein
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O video oficial da morte de Saddam
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O video da morte de Saddam Hussein
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sábado, dezembro 30, 2006
A vergonhosa morte de Saddam
A imagem do ex-ditador de Bagdad a caminhar para a forca amparado por embuçados é um quadro digno da Idade Média, quando a Inquisição lançava os mártires à fogueira.
Foi uma morte sem dignidade, sem dimensão, sem castigo. Foi uma morte fria, executada com uma precipitação e um espírito mesquinho de vingança.
Se no dia da invasão do Iraque a multidão em fúria tivesse assaltado o Palácio e morto o ditador, como aconteceu com Ceauscescu na Roménia, a morte do ditador teria tido uma dimensão trágica e histórica, simbólica, que esta morte de Sadam não teve.
Um tribunal fantoche, num regime fantoche, numa situação política dominada pelo Estados Unidos, onde Bush precisa à viva força de um mártir, de um rosto que possa simbolizar a vitória americana, mesmo que esta nunca o seja, não são condições muito sérias para matarem o ex-ditador.
Um regime que defende os direitos humanos, a democracia, que é contra a barbárie, a pena de morte, as armas químicas, a morte de inocentes, como pode afirmar-se com cenas medievais como esta?
Que exemplo dão ao Mundo as forças da coligação perante um espectáculo destes, degradante, indigno de políticos civilizados, pregadores da tolerância contra a intolerância do Islão?
Qual é a diferença entre este assassinato e os milhares de crimes cometidos pelos terroristas e pelos fanáticos da jiade?
A Europa devia ter vergonha e os democratas americanos deviam repensar o Mundo que estamos a construir, um tempo de intolerância que só pode levar a mais e mais violência.
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sexta-feira, novembro 17, 2006
Saddam quer ser julgado em Portugal
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