
O governo de Sócrates fez dois anos. Portugal viu-se entretanto livre dos governos de Durão e Santana. Acabaram os troliteiros da direita, o Portas, o Lampião Félix, a maga patológica das finanças. Passámos pelo vexame de sermos vistos como um país com o governo mais divertido do Mundo, quando Santana brincava a primeiro-ministro e à sua volta todos fingiam que aquilo era um governo a sério. Rábula tamanha só mesmo nos dias finais de Salazar quando ele fazia de conta que governava e os outros à volta fingiam que ele não sabia que eles sabiam.
Passados dois anos, a crise mantém-se, a falta de objectivos políticos também, navegamos como nau desgovernada mas que ainda mantém a costa à vista para se poder orientar.
Sócrates tem sabido como ninguém manter uma imagem que vende bem o governo. Isto é: ele é determinado, corta a direito, mas... para quê ? O que melhorámos ? A educação ? A saúde ? A competência ? A competitividade? As finanças ? O crescimento ? emagrecemos o Estado ? Passámos a pagar menos impostos ?
Quantos portugueses vivem melhor hoje do que há 2 anos ?
Muitas perguntas mais podía fazer e as respostas seriam bastante desoladoras.
Claro que Sócrates é inteligente, culto e veste Armani ( estilo).É uma pessoa frontal e de diálogo fácil, pese embora o seu feitio de animal feroz. Mas os resultados não são
nada animadores: estamos a meio da tabela dos países europeus, estaríamos no final não fosse a entrada dos ex-países de Leste.
Temos o melhor pagamento multibanco, a 4ª taxa de mortalidade infantil mundial, a melhor banca em eficiência, temos ilhas de sucesso que bem aproveitadas podiam fazer de nós um país com pernas para andar. Para isso não basta mudar de governos, temos de mudar todos, a começar pelos empresários, os trabalhadores, os criativos. Todos.
PS: Portas e Santana, quais mortos-vivos ameaçam saír dos caixões ! Vai ser gozar vilanagem !

