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sexta-feira, março 13, 2009

ASSASSINARAM A COSTA DA CAPARICA

Alguém reconhece esta paisagem como a Costa da Caparica?

A Costa da Caparica tinha nos anos 50 um plano magnifico do arquitecto Cassiano Branco que nunca foi concretizado. Depois foi o que se sabe: um descalabro urbanístico que chegou aos nossos dias: clandestinos nas dunas e fora delas e uma urbanização miserável com toda a conotação dos desprezíveis anos sessenta e setenta.
Uma das zonas mais lindas de Portugal, excelente para turismo de qualidade e para ali se viver bem, está hoje perdida entre barracos, mastodontes e lixo.

Antes, a Costa tinha uma arquitectura popular inventada pelos pescadores que a tornava há décadas num "case study" com uma implementação de casas de madeira, ao longo da praia, que lhe dava um ar rural e popular.
A Cova do Vapor era uma aldeia de arquitectura tradicional portuguesa (eu fiz mesmo um trabalho para o meu curso de arquitectura sobre o fenómeno) e mesmo os restaurantes de praia ao longo da Costa eram peças muito inspiradas nessa arquitectura popular.
Mesmo degradada a Costa tinha até agora um charme, um encanto, uma escala de construção que a tornava acolhedora. Era uma arquitectura que não intimidava e que dialogava muito bem com o mar e com a vida à sua frente.
Claro que nos últimos anos tudo se degradou, porque quer a Câmara de Almada (que odeia a Costa porque não vota comunista), quer o Ministério do Ambiente e o Porto de Lisboa (penso que tem ali tutela) nunca se entenderam. Deixou de haver conservação.

Ora bem: chegou o projecto Pólis (aquele inventado por Sócrates enquanto ministro do ambiente) e varreu toda a memória da Costa. Destruiu tudo o que eram construções de madeira e implantou um projecto megalómano que não entende a integração no local e que custou uns milhões de massa ao contribuinte.

O que se vê hoje na Caparica são 27 pavilhões construídos ao longo do paredão, todos iguais, sem distinções, para albergarem 27 restaurantes. Os pavilhões são péssimos: as esplanadas pequenas e sem sombra, barulhentos porque são em vidro, mais altos do que o passeio criando uma divisão entre quem está e quem passa, são agressivos e nada têm a ver com o local. Uma merda.
Transformaram a Costa da Caparica numa espécie de feira do livro da avenida para maior e pior.
Uma tristeza.

Depois os acessos às praias são maus para os idosos e crianças, escadarias altas, rampas longas, sem acesso para deficientes e carros de bebé à areia, barreiras de betão armado ao longo do pontão, candeeiros gigantes, rotativos, sofisticados e com uma escala esmagadora, enfim: aquilo é tudo menos um projecto inteligente. É uma aberração, paga com o nosso dinheiro, um novo-riquismo à portuguesa que não acrescenta nada à Costa: só a descaracteriza.

Mataram a memória da Costa em troca de uns barracos caros e estúpidos e que vão levar à falência muitos dos que apostaram nesta estúpida aventura.

Somos na verdade um país rico que esbanja recursos e que vive feliz com esta mentalidade parôla.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Caparica, a costa da vergonha

Numa aberta fui hoje à Costa da Caparica ao fim da tarde. Aquela que podia ser a nossa Santa Mónica para muito melhor, é um território desordenado, poluído, em estado de pré-catástrofe, um subúrbio com mar ao fundo.
Dói ver assim a Costa da Caparica.
Não se percebe como um local tão perto de Lisboa é uma barafunda de construções anárquicas, de projectos que não se percebe com que critério urbanístico foram aprovados, de clandestinos que sobrevivem às leis, ao camartelo. A Câmara de Almada tem de certeza muita culpa naquele crime ambiental, mas também vários ministérios tutelados por vários governos, ao longo dos anos. Do marcelismo ao socratismo.

A Costa é um fartar vilanagem de betão, lixo, zinco, tijolo e merda.
Hoje estavam a ser destruídos algumas das barracas nojentas que durante anos serviram de esplanadas ( ali sim a ASAE devia intervir !) mas ao lado já cresciam a bom ritmo outras edificações para as substituírem, muito maiores, a uma escala mais esmagadora, aliás dialogando com os mamarrachos em construção ao fundo na avenida marginal.

Numa praia com uma água espectacular para os nossos surfistas, com uma marginal pedonal de excepcional fôlego, não se entende porque os nossos governantes e autarcas desprezam desta forma este território e o seu planeamento.
O crime urbanístico ao contrário do fumo do cigarro, e outras mariquíces deste governo obediente aos eurocratas de Bruxelas, é de um impacto mortal na vida das pessoas. Uma vila como a Caparica sem transportes limpos e eficazes, sem acessibilidades, estacionamento, planeamento urbano, tratamento dos promenores urbanísticos é crime público.

A Caparica é uma vergonha para a comunista Câmara de Almada, mas há mais, muito mais lá para o fundo para a Cova do vapor ou do lado oposto na Fonte da Telha. A Câmara pode não ser responsável por tudo aquilo, porque inexplicávelmente não pode tutelar tudo, mas o seu silêncio é cúmplice e condenável.

A Costa está esquecida, embora as obras do programa Polis se vejam junto ao paredão. Mas vai ser mais cimento a escassos metros da água. Onde se devia limpar, constrói-se; mas um destes dias cortam o trânsito automóvel, metem uns palhaços a andar de bicicleta, chamam-lhe cidade- verde e o paraíso politicamente correcto salva o escândalo.
E até podem mandar erguer uma estátua ao barbas e talvez o rei da pneuzada manda ladrilhar aquilo de vermelho. Sériamente: a Costa da Caparica é um bom retrato, excelente, do nosso trágico crescimento de país do terceiro mundo.
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