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quinta-feira, julho 29, 2010

Sócrates free

A comunicação de Sócrates à Pátria sobre o Caso FreePort foi fria, dita sem convicção. Sócrates mostrava mesmo um ar cansado, um ar de leão ferido, ainda a combater no limite das forças.
Ninguém sabe se o Caso está mesmo acabado.

Com a constituição dos dois arguidos que tentaram corromper mas não se sabe quem o permitiu, voltarão de certeza outras declarações em off.

Não nos esqueçamos que o chamado Caso TVI deriva das notícias que foram sendo dadas pela informação de Manuela Moura Guedes. Havia que fazer calar as bocas de MMGuedes, nem que fosse preciso comprar a estação de Queluz de Baixo.

Uma coisa é certa: os tribunais julgam perante a técnica específica da justiça, que varia com a forma como os vários intervenientes interpretam factos e relacionam situações objectivas.

Outro julgamento, mais feroz, implacável, e porventura mais falível, é o que resulta da opinião pública, baseada em factos políticos. E o facto político, não judicial, é um empreendimento daqueles ter sido aprovado dois dias antes do fim da legislatura, depois de uma alteração do plano de ordenamento que anteriormente inviabilizara a construção da coisa.

Em política cuidados e caldos de galinha evitam sempre este tipo de boatos e calúnias desagradáveis.

quinta-feira, abril 02, 2009

Os anjos da guarda de Sócrates

"Calúnia, intriga, inveja e mal-dizer", foram hoje palavras usadas por Mário Soares e Alberto Martins em defesa de José Sócrates. Ontem, foi Jorge Coelho a tirar o capacete das obras e a vestir o seu ex-fato de político para dizer que o Caso Freeport estava a pôr em causa o Estado de Direito. E até João Cravinho, um anti-Sócrates assumido e que se tem notabilizado como um arauto da anti-corrupção veio a público defender o seu rival. Portanto, Sócrates não está nada só neste imbróglio que parece não ter fim.Pelo contrário: o ex-bombeiro de serviço do PS voltou a ligar a sirene e Soares até foi buscar a imprensa como mãe de todos os males de Sócrates.
Não se percebe porque precisa um homem inocente de tantos anjos da guarda à sua volta e logo todos no dia 1 de Abril.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

A Música do Freeport

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Zézito, o dia negro e as forças ocultas


Mais um dia negro com forças ocultas a manobrarem o destino de Sócrates. A entrevista de ontem de Cândida de Almeida apaziguou o ambiente Free, mas hoje mais bombas caíram. E o pior: ninguém se cala com a coisa. A entrevista do Tio à TVI foi um grande momento de televisão. Gostei muito da sinceridade, e alguma ingenuidade, do tio do Primeiro. Revelou que trata o sobrinho por Zézito (uma ternura) e foi franco ao ponto de dizer que já é rico há muito tempo, e lamenta que não haja mais em Portugal. O senhor engenheiro (a sério) quase chorou. Foi de uma sinceridade comovente. Chegou a revelar a sua hipotética doença de Parkinson, embora tenha avisado que ninguém tinha a ver com isso. Muito bom.

Parece que estamos no PREC. De 5 em 5 minutos há uma novidade. E sempre má. A seguinte pior do que a anterior...
O anúncio da acusação à Universidade Independente (onde Sócrates tinha amigos e onde fez a célebre licenciatura) de crimes gravíssimos, digamos que não é uma moldura muito interessante para o que lhe está dentro. E o discurso de Cavaco Silva em Fátima foi de uma violência total para o governo, ao achar inacreditável que um deputado ou governante do PS (não fixei) tenha vindo dizer que afinal a lei do divórcio tinha defeitos. E passa de seguida um atestado de incompetência a quem faz leis.
Vejo neste discurso abençoada pela Virgem um indício de que Cavaco começa a estar farto e que demitir Sócrates seria uma verdadeira Free benesse.

E-MAILS FATAIS

Alguns e-mails trocados entre responsáveis da Freeport e Charles Smith, sócio da consultora Smith & Pedro, falam da data ideal para que “tudo se resolva” e que, efectivamente, corresponde ao dia em que o “outlet” de Alcochete recebeu luz verde (14 de Março de 2002). Nas mensagens é ainda referido um suposto pagamento para que a Declaração de Impacto Ambiental, essencial ao licenciamento, fosse aprovada, noticia o semanário “Sol” na sua edição de amanhã.

“O dia 14 de Março é o dia mais importante para que tudo se resolva”, lê-se na mensagem que Charles Smith enviou, a 10 de Março de 2002, para Garry Russell, director do Freeport no Reino Unido. Foi dia 14 que o aval ambiental foi conseguido.

Ainda de acordo com o “Sol”, nas mensagens, os ingleses demonstram não confiar nos portugueses. Num dos e-mails o engenheiro escocês alerta Russell: “Na reunião de 17 de Janeiro assumiste que pagávamos pelo estudo de impacto ambiental 90 por cento à cabeça, mas aconselho-te a dividir a quantia em três ou mais tranches”. Terá sido nesta data que, segundo a carta rogatória inglesa, José Sócrates participou num encontro com responsáveis da empresa.

Depois de aprovada a declaração ambiental, Smith recebe uma mensagem de Bill McKinney, da empresa imobiliária irlandesa com o mesmo nome que trabalhou no projecto. O objectivo é protestar por não ter recebido a sua parte nem ter sido informado do licenciamento. Na resposta, o sócio da consultora desculpa-se explicando que “tinha ordens muito rígidas do ministro no sentido de não dizer nada antes da recepção do documento e do relatório”.

Dois meses depois, em Junho, Charles Smith envia uma nova mensagem a Russell para que se façam os pagamentos. “Qual a posição em relação à aprovação da EIA? Para este também é necessário um pagamento de 50 k. Não estou a dizer para pagar, faça só a transferência, de modo a que nada fique estagnado”, cita o “Sol”.

Alteração à ZPE

O caso Freeport tornou-se público em Fevereiro de 2005, quando uma notícia do jornal “O Independente”, a escassos dias das eleições legislativas, divulgou um documento da Polícia Judiciária (PJ) que mencionava José Sócrates, então líder da oposição, como um dos suspeitos, por alegadamente ter sido um dos subscritores daquele decreto-lei quando era ministro do Ambiente. Posteriormente, a PJ e a Procuradoria-Geral da República (PGR) negaram qualquer envolvimento do então candidato a primeiro-ministro no caso Freeport. Em Setembro passado, o processo passou do Tribunal do Montijo para o DCIAP.

Já este ano, a 10 e 17 de Janeiro, o Ministério Público emitiu comunicados a esclarecer que, até àquele momento, não havia indícios do envolvimento de qualquer ministro português, do actual governo ou de anteriores, em eventuais crimes de corrupção relacionados como o caso e, na semana passada, prometeu levar a investigação até ao fim. Ontem a informação foi reiterada.

O processo relativo ao espaço comercial do Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002 através de um decreto-lei. Apesar disso, no fim-de-semana passado, o primeiro-ministro garantiu que participou em apenas uma reunião relacionada com o empreendimento Freeport, na Câmara Municipal de Alcochete, que teve como único objectivo "a apresentação das exigências ambientais que tinham levado ao chumbo do projecto". / PÙBLICO

Presuntos implicados (a saga continua)

Pensei que a entrevista da Procuradora Cândida de Almeida, hoje a Judite de Sousa, fosse mais um exercício de protagonismo descabido. Um mau pensamento: ela provou ao longo dos anos, desde o Processo das FP`s, que é uma pessoa séria.
Gostei da serenidade e daquele seu ar doce e firme, entre a mãe zelosa e a mulher firme. O tom da voz é nela tranquilo e forte. Esclareceu o que podia, sem deixar suspense, sem sugerir nada para lá das suas palavras. Fiquei a perceber pormenores que não tinha entendido.
Claro que as explicações foram jurídicas, no âmbito de uma investigação criminal. Todos sabemos que há fios de meada que nunca se conseguirão deslindar.
Politicamente nunca se perceberá a pressa na aprovação, as alterações feitas e o papel de certos actores secundários (aparentemente) nesta trama.
A sobrinha desapareceu de cena, o primo medita longe, o tio vai ser ouvido um destes dias pelos investigadores. Os outros entrarão em cena, o senhor Arouca não contaria melhor esta novela.
O rasto dinheiro só será descoberto com a colaboração daqueles cães pisteiros ingleses, embora os cães não tenham voto na decisão de qualquer juiz português.
Todos inocentes até ver. A saga continua.

PS: fiquei emocionado quando no final da entrevista Cândida Almeida falou do exemplo que quer deixar à sua filha. Muito bom.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Presunto Implicado

Sócrates é agora, segundo os ingleses, e como dizem os espanhóis, "o presunto implicado". Os ingleses abdicam mesmo do presunto (presumível) e apontam oficialmente o implicado.

Podemos brincar, podemos (e devemos) detestar Sócrates, podemos acreditar na sua total inocência, mas que isto dá preocupação dá. Lá isso dá. Gostava de ser mosca e saber no que está a pensar e sentir o Presidente da República. Safa !