sexta-feira, maio 14, 2010

José Luis Saldanha Sanches


Fazia parte do meu imaginário revoluçionário desde a minha adolescência. Ele vivia na Avenida da Igreja, perto do Largo de Alvalade, e via-o muitas vezes ainda antes do 25 de Abril. Lembro-me do seu pai muito parecido fisicamente com ele.

Os meus amigos do largo acima (o Feitor Pinto) falavam-me dele. O MRPP tinha uma militância fervorosa e dedicada. Alguns desses militantes eram estudantes de económicas e filhos de pais que serviam o regime.

O Saldanha Sanches foi um herói dos tempos do COPCON quando o Otelo mandou para a prisão umas centenas de putos irreverentes, idealistas e que achavam (e bem!) que o 25 de Abril era uma golpaça militar e não uma revolução. Voilá!

A morte do revolucionário deixou-me triste.

Há cada vez menos gente na política ( e no resto) com convicções, causas e uma infinita generosidade. Claro que muitos daquela geração acabaram nos partidos mais capitalistas e liberais. Mas mantiveram um fundo humanista e uma consciência política da sociedade acima de qualquer cabotino com o curso tirado a seguir à missa de domingo.

Era um radical. E ainda hoje parecia querer "vingar" através dos impostos o que já era tarde para emendar pela revolução atirada para as calendas. Mas o seu desaparecimento é uma grande perda humana, moral e a defesa da ética fica órfã, ou pelo menos mais desamparada.


2 comentários:

  1. Qualquer dia só sobeja a esta ditosa pátria, "acenadores verticais de cabeça" e garimpeiros carreiristas!

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  2. Era mesmo esta expressão de que andava à procura!
    Uma golpaça militar e não uma revolução!
    Sem tirar nem pôr!

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