quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Sócrates imita professor Charrua

Mário Crespo é um dos últimos jornalistas seniores no activo, e exerce a sua profissão com um brio inabalável e uma competência rara. Tem estilo, é educado, sabe de televisão e é independente. Como o deve ser todo o jornalismo. Ora, isto só é possível porque Crespo trabalha num grupo de media onde a liberdade de expressão é um dos pontos de honra e onde o patrão é um jornalista de corpo inteiro.

Isto irrita imenso o Primeiro-ministro. Sócrates até pode ter uma namorada jornalista, mas detesta jornalistas. Detesta quem o pode por em causa, mesmo por razões democraticamente legítimas. Sócrates é um virgem com mau feitio (e disso percebo eu!) e está numa fase cada vez mais radical: quem não é seu amigo é seu inimigo. Sonha com uma comunicação social tutelada, amansada e servil, como se fazer jornalismo fosse o mesmo que fazer aquelas campanhas impecáveis em termos de comunicação que tão bem ficam no seu governo.

O que é chocante e põe em causa a posição de um Primeiro-ministro, é este falar alto no meio de um sítio público, para toda a gente ouvir, insultando e caluniando um jornalista que costuma questionar os desaires governamentais. Muita gente sabe que Sócrates grita ao telefone e se "passa" com jornais e jornalistas. Mas em público é inacreditável. Ou Sócrates está fragilizado, inseguro, e já não controla os humores, ou então ele acha que pode abater todos os que se cruzam no seu caminho e lhe fazem a vida menos cor de rosa, como ele gosta de a mostrar nos seus momentos de propaganda.

Sócrates portou-se como o professor Charrua que o terá insultado e chamado nomes feios no espaço de uma repartição pública e que uns tipos ouviram. Para Sócrates e para a sua directora da DREN aquilo era uma desfaçatez, mas agora é o próprio Sócrates que se arma em Charrua e lança chamas contra Crespo.

O outro lado desta história é a crónica de Crespo no JN ter acabado por ter sido censurada. Aqui entra a falta de coragem e isenção da direcção do JN. Uma direcção que tem sido devastadora para o jornal: despediu jornalistas à molhada, acabou com a editoria de fotografia, está amarrada às vontades do Poder. Uma direcção medrosa e que não honra o título de um jornal com grandes responsabilidades históricas. Mas isso é o que eu acho como leitor. Vale o que vale.

Agora o que vale mesmo é a ERC saber e averiguar se há ou não há censura no jornal do senhor Oliveira. E que, ao contrário da inspecção de trabalho no caso do despedimento colectivo, vá até ao fim. Só lhe fica bem e o contribuinte agradece.

7 comentários:

  1. «pode ter uma namorada jornalista»

    Ó Luís de Carvalho, você anda para aí ocupado com work shops e depois não se actualiza.

    Ele já tem outra, homem. E olhe que o tipo tem gosto. Tem os olhos lindos e para 50 anos está perfeitAAA.

    JJ

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  2. Olhe lá, e aqui entre nós, que ninguém nos ouve.
    O seu colega é assim meio-avariado, não acha?
    Embora eu goste dele, assim-assim, vá lá.

    JJ

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  3. Sócrates é um provinciano deslumbrado com o brilho das luzes, do movimento da cidade e dos restaurantes onde é tratado por "vossa excelência". Aprendeu depressa, este aluno de Guterres. Conseguiu, até, ultrapassar o "descobridor".
    O poder, quase uma mão de deus no destino do País e do Povo, cortado à medida, veste-lhe o pensamento, inebria-o. Vive para ter poder, para que todos saibamos que o tem. É um palco, onde se deleita e representa.Um monólogo com fundo de fantasmas e nuvens passageiras.
    Não vai ficar na História. No anedotário popular, sim, já lá está.
    JF.

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  4. daniel tecelao11:31 da tarde

    Essa história de jornalistas independentes,só serve para adormecer boi.
    Aliás,Crespo não se dá ao trabalho de disfarçar que não vai com a cara de Sócrates,basta vermos a forma como se atira a ele,por vezes com pouca urbanidade.
    Tenho muita dificuldade em acreditar que Sócrates se pusesse aos berros num restaurante referindo-se a um jornalista.
    Tentar fazer desta calhandrice,do tipo que disse ter sido informado por um amigo,que a irmã é costureira de calças e o marido trabalha no restaurante onde Sócrates almoçou e o ouviu dizer cobras e lagartos de um tal Crespo,um artigo de opinião,valha-nos o careca.
    O director do jornal fez muito bem em não autorizar a publicação.
    E o senhor não venha para a praça publica rasgar as vestes clamando pela liiberdade de expressão,cuja,nunca esteve em causa,porquanto sempre publicou os seus artigos de opinião contra Sócrates sem ninguem o chatear.
    Os jornalistas da nossa praça assumem-se,regra geral, como um poder, e por vezes exercem-no de forma inviezada,quando alguem lhes põe um basta,aqui "del-rei" que vem aí a censura,está em perigo a liberdade de expressão.
    Muitos deles nunca conviveram com a censura,falam de cor.

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  5. Pois cá o rapaz tem é "dificuldade" em acreditar que alguém sinta: "dificuldade em acreditar",na dita conversa.Quanta bondade e crença no "dito"!!Só fica bem, essa crença no: "no pasa nada"!Aliás, é de notar e bastante sintomático, a falta de imaginação...mais uma vez,o uso da palavra: "calhandrice".Já é moda por estes lados!No fundo é só repetir a palavra dos chefes,sejam eles o Dupont,o Lellinho ou o S.S.!
    LR

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  6. Este não é o meu "Jornal de Notícias".
    Aqui:
    http://apaginadomario.blogspot.com/2010/02/este-nao-e-o-meu-jornal-de-noticias.html
    Cumprimentos.

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  7. Volto ao tema: há quem ainda não tenha notado que uma forma de censura, a de mansinho, a da sacanice vai tomando conta de certa comunicação social, domesticando-a. "Porta-te bem e não levantes ondas", parece ser o lema.
    Mas também que ninguém se esqueça que o Crespo, ainda há uns tempos atrás, só entrevistava personalidades do governo que até chateava. E afirmou, numa entrevista a um jornal diário, que tinha votado sócrates. E depois ainda há um outro desconcertante pormenor: andava o crespo a afiar o bico para tornar a ser correspondente em Nova iorque e pimba!, nomearam outro...
    É só fazer contas!

    JF

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