domingo, janeiro 31, 2010

Cem anos de República em Oitocentos de Nação

Não sei se repararam mas está a haver, desde o início do debate sobre o orçamento, menos crispação na sociedade portuguesa. Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas conseguiram ser críticos sem serem derrotistas. E Sócrates está a aproveitar a aberta para também ele dar um tom menos arrogante e crispado. Vejam o que aconteceu hoje no Porto. O Primeiro estava incomodado por ter ali o Cavaco ao lado, mexia no nariz, sentava-se e volta a mexer-se na cadeira, mas veio falar junto dos manifestantes do BPP e explicou em tom mavioso que os depositantes espoliados, iam ver os seus depósitos livres até 250 mil euros. Quem tiver mais fica com a massa em participações.

Há ali uma resposta e um compromisso. Cavaco fugiu dos manifestantes que lhe imploravam para os ajudar a resolver a situação. Ele acabou por voltar atrás e fez um gesto de força juntando os dois punhos numa atitude de " estou convosco". O que até me impressionou, ver o PR reagir com alguma emoção. Afinal, ele até é humano e sabe o que é perder ou ganhar em acções do BPP ou mesmo do BPN.

Marcelo na RTP também foi menos ácido do que o habitual. Parece que todos agora querem ganhar tempo, reorganizar as tropas e atacarem com determinação lá para o Verão quando forem os dias maiores.

Alegre já está na estrada, e está a ser alvo de um tique das televisões. Hoje na SIC-N o lead no discurso do Porto era a presença de um tipo do BE que dizia apoiá-lo. Logo o pivot de serviço retomou a lenga-lenga de que o BE era o único partido que até agora o apoiava. Estas meias-verdades repetidas até à exaustão vão acabar por conotar a candidatura de Alegre aos bloquistas e os seus adversários sabem que essa imagem será demolidora para a sua vitória.

Cavaco entrou em pré-campanha. Melhorou o estilo das gravatas, dos fatos, anda com determinação e passou a colocar melhor a voz. Convoca o Conselho de Estado para dar uma de dialogante e para espanto geral foi dizer no discurso do centenário da República que os portugueses se deviam revoltar como os trauliteiros republicanos do século passado.

Não sei se Cavaco estava indirectamente a apoiar as manifestações dos carroçeiros, a revolta dos enfermeiros, o regresso dos professores às avenidas de Lisboa ou a hipóteses dos guardas republicanos se tornarem em molhados. Não percebi se Cavaco estava a pedir aos manifestantes do buzinão para voltarem ao tabuleiro da Ponte, ou se finalmente pedia desculpa pela carga policial que mandou assanhar contra os vidreiros desempregados da Marinha Grande. Ou se estava a falar para os adultos que há 15 anos foram sovados pela polícia comandada pelo seu ministro-familiar contra os jovens estudantes que contestavam a política da Azeda o Leite.

Cavaco acabou por dizer no Porto, o que Soares disse quando era PR. Soares falou no direito à indignação, Cavaco quer mesmo acção. Contra quem ? Contra o seu arqui-rival Sócrates.

Tinha sido bonito que o PR tivesse evocado a Família Real destroçada, vilipendiada e humilhada e que o Rei D.Carlos pudesse ter sido lembrado, não com saudosismo pois isso seria despropositado mas como um assassinato político que a República deveria condenar e pedir desculpa. Mas isso eram outros quinhentos, muita areia para uma camioneta de baixo PB.

6 comentários:

  1. João Santos4:45 da manhã

    Efectivamente, a história tem provado que as revoluções têm sido feitas em nome do povo, mas no fundo, acabam por ser apenas uma substituição das elites governativas.

    Os sucessivos governantes não estão interessados em fomentar a verdadeira revolução de mentalidades em termos democráticos, mas sim efectuar obras (públicas) que possam manter o povo no seu estado de apatia geral.

    Foi assim com o governo do Cavaco Silva, é assim com o Governo do Sócrates, com o desenvolvimento da cultura de betão.

    Esta geração de políticos que assumiu o poder em Portugal após o 25 de Abril de 1974, tem encabeçado a condução do socialismo envergonhado, que apenas serviu para criar uma sociedade sem perspectivas de futuro e onde continuam as mesmas práticas anti-democráticas, ma agora disfarçadas de democráticas, legitimadas pelos respectivos partidos políticos.

    Em termos de estrutura de base, no que diz respeito à educação, mentalidade, cultura, ciência, etc, o país pouco evolui, à excepção da lógica da cultura do betão, que efectivamente, serviu para enriquecer empresários da construção civil e as organizações bancárias.

    Já afirmava o Fernando Pessoa, que " Não há sociológicamente monarquia e república; mas espiríto monárquico e espiríto repúblicano."

    E já afirmava o Eça de Queiroz (a propósito da República Francesa, mais antiga que a portuguesa) que o povo não sente as comemorações da República.

    As comemorações da República são apenas realizadas para sustentarem e justificarem a existência dos políticos que se encontram no exercício de cargos de poder e que necessitam destas comemorações para justificarem a sua existência, mesmo exercendo a governação de uma forma desatrosa, tal como tem acontecido nas últimas três décadas.

    Os políticos actuais que comemoram a implantação da República deveriam ser os primeiros a ter vergonha pelo estado de calamidade repúblicana a que chegou o país.

    Mas em vez de se demitirem, ainda comemoram a vergonha que têm praticado. A isto chama-se o cúmulo da inutilidade.

    Afinas de contas, tanto o PS como o PSD têm sido inúteis à consolidação da República e da democracia em Portugal, mas sim úteis à consolidação da plutocracia e da partidocracia.

    O povo não escolheu ser monárquico, nem escolheu ser repúblicano.

    O povo continua amordaçado nos seus direitos e cada vez mais escravizado pela má governação e pela política de exploração actual.

    Afinal de contas, Portugal é o país dos ordenados de 500 euros.

    Vergonhoso é também o Mário Soares vir para os jornais dizer que o povo português é repúblicano, uma frase que apenas serve os interesses dos priviligiados da República,

    O Mário Soares que se afirma tão democrático, considera agora que o sabe o que o povo português pensa e fala em nome do Povo!...

    Tal como afirmava o filósofo alemão, Hegel, o povo é a parte do Estado que não sabe o que quer e estes políticos (Analfabrutos e sem competência), diga-se de passagem, são a verdadeira antítese da democracia e do verdadeiro desenvolvimento humanitário e social em Portugal, legitimados pela apatia do povo.

    Apenas elaboram leis que legitimam a anti-democracia, formentam os seus interesses partidários e permitem a continuada exploração de empresários, que pagam ordenados de 500 euros aos seus trabalhadores, declaram ao estado auferirem o rendimento mensal igual ao ordenado mínimo, mas que circulam de Porshe nas auto-estradas!


    De facto, desta Democracia e desta República fomentada pelo PS e pelo PSD, em nada necessita o povo português.

    O povo português, no fundo, é quem mais legitima estado de podridão democrática e repúblicana a que chegámos, suportado pela constante apatia geral e falta de interesse do mesmo povo.



    João Santos

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  2. João Santos4:47 da manhã

    NOTA: Não sou necessáriamente repúblicano, nem necessáriamente monárquico. Sou a favor de um sistema que seja verdadeiramrnte democrático defensor dos direitos do povo, e devidamente legitimado pelo Povo.

    Como tal, considero que a República Portuguesa é ilegal, porque nunca foi decidida nem legitimada pelo povo, mas sim por meia dúzia de corruptos repúblicanos que entenderam, na sua presunçosa acção que a República servia melhor os interesses do país, mas que em termos práticos, têm sido mais corruptos do que foram os monárquicos.



    João Santos

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  3. João Santos5:02 da manhã

    NOTA: Não sou necessáriamente repúblicano, nem necessáriamente monárquico. Sou a favor de um sistema que seja verdadeiramente democrático defensor dos direitos do povo, e devidamente legitimado pelo povo.

    Como tal, considero que a República Portuguesa é ilegal, porque nunca foi decidida nem legitimada pelo povo, mas sim por meia dúzia de corruptos repúblicanos que entenderam, na sua presunçosa acção que a República servia melhor os interesses do país, mas que em termos práticos, têm sido mais corruptos do que foram os monárquicos.


    João Santos

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  4. E Mário Crespo e os outros, onde entram nesta história?
    :-)

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  5. Tive o atrevimento de incluir no meu blog - http://etcetal.blogs.sapo.pt - uma fotografia do Manuel Serra, falecido no passado domingo, que aqui encontrei. Claro que na legenda da foto está um link para este blog. Caso haja inconveniente, retirá-la-ei imediatamente.Posso ser contactado: josefradique@sapo.pt.
    Melhores cumprimentos.

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  6. daniel tecelão11:57 da tarde

    Cavaco das acções do BPP pode não saber,mas das do BPN sabe,sabe e de que maneira,mas nunca explicou cabalmente ao país como é que comprou e vendeu acções que não estavam cotadas em bolsa.
    Cavaco,tal como os seus amigalhaços,tambem comeu da gamela que nós vamos pagar.
    Comparar o Governo de Sócrates ao de Cavaco,é comparar limões com ervilhas de cheiro.
    Alguem tem memória de um 1º ministro que tenha feito mais pelo desenvolvimento tecnológico e cientifico do país que Sócrates?

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