quarta-feira, janeiro 20, 2010

Até já os banqueiros opinam sobre o futuro

Começo a ficar farto de comentadores económicos. Torna-se deprimente ouvir à noite no remanso da digestão do jantar, uma série infindável de espertos que tratam de nos desassossegar o sono com previsões haitianos sobre o futuro próximo da Nação.

Ainda por cima, a grande maioria destes comentadores não são isentos, são parte interessada no conteúdo que emitem. Ou são professores universitarios a estagiarem para ministros, ou ex-directores de jornais desempregados, ou engraxadores crónicos, ou empregados de luxo de grandes grupos económicos. Hoje havia mesmo um banqueiro a debitar sobre o que se devia fazer ou não no caso do Orçamento, como se a condição de banqueiro lhe desse uma superior autoridade académica e moral para emitir banalidades em tom emproado!

Já todos estamos carecas de saber que o deficit vai a subir mais do que o balão da outra, e que a dívida externa está a fazer de nós uns perdulários sem juízo. Parece que esta crise de vários rostos não tem rosto: isto é, não há nenhum político com curriculum nesta matéria para se preparar para o cadafalso. Pelo contrário, Cavaco nunca governou, Guterres é protegido pelo Padre Melícias, Durão foi uma miragem, Santana acaba de ser condecorado pelo Chefe Cavaco e Sócrates é porreiro porque o maralhal lhe voltou a dar a tal maioria legítimo para mandar.

Como o país não tem estruturas para aguentar uma economia rolante, podemos poupar, podemos auto-flagelarmos, que a coisa não vai melhorar.

Portugal em termos de economia está como o Haiti na vertente betoneira. Mesmo que venha outra réplica de sismo a coisa cai mas pouco mais cai. Portugal tem o seu tecido económico como o tecido urbano do Haiti fotografado pela Google há dois dias. E não há betoneiras que possam remendar esta coisa.

Estes arautos da desgraça, as novas carpideiras à hora do jantar, não resolvem nada. Uns têm bancos que engordaram à custa do crédito pérfido para o imobiliário e não para as empresas, outros estão a mando de capitalistas que sonham com o século 19, outros arregimentam jornalistas com o soldo de uma sopeira ucraniana, outros apelam à redução dos salários mas aos 76 anos aceitam cargos de gestão em empresas com capital maioritário do Estado. Os mesmos que defendem a reforma aos 65 e que promoveram o descrédito profissional dos que aos 50 anos estavam no auge da sua capacidade.

Uma geração de velhadas e agoirentos sem vergonha. A geração que governou (?) o país nos últimos 30 anos, lava as mãos e faz da análise um exercício de narcisismo e lobby para interesses não declarados.

Vou deixar de ver televisão à noite. Já tinha deixado de ver às outras horas.

2 comentários:

  1. Concordo com o Luiz, isto até já dá nausea.Eu também, mudo de canal de cada vez que aparece, o S.Lopes, o Ulrich, o Salgado...não esquecendo claro essa figura de "enorme" jornalista económico que é o Camelo, perdão Camilo qualquer coisa, com um sorriso tão branquinho quanto cínico que nos "ensina", como "poupar" com o ordenado de 500,euros...e tudo isto através da T.V.Publica! Este era "outro"que considerava que a gasolina devia chegar aos 200 dolares, que é "para as pessoas aprenderem a poupar", sim que ele, Camilo Lourenço de seu nome, anda sempre de "boleia"...enfim, é com merdas destes, pagos, e com bolsos cheios que agora assobiam pró lado, e fingem nem reparar, na merda da bolha especuladora que já RECOMEÇOU COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO, que este povinho tem de aturar...L.R.

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  2. Deixe de ver televisão à hora do telejornal e, vai ver que o Mundo fica melhor.
    Filipe

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