terça-feira, novembro 17, 2009

Gays querem Estado como padrinho


Pertenço a uma geração que cresceu a marcar passo na Mocidade Portuguesa, a ser obrigado a usar gravata e a ir à catequese. Aos 15 anos acordámos para a vida e revoltámo-nos contra a família, a escola, o Estado e tivemos como prenda merecida o 25 de Abril.

Nunca me passou pela cabeça, depois de tanta luta, que um dia alguém pudesse pedir ao Estado para legislar sobre a minha conduta, o meu comportamento, as minhas opções sexuais, a minha opção de viver só ou acompanhado. Jamais!!!

Durante muitos anos a família era uma célula que o Estado usava para se servir como tentáculos para melhor controlar os "marginais", os que punham em causa essa santíssima trindade: Deus, Pátria Família. E se havia gente que considerava o Estado promíscuo na regulação dos comportamentos eram os homossexuais. Porque eram geralmente pessoas com um sentido ainda mais amplo da liberdade e usavam da coragem para enfrentarem a família e a igreja.

Fico agora parvo quando vejo quarentões e cinquentões de esquerda a implorarem ao Estado para os deixarem casar e poderem perfilhar filhos.

A família homossexual passou a ser uma bandeira esquerda, quando na versão hetero era uma bandeira de contestação.

A esquerda defender o casamento é tão aberrante como ser-se comunista católico. E não percebo qual é o interesse de legalizar um estado que só existe para se poder constituir família dentro de um conceito onde não cabe a homossexualidade.

Uma coisa é o Estado reconhecer que pessoas do mesmo sexo que declarem e provem viver em comunhão de bens, tenham os mesmos direitos e regalias sociais e fiscais. Isso é óbvio. É a única maneira de o Estado não marginalizar quem opte por viver junto, independentemente do sexo.

Outra coisa é o Estado patrocinar umas cerimónias patéticas de uns tipos de bigode e calças justas de cabedal a beijarem-se no cartório ou de um par de camioneras de véu e grinalda armadas em virgens de branco. Para cenas dessas basta os pombinhos voarem até Las Vegas e fazerem um desses casórios com ementas variadas.

Que fique claro: nada tenho contra ou a favor dos homossexuais. Ninguém tem a ver com o comportamento de cada um e o Estado não pode nem deve em circunstância alguma legislar sobre os comportamentos. É isto que a esquerda não quer ou não percebe.

Fazer deste assunto um tema de debate nacional já é caricato. Que os socialistas queiram insultar a maioria do povo português que não se revê neste tipo de palhaçadas é que é mesmo grave.

6 comentários:

  1. Da forma que vejo o tema, sem um casamento formal, dificilmente um casal homosexual terá TODOS os direitos de um heterosexual.

    ResponderEliminar
  2. Este seu post é uma caldeirada homofóbica!

    Onde está escrito que o conceito de família se restringe ao casamento em pessoas de sexo diferente.

    Confesso que a homossexualidade me mete alguma confusão e não tenho uma ideia definida sobre se trata de uma opção ou de um problema cuja natureza não me atrevo, nem sei, classificar.

    Quanto à adopção as minhas dúvidas são bem maiores, mas entre uma criança institucionalizada ou a sua adopção por uma família seja esta de dois pais ou de duas mães, desde que seja amada, não teria nenhuma dúvida em decidir pela sua adopção. O problema não estará no casal de dois pais ou de duas mães mas da sociedade, porque o argumento de que uma criança educada numa família desse tipo tem que sair homossexual não está provado. E, afinal, existem filhos homossexuais em famílias ditas normais.

    Misturar isto com política e com conceitos ideológicos é idiotice disfarçada de falta de tolerância.

    Confesso que admito que teria alguma dificuldade se tivesse um filho homossexual, mas de uma coisa estou ser seguro, de que faria tudo para o ajudar a ser feliz, seja tal uma opção sexual ou uma doença, o que repito, não me atrevo, nem sei, classificar. Porque o importante é que fosse feliz.

    E acho que, de facto, o casamento de pessoas do mesmo sexo é um direito deles que o Estado lhes deve reconhecer, e que, afinal, o Direito não lhes nega, não tendo uma maioria da população que impor a negação desse direito através de um referendo que não faz nenhum sentido porque eu, todos nós, não temos nada com o tipo de vida que um homem ou uma mulher escolhem ao querer viver juntos com outros de mesmo sexo.

    João José Fernandes Simões

    ResponderEliminar
  3. Pois, eu acho que o problema é das "pessoas com bigode" se casarem...estou a ver as fotos dos meus familiares e imaginem que reparamdo melhor,
    a minha avó tambem tinha bigode...penugento mas tinha!!!!Verdade...imagino as pernas,é pá o meu avô tinha gosto!!!Mesmo com bigode ela era linda!
    Depois tiveram 6 filhos e a minha MÃE linda é!
    Depois ,nasci eu, LINDO POIS CLARO...com a EDUCAÇÃO entre ELAS, porque o "OUTRO",DEU Á SOLA!!!Casado,á 35 anos com o amor da sua vida,
    extremamente feliz, sem filhos por opção...SE
    EU PODIA SER "MAIS FELIZ" COM O "OUTRO"??? PODIA, MAS NÃO ERA A MESMA COISA...L.R.

    PS:ontem vi uma reportagem sobre os meninos escravos do Gana,só vi AMOR naquelas pessoas e alegria no olhar daqueles meninos...por "acaso"
    questiono:se entre aqueles voluntários existissem
    Homo,Lesbi, heter,etc,julgam que aquelas crianças não se estavam CAGANDO PARA ISSO???AMOR
    MEUS CAROS, COM BIGODE OU SEM ELE...

    ResponderEliminar
  4. antoni1151:47 da tarde

    lei-o com agrado, até hoje...
    que raio lhe passou pela cabeça...homofobia com essa idade???...sou hetero mas respeito todas as opçoes...Vivo em España e é sempre com agrado que vejo casamentos gay...Séc XXI, mentalidades abertas...enfim..todo o contrário da mentalidade pequenina e mesquinha do portuga...Nao pare no tempo...acompanhe a evoluçao e defenda a igualdade absoluta...
    vou continuar a le-lo, mas deixe lá os homossexuais serem gente sem sarna..

    ResponderEliminar
  5. Pessoalmente estou-me cagando se se casam ou não. A mim mais me parece uma teimosia de cabeças duras tanto para o lado do sim como do não, porque na prática iso resulta em nada. Quem ganha leva a bicicleta e nada mais.
    O que me preocupa é poderem adoptar crianças, que embora acredite que possam vir a receber todo o amor do mundo, vão igualmente crescer num ambiente desiquilibrado onde a presença de um membro de um outro sexo que não os dos pais irá fazer muita falta.

    ResponderEliminar
  6. Ângela Jesus12:58 da manhã

    Ora não resisto a comentar também.
    Em primeiro lugar, não me parece que o devamos atacar por escrever aqui a sua opinião. De blogues politicamente correctos está o mundo cheio.
    Mas vejo-me na obrigação de tentar mudar-lhe a opinião. Talvez os meus argumentos o convençam :-)

    O casamento homossexual é realmente, em Portugal, um tema recente. Já se foi falando disso nos últimos anos mas tudo não pareceu passar de uma discussão de café até há bem pouco tempo... se pensarmos bem, isso é assustador. Há quanto tempo é já legal o casamento entre homossexuais em outros países europeus? E nem é preciso ir à Suécia, onde já se sabe os costumes são mais libertinos que no nosso bom velho Portugal. Basta olhar para Espanha.
    Que em Portugal esta questão ainda se discuta de forma tão acerrada, apenas demonstra que realmente a herança da Mocidade Portuguesa e das aulas de catequese ao Domingo de manhã ainda está viva e bem viva.

    Então acha estranho que nos tempos que correm, em que os heterosexuais põem de lado a instituição casamento, os homossexuais se queiram casar? É talvez uma comparação pouco inteligente, mas porque é que as mulheres começaram a fumar mais exactamente no ponto em que o número de fumadores homens começou a diminuir? Ora, porque antes não era aceite que uma mulher fumasse. Pelo menos não em público. Parecia mal. Um pouco como ser homosexual, não?

    Aquilo que eu não compreendo é porque é que dois homens ou duas mulheres casarem faz tanta confusão a tanta gente. Se o casamento não é assim tão importante, se, e cito o seu texto, "a família era uma célula que o Estado usava para controlar os marginais", então porque o incomoda que homossexuais queiram casar? Eu pessoalmente vejo a ironia da questão com bons olhos. Isso sim é deixar a ditadura para trás!

    Mas o que me incomoda mesmo no seu texto é o uso de estereótipos: cerimónias patéticas? Tipos de bigode e calças justas de cabedal? Camioneras de véu e grinalda armadas em virgens de branco?
    Tudo isto seguido pela afirmação de que não tem nada contra ou a favor dos homossexuais. Desculpe-me se não acredito.
    Faz-me lembrar a convicção com que ouço outros compatriotas afirmarem que não têm nada contra os "pretos". Como naquela piada que diz, não tenho nada contra eles, acho que todos devíamos ter um em casa. A piada é racista e o seu texto é homofóbico. Desculpe-me mais uma vez a sinceridade.
    É que embora concorde teoricamente com o seu ponto de vista, quando diz que o Estado não deve regular as liberdades do indivíduo, sabemos bem que não é essa a realidade. E a perspectiva aqui é, se o meu vizinho do lado pode casar, eu também quero.

    Em nota final, e para não o cansar mais, apenas deixo aqui a seguinte mensagem: não politizem a questão, por favor. Não são os socialistas contra nós ou nós contra os socialistas. São cidadãos portugueses, ao lado de outros cidadãos portugueses, que podem até ter ideias contrárias mas que terão de chegar a um acordo. Que para chegar a um acordo, têm de debater. E isso é que é a democracia.
    Se é um partido político que surge na ribalta a acender a chama da discussão então não perguntem porque é que esse partido parte para a guerra dessa forma; perguntem antes porque é que os outros se calam.

    ResponderEliminar