terça-feira, julho 15, 2008

Já chateia tanta crise

Uma das coisas que mais me irrita ao ver telejornais é que de dois em dois minutos vem a frase:" a crise também chegou a não sei onde"- e aparece mais um tuga a lamentar-se, a dizer que isto está mal, por aí fora. Andamos há 35 anos a falar em crise, e esta é sempre pior do que a anterior.
Os portugueses desataram a consumir à tripa forra desde os tempos do cavaquismo.
Acharam que iam poder viver no futuro sem mais exigência no trabalho, mais pontualidade, rigor e avanço técnico. Criámos uma geração de jovens mimados a viverem também eles acima daquilo que os pais lhes podem pagar e que eles jamais terão possibilidades por si de ter.

O Senhora Vítor Constâncio ( o Vitinho para os socialistas) lá veio com a sua predica de coruja de novo chatear com a crise, antes das férias. À mesma hora em que ele fazia o seu diagnóstico cinzento, milhares de portugueses enchiam a Praia de Carcavelos, e outras da linha, parecendo que Copacabana era ali. Contaminados pelos milhares de milhar de brasileiros que passaram a viver por cá mais parece que já adoptámos a cantilena e e manha dos brasucas: tá-se bem e vamos a banhos, a crise que se lixe.
Enquanto uns cantam a crise, o governo continua a não explicar o óbvio: o país está cheio de impostos, taxas, há uma classe média a pagar este regabofe total. Quando o ministro das finanças vem com a treta de ajudar os mais desfavorecidos a vencerem a crise já percebemos: a classe média vai ser sacada de novo com o pretexto da ecologia, do luxo ou qualquer outra manobra de diversão moralista, para render em taxa ou alcavala.
Quando percebemos os privilégios dos senhores juízes, a casta de barões que preenche os quadros superiores da Ordem do Advogados, quando se percebe o que pagamos em bairros sociais para se transformarem em far-west...a classe média tudo paga, tudo suporta.
A crise existe para quem paga, não para quem vive no baronato do Estado ou numa pobreza que começa nessa aberração que é o rendimento mínimo garantido, casas sociais à borla, subsídios de integração, desemprego falso e outros.
Com tantos a receberem e com tão poucos a pagar é natural que o crescimento seja aquela parcela ridícula que Vítor Constâncio prevê e o governo afinal " já estava à espera". Se estava porque não o veio antes dizer ?

3 comentários:

  1. Hoje concedo a primazia do comentário ao JótaJóta.

    ;)

    Cumprimentos.

    Camila

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  2. A revolta e a mudança faz-se nas urnas de voto, não é aqui com meia duzia de lamechices!!!!
    Quando vão a votos o que é que fazem??? Metem o voto no PSD e no PS! Agora choram!

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  3. «... que preenche os quadros superiores da Ordem do Advogados...»

    Pelos vistos, incluindo o próprio bastonário, agora que os telhados de vidro se começam a partir, com o ricochetear do lancha-chamas do seu amigo ex-jornalista ...!

    E eu que ainda acreditava em putas virgens...!
    Não passo de um inocente, de facto!

    JJ

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