Entra hoje em vigor o Tratado de Lisboa. Alguém nos pode explicar em termos simples de que trata o tratado ? As televisões, os jornais, as rádios, a net, ainda nenhum desses fantásticos meios amigos dos leitores explicou por miúdos o que cada um de nós, pobre mortal, vai ganhar com tal coisa.
É verdade que mesmo o grande Sócrates reeleito pelo seu povo, o mesmo que não foi tido nem achado para a aprovação do tal tratado, não teve a coragem e a honestidade para referendar uma coisa que ele tinha prometido em campanha. Foi mais uma das grandes mentiras políticas do eleito e que ele sabe que a mentira compensa politicamente, quando se está a lidar com um povo que vota num político atendendo mais à pose na televisão do que ao conteúdo.
O eleitor português é daquele tipo de gente que compra um utilitário com uma legenda a dizer GT, mesmo que se trate de um carro puxado com um motor de máquina de costura. O estilo presunçoso é o que conta. O que está a dar. E o que está hoje a dar é a assinatura do tratado, gabado por António Vitorino, no dia em que o desemprego em Portugal ultrapassou a barreira dos 10 por cento, o quarto maior da Europa a 25, mas que Soares e Almeida Santos desvalorizaram na campanha que viria a recolocar Sócrates no poleiro, dizendo eles que a Espanha era bem pior e era aqui ao lado.
Se há dia em que os portugueses deviam estar indignados era hoje. O tal tratado vai enfraquecer a soberania do país (no dia em que descansámos celebrando a nossa independência!), tirar direitos sociais, por-nos cada vez mais iguais aos ex-países comunistas. Vamos ficar cada vez mais sobre a pata de uma Europa que esbanja milhões em políticas simbólicas como a do ambiente, que paga para não se produzir, que protege os maiores e que despreza a cultura tradicional de cada país. Uma Europa de burocratas, medrosos, conciliadores e apavorados perante a ameaça do anel fundamentalista, mas que escancara as portas à imigração ilegal e que retira conquistas sociais aos cidadãos. Uma Europa decadente.
Os portuguesinhos que hoje passeavam nos centros comerciais e que levaram os multibancos a entrarem em rotura por causa dos levantamentos do subsídio de Natal para consumo, estão na maior. Podem aproveitar os tratados que quiserem desde que haja Ídolos ou Morangos com Açúcar e que o Natal os ilumine com prendas. O resto que se lixe. Sócrates é fixe.