Havia uma bicha de 15 minutos para a bilheteira do World Press Photo e Prémio Visão, esta tarde no Museu da Electricidade.
Há na verdade uma curiosidade enorme por parte do público para ver fotografia. E as pessoas vão aos magotes ver uma exposição ( excepto na minha ::)) de fotografia. Ora, se assim é, porque teimam os jornais e a imprensa em geral em desprezar o fotojornalismo ? A pergunta é pertinente e a resposta delicada. O que é dado ver nestas duas exposições é do melhor que há em jornalismo fotográfico. Há histórias reais e verdadeiras para mostrar e contar, há dramas, horrores e denúncias de atentados aos direitos humanos. E o público vai, comove-se e identifica-se com as preocupações e as ansiedades daqueles fotojornalistas. Muitos arriscaram a vida, alguns chegaram a morrer por uma foto, e o sucesso deles não se traduz em fama, glória e muito menos riqueza. O fotojornalismo é sempre mal pago mesmo quando é muito bem pago. Os honorários da imprensa comparados com os da publicidade são paupérrimos.
A cultura fotográfica que encontramos nesta exposição deveria ser a mesma que devíamos encontrar quando compramos os nossos jornais e quando esperamos ler e ver nas revistas o melhor que há do fotojornalismo. Os editores insistem que os leitores só querem imagens light, bonitinhas, encenadas, e produzidas como se tratasse de publicidade. O público adere cada vez mais ao fotojornalismo puro e duro. Em que ficamos ?
Os jornais por vezes fazem lembrar os políticos. Precisam dos "fregueses" mas insistem em lhes virar as costas e a trabalharem para as suas frágeis convicções.
A exposição está muito bem montada e produzida. E mais uma vez se constata da vitalidade do fotojornalismo português. Um orgulho sem dúvida para esta geração que tem vindo a exercer uma das mais nobres actividades jornalísticas. Agora só falta mesmo os jornais publicarem fotografias como devem ser.
Mostrar mensagens com a etiqueta Prémio Visão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prémio Visão. Mostrar todas as mensagens
domingo, maio 11, 2008
sábado, abril 05, 2008
Fotojornalismo em debate hoje em Lisboa
Pelos comentários postos por aqui sobre o Visão percebe-se que houve ressaca e amargos de boca. O ego dos fotógrafos é grande - ainda bem- e os prémios poucos para tantos. Duzentos e tal fotógrafos não é tanto como os advogados mas para lá caminhamos.
Quem achar que o mérito de um profissional se mede pelos prémios vai no mau caminho. Conheço fotógrafos premiados, apaparicados pela crítica, que na hora de resolverem em tempo útil um trabalho, vacilam e acabam por entregar verdadeiras bostas. É bom entender que um prémio é sempre fruto de um somatório de factores vindos de um grupo de pessoas que assim elegem o seu prémio. Outro júri escolheria outras fotos. E todos com legitimidade.
A fotografia é de uma subjectividade enorme. E há fotógrafos que se transformaram nuns verdadeiros papa-prémios. Até já sabem que tipo de fotografia devem mandar em função do perfil do júri.
O júri do Visão é peculiar. O Jean Francois-Leroy é um " soissante-huitards" que quer mudar o Mundo com a fotografia e que nunca elege fotografias que passem ao lado das misérias, da guerra. O festival de Perpignan, de que ele é o director há 20 anos, é uma "overdose" de excelentes fotografias mas no segundo dia já não se aguenta tanto Iraque, tanta miséria, tanta prisão, tanta violação, tanta doença, tanta África. E quando no ano passado numa das soirées passou uma homenagem a um magazine de cinema aquilo foi uma lufada de charme e ar fresco.
O fotojornalismo não é só miséria, guerra, choro e tragédia. E o World Press Photo afina também por este diapasão. E se há um cinismo enorme na imprensa de hoje em só querer mostrar vedetas e coisas bonitas, há do outro lado uma obsessão pela tragédia retratada com grande angular, preto e branco e desgraça.
Quem achar que o mérito de um profissional se mede pelos prémios vai no mau caminho. Conheço fotógrafos premiados, apaparicados pela crítica, que na hora de resolverem em tempo útil um trabalho, vacilam e acabam por entregar verdadeiras bostas. É bom entender que um prémio é sempre fruto de um somatório de factores vindos de um grupo de pessoas que assim elegem o seu prémio. Outro júri escolheria outras fotos. E todos com legitimidade.
A fotografia é de uma subjectividade enorme. E há fotógrafos que se transformaram nuns verdadeiros papa-prémios. Até já sabem que tipo de fotografia devem mandar em função do perfil do júri.
O júri do Visão é peculiar. O Jean Francois-Leroy é um " soissante-huitards" que quer mudar o Mundo com a fotografia e que nunca elege fotografias que passem ao lado das misérias, da guerra. O festival de Perpignan, de que ele é o director há 20 anos, é uma "overdose" de excelentes fotografias mas no segundo dia já não se aguenta tanto Iraque, tanta miséria, tanta prisão, tanta violação, tanta doença, tanta África. E quando no ano passado numa das soirées passou uma homenagem a um magazine de cinema aquilo foi uma lufada de charme e ar fresco.
O fotojornalismo não é só miséria, guerra, choro e tragédia. E o World Press Photo afina também por este diapasão. E se há um cinismo enorme na imprensa de hoje em só querer mostrar vedetas e coisas bonitas, há do outro lado uma obsessão pela tragédia retratada com grande angular, preto e branco e desgraça.
segunda-feira, março 31, 2008
Júri do Prémio Visão já mexe em Lisboa
Júri do Visão esta manhã num hotel de Lisboa. Foto Luiz CarvalhoLei AQUI notícia do Público
( continua mais tarde)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
