Há 10 anos Amarante era cenário de um trágico crime na noite. Um bar de alterne era atacado pela madrugada com clientes e alternadeiras lá dentro. Dez mortes, acho, e muitos feridos. Uma desgraça protagonizada por um outro dono de uma outra boîte, O Diamante Negro, em nome ao que consta de inveja e vingança.
Era uma história que desenhava um pouco o que tinha mudado na província portuguesa. O mundo rural dava lugar ao mundo suburbano, um mundo de droga, vicio, prostituição, negócios escuros. Portugal estava a mudar no final do Cavaquismo dos milhões da Europa, o tempo do dinheiro fácil, do facilitismo.
Por essa altura tudo se dava e comprava. José Sócrates era um obscuro deputado guterrista, pronto a enfileirar os conquistadores do novo poder alternativo ao acabadismo Silva.
Portugal mudou muito, mas nem tanto. Passados 10 anos a filha de quem mandou incendiar a Meia Culpa trabalha agora como alternadeira no mesmo local que o pai mandou liquidar na acção de 3 malandros que entretanto se licenciaram na cadeira. Mas ao que consta estudaram e fizeram exames.
Este país está cheio de óptimas histórias para o cinema.
Este país é uma fita.
VEJA AQUI A HISTÓRIA DE UMA ALTERNADEIRA