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sábado, maio 10, 2008

O almoço indigesto de Bob Geldof ao BES

Tenho andado um pouco distraído esta semana. Mas não resisto a comentar o almoço da bronca esta semana num hotel em Lisboa. Falo, claro está, das declarações de Bob Geldof que se tornou num verdadeiro bob (o) da corte. O convite foi uma ideia a dois entre o Expresso e o BES. A dada altura já da digestão caiu pior que um guronzan a frase assassina do cantor pop sobre a forma como Angola é governada.
Parece que Ricardo Espírito Santo meteu logo a mão na carteira e sentiu-se à beira de um colapso; o embaixador de Angola bateu à sola, os comensais engoliram em seco.

O que me espanta nesta cena é a ingenuidade, para não dizer incompetência, por parte do BES em pagar um almoço a um tipo que tem como profissão dar estrilho e provocar. O que pode ser chique numa circunstância pública pode virar uma bronca quando pago por uma instituição que tem demasiados interesses num país sensível como Angola. E se não há almoços grátis...destes podem mesmo saír caríssimos. É como meter um elefante numa loja de porcelanas.

E também vos digo: Angola pode ser muita coisa mas nem é neste momento o país em África mais criticável. A liberdade de expressão tem tido grandes progressos, há uma oposição destapada e frontal, há jornais que criticam o governo e o Presidente e sobretudo há crescimento e progresso. Angola é neste momento um dos países do mundo com maior crescimento. E se há injustiças sociais também tem havido um notório progresso social. Criticar Angola à luz desta democraciazinha que por cá temos, também deixem estar que vista à escala e à distância não temos muitas lições a dar.

Também não era necessária a hipocrisia de figuras como Mira Amaral ou o meter a cabeça na areia perante o grande bojardão da pop.
Parafraseando Pedro Freitas no seu blogue Terra de Ninguém: " Quem sabe, sabe, e o Bob Geldof achava que só ele é que sabia!"