terça-feira, outubro 20, 2009

Portugal perde liberdade de Imprensa e RCP despede Pedro Múrias

Para a organização Repórteres sem fronteiras Portugal deu este ano uma cambalhota do 16º para o 30º lugar. Estamos ao lado do Mali neste ranking dos países que respeitam a liberdade de imprensa! A França caiu ainda mais do que Portugal. E são os países nórdicos (esses que os nossos socialistas gostam de citar quando toca a aumentar os impostos) que estão à frente no combate pela liberdade de informar. Os Estados Unidos e a obama-mania ganharam pontos.

Quer dizer que Portugal perdeu liberdade, logo parte da democracia. Mas este estado das coisas no jornalismo não diz só respeito à margem de liberdade que os jornalistas têm vindo a perder com o governo socialista. Embora a Santa da ladeira da ERC tenha vindo comentar ontem numa curta predica que, por exemplo, na RTP o jornalismo que lá se faz tem o carimbo ERC, ou seja: aquilo pode ser consumido por nós dentro do prazo previsto.

Esta falta de liberdade de informar, esta pressão que se sente sem se saber muitas vezes de onde vem, este clima de auto-censura que cada um que relata sente na pele, também passa pelas condições cada vez mais precárias e instáveis que a profissão tem vindo a sentir. Não há heróis de peito aberto com contratos a prazo, recibos sportinguistas e chefes amedrontados.

As redacções perderam poder e o tal contra-poder, ou quarto poder (o que é rigorosamente a mesma coisa) já não é exercido pelos jornalistas mas por quem detém as rédeas deles. Claro que não podemos generalizar. E eu posso dizer que a empresa onde trabalho é uma das honrosas excepções. Mas há um clima terrível nalguns sítios. Como por exemplo (era aqui que eu queria mesmo chegar) no Rádio Clube Português.

A história é triste, lamentável e estúpida. A administração do RCP, aquele onde foi lida a mensagem dos homens que nos devolveram a liberdade, decidiu usar aquela figura do despedimento colectivo, inventada por essa grande figura da democracia e da esquerda o ministro Vieira da Silva, para levar na enxurrada Pedro Múrias, um dos nomes mais dignos e competentes do jornalismo português.

O Pedro Múrias não está a beira da reforma, não é um velhadas inadaptado e são os próprios directores espanhóis que têm por ele uma estima e reconhecimento sobejamente afirmados.
O Pedro Múrias que esteve a tratar-se de um cancro, e que ainda está de baixa, recebeu uma carta da administração e de um director ,que dizia ser seu amigo, a dizer-lhe que estava dispensado. Assim. Com amigos destes...

O Pedro Múrias é um dos nomes mais populares do RCP, tem uma audiência notável, é querido pelos ouvintes, e fez um dos trabalhos jornalísticos mais humanos e comoventes deste ano. Relatou diariamente em crónicas na sua rádio, a sua própria experiência a tratar-se do cancro. Com isto criou um ambiente popular mobilizador, mostrando que a coragem, o sentido de humor e a ternura pelos outros que sofrem, podem em muito aliviar a dor dos que partilham essa doença devastadora.

Pois bem: bastava a categoria profissional do Pedro para ser respeitado, bastava a integridade moral do Pedro para ser respeitado, mas se assim não o fosse, só estas suas crónicas bastariam para os burocratas que o tentam despedir terem pensado duas vezes.

Um responsável que comete uma tal estupidez devia, ele sim, ser despedido por incompetência. Está a delapidar o capital humano da sua empresa, está a trair os ouvintes, está a cometer erros de casting inadmissíveis.

Esta mentalidade acaba por ser ruinosa para todos: investidores, profissionais, jornalismo, audiências. Faz lembrar aqueles papalvos que acham que trocar uma mulher de 40 por duas de 20 é uma aritmética do caraças!!!

Depois é de lamentar a total incapacidade do Sindicato dos Jornalistas e a falta de uma Ordem dos Jornalistas que pudesse por na ordem estes permanentes atropelos ao exercício da profissão.

Isto não é um caso laboral, meus caros socialistas! Isto é um caso GRAVE de atentado à liberdade de imprensa. Isto é a castração dos aptos e dos bons, a favor dos porta-microfones, dos estafetas do jornalismo, dos magarefes de serviço. Ser jornalista não é estar a apertar porcas e ser substituído porque há uma máquina que o passou a fazer!

Não pode haver credibilidade numa empresa que "vende" notícias quando é ela a comportar-se como os patos-bravos. E a Inspecção do Trabalho tem a responsabilidade de encostar esta gente à parede. Eles despedem e nós pagamos os subsídios para eles folgarem nas suas gestões para mostrarem anualmente nos power-points do sucesso. Basta.

4 comentários:

  1. Este povo tem que abrir os olhos Luiz Carvalho

    Há muitas situações graves neste país.

    Principalmente o desrespeito pelos direitos dos trabalhadores que muitos deitaram lágrimas de sangue para conquistar esses direitos.

    Está tudo na mão de uma força política hedionda - O Partido Socialista.


    Vai vir ainda pior.....

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  2. Apartir de agora, retiro da lista das minhas rádios preferidas o Radio Clube Portugues.
    Penso que vivemos uma época, onde nunca foi tão urgente, tocar a reunir!
    Pedros Murias há-os aos montes, e no fundo todos nós somos vitimas de um sistema onde (aparentemente) somos obrigados a participar.
    Para o RCP, o Pedro Murias, será apenas um... um jornalista que se pode deitar fora, porque não corresponde aos "critérios editoriais", ou por todas as razões que alvitrem...
    resta saber o que significa para os seus administradores, excelência informativa!?!... Podem assegurar-se que para os seus ouvintes (do RCP, e do Jornalista Pedro Murias), é um péssimo sinal de "anti-rigor" informativo, pelo que trará certamente outras consequencias à estação!
    Que coisa mais triste....

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  3. Obrigado Luiz por este artigo muito bem escrito.
    Comovente.Quanto ao R.C.P., por mim vão levar com uns emails no focinho(redação)!!!L.R.

    ps:convido todos os que passam por este blogue a
    fazerem o mesmo,não custa e faz incómodo aos filhos da puta.

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  4. ajgarciasilva@gmail.com6:55 da manhã

    Dei com esta página precisamante a procura de notícias de Pedro Murias. Não o conheço pessoalmente, mas por ouvir as suas crónicas, em especial relacionado com uma doença terrível que afecta muitas famílias portugueses, tenho por ele um grande respeito pela sua coragem e o seu profissionalismo.Desejo as mais rápidas melhoras do Senhor Pedro Murias e um regresso à nossa Rádio como tanto gostou de fazer. Bem haja a todos pela solidariedade.

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