quinta-feira, agosto 20, 2009

Os netinhos ricos forretas

Há dias numa televisão, esqueci-me qual, três netinhos ricos vieram falar da sua condição de poupadinhos. O herdeiro que mais me comoveu foi o de Belmiro de Azevedo. Veio contar que o avô lhe ensinou que tudo o que custe mais que zero é caro! O puto seguiu a lição do avô. Anda de metro no Porto, porque é mais barato e ecológico ! Enquanto falava o cameraman filmava-lhe os sapatos italianos de pele de cobra (?) daqueles de design bicudo e de preço de ir às nuvens. Os ricos podem ter destas extravagâncias. Houve uma frase que gostei de ouvir: Belmiro gosta daquelas coisas que o dinheiro não pode comprar, embora vindo de um forreta isso possa querer dizer, que gostar do que não custa dinheiro é....ganho!

O neto de António Champalimaud veio também falar da avareza do avô em comprar carros novos e que chegou a passar pela vergonha de ter de andar no Brasil com carros a caírem de podres. Mas estes tiques são próprios dos verdadeiros ricos e são também uma forma de superior pedantismo.

Um amigo meu rico dizia-me: " Oh Luiz, depois de termos as coisas nem damos por elas!".

Se por um lado estas revelações demonstram um miserabilismo caricato, também mostram que a mentalidade de novo-rico e os disparates consumistas dos pobres não levam a uma vida de qualidade. Eu, que sou um consumidor compulsivo de certas coisas que só o dinheiro compram, fico boquiaberto com a facilidade com que pessoas minhas conhecidas gastam dinheiro, que não têm, em carros utilitários caros, plasmas, telemóveis e outras aberrações. Têm a atitude inversa daqueles ricos que poupam nos tostões e que pensam mais no amealhar do que no ganhar.

O país divide-s entre os esbanjadores e os poupados. O problema é que os poupados raramente são felizes e os gastadores acabam frustrados por nunca terem mais um objecto inútil.

A Rita Nabeiro era a terceira herdeira da reportagem. Trabalha como designer na empresa do avô e fá-lo com um empenho e uma alegria contagiantes. Usa a sua carrinha mini e não dispensa o seu ambiente de trabalho nos vários Apple que tem no escritório da adega.

"Isso não é ser poupado! É ser miserabilista! Deviam ter vergonha!" - desabafava esta semana comigo um outro rico de Portugal, comentando os netos poupadinhos, um homem que tem uma obsessão: criar trabalho e dar a trabalhar."Eu sou do género to do!".

Parece que este vai ser o novo estilo dos ricos: dizerem que poupam, que vivem com nada e já agora convidarem os seus empregados a terem também uma vida de ricos!

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