quinta-feira, setembro 04, 2008

A morte de Fifi e os 20 anos do Visa Pour L`Image



Viveu a fotografar a morte dos outros, o sofrimento, as injustiças. Morreu hoje. Chamava-se Francoise Demulder e foi uma das fotojornalistas mais marcantes desde a Guerra do Vietname aos nossos dias. Fifi era assim que os amigos a tratavam e o "petit nom" nada tem de coquette pois a fotógrafa sempre se afirmou de uma coragem fisíca e determinação jornalística no campo de batalha de grande força.
Foi a primeira mulher a ganhar o World Press Photo, em 1976, com a fotografia em anexo, uma cena em que mostra as milicias falangistas em acção no Líbano e que acabou por ter um significado político muto relevante na época.
Francoise morreu na miséria num hospital de Paris onde estava internada desde Outubro passado.
Aqui em Perpignan, onde me encontro no Festival Visa Pour L`Image, que este ano faz 20 anos sempre com a direcção de Jean Francois-Leroy, já bem conhecido dos portugueses pela sua participação habitual no júri do Concurso Visão, houve um momento solene durante a sessão da noite em homenagem à fotojornalista. Passaram no grande écran, ao ar livre, algumas das suas fotografias mais célebres e foi referida a coragem e envolvimento nos conflitos onde fotografou. No Médio Oriente acabaria por se tornar amiga e confidente de Arafat.

O Festival revelou também hoje ao público aqui presente, mais de quatro mil visitantes entre fotógrafos profissionais, amadores e público fiel, a obra do Moçambicano Ricardo Rangel, um fotógrafo que entre os anos sessenta e setenta e cinco documentou com grande talento a sociedade moçambicana urbana no tempo do colonialismo português. Uma obra que já era conhecida, dispersa por várias publicações, e que hoje aqui foi dada a ver com grande pujança.

Até domingo Perpignan deve ser o lugar do Mundo com mais fotorepórteres por metro quadrado. E se as fotografias duras de carácter social são as mais vistas, por vezes até à exaustão, os fotojornalistas aqui presentes não parecem muito preocupados em fotografar nas ruas de Perpignan. Um suicida lançou-se de uma torre histórica para a praça onde os fotógrafos se reunem para conversar, e beber copos, e só dois deles entre centenas pegaram na câmara e foram fazer uma foto do acidente. E mesmo esses fizeram-no ao longe com algum recato.
Entre os fotógrafos mais conhecidos de sempre está David Douglas Duncan (DDD) o mítico fotógrafo da LIFE e amigo de Picasso a quem tirou algumas das fotos mais emblemáticas do pintor.

( também em WWW.expresso.pt)

1 comentário:

  1. p*** de foto, sobretudo se a contextualizarmos no tempo.

    http://accel23.mettre-put-idata.over-blog.com/0/19/38/97/t-broadway_and_103rd_st_nyc_klein.jpg

    http://img307.imageshack.us/img307/9939/2585hb1ckhamlv1jc0.jpg

    http://news.bbc.co.uk/nol/shared/spl/hi/pop_ups/05/in_pictures_50_years_of_photojournalism/img/4.jpg

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