segunda-feira, agosto 06, 2007

Jornalistas que até sabem o maistoideu

Não consigo citar um fotojornalista de referência que tenha andado numa escola de fotografia ou que tenha queimado as pestanas a estudar comunicação social. Muitos têm formação académica, experiência em artes e ofícios, outros tinham profissões por vezes banais. Robert Capa não era propriamente um académico e Henri Cartier- Bresson vagabundeou pelo cinema, pela pintura e pelo desenho. Nachetwey chegou a trabalhar como motorista e Salgado era um promissor economista quando descobriu a fotografia. O velho Salomon era um distinto advogado que aos 45 anos conheceu a fotografia e depois se tornou fotojornalista. Penso nos mestres estrangeiros mas mesmo em Portugal não sou capaz de citar um fotógrafo afirmado com um canudo.

Não defendo o autodidatismo, nada disso. O que quero sublinhar é que a formação humanista que o exercício do fotojornalismo exige não se coaduna muitas vezes com os programas idiotas de que fazem parte os nossos cursos de ciências da comunicação. Infelizmente estes cursos têm demasiada teoria desligada da prática e com a reforma de Bolonha vão ficar ainda mais distantes da realidade profissional. Interessa a um jornalista saber matemática, estatística e não saber nada de plataformas multimédia ? É um exemplo.

O novo código dos jornalistas ao dar prioridade aos licenciados em comunicação social para o exercício da profissão está a limitar o acesso. Uma das razões porque o jornalismo português cresceu e melhorou foi com a fornada dos profissionais que entraram no final dos anos setenta. Vinham de economia, história, engenharia, arquitectura ( Hélas !!) e permitiram uma geração de ouro. Vicente Jorge Silva, Joaquim Vieira, Adelino Gomes, Maria Elisa, Clara Ferreira Alves...alguns nem licenciados são ( CFA é-o) e são grandes jornalistas.

Sou pelo saber mas isso não se resume a canudos ( veja-se o nosso engenhocas da treta!), resume-se a cultura meus caros. Assim respondo a um comentarista do Fatal.

10 comentários:

  1. Só um pequeno comentário ali à sua poll das férias do socas. Não é Algarve, é ALLgarve. Agora dê-me licença que vou apanhar o barco para o deserto de ALLmada, para fazer a mala para ir para ALLbufeira passando primeiro pelo ALLentejo.

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  3. o LC tb não percebeu bem a questão ou eu não me fiz compreender.
    1º Não falava de fotojornalismo, mas de jornalismo, porque se o fotojornalismo existe (a formação universitária específica p. ex nos EU faz parte dos currículos dos novos fotógrafos de imprensa profissionais ) mas há ainda uma quota enorme de aventureiros que se ajietam a tirar umas fotos que depois uns editores habilidosos compõem e prontos.Eu falava de jornalistas da imprensa escrita p.exemplo e não restringindo o acesso à profissão apenas a licenciados - há talentos por descobrir - não é desejável que nos tempos de hoje os jornalistas sejam "analfabetos". Os tempos são outros e se calhar um gajo c o 7º Ano de letras e uns amigos no meio sabia mais do que um licenciado à toa hoje. O que eu acho é que jamais se deve discriminar alguém pela raça credo idade e habilitações sem ter prestado a prova dos nove da competência.De resto longe de mim validar as propostas do Ministro para o sector de mão beijada.

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  4. Por uma vez completamente de acordo com o Luiz.

    Saber e canudo é coisa distinta.

    Se a formação académica fosse tudo, ou mesmo muito, não teriamos a pouca vergonha com que somos invadidos diariamente nos jornais televisivos. Estou a falar de pessoas, não de conteúdo editorial.

    Esta coisa nossa dos graus académicos é terceiro-mundista e muito, muito provinciana.

    Veja-se a falta de respeito pelo autodidata e a diferenciação com que se olha para alguém que se formou na Europa ou nos States.

    A necessidade de legitimação do Sócrates, através de um canudo é vergonhosa. Não para ele, para a nossa sociedade.

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  5. Sou insuspeito, não tenho canudo, mas respeito os anos que o LC queimou as pestanas nas Belas Artes. Não haveria de ser Arquitecto como o Cassiano Branco nem pato bravo como outros, derivou para a fotografia. Se calhar se nunca tivesse frequentado alguns gajos que lhe ensinaram algumas coisas não era hj quem é.

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  6. Já agora que falam de fotografia deliciem-se com este site

    in-public ...é só digitarem no Google... se os tais editores fossem mais criativos e menos focados nas banalidades editoriais repetitivos teríamos obra de fotojornalismo mais interessante e leitores a puxarem mais pelo direito às BOAS fotografias.

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  7. Quem sabe do maistoideu visto por membros de um fórum de amantes de fotografia:

    http://www.forumfotografia.net/index.php?showtopic=38802&hl=

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  8. Pois é Luiz.
    Arrisca-se um bocado, depois chove disto.

    A malta quer é produção e muito photoshop.

    Resta-lhe a maior das consolações.
    Sempre tem o AC a defendê-lo.

    Com solidariedade.

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  9. nao temos jornalistas! porque nao vao parao IRAQUE? Ha nao ha HOTEIS de 5 estrelas. Cambada! eainda escrevem livros! Pobres de espirito.

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  10. vê-se logo que n conhece o mercado jornalistico. para se ser jornalista é preciso saber mto de jornalismo. e ha futuros bons jornalistas a serem formados em universidades, a investirem nos seus conhecimentos jornalisticos, para poderem tornar o jornalismo portugues muito melhor do que ele é (e nao é assim tao dificil quanto isso, apesar de tudo). mas, quando tentam entrar no mercado de trabalho, ele está saturado por dezenas de personagens quenem sequer sabem escrever bem em português, quanto mais fazer uma noticia... mas que sao "legitimos" "jornalistas" formados em direito. pelo amor de Deus!!!!! o saber e a cultura de que fala passam pela aprendizagem daquilo que é obrigatorio para se desempenhar certas funções e nao das cunhas dos engenheiros, advogados, economistas e afins. portanto, quanto ao novo codigo dos jornalistas, o unico acesso que limita, é o dos que nao têm competencia para exercer uma função cuja importancia devia ser mais reconhecida por todos, porque todos sao dependentes do jornalismo e dos meios de comunicação social (se acha que nao, pare, pense e imagine-se sem eles)

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