segunda-feira, outubro 24, 2011

Miguel Macedo vive ou não vive na casa de Algés?

Miguel Macedo que é hoje ministro da administração interna, era um dos mais ruidosos deputados contra o governo de Sócrates. Acabou por ganhar com Passos Coelho, e todos os outros que infelizmente conhecemos, umas eleições precipitadas através de um golpe de secretaria em nome da verdade, do rigor e do fim de uma política gastadora.

Tudo serviu para ganhar o Poder. Prometeram mais do que qualquer santo milagreiro de que há memória. O povo habituado em acreditar em telenovelas e casas de segredos, apostou nestes cavalos políticos, desconhecendo que eram umas pilecas e não uns verdadeiros corredores.

Nos últimos dias descobriu-se que Miguel Macedo, ministro de um governo que decretou medidas inenarráveis sacrificando milhões de portugueses que ficam agora na pobreza, não perdeu tempo e pediu um subsídio de alojamento em Lisboa para quem é da província, vem para o governo e precisa de ajuda.
A lei faz sentido. Se um daqueles caciques locais é chamado para ser ministro, sendo o ordenado de um ministro modesto, sendo as casas em Lisboa caras, sendo eles uns tipos sem grandes posses pois se o fossem não iriam para ministros, o subsídio justifica-se. Mas a lei refere que isso se aplica a quem não tem casa em Lisboa, ou num raio de 100 quilómetros.

Ora Miguel Macedo tem uma casa em Algés, que rima com Massamá, embora ( e aqui está a xico-espertísse) a sua residencial oficial seja no Porto. Isto é: esperemos que legalmente seja no Porto a sua morada fiscal.

Eu gostava de saber, já agora, se ele tem usado a casa de Algés, ou se usou o subsídio para alugar outra.

Como foi apertado o ministro não teve outro remédio senão desistir do subsídio.

Para um político neo-liberal que vive a criticar os subsídios do Estado, que por ele acabava com todos os apoios sociais, matando esses monstros que engolem os impostos da classe média, abdicar de um subsídio que é mais alto do que o mais alto subsídio de desemprego que o seu governo acaba de baixar, deve ser duro. Mas devia ser uma VERGONHA. E ainda vem com ar de Maria ofendida dizer que foi tudo transparente e declarado. Pois foi. E daí?

A ética acaba na lei e a atitude política acaba na lei? Também é legal ter dinheiro em off-shores e é legítimo um político fazê-lo? Também é legal vender acções do BPN, mesmo que tenham sido oferecidas, mas num político isso é aceitável?

É legal essas figuras da democracia como Dias Loureiro, Miga Amagal, Armando Vara ou Ângelo Correia, ou a renegada Zita Seabra receberem pensões vitalícias. Mas isso é moralmente aceitável e éticamente correcto?

Tal como a lei que prevê o subsídio de deslocação, a pensão vitalícia faz sentido. Mas se não for acumulável com reformas ou outras pensões. E só na idade da reforma e não antes. Mesmo assim é discutível.

O primeiro-ministro viaja em turística (embora fosse de investigar se essa promessa se tem verificado. Eu duvido) numa campanha de marketing parola e populista, mas os seus Chicago-boys vão metendo a mão na massa e aí estão a montar a pileca do Poder, não no seu esplendor, mas na pior das
mesquinheses pequeno-burguesas.

Como todos os moralistas, estes tipos são de uma total perversão no exercício das funções. E a procissão ainda não saiu do adro.

2 comentários:

  1. Uma vergonha! Conheci em tempos muito idos uma ou outra pessoa que também declarava residência longe para ganhar o chamado "subsídio de deslocamento". Mas há uma grande diferença: essas pessoas tinham vencimentos baixos e não tinham que dar o exemplo a ninguém, o que é o caso dos políticos, ministros, etc..

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