segunda-feira, dezembro 28, 2009

Um 2009 a twittar a crise e a falar no Facebook

Foi o ano da crise e de todas as angústias. O Mundo estremeceu. Foi o segundo Tsunami, agora global, com a árvore das patacas a largar para o chão a fruta. A má fruta como diria o nosso Presidente Cavaco.

Milhares viram sumir as poupanças de uma vida, por causa de uma economia de casino, virtual como o Mundo digital que agora nos ocupa os dias entre trabalho, negócio, diversão, convívio.

Quando a maioria de nós tinha o conforto e a segurança como dados adquiridos, a protecção do Estado, a segurança no emprego, um futuro razoável para os nossos filhos e netos...tudo começou a desabar. Os governos afinal nada mandam e pouco podem mudar. Embora a resposta do sistema tenha sido rápida, limitou-se a meter dinheiro na crise e não a mudar o próprio sistema.

Os que estiveram por detrás da catástrofe acabaram por manter o protagonismo. Receberam milhões de compensações das empresas que ajudaram a falir e de nada valeu a irritação de Obama e de outros justiceiros mundiais.

A Guerra do Iraque nada mudou, o Afeganistão aí está como o Vietname de Obama. Israel continua a chacina, a intolerância não abranda no Médio Oriente.

Um ano difícil este de 2009. Também para os portugueses. Cansados de um governo intolerável na incompetência, na arrogância, na mediocridade de uns dirigentes socialistas nada convictos, que se apoderaram da política para quermesse de interesses e gaúdio de egos do tamanho de comboios e auto-estradas. Um governo que é uma grande agência de comunicação. Não governa, faz marketing. E sempre disponível para deitar dinheiro público na fogueira do despesismo.

Os portugueses que trabalham fazem-no para pagar 60 por cento de um Estado gastador, esbanjador, novo-rico. Os outros vivem à pala de subsídios, apoios, subvenções, cargos públicos.

A crise pode ter assustado mas não desmobilizou os viciados em consumo, os indiferentes, os que nunca souberam o que era a ditadura, a ignorância, a pobreza. O regime pós-Cavaco criou este tipo de gente que olha a política como um fait-divers, algo que nada tem a ver com eles.É a geração da TV, da novela, das notícias que gostam de histórias de coxos e anões, pernetas e cantores de voz à ídolo. A bela ilusão.

Uma TV que contaminou a própria imprensa escrita que agora usa a estratégia das vedetas, do light, do vazio. Uma imprensa televisada que tarde descobriu essa fórmula desgraçada lançada pelo USA TODAY nos anos oitenta, e que empurrou os jornais para o beco da banalidade e a seguir da indiferença por parte dos leitores.

Claro que o Mundo não pára e é feito de mudança. Embora os ecologistas achem que não. Que o CO2 é que muda o Mundo e não a vida.

Mas se alguma coisa mudou mesmo as nossas vidas foram as redes sociais.E nada será como dantes na política, na cultura, nos negócios, nas relações sociais.

Podíamos viver sem o Twitter e sem o Facebook mas as nossas vidas não eram a mesma coisa.

3 comentários:

  1. Parabéns por este texto. Excelente, mesmo.
    E eu não faria melhor, talvez apenas menos um ou outro erro gramatical (estou a brincar).

    E já que não me retribuiu o desejo de um bom 2010, volto a desejar, o que já fiz num comentário mais abaixo.

    JJ

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  2. António Teixeira5:57 da tarde

    Venho aqui de vez em quando e quase semprfe gosto do que leio e do que vejo. Este texto está brilhante. Mas é claro que os nossos (des)governantes não o lêem. Mas tenhamos esperança de que 2010 seja melhor....!

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  3. Brilhante!Parabéns. E Bom Ano para si e sua Família!E para todos os Portugueses que,sabiamente,não votaram neste desgoverno do maior pantomineiro da história!

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