segunda-feira, julho 21, 2008

O sorriso amargurado de Eunice Munoz


A entrevista de Eunice Munoz à Única do passado sábado comoveu-me. As fotografias foram feitas por mim e deram-me um grande prazer, e honra.
Acompanho a Eunice há muitos anos, embora tenhamos apenas uma relação cordial. Nunca fomos amigos mas temos amigos em comum desde o meu mestre Lagoa Henriques à actriz Fernanda Neves com quem vivi. Entrevistei-a há 18 anos e fotografei-a com a neta ao colo ainda bebé para uma capa da Nova Gente com o título:Eunice, avó coragem. Hoje essa neta tem 19 anos e estuda teatro com o Carlos Avilez, outro mestre que admiro e com quem convivi no TEC nos anos oitenta.
A Eunice é também prima da minha grande amiga Filomena Cardinalli e já nos temos encontrado todos no Natal no circo do Vítor Hugo.
Sempre esteve à frente do seu tempo e sempre teve razão antes do tempo. É de uma sensibilidade rara e de uma postura profissional que nos dias de hoje quase não se encontra: rigor, exigência, entrega, e uma alegria enorme em fazer bem o que faz.
Confesso que me irrita sempre aquela sua atitude política de apoio a Santana Lopes. Mas percebo-a: no fundo foi ele que sempre apoiou o teatro e foi ele o único político que tratou com dignidade e respeito os actores de Portugal.
A mágoa da nossa diva que foi despedida do Teatro Nacional com a promessa de um complemento de reforma que nunca foi pago é mais que justa. E é uma vergonha para este Estado que parece ter dinheiro para tudo menos para honrar os que combateram pela Pátria, os que a dignificaram, os que lhe deram a dimensão ainda respeitável que é Portugal.
Era bom que o senhor ministro da segurança social e o senhor ministro da cultura olhassem para a humilhação de que Eunice, Rui de Carvalho e Fernanda Borsatti têm sido vitimas. Era bom que lhes pagassem e lhes pedissem desculpa. Era um acto de honradez e a oportunidade de se dar um pouco mais de compostura a esta democracia malvada e côcha.

3 comentários:

  1. É, sobretudo, uma falta de respeito perante uma grande senhora, essa história de que fala, sobre o complemento de reforma.
    Realmente, é revoltante.

    JJ

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  2. CHAMAM A POLICIA QUE EU NÃO PAGO, EU NÃO PAGOOO!!!!

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  3. Pézinhos n' ... areia2:27 da tarde

    que grande hipocrisia que grassa neste país !!!! Arre que é demais !

    para quê então tantos prémios a estes artistas do teatro português, se se lhes recusa um complemento de reforma ?


    Vale a pena ler ..... !!!!

    Mais uma Golpada? ERSE

    Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve. Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores.

    Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios. Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês ? ou seja, 2.400 contos ? durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.

    Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?». E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!». E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 12.000 euros por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».

    Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28º dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos». Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.

    Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.

    Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, abusivo e desavergonhado abocanhar do erário público.

    Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.

    Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético. E pergunta você, que não é trouxa: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?».

    Parece que não. A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço. Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?
    Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga?

    E tão descarado gozo?
    Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.

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