quarta-feira, outubro 10, 2007

Balbino acusa Sócrates de falta de coragem

Expresso online revela hoje:

"O primeiro-ministro nada mais busca que a vingança contra o declarante pelo facto de este ter iniciado, como cidadão, uma investigação sobre a licitude do percurso académico na Universidade Independente". Esta é uma das linhas de defesa do blogger António Balbino Caldeira, autor do blogue doportugalprofundo.blogspot.com, no processo em que é arguido e José Sócrates o queixoso. Em causa estão os artigos do professor de Alcobaça sobre a licenciatura do primeiro-ministro na Universidade Independente.

A defesa do blogger, que é representado pelo advogado José Maria Martins, questiona a pertinência da queixa do primeiro-ministro contra Balbino Caldeira. "O que está subjacente é a falta de coragem do primeiro-ministro para atacar aqueles que têm muito poder político e mediático, quando disseram coisas gravíssimas e o primeiro-ministro não reagiu".

E dá exemplos: Marcelo Rebelo de Sousa disse que a licenciatura de José Sócrates tinha sido tirada na "farinha Amparo" e, sobre o controlo dos media (outra matéria sobre a qual Sócrates apresentou queixa), citou declarações de Marques Mendes, um artigo do Expresso, "O impulso irresistível de controlar" (que deu origem a uma averiguação por parte da Entidade Reguladora da Comunicação) e artigos de opinião de Vasco Pulido Valente, Pacheco Pereira e António Barreto.

A queixa do primeiro-ministro é clara quanto aos textos de António Balbino Caldeira sobre a licenciatura na Independente: "têm por consequência lançar dúvidas sobre o meu carácter, ofendendo-me e prejudicando-me, quer pessoalmente quer no exercício da acção política". Mas se, em relação aos comentadores Sócrates nada fez, Balbino Caldeira diz que quanto a si "o primeiro-ministro musculou-se e vá de usar até papel timbrado da presidência do conselho de ministros para se queixar também como cidadão".

Recentemente, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) arquivou o processo sobre a licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente e uma eventual utilização de um título falso, o de engenheiro, por parte do primeiro-ministro. Segundo o despacho de arquivamento, Sócrates não foi beneficiado em nada durante a frequência da licenciatura.

Inconformado com o arquivamento, José Maria Martins requereu a abertura de instrução. Uma fase na qual pode requerer a realização de outras diligências. Caso o requerimento seja admitido, tal poderá implicar a constituição como arguido de José Sócrates que, durante o inquérito, não foi ouvido.

Por sua vez, António Balbino Caldeira aguarda a decisão final do Ministério Público quanto à queixa de José Sócrates.



5 comentários:

  1. Eles lá vão arquivando os casos todos...

    Acho pertinente essa base de defesa. Então só conta a opinião de uns e a dos outros assobia-se para o lado? Então as palavras ditas por A são insultuosas, mas ditas por B já não são? É triste como se usa o "mais fraco" para limpar o nome, sim porque contra os outros "mais fortes" ainda podia perder e a careca ser descoberta. Aí nem todo paleio de vendedor de banha da cobra no qual o socas tem uma grande licenciatura lhe iria valer!

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  2. Esta é uma história bem triste.
    Eu até acredito que, enquanto aluno, apenas beneficiou do clima de facilidades que, afinal, muita gente bem menos importante e anónima, também beneficiou à época da falta de exigência de algum ensino superior privado, onde alguns políticos que, enquanto estão a fazer travessias do deserto, ganham alguns cobres a dar aulas ou a exercer cargos de mera influência.
    Agora, esta cena da queixa contra um blogger que acabou por se projectar também no plano mediático dado o cargo político hoje desempenhado pelo então aluno e não tendo o «ofendido» a mesma atitude em relação aos «têm muito poder político e mediático» e que, na minha opinião, foram bem mais duros ou, para usar uma linguagem jurídica, bem mais ofensivos do «carácter do queixoso», de facto, nunca vi o blogger em questão utilizar expressões como «farinha amparo», é reveladora de uma atitude que não devo, nem quero, qualificar. Mas que me deixa muito preocupado enquanto cidadão.
    Por outro lado, vendo o lado prático da questão, apostando que o blogger acusado nunca vai ser acusado de crime algum, a queixa só serve, afinal, para fragilizar o próprio «queixoso», querendo com isto dizer que está a dar um tiro no pé, porque o cidadão médio, embora possa perdoar a forma como alguns se fizeram engenheiros independentes, também habituado a este tipo de facilidades tão características de um país como o nosso, acaba por não ser parvo e vai fazer o seu juízo na cobardia do voto secreto. Por isso, nem acho, sequer, a queixa uma atitude inteligente.

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  3. vamos ver se o José Maria Martins se aguenta nas canetas!

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  4. «vamos ver se o José Maria Martins se aguenta nas canetas!»

    Um ex-guarda da PSP aguenta-se sempre nas «canetas»...
    Nem que tenha que se atirar ao chão, como fez numa cena do processo Casa Pia, embora ele diga que foi empurrado.
    E, agora mais a sério, o que eu acho é que ainda lhe fazem a folha na Ordem...
    Porque ele é homem difícil de andar... na ordem.

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  5. O José Maria Martins é aquele ex policia que quando era da PSP e ia fazer rusgas ao parque Eduardo VII
    primeiro disparava uns tiros para o ar para assinalar a sua presença no local (aos pedófilos naturalmente ) ??? E reparem isto não sou eu que o digo disse ele há tempos ao jornal O CRIME.
    Balbino tem razão, mas lamento que tenha como defensor O Martins, que aliás para além deste estofo aqui descrito é medíocre como advogado, com licenciatura em Direito da Farinha 33....Pena porque o caso Balbino mereceria melhor

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