segunda-feira, outubro 08, 2007

Arquitecto Saraiva descobre o Viagra

O VIAGRA QUANDO NASCE É PARA TODOS

Sempre a considerar o meu ex-director e sempre a citá-lo no seu melhor. Com a devida vénia faço um copy-paste do site do Sol onde encontrei este texto que vai marcar a época pós-Meneses. Com a sua capacidade premonitória, o arquitecto Saraiva acaba de marcar mais uma vez a História. Depois do tábu, o Viagra.

As complicações do Viagra

Um Embaixador (já entradote na idade) dizia-me há tempos: «Desde que apareceu o Viagra, os velhos andam pr’aí todos doidos». Os «velhos» eram figuras públicas bem conhecidas, também já entradotas na idade, cujos nomes omito por razões evidentes.Creio que a ‘informação’ era, pelo menos parcialmente, verdadeira. Não me espanta que alguns ‘velhotes’, que já tinham dado a loja por encerrada, a tenham reaberto perante a descoberta do remédio da virilidade eterna.Acredito, por outro lado, que o Viagra tenha salvo alguns casamentos em risco e tenha dado a outros uma nova cor, um novo encanto. Certos casais para quem o sexo tinha acabado há muitos anos terão redescoberto os prazeres da cama, provavelmente até fazendo novas descobertas, experimentando sensações que no fulgor da juventude não tinham ensaiado.
O problema do Viagra é que, como todas as grandes descobertas, pode ser usado com objectivos diferentes daqueles para que foi idealizado. Por outras palavras, pode servir o bem e o mal. Tal como a energia atómica – que quando apareceu foi saudada com júbilo em todo o mundo e hoje mantém a humanidade sob um clima de terror.O mesmo, a outra escala, sucedeu com certas profissões. Pensemos nos advogados. Os advogados surgiram para solucionar diferendos que as pessoas comuns tinham dificuldade em resolver. Para tornar mais fácil aquilo que se apresentava difícil. Para defender os direitos dos cidadãos e pugnar por causas justas. Ora, para que servem hoje os advogados? Servem para complicar os problemas e não para os simplificar. Para tornar difícil e tortuoso o que parecia fácil. Para defender boas causas mas também más causas, arranjando expedientes para livrar da prisão burlões confessos. Também por isso os julgamentos se arrastam tanto. Os juízes levam tempos infindos a tentar desenredar a meada que os advogados de um lado e doutro enredaram.
Do mesmo modo, o Viagra, servindo para salvar casamentos e tornar outros casais mais felizes, serve igualmente para destruir famílias e semear a desgraça.Contam-se várias histórias, passadas em vários pontos do país e em vários estratos sociais, de velhotes que, renascidos pelo Viagra, seduzem jovens, aliciam-nas, separam--se das mulheres e rompem relações com a família – que assiste, atónita, ao comportamento ‘irresponsavelmente juvenil’ do velhote. E o que está aqui em causa não é a separação: há casais que deixaram de se suportar e cujo único caminho é mesmo o divórcio. O problema, aqui, é outro. É uma relação que se inicia na base de uma performance sexual artificial, que se irá alimentar dessa performance, e que só por acaso resultará.
Não se pense, entretanto, que este tema diz apenas respeito aos ‘velhos’.A ‘moda’ do Viagra estendeu-se a todas as idades. O dono de uma farmácia dizia a uma pessoa amiga que os grandes clientes do Viagra não são hoje os idosos – são os jovens que, perspectivando uma relação ocasional e querendo fazer boa figura, recorrem ao elixir da longa vida (sexual, entenda-se).Também aqui a relação dificilmente terá futuro. Uma relação que começa esforçadamente na cama, em geral continua na cama – até os dois parceiros se cansarem um do outro e verificarem que no fim do túnel não existe nada.
De qualquer forma, ao ponto a que se chegou, já não há nada a fazer.O mundo não anda para trás – e nenhuma descoberta regressa ao armário nem tem a possibilidade de escolher aquilo que se fará com ela, de condicionar o uso que lhe for dado.O Viagra é um dado com o qual temos a partir de agora de contar nas relações humanas. Ora, sendo isto assim, faço as seguintes propostas: Primeira – Que, tal como existem vários tipos de champôs, também passe a haver vários tipos de Viagra: Viagra para idosos, Viagra para jovens, Viagra fraco, Viagra forte, Viagra de efeito curto, Viagra de efeito prolongado, Viagra para cardíacos, Viagra para uso regular, Viagra para uso ocasional, etc.Assim, haverá possibilidade de escolha – e o cidadão não terá de tomar um medicamento indicado para casos diferentes do seu. Um jovem não precisa de emborcar fórmulas inventadas para velhos, e um homem casado não necessita de se enfrascar com uma bombada destinada a executivos que querem impressionar a secretária ou a mulher de um amigo.Em suma, para cada caso o seu Viagra.
Segunda proposta – Deve fazer--se um alerta a todas mulheres, no sentido de que:Desconfiem do macho que conheceram na discoteca, e que se manteve firme por várias horas, proporcionando-lhes um prazer desconhecido. Não pensem que ele se comportará sempre assim. Quando as tiver presas no anzol, passará a ser igual a muitos outros homens. E desconfiem dos velhos que mostrarem uma virilidade suspeita para a idade: revolvam-lhes os bolsos, não para lhes roubarem a carteira mas para descobrirem os comprimidos milagrosos que os desmascararão.Com o Viagra, ninguém – ou quase ninguém – fica hoje mal visto. Mas ele veio instalar a desconfiança universal.O mais seguro, portanto, é mesmo não confiar – e, a par do sexo, ter em conta outras qualidades menos na moda. As «boas e velhas qualidades», como se diria num anúncio de whisky. A saber: o carácter, a personalidade, a lealdade, a inteligência, a sabedoria. Estas, pelo menos, não se podem alterar com um com
primido.

3 comentários:

  1. Este Saraiva percebe de tudo!
    A partir de um desabafo de um amigo embaixador sobre dois ou três viagra fãs, alavanca uma historia da treta, propria de um avô ressabiado!
    Ao ponto de dar conselhos ás damas para duvidarem logo que algum cavalheiro que se ponha em pé por dá cá aquela palha.
    Como o grande ideologo do sexo da Lusitânia ele considera que os velhos são uns impotentes e as velhas umas enferrujadas cheias de calos!
    Grande senhor este Saraiva!

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  2. Este texto tem todo o ar de ter sido o Vitor Rainho a dar uma de background. Este assessor do arquitecto ainda vai ser a sua desgraça. Só falta ver o arquitecto Solaiva a abanar o capacete no saab descapotável do intelectual da night!!e Vai agra a fundo ::))

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  3. tão amigos que eles eram ( quando atacavam todos no Expresso ) mas como as .... assim que mudaram de pensão desataram logo a dizer mal uns dos outros....

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