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domingo, janeiro 24, 2010

Dennis Stock, morreu o Mestre que eternizou James Dean


Dennis Stock durante a conferência e abraçando o final um admirador. Fotos Luiz Carvalho

Recordo o post que escrevi há dois anos sobre Dennis Stock:

Na vida poucas vezes nos confrontamos com os nossos mestres. Passámos anos a admirar uma obra, vi-mo-la de trás para a frente, sabemos pormenores dela, devoramos os escritos do autor, imaginá-mo-lo fisicamente e há um dia em que ele nos aparece pela frente, tocamos-lhe e na hora do aperto de mão, a voz embarga-se, baixamos os olhos e resumimos a admiração a uma frase idiota que o mestre nem ouviu. "Obrigado Dennis !"- ele ainda se virou para trás, acenou a toda a gente em volta e atirou-me um:" Adeus homem da GAP!" - referindo-se ao meu boné.

Era de manhã no Palácio dos Congressos de Perpignan onde decorrem os debates do Visa Pour L`Image e era o dia de Dennis Stock, o decano da Magnum aparecer para falar. Começou por fazer uma apresentação das suas fotografias projectadas, com pequenos comentários e acrescentando histórias de vida.

Começou a ser notado como fotógrafo pelo Robert Capa, nos anos 50, depois de uma reportagem sobre as entradas nas fronteiras dos Estados Unidos. Entrou logo para a Magnum, muito jovem, a sua vida atravessou a história contemporânea dos últimos cinquenta anos.

As suas fotografias do movimento Hippye, de Miles Davis, Amstrong, de Marylin Monroe...são um trabalho dos mais profundos e testemunhais. A amizade por James Dean começou no dia em que o actor o meteu atrás na sua Harley e voaram até ao alto de Los Angeles onde durante horas o puto-
" era uma criança!"-lhe contou a sua história de vida, como se Dennis fosse um pai.
Dali nasceu uma grande amizade e uma cumplicidade que permitiu fotografias tão marcantes como aquela do actor a atravessar Times Square, uma foto feita à pressa porque começara a chover e para a qual Dennis Stock utilizou apenas 5 fotogramas para escolher 1.

Hoje o mestre fotografa flores e no saber dos seus anos gosta de olhar ainda o Mundo através da sua Leica.
Está muito empenhado na internet, onde ele acha que os fotógrafos devem fazer sites onde a fotografia se destaque pela grande qualidade. "As fotografias depois de nascerem são do público e a internet é o lugar mais democrático para isso acontecer" - diz ele. Para Dennis os fotógrafos têm de ter imaginação e procurarem quem lhes possa pagar as reportagens. " Os homens ricos estão por todo o lado, só há que procurá-los e convencê-los do valor das fotografias".

Politicamente é um artista de esquerda e, como todo o bom americano, detesta Bush e pensa que o capitalismo de hoje devorou tudo e que a vida das pessoas se tornou tão desinteressante que agora só querem saber da vida dos outros, daí o sucesso das fotografias de paparazzis.

Alguém dizia por perto que é uma dádiva podermos encontrar num só fotógrafo tantas qualidades: Personalidade, carácter, rigor de enquadramentos, visão histórica e social, cultura e uma enorme generosidade.
Não fui só eu que me emocionei com a presença do mestre, e que, sinceramente, não consigo descrever neste post. Um jovem , no final da sessão, arriscou fazer uma pergunta mas a voz tremeu, o sentido das palavras tornou-se confuso. Quando Dennis pediu para repetir a pergunta o jovem teve uma branca e criou-se um eterno silêncio na sala. " Eu só queria dizer que gosto mesmo muito do seu trabalho e é uma honra enorme poder falar consigo!"- Dennis combinou com ele um abraço no final da sessão.

O dia de hoje ficará inesquecível para mim. Tal como aqueles em que estive com André Kertesz em Paris, com Koudelka e Salgado em Fátima. Mas hoje foi mais rico: as palavras e as fotos do mestre disseram-me numa voz calma e sábia que afinal o fotojornalismo, mais do que uma profissão é um acto de fé, uma vocação. Fiquei mais crente e vou fugir um destes dias com a minha Leica.

Obrigado mestre.

Também em www.expresso.pt ( Luiz Carvalho, enviado do Expresso a Perpignan)

sábado, janeiro 23, 2010

O verdadeiro jogo da pobreza de espírito

Segunda-feira o Estádio da Luz vai ter um jogo contra a pobreza. Mas o verdadeiro jogo da pobreza de espírito já foi feito, e visto naquelas imagens, ontem divulgadas, que mostram bem a hospitalidade do Benfica quando recebe o Porto. São imagens gravadas pelas câmaras de segurança da Catedral Iluminada e que mostram a selvajaria a que chegou o nosso futebol.

Se pegarmos nesses planos sequência e os colarmos aos vídeos que estão no YouTube, em que ouvimos incrédulos, e com grandes barrigadas de riso pelo nível artístico e literário a que chegou o nosso mundo futeboleiro, então a realdade supera a ficção.

Não percebo como é possível Pinto da Costa poder continuar à frente de um clube desportivo depois daquelas cenas chocantes e promiscuas entre árbitros, presidentes de clubes e afins com pratadas de sobremesa no fim, regadas a café com leite. Biéque!!!

É um futebódo total. E das duas uma: ou não levamos aquilo a sério e fazemos do futebol uma palhaçada total ou levamos o futebol a sério, como desporto e negócio, e tudo aquilo é demasiado grave para a polícia não actuar e os doutores juízes não mandarem para trás das grades estes pândegos.

Também a porrada que é praticada nos balneários do Sporting não é de menosprezar. Um clube que joga como uma equipa de casados e solteiros e tem um jogador que se arma em espertalhaço e provoca um director e agora é trazido ao colo....não dá para acreditar.

Mas tudo passou a ser possível. O futebol é o outro lado do espelho deste país que gosta de porrada, teatro e salvadores. E por falar em salvadores: hoje lá apareceu o PR de lenço de seda à volta do pescoço a dizer que as negociações sobre o orçamento são sempre difíceis. Já o eram no seu tempo. E lá tivémos que levar com mais uma prédica sobre as virtudes da concertação partidária.

Já não bastava a Dra. Leite andar a fazer de secretária de Cavaco, ainda temos de levar com intervenções feitas na rua por parte do PR, com publicidade a Vale do Lobo por detrás, a dizer banalidades com sorriso plastificado.

Negociações no seu tempo? Ahahahahaahah!!!

O que é que isto tem a ver com o jogo da pobreza? Nada.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Até já os banqueiros opinam sobre o futuro

Começo a ficar farto de comentadores económicos. Torna-se deprimente ouvir à noite no remanso da digestão do jantar, uma série infindável de espertos que tratam de nos desassossegar o sono com previsões haitianos sobre o futuro próximo da Nação.

Ainda por cima, a grande maioria destes comentadores não são isentos, são parte interessada no conteúdo que emitem. Ou são professores universitarios a estagiarem para ministros, ou ex-directores de jornais desempregados, ou engraxadores crónicos, ou empregados de luxo de grandes grupos económicos. Hoje havia mesmo um banqueiro a debitar sobre o que se devia fazer ou não no caso do Orçamento, como se a condição de banqueiro lhe desse uma superior autoridade académica e moral para emitir banalidades em tom emproado!

Já todos estamos carecas de saber que o deficit vai a subir mais do que o balão da outra, e que a dívida externa está a fazer de nós uns perdulários sem juízo. Parece que esta crise de vários rostos não tem rosto: isto é, não há nenhum político com curriculum nesta matéria para se preparar para o cadafalso. Pelo contrário, Cavaco nunca governou, Guterres é protegido pelo Padre Melícias, Durão foi uma miragem, Santana acaba de ser condecorado pelo Chefe Cavaco e Sócrates é porreiro porque o maralhal lhe voltou a dar a tal maioria legítimo para mandar.

Como o país não tem estruturas para aguentar uma economia rolante, podemos poupar, podemos auto-flagelarmos, que a coisa não vai melhorar.

Portugal em termos de economia está como o Haiti na vertente betoneira. Mesmo que venha outra réplica de sismo a coisa cai mas pouco mais cai. Portugal tem o seu tecido económico como o tecido urbano do Haiti fotografado pela Google há dois dias. E não há betoneiras que possam remendar esta coisa.

Estes arautos da desgraça, as novas carpideiras à hora do jantar, não resolvem nada. Uns têm bancos que engordaram à custa do crédito pérfido para o imobiliário e não para as empresas, outros estão a mando de capitalistas que sonham com o século 19, outros arregimentam jornalistas com o soldo de uma sopeira ucraniana, outros apelam à redução dos salários mas aos 76 anos aceitam cargos de gestão em empresas com capital maioritário do Estado. Os mesmos que defendem a reforma aos 65 e que promoveram o descrédito profissional dos que aos 50 anos estavam no auge da sua capacidade.

Uma geração de velhadas e agoirentos sem vergonha. A geração que governou (?) o país nos últimos 30 anos, lava as mãos e faz da análise um exercício de narcisismo e lobby para interesses não declarados.

Vou deixar de ver televisão à noite. Já tinha deixado de ver às outras horas.

Cavaco dá uma cruz de Cristo a Santana


Afinal o Presidente Cavaco não se preocupa só com "os graves problemas do país". Sócrates deu um direito aos gays, Cavaco uma medalha ao Menino Guerreiro.

Entre um despacho e um período para matutar nos tais graves problemas da Nação, que dão a volta à cabeça de um simples professor de economia, o PR distribui ao fim da tarde umas faixas por uns ilustres que "deixaram cargos importantes da vida pública e que já nem deputados são".

Por mera rotina, burocracia política, ou para tornar útil aquela comissão que medalha que se farta no Dia da Raça, Cavaco Silva levou Santana Lopes ao beija-mão numa cena das mais crueis e cínicas como há muito se não via. O ex-secretário de estado da cultura do Cavaquismo e magnifico ex-Primeiro-Ministro, podia até ter sido condecorado com alguma dignidade num 10 de Junho ao lado de outras iminências pardas, mas não: Cavaco quis dar-lhe a "Grã-Ordem de Cristo", envenenada, pondo-o ao lado de uns apagados Silvas, olhando sempre para a fotografia com um sorriso que não deixaria escapar nenhuma migalha do bolo-rei da vingança política.

Santana saiu a correr do Palácio de Belém, o casarão que só o recebe para lhe dar desgostos, humilhações, e que deixa à sua passagem uma risota total. Safa que se faz tarde! E nem uma palavra aos abelhudos jornalistas!

O gesto político de Cavaco é de um grande mau gosto, e o que é lamentável é que ele não consegue ter fair-play para fazer uma destas encenações sem deixar cair o seu gesto mais profundo: o enterro da má moeda.

Como quem diz a Santana:"Vá transporta a Cruz como Cristo a aguentou!", Cavaco deve ter tido um dos dias mais reconfortantes do seu mandato.

Só faltava vir a seguir Barroso e deitar uma pazada final de terra para o caixão do Acabado Lopes. Malvado Cavaquismo. Heheheeh!!!

segunda-feira, janeiro 18, 2010

ROMA por LUIZ CARVALHO

As minhas fotografias de Roma feitas em 2002 e que acabo de encontrar num cd tresmalhado.
Terão sido as últimas fotografias feitas com a minha Leica M6. Cliquem na foto para verem o diaporama.

Daniela Ruah por Luiz Carvalho

Photosession de Luiz Carvalho para a Única/Expresso. Clique na foto para ver diaporama.

domingo, janeiro 17, 2010

A lição do Haiti

O Haiti é uma enorme tragédia e com ela a convicção de que o Mundo não é nada seguro. Vivemos pendentes de pinças. Todos. Estamos sujeitos à precariedade do petróleo e sua distribuição mundial, estamos reféns da economia e da finança capitalista, estamos vigiados pela China e pelos grandes mercados que despertam no Oriente. As nossas vidas não estão assim tão seguras em caso de um cataclismo, como sucedeu no Haiti.

A comunidade internacional preocupou-se em se organizar para a guerra mas não pensou na solidariedade em tempos de paz. Há brigadas de intervenção rápida em caso de ataque nuclear para defesa do Ocidente, mas em caso de tragédia...há que fazer tudo de improviso.

Claro que no Haiti todos os países quase sem excepção têm dado sinais práticos de ajuda e esta está a chegar. Só que sem aeroportos, portos, vias, combustível, electricidade, sem as infra-estruturas minimas é quase impossível uma ajuda eficaz em tempo. A ajuda chega porque sem uma estrutura de socorro preparada por uma ONU para acudir a países em catástrofe é impossível fazê-lo a tempo e horas.

Já tinha acontecido o mesmo com o Tsunami na Ásia. A ajuda internacional chegou mas tarde. Sem um organismo mundial que possa estar preparado para acudir a populações em perigo qualquer acontecimento destes está condenado a fracassar em termos humanitários.

Num Mundo avançado, que esbanja milhões em defesa militar, que faz do CO2 uma mobilização à escala total, como não pensou ainda numa organização para funcionar nestes casos? Esse organismo vai aparecer quando alguém descobrir nisso uma causa com lucros globais, como sucedeu com a demagogia do ambiente. Vão ver se não vai ser assim.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

NIVEL 2 do WORKSHOP DE FOTOGRAFIA

Clique na imagem, entre no site

Inscrições abertas, algumas já feitas. O Nível 2 destina-se a fotógrafos que tenham alguma técnica e desejem praticar e evoluir no terreno fotográfico. Prioridade aos alunos que frequentaram os I, II e III Workshops, nível básico.

terça-feira, janeiro 12, 2010

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Pedintes groumet

Um repórter apanha de tudo na rua. Na passada semana andei pelas ruas da amargura em busca de famintos aos caixotes. Acompanhava uma colega que ia escrever sobre o tema. Eu na pele de fotógrafo observo e não faço perguntas. Mal falo com os protagonistas. Prefiro ver e calar.

Fiquei consternado com uma mulher ainda jovem, magra, com tiques de quem tinha nascido numa família burguesa. Notava-se na atitude, nas palavras bem usadas com a sua voz rouca, rufia. Abraçava um cachorro que a não largava e às malas de rodas que transportava com comida para o cão e roupas para proteger do frio. Uma figura simpática, terna, que apetecia ajudar.

Mas não era disto que eu queria falar. O que me impressionou foi o personagem de um homem novo, ar saudável, também com evidente educação escolar, que vivia de andar aos restos que lhe eram dados numa praça de Lisboa. A razão para aquela vida era justificada como uma forma de protestar contra o consumismo, o CO2 daí inerente e a sociedade cruel capitalista (era este o sentido das suas palavras).

Depois protestava contra o facto de em Portugal, ao contrário dos países nórdicos por onde já tinha mendigado, não haver ainda uma espécie de ecoponto da comida, onde os pedintes pudessem escolher entre caixotes para peixe, outros para carne e outros para legumes. Uma desorganização em forma de esmola!

A verdade é que a distribuição dos alimentos que sobram ao fim de um dia é complicada. Se os supermercados deitam fora a comida é porque ela vai deixar de estar fresca para consumir, ou porque os novos stocks terão de ser postos à venda para não se entrar num ciclo de estragos. Abrir os sacos e deixar toda a gente levar à borla criaria um caos e é impossível as instituições sociais poderem distribuir alimentos à beira do prazo.

Há lojas e mercados que regam com lixívia a comida que sobra, noutros dias fazem-se esquecidos e os pedintes pontuais acabam por levar para casa peixe e carne ainda razoáveis em qualidade para serem consumidos.

Agora que há uma multidão de mendigos profissionais, jovens, de saúde, e que não querem trabalhar que ninguém duvide. Nem toda a pobreza se traduz no folclore dos sem-abrigo que optaram por viver na rua entre bebedeiras e total desregramento de vida. É verdade que isto já se poderá considerar uma doença e casos sociais graves. Mas pelo que vi, aquela gente não quer trabalhar, vive à custa de expedientes e este intelectual da pedínchisse até já queria caixotes com produtos separados. Só faltou reivindicar frigoríficos públicos para conservar os restos da comida.

FOTOS DO III WORKSHOP DE FOTOGRAFIA

Clique na foto e entre no diaporama das primeiras imagens dos alunos (não editadas)

domingo, janeiro 10, 2010

Sócrates faz-se à estrada

Sócrates adianta-se a Cavaco e retoma a estrada em grande actividade. Hoje é a Zona Centro, aquela que mais indústria activa comporta, para falar da importância das exportações. Antes foi o lançamento de duas novas estradas no valor de 1700 milhões de euros. Investimento público, embora em alcatrão, mais próximo das populações do interior. Exportar e dar infra-estruturas parece-me bem.

Cavaco que está a aquecer os motores para uma presidência aberta, porventura naquele seu estilo de primeiro-ministro que já era, bem pode preparar-se para a antecipação de Sócrates e da sua bem oleada máquina de comunicação.

E hoje Sócrates ainda oferece 400 creches. Se for verdade é muito bom. As tais creches que Cavaco no seu tempo dizia não serem necessárias porque as amas resolviam o problema. Incrível mas verdade.

PS: isto está um bocado pró-Sócrates, ou é impressão minha? Ou será influência da Clara Ferreira Alves?

sexta-feira, janeiro 08, 2010

O dia do orgulho de Sócrates

Manifestação hoje frente à AR. foto:LC
Amanhã a AR estará agitada por causa da aprovação que permitirá o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Volto a afirmar que sou absolutamente contra o casamento gay mas completamente a favor pelo reconhecimento dos direitos civis vários em uniões entre duas pessoas do mesmo sexo. O Estado não tem que se meter em questões de sexo entre cidadãos e o casamento é um contrato e não tem nada a ver com sentimentos. Para amar nunca foi preciso casar, bem pelo contrário.

Portanto, o que está em causa não é o não reconhecimento de direitos, o que está em causa é que nem tudo cabe no mesmo saco, nem ser diferente é por si um direito para aceder a determinados estatutos. Não me parece que por se ser lésbica isso dê direito automático a ser sócia do sindicato dos camionistas::))

Países avançados democraticamente não optaram pela permissividade do casamento gay mas garantem todos os direitos aos casais homossexuais.

Sócrates quis anular a onda bloquista e deu um passo mais longo do que a perna.
Esta lei vai virar muita gente contra os homossexuais o que é lamentável. Há na opinião pública uma onda de ironia, anedotas e crispação contra a lei, o que só prejudica a aceitação do homossexualismo. Basta andar na rua e ouvir.

Os homossexuais que sempre tiveram o sentido da transgressão, da independência, da coragem e da intimidade, acabaram por ser os arautos de uma lei burguesa e que põe o Estado a meter-se onde não é chamado. Mas Sócrates prometeu, Sócrates cumpriu. Haja uma vez.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Deixar de ser médico e fugir com a amante

O meu amigo António Pedro Ferreira inaugura amanhã a sua exposição "Segunda Escolha" na sede da Kameraphoto em Lisboa. Tive a honra de lhe escrever o texto de apresentação que se segue.

Todos amanhã às 18,30 ver as suas fotografias sobre os emigrantes portugueses em Paris na década de oitenta.

O que leva um médico recém-nascido a abandonar o berço da Pátria e a refugiar-se em Paris na Casa de Portugal? A desilusão de um país adiado, o engano na escolha do canudo, ou a coragem de finalmente poder fugir com a amante? Está ultima hipóteses é a mais considerada em círculos próximos e amigos do António Pedro Ferreira, o Tó-Pê.

Esta fuga reporta a 1982 e estende-se até 84, o período sabático que esse jovem médico com a cabeça na fotografia permaneceu em Paris, atrás de emigrantes portugueses à procura de um conjunto de imagens que pudesse testemunhar e entender socialmente os seus conterrâneos. A aventura foi possível graças a uma parca bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, ao apoio de amigos que então estudavam em Paris e, sobretudo, a um impulso próprio dos apaixonados, uma urgência em pegar na Leica M4 e ir em busca de uma história, de um testemunho.

Foram meses intensos. A Agência Magnum fazia a supervisão do trabalho para apresentar ao promotor da bolsa e era o ciumento Jimmy Fox que recebia o Tó-Pê todos os meses e o aconselhava no ensaio fotográfico. Nunca um fotógrafo português tinha tido esta possibilidade de poder estagiar na mais mítica agência de fotojornalismo.

Depois das idas à Magnum, com todo o ritual que isso representa (imagine-se o que representa para um fotógrafo como o António Pedro Ferreira poder ver o Henri Cartier-Bresson mesmo que ao longe!) os dias eram longos e dedicados. Milhares de fotografias em bairros como St. Denis ou Gentilly em festas, casamentos, momentos de ócio, trabalho. Contactos, amizades, íntimismo, cumplicidades.

As noites eram para o laboratório de fotografia improvisado, uma arrecadação com água corrente na residência universitária onde pernoitava.

O que é notável nestas fotografias do António Pedro é que elas marcam o início de uma nova atitude no fotojornalismo português. Estávamos perante um jovem que queria intervir na sociedade, testemunhando, convergindo com uma preocupação inabalável de produzir fotografias com referências. Fotografia pura e dura. Daí a Magnum e o aval de qualidade que sempre atestou.

Se o poema de Manuel Alegre sobre a emigração em França nos comove, o filme O Salto nos envolve, ou se as cantigas de José Mário Branco nos embalam para um tempo a preto-e-branco, as fotografias do António Pedro são o somatório de tudo isto na síntese perfeita do instante decisivo.

Tive a felicidade de ter podido compartilhar com o meu amigo alguns dias nesse distante ano de 1983. Lembro-me de um baile em St. Germain-dés-Prés e de um jantar festivo numa colectividade nos arredores de Paris. Eram tempos simples, austeros, mas de uma esperança infinita que nos foi traída.

Luiz Carvalho

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Call Girl, poucas palavras e boas acções


Vi ontem o "Call Girl" na TVI, no esplendor de um plasma, e adorei o filme. Calma! Nem sequer vou falar do desempenho e da presença da Soraia Chaves. Só dizer este nome provoca logo as piadas mais bacocas por parte dos homens, e a chacota invejosa da maioria das mulheres.

O que gostei no filme foi da sua competência narrativa para contar uma história portuguesa, muito actual, com personagens bem construídas. Um texto escrito a pensar em cinema, ritmado, natural, fluente. Uma fotografia luminosa, vibrante, realista. Uma câmara nervosa, atenta e sempre com o enquadramento certo, no sítio certo, com a focal correcta.
Uma edição com ritmo. Bom som e excelente banda sonora, fazendo lembrar por vezes a de alguns filmes de Hitchcok.

Meus caros: não é fácil chegar aquele apuro. Temos bons técnicos de cinema, excelentes actores e realizadores que sabem da poda. E António Pedro de Vasconcelos, decerto muito inspirado pela bela Chaves mostrou o que é podar filme.

A ideia que eu tinha, era que o filme não passava de uma porno-chachada chique, um pretexto para o nosso APV poder filmar Soraia no esplendor do decadente Fuji Film, e assim poder encher os cinemas dos arredores com alarves que habitualmente não subscreveram o canal Playboy no cabo de casa. Nada disso. O filme podia ser americano, filmado em Los Angeles, e até a Kim podia substituir Soraia. Mas não era a mesma coisa...

Agora, fico sem perceber porque teve tantos anti-corpos o filme junto das ratas de cinemateca, que povoam as parcas colunas que os jornais dão à critica de cinema. Os nossos críticos têm medo de dizer bem do cinema português, quando este mostra vocação de poder vencer a indiferença dos viciados em telenovela. Preferem sempre aqueles realizadores que filmam em mini-Dv planos longos como as cassetes que os suportam, com drogados da Brandoa ou outros desgraçados. Ou então refugiam-se nos clássicos entre o Oliveira e o João Botelho, um benfiquista com sentido gráfico mas chato para caramba. Sendo que eu adoro Oliveira, embora adormeça.

O que é de lamentar é termos um homem como o APV que tem de ir fazer comentários estarolas para a RTPN sobre futebol, quando devia era estar atrás da máquina a gritar acção.

Menos palavras e mais acção, oh António Pedro!

domingo, janeiro 03, 2010

O sangue dos anéis e os diamantes amigos

Jornalismo televisivo do melhor, como sempre no 60 minutos. Hoje uma reportagem no Congo sobre a exploração do ouro, o tráfico pelo Uganda, a indiferença dos ourives mundiais em saberem de onde vem o material. Isto é: teremos sangue nas nossas alianças ? O sangue das crianças que trabalham no garimpo, a dor das mulheres violadas pelo regime sustentado pelo comércio do ouro,
até onde se pode responsabilizar o mundo rico por uma das maiores misérias humanas, a horas de nós?

O que se aplica a este ouro pode aplicar-se ao preço humanitário que representa o capital dos diamantes angolanos? Ou vamos fazer que é tudo uma espécie de democracia? E que o Diabo são os outros?

sábado, janeiro 02, 2010

Cavaco: um discurso velho de ano-novo

Espremido e condensado o discurso de Ano-Novo de Cavaco veio dizer isto: o governo tem é que governar, abrandar o déficit, apoiar as 95 por cento das empresas pequenas e médias que empregam os portugueses, deixar-se de esbanjar em obras públicas e já agora que respeite as tradições da família em vez de andar a promover o casório Gay.

Não foi um discurso de ano novo, foi um texto de análise política básico, dito em tom de récita liceal dos anos setenta, com um cenário pavoroso onde se evidenciava uma janela com um vidro e uma irritante maçaneta. Não era a marquise da década, era o remanso do Palácio de Belém.

Claro que quem aterrasse na Pátria e não tivesse tido a felicidade de ter por aqui andado a fazer pela vida nos últimos anos acharia este discurso empolgante, patriótico e digno de fazer história. Mas nós que andamos há vinte anos, aliás 24 anos a ouvir os discursos cavaquistas estamos fartos de tanta lição de economia para os Tonecas desta vida. O governo é aquilo que a gente sabe, e Sócrates o artista que topamos, mas termos de levar com discursos paternalistas de quem está sempre pronto a puxar as orelhas mas a nada fazer de concreto...incomoda imenso. Chateia mesmo.

O cavaquismo é uma espécie de reserva moral para direitistas falhados, aqueles que tiveram o país na mão no tempo da abundância e que esbanjaram em alcatrão, novo-riquismo, desprezaram o ensino e a cultura e promoveram os yuppies vestidos de fatos à la Maconde, esses que fizeram das empresas casinos e dos trabalhadores máquinas descartáveis. Se há coisa que devemos ao cavaquismo é essa geração de trogloditas de gel no cabelo que hoje estão ricos e foragidos ou à espera que a Justiça enferrujada um dia os ilibe por prescrição.

Cavaco está isolado e já ninguém o escuta.

BOM ANO PARA TODOS OS SEGUIDORES FATAIS

Embora com algumas horas de atraso queria desejar aos meus visitors um Bom Ano-Novo. Todos nós precisamos de um novo tempo. Com mais excelência,ânimo, trabalho e cultura. Obrigado a todos e ao meu special-comentador Mr. PP.

Luiz Carvalho

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Um 2009 a twittar a crise e a falar no Facebook

Foi o ano da crise e de todas as angústias. O Mundo estremeceu. Foi o segundo Tsunami, agora global, com a árvore das patacas a largar para o chão a fruta. A má fruta como diria o nosso Presidente Cavaco.

Milhares viram sumir as poupanças de uma vida, por causa de uma economia de casino, virtual como o Mundo digital que agora nos ocupa os dias entre trabalho, negócio, diversão, convívio.

Quando a maioria de nós tinha o conforto e a segurança como dados adquiridos, a protecção do Estado, a segurança no emprego, um futuro razoável para os nossos filhos e netos...tudo começou a desabar. Os governos afinal nada mandam e pouco podem mudar. Embora a resposta do sistema tenha sido rápida, limitou-se a meter dinheiro na crise e não a mudar o próprio sistema.

Os que estiveram por detrás da catástrofe acabaram por manter o protagonismo. Receberam milhões de compensações das empresas que ajudaram a falir e de nada valeu a irritação de Obama e de outros justiceiros mundiais.

A Guerra do Iraque nada mudou, o Afeganistão aí está como o Vietname de Obama. Israel continua a chacina, a intolerância não abranda no Médio Oriente.

Um ano difícil este de 2009. Também para os portugueses. Cansados de um governo intolerável na incompetência, na arrogância, na mediocridade de uns dirigentes socialistas nada convictos, que se apoderaram da política para quermesse de interesses e gaúdio de egos do tamanho de comboios e auto-estradas. Um governo que é uma grande agência de comunicação. Não governa, faz marketing. E sempre disponível para deitar dinheiro público na fogueira do despesismo.

Os portugueses que trabalham fazem-no para pagar 60 por cento de um Estado gastador, esbanjador, novo-rico. Os outros vivem à pala de subsídios, apoios, subvenções, cargos públicos.

A crise pode ter assustado mas não desmobilizou os viciados em consumo, os indiferentes, os que nunca souberam o que era a ditadura, a ignorância, a pobreza. O regime pós-Cavaco criou este tipo de gente que olha a política como um fait-divers, algo que nada tem a ver com eles.É a geração da TV, da novela, das notícias que gostam de histórias de coxos e anões, pernetas e cantores de voz à ídolo. A bela ilusão.

Uma TV que contaminou a própria imprensa escrita que agora usa a estratégia das vedetas, do light, do vazio. Uma imprensa televisada que tarde descobriu essa fórmula desgraçada lançada pelo USA TODAY nos anos oitenta, e que empurrou os jornais para o beco da banalidade e a seguir da indiferença por parte dos leitores.

Claro que o Mundo não pára e é feito de mudança. Embora os ecologistas achem que não. Que o CO2 é que muda o Mundo e não a vida.

Mas se alguma coisa mudou mesmo as nossas vidas foram as redes sociais.E nada será como dantes na política, na cultura, nos negócios, nas relações sociais.

Podíamos viver sem o Twitter e sem o Facebook mas as nossas vidas não eram a mesma coisa.

AS FOTOS DO II WORKSHOP DE FOTOGRAFIA

A selecçao das fotografias dos alunos do II WORKSHOP DE FOTOGRAFIA DE LUIZ CARVALHO.
No estúdio LIGHTSHOT na LxFactory, Lisboa.

III WORKSHOP DIAS 9 e 16 de Janeiro. Aos sábados, para iniciados.

domingo, dezembro 27, 2009

Fotógrafos para sempre

Eu estou à direita de todos (!), barba de esquerda e Nikon FM. A Leica M4 ficou escondida.

Esta foto foi posta online pelo Fernando Ricardo no Flickr. Apanhei-a há minutos. Foi tirada em 75 quando Soares ia votar à Reitoria. Não me lembro de nada, nem sei quem terá feito a foto. Não a conhecia. Fiquei emocionado e surpreendido.

Alguns daqueles amigos já não estão connosco. É o que a foto mostra de mais triste.

O João Bafo ,um amigo grande e um fotógrafo, que se perdeu no meio pequenino português, demasiado incompreensivo para uma personalidade como a dele.

O José Antunes do Diário Popular, um repórter de fibra, intuitivo e voluntarioso, genial na agilidade. Lá estava ele! Um bom homem.

A minha sincera mágoa por profissionais exemplares, como o Acácio Franco e o Fernando Ricardo, terem deixado tão cedo a profissão. E a alegria de ainda podermos ter o João Ribeiro a fotografar de quando em vez para o JL.

O que me arrepia é que eu ao lado do João Ribeiro sou o único sobrevivente no fotojornalismo...

Bom-Ano camaradas!

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Noite de Natal


Retirado o consumismo, a euforia das multidões, as reportagens lamentáveis da RTP sobre os presentes caros, sempre com a palavra crise à mistura, ou os aceleras histéricos na A5, o Natal deixa uma nostalgia doce como os bolos e os mimos da família.

Embora dilacerada pelo ritmo voraz dos dias, a família mesmo com o novo lifting que lhe permite essa variante que é o casamento gay, está sólida. Em tempos difíceis é a família a última salvação. Todos os regimes políticos da direita à esquerda sempre apostaram nessa célula indestrutível.

Este Natal revelou-me de novo esse lado comovente, mesmo para um descrente como eu. Mas como não resistir ao arroz doce da mãe ou à convicção do pequeno que o Pai Natal desceu pela chaminé e deixou por lá o Lego dos polícias?

quarta-feira, dezembro 23, 2009

A mulher mais influente em Portugal é a Dona Isabel dos Santos


Isabel dos Santos é já a mulher mais poderosa de Portugal. Subitamente no meio da crise começaram a chover milhões vindos de Angola. Empresários portugueses viram em Luanda um novo Eldorado, desempregados sonham agora, não com Champigny mas... com os mosseques ao redor de Luanda.

Angola e os países de língua portuguesa são agora uma nova oportunidade para o ex-patrão colonizador. É irónico e é bom para todos. Mas a forma pouco transparente como alguns investimentos angolanos começam a surgir em Portugal é preocupante. Não sabemos se serão investimentos consolidados ou engenharias financeiras de momento. E ficamos com a sensação que a cultura de algumas empresas nacionais poderá mudar para pior.

A filha do Presidente angolano, Isabel dos Santos, é de uma astúcia notável. Consegue trabalhar em low-profile, nunca aparece em público, não dá entrevistas, esquiva-se. Há anos quando a tentámos entrevistar em Luanda, ela dizia sempre que sim mas à última hora o seu telemóvel desligava-se e nunca era possível encontra-la.

Detesta ser fotografada e terá mandado esta semana um puxão de orelhas a alguém de uma publicação angolana que cedeu umas fotografias suas para serem publicadas em Portugal. Proibiu a divulgação de fotos suas, actuais e antigas.

Os nossos democratas de serviço, quer da direita cavernícola, quer da esquerda caviar, andaram trinta anos a denunciara falta de democracia em Angola. Agora está tudo caladinho. João Soares tem sido o último arauto a denunciar o regime paternalista de Eduardo dos Santos. Um regime que veta entrada de jornalistas até para fazerem uma banal reportagem de um raid de jeeps, que persegue correspondentes estrangeiros expulsando-os em 24 horas, um regime que conseguiu comprar a cumplicidade da oposição.

Também não sei se Angola precisa de democracia. Mas que precisava de um regime com alguma consciência social e moral ninguém duvida. Talvez um dia.

Feliz-Natal Mr. Lawrence!!!

Esta semana tive algumas experiências de vida estimulantes. Vantagem e privilégio de se ser jornalista. Uma das histórias é triste, a outra optimista.

A triste: uma multinacional fecha ao fim de 30 anos uma fábrica e arrasta para o desemprego quatro centenas de operários. A fábrica tinha encomendas, dava lucro mas a administração parece ter feito tudo para deslocalizar a unidade. Os gestores à beira da reforma quase todos, recebem largas centenas de milhares de euros. Uma trabalhadora que lá trabalhou 30 anos: 40 mil euros. Despedida de um dia para o outro depois de uma vida de dedicação e competência. Outra operária não sabe como poderá continuar a educar o filho na Universidade em Lisboa.

Mas há outros operários que aproveitam para trocar de carro com a indemnização, outros metem-se no tinto e batem nas mulheres, outros estão meio baralhados em casa.

Alguns desses operários despedidos vão trabalhar até Agosto para a fábrica através de uma empresa de fora ( que é de dentro!).

Os contribuintes vão pagar subsidios de desemprego resultantes de uma falência discutível. os patrões despedem, deslocalizam, o Estado paga a falta de solidariedade social de certas empresas. Como dar a volta a isto?

O caso optimista: um acidentado de mota com 27 anos, luta diariamente em Alcoitão para poder andar e recuperar parte do corpo inactivo. Uma luta diária de sofrimento, dores e resultados que são um milagre.

Feliz-Natal Mr. Lawrence!!!

domingo, dezembro 20, 2009

A inutilidade da CP ou Refer, ou lá como se chama!

O governo passa a vida a dizer ( e a ameaçar!) que o uso do comboio é bom, faz bem à saúde e que os cidadãos que usam o carro particular são umas bestas por duas razões: pagam um balúrdio de impostos vários para terem carro e ainda por cima poluem o Planeta que está à beira de sucumbir, por causa do conforto individual. Até a GALP que ganha milhões com o objecto do crime ecológico, o CO2, anuncia que vai dar bilhetes de comboio a quem atestar o carro. O cúmulo do cinismo e do oportunismo comercial.

Mas hoje leio no Público esta coisa fantástica:

Os computadores portáteis têm explodido quando ligados às tomadas dos comboios da CP e esta tem indemnizado os clientes, não sei se em Magalhães se em computadores decentes. O que é inacreditável não é a coisa fazer curto-circuito, porque não há uma regulação eficaz da electricidade que vem das cantenárias. O que é de ficar espantado é que a CP não admite sequer a instalação para breve de wireless ( que já devia ter há anos!) e que se compromete a resolver o problema das tomadas assassinas, mas só nos comboios Alfa. Nos intercidades vai ter de se esperar....3 anos! Mais tempo do que instalar a rede TGV !!!! Bendita empresa, grandes gestores!

Uma empresa que é suportada pelos contribuintes numa dívida de 1700 milhões de euros (não sei se estão a ver o que isto significa) não tem condições nem para satisfazer uma "atenção" básica aos utentes. E nem vamos repetir aqui a miséria do serviço a bordo, da qualidade do ar condicionado, do treme-treme das carruagens e por aí fora.

Com o que custa sustentar esta empresa parasita a solução era fácil: vendia-se a cangalhada ao sucateiro amigo do camarada Vara e com essa verba compravam-se autocarros de luxo movidos a biodiesel que conseguiriam bilhetes mais baratos e não subsidiados aqui pelos totós do costume.

Limpavam-se as travessas e os carris e faziam-se umas ecopistas bestiais, como o fizeram os municípios de Évora e Arraiolos. Até se poderia passar a ir de Lisboa ao Porto de bicicleta.

Que tal ?

sexta-feira, dezembro 18, 2009

A incoerência dos casamentos gay


Portugal respira fundo: já temos casórios gay. Homofobia ? Nada disso meus caros. Cresci com uma contra-cultura de esquerda contra a instituição do Casamento, a Família, Deus, Pátria e Autoridade. Portanto, certos fedelhos que agora andam aos pulinhos porque o folclore de Las Vegas foi assumido pelo grande encenador Sócrates, estão enganados.

O Estado não deve interferir em caso algum na validação ou não dos comportamentos dos cidadãos. E estes não devem autorizar que o Estado possa legislar sobre a liberdade de cada um, das suas tendências sexuais e por aí fora.

O que os homossexuais que vivem juntos, e que acabam por constituir um casal, precisam é de uma lei que os proteja em assuntos tão terrenos e nada românticos como partilhas, direitos de propriedade, transmissão de bens. Isto é: dois cidadãos que vivem juntos e partilham uma economia doméstica comum devem ter os mesmos direitos e deveres de um qualquer casal heterossexual. Desde quer assim o desejem.

E devem poder adoptar crianças desde que cumpram os apertados critérios que regulam essa atribuição.

Para Sócrates um casal gay pode casar, mas já não é fiável do ponto de vista moral para poder adoptar uma criança. O que é uma monstruosidade moral muito maior do que não reconhecer o casamento gay.

Conheço um casal de artistas de teatro, que há muitos anos adoptou uma criança que é hoje um homem e que sei ter tido um ambiente formidável na infância. Hoje uma pessoa feliz. Há anos havia menos politicamente correcto, menos leis, mas mais abertura para se passar à acção as coisas de bem.

Portanto: o povo de esquerda gosta de folclore. E a esquerda que andou a bradar contra o casamento como uma instituição decadente glorifica agora essa mesma instituição.
Para exibicionismo de parte foleira e exibicionista da comunidade gay, que faz agora do casamento um acto público político e ressabiado e não um acto íntimo, discreto e sério.

Lamentável. Eu se fosse homossexual teria vergonha desta palhaçada. Um insulto a quem assume a sua "diferença" com recato e dignidade.

PS: título original do post: " A vergonha dos casamento gay".

Casamentos Gay

Já que tem de ser...que seja chic::))

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Sócrates dá banhada à GNR e a Cavaco

Um dia negro para Sócrates. Deixa um batalhão da GNR à chuva durante mais de uma hora em Portalegre e leva uma pacteada monumental dos familiares que tinham ido ver a solene cerimónia.

Depois chega atrasado a umas jornadas parlamentares do PS em Beja, e justifica com um engano de cálculo: o seu assessor pensava que já havia auto-estrada entre Portalegre e Beja! O governo já faz auto-estradas virtuais, só falta entrar no Second Life!!!..

Mas o mais grave, e que demonstra um lamentável sentido de Estado, é ter faltado à posse dos novos Conselheiros de Estado e de ter feito gazeta ao encontro semanal com o PR. Para o Primeiro, primeiro está o partido e os camaradinhos, depois os assuntos de Estado.

O conceito de governação é uma coisa de velhadas. O que está a dar é um país governado por uma competente agência de comunicação. E se o ambiente está a dar para o torto pelo lado dos caciques locais...avança-se com a promessa da Regionalização, esse bolo aos famintos da província, pronto a entrar no forno quando a coisa estiver mesmo mal.

A sensação que se tem é que este governo tresanda a velho e decadente. E nem os trejeitos à La Manuela Moura Guedes da actriz Inês Medeiros na TVI24 a defender o PS sem um discurso coerente nem sólido (no fundo o que ela sabe é decorar papéis!) de uma mediocridade confrangedora fazem deste governo de perucas uma esperança para o 2010 que aí vem.

PS: Um relatório da OCDE divulgado hoje põe a Educação de Portugal a ombrear com a mexicana. Mas os alunos na casa dos 15 anos mostram um desempenho mais positivo. O facilitismo das avaliações aí está a dar frutos.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Trabalhar sem horas extras de Janeiro a Janeiro!!!!


Não sei se percebi bem... os hipermercados querem obrigar os trabalhadores a fazerem mais 4 horas diárias extarordinárias sem as pagarem ? Extraordinário!

Não sei se o dono do Pingo Doce (não me ocorre o nome) também vai fazer esta proposta-obrigacionista aos seus queridos colaboradores. Aqueles que aparecem no anúncio da TV travestidos de gente feliz sem lágrimas, rindo e dançando em cores saturadas, numa encenação de um desses brasucas que fizeram do Acabado Lopes um Menino Guerreiro.

É que o patrão do Pingo, também feliz e querendo fazer parte agora daquele team de portugueses que decidiram apregoar que "Ok está bem a gente consegue!", um dos arautos do crescimento sem despedimentos, nem aumentos, nem nada para ninguém, talvez agora queira esse milagre da nova Economia: um admirável Mundo Novo, sem esse pormenorzinho irritante marxista da mais-valia, e esse monstro carregado de CO2 social: a luta de classes.

Não acredito que o não-pagamento de uns tostões por trabalho extra possa por em causa uma campanha alegre, que faz rebolar na tumba o genial António Ferro. É que aquele anúncio não é só uma campanha publicitaria. Aquele anúncio é por si um ícone da ideologia pequeno-burguesa e decadente do país, governado por uma agência de comunicação, e legitimada por uns milhões de figurantes que só querem aparecer para o boneco e não desempenharem um papel de cidadania na sociedade. Isto sem querer copiar o Presidente Sampaio!...

Mas até posso estar enganado. E afinal no Natal até há capitalistas bons que estão preocupados com o conforto dos seus "colaboradores". Citando o Padre Américo nesta época santa: não há rapazes maus. Eu acrescento: alguns capitalistas até são humanos: tanto dão uma esmola a um pobre como dão umas horas extras aos trabalhadores. Tudo bons rapazes.

terça-feira, dezembro 15, 2009

18 milhões precisaram do Zé! Costa paga e não demite.

Há pessoas com quem embirro solenemente. Uma delas é José Sá Fernandes. Que eu saiba nunca me roubou nenhuma namorada, nem foi indelicado comigo. Ele até aparenta um ar de porreiraço, bonacheirão, descontra e tudo. Mas para mim é o protótipo de uma esquerda moralista, dogmática, conservadora e que deixa sempre efeitos colaterais nefastos. Há sempre alguém que acaba por pagar tanto porreirismo, tanta moralidade igualitária, tanto ódio ao que está estabelecido mesmo que esteja bem.

Sá Fernandes odiava o túnel e conta-se da sua raiva quando as obras arrancaram. O que não lhe terá passado naquela cabeça revolucionária!..

Conheci muitos amigos e colegas desta estirpe nos gloriosos anos quentes do 25 de Abril. Eram uns bacanos que acabavam sempre a ferrar um calote de 5 contos, a dormirem um mês na nossa casa até terem de ser expulsos, e que se nos distraíamos no duche ainda nos saltavam para cima da mulher- também ela(s) da esquerda fraterna.

Os 18 milhões de euros que os pobres contribuentes vão ter que pagar ao empreiteiro do túnel do Marquês, pelo entreposto António Costa (o padrinho de Sá Fernandes neste seu segundo baptismo político) é uma escandaleira, uma vergonha, uma afronta aos lisboetas.

Há um apagado advogado, vagamente desempregado, que consegue armar-se em D.Quixote, ter espaço nos jornais e na televisão e torna-se num herói porque não deixou avançar uma obra que era de primeira necessidade para Lisboa. Esta atitude alimentava a habitual resistência da esquerda contra obras e melhorias públicas. Para a esquerda um túnel é de direita, uma auto-estrada é socialista, uma ciclopista um hino à Humanidade. Ridículo.

Este empata ganha notoriedade política nos bloquistas, que ao perceberem que o homem queria era ser socialista lhe tiraram o tapete sem ai nem ui. António Costa receoso de perder s as eleições angariou todo o tipo de "losers" desde que pudessem trazer umas migalhas de milho para a parca urna do poleiro. E foi assim que ganhou, com os votos dos velhinhos, dos lisboetas de bairros de lata reciclados e de uns tontassos da esquerda órfã.

Quando António Costa for pagar os 18 milhões ao empreiteiro lesado devia falar aos lisboetas, e contribuentes em geral, e pedir desculpa por ter dado a mão a um dos maiores gastadores compulsivos do erário público.

E exigir a demissão imediata deste mono camarário.

Com CO2 ou sem ele o destino está-nos traçado


Um programa que passou há dias discretamente no Canal 2, explicava com palavras sábias de cientistas sérios, que o aquecimento da Terra foi brutal no fim da Idade do Gelo. E esse cataclismo que fez diminuir significativamente a área útil da Terra, fazendo com que os oceanos engolissem parte dos continentes, nada teve com CO2, como se calcula. Nem com motores V12::)

Com palavras simples e exemplos eficazes esses cientistas demonstravam como a Terra não é um objecto estático e que está ligado a todo o sistema em que está inserida. E as conclusões a que chegavam esses cientistas era que pela ordem natural das coisas o nosso querido Planeta acabaria por sofrer transformações apocalípticas daqui a uns milhares (não muitos) de anos.

O degelo tem sido um fenómeno crescente, de tal forma que há uns milhares de anos atrás toda a zona do hemisfério a Norte de Nova York (actual claro) era um manto de gelo até ao Polo. Mais: o fenómeno do equilíbrio ambiental na Terra era de uma frágil sustentabilidade. Poderia haver um período de lenta transformação climatérica que de um momento para o outro poderia ser brutal. A História do Planeta Terra é uma história de mutações gigantescas, fora da escala humana, imprevisível e..inevitável.

Toda esta retórica à volta do clima e das consequências das emissões de CO2 podem até ter um fundo razoável de razão. Mas a grande questão é que não é possível haver um Mundo sobrepovoado e minimamente civilizado, no sentido do conforto e da segurança, sem se evitar a alteração do equilíbrio ambiental. Com carros a fumo ou a pilhas, com casa de painéis solares ou com chaminés a bufarem calor, o Mundo limpo é incompatível com qualquer tipo de sociedade avançada. Podemos minimizar, tornar tudo mais lógico, limpo e racional. Mas o destino está-nos traçado nas estrelas.

domingo, dezembro 13, 2009

sexta-feira, dezembro 11, 2009

AS FOTOS 2009 DA LIFE


Depois desta selecção não me chateiem com escolhas baseadas em acontecimentos da escrita.

Cliquem na foto ou AQUI entrem no eterno mundo do fotojornalismo e esqueçam os bonecos da bola::))

quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Facebook versão FaceVara.

Há uns arguidos de luxo que têm sempre lugar no prime-time televisivo para se poderem defender em causa própria. Num país onde a Justiça parece não julgar ninguém e só lançar na Praça Pública segredos de justiça para atrasar ainda mais as decisões...que sorte têm figuras como Carlos Cruz, Dias Loureiro ou Armando Vara (e o rol de sortudos não pararia) em poderem falar em auto-defesa.

Claro que o senhor Vara está inocente porque ainda nem sequer foi acusado. Nem é um assunto muito escaldante do ponto de vista judicial. O que é interessante do ponto de vista político, e isso é julgado por cada cidadão e também na Praça Pública, é o à-vontade com que esta figura cimeira do Partido Socialista diz ser há muitos anos uma espécie de relações públicas e políticas entre as mais variadas personalidades.

Nós já imaginávamos Vara num rodopio ao almoço, ao jantar, aos fins-de-semana, entre amigos e outros amigos que gostavam de conhecer os seus amigos.

No fundo Vara é um Facebook à moda de Trás-os-Montes. Tem os seus amigos que convidam outros amigos, ele sugere, ele diz: "gosto" ou fulano de tal sugere que te tornes amigo de Fulano e Sicrano aceita ou manda uma mensagem, ou envia um brinde que pode ser por exemplo: um saquinho de robalos frescos ! Lindo, não acham?

Acho genial esta rede social de carácter político e económico que Vara diz manter há anos e que foi alicerçada numa vida de trabalho desde os 11 anos ( estamos pois perante mais uma ilegalidade: trabalho infantil encapotado!). Nada tem de condenável e eu concordo.

Se há uns bacanos que colecçionam amigos no Facebook para exibirem o ego, propagandearem negócios ou armarem-se em bons, porque não pode um respeitável Vice de um banco não o fazer de uma forma mais discreta ? E até mais saudável? Almoços e jantares são sempre mais divertidos do que estar frente a um computador a falar para o écran.

Eu propunha que o processo face Oculta passa-se a designar-se de FaceVara.

Zézinha gosta é de malhar no Partido Socialista.


A deputada Zézinha passou-se e chamou palhaço a um deputado do PS. Não sei o que terá feito o pobre do homem que parece ter vindo das berças como o seu camarada Sócrates. A cena vista e ouvida no YouTube é de uma ordinaríce total. O verniz da católica e apostólica Zézinha estalou e ela não teve pejo em assumir um discurso caceteiro com laivos de machismo lusitano.

Uma vergonha para a Nação. Na verdade os deputados não se portam com juízinho nenhum. Sócrates com aquela sua pose de professor primário que tirou a quarta classe num dia santo parece que tinha alguma razão. A política passou a fazer-se em Portugal de esfregona numa mão e de balde cheio de caca na outra. A deputada laranja que depois de ter tentado abraçar António Costa e vir às cavalitas com ele para a Câmara de Lisboa viu goradas as suas tiradas de engraxatório ao socialista, acabou no PSD pela mão da Dra. Leite. Um percurso lamentável para quem andou a defender a ideia de uma direita diferente contra o centrão. Mas há quem não olhe aos percursos para chegar aos finalmentes. E a Zézinha lá está no Parlamento a malhar na esquerda. Coisa que ela adora. Mas com aquela linguagem nunca imaginei.

Domingo o padre vai ter que dar muitas bênçãos à Zézinha. Cem padres-nossos, mil Avé-Marias e escrever Cem vezes repetindo: "chamar palhaço é feio, chamar palhaço é feio...".

Zézinha passa-se da carola e chama palhaço a deputado

terça-feira, dezembro 08, 2009

O atraso de vida que é a CP

Uma moderna passagem de nível sem guarda da gloriosa CP

O Presidente da CP convidou um grupo de jornalistas para uma viagem no Expresso do Ambiente. Parece que algures pela Europa. Deve ter sido mais uma daquelas viagens ecológicas movidas a electricidade produzida por umas potentes centrais térmicas!

E ficámos a saber que a CP tem um prejuízo brutal, qualquer coisa como o equivalente ao custo do TGV até Badajoz com uma ponte nova sobre o Tejo como brinde.

É notável como uma empresa que deveria no mínimo não dar prejuízo é um elefante branco de dimensões gigantescas. Mas se pensarmos um pouco no que é esta CP percebe-se porque dá aquilo tamanho déficit.

A CP cresceu com o estigma das nacionalizações em prejuízos e nunca emendou mão. É uma empresa velha, que não soube adaptar-se aos novos tempos. Não tem imagem, nem marketing. É uma empresa inimiga dos utilizadores. Arrogante porque monopolista e não se sabe de uma acção que vise o conforto e o bem servir dos utentes. Não precisa: o contribuinte paga os prejuízos e para gerir uma coisa daquelas basta a burocracia habitual.

Nos últimos anos a CP foi mais uma comissão liquidatária da linha férrea em Portugal do que uma empresa para servir o país de uma eficaz rede de caminho de ferro. Acabou com linhas regionais, isolou zonas rurais, vendeu ao desbarato património histórico, destruiu cem anos de comboios em Portugal.

Repare-se em dois exemplos simples para verificarmos da estupidez da gestão da CP e da forma como não serve os utentes:

Estou no Estoril e quero ir para Lisboa de bicicleta. Não posso levar a bicicleta no comboio. Parece que só ao domingo de manhã. Estou no Estoril e quero ir de comboio para Lisboa deixando o carro num parque seguro e gratuito na estação. Não há parque nem a pagar.

Quero comprar um bilhete avulso para Lisboa. É preciso o dinheiro contado e não é aceite multibanco.

Quero ir para o Porto, estando no Estoril. Não tenho parque para o carro na estação de Lisboa. Só o preço do táxi é o preço da viagem para o Porto.

A CP tem comboios incómodos, barulhentos, sem serviço decente a bordo. Os horários são curtos e espaçados. Não há comodidade nem serviço ao cliente. Só um masoquista ou ou tipo sem pressa, e que não trabalhe, é que pode gostar de andar nestes comboios caros (quando não se usa o passe social) sem condições e sem ligações eficazes entre linhas.

Os milhões que nós metemos nesta empresa davam para cada utente andar de carro e ainda sobrava dinheiro. Claro que a solução não pode ser essa. Mas na verdade os autocarros-expressos fazem os mesmos trajectos, por menos custo, mais conforto e com horários mais flexíveis.

Se seguíssemos aquela política cavaquista que onde era construída uma estrada nova se acabava com a linha férrea que havia ao lado, esta CP era já desmantelada e o ferro-velho vendido para a sucata do homem dos robalos frescos.

100 fotos, 10 anos. O fotojornalismo da Reuters

segunda-feira, dezembro 07, 2009

O beco sem saída de Copenhague

Cento e tal chefes de Estado vão debater em Copenhague as mudanças climatéricas, o CO2 e tudo à volta do buraco de Ozono. Todos percebemos que o nosso querido Mundo está doente. Há população a mais, conforto de sobra, países em explosão económica e uma miséria mundial sem fim.

Chegámos tarde de mais, embora a condição humana nada faria para evitar o caos.

A nossa civilização assenta no consumo de energia. Como queimamos petróleo...em produção de CO2. Podemos andar de carros eléctricos, de bicicleta ou a pé. O CO2 está lá sempre: quando damos comida ao cão, quando usamos o computador, acendemos a lareira, usamos papel higiénico, compramos uma manta ou andamos a pé...por detrás de cada gesto há consumo de energia. Portanto: podemos poupar em actos simbólicos mas o que nos leva à tragédia é a nossa própria civilização. Demasiado confortável, civilizada, gastadora. É mesmo assim.

O drama é que tudo o que o Homem conquistou em cultura, civilidade, avanço tecnológico, avanço na luta contra a Doença...gasta energia, polui, provoca aquecimento global. O aumento anual da população mundial é assustador, e mesmo que vivêssemos como na idade da pedra só os milhões que defecam diariamente, sem esgotos...provocariam outro tipo de caos no Mundo.

E depois, também parece ser verdade que a Terra não é imutável. E há muitos milhões de anos atrás houve mudanças apocalípticas mesmo sem CO2 e aquecimento global.

Portanto: a humanidade está condenada. Podemos, e devemos minimizar os efeitos e as causas deste desequilíbrio, mas a Europa vai pagar caro o que a China, a Índia, os Estados Unidos andam a poluir com total impunidade.

E quem vai pagar mais: os cidadãos europeus.Os governos já esfregam as mãos: vêm ai os impostos verdes para tudo. Os estados ditos democráticos têm sempre uma solução: subsídios e dinheiro dos contribuintes, em nome de causas nobres.

domingo, dezembro 06, 2009

As falsas escutas na net

As transcrições das escutas entre Sócrates e Vara que circulam na net em forma de e-mails são evidentemente falsas. Embora quem as tenha escrito demonstre uma acutilância literária notável. São textos elaborados e que deixam bem Sócrates e Vara. Parecem boatos feitos por encomenda, com um alvo político preciso: demonstrarem que as tais conversas eram apenas e só políticas e que tudo o que acontecera ao PS e ao seu líder a propósito da demissão de MMGuedes e da venda da TVI só tinham prejudicado o governo.

Seja o que for é uma atitude baixa. E Portugal não aguenta por muito mais tempo tanta informação e contra-informação. Claro que tudo isto se tinha resolvido se o Sr. PGR tivesse elucidado os portugueses não do teor concreto das conversas, das palavras, mas apenas e só do tipo de conteúdo sem entrar em transcrições. Só isso. Sossegava a malta e não violaria a conversa entre dois amigos. E não tínhamos chegado a este pântano.

terça-feira, dezembro 01, 2009

A ironia do Tratado de Lisboa no dia da Independência!

Entra hoje em vigor o Tratado de Lisboa. Alguém nos pode explicar em termos simples de que trata o tratado ? As televisões, os jornais, as rádios, a net, ainda nenhum desses fantásticos meios amigos dos leitores explicou por miúdos o que cada um de nós, pobre mortal, vai ganhar com tal coisa.

É verdade que mesmo o grande Sócrates reeleito pelo seu povo, o mesmo que não foi tido nem achado para a aprovação do tal tratado, não teve a coragem e a honestidade para referendar uma coisa que ele tinha prometido em campanha. Foi mais uma das grandes mentiras políticas do eleito e que ele sabe que a mentira compensa politicamente, quando se está a lidar com um povo que vota num político atendendo mais à pose na televisão do que ao conteúdo.

O eleitor português é daquele tipo de gente que compra um utilitário com uma legenda a dizer GT, mesmo que se trate de um carro puxado com um motor de máquina de costura. O estilo presunçoso é o que conta. O que está a dar. E o que está hoje a dar é a assinatura do tratado, gabado por António Vitorino, no dia em que o desemprego em Portugal ultrapassou a barreira dos 10 por cento, o quarto maior da Europa a 25, mas que Soares e Almeida Santos desvalorizaram na campanha que viria a recolocar Sócrates no poleiro, dizendo eles que a Espanha era bem pior e era aqui ao lado.

Se há dia em que os portugueses deviam estar indignados era hoje. O tal tratado vai enfraquecer a soberania do país (no dia em que descansámos celebrando a nossa independência!), tirar direitos sociais, por-nos cada vez mais iguais aos ex-países comunistas. Vamos ficar cada vez mais sobre a pata de uma Europa que esbanja milhões em políticas simbólicas como a do ambiente, que paga para não se produzir, que protege os maiores e que despreza a cultura tradicional de cada país. Uma Europa de burocratas, medrosos, conciliadores e apavorados perante a ameaça do anel fundamentalista, mas que escancara as portas à imigração ilegal e que retira conquistas sociais aos cidadãos. Uma Europa decadente.

Os portuguesinhos que hoje passeavam nos centros comerciais e que levaram os multibancos a entrarem em rotura por causa dos levantamentos do subsídio de Natal para consumo, estão na maior. Podem aproveitar os tratados que quiserem desde que haja Ídolos ou Morangos com Açúcar e que o Natal os ilumine com prendas. O resto que se lixe. Sócrates é fixe.

Hoje há Korda na Koodoaria

Se eu fosse o Che e o Korda me tivesse fotografado ::))