
Vi ontem o "Call Girl" na TVI, no esplendor de um plasma, e adorei o filme. Calma! Nem sequer vou falar do desempenho e da presença da Soraia Chaves. Só dizer este nome provoca logo as piadas mais bacocas por parte dos homens, e a chacota invejosa da maioria das mulheres.
O que gostei no filme foi da sua competência narrativa para contar uma história portuguesa, muito actual, com personagens bem construídas. Um texto escrito a pensar em cinema, ritmado, natural, fluente. Uma fotografia luminosa, vibrante, realista. Uma câmara nervosa, atenta e sempre com o enquadramento certo, no sítio certo, com a focal correcta.
Uma edição com ritmo. Bom som e excelente banda sonora, fazendo lembrar por vezes a de alguns filmes de Hitchcok.
Meus caros: não é fácil chegar aquele apuro. Temos bons técnicos de cinema, excelentes actores e realizadores que sabem da poda. E António Pedro de Vasconcelos, decerto muito inspirado pela bela Chaves mostrou o que é podar filme.
A ideia que eu tinha, era que o filme não passava de uma porno-chachada chique, um pretexto para o nosso APV poder filmar Soraia no esplendor do decadente Fuji Film, e assim poder encher os cinemas dos arredores com alarves que habitualmente não subscreveram o canal Playboy no cabo de casa. Nada disso. O filme podia ser americano, filmado em Los Angeles, e até a Kim podia substituir Soraia. Mas não era a mesma coisa...
Agora, fico sem perceber porque teve tantos anti-corpos o filme junto das ratas de cinemateca, que povoam as parcas colunas que os jornais dão à critica de cinema. Os nossos críticos têm medo de dizer bem do cinema português, quando este mostra vocação de poder vencer a indiferença dos viciados em telenovela. Preferem sempre aqueles realizadores que filmam em mini-Dv planos longos como as cassetes que os suportam, com drogados da Brandoa ou outros desgraçados. Ou então refugiam-se nos clássicos entre o Oliveira e o João Botelho, um benfiquista com sentido gráfico mas chato para caramba. Sendo que eu adoro Oliveira, embora adormeça.
O que é de lamentar é termos um homem como o APV que tem de ir fazer comentários estarolas para a RTPN sobre futebol, quando devia era estar atrás da máquina a gritar acção.
Menos palavras e mais acção, oh António Pedro!
